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História Pain in Gold (Malec) - Capítulo 19


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Notas do Autor


Olar Olar!

Pra quem gosta de ler ouvindo música, e adoraria uma sugestão: A música que ouvi enquanto escrevia foi A Beautiful Lie de Thirty Seconds to Mars

Capítulo 19 - A justiça dos anjos


Fanfic / Fanfiction Pain in Gold (Malec) - Capítulo 19 - A justiça dos anjos

“ – Sr. Herondale – disse me levantando sem dar muita atenção para o homem que havia infernizado-me por dias atrás de uma entrevista. Fechei os botões do meu terno e então levantei o olhar deixando de lado a visão de toda Manhattan. 

Oh céus! 

-  Alec Lightwood – disse aceitando meu cumprimento – O senhor Herondale está doente, pediu que eu o substituísse. 

Sua pele foi a primeira coisa que chamou minha atenção. Mas, como não chamar? Acho que nunca havia visto alguém  com a pele tão clara e  cabelos que contrastassem tanto! Branca de neve era ninguém  perto dele. 

- Alec? Apelido para qual nome? – perguntei recobrando meus sentidos depois de alguns segundos em silêncio. Indiquei  uma cadeira a minha frente.

- Alexander – respondeu um pouco rubro – Mas prefiro Alec.

- Alexander... – Testei, enquanto observava o rapaz mexer um tanto nervoso em sua mochila feia.  Era um nome forte, bonito e sensual, como o homem a minha frente. 

- Podemos começar? – Sua voz vacilou um pouco me fazendo sorrir ladino. Era sempre essa a reação que causava na maioria das pessoas. 

- Quando desejar, Alexander... – Seu nome era realmente delicioso de se pronunciar, certamente era o melhor nome possível para aquele homem. 

...

Se o tom leitoso de sua pele foi de longe o captou minha atenção, o termo arrebatado talvez fosse a melhor definição para o que me acometeu quando meus olhos fixaram-se nos lábios naturalmente vermelhos e bochechas coradas que adornavam seu rosto a cada frase cheia de intenções que despejava sobre ele.

Não, não estava sendo nem um pouco discreto em demonstrar meu interesse, e isso não era do meu feitio, até porque, não era realmente comum o fato de alguém me interessar, mas ele? A timidez que deveria levar minha paciência embora, fazia extremante o oposto, assim como a boca travessa, que devo admitir, me deixava  ainda mais atento a cada nova resposta ácida, e morto de vontade de prova-la. Me irritava o fato de que ele não parecia nem um pouco intimidado por mim ou tudo que estava sobre meu comando, mas na mesma medida que desejava puni-lo, também queria possuí-lo.

-Você é gay? – suas palavras saíram cuspidas, e Alexander pareceu se arrepender de proferi-las assim que terminou. 

Em todos os anos de entrevista, ninguém nunca havia tido coragem de perguntar abertamente sobre minha sexualidade. A maioria dos jornalistas não fazia tais perguntas, mesmo quando essas estavam em pauta, e os que tentavam, sempre o fazia de um jeito muito idiota, mudando o rumo do assunto logo depois. Eu sabia que esse questionamento sempre foi de interesse do público,  sempre aparecia de algum jeito ou de outro nas matérias, mas nunca alguém havia tido a coragem ou falta de noção de me perguntar tão abertamente. 

- Está escrito aqui... – Apontou para a folha que segurava quase como um pedido silêncio de desculpas.

- O que mais está escrito aí Sr.Lightwood? – Perguntei sem deixar de pincelar algumas notas com um teor completamente sexual deixando o homem sem graça. Suas bochechas coradas me deixavam vergonhosamente excitado. 

Alexander discorreu as dúvidas naturais e já conhecidas por mim de forma rápida e fluida, finalizando o texto voltando a olhar em meus olhos. Me movi em minha cadeira sem desgrudar minha atenção do rapaz a minha frente. Ele podia dizer que não estava interessado em saber a resposta, mas seus olhos diziam algo completamente diferente. 

Alexander era gay?

- Qual a próxima pergunta? - Perguntei 

-  Não vai responder? – disse rápido, abaixando o rosto lodo em seguida. 

Sim, ele era gay. 

- A resposta te interessa muito? – Sorri malicioso. Estaria ele fingindo uma falsa falta de interesse? Se sim, aquilo me irritava como em todas as pessoas que usavam dessa artimanha batata, mas diferente delas todas, ele realmente capturava minha atenção. 

- É importante para o Jace essas respostas – disse baixo. 

Meus punhos fecharam em baixo da mesa. Quão próximo Alexander era do Herondale? 

- Jace... – copiei chamando sua atenção.- É uma pena que seja importante apenas para jace – desdenhei – poderia obter uma resposta concreta se fosse você a perguntar.

- Próxima pergunta – disse rápido cortando qualquer tentativa de flerte de minha parte, mas não iria parar por aí. Já que estava sendo obrigado a participar dessa entrevista, me divertiria até o final. 

- Não prefere saber a resposta da pergunta que me fez? – deixei minha surpresa escapar em minha voz

- Você disse que não iria responder e eu respeito.  –  falou simplista. 

- Não. –  respondi após alguns segundos. 

- “Não” o que? 

- Não sou gay. – falei sério vendo-o assentir.

- Então a falta de acompanhantes vem apenas do desinteresse em relacionamentos? – essa pergunta estava na lista? 

- Exatamente. Mas só porque disse que não sou gay, não significa que sou hétero. – Por algum motivo eu queria que ele soubesse minha bissexualidade.  – Posso ser assexual  por exemplo.... existe muita coisa por trás da sexualidade  - Escondi minha vontade de rir permanecendo sério. Alexander parecia confuso. 

- Você é? – ele parecia quase triste com a possibilidade de eu não ter uma vida sexual ativa. Se ele soubesse... 

- Não. –  Ele ficou em silêncio novamente. – você tem três minutos - disse olhando no relógio em meu pulso.

Eu queria mais tempo com Alexander...

... 

- Tem tudo que precisa? – perguntei na intenção de adiar aquela despedida – não precisa de mais nada? 

Alexander negou rápido e caminhou até a porta, e nunca saberei como de um segundo para o outro ele havia conseguido ir ao chão em um tombo causado por seus próprios pés.

Estendi minha mão para ajudá-lo e ele timidamente aceitou. O perto firme me arrepiou, assim como o magnetismo que pareceu surgir naqueles breves segundos antes que ele soltasse minha mão, colocando a sua no bolso da calça.  

- Obrigado novamente senhor Bane. – Falou baixo 

- Foi um prazer Alexander. Com certeza bem maior do que se tivesse recebido Jaden. – Respondi ainda parado em minha porta vendo-o se afastar.

Talvez tivesse errado o nome do rapaz Herondale, mas pouco me importava. No momento,  estava ocupado demais observando a bunda de Alexander infelizmente se afastar para longe de mim.

Voltei para minha cadeira e disquei para minha secretária.

- Cida, desmarque toda e qualquer reunião de hoje. – Desliguei sem esperar uma resposta.

Corri meus olhos por aquela sala vazia, e sem qualquer interesse em me parar, digitei seu nome na busca de pesquisa de meu computador.

- Alexander Lightwood... vamos ver o que mais descobrimos sobre você..”

 

...

 

- Sr. Bane?! – A voz de Valentim entrou grave e alta em meus ouvidos, esvaindo aquele rosto perfeito de minha mente.

- Pois não? – me movi desconfortável em minha cadeira presidencial. 

A quantas horas ainda estávamos aqui? 

- O senhor está bem? – o homem perguntou levantando as sobrancelhas com um ar fingido de preocupação.

- Pareço o contrário? – devolvi sem muita paciência

- Sim – o homem se interrompeu – Digo, parece aéreo... não comentou sobre nenhuma das propostas que sugerimos para o caso...

- Estou pensando em algo melhor.. – Girei a caneta entre meus dedos. Sem dúvida alguma pensar em Alexander era melhor que aquilo, melhor do que qualquer coisa. 

- Não gostou de nenhuma das propostas – uma das estagiárias perguntou baixo sem deixar os olhos de suas folhas de anotação.

- Não, Nenhuma senhorita..? – apontei a caneta em sua direção. Não sabia quais eram as propostas, mas certamente que eram horríveis. Sempre eram.

- Jessica, Sr. Bane – respondeu ajeitando os óculos redondos em seu rosto oval 

- Me diga você senhorita  Jessica... Como ganharemos o caso da senhora Evans? - A moça me olhou assustada, mas sem me importar com os olhos arregalados, permaneci encarando-a esperando uma resposta.

Não era comum de minha parte exigir tanto de meus estagiários, mas, se quisessem mesmo entrar no império  Bane e  trabalhar comigo e com os melhores, talvez fosse interessante atrair minha atenção com ideias inteligentes. 

- E então...? – voltei minha atenção para a garota loira e muda sentada a algumas cadeiras de mim. 

- Bem... – gaguejou – Eu acho... 

- Nunca ache nada no tribunal. Tenha certeza... – disse firme – com achismos não se ganha. 

A garota assentiu frenética e depois de respirar fundo pegou suas anotações. Voltei a encostar confortável na cadeira aguardando seu tempo.

- Enquanto todos falavam, notei que nos documentos disponibilizados pela cliente, existem evidências de abusos psicológicos e físicos  por parte de seu marido falecido. Levando em conta o estado quase catatônico da mulher, podemos surgir com um pedido ao juiz recorrendo um prazo mais longo pra o início do julgamento e solicitar intervenção psicológica. – sorri levemente em sua direção e a garota que ao notar, pareceu ganhar mais força em sua fala – se comprovado, podemos alegar insanidade temporária devido anos de maus-tratos. Ela não possuía nenhum antecedente, não  apresentou resistência ao ser confrontada pela polícia, não tentou esconder o corpo... 

Jessica aos poucos ganhou mais confiança, mostrando os documentos de onde havia tirado suas hipóteses atraindo a atenção do restante dos presentes, a jovem loira e franzina pareceu ganhar corpo em frente aquelas pessoas, e com isso, desenvolveu melhor sua teoria de forma mais limpa e segura. Daria uma excelente advoga no futuro. 

Aos poucos, enquanto apresentava seus pontos, respondendo algumas dúvidas da mesa, me inclinei fingindo prestar atenção,  e por alguns minutos até consegui de fato, mas em segundos,  minha mente divagou para longe como uma folha sendo levada por uma brisa. Eu não queria, mas ele havia aparecido outra vez para me atormentar. 

Alexander...

- Ótimo – cortei a garota me levantando – Vocês todos cuidarão da defesa da Senhora Evans. Jessica ficará responsável por organizar as buscas pelos documentos necessários e toda a articulação que usarei no tribunal. 

Comecei a caminhar em direção a porta em passos rápido ouvindo cochichos preocupados e confusos. Nunca havia deixado uma reunião, tão pouco feito uma defesa criada por outro... 

- Magnus, Magnus! – uma mão segurou me braço assim que me afastei da sala alguns passos.

- Diga Raphael – me soltei de seu aperto.

- O que está acontecendo com você? – perguntou baixo   – É ele não é? 

- Ele quem? - arqueei as sobrancelhas fingindo desentendimento.

- Alexander... não se faça de desentendido

- Alec, para você é Alec. E não, não tem nada haver com ele – menti voltando a caminhar em direção a minha sala.

- Mentira! Você sempre foi ruim em mentir Magnus – gargalhei virando-me em sua direção

Parecia cômico alguém dizer que eu não sabia mentir. Logo eu, cujo o trabalho era mentir para convencer, e a vida toda era uma grande mentira. 

- Você não sabe o que diz Raphael...

- Talvez não saiba... – Ele suspirou se aproximando – Mas uma coisa eu sei. Esse rapaz, desde que ele surgiu na sua vida...  você não é o mesmo! Eu achei que ele era uma coisa boa, mas agora já não tenho tanta certeza...

- Não fale dele.. – o cortei bruscamente – Você não sabe nada. Não tem parâmetro algum para seus achismos. Fique fora os meus assuntos Raphael. 

Talvez eu me arrependesse da forma como falei com meu irmão, mas se fosse o caso, isso aconteceria mais tarde. Agora eu só precisava ficar sozinho.

Bati no ombro de Raphael em um cumprimento amigável dando a volta por seu corpo, e parti em direção ao elevador. 

- O que infernos você está fazendo comigo Alexander? – Murmurei quando finalmente as portas de metal se fecharam me levando ao térreo.

Mais uma vez sairia atrás dele...

 

....

 

“O  tesão que deveria irradiar o meu corpo não estava lá. Não era nada agradável olhar para Alexander naquele estado... 

Seus olhos eram um misto de tristeza, raiva e medo, e eles me queimavam. Alexander não desviava sua atenção de mim, e eu não conseguia o olhar de volta. Não queria ser bombardeado por aqueles sentimentos vindos dele.

A palmatória já havia escorregado da minha mão a muito tempo, ela bateu no chão formando um som alto que quase se assemelhava ao quebrar de algo. Talvez fosse o som perfeito para o momento,  porque eu me sentia quebrado, Alexander estava quebrado... E a confiança que ele havia depositado em mim estava simplesmente destruída.

Maldita hora que decidi não retirar aquele castigo do seu contrato! Porque ele havia pedido isso? Porque ele havia exigido sofrer em minhas mãos? 

Eu precisava cuidar de seus ferimentos, ele precisava de um banho morno com ervas calmantes para amenizar a dor e evitar o inchaço. Tentei segura-lo assim que cambaleou para trás, mas sua voz cheia de ódio e as mãos trêmulas criaram uma distância mínima entre nós. 

Seus  dedos tocaram a pele machucada e as pontas ficaram avermelhadas evidenciando o nível dos machucados causados por mim. Meu rosto se contorceu em dor e o dele em espanto.

Alexander estava com medo de mim... 

- É assim que você me quer Magnus? Você fica excitado me vendo assim? – Apontou as pontas sujas de sangue em minha direção.

Não.

A resposta era simples, mas eu não conseguia falar... Em outras ocasiões eu certamente teria ficado extasiado, mas com aqueles olhos envoltos em magoa e pavor, não havia possibilidade alguma de sentir prazer naquela punição. Eu nunca o puniria desse jeito.

Minha falta de fala o cansou depois de minutos, e como o esperado, sem mais motivos para ficar, Alexander  em passos bambos  se afastou me deixando sozinho no quarto que agora, só me parecia a pior das prisões.

 

...

 

O chuveiro fez barulho por muito tempo, provavelmente por  mais de uma hora. Ao lado de fora eu conseguia ouvir os seus soluções ecoando baixinho, e aquele som me deixava ainda mais desesperado. Eu não sabia se a água estava muito quente, ferindo sua pele ainda mais, ou fria demais ardendo a região machucada. Certamente os óleos com as ervas ele não acharia e por isso, a dor continuaria ainda mais intensa depois do banho. 

Eu sabia que ele não desejava me ver, então, em cima de sua cama deixei todos os medicamentos necessários. Um relaxante muscular, uma pomada de cicatrização antibactericida e um  creme para aliviar as marcas roxas que certamente já cobriam toda a região de sua bunda. 

Pensar em Alexander tão machucado me dava quase ânsia de vômito. Não por nojo dos machucados que agora pintavam sua pele e rodeavam minha mente,  mas por ser eu aquele que marcou-o daquela forma tão vil. 

Assim que o barulho do chuveiro cessou, sai do quarto em silêncio  e como uma criança que havia feito bagunça, corri para os meus aposentos. Não sabia se Alexander exigiria ir embora naquele momento ou  seu corpo aguentaria os longos minutos até sua casa, mas torci para que o cansaço o vencesse, e eu pudesse tê-lo ali comigo um pouco mais; Mesmo que fechado em outro cômodo, querendo a todo custo me evitar.

Algumas horas depois, tomei  coragem e liberdade de andar até seu quarto usando como desculpa os ovos mexidos e suco de laranja que havia preparado, e abri a porta lentamente segurando com uma mão a bandeja.

O quarto estava escuro e Alec parecia estar dormindo envolto em cobertas, por um segundo desejei não ter entrado, mas como já estava lá, caminhei devagar deixando a bandeja ao lado da cama ouvindo sua respiração calma. Vê-lo daquela forma me trouxe uma certa paz.

 A comida já estava entregue e eu deveria e me retirar, mas seguindo mais uma vez minhas vontades, acendi o pequeno abajur e sentei-me na ponta da cama ao seu lado. Eu só queria vê-lo um pouco mais, saber que estava bem. 

- Eu sabia que isso uma hora ou outra ia acontecer... – Toquei levemente nos fios negros espalhados desorganizadamente pelo rosto e travesseiro – Porque você pediu que eu te machucasse Alexander? Porque me permitiu ir até o final...? – Sussurrei Aflito. Não queria acorda-lo, mas tanta coisa queria sair e eu sabia bem que com ele acordado nunca viriam a tona. 

Meus dedos desceram levemente por sua bochecha e ali deixei um carinho  suave, um carinho que já havia feito nele muitas vezes antes sem que ele soubesse, sem que ele sequer suspeitasse.

-  Eu juro que não queria te machucar.... – Um bolo foi formado em minha garganta me deixando desesperado. – Mas eu sou assim Alexander – solucei – Eu sou quebrado... Eu não sei sair disso, e talvez nem queira pra falar a verdade.... 

Olhei de relance para Alexander e ele continuava a dormir sereno. Ele sempre era lindo, mas dormindo parecia um anjo. 

- Olha onde eu coloquei você... – Engoli aquela vontade desesperadora de chorar cobrindo meu rosto para ganhar um pouco de calma.

- Eu quero que você saia daqui... – sua voz saiu em um sussurro fraco. Descobri meu rosto e encontrei seus olhos atentos e frios em minha direção 

- Alexander... Você me ouviu? – Desesperei-me  O quanto ele ouviu? O quanto ele ouviria além daquilo? 

Alexander não me respondeu, descobriu-se em um único movimento fazendo uma expressão de dor ao tentar achar uma posição confortável para se sentar. Olhei para a mesinha de centro ao seu lado, onde havia colocado a comida e encontrei evidências de que os remédios haviam sido usados.

- Sai daqui... Por favor – ele repetiu – Eu vou me arrumar pra ir embora.

- Me perdoa... – supliquei. Não era do meu feitio, mas eu não conseguia me controlar perto dele, perto daquela expressão tão machucada. – Eu não devia.. Eu sei, eu devia ter parado. Eu não devia ter aceitado... 

- Você não tinha escolha – Seu tom de voz era cortante. 

- Sempre há escolhas! – me levantei em um movimento brusco vendo-o se encolher.

Eu o amedrontava. Eu queria morrer... 

 – Me desculpe – pedi novamente – Eu não deveria ter proposto o contrato em primeiro lugar... Eu sabia que não era pra você e ainda sim..

- Você não entende né? – riu amargo saindo da cama – Não entende mesmo né? 

Do que Alexander estava falando? Meu rosto certamente deixava evidente minha confusão, e isso pareceu irritá-lo ainda mais. 

- Eu teria aceitado tudo de novo Magnus – uma lágrima escorreu por seu rosto e ele limpou-a com a manga do moletom -  Eu teria aceitado qualquer coisa por que eu estou apaixonado por você! 

Não, não não... Isso não estava certo! Cambaleei para trás me apoiando na janela fechada. 

- Não deve ser novidade pra você essa informação... – Ele disse baixo e verdadeiramente machucado  – E fique tranquilo, não esperava reciprocidade vinda de você. 

- Não Alexander! – toquei meus cabelos de forma nervosa – Você não pode... Não pode...

- Você acha realmente que eu não sei?! – Sua voz quebrada bateu alto em meus ouvidos – Acha mesmo que eu teria escolhido amar você, Magnus?! Você?! 

- Você não me ama! Você não pode me amar.... – soei quase ensandecido.

Minhas mãos apertaram os fios de cabelo puxando-os para baixo, fechei meus olhos de forma apertada buscando um pouco de normalidade naquilo tudo, mas não encontrei. Meu corpo travou assim que mãos macias tocaram minha bochecha deixando um calor agradável junto a mais um milhão de sensações que nunca saberia lidar. Alexander segurou meu rosto com cuidado, e mesmo de olhos fechados, podia senti-lo me observando preocupado. Seu toque me causava tanta coisa... Mas dentre todas elas, medo provavelmente era o maior deles. 

Alexander me deixava vulnerável, e por isso me afastei como se ele  me queimasse.

-Alexander! Não! 

Me distanciei de seu toque de forma quase brusca, e assim que consegui distância, abri meus olhos encontrando-o a um passo para trás com os olhos arregalados e vermelhos.

Mais uma vez eu havia assustando e machucando Alexander. Eu só sabia fazer isso. 

- Acha mesmo que teria escolhido alguém que nem posso tocar ?! – Ele sussurrou choroso – Nunca. 

Eu me mantive quase colado a parede, observando Alexander organizar suas coisas, e quando essas ficaram prontas, ele colocou o mochila cheia em suas costas, iniciando uma caminhada para fora do quarto. Segui-o escadas a baixo, sentindo um desejo incontrolável e o fazer ficar. 

- Alexander... – minha voz saiu quebrada em um tom de súplica até então desconhecido por mim. – Vamos conversar por favor...   

- Não. Não Magnus, eu não quero conversar... Eu quero ficar longe de você! 

Com uma mão Alexander mexeu em seu celular caminhando em direção a porta. 

Eu precisava fazer alguma coisa! A ideia de vê-lo ir embora estava me desesperando.

Dei alguns passos apressados em sua direção e então segurei seu pulso o impedindo de chegar até a porta. 

- Não me toque! – disse um pouco alarmado, então voltei um passo atrás. Não queria assusta-lo ainda mais, só queria que ele ficasse. – Sabe Magnus – Ele suspirou pesado – Você disse várias vezes, eu  é que não quis acreditar, eu quis acreditar que você era outra pessoa..

Eu queria poder ser... 

Alexander soltou uma risadinha amarga, secando mais algumas lágrimas que desceram ligeiras pelo seu rosto e então abriu a porta. 

- Não vá... – Sussurrei andando em sua direção tocando lentamente em sua mão.  

- Você disse que eu poderia ir embora quando quisesse, então me deixe ir – Sua mão escorregou da minha – Você estava certo, eu não sou a pessoa certa para seu contrato e você não pode me dar o que desejo. Adeus Sr.Bane.

Sem olhar para trás, Alexander caminhou feito uma bala em direção ao carro preto que o esperava um pouco mais à frente, abriu a porta e sentou de forma estranha. O carro deu partida e em poucos segundo o perdi de vista. Eu desejava de forma desesperada segui-lo, mas não o fiz, devia respeitar sua decisão de ir embora, era o mínio. 

Quando finalmente fechei a porta aceitando que Alexander não voltaria, me vi em meio a um choro descontrolado e uma gargalhada amarga.

 A justiça dos anjos era real!  

Alexander havia surgido como um capricho... o mais difícil deles, e agora, havia partido sendo bem mais que isso.  Esse era provavelmente  o melhor castigo que os céus poderia me dar, porque sua partida me corroía por dentro e doía como o inferno! Mas nada mais justo depois de apresentar a ele, o meu mundo hostil. 

Provavelmente  Alexander nunca saberia, mas eu seria eternamente grato a ele por me lembrar de minha própria existência. Geralmente, só lembramos que estamos vivos quando sentimos dor,  e no estado em que me encontrava, não havia dúvidas que estava vivo.”

 

...

 

Mais uma vez ele estava saindo tarde, ele parecia mais magro e as olheiras fundas denunciavam sua falta de sono. Eu queria poder obriga-lo a comer e dormir direito, mas que poder eu tinha sobre ele?  Eu era só um homem que ainda o seguia por não conseguir ficar longe. 

Eu fazia isso a dias, na verdade há quase um mês, e durante todos eles,  eu me maltratava mentalmente observando-o  ir e vir sem poder toca-lo. Talvez ele soubesse sobre mim, talvez não... Ele nunca olhava em direção ao carro onde estava, tão pouco parecia olhar para os lado para saber se estava sendo observando.

Eu já havia ouvido que as pessoas sempre sabiam quando eram seguidas, quase como um sexto sentido; mas Alexander não parecia saber; talvez isso só se aplicasse para as pessoas que corriam perigo, mas ele não corria perigo, eu só precisava saber que ele estava bem.

Melhor que eu pelo menos...

Era tarde da noite e eu aguardava o momento em que Alexander caminharia até a estação do metrô, eu só precisava saber que ele havia chegado bem em sua casa.. 

Um carro parou em frente ao restaurante e Alec caminhou sorrindo em direção a porta do copiloto. 

De quem era aquele carro? 

Eu sabia que não deveria, mas anotei a placa assim mesmo. Os segui a uma distância segura,e quando eles pararam em algum lugar do Brooklin, dei a volta no quarteirão parando mais afastado. Parecia ser uma balada UnderGroud.

Assim que estacionei, peguei meu notebook no banco de trás e comecei minha pesquisa descobrindo em pouco tempo a quem pertencia o econômico vermelho que havia buscado Alexander no trabalho. 

Era de Andrew Anderhill.

A sensação era péssima, mas não havia nada que eu pudesse fazer, era por esse motivo que eu o seguia certo? Para saber se ele estava bem, se estava conseguindo viver sua vida normalmente depois de tudo que eu fiz, depois foi embora...

Aquela era a minha resposta.

Algumas lágrimas escorreram por meu rosto, enquanto eu apertava forte o volante. Eu queria gritar, não de raiva, mas de agonia, de dor. 

- Você sabia que isso ia acontecer... – Sussurrei amargamente – Aquele fotógrafo é bem melhor que você Magnus....

Sequei meu rosto com as palmas da mão e joguei o notebook para a parte de trás do carro.

- Você precisa se controlar, precisa sair daqui...  – murmurei dando partida. 

 

...

 

Se ainda existisse em minha mente qualquer sombra de  dúvidas que talvez um dia pudesses ser o que Alexander deseja, aqueles minutos parado encarando aquela porta, certamente teria se encarregado de sumir com todas elas.... Eu não era alguém para Alexander. 

Fazia anos que não entrava ali, para falar a verdade nem passava perto, mas lá estava eu ensaiando para descer do carro. Eu nem me questionava se realmente valia ou não a pena por que sabia que não valia, mas eu não tinha nada a perder então, desci do carro caminhando em direção ao beco que observava.

A entrada continuava decadente, bem mais  decadente do que me lembrava....Bati três vezes e a pequena fresta no meio da porta abriu deixando visível apenas dois olhos negros.

- Senha. – Uma voz feminina pediu 

- Sou antigo aqui, só abra a porta – exigi impaciente. Não era prudente de minha parte ficar do lado de fora daquele inferninho.

- Sem senha, sem entrada. 

- Diga a sua chefe que Bane está aqui. 

A fresta  se fechou me deixando sozinho do lado de fora, olhei nervoso para os lados mas não havia ninguém. Eu sabia que não deveria estar lá, mas era tarde demais.

A porta velha de metal pesado foi escancarada fazendo um barulho muito alto segundos depois, e do lado de dentro ela me olhava com o mesmo sorriso cruel e debochado de sempre. 

- Ora ora...  Como é mesmo que se diz? – acariciou o queixo de forma pensativa – Ah sim! O bom filho à casa torna...– Gargalhou maldosa.

- Camille – Cumprimentei-a formalmente.

 

 

 


Notas Finais


Não esqueçam de lavar bem as mãos e passar álcool gel. 😘


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