História Pais por Acidente - Capítulo 25


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Categorias Gorillaz
Personagens 2-D, Murdoc Niccals, Noodle, Russel Hobbs
Tags 2doc, Niccalspot, Studoc
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Palavras 3.502
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 25 - Surpresa


Capítulo 25

 

O caminho até o restaurante foi tranquilo. 2D foi cantando ele inteiro, Murdoc em silêncio concentrado em dirigir, apenas aproveitando a companhia animada do mais novo e sua voz tão melodiosa. Era impressionante como era diferente a voz dele falando da mesma cantando. Ele parecia mais leve a cada música... Cantar sempre conseguiu afastar seus demônios, fazê-lo esquecer dos problemas, se sentir mais querido e admirado por Murdoc.

“Eu posso saber o que é minha surpresa...?” 2D perguntou entre uma música e outra.

“Mas é claro que não cabeça-oca, se não ela deixa de ser surpresa...” Sempre muito gentil com as palavras.

“Então vou tomar isso como um encontro, que você não me chamou antes, um encontro surpresa...” Ele era um bobo apaixonado olhando sonhador pelo retrovisor. Murdoc riu.

“Tá, apenas espero que goste, eu sou horrível em ser romântico, então...” Não conseguia ao menos se lembrar qual foi a última vez que tentou ser “Romântico” com alguém. Achou que não deveria se lembrar por que não houve ocasião.

“Nem sabia que estava tentando ser romântico Murdoc.... Pensei que fossemos apenas jantar... Já que não conseguimos...” Murdoc vendo a feição chateada do cantou pousou a mão sobre seu joelho.

“E vamos... mas vai ser um jantar especial... Só... me prometa que não vai ficar emotivo demais e estragar tudo...” Ele riu como se escondesse algo. Stuart percebeu que ali tinha coisa. “Eu sei me comportar, Muds.” Limitou-se a sorrir enquanto Murdoc manobrava para estacionar. Saiu apressado dando a volta no carro. Abriu a porta do passageiro.

“Ladies First.” E reverenciou como fazem nos filmes. 2D fechou a cara, mas logo deixou o queixo cair ao ver o letreiro do restaurante, escrito algo em francês que nem se deu ao trabalho de tentar pronunciar ou entender. Parecia realmente um lugar caro e chique... Sabia que Murdoc era excêntrico, mas não estava esperando por algo assim, ainda mais envolvendo ele junto. Normalmente acabavam caindo em boates ou barzinhos no subúrbio, ele pagando uma cerveja ou duas em lugares infinitamente inferiores a aquelas luzes amarelas que iluminavam seu rosto. Recolheu o queixo de volta pro lugar e suspirou. Seus olhos brilhavam contra a marquise e Murdoc se deliciava com a reação do mais novo.

“Murdoc...” Olhou para ele, que jogou seu casaco sobre seus ombros. “O que significa tudo isso?” Disse passando a mão arrumando os cabelos em descrença.

“Isso? Nada.” Colocou a mão nos bolsos e foi seguindo. 2D por nervoso ou reflexo se apoiou em seu braço dobrado. “Vamos jantar.” E sorriu se limitando a dizer isso. 2D estava vermelho enquanto se aproximavam do rapaz da recepção.

“Reserva em nome de Murdoc Niccals. Para dois.” O rapaz assentiu e os guiou até a mesa. Tinha direito a castiçal e uma garrafa de espumante. Sentaram-se em silêncio. 2D ficando roxo de vergonha de estar sendo mimado assim.

“Muds... tem... alguma razão pela qual você me trouxe aqui....? Quer dizer, quando você teve tempo de pensar e organizar tudo isso...?” De gastar tempo comigo. Ele estava encolhido na cadeira. Nessas horas que seu lado tímido aflorava.

“Bem, sei que você não é tanto de prestar atenção em datas... Mas fazem seis meses que as meninas apareceram nas nossas vidas... E eu queria que a noite fosse agradável. Consegui reserva para hoje aqui, mas se por acaso seus pais tivessem sido receptivos e tivéssemos comido por lá, eu poderia adiar tudo isso...” Ele colocou a mão sobre a mesa e agarrou a trêmula do cantor. “É uma comemoração. Não precisa ter vergonha... Fiz pensando em você.... Por que está tão nervoso?” Murdoc achava que ele não estava gostando por alguma razão.

“Ninguém nunca fez algo assim pra mim Muds...” Ele acariciou gentilmente a mão do baixista. “Assim, Russ e Noods já fizeram festas surpresas no meu aniversário... Claro. Mas uma reserva... Num restaurante... Só pra mim...” Ele sorria e suas bochechas tinham um tom rosado adorável. Olhava diretamente nos olhos do baixista, o que deixava ele por sua vez desconfortável, pois sempre que o encarava por muito tempo, aquilo o fazia sentir muitas coisas ao mesmo tempo e ele não sabia lidar. “Obrigado Muds.”. O garçom chegou com os menus assim que ele terminou o agradecimento.

“Pode escolher o que quiser...” 2D não tinha ideia de nada do que estava escrito.

“Ahn... Pode pedir dois do que você quiser Muds, eu deixo você escolher por mim.” Sorriu entregando o menu de volta para o garçom que abria o espumante servindo os dois. “Você quer beber? Eu posso dirigir para casa...” 2D na realidade não queria mais beber desde o último incidente, a ressaca tinha sido monstruosa.

“Então gostaria de dois números 5 por gentileza.” Murdoc sabia o quanto 2D era enjoado com comida e tinha algumas restrições por não ter os dentes da frente, então ele pegou algo gostoso e conhecido para ele. Não se incomodaria de não comer seu prato favorito desde que o mais novo saísse de estômago cheio também. As vezes tinham que pedir pratos infantis para ele por não ter nada que gostasse no menu quando saiam com a banda. “E sim 2D eu bebo, você dirige. Prometo não exagerar.” Ele precisava do álcool para ter coragem para o que planejava fazer aquela noite na realidade. Virou o copo quase que todo imediatamente servindo-se de mais. 2D já se sentia um pouco mais à vontade e parou de ficar encolhido e retraído na cadeira.

“Então... Meus pais foram terríveis... Como você acha que sua mãe vai ser...?” Ele quis puxar alguma conversa enquanto os pratos não vinham, o restaurante estava relativamente vazio então não tardariam a vir. O silêncio com alguém tão falante como o baixista era esquisito. E ele não podia negar que toda a ansiedade tinha deixado o com a gastrite atacada, precisava comer, e tudo apesar de estar escrito em francês parecia incrivelmente delicioso. Estava curioso para saber o que o namorado tinha pedido para os dois.

“Sinceramente D... Estou fazendo isso mais pelas meninas... Eu realmente não tinha vontade alguma de conhece-la pessoalmente... Mas... Depois do que aconteceu hoje, isso só me deu mais vontade de ir atrás dela...  Já tivemos dois nãos. Quem sabe a reação é diferente?” Deu de ombros, se não fosse também não teria importância, 2D não se importou, e ele era o rei do foda-se, não seria difícil fazer o mesmo.

“Estarei lá com você se quiser... Você enfrentou meus pais e... também não posso deixar de te agradecer por isso... E a melhor forma é retribuir do mesmo jeito...” Ele sorriu docemente, as chamas das velas iluminando seus olhos sem escleras. Murdoc soltou de sua mão que estava por cima da mesa e pegou sua carteira. 2D olhou o movimento do mais velho sem entender, achando que ele já ia pagar a conta.

“Sabe, nunca te mostrei... Mas eu tenho uma foto na minha carteira... Que a outra metade eu perdi... Meu pai me disse que ela minha mãe levou quando ela foi embora...  Roubei dele antes de fugir de casa, é a única lembrança que tenho dela... E acho que nunca te mostrei.” 2D fez que não com a cabeça. Murdoc mostrou uma foto onde estavam o pai e a mãe, mas a parte da foto com a mãe faltava um pedaço. “Eu não sei por que guardei mesmo assim depois de tanto tempo... Mas está aqui. Se a mulher que eu pesquisei realmente for ela, com certeza se lembra dessa foto, se não tiver a outra metade como eu...” Stuart a pegou na mão e analisou, realmente estava velha e amarelada... O pai tinha uma expressão sinistra no rosto, que muito lembrava Murdoc nos momentos de fúria se ele tivesse um nariz normal.

“Realmente espero que ao menos ela... seja mais gentil com você do que os meus pais foram com a gente...” Devolveu a foto e voltou a encará-lo.

“Eu apenas queria saber por que ela me... abandonou. Deve ter tido seus motivos... E eu não sinto ódio por isso... Se ela não tivesse feito o que fez talvez eu não estivesse aqui falando com você agora. Minha época de sentir raiva e me revoltar já passou... Podemos ter uma conversa de adulto pra adulto... Eu acho que já superei muito do que passei.” Suspirou.

“Vou te ajudar com isso... Por você. E pelas nossas filhas.” Murdoc sorriu, ele não tinha obrigação alguma de ajudar com nada, isso era uma mancha no seu passado que ele não precisava se envolver. “Stuart, eu sou uma causa perdida..?” 2D virou a cabeça para o lado não entendendo a real intenção por detrás dessa pergunta. “Quer dizer... você acha que minha mãe vai querer me conhecer... Depois de eu ter me tornado o que eu sou... ? Eu já fiz muita coisa ruim, já fui preso, já passei a perna em muita gente, fiz escolhas erradas...” Ele tinha uma expressão distante, como se a mulher fosse ver tudo de mal que ele era e não daria uma chance, assim como os pais de Stuart não deram. Era assim que ele se via na maioria das vezes.

“Murdoc.” O tom dele saiu mais sério do que de costume, chamando-o pelo nome todo. “As pessoas mudam. Sua mãe também tem um passado em que ela talvez tenha se visto obrigada a te deixar... Ou fez isso pensando no seu bem... Ela também fez escolhas ruins ao longo da vida... Ninguém é perfeito.” Ele apertou a mão de Murdoc sobre a mesa. “O que meus pais fizeram foi errado, não te deram nenhuma chance... Mas não quer dizer que todo mundo seja assim. Você mesmo está se dando uma oportunidade de conhecer ela...Pelas suas filhas... Você não a odeia. Acho que isso é mudança o bastante.” Sorriu novamente. “Se ela não quiser, perda dela. Você não é uma causa perdida, se não, não estaríamos aqui com você me mimando de um jeito que nem meus pais fizeram comigo...” Stuart muitas vezes tentava ver a luz no fim do túnel. Murdoc tinha certeza que a luz era o trem vindo.

Ele riu. Murdoc podia ter sido um monstro muitas vezes, mas no fundo ele era apenas humano. E essa era uma das vezes que esse lado mais vulnerável aparecia, não sabia se pelo espumante apenas ou se realmente estava acontecendo. O que sabia era que estava sendo ouvido, e Murdoc com certeza se lembraria na manhã seguinte e até o dia em que fossem falar com ela. “Só podemos torcer pelo melhor, o tempo se encarrega do resto, Muds.” Ele assentiu, apesar de 2D ser bem idiota as vezes, dessa vez ele foi sábio.

“Stuart.” Agora quem soou mais sério foi Murdoc. “Desde pequeno eu fui forçado a muitas vezes, fingir ser quem não era, me apresentando em shows pra pagar as bebedeiras daquele que eu chamava de pai... Mas disso você já sabe. Eu... sempre estou inventando histórias sobre mim mesmo e sobre que eu sou, que são falsas...  Então, creio que depois de tantos anos, eu devo ter me tornado um mentiroso compulsivo... porque eu odeio a verdade sobre mim mesmo... e sobre minha história... Então encarar coisas como minha mãe... É encarar a verdade. E pode ser que eu não esteja pronto pra isso. E nunca vou estar.” Ele suspirou. “Acho que essa é a razão pela qual eu bebo tanto... e estou constantemente infeliz e insatisfeito comigo mesmo. Por que vivi muitos anos uma mentira... E as únicas coisas que são verdade são você e as meninas, até mesmo na banda eu finjo muita coisa, você sabe... ” Os pedidos chegaram atrapalhando a linha de raciocínio do Satanista.

Stuart estava sem palavras, apenas absorvendo tudo que havia sido dito a ele. Murdoc não tinha falado tão sobriamente apesar de ter bebido, em muito tempo. O baixista também não esperava resposta, ele apenas queria ser ouvido. E sabia que Stuart não seria capaz de bolar um argumento convincente e que fizesse sentido para dizer o contrário do que ele afirmou. Por que no fundo o cantor sabia que tudo era verdade, Murdoc só estava assumindo para si mesmo e para ele em voz alta, e quem sabe, mudando sua perspectiva acerca desse assunto, devido a iminente reaproximação que almejava ter com a mãe.

Comeram em silêncio, cada um envolto em seus próprios pensamentos. Murdoc se arrependendo de ter trazido assuntos tão sérios num momento de comemoração e Stuart se questionando se deveria ter falado da “sogra” na hora da janta.

“Estava uma delícia.” Disse sentando-se displicentemente na cadeira com o estômago cheio e um sorriso no rosto, quebrando o gelo entre os dois.

“Espero que tenha espaço para a sobremesa Stu...” Murdoc sorria igualmente com o estômago estufado. Bebeu mais um copo de espumante sentindo-se ficar quente e alegre. A garrafa já estava pela metade.

“Pode pedir, eu tenho um segundo estômago para sobremesas.” Ele riu alto, satisfeito de estar ali. O coração de Murdoc apertou-se, estava chegando a hora. Ele simplesmente piscou para o garçom sentindo-se cheio demais para pedir alguma coisa.

“Stuart, eu tenho uma confissão para fazer...” 2D encarou-o sem entender. “Tem uma outra razão pela qual eu queria que você estivesse comigo aqui hoje, essa noite, nesse momento.” Ele se aproximou apoiando os dois cotovelos sobre a mesa. O garçom chegou com um bolo com uma única vela em cima, escrito com chocolate “Feliz 6 meses” e entregou para Murdoc um prato vazio que ele virou o fundo para o cantor não o deixando ver o conteúdo do lado certo. 2D estava maravilhado com o que via, mas ainda não esboçava reação, apenas a boca aberta.

“Sabe aquele dia que você disse que queria fazer um bolo com as meninas... Mas era feriado, estava tudo fechado e eu não consegui comprar a farinha que faltava...? Você ficou muito chateado...” Ele assentiu com a cabeça, sentindo novamente as lágrimas pinicarem os olhos. “Bem, está ai ele, espero que não se incomode por esse não ter sido feito por vocês... Juro que na próxima nem que eu tenha que fabricar não vai faltar a farinha...” Murdoc riu de nervoso. “Agora... tem uma última coisa eu preciso fazer, preciso que feche os olhos. E não vale espiar.” Ele assentiu e cobriu os dois olhos com as mãos, já sentindo a vontade de chorar voltando, estava tudo tão perfeito, ele não acreditava. O baixista engoliu em seco.

Murdoc ajoelhou-se de frente para ele, sentindo todas as juntas estalarem, colocou o prato sobre a mesa virado para ele escrito “Quer casar comigo?” igualmente feito em calda de chocolate assim como o bolo. O baixista estava segurando a caixa preta de veludo que continha duas alianças. Ele levou uma tarde inteira procurando o par perfeito... Teve que dar uma boa desculpa para deixar Stuart com as filhas e sair. Na verdade nem tão boa assim, disse que tinha uma conta para pagar, que Russel tinha mandado ele cuidar disso naquele mês, a fila estava grande, 2D caiu direitinho. Nem as meninas nem ninguém sabiam que ele tinha saído com esse objetivo.

Murdoc agilmente “roubou” um dos anéis que 2D tinha, esperando ter acertado o tamanho do anelar, inclusive era dois números maior que a sua própria. Realmente tinha mãos pequenas. Se não servisse trocaria mais adiante. Escolheu de tungstênio, a atendente disse que durava mais e elas eram pretas... Perfeitas. Dentro pediu ao calígrafo que escrevesse na sua “Meu cantor” e na dele “Baixista bastardo”. Eram denominações bestas, mas que para eles teriam algum sentido. Quando trocasse pelas de ouro, elas combinariam melhor com a cruz invertida que agora ele tinha no pescoço.

“Tudo bem, pode abrir.” Ele abaixou a cabeça e respirou fundo esperando o mais novo processar o que estava acontecendo. Mandou escrever no prato por que coragem faltava para ele falar aquele pedido tão singelo em palavras. Realmente ele não tinha brincado quando falou sobre se casar... E também com certeza mandaria o convite aos pais de 2D mesmo sabendo que os odiavam... Queria esfregar na cara dos dois o quanto estavam felizes e tinham cumprido a “ameaça”. Quem sabe até sua mãe poderia chamar?

Stuart gentilmente pousou a mão sobre o amontoado de cabelos negros fazendo-o encará-lo. 2D chorava como uma criança perdida dos pais, e dizia que sim com a cabeça várias vezes com um sorriso bobo no rosto e uma mão sobre a boca encobrindo os soluços. Um pedido mudo com uma resposta igualmente silenciosa. Murdoc sorriu de volta e pegou sua mão para colocar o anel... As duas tremendo muito. Naquele momento eram apenas os dois no mundo todo. Nada mais importava. Anéis colocados, 2D ajoelhou-se abraçando o namorado, agora noivo.

“Tem certeza...?” Murdoc perguntou baixinho perto da orelha do cantor. “Sempre temos tempo de desistir.” Disse repetindo a frase de 2D de mais cedo.

“Eu amo você, Muds. Sim, a resposta sempre vai ser sim.” Abraçou-o ainda mais forte, soluçando. Estava muito feliz. Murdoc gentilmente acariciava seu cabelo levantando-se junto com ele.

Não conseguiram comer o bolo de tão cheios, mas 2D acendeu e os dois apagaram a vela ao mesmo tempo, cada um fazendo um pedido diferente. Era bobo, mas fez os dois felizes, principalmente 2D. Pediram para levar e prontamente embrulharam o doce.

 

Estavam os dois andando pelas ruas desertas, decidiram dar um passeio para terminar a digestão, foi um tremendo erro. Estava muito escuro e Murdoc com a guarda baixa, vendo seu cantor tão feliz não notou a aproximação de um rapaz muito maior que os dois juntos, que os cercou. Stuart imediatamente se refugiou nos braços de Murdoc apavorado com o tamanho do homem.

“Ora ora ora o que temos aqui... Um príncipe e uma princesa...” Murdoc tomou a frente.

“Olha cara, não queremos confusão, deixe a gente ir embora e ninguém sai machucado...” Queria intimidar, mas tinha certeza que ia levar a pior, a cadeia havia o ensinado a não se meter com caras maiores que si. Mesmo assim tinha que proteger Stuart a todo custo.

“Claro, mas antes eu vou brincar com a boneca aqui...” Disse ameaçando pegar Stuart pelo braço. Ele apenas se retesou tentando evitar, não conseguiria revidar.

“Não encosta nele...” Murdoc voou em cima do cara, tentando mirar um soco em seu rosto. Não conseguiu e quem recebeu um foi ele, caindo no chão.

“MURDOC” Stuart berrou agachando-se ficando perto dele. Murdoc ainda tonto limpou o sangue que escorria de seu nariz, tendo certeza que ele estava quebrado de novo.

“Ah então você é homem... Que nojo... Odeio bichas que nem vocês...” Stuart olhou-o de baixo pra cima com os olhos molhados, estava entrando em desespero com a aproximação do homem. Murdoc rapidamente se colocou sentado e o empurrou para o mais longe que conseguiu. O cara veio pra cima dos dois, mas pelo empurrão apenas Murdoc foi atingido nas costelas, soltando um urro de dor.

Stuart caiu com o ombro no chão, machucando-o. Tentou novamente ficar entre os dois.

“Por favor pare....” Implorava já chorando. Sentia-se patético. O homem ria sadicamente.

“Não fica perto de mim...” Murdoc não iria se perdoar se algo acontecesse com 2D por sua culpa. Cuspiu o sangue que estava em excesso em sua boca, numa força sobrenatural colocando-se de pé na frente de seu cantor para protegê-lo. “Chama a polícia Stuart.” Falou baixo que apenas 2D escutou, com o resto de forças que tinha recebendo mais um soco, dessa vez no estômago.

“Vou acabar com você depois acabo com o azulzinho ali...” A alma dos dois gelou, realmente do jeito que estava apanhando Murdoc poderia morrer ali mesmo. Stuart ligou para a polícia explicando da melhor forma que pode a situação dos dois e onde eles estavam... Murdoc estava quase inconsciente depois de tantos golpes. Stuart chorava inconsolável.

Quando o homem estava se cansando de acertar Murdoc vendo que ele estava quase desmaiando, deu dois passos em direção ao cantor que tinha sua cabeça abaixada e chorava. Estava tendo um ataque de pânico e não conseguia fazer nada, apenas olhava para o anel recém colocado em seu dedo com medo de que tudo aquilo acabasse.

“Agora é sua vez...” Ele fechou os olhos aguardando o pior.

Sirenes foram ouvidas e imediatamente o cara foi algemado. Murdoc respirou aliviado deitando na calçada. Ao menos tinham chegado a tempo suficiente do homem não mata-lo e Stuart estava a salvo. Policiais o avisaram que o socorro estava a caminho. O cantor levantou-se e correu em sua direção.

“Muds... Muds... Não....” E soluçava agarrando sua roupa cheia de sangue.

“Está ... tudo ... bem... você ... está a salvo....” Forçou um sorriso mesmo sabendo que sua cara estaria péssima. “Eu amo você...” E deixou os sentidos o abandonarem e ser levado de maca de volta pro hospital, mais uma vez. Stuart foi junto na ambulância... Agarrado com a corrente presente de Murdoc... Pedindo a tudo que acreditava que o deixasse viver.

Naquela hora ele tinha certeza que o que estava escrito no bolo não era verdade. Não era feliz o que viviam.

E agora?



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