História Pais por Acidente - Capítulo 21


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Categorias Gorillaz
Personagens 2-D, Murdoc Niccals, Noodle, Russel Hobbs
Tags 2doc, Niccalspot, Studoc
Visualizações 88
Palavras 3.689
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo Nho Nho.
Boa leitura.

Capítulo 21 - Noodle


Fanfic / Fanfiction Pais por Acidente - Capítulo 21 - Noodle

Capítulo 21

 

Realmente como prometido Boogieman desapareceu da vida de todos. E de quebra o El Diablo estava inteiro quando os quatro chegaram de volta em casa. Um presente pelo trablaho bem feito, talvez. E parecia estar num vermelho ainda mais vivo do que quando foi quebrado. Murdoc não se incomodou, afinal queria muito o instrumento de volta, e aprendeu com aquilo uma maneira de invocar Boogieman se precisasse fazer outro trato, o que realmente não queria tão cedo. Ou simplesmente não queria mais.

Quando chegaram novamente em casa Noodle estava a ponto de chamar a polícia para dar queixa de que haviam sido sequestrados. Russel havia saído.

“Onde vocês foram?” Ela disse quase gritando, ia xingar mas as meninas estavam ali e podiam ouvir.

“Resolver alguns problemas Noods... Nada demais. Temos as meninas de volta e... Não vão nos incomodar mais.” Murdoc falou com um olhar vazio e frio, ele ainda se sentia mal por ter tido que matar o próprio irmão. “2D pode te explicar melhor se quiser realmente saber, eu não estou muito com... paciência pra isso, desculpe.” Ele carregava as meninas, uma em cada braço, 2D tinha machucado o seu próprio quando caiu tentando dar uma de herói.

“É Noods... agora não teremos mais incômodos.” Ele tinha o sorriso abobalhado de sempre nos lábios como se tudo não tivesse passado de uma experiência ruim. Na verdade mais uma pra conta, depois do que tinha vivido em Plastic Beach aquilo ali não era nada. Ele segurava o braço ralado.

“D, eu vou cuidar das meninas, pode ficar ai com ela ai na cozinha se quiser, eu não demoro.” Elas estavam já dormindo em seu colo, não deveriam ter dormido bem a noite e Murdoc precisava realmente tratar aqueles ferimentos para se convencer que elas eram reais e tudo tinha acabado. O efeito do álcool já tinha baixado então ele conseguia pensar corretamente para não cometer nenhuma bobagem. Tê-las de volta era o que o mantinha são... Sorriu e subiu as escadas devagar deixando os três sozinhos.

“Toochi esse braço está horrível... O que foi que você foi fazer lá...?” Dava uma bronca como se fosse mãe dele.

“Ah, sabe como é, eu acordei de manhã e não vi o Muds por aqui, só alguma garrafas vazias e o computador ligado... Naquele papel que ele achou tinha um lugar e uma hora... Imaginei que ele tinha saído justamente para se encontrar com quem quer que fosse... Pra pegar as meninas de volta... Então sai atrás dele” Deu de ombros como se essa tivesse sido a melhor decisão que seu cérebro danificado podia ter tomado. Noodle por sua vez o pôs sentado e estava limpando o machucado para enfaixar, iria ficar roxo depois. Mas sabia que o irmão estava acostumado a se arrebentar por ai e depois ter que se recuperar.

“E o que houve...? Eu vou ter que fazer uma tipoia pra você não mexer mais nisso aqui Toochi, está realmente bem feio...” Ele assentiu com a cabeça.

“Bem, antes disso ele tinha feito um trato com Boogieman, que iria usar uma arma especial e pagar a dívida dele... e ele matou o sujeito... E o mais estranho era que depois que ele tomou um tiro ele sumiu... desapareceu como areia quando o vento leva... Acho que agora realmente ele não volta mais.” Ela terminou o serviço em seu braço.

“Mas... você sabe quem era para ele ter matado assim tão sem nem pensar...?” A face de 2D mudou momentaneamente.

“Pelo que eu li no computador, há uma grande possibilidade de ter sido o irmão dele. E a outra coisa que ele não sabe que eu sei é que li que a mãe dele está viva... Eu não sei o que isso pode implicar. Agora ele deve estar passando por muita coisa ao mesmo tempo depois de tudo...” Ele saiu e foi para a sala ver TV e esperar o namorado que ainda estava no andar de cima cuidando das filhas, tomando seus já conhecidos analgésicos.

 

Enquanto isso Murdoc estava gentilmente retirando a roupa das meninas para ver os machucados. Elas tinham acordado assim que perceberam que estavam em casa. Ele foi para o banheiro do quarto deles que era maior e era onde ficavam mais remédios para dor. Pôs ambas as meninas sentadas de calcinha no banheiro. As duas tinham já tomado banho e lavado a pior parte deles.

“Meninas, eu vou cuidar dos machucados de vocês, está bem?” Elas assentiram com lágrimas nos olhos. “Sei que está doendo... Eu e seu pai sentimos muito que não pudemos fazer nada...” Ele estava realmente de coração partido por não ter conseguido impedir antes que acontecesse.

“Pai, já foi... Ele não vai mais voltar... Nem ele, nem a mamãe...” Charlotte parecia já estar familiarizada com a perda, nem sentia mais muito quando acontecia.

“Ele era mesmo seu irmão...?” Grace perguntou baixinho enquanto Murdoc limpava, desinfetava e passava pomada nas feridas.

“Era sim Grace... Ele era. Não perguntei a vocês como era esse ex namorado da sua mãe por que não queria mais trazer esse assunto para a vida de vocês... Mas se tivesse perguntado teria descoberto antes que era ele... E que os dois eram a mesma pessoa.” Ele estava concentrado pra não machucar.

“E você... não está triste que teve que matar seu irmão...?” Lotte sempre esperta quase sempre conseguia pegar bem na ferida.

“Triste estou, Lotte... Mas...” Ele suspirou “Nunca fomos próximos. Na verdade ele sempre me odiou, pra ser honesto ele e meu pai me odiavam... Ele me disse que foi por que quando eu nasci minha mãe saiu de casa e não voltou mais, tudo culpa minha...” Ele tinha um olhar triste e cansado.

“Mas família não tem que ser assim... Família tem que se amar...” Grace inocentemente conseguiu tirar um sorriso do baixista.

“Sim, pequena, mas eu cresci sem família, por isso que vocês não tem vovô... entenderam...?” Ele continuava sorrindo enquanto penteava o cabelo bagunçado da filha.

“Mas agora você tem família, não é? Sua família é a gente, o pai Stu...” Lotte estava curiosa pra saber mais sobre Murdoc, eles sabiam tudo sobre elas, mas as meninas muito pouco a respeito das pessoas que os cercavam.

“Sim, são vocês. Você está certa. Ainda bem que eu tenho vocês.” Deu um beijo na testa de cada uma. “Vai sarar.” Esse era o mantra entre todos ali quando as coisas estavam ruins.

“Mas pai... Você disse a ele que a sua mãe estava viva... Isso é verdade?” Lotte indagou querendo saber se realmente não tinha avó.

“Pelo que eu andei vendo, sim.”

“Então um dia a gente vai conhecer a vovó?” Grace estava com os olhos brilhando em expectativa.

“Eu não sei, Grace... Eu tenho que descobrir onde ela mora, como chegar até lá...” O sorriso da menina se dissipou “Mas se vocês duas quiserem muito e se comportarem bem eu posso levar vocês pra conhecer a vovó...” E o Stuart, a sogra. Pensou consigo mesmo. As duas sorriram mostrando suas janelinhas de dentição tão diferente.

“Papai, o pai Stu tem mãe e pai...?” Lotte perguntou enquanto Murdoc colocava ela e a irmã de volta no chão.

“Ele tem sim... Só não se falam a alguns anos... Desde que a gente ficou famoso e montou o Gorillaz eles perderam contato....” Ele foi no armário pegar uma roupa para cada uma.

“A gente pode conhecer os pais dele um dia...? Quero conhecer todo mundo da família dos papais..” Ela colocava o vestido toda enfaixada, parecia uma múmia. Murdoc abafou um riso.

“Podemos sim, pequena... Mas antes tenho que falar com ele, está bem. E se o pai de vocês não quiser, vocês tem que respeitar está bom?”

“Os pais dele sabem que vocês estão juntos...? Tipo juntos, juntos mais que amigos..?” Lotte algumas vezes tenho vontade de costurar essa sua boquinha que não para de fazer perguntas difíceis. Murdoc pensou consigo mesmo novamente.

“Não Lotte, eles não sabem... Faz realmente muitos anos que 2D não fala mais com eles...” E tudo por culpa minha. “Não sabemos se eles estão vivos ou não... Se se mudaram...”

“Então primeiro vocês tem que falar isso pra eles... Depois falar da gente...” Era óbvio mas aquela menina era muito inteligente.

“Pode deixar que vou fazer do jeito que a senhorita mandou.” Cutucou a testa da menina. “Assim que resolver tudo eu aviso vocês se vamos visitar a minha mãe e seus avôs, está bem?” As duas assentiram. “Fiquem bem ai.”

Murdoc pegou algumas gotas de um analgésico fraco, elas deveriam sentir dor ao longo do dia e ia prevenir para que não sentissem antes mesmo de reclamar. Pegou a boca de cada uma e deu a quantidade de gotas necessária para o peso delas. As duas fizeram uma careta muito feia colocando a língua enorme pra fora. Era realmente muito amargo e ele sabia disso. Murdoc riu, elas eram crianças, no final de tudo eram.

“Nossa como esse remédio é horrível...” Grace queria cuspir. Murdoc pegou seu ursinho que estava em cima da cama deles, deixado por 2D ali noite passada. Ela o abraçou.

“É terrível, 2D também não gostava quando eu dava pras dores de cabeça dele...” Ele um dia havia tomado remédios mais fracos até ter que aumentar a dose.

“Como um negócio tão ruim pode fazer bem...?” Lotte deixou a pergunta no ar e Murdoc tomou pra si mesmo... Ele era o “negócio tão ruim” que fez bem na vida de Stuart. Talvez um “mal necessário”. Um “anjo caído”, como algumas vezes o cantor disse referindo-se a si mesmo.

“Desçam e vão comer alguma coisa pra tirar o gosto ruim da boca.” Ele sugeriu mais ordenando que sugerindo. Elas desceram as escadas rapidamente parando para ver o outro pai antes de ir comer.

A cabeça de Murdoc dava giros. Tinha duas filhas muito geniosas, que agora queriam conhecer todo mundo de uma hora pra outra! Era melhor que elas fossem malcriadas e crianças normais, talvez até abaixo da média seriam mais fáceis de lidar. Cada dia era uma pergunta nova, uma nova indagação, uma curiosidade interminável... E as vezes os dois não tinham ideia do que responder ou como responder... Se fossem as filhas de Stuart talvez tivessem herdado a ingenuidade e amabilidade boba... Mas como eram suas, tinham algumas características não muito aprazíveis em crianças... As vezes tinham que realmente trata-las como gente grande e falar de igual para igual.

Olhou de soslaio as meninas abraçando Stuart no sofá e comentando orgulhosas sobre como ele era uma boa “enfermeira” e cuidou delas direitinho. Stuart também comentava como Noodle fez um curativo bacana em seu braço e todos riram vendo que estavam iguais. Ver seu cantor feliz daquela maneira fazia todas as dificuldades se dissiparem de uma hora para outra. O amava com todas as forças que tinha e mais algumas. Não se perdoaria se algo acontecesse a eles por culpa sua. Stuart olhou para ele sorrindo e disse um “Eu te amo” como agradecimento.  Entrou na cozinha para fazer um sanduíche para elas.

 

O dia transcorreu bem, Murdoc e 2D acabaram desmaiando de sono no sofá mesmo, não tinham dormido noite anterior. Como se costume assistiam um filme de zumbis até que as pálpebras pesaram demais. Lotte e Grace estavam sentadas no chão interessadas no filme, pegaram essa mania do pai, e não tinham medo. Lotte virou-se e viu que os dois já dormiam.

“Grace, me ajuda aqui...” Grace logo se levantou e pôs a postos para ajudar a irmã “Me ajuda a deitar eles... Cuidado com o braço do Stu” Enquanto isso Noodle parou na porta da sala escondendo-se para ver o que as meninas estavam aprontando com os pais.

Charlotte com toda a força que tinha deitou 2D por de trás de Murdoc... “Tem que ser assim por que ele é mais alto que o papai...” Grace concordou ajudando a tirar as almofadas para que o casal tivesse mais espaço. Grace deitou Murdoc que era mais fácil. Colocou uma das mãos do cantor sobre a cintura do baixista a que estava machucada e um travesseiro por debaixo da cabeça dos dois. Pronto estavam perfeitos. Noodle nem acreditava no tanto de cuidado que as duas tinham com eles.

“Grace, vai buscar uma coberta lá no quarto deles, eu vou desligar a TV.” A irmã rapidamente fez o que foi ordenado, voltando quase não conseguindo carregar a coberta por ser muito pequena. Lotte a ajudou a jogar sobre os dois. Pronto, estavam perfeitos.

“Calma, ainda tem o toque final...” Grace pegou seu ursinho e colocou por debaixodo braço machucado de Stuart...

“Você não vai sentir falta dele...?” Lotte indagou.

“Eu já estou crescidinha... Ele pode passar um tempo com nossos pais... E vai ficar mais macio pra não machucar o braço do pai Stu” E sorriu.

Cada uma deu um beijo em um dos pais... Murdoc se mexeu aconchegando-se mais no abraço do namorado, sorrindo por reflexo.

“Eles ficam tão bonitinhos juntos...” Grace disse “Queria até tirar uma foto...” Murdoc roncou, seu nariz achatado as vezes provocava esse efeito, não conseguia respirar direito.

“Vamos, já está naquela hora que começa a roncar...” Pegou a mão de Grace e subiram as escadas para brincar no quarto delas.

Noodle estava sem palavras, elas cuidaram dos pais que nem gente grande... Aproximou-se sem fazer nenhum barulho, realmente os dois pareciam muito serenos depois dos toques gentis das filhas. Sorriu satisfeita e usou a ideia que Grace deu, tirou uma foto deles juntos, fazendo questão de mostrar o ursinho. Iria mostrar a eles mais tarde...

Subiu as escadas como as meninas. Foi até o quarto delas ver o que estavam fazendo.

“Oi meninas..” Entrou tímida. Estavam brincando de boneca.

“Oi tia Noods” As duas disseram juntas. “Quer brincar com a gente...?”

“Eu tenho uma ideia melhor...” As duas soltaram as bonecas e olharam para ela “Podemos brincar de maquiagem...”Os olhos desiguais de Grace brilharam.

“Mesmo, você vai deixar a gente mexer nas suas coisas...?” Grace ainda não acreditava.

“Claro, por que não deixaria...? Posso ensinar até uns golpes de kung fu para vocês também...” Lotte agora ficou interessada. Ela era mais bruta...

“Você luta, tia Noods...?” Lotte estava encantada com as habilidades daquela mulher. Tão linda e tão forte.

“Bem eu comecei a lutar quando era um pouco mais velha que vocês... Depois fui só aperfeiçoando...”

“A gente quer... Passar a tarde com você tia” Grace sorriu gentilmente. “Você é uma irmã grande pra gente...” A japonesa riu e ficou vermelha.

“Então vamos.” Cada uma pegou uma mão dela, segurando dois dedos. Ela nunca se sentiu tão feliz por poder ensinar meninas, aquela casa sempre foi cheia de homens e ela cheia de cuidados, agora podia cuidar de duas mais indefesas que ela.

Quando entraram no quarto de Noodle ficaram maravilhadas. Tinham pôsteres nas paredes e tudo lembrava muito o ambiente japonês... Elas ficaram um tempo olhando as coisas, sem mexer em nada por que a mais velha não tinha dado autorização para isso.

Grace ficou maravilhada com as cores dos esmaltes e batons que ela tinha... Lotte com a coleção de guitarras. As meninas eram muito diferentes entre si.

“Grace, pode escolher a cor que você quiser, eu vou pintar suas unhas...” A menina foi olhar todas que tinham e tentar vencer sua indecisão. “Lotte quer que eu pinte as suas também...?”

“Não tia Noods, eu quero que me ensine o que você sabe de luta...”

“E por que você quer isso Lotte..?”

“Pra eu poder defender minha irmã e meus pais de gente ruim...” O coração da japonesa se apertou. Ela se importava muito com a segurança da irmã e dos pais. “Quando crescer quero ser forte e bonita que nem você é... Ai eu vou poder ajudar todo mundo....” Ela sorriu deixando a japonesa totalmente sem jeito.

“Tia, eu já escolhi.” Ela veio correndo com dois vidrinhos na mão, um azul e um verde.

“Você quer que eu pinte uma mão de cada cor, Grace...?” Disse se sentando e pegando a mão da menina gentilmente. Lotte sentou no chão ao lado dela para observar e aprender, numa próxima vez ela poderia pintar pra irmã.

“Isso, uma mão vai ser o papai Muds e a outra o pai Stu...” Ela disse toda animada. Até com algo bobo assim elas lembravam dos pais.

“Tudo bem, só fique quieta pra não borrar tá? Se não vou ter que fazer tudo de novo... Quando tiver secando eu vou ensinar os golpes pra sua irmã, você pode assistir a gente se quiser.” Ela estava satisfeita de poder fazer a menina feliz, começou a pintar.

“Tia Noods... Você nunca contou de você pra gente.... “. Lotte já começou o interrogatório como de costume, agora apenas com um novo alvo. 2D comentou com ela a respeito do passado terrível das meninas uma vez quando Murdoc saiu com elas para fazer compras... Então ela sabia que as meninas poderiam compreender inclusive os aspectos ruins e tortuosos de sua jornada.

“Bem Lotte... todos aqui tem um passado não muito bom, sabe?” Ela começou incerta.

“Que bom, o nosso também é ruim, até nisso a gente combina como família....” Ela disse como se fosse algo bom terem sofrido tanto sem merecer.

“Lotte, eu cheguei aqui numa caixa da Fedex... Toochi já deve ter dito isso para vocês alguma vez. Não sabia de onde eu tinha vindo e tudo que eu sabia falar era “Noodle”. Ai esse ficou meu nome, e para ser sincera o de verdade eu nunca soube qual era...” Ela pintava as unhas lembrando-se de tudo que viveu até ali, os altos e baixos... Tudo. “E eu entrei na vida deles para ficar... Substitui a namorada do Toochi na época, a mãe de vocês inclusive, que foi a primeira guitarrista da banda, que naquele tempo era Gorilla, sem o z” Lotte tinha os olhos arregalados e nem piscava.

“Continue por favor tia Noods...” Seu interesse por ela era impressionante.

“A mãe de vocês traiu o 2D com o Murdoc no lugar onde a gente morava, o Kong Studios... Seria um lugar legal para vocês conhecerem, mas ele não existe mais...” Lembrou-se do incêndio criminoso provocado pelo pai delas. “Houve um incêndio e ele foi reduzido a cinzas.” Ela suspirou “Quando emplacamos nosso primeiro hit eu tinha dez anos... As coisas eram boas entre a gente.. Isso foram as fases um e dois do Gorillaz. Inclusive um dos álbuns fui eu quem escrevi... No final da segunda fase eu tinha quatorze pra quinze anos... Até um vídeo eu gravei só pra mim, que os meninos me deixaram....” Charlotte cada vez se encantava mais com a mulher na sua frente. Ela tinha um sorriso leve nos lábios, com saudades dos velhos tempos.

“E ai o que mais aconteceu, a próxima fase...?” A face de Noodle mudou completamente para uma mais triste e nostálgica. Lotte imediatamente se arrependeu de ter perguntado.

“Tive alguns problemas com o pai de vocês, durante a gravação de um vídeo... Houve um acidente e todos pensaram que eu havia.... Morrido. Toochi ficou muito arrasado” Ela suspirou “Voltei muitos anos mais tarde, soube que eles tinham lançado um álbum sem mim e sem o Russ e era um sucesso... O pai de vocês criou uma cyborg para me substituir acreditam..? Ele é muito inteligente.” Pegou a mão de Grace analisando para ver se as duas tinham ficado iguais.

“Depois disso Russel me resgatou e trouxe de volta a banda e a vida deles... Desde então lançamos mais um álbum e Muds foi preso, depois solto, vocês chegaram e aqui estamos...” Soltou a mão da menina que agradeceu com um sorriso.

“Quantos anos você tem tia noods...?” Até isso queriam saber?

“Vinte e oito...” Disse sem graça. Ela parecia nova ou os pais envelhecidos?

“Nossa você parece mais nova, pensei que era adolescente ainda.” Noodle ficou sem reação pelo elogio de Grace.

“Mas você nunca quis saber de onde você veio, quem eram seus pais....?” Esse era um território sensível que Lotte queria se aproximar. Noodle se levantou e pegou o material de luta.

“Lotte, eu fui parte de um experimento no meu País. Eu sou do Japão... E não tenho pais, nunca tive. Na verdade Russ, Muds e Toochi foram meus pais. Tudo que aprendi fui com eles, quando voltei a minha terra Natal foi apenas para descobrir que nunca deveria ter me afastado deles... Sei que todos tem seus defeitos, mas devo muita coisa a eles.”

“É... as famílias não precisam ser... normais para serem boas..” Lotte concordou se levantando. “E meu pai já te pediu desculpas pelo que ele fez de ruim....? Ele é difícil mas sabe pedir desculpa... E eu sei que ele gosta muito de você...”

“Pediu sim, Lotte... Eu e ele nos entendemos hoje em dia, somos amigos... Por isso que ajudo eles dois tanto a cuidar de vocês...” A menina ficou de frente a ela e pediu para ela se abaixar. Lotte deu um beijo na testa dela.

“Obrigado por cuidar da gente tia Noods, a gente ama você.” E sorriu. A guitarrista pode jurar que seus olhos iam começar a vazar a qualquer momento...

“Eu tô com o que ela disse, só não saí daqui por que você disse que se vai borrar se eu não esperar secar. Mas amo você também.” Grace disse de onde estava sentada no chão.

Noodle se sentiu realmente especial aquela tarde, ensinou Lotte a lutar até ficar exausta. Todos se divertiram muito. Perto da hora da janta os dois acordaram, levantaram-se e foram procurar outras pessoas na casa.

“Hey Russ, cadê todo mundo...?”

“Oi D, estão lá em cima... Não sei o que está havendo, só ouvi uns gritos...” Gritos? Não podia ser. Correu para ver o que acontecia.

Chegaram os dois esbaforidos como se a casa estivesse pegando fogo. Viram Charlotte e Noodle treinando. A menina nem ligava para os machucados enquanto se concentrava em copiar os movimentos da mais velha. Enquanto isso Grace estava no chão mexendo nos discos da japonesa colocando Demon Days para tocar já que era o álbum que ela escreveu.

Murdoc abraçou Stuart amigavelmente, felizes por ver que as filhas tinham uma amiga.



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