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História Pain in Gold (Malec) - Capítulo 20


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Notas do Autor


Olar Olar, estão ficando em casa?

Vai uma musiquinha aí?
Cradles - Sub Urban

Capítulo 20 - Escorrendo por entre meus dedos


Fanfic / Fanfiction Pain in Gold (Malec) - Capítulo 20 - Escorrendo por entre meus dedos

- Camille – cumprimentei-a formalmente notando as mãos de unhas cumpridas desceram inconformadas até a cintura marcadas em um  vestido  vermelho   – Lady Belcourt –  Me apressei em corrigir. Aparentemente, ela ainda retinha alguns poderes sobre mim 

- Bom saber que ainda detém os bons modos meu querido.. – Senti um tapinha leve em minha bochecha direita. _ Ora, entre! 

Passei pela porta de metal velho e me senti automaticamente desconfortável quando essa se fechou atrás de mim. Olhei em volta e tudo continuava da mesmo forma: Escuro, quente e sujo, mas diferente de antigamente, isso não me parecia mais uma qualidade. O corredor parecia apertado demais, as velas que indicavam o caminho, velhas e fracas demais e a música no fundo, sensual demais... Tudo parecia demais, e não de um jeito agradável. 

Nenhuma das sensações que me atingiriam eram semelhantes às de antigamente. Não havia a euforia que recordava dos meus quatorze anos, ou a falsa sensação de ser um adulto por pisar naquele naquele chão escuro e molhado. Eu me lembrava do calor que as bebidas deixavam em minha garganta, de sorrir e fingir degusta-las como se fosse um entendedor de destilados, mesmo aqueles drinks sendo os primeiros de minha vida, e de olhar as pessoas ao meu redor e querer dançar com elas.  Mas agora, enquanto desviava meu corpo dos corpos seminus e alterados por drogas e bebidas, não havia nenhuma parte de mim que sentia aquela antiga sensação de poder, apenas uma estranha e inconfundível sensação de fracasso. 

Estar de volta  era estranho...

Meus olhos vagaram apressados e curiosos pela pequena boate. Eram muitos estímulos visuais, mas rapidamente me vi encantado pelas mulheres vestidas de couro, depois pelas mulheres nuas, e então, as mulheres dentro das gaiolas. E foi vendo-as tão submissa sobre os olhares predatórios que comecei a entender um pouco mais do que seria me apresentado naquela noite.

Era a primeira vez que Camille me levava até a pandemônio, e o fazia apenas na intenção de me levar  para a parte dos fundos de sua balada clandestina e experienciar coisas que ainda não sabia ao certo o que seriam. Eu estava ansioso pra descobrir afinal, seus beijos já eram bem agradáveis e suas mãos passeavam diferente por meu corpo.

Eu devia segui-la mas meus pés haviam ficado grudados no chão logo na entrada. Os corpos semi nus  que dançavam e se esfregavam ao som erótico que tocava alto haviam tomado toda minha atenção, e eu que estava simplesmente fascinado por tudo.

Em poucos minutos entendi porque aquela balada era tão escondida;  Não eram somente beijos que a maioria trocava enquanto dançavam,  haviam também diversos corpos que se moviam completamente expostos, mãos que se apalpavam, e corpos que se chocavam de forma completamente exibicionista. Foi no meio dessas várias pessoas, que encontrei dois homens se beijando enquanto se acariciavam por cima das calças marcadas, e entendi que não eram apenas as mulheres que me atraiam...

- Ora, ora... – Camille soprou em meus ouvidos – Alguém é realmente curioso...

-N-Não é nada-a disso que está p-pensando... – Cobri a marca em minha calça completamente envergonhado

-Não se preocupe meu querido – suas mãos afagaram minha nuca deixando as unhas compridas arranharem a pele sensível – Aqui em meu pequeno reino todo o prazer é permitido...

Meu sorriso era tímido porém aliviado. Se ela, a dona da pandemônio,  dizia que não era errado,  quem era eu para me negar a sentir o que estava sentindo? 

Voltei meu olhos para o casal que parecia cada vez mais excitado sabendo que olhos curiosos e interessados os observava, e aos poucos, o pouco couro que os escondiam foi sendo retirado deixando toda a virilidade a mostra. Sim, aparentemente, eu  também me interessava e muito por homens. 

- Meu querido? 

- Sim, lady Belcourt – Respondi sem deixar de observar os movimentos necessitados dos dois.

- Você deseja ficar aqui, ou prefere que eu lhe apresente algumas coisas? - Suas mãos desceram por meu peitoral de forma sorrateira parando no cós de minha calça.

Eu estava curioso para saber o que mais o casal teria coragem de fazer em público, mas Camille me convidava para algo e eu não podia negar. Parecia uma oferta passível de negação, mas não era, com Lady Belcourt nunca era. Desviei com dificuldade meus olhos dos rapazes que agora já se chocavam luxurioso sobre os olhares atentos de muitos,  e sorri em direção a mulher loira e voluptuosa a minha frente.

- Desejo que me apresente outras coisas. – fui solicito.

- Será um prazer... – seus lábios pintados de vermelho se abriram em um sorriso indecente e cheio de segunda intenções. 

Sua mão se entrelaçou a minha, e iniciamos um caminhar para o fundo de seu covil. Camille tinha muitas coisas para me apresentar naquele dia, e eu não tinha dúvidas que gostaria muito de todas elas.” 

- Achei que nunca mais voltaria aqui - Soprou deixando evidente seu sotaque - Foi o que deu a entender da última vez. – Sondou sorrateira como uma cascavel.

- As coisas mudam...

Eu bem sabia do que Camille estava falando, nossa despedida não havia sido tão graciosa como poderia ter sido, mas não havia ressentimento algum. Da minha parte pelo menos...

- E já sabe o que deseja ? – seus dedos tamborilaram por cima da bancada 

- Quero um quarto. 

Seu sorriso se abriu ainda maior, Camille adorava falar de suas meninas e meninos.

- Escolha um quarto e eu levarei as melhores para você... 

- Traga todos, quero escolher com bastante atenção...  – respondi vendo-a acenar com a cabeça antes de sair em passos lentos e sensuais. 

Camille  continuava linda!  Quando a conheci, ninguém nunca daria a ela trinta anos de idade, e agora aos quase quarenta e seis, ainda não parecia ter trinta.  Sua pele continuava  sem rugas, o corpo continuava delicadamente sensual, os lábios carnudos ainda ostentavam o mesmo batom vermelho escuro, e os olhos esverdeados continuavam mortais... Lady Belcourt parecia nunca envelhecer! 

...

Adentrei ao último quarto encontrando a mesma organização de sempre; Na parede de frente uma cama, ao lado esquerdo a cadeira erótica, e ao lado direito a cruz  de San Andres. No teto além do lustre o gancho e cordas do Shibari, assim como toda a parede ao lado reservada para organização dos muitos instrumentos de dominação e tortura. Havia um pouco de tudo,  e bem no  fundo quase passando despercebido, causando-me um embrulhar no estômago meus olhos encontraram palmatórias.

Tirei meu paletó e sapatos ficando apenas com a camisa e calça social, e em poucos minutos ouvi um bater suave em minha porta. Camille  adentrou o espaço com seu sorriso de sempre  sendo seguida por dois homens e quatro mulheres que param enfileirados a minha frente.

Na teoria, poderia ser qualquer uma delas, sempre me interessava mais as mulheres que nunca me olhavam nos olhos, e nenhuma delas o fazia, mas dessa vez, minha atenção se focou mais em um rapaz loiro dos olhos aparentemente acinzentados.  Era um rapaz bonito e seus olhos ansiosos descerem por meu corpo com um sorriso ladino preso em seus lábios, ele havia sido o único a me olhar. 

- Qual o seu nome? – apontei em sua  direção 

- Andrey, senhor. – Respondeu baixo 

- Um passo a frente. - O rapaz o fez, e então me aproximei mais para o avaliar. 

Seu perfume era um pouco forte demais, mas nada que um banho não resolvesse. Eu estava certo que provavelmente esse seria o escolhido, no entanto, quando terminava de completar a volta no rapaz, a moça que antes estava ao seu lado me chamou atenção. Ela não, seus olhos. 

- O seu? – Perguntei encarando-a 

- Madsson – saiu quase como um sussurro 

- Camille, pode se retirar com o restante – Disse sem desviar os olhos daquele mar azul presente no rosto da garota. 

Os outros começaram a caminhar em direção a saída cabisbaixos, parecendo genuinamente  tristes por não terem sido escolhidos, mas então, me manifestei novamente:

- Andrey, você fica. – Chamei-o notando um sorriso vitorioso em seu rosto enquanto voltava para onde estava.

...

Ordenei que os dois me chupassem, e assim o fizeram, fechei meus olhos e só me vinha um rosto em mente. Parecia completamente impuro o que eu fazia no momento, principalmente com Alexander rondando minha mente, mas nada o tirava de minha cabeça. 

Eu certamente era um doente. 

Pelos cabelos eu puxei a garota que antes estava ajoelhada, deixando apenas Andrey fazer o trabalho. Toquei de forma preguiçosa em seu corpo  mas logo parei, não era justo, Madsson  era uma moça bonita demais para ser tocada com tanto descaso. 

- Só me olhe – Ordenei colocando-a um passo de distância – De você eu só quero os olhos... 

A garota assentiu um pouco assustada e talvez até magoada, mas parecia mais honesto não toca-la, do que o fazer sem vontade. 

Andrey continuava ajoelhado e parecia dar o melhor de si, me chupava com vontade me engolindo e engasgando, deixando sua boca descer por todo o comprimento, hora focado na glande, hora tentando engoli-lo o máximo que conseguia, me entregando uma garganta semi profunda boa o suficiente. Madsson continuava me entregando apenas os olhos enquanto eu era sugado como se a vida do rapaz dependesse disso. Nenhum dos dois ousou me tocar respeitando as regra que havia deixado estabelecida e isso deveria me deixar feliz, mas era exatamente o oposto e por isso afastei-me daquela boca completamente infeliz.

- Você fica com mulheres? – Segurei firme nos fios de  seus cabelo tirando-o do chão e o colocando sobre a cama. Andrey confirmou com os olhos arregalados. – Ótimo. 

Empurrei o rapaz para deitar-se e chamei Madsson que se aproximou de cabeça baixa. Sua submissão estava me irritando. 

- Eu não quero te tocar, mas acho injusto você não obter prazer algum... Deseja que ele te toque? – A moça me olhou envergonhada mas assentiu – O que deseja que ele faça? 

Suas bochechas rosadas indicavam sua total falta de prática naquele trabalho, ela certamente era nova na casa de Camille. 

- Você não mentiu sobre atrair-se por mulheres né? – Fui enfático e o rapaz confuso negou rapidamente – Sendo assim... 

Puxei a moça em sua direção colocando-a sentada sobre o seu rosto, não precisava de fato olhá-lo. Eu precisava apenas dos olhos dela... 

Em um movimento rápido puxei uma camisinha na cabeceira da cama juntamente com o lubrificante e lubrifiquei meu membro já coberto. Molhei alguns dedos e então enquanto Madsson já soltava alguns pequenos gemidos comecei a alargar Andrey. 

Isso parecia tão mais divertido alguns anos atrás... 

Andrey não precisava de muito, e eu também não estava com muita paciência, me levantei parando entre suas pernas para penetra-lo e  me encontrei completamente amolecido. Comecei a me tocar impaciente mas não surtia efeito, olhei atentamente os dois que se tocavam, retirei a camisinha e voltei para os movimentos constantes de minha mão esperando minha ereção subir, sem sucesso. 

Voltei a olhar em direção a Madsson buscando diretamente seus olhos que reviravam-se vez ou outra, mas aquilo não era o suficiente. Ela me entregou olhos azuis, mas não eram tão límpido e brilhante, e mesmo nublados por prazer não chegavam a beleza dos olhos cheios de tesao que Alexander sempre me entregava. 

Não era aquilo que eu queria. 

Subi minha calça enquanto buscava o sapatos e assim que os coloquei, sai do quarto em passos apressados. Madsson e Andrey fariam melhor proveito um do outro estando sozinhos. 

- Maldito seja! - Esbravejei caminhando de volta para a balada.

...

- Dose dupla de wisky - Pedi ao garçom me sentando no banquinho velho mais próximo tentando inutilmente tirá-lo de minha cabeça.

Eu já não trabalhava como devia, não pensava como devia e a culpa era toda dele... Frustado, eu me sentia completamente frustado! Alexander estava invadindo meus pensamentos em todos os momentos do meu dia, e eu ja não conseguia aparentar normalidade quando tudo que sentia era minha sanidade escorrendo por entre meus dedos e indo embora.

Alexander estava destruindo minha vida! 

Eu achava que  sonhar com ele indo embora era pior coisa que poderia me acontecer, e até desejei sonhar novamente com as piores memórias só para não acordar no meio da noite revivendo novamente seus olhos opacos e machucados. Mas agora Alexander invadia também momentos mais íntimos eu não conseguia se quer transar com alguém sem ter sua inconveniente presença me julgando e se mostrando completamente desapontada. Eu me sentia  ficar cada vez mais louco.

- Você poderia simplesmente me deixar em paz,  não? - Murmurei cobrindo o rosto com as mãos.

Eu devia ser capaz de tocar Andrey e Madsson e ficar excitado por isso,  prendê-los e chicotea-los  e sentir prazer com isso, fode-los por horas e depois me sentir satisfeito e cansado demais para enfim dormir em paz, mas Andrey parecia interessado apenas no dinheiro que receberia fazendo tudo o que eu ordenava, e Madsson certamente necessitava do valor que lhe seria entregue, mas seus olhos amedrontados deixavam evidente seu despreparo e medo, e eu já não achava o medo algo tão atraente. Como eu os tocaria sem saber se de fato sentiriam prazer com minha agressividade?

Em um gole, tomei a bebida escura deixando as memórias me invadirem tão vividas que era  quase como se de fato pudesse ver seu rosto necessitado, e ouvir seus gemidos lânguidos. Enquanto o Wisky escorregava quente por minha garganta, fechei meus olhos deixando-me inundar por olhos azuis se revirando, e lábios vermelhos e inchados de mordidas feitas  por mim e por ele próprio. 

- Me vê outro - Bati o copo na bancada chamando atenção do bartender. 

Alexander nunca havia dito, mas eu sabia que ele gostava dos açoites,  gostava do barulho das cerdas batendo em sua pele, e adorava a ardência e vermelhidão que ficava em seu corpo.  Ele sempre implorava por mais toda vez que o chicote o atingia, e talvez fosse por isso que eu já não sabia tocar outra pessoa que não fosse ele. Alec gostava disso tudo, e foi com ele que descobri ser muito mais prazeroso estar com alguém que sabia saborear a dor e prazer  junto a você. Agora sem ele, e sem a certeza de um prazer mútuo, todas as outras possibilidades beiravam a falta de respeito.

Depois de Alexander eu cheguei a conclusão que já não me agradava alguém que  cumprisse as regras. Eu queria ser desobedecido e desejava inutilmente que minhas ordens fossem ignoradas, afinal, Alexander sempre descumpria todas elas.  Ele me arranhava e me mordia sabendo que era proibido me marcar, puxava meu cabelos e me trazia para perto sabendo que não podia me tocar, e  me beijava ignorando toda a intimidade presente em um beijo. Alexander ignorava a regra do silêncio e gemia alto, gritava suas vontades, implorava por mais com as palavras mais sujas possíveis, desconsiderava por completo a hierarquia de nosso acordo me chamando pelo meu nome, e  eu infelizmente me derramava mais intensamente a cada ato de rebeldia porque caía por ele cada vez mais, e a cada novo ato imprudente. 

Nas primeiras vezes em que ele descumpriu  as regras,  eu achei  realmente que era apenas a falta de prática somado ao medo do desconhecido, mas depois de alguns dias, notei que em seu rosto não havia medo algum, pelo contrário, junto ao prazer que ele fazia questão de não esconder,  havia um sorriso debochado, olhos zombadores e uma postura petulante. E então entendi que o descumprimento das regras o deixava mais duro, e as punições sempre o faziam gozar mais intensamente. Era tão lindo... Alexander gozava com o corpo todo! Desde  as pontas dos pés apertados durante o clímax, até o gemido alto e desesperado que saia de seus lábios. Ele era a pessoa mais intensa que já  havia conhecido! Ele se deixava queimar  sobre meu toque, e me fazia queimar sobre o seu, ele era único e eu havia estragado tudo... 

Me levantei deixando uma nota muito maior do que a conta de havia feito e comecei a caminhar em direção a saída. Já havia pensado demais em Alexander, e a bebida não estava amortecendo a saudade, apenas meu corpo.

- Já vai embora? – Ouvi sua voz em minhas costas e parei de andar 

- Achei que encontraria algo para me acalmar aqui, mas não foi o caso...

- Meus meninos não foram o suficiente para você? – Sua sobrancelha se ergueu em arrogância – Posso puni-los por não te satisfazerem como deviam. 

- Eles foram ótimos.. Só não vão conseguir me dar o que realmente quero. 

- E o que seria? - Seus olhos brilharam em expectativa.

- Você não poderia me dar nem se soubesse... – voltei a caminhar em direção a saia 

- Você parece infeliz e irritado meu caro! – Falou alto tentando atrair minha atenção – Me lembra muito um jovem que conheci e tive o prazer de disciplinar...

- Esse jovem se foi a muito tempo... – Respondi sem me dar ao trabalho de virar 

- Pois ele me parece muito presente, e como sempre, só eu sei o que ele precisa. - Riu soprado 

Ignorei suas insinuações e abri porta de metal sentindo a brisa noturna bater em meu rosto afastando o cheiro de sexo que rondava a pandemônio.

- Você pode parecer diferente Bane, mas continua perdido..  

Travei entre a porta e a saída ouvindo o som de seus saltos vindo em minha direção. Suas mãos pousaram sobre meu ombro me lembrando um velho comando, arrepiando todos os pelos de meu corpo. Fechei meus olhos apertado e senti sua respiração bater em minha nuca. 

- Parece que esqueceu como manter a calma... - Ela sussurrou e eu confirmei mudo. Era sempre impossível mentir para ela.

Uma de suas mãos seguiu em direção ao meu rosto e segurou meu queixo me obrigado a olhar em seus olhos verdes. 

- Você sabe como se livrar disso tudo não sabe? - sua hálito quente bateu em meu rosto me fazendo assentir um pouco atordoado. - Então diga...– Ela sussurrou ainda pressionando as unhas longas em meu rosto.

Quando fui embora a primeira vez, eu voltei alguns dias depois, e assim segui por  anos, sempre voltando para Camille. Depois de muitas idas e vindas consegui não ceder aos seus caprichos e manter a mim mesmo sem precisar de sua ajuda. Eu me senti incrível quando não voltei, e realmente acreditei que estava livre quando disse que nunca mais voltaria, mas isso não podia estar mais longe da verdade. Lá estava eu cedendo novamente depois de três longos anos sem pisar em seu território. Eu não queria, mas eu me sentia sem rédeas, afundando em dor e ódio como havia sido a muito tempo atrás e isso me assustava, ela havia sido a única a me ajudar naquele tempo, e talvez fosse a única a poder me ajudar agora...  

- Lady Belcourt - Respirei fundo - Preciso  de sua ajuda..

Sua risada alta e irônica arrepiou todo meu corpo de um jeito nada atraente, mas permaneci parado no mesmo lugar.  Um sorriso predador tomou seus lábios, enquanto com as pontas dos dedos ela acariciava minha face.   Camille segurou em minha mão e começou a andar em direção aos fundos da pandemônio, e em pouco tempo chegamos no único quarto que sempre ficava trancado.

Do meio dos seios ela retirou uma chave e destrancou a porta deixando o cheiro de mofo invadir minhas narinas, e como era de costume, entrou primeiro sendo seguida por mim logo depois. Permaneci cabisbaixo parado frente ao seu corpo sentindo as pontas de seu dedo escorregarem preguiçosamente até o cós da minha calça , e depois quando as mãos habilidosas me despiram rápido  antes de me deixar sozinho, nu e envergonhado no meio do quarto.  Seus saltos batendo no assoalho evidenciaram sua chegada alguns minutos depois, e junto a eles o inconfundível tilintar das bolinhas de metal do seu chicote, revivendo em mim algumas sensações, infelizmente, não muito agradáveis.

Como um predador Lady Belcourt deu a volta do meu corpo tornando tudo mais dramático, e em segundos me vi novamente como o garoto perdido que ela havia domado a dezessete anos atrás. 

- Sempre soube que voltaria... - Disse de forma aveludada antes me acertar com seu chicote pela primeira vez aquela noite  - É bom tê-lo de volta querido. 

 

 


Notas Finais


Ps: Não, isso não é um incentivo ou naturalização da Efebofilia, (Interesse sexual de um adulto para com um adolescente pós pubescente (Dos 14 para cima)) pelo contrário, Magnus é completamente destruído pelas coisas que viveu, e Camille faz parte desse passado. Ele pode até acreditar que ela foi e é seu bote de salvação, mas será que é mesmo?


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