História Pais por Acidente - Capítulo 24


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Categorias Gorillaz
Personagens 2-D, Murdoc Niccals, Noodle, Russel Hobbs
Tags 2doc, Niccalspot, Studoc
Visualizações 36
Palavras 4.004
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Nem todo mundo apoia tudo que os filhos fazem.
Meus pais não gostam do meu casamento muito menos de quem eu me casei.
É isso, sempre fomos nós dois contra o mundo inteiro.
Boa leitura.

Capítulo 24 - Sogros


Capítulo 24

 

O derradeiro sábado chegou. Em pouco tempo Murdoc conseguiu arrumar tudo que precisava para sua surpresa ser algo memorável. Estava mais feliz com isso e se agarrava as esperanças que as coisas não fossem tão ruins com os pais de Stuart. Mas se tudo fosse pelo ralo, ele tinha um plano B.

Colocou as melhores roupas que podia. Mesmo sendo a maioria pretas, uma blusa social e um jeans de lavagem escura bastariam. Ressuscitou suas Cuban Heels e até as encerou para dar um brilho a mais. Stuart sabia que como os pais congelaram no tempo, talvez se ele se vestisse novamente com suas T-shirts e All-stars, não seria uma combinação muito bacana para mostrar que ele era um adulto. Podia parecer bobo mas tinha que aparentar mais velho mesmo tendo quarenta anos.

Optou por uma roupa parecida com a de Murdoc, ele acreditava inconscientemente que o namorado tinha mais certeza do que estava fazendo. Colocou a mesma combinação numa lavagem mais clara. E estava incerto sobre seu cabelo que tinha crescido um pouco a mais do que quando os pais o viram. Estava na frente do espelho decidindo o que fazer com ele e sua cara não parecia nada satisfeita.

“Hey D...” O cantor virou-se encarando o baixista. “Você está um arraso... Por que essa cara?” Apoiou as mãos sobre os ombros do mais alto ficando atrás dele.

“Meu cabelo... Está comprido. E meu pai nunca gostou de cabelo grande.” Ele estava bem chateado.

“Eu gosto dele assim, combina com você... E olha.” Apontou para um lugar qualquer “Já posso ver cabelos brancos aqui...” O cantor fez uma careta assustada, não acreditava que estava ficando velho tão rápido.

“Estou brincando 2D, pelo amor de Satã não surta... Nem eu que sou eu tenho cabelos brancos ainda...” Ele permanecia com a feição chateada. Murdoc teve uma ideia. “Senta ali no vaso Dents, de costas pra mim, tenho uma ideia de como melhorar isso ai se te incomoda tanto...” Deu um beijo rápido na dobra do pescoço do mais novo e fez como ele ordenou.

“Fecha os olhos, não vale espiar.” 2D infantilmente colocou as mãos sobre os olhos para ele não pensar que estava trapaceando. Murdoc rolou os olhos com isso. Cuidadosamente pousou as mãos sobre os fios azuis do mais novo puxando os para trás, fazendo desajeitadamente um rabo de cavalo, amarrando displicentemente e deixando propositalmente alguns fios soltos. “Pronto, assim não parece que seu cabelo está tão comprido quanto você diz que está... Mas continue assim antes de se virar e ver o resultado.”

Murdoc hesitante se deveria fazer isso retirou do próprio pescoço sua cruz invertida, sua marca registrada, sua assinatura nas fotos. Pegou-a entre os dedos e decidiu colocar no cantor. Stuart estranhou a atitude do satanista. Tirou uma das mãos dos olhos e segurou o objeto entre os dedos, confuso. “Fica melhor em você, não sou bom com presentes, espero que aceite.” Beijou o topo da cabeça do cantor abrindo espaço para ele poder se levantar e se olhar no espelho.

2D arregalou os olhos, ele tinha ficado ótimo de cabelo preso... Perdeu um pouco o ar sério que sua roupa trazia como proposta mas quem se importa...? A ideia foi da pessoa que ele mais amava nessa vida. Agradeceu com um largo sorriso os dois presentes. As bochechas rosadas pela vergonha daquela gentileza mostravam o tanto que Murdoc tinha mudado com o tempo. Tinham que conseguir mostrar toda essa transformação para os pais dele, e isso ainda não tinham ideia de como fazer.

As meninas ficaram em casa com os outros dois. Elas tinham ouvido atentamente a história de Russel, apesar dele ainda ser meio retraído a respeito de tudo que envolvia elas. Realmente não achava justo com 2D que ele assumisse ficar com as filhas fruto de uma traição. Aquilo fervia seu sangue e o fazia querer quebrar o nariz de Murdoc pela decima vez. Mas se deixou logo encantar pelas duas, elas não eram tão parecidas com o pai quanto o baterista tinha em mente. Só deveria ter sido um pouco mais flexível e tê-las dado uma chance. E se 2D estava feliz, para ele estava tudo certo era apenas se acostumar com a ideia. Inclusive riram muito de saber qual era o motivo real do nariz do Murdoc ter o formato que tem.

Murdoc foi dirigindo pacientemente até a localização fornecida pelos progenitores. Era num bairro distante, mais ou menos quarenta minutos de estrada. E num lugar ligeiramente perigoso ao ver dele. Ainda bem que estava com o cantor, ele seria alvo fácil vestido como estava, aparentando vulnerabilidade com uma placa na testa escrito em neon “Me assalte”. Finalmente chegaram por volta das 19:00 na casa dos “sogros”. Era uma casa grande e bonita se destacava na vizinhança. 2D engoliu em seco.

“Sa-sabe Muds, sempre tem tempo da gente desistir e....” Estavam os dois de frente para a porta principal da casa sem coragem de tocar a campainha.

“Nananinanão, eu já estou aqui e não vamos amarelar agora Stu.” Disse mais confiante que o cantor apoiando a mão sobre seu ombro. “Eles não são baleias, você dá conta.” E ficou um passo atrás do mais alto encorajando-o. Não pegou em sua mão pois achou muito íntimo para uma primeira vez, mas ficou o mais próximo que conseguia sem tocá-lo. Tocou a campainha, logo passos leves de salto foram ouvidos. A mãe dele quem abriu a porta.

“Querido, quanto tempo” Ela estava com um tremendo sorriso que deixava suas feições ainda mais enrugadas, estava realmente muito velha desde o dia do julgamento, cabelos brancos como a neve e o semblante doce como o do filho. Murdoc não expressou nenhuma reação de surpresa vendo que ela nem olhar dirigia para si.

“Ello mãe...” E abriu os longos braços para um abraço. Esse momento foi bonitinho entre os dois, mas algo gritou na mente de Murdoc que ali poderia ser a última vez. Se desvencilhou dos braços da mulher. “Se lembra do Murdoc...?” Virou de lado dando espaço para o baixista se aproximar. Nessa hora a mulher olhou com horror a cruz invertida que ele tinha no pescoço. Eles definitivamente estavam juntos, e para uma família cristã em um lar cristão aquilo era mais que um absurdo.

“Boa noite, Senhora Tusspot” Esticou a mão gentilmente para que ela o cumprimentasse. A mulher olhou-o de cima abaixo medindo-o e ignorou a mão estendida, visivelmente com nojo de tocar nele. 2D vendo que Murdoc ficou visivelmente sem graça pegou a mão ele e juntou com a sua, entrelaçando os dedos. Um movimento arriscado para alguém que sequer deu boa noite para ele. Iria ser uma noite bem difícil. “Podemos entrar..?”

“Claro claro, seu pai está na sala vendo TV...” Murdoc segurava a mão dele como se a usasse de apoio, aquele ambiente era hostil. Stuart ia com passos firmes analisando o quanto aquela casa era diferente da que ele viveu sua infância com os pais. Chegaram na sala. “Por favor sentem-se, queremos conversar antes de comer...” Ela tinha um sorriso amável que quase fazia a alma de Murdoc sair correndo do corpo e abandoná-lo. A mulher olhava sempre para o filho mas nunca para ele, agia como se seque ele estivesse ali.

“Olá filho, você está tão diferente.” O pai disse com a voz mais profunda e mau humorada, aquilo ali nem de longe era um elogio. 2D respondeu sem cerimônias pois estava ficando irritado com a falta de tato e de dar uma chance dos pais.

“Pai, se lembra do Murdoc, meu namorado.” Ele queria incluir o baixista no ambiente. Murdoc dessa vez nem se atreveu a estender a mão, apenas falou “Boa noite” baixinho quase sem olhar para o pai. 2D imaginava que a mãe já tinha feito as devidas apresentações antes deles chegarem, afinal ninguém quis cancelar o jantar. “Claro que me lembro, ele envelheceu horrores.”

“Também acho que ele está mais bonito.” Murdoc ficou vermelho e 2D segurou ainda mais firme a mão do namorado enquanto o olhar do “sogro” pesava sobre si.

“Meu filho, sente-se.” Não incluiu Murdoc novamente. Isso já estava irritando e magoando demais o cantor. Os dois sentaram-se e 2D fez questão de ficar bem próximo ao baixista, que tinha um rosto realmente chateado. Ele ser muito mais velho que o cantor não ajudava em sua aparência... Antigamente não ligaria nada para esse fato, mas agora queria muito que os pais aceitassem os dois. Não por que ele queria ser querido, mas por que ele queria ver seu cantor feliz. Não era pedir muito... Murdoc sentiu uma mão sobre sua coxa, inocente. E olhou para o 2D que tinha a cara fechada para ambos os pais. “Sobre o que querem conversar?”. Engoliu em seco.

Seu pai olhou para sua mãe. “Bem, Stuart. Nós não entendemos como você pode ser tão estúpido assim...” Ele não mediu as palavras e os dois arregalaram os olhos. "E nós não achamos que você está fazendo a coisa certa com sua vida, querido..." sua mãe tentou suavizar as coisas. Murdoc colocou sua mão sobre a do namorado em seu joelho e silenciosamente prestou atenção ao que eles estavam falando. Ele não sentiu que precisava ou podia interromper.

                “O-o que isso significa? Estou apaixonado e não há nada que possa mudar minha decisão.”2D disse a eles com o olhar estreito como se brigasse. "Olha, eu não sei o que você acha que vai ser o casamento, mas posso te assegurar que você será abusado e provavelmente usado para algo mais extremo". Seu pai revirou os olhos. Aquela não era uma conversa sobre aceitação, era uma guerra em que os pais queriam que ele desistisse e Stuart nem por um segundo hesitou em afirmar sua escolha. Murdoc apertou a mão do cantor ainda em silêncio.

                "Seu pai está certo, filho, por favor, escute a gente ... ele não é bom para você. Ele não ama você ... você deveria se casar com uma moça jovem, bonita... E ter filhos ... Nos dar netos." Murdoc continuava em silêncio e de cabeça baixa, apenas absorvendo a discussão que estava se esquentando juntamente com as mentiras sendo ditas pelos “sogros”.

                “Eu TENHO filhas. Eu já SOU pai. Não preciso me casar com uma mulher para isso.” Ele aumentou o tom de voz, ficando vermelho de raiva se sentindo muito ofendido com as palavras dos pais. O coração do baixista disparou, Stuart além de defender ele mesmo também defendia as filhas dele. Realmente ele era bom demais para si. "Eu o amo e ele me ama, ele mudou e não é como ele costumava ser. Ele é carinhoso e atencioso. Ele não quer me machucar. Eu não quero uma mulher mais nova, quero Murdoc.” Okay, o baixista nem de longe estava preparado para uma declaração dessas.

Seu pai bufou, claramente descontente com isso. “Meu Deus que tipo de manipulação esse maldito está fazendo com você? Tudo o que ele prometeu é mentira. E você cuidando das filhas dele? Isso é ridículo Stuart, ele não consegue se quer assumir as próprias crias e você tem que fazer isso?” Agora sim ele estava para invocar a ira do satanista mencionando suas filhas. Ainda bem que não as trouxeram.

"Você não será feliz, meu amor. Por favor, desista dessa loucura, nós imploramos ..." A mãe estava à beira das lágrimas "Vou te dizer a verdade, filho. Nós não vamos aceitar vocês juntos nem aceitar que elas são nossas netas, por que não são. E nós não vamos falar com você mais .. você pode esquecer que tem pais " Agora sim ela disse toda a verdade de uma vez... Estavam realmente querendo fazer o filho escolher. O coração de Murdoc parou por um momento. Isso não poderia estar acontecendo ... Era tudo culpa dele. Ele não aguentaria ficar mais muito tempo ouvindo todas aquelas mentiras sendo ditas sobre ele calado.

2D por sua vez estava odiando tudo isso. Ele podia sentir seu estômago revirando e lágrimas acumulando no canto dos olhos. “O-o quê? Vocês não podem fazer isso! Estou apaixonado!” Tarde demais já estava chorando "Estou tão feliz VOCÊS NÃO QUEREM QUE EU SEJA FELIZ!" Disse quase berrando, já começando a tremer e não segurou mais o choro. “Sim filho, queremos que você seja feliz, mas não com ele. Você precisa de uma mulher! Você é lindo filho, muitas pessoas querem você, eu sei disso! ” O pai continuava insistindo nessa ideia, mesmo vendo o desespero do filho.

Murdoc não aguentava mais. Ele levantou-se. "Me desculpe. Eu não aguento mais isso. Vocês estão mentindo sobre mim ... Vocês fizeram meu Bluebird chorar, e eu não vou ficar aqui assistindo isso. Meu amor” Disse se referindo a 2D que levantou a cabeça encarando-o com o rosto lavado em lágrimas, dando um pequeno soluço “Se você quiser ficar aqui com eles, tudo bem ... eu estarei esperando no carro. "Ele gentilmente beijou seus lábios fazendo questão que os dois vissem bem isso e apontou para ambos os pais “Seu filho é a pessoa mais importante da minha vida. Eu o amo e vou fazê-lo feliz. Eu prometo a vocês dois. Obrigado pelo jantar, mas perdi o apetite "E ele saiu da sala deixando 3 sozinhos. “Pode deixar que eu sei o caminho para a saída.” Sua mãe estava sem palavras.

Ou Murdoc ia embora por bem ou algo mais sério poderia acontecer ... Já estava quase com a mão na maçaneta da porta "Talvez eu tivesse merecido tomar um soco de você senhor, e um tapa da senhora, a muitos anos no dia do julgamento... mas eu sei o que eu fiz pelo Stuart depois disso...” Ele tinha lágrimas teimosas de ódio que não deixava cair para não dar o gosto pros mais velhos “Ele salvou minha vida.” Estreitou o olhar encarando ambos nos olhos. “E anote minhas palavras família Tusspot, eu vou me casar com o filho de vocês um dia, quer vocês gostem ou não. Desculpe Stuart" olhou para o cantor com pesar. O coração de Stuart disparou, casar? Nunca que Murdoc teria citado algo assim... Ele o amava tanto assim ou era apenas o calor do momento?

2D ficou sem fala. Ele olhou para seus pais franzindo a testa. “O que diabos aconteceu com vocês? Você deveriam me apoiar! Você deveriam me amar! ”Ele fungou, seus olhos escorrendo sem parar. Seu pai estava irritado com a atitude de Murdoc vendo tudo isso acontecer. “Veja o que ele fez agora! Vai fazer isso de novo e de novo! Ele vai embora quando as coisas ficarem difíceis e eu não vou apoiar isso”. Agora sim Murdoc se irritou, até ele decidir sair da sala os pais estavam julgando. Era hora de pôr um ponto final nessa situação toda.

"Eu estou apenas saindo, senhor Tusspot, para não retribuir a bordoada que ganhei no passado, na sua cara aqui dentro da sua casa. Porque isso é o que você merece, por não entender a decisão do seu próprio filho.” Ele apontou na direção do homem com o dedo trêmulo de ódio. “Eu deixo Stuart decidir o que ele quer fazer com a vida dele, porque ele é um adulto, um homem capaz, e eu respeito isso. E você deveria fazer isso também. Você o trata como se ele nunca tivesse crescido e ainda tivesse de fraldas. Ele pode escolher muito bem o que ele quer para ele pelo amor de Satã!” Colocou as mãos nos bolsos vendo o horror estampado no rosto da mulher ouvindo essas palavras pecaminosas dentro de sua própria casa.

“Se ele quer ficar comigo tudo que posso ser é grato, por que Stuart é bom demais pra mim....” Ele olhou para o chão entristecido mas logo voltou a encarar os dois que continuavam calados e estáticos. "Esta conversa é entre ele e vocês dois. Ele é forte o suficiente para resolver este problema sozinho. Eu acredito nele. E ele sabe que eu o amo e que sinto orgulho do homem que ele se tornou." Ele gentilmente olhou para seu cantor. "Desculpe deixá-lo sozinho Stuart eu disse tudo que precisava e não vou brigar. Eles são sua família."

Murdoc estava tão triste que era a razão pela qual Stuart estava chorando. Nada nunca foi fácil para eles. “Ah, pode deixar que eu mando o convite do casamento quando for a hora, quem sabe até lá vocês mudam de ideia?” Deu de ombros fechando a porta atrás de si, se encaminhando de volta para o carro, derrotado e emocionalmente drenado.

Ao ouvir o barulho da porta a alma de 2D parece que foi junto com ele, tamanho o vazio que sentiu, sozinho. "Não ouça essas mentiras, Stuart. Ele quer nos separar! Ele é mau!" Sua mãe estava quase chorando quando decidiu se manifestar novamente. “Ele é mau, ouça a sua mãe. Ele está tentando fazer você escolher que lado ficar. Você vai terminar esse namoro e nunca mais falar com ele e vai focar em encontrar uma mulher e nos dar netos de verdade. Somos nós ou ele. Você não pode ter os dois! ”Seu pai disse severamente. “Vai me obedecer por que eu sou seu pai”. Disse como afirmação final.

2D estava chorando ainda doloridamente, soluçava e se agarrava a cruz invertida, presente de Murdoc. "NÃO! Vocês nem sequer deram a ele uma chance. Uma única... Essa maldita conversa não era sobre meu namoro, nem pra apresentar ninguém, era pra vocês tentarem desesperadamente separar a gente...” Ele soluçou juntando o resto de força que ainda tinha pra retrucar. “Isso não vai acontecer, pessoas mudam! As pessoas estão sempre mudando e eu quero passar o resto da minha vida com ele e com nossas filhas... se vocês não pode aceitar isso, então eu não quero mais ser filho de vocês!” Ele bradou com eles, correndo porta afora, uma bagunça de lágrimas e raiva.

Murdoc o avistou próximo dali de dentro do carro. O menino corria como se a vida dele dependesse disso, e como se soubesse para onde estava indo. As ruas estavam escuras e ele poderia ser alvo fácil de alguém mal intencionado. Não pensou duas vezes em sair correndo atrás dele, mas sem gritar para não atrair atenções, apesar do caminho estar bem deserto. Via o quanto chorava e o quanto parecia que queria fugir para o mais longe que conseguisse dos pais.  Achou que mesmo se o chamasse ele não daria ouvidos. O seguiu numa distância segura pronto pra intervir caso algo acontecesse.

2D não conseguiu ir muito longe... Estava cansado de tudo dar errado para eles. Caiu de joelhos após algum tempo, chorando muito. Colocou as duas mãos sobre o rosto e soluçou contra elas, foi uma ideia estúpida tentar fazer seus pais aceitarem alguma coisa. Murdoc chegou depois, agachando-se para ver se ele tinha se machucado com a “queda”. Sem pensar muito o envolveu num abraço mudo, sabia que ele podia ter uma crise de pânico a qualquer momento.

O cantor recebeu bem seu abraço, chorando em seu ombro. Ele estava muito magoado com tudo aquilo... E Murdoc só podia pensar no quanto a culpa era dele. O apertou da melhor forma de deu conta na posição que estavam e deixou ele se acalmar. Nunca deveria ter deixado ele sozinho com aqueles... monstros. Fazia círculos com as mãos sobre as costas do cantor enquanto ele desaguava seu pranto. 2D se sentia tão traído pelos seus pais, se sentia um ninguém. “Eu sinto muito Stuart... Não devia ter te deixado sozinho, seu pai tinha razão nisso...” Ele não sabia bem o que dizer mas também não podia ficar em silêncio indefinidamente.

“Não, eu não tinha nada que ter te trazido aqui... Foi uma idéia ruim.” Ele agarrava-se a blusa de Murdoc. “Não tem nada de errado com a gente ficar junto... E até das meninas eles falaram... Não deram nenhuma chance, mas que droga” Soluçou de novo.

“Hey.. shhh...” 2D já estava começando a hiperventilar de nervoso. “Calma.. ouve como eu estou respirando e faz igual... Inspira pelo nariz e solta pela boca... Vamos... Conte até dez...” Eles estavam no meio da rua, no chão, não seria legal ele ter uma crise agora.

Com mais um pouco de paciência o cantor foi aos poucos se acalmando. Ele já sentia a dor de cabeça que estava a caminho e chorar só tornaria ela pior. Respirou mais profundamente soluçando e fechando os olhos, definitivamente exausto. “A gente não precisa da aprovação deles... Nem de ninguém... Elas são minhas filhas... quem são eles pra dizer alguma coisa...?” 2D resmungava mais para si mesmo do que para o baixista. Murdoc percebeu que ele não ia conseguir caminhar até o carro, então o pegou no colo sem pedir permissão e lentamente começou a retornar, sem se importar se alguém o visse carregando um homem tão alto. Mesmo velho ele ainda era forte.

“Eu sei o quanto você queria ter a aprovação deles, D... Espero que mesmo assim esteja tudo bem por não ter acontecido....” Ele se aconchegou ainda mais no colo do mais velho, ainda de olhos fechados, sentindo o perfume que ele colocou mais cedo, tendo certeza que fez a escolha certa. “Eu disse antes Muds, não vou ficar mal por isso... Te prometi. Não ligo, vocês são minha família agora... E eu amo você pelo que você é... não ligo que não seja uma mulher...” Murdoc não pode deixar de sorrir, seu anjo da guarda não desistiu dele.

"Está tudo bem... você quer ir para casa ..? Jantar em outro lugar? Podemos fazer qualquer coisa que você quiser, Stu, eu quero você feliz ..." Chegaram no carro. “Não vou deixar seus pais estragarem nossa noite.” Colocou-o sentado na poltrona do carona e sentou-se na do motorista, soltando um longo suspiro. “Vamos comer fora... Eu só quero dar o fora aqui e ficar o mais longe que conseguir deles...” Murdoc sorriu, seu plano para aquela noite daria certo.

"Que que eles disseram depois que eu saí ... Eu não consegui ouvir ..." Murdoc pegou as pílulas que sempre guardava no porta-luvas para emergências... o baixista pegou 2 e as deu para o cantor. "Nós não temos água, foi mal ..” Ele as tomou no seco, já estava acostumado mesmo.

“Eles me fizeram escolher entre vocês ou eles...”

“E o que você fez...?” O coração do baixista apertou, não queria ver seu cantor “perder” os pais por causa dele.

“Fiz minha escolha... E eles tiveram a resposta deles.” Olhou seriamente enquanto prendia o cinto de segurança. “Não quero mais ser filho de quem não aceita minhas escolhas.” Ele olhou seu reflexo no retrovisor. “Eles são monstros...”

“Não são Stuart... São seus pais.” Apoiou uma das mãos sobre o volante. "Você vai voltar aqui algum dia ou foi um ... adeus? Você sabe que, mesmo estando comigo, você continua sendo o filho deles."

“Não, chega... Cansei disso.” Ele olhou de volta para Murdoc. “Está tudo bem, mesmo. Eles que me perderam.”

“Se você diz, por mim está tudo bem.” Ele engatou a ré para manobrar o carro e tira-los dali.

“Só tenho mais uma pergunta Muds...” O baixista freou imediatamente antes de sair.

“O que... o que você disse sobre se casar comigo... Você falou sério ou foi pra deixar meu pai ainda mais louco?” Ele estava vermelho e movendo as mãos no colo freneticamente.

Murdoc sorriu. Era verdade, mas não iria dizer assim tão fácil. O agarrou pela gola da camisa e o beijou. Um beijo sem muita paciência, necessitado, deixando um filete de saliva ligando ambas as bocas. Murdoc soltou o amarrador que segurava o cabelo do cantor, soltando-o e bagunçando. “Você é muito lindo, sabia?” Stuart ficou vermelho pela proximidade e pelo elogio.

“Quem sabe?” Sorriu maldosamente. “Vamos ao meu restaurante favorito, eu tenho uma surpresa pra você.” Stuart se endireitou no banco sentindo o estômago cheio de borboletas. Parou de chorar e secou as lágrimas que ainda faltavam. Eles tinham muito o que viver ainda, e não seriam seus pais a impedir. Ligou o som alto e deixou o que aconteceu para trás.

 


Notas Finais


Próximo capítulo vai ser melhor, prometo.


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