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História Pain, Blood and Metal - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Promessa de dedinho


Afundei as unhas na palma da mão direita tentando, de algum modo, extravasar a minha irritação. Lauren sempre disse que as segundas-feiras eram como o inferno na Terra. Hoje eu tenho certeza de que ela tem razão. 

Primeiro: acordei atrasada para a escola. Não tive tempo de tomar café da manhã e nem de pentear o cabelo. Perdi o metrô. Precisei vir correndo e foi por muito pouco que não esbarrei no babaca do Flash na entrada. Eu o teria jogado longe na velocidade em que estava.

Segundo: Peter não passou para me chamar. Não que ele seja obrigado, mas se tornou um tipo de tradição. Ele bate na janela do meu quarto, apostamos corrida até a estação e escutamos música durante o trajeto até a escola. Em alguns dias, conversamos sobre os crimes ou reclamamos dos machucados causados pelos bandidos.

Terceiro: ele está me evitando. Não respondeu nenhuma das minhas mensagens e toda vez que me aproximo ele se esquiva, finge estar ocupado ou simplesmente desaparece. 

Tudo isso depois da ligação do Stark. 

Agora ele está sentado em outra mesa com o Ned, fingindo que eu não existo. O que pode ter acontecido para ele me tratar assim? 

-É melhor tomar cuidado ou vai derreter o Peter com esse olhar. -comenta M.J sem desviar os olhos do livro.

-Ele é um idiota. -murmurei.

-O que aconteceu? -ela ergue as sobrancelhas. -Até a semana passada vocês eram os melhores amigos do mundo.

-Eu não faço ideia. Ele está me ignorando. 

-Homens. -ela revirou os olhos antes de voltar a sua atenção para o livro.

Afastei a bandeja com o almoço de mim. Perdi completamente o apetite. Não sei porque ficar longe do Peter me incomoda tanto. Mentira, eu sei sim. É porque acreditei que ele fosse meu amigo. 

-Eu vou dar uma volta. -disse. 

-Não ataque ninguém. -brinca M.J.

-Não prometo nada. -murmurei. 

Enfiei as mãos nos bolsos e sai do refeitório sem olhar para trás. Os corredores estão vazios então não preciso me preocupar com professores e estudantes curiosos. Desço um lance de escadas indo para a saída. Uma corridinha é tudo que preciso para esfriar a cabeça e colocar as ideias no lugar.

-Estou dizendo, é aqui. -diz uma voz conhecida ao corredor adjacente. 

-Cara, eu odeio escolas. Todos esses adolescentes remelentos me dão náuseas. 

Caminhei até o fim do corredor. Estiquei o pescoço, mas rapidamente voltei a minha posição inicial. É o tatuado! O meu torturador particular. O cara dos choques. Como ele conseguiu me encontrar? Tomei todo o cuidado para que nenhuma foto minha fosse postada em redes sociais ou aparecesse na televisão. Uso até uma máscara para poder me esconder. 

Espera aí. 

Espiei novamente os dois homens que se aproximam cada vez mais. O outro, com capuz preto estava no porto a dois dias. Consigo reconhecê-lo pelo olhar feroz e a cicatriz que passa por sua sobrancelha. As engrenagens na minha cabeça começam a funcionar. 

Peter disse que ouviu a conversa de dois dos capangas perto da lojinha do senhor Delmar. A transação ocorreu poucos minutos após chegarmos ao porto. Era tudo uma armadilha, sem dúvidas, mas não era para os Vingadores. Era para mim. De algum modo, eles descobriram que estou em Nova York ajudando o Homem-Aranha. Sinto arrepios apenas por pensar que poderia ter sido capturada naquele dia. 

-April! -Peter aparece no início do corredor. Ele fala em seu tom normal, mas está tão silencioso que os bandidos podem ouvir.

Faço sinal para que ele cale a boca. 

Peter me conhece bem para saber que estou em alerta. Ele se aproxima em passos tão silenciosos que é como se seus pés não tocassem o chão. Aponto para os homens no corredor ao lado. Peter ergue o pescoço e me encara com os olhos arregalados. Sei que ele os reconheceu. Contei a ele e ao Ned sobre o tatuado e ele é inteligente o suficiente para saber o porquê da presença do outro cara.

-Não podemos lutar na escola. -murmura.

-Eu sei. -respondo no mesmo tom, esquecendo da raiva. -Alguma ideia?

Ele pensa por um segundo.

-Vem. 

Peter pegou a minha mão e me puxou até a sala mais próxima, o laboratório de química. Ficamos atrás da porta, observando pela fresta de vidro. 

-Essa é a quinta escola que invadimos. -diz o capanga de capuz irritado. 

-Se vocês fossem mais competentes não perderíamos tempo procurando pela garota. -retruca o tatuado com a mesma irritação. -Ela deveria ter sido capturada naquele dia, mas eu deveria saber. Ela é mais inteligente que qualquer um de vocês e ainda tem ajuda daquele garoto-aranha.

-Homem-Aranha. -o outro homem corrige.

-Tanto faz. -ele balança a mão. -Não me admira que ela tenha conseguido chegar aos Estados Unidos sozinha. Os pais dela eram geniais.

-Ela deve ser mesmo brilhante se conseguiu escapar de você e da sua equipe Frank.

O tatuado riu irônico.

-Aquela garota teve muita sorte. Se não fosse pelo ataque da bruxa e daquele robozinho ela ainda estaria presa. 

-Acho que eles estão falando do Visão e da Wanda. -Peter murmura. 

-Mas ela vai ver. -Frank sorriu malicioso. -Quando a encontrarmos nem a doutora vai impedir a surra que ela vai receber. Se ela quase morreu com os choques, não vai aguentar o que a espera. 

Meus olhos os seguiram até que viraram em um corredor e os perdi de vista. Suspirei aliviada. Sim, eles estão em meu encalço, mas não me acharam. Não sabem nada sobre a minha família adotiva ou que procurei Tony Stark para pedir ajuda. A única coisa que sabem é que estou na companhia do Homem-Aranha, que é tão difícil de se capturar quanto eu. 

Peter virou a cabeça me olhando nos olhos pela primeira vez em dias. Meu coração acelerou por encontrar as íris castanhas me fitando com intensidade e preocupação. Mordi o lábio e olhei para baixo, envergonhada. Percebi que continuamos de mãos dadas. Solto com as bochechas pegando fogo. Peter tosse e coça a nuca sem jeito. 

-O senhor Stark tinha razão. -ele começou tentando contornar a situação constrangedora. Ergui a sobrancelha sem entender.  -Eles conseguiram seguir você. É provável que tenha sido no dia em que você atacou aqueles assaltantes no banco, sem a máscara. Seria fácil achar o seu rosto pelas câmeras de segurança.

-Esse é o motivo? -cruzei os braços, a raiva voltando em força total. Peter me olhou confuso. -Está me ignorando porque descobriu que eles estavam atrás de mim? -ele continuou calado e revirei os olhos. -Qual é, Peter. Sei que tenho traumas, mas eu aguentaria algo assim. Amigos não deveriam guardar segredos.

-Sério? -é a sua vez de cruzar os braços. -Então porque não me contou das torturas? Os espancamentos e os choques? Além da anemia, desidratação, desnutrição, quase morte. -ele enumerou nos dedos. 

-Não era necessário. -murmurei acuada. 

Como Peter sabe sobre isso? 

É claro, Stark. De algum modo, ele acessou o banco de dados do laboratório e conseguiu as informações sobre o Projeto 35B. 

-Olha, você não precisa esconder nada de mim, April. -Peter segura as minhas mãos entre as suas. -Estamos juntos nessa. Precisamos ser cem por cento verdadeiros um com o outro. 

-Desculpa. -pedi sinceramente comovida. 

-Eu também peço desculpas. -ele sorri. 

-Sem mentiras dessa vez? -ergui o dedo mindinho. Uma sombra de sorriso no rosto.

Peter engoliu em seco.

-Sem mentiras. -disse por fim ao entrelaçar o dedo no meu. 

O sino indicando o fim do almoço toca e somos obrigados a sair da sala. Caminhamos juntos em direção a aula de história sem dizer uma palavra. Sentei ao lado da M.J que está ocupada demais rabiscando um desenho para notar a minha presença.

As aulas são como um borrão na minha mente. Não escutei uma palavra que saia da boca dos professores. Os meus pensamentos estão na minha incompleta família do Queens, Emma, Lauren e Andrew. Eles são tudo o que tenho agora. Não posso deixar que Frank ou qualquer outro os machuque. Preciso protegê-los. 

Às duas e quarenta e cinco, deixo a escola com a mochila escorregando do ombro. Estou correndo na velocidade de um humano normal, apressada para chegar na rua. Esqueça o metro. Vou colocar os meus tênis de corrida e chegar em casa em cinco minutos.

-April! -Peter segura o meu pulso. -Espera!

-Não posso. -me soltei do seu aperto. -Preciso ir para casa. Emma…

-Ei, não se preocupe. -ele tenta me passar segurança. -Eles estão seguros. 

-E por quanto tempo? -pergunto preocupada. -Frank e os outros vão acabar me encontrando mais cedo ou mais tarde. Não posso perdê-los, Peter. Eles são tudo o que tenho.

Pela primeira vez desde que nos conhecemos, Peter me puxa para um abraço. Timidamente, passo os braços ao redor do seu corpo. Sei que há uma massa constante de alunos passando por nós, sinto os olhares deles queimando a minha nuca, mas para mim é como se estivéssemos sozinhos. A batida de seu coração, a respiração calma, é completamente familiar. 

-Você tem a mim. -murmura.

-Você sabe se proteger. -me afasto, tentando ignorar a vontade de voltar para os braços do Parker. -Eles não. 

-Vamos dar um jeito. -ele sorri com seu jeito tímido. -Juntos lembra?

-Obrigada. -sorri verdadeira feliz. 

-Terminaram a ceninha? -Tony tira os óculos escuros. Ele está a poucos metros de distância. 

-Senhor Stark o que está fazendo aqui? -pergunta Peter obviamente nervoso. 

-Eu tenho alguns negócios na cidade e nós precisamos conversar. -ele aponta para o carro. -O que acham de um lanche?


Notas Finais


O que vocês acharam? Não posso falar muito ou vou dar spoilers.
Comentem suas teorias ai em baixo. Adoro conversar com vocês!
xx S


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