História Páginas em branco - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O, Kai, Sehun
Tags Chansoo, Kaihun, Sekai
Visualizações 125
Palavras 2.307
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, nenéns, voltei com o segundo capítulo. Acho ele bem fofo e espero que aproveitem a leitura.

Capítulo 2 - Página Dois


         Sehun estava satisfeito com o evento, apesar das perguntas terem sido repetitivas e comuns, algumas até chegaram a lhe surpreender. Não fora um bicho de sete cabeças. No entanto, fumou trinta cigarros durante duas horas, o que lhe indicava nervosismo com a situação, mas se saiu bem. Pelo menos foi o que Derek disse ao final, lhe abraçando e agradecendo pela honra. Perguntou se poderia fazer uma coluna sobre aquele evento do New York Times e Sehun disse que sim, aparentemente estava bem-humorado ou talvez fosse o efeito do Whisky, não sabia dizer com propriedade. Chanyeol estava radiante, quase saltitando com o sucesso do bate-papo.

O autor se colocou à disposição para autografar os livros e os leitores ficaram extasiados. Alguns traziam diversas edições de seus livros, incluindo a primeira em coreano. Assinou todos sem protestar, tirou fotos, sorriu e conversou um pouco mais com algumas pessoas mais insistentes. O último a ser levado até a mesa por Chanyeol era o jovem autor Kim Jongin, o que despertou o interesse de Sehun.

— Sehun, esse é Jongin, ele está vivendo em Nova York há um tempo e é um grande fã seu. – Disse Chanyeol com um sorriso nos lábios.

— Jongin, eu li dois dos seus livros.

— É sério? Você leu meus livros? – Os olhos do moreno estavam arregalados, um misto de ansiedade e pavor.

— Sim. – Sehun pegou os dois exemplares de seus livros para autografar e logo se distraiu do diálogo ao perceber que os livros estavam cheios de marcações, começou a folheá-los, lendo rapidamente as anotações a lápis no canto das folhas, os parágrafos em verde pelo marca-texto. Passou bons minutos ali, curioso. – Hm... Você se importaria de me emprestar seus exemplares?

— Ahn... Como assim? – Indagou abobalhado.

— Você ainda não fala inglês fluente? Prefere conversar em coreano? – E então repetiu a pergunta no idioma de origem de ambos.

— Não, não... Eu entendo perfeitamente o inglês. – Respondeu em coreano. – Eu só não entendi o porquê você quer levar meus exemplares, afinal, são seus livros...

— Mas tem conteúdo inédito nos seus exemplares. Suas anotações. Quero lê-las. Assim que eu terminar, prometo devolvê-los.

— Tudo bem...  – Sehun pegou um pedaço de post-it que estava sobre a mesa para aqueles que não gostavam de escritos em seus livros e anotou seu endereço para Jongin junto de seu número de telefone.

— Esse é o meu contato e endereço. Quando você vier buscar os livros eles estarão autografados e poderemos conversar sobre suas anotações, caso queira.

 

Jongin observou Sehun se levantar com os livros em mãos e lhe acenar com um movimento de cabeça antes de partir com Chanyeol, que lhe apertou o ombro e lhe disse um até breve. Continuou parado sentindo o post-it em sua mão. Ali estava o endereço de Sehun e seu número de telefone. Depois de um ano de espera, enfim havia conseguido se aproximar de seu ídolo, mesmo que todo o diálogo que planejara não acontecera, ele se sentia extasiado. Colocou o papel na carteira e partiu para seu apartamento quase correndo. Tudo parecia mais bonito. Durante o caminho a inspiração estava ali, nos casais, nas flores, nos carros, nas pessoas andando rapidamente para chegar aos seus respectivos compromissos. Tudo fazia muito mais sentido.

Quando enfim chegou ao apartamento, seguiu a rotina de preparar um café, ajeitar o notebook sobre a mesa e se sentar, encarando as páginas em branco que lhe causavam desespero há meses. Os dedos caíram sobre o teclado e as palavras começaram a sair, como se finalmente tivesse conseguido tirá-las de sua garganta e pudesse enfim vomita-las. Tomou todo o café que fizera e depois trocou por uma taça de vinho tinto. A garrafa foi acabando lentamente, enquanto via o branco ser trocado pelas palavras pretas, ocupando cada espaço possível pela formatação. Seu novo personagem era um fumante compulsivo, estressado, debochado e misterioso. Gostava de tudo do seu jeito e em seu tempo. Tinha o controle da vida em suas mãos até se apaixonar de forma tão avassaladora que vê todas as suas crenças desmoronarem. Ele era alto, com mãos grandes e tão belo que o mundo poderia simplesmente parar para observa-lo. Qualquer coisa que fazia, era com maestria e perfeição. De alguma forma, seu mais novo personagem era o mais palpável de seus romances e podia vê-lo caminhar de um lado para o outro do apartamento, estressado, com um copo de whisky e um cigarro em mãos.

                                                                             ~

Sehun estava concentrado nas anotações de Jongin em seus livros, com um caderno ao lado, anotou os parágrafos e frases grifadas pelo marca-texto e reescreveu as anotações em lápis no livro. Estava simplesmente fascinado com a análise e as propostas de Jongin para seus romances. Nenhum de seus críticos até aquele momento havia conseguido captar de forma tão profunda o que ele realmente queria dizer em seus livros, no entanto o jovem autor parecia conhece-lo intimamente. Até mesmo alguns pensamentos que ficaram de fora quando escrevera, mas que existira durante a escrita era anotado nos cantos. Como se tivesse participado da criação ou melhor como se tivesse participado de seus pensamentos e sentimentos.

O mais experiente dos autores passou exatamente dois dias sem dormir, anotando e lendo o que Jongin pensava e destacava em suas obras. Quando enfim terminou estava extasiado e mesmo exausto, o primeiro copo de whisky em dois dias estava em suas mãos, acompanhado do cigarro enquanto caminhava de um lado para o outro do apartamento, fascinado pelo fato de que o outro havia compreendido suas palavras, suas emoções. O outro havia invadido sua mente e sua pele. Como? Como conseguira?

Pegou o celular e ligou para Chanyeol. Devia ter anotado o número de Jongin, mas acabara esquecendo, no entanto sabia que o melhor amigo conseguiria essa informação facilmente.

— Chanyeol? Preciso de um favor.

— São seis horas da manhã, Sehun.

— Eu não perguntei as horas. Eu preciso do número de telefone do Jongin.

— Quem é Jongin, Sehun?

— Chanyeol, você pode acordar? Qual a dificuldade de ser útil quando eu preciso de você? Parece que só gosta de mostrar competência quando eu não estou interessado.

— Cara, você é muito chato. Jongin é aquele autor, não é? — Ele bocejou, deixando Sehun ainda mais estressado.

— É. Você pode conseguir o número dele ou eu preciso de um novo assessor?

— Você está muito mal-humorado. Espera um minuto. – Sehun ouviu o movimento através do aparelho celular.

Sentou-se na janela, olhando o dia clarear lentamente através dos prédios. Algumas pessoas já caminhavam pela rua, dando início a mais um dia de trabalho. Começou a tamborilar os dedos na parede, impaciente.

— Voltei, consegui o número e te enviei por mensagem. Eu posso voltar a dormir agora?

— Obrigado.

Não esperou pela resposta do amigo e desligou o celular, abrindo o aplicativo de mensagens e clicando no número que lhe fora enviado. Não se preocupou em saber se Jongin estava dormindo, transando, correndo ou qualquer outra coisa. Era tudo sempre em seu tempo.

— Alô? — Falou a voz sonolenta do outro lado.

— Jongin?

— Sim... – Bocejo. — Quem fala?

— Oh Sehun. — O mais velho ouviu o barulho do outro lado da linha, parecia que algo havia caído. Alguns segundos de silêncio.

— S-Sehun? Como posso ajudá-lo?

— Você tem compromisso hoje?

— Não. Minha agenda está livre.

— Estou te aguardando em meu apartamento o mais rápido possível. Espero que ainda tenha o meu endereço. – Desligou antes de ouvir a resposta, jogando-se no sofá. Precisava de um banho antes de sua visita chegar.

Jongin estava jogado no chão, encarando o teto. Não conseguia acreditar no que lhe foi dito. Ficara tão assustado que caíra da cama quando ouvira o nome do ídolo do outro lado da linha. Passou alguns minutos em total choque, até enfim perceber que o outro lhe esperava, o que o fez levantar rapidamente e correr para o chuveiro.

Ainda estava fora de si com a ligação, havia planejado diálogos com o autor que não aconteceram quando se encontraram pela primeira vez o que lhe frustrou, no entanto ali estava, se arrumando para ir até a casa do outro e conversar sobre livros. Não se dera nem ao trabalho de tomar café, tamanha a euforia que lhe dominava. Não conhecia o endereço, então chamou um Uber para leva-lo até o local. Percebeu pelo trajeto que não era tão longe assim de sua residência.

 

Passou o caminho olhando pela janela, pensando se Sehun havia gostado de suas anotações e o motivo pelo qual o outro lhe chamara tão cedo e por um instante preocupou-se de ter interpretado errado. Talvez Sehun não quisera dizer que o queria em sua casa naquela hora e sim ao decorrer do dia. Se fosse isso, então passaria uma grande vergonha por ter corrido tanto.

Quando enfim chegou ao destino, encarou o prédio com certo desespero. Deveria subir ou não? Enquanto estava debatendo consigo mesmo o impasse, surpreendeu-se com a simplicidade do local. O bairro era simples, bem movimentado, o prédio não se destacava em nada. Imaginou que Sehun vivesse em uma mansão ou em um apartamento em Manhattan, mas ali estava. Olhou para cima e viu alguém sentado na janela, fumando um cigarro. Deu uma risada e decidiu subir. O porteiro pediu sua identificação e logo o autorizou a seguir. Ele estava esperando-o.

Sehun saiu da janela após ver o moreno finalmente adentrar o prédio, serviu a xícara com café e sentou-se no braço do sofá, esperando pela batida na porta que não demorou a acontecer. Quando Jongin entrou, eles se cumprimentaram com um aperto de mão. O mais baixo olhou fascinado para o pequeno apartamento. Havia livros em todas as paredes possíveis. Estantes e mais estantes de livros. Ele nem sequer pensou que poderia ser mal-educado. Simplesmente fora em direção as prateleiras, olhando as edições em diversos idiomas, títulos encadernados, lindos. Tirou vários do lugar e os folheou com cuidado. O outro o encarava com um sorriso no canto dos lábios, sentou-se novamente no braço do sofá, permanecendo em silêncio enquanto observava o moreno empolgado.

— Como conseguiu todos esses livros?

— Ganhei muitos, comprei muitos.

— Mas alguns são raros de conseguir.

— Eu sou um maníaco por livros. Não me importo em quanto vou gastar.

— Você é maníaco.

— Bem observado.

Sehun serviu duas xicaras de café e seguiu em direção ao sofá, onde Jongin encontrava-se sentado. Em suas mãos o caderno com as anotações do mais alto e as suas próprias copiadas na caligrafia perfeita do outro. Pegou a xícara oferecida a si e encarou o outro sentado à sua frente.

— Quantas vezes você leu V.P?

— Quinze.

— Quinze vezes?

— Sim. É o meu livro favorito.

— Por que? — Essa sempre era sua pergunta para os leitores que elogiavam seu maior romance. Por que? E as respostas eram longas demais, complicadas demais e ele não conseguia entender como elas haviam tirado tanta coisa de uma história tão simples. Ficou com medo da resposta. Percebeu que não queria decepcionar-se com Jongin. Ele era diferente. O conheceu apenas através de suas anotações e seus dois romances, mas algo nele lhe instigava.

— Porque é real. Não há o fetichismo comum dos escritores pela palavra ficção. Não há magia, ilusão. As palavras são cruas e tão sinceras quanto a vida. Vidas Perdidas é a realidade escrita. — Sehun sorriu. Era aquilo que desejara passar. Nada além. Nenhuma fábula com moral no fim. Apenas a realidade.

— Estou impressionado. Suas anotações são incríveis e eu nunca acreditei que alguém conseguiria entender minhas obras tão perfeitamente.

— Não acho que eu as entenda melhor do que outras pessoas. Acho que apenas compartilho o que você tentou expressar. Mas é aberto para outras interpretações, não?

— Sim. A literatura é totalmente aberta para todos os tipos de interpretação. No entanto, o quão raro é encontrarmos um leitor que entenda exatamente o que o escritor quer passar?

— Quase impossível...

— Exatamente! E você conseguiu.

Jongin se sentiu extasiado com aquilo e logo Sehun e ele entravam em diálogos mais profundos sobre a escrita, sobre os livros e histórias que escreveram e tinham o desejo de escrever. Não imaginara que conversar com o outro seria tão simples.

Pararam de conversar apenas para comerem algo, ao perceberem por ambos os estômagos que a fome chegara. Sehun realmente ficou impressionado com as anotações do mais jovem, eles falaram horas a fio sobre cada pequeno detalhe do livro, parecia que estava reescrevendo o mesmo. Eles pareciam amigos há décadas. Contavam histórias, constrangimentos e vergonhas que passaram durante a vida. Sehun nunca havia sentido isso com outra pessoa. Mesmo com Chanyeol, que era seu amigo de infância. Eles não tinham muito em comum e nos olhos do mais velho, ele era alguém esquisito com talento, aos olhos de Jongin ele era incrível e fazia muito tempo que não se sentia assim.

— Eu estou tentando escrever um novo romance. Algo avassalador. Algo que tire o ar. Que fale de um amor tão profundo que mate.

— Meio dramático.

— Não é dramático! É a ideia de um amor tão intenso que faça você se perder, entende? Algo que te faça questionar suas crenças.

— É utópico.

— Sim! É completamente. Mas ao mesmo tempo, será? É impossível existir um amor assim? Ou será que fugimos quando estamos perto desse sentimento?

— A ideia é interessante, mas porque você está tentando e não escrevendo?

— Não consigo tirar a história da cabeça.

— Eu te entendo. Estou passando por isso também. Preciso entregar um livro de contos, algo que nunca escrevi. Tenho algumas histórias, mas não consigo colocá-las no papel. De alguma forma elas não me satisfazem. Falta algo.

— Amor?

— Pelo amor de Deus, Jongin, pare de falar de amor!

— Eu não consigo! É a palavra chave da minha história.

— Vai ver que é por isso que não consegue escrever.

— Como assim?

— O amor é algo amplo demais. Difícil demais para colocar nas páginas em branco. Procure algo diferente. Algo mais simples. O amor irá simplesmente surgir.

— Como o que, por exemplo?

— Tudo na vida começa com um único sentimento: desejo.


Notas Finais


Enfim, é isto. Espero que tenham gostado do capítulo e que continuem dando amor para PEB.
https://twitter.com/daddy10yixing < Link do meu twiter, caso queiram perguntar algo, criticar ou elogiar.
Beijinhos e até a próxima semana.


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