História Paixão - Capítulo 18


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Fallen
Personagens Daniel Grigori, Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Lucinda "Luce" Price
Tags Jeon Jung Kook, Jeongguk, Kim Tae Hyung, Kookv, Taegguk, Taekook, Vkook
Visualizações 39
Palavras 7.106
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


¿Oi, turu bom?

Esse capítulo ta bem grandinho.... 😗😗

...... boa leitura!

Capítulo 18 - Escrito em osso


Yin, China • Qing Ming

O Qing Ming é uma festividade tradicional chinesa que se celebra no 104º dia após o solstício de Inverno - quarto ou quinto dia de Abril em nosso calendário.


Na outra extremidade do túnel do Anunciador estava submergindo um brilho. Ele beijou sua pele como uma manhã de verão na casa de seus pais na Geórgia.

Taehyung mergulhou em direção a ela.

“Glória desenfreada”. Foi o que Bill tinha chamado a luz ardente da verdadeira alma de Jungkook.

Meramente olhar para o puro Jungkook angelical, fez toda uma comunidade de pessoas no sacrifício maia entrar em combustão espontânea – inclusive Ix Cuat, o eu passado de Taehyung. Mas houve um momento.

Um momento de pura maravilha pouco antes de morrer, quando Taehyung se sentiu mais perto de Jungkook do que nunca antes. Ele não se importou com o que Bill disse: Ele reconheceu o brilho da alma de Jungkook. Taehyung tinha de vê-lo novamente. Talvez houvesse alguma forma de ele poder viver através disso. Ele tinha que pelo menos tentar.

Ele explodiu do Anunciador no frio vazio de um quarto colossal.

A câmara era pelo menos dez vezes maior do que qualquer quarto que Taehyung já tinha visto, e tudo sobre ele era generoso. Os pisos foram trabalhados a partir de um suave mármore e coberto por tapetes enormes feitos de peles de animais inteiros, um deles tinha a cabeça de um tigre intacto.

Quatro pilares de madeira se levantavam até um teto de palha finamente empenado. As paredes eram feitas de bambu entrelaçado. Perto da janela aberta estava uma enorme cama de dossel com folhas douradas e verde de seda.

Um telescópio minúsculo repousava sobre parapeito da janela. Taehyung pegou, separando a cortina dourada de seda para espiar do lado de fora. O telescópio era pesado e frio quando ele o segurou até seu olho.

Ele estava no centro de uma grande cidade murada, olhando para baixo do segundo andar. Um labirinto de estradas de pedra conectadas e abarrotadas, a aparência antiga de estruturas de pau-a-pique.

O ar estava quente e cheirava suavemente a flores de cerejeira. Um par de pássaros cruzou o céu azul.

Taehyung virou-se para Bill.

— Onde estamos?

Este lugar parecia tão estranho quanto o mundo dos maias, e tão longe no tempo.

Ele deu de ombros e abriu a boca para falar, mas então...

— Shhh — Taehyung sussurrou.

Fungadas.

Alguém estava chorando suavemente, lágrimas abafadas. Taehyung virou em direção ao barulho. Lá, através de um arco do outro lado da sala, ele ouviu o som novamente.

Taehyung moveu-se em direção ao arco, deslizando ao longo do chão de pedra em seus pés descalços. O choro ecoou, acenando-o. Uma passagem estreita se abriu em outra câmara cavernosa. Esta era sem janelas, com teto baixo, mal iluminado pelo brilho de uma dúzia de pequenas lâmpadas de bronze.

Ele podia distinguir uma bacia de pedra grande e uma pequena mesa envernizada abastecida com frascos de cerâmica preta de óleos aromáticos, que deu a toda a sala um cheiro quente e picante. Um gigantesco guarda-roupa esculpido de jade estava no canto da sala. Finos dragões verdes gravados em sua superfície zombavam de Taehyung, como se soubessem tudo o que ele não sabia. E no centro da câmara, um homem morto estava deitado no chão.

Antes que Taehyung pudesse ver algo mais, ele foi cegado por uma luz brilhante se movendo em direção a ele. Era o mesmo brilho que ele sentiu do outro lado do Anunciador.

— O que é aquela luz? — ele perguntou ao Bill.

— Isso... er, você vê isso? — Bill pareceu surpreso. — É a sua alma. Mais uma maneira para você reconhecer suas vidas passadas, quando elas aparecem fisicamente diferentes de você — ele fez uma pausa. — Você nunca percebeu isso antes?

— Essa é a primeira vez, eu acho.

— Hum. Esse é um bom sinal. Você está fazendo progresso.

Taehyung se sentiu pesado e exausto de repente.

— Eu pensei que ia ser Jungkook.

Bill limpou a garganta como se ele fosse dizer algo, mas não disse. O brilho queimou brilhantemente por mais um momento, então estourou tão de repente que ele não podia ver por um momento, até seus olhos ajustarem.

— O que você está fazendo aqui? — Uma voz perguntou grosseiramente.

Onde a luz tinha estado no centro da sala, estava um garoto chines, magro e bonito com cerca de dezessete anos – muito jovem e muito elegante para estar de pé sobre o corpo de um homem morto.

Cabelos escuros pendurados até sua nuca, em contraste com sua roupa, parecendo um vestido de seda branco até o chão. Delicado como era, ele parecia o tipo de garoto que não fugia de uma luta.

— Então, esse é você — a voz de Bill disse no ouvido de Taehyung. — Seu nome é Tae Xin e você viveu fora da capital Yin. Estamos no final da dinastia Shang, algo como mil anos Antes da Era Comum, no caso de você querer fazer uma nota em sua caderneta.

Taehyung provavelmente parecia louco para Tae Xin, se intrometendo aqui vestindo uma pele de animal chamuscado e um colar feito de osso, seu cabelo um emaranhado selvagem. Quanto tempo se passou desde que ele se olhou em um espelho? Tomou um banho? Além disso, ele estava conversando com uma gárgula invisível.

Mas, novamente, Tae Xin estava velando um cara morto, dando a Taehyung um olhar de “não mexa comigo”, de modo que ele mesmo parecia um pouco louco.

Ah não. Taehyung não tinha notado a faca de jade com o punho cravejado de turquesa, ou o pequeno lago de sangue no meio do chão de mármore.

— O que eu... — ele começou a perguntar a Bill.

— Você — voz de Tae Xin era surpreendentemente forte. — Ajude-me a esconder esse corpo.

O cabelo do morto era branco em torno de sua têmporas, ele parecia ter 60 anos de idade, magro e musculoso sob muitas vestes elaboradas e mantos bordados.

— Eu... hum, eu realmente não acho...

— Tão logo eles souberem que o rei está morto, você e eu estaremos mortos também.

— O quê? — Taehyung perguntou — eu?

— Você, eu, a maioria das pessoas dentro destas paredes. Onde mais eles vão encontrar os mil corpos de sacrifício que devem ser enterrados com o déspota? — O menino enxugou o rosto com os finos dedos com anéis de jade. — Você vai me ajudar ou não?

A pedido do menino, Taehyung moveu-se para ajudar a pegar os pés do rei. Tae Xin preparava-se para levantá-lo pelos braços.

— O rei — Taehyung disse, declamando as velhas palavras Shang como se ele as tivesse sempre falado. — Ele estava...

— Não é o que parece — Tae Xin grunhiu com o peso do corpo. O rei era mais pesado do que parecia. — Eu não o matei. Pelo menos não — ele fez uma pausa — fisicamente. Ele estava morto quando entrei na sala — ele fungou. — Ele esfaqueou-se no coração. Eu costumava dizer que ele não tinha um, mas ele me provou o contrário.

Taehyung olhou para o rosto do homem. Um dos olhos estava aberto. Sua boca estava torcida. Ele parecia alguém que tinha deixado este mundo em agonia.

— Ele era seu pai?

Àquela altura eles tinham atingido o enorme guarda-roupa jade. Tae Xin abriu a porta com seu quadril, deu um passo para trás, e colocou a sua metade do corpo do morto dentro do armário.

— Ele era para ser meu marido — ele respondeu friamente. — E um péssimo. Os ancestrais aprovaram nosso casamento, mas eu não. Homens mais velhos, ricos e poderosos não têm porque serem gratos, se alguém gosta de romance.

Ele estudou Taehyung, que baixou os pés do rei lentamente para o piso do guarda-roupa.

— De qual parte das planícies você vem que a palavra do noivado do rei não te alcançou? — Tae Xin notou as roupas maias de Taehyung. Ele pegou na bainha do short saia curto marrom. — Será que eles te contrataram para representar no nosso casamento? Você é algum tipo de dançarino? Um palhaço?

— Não exatamente — Taehyung sentiu suas bochechas corarem quando ele puxou a saia mais baixa nos quadris. — Olha, não podemos simplesmente deixar o corpo aqui. Alguém vai descobrir. Quero dizer, ele é o rei, certo? E há sangue por toda parte.

Tae Xin enfiou a mão no guarda-roupa de dragão e puxou um robe de seda vermelho. Ele se ajoelhou e rasgou uma tira grande de tecido. Era uma bela roupa de seda, com pequenas flores bordadas em preto ao redor do decote. Mas Tae Xin não pensou duas vezes antes de usá-lo para enxugar o sangue no chão. Ele pegou um segundo manto azul e jogou-o para Taehyung ajudar a limpar.

— Ok — Taehyung disse — bem, ainda há aquela faca.

Ele apontou para o punhal de bronze brilhando revestido até o punho com o sangue do rei.

Em um flash, Tae Xin colocou a faca dentro de uma dobra de seu manto. Ele olhou para Taehyung, como se dissesse Mais alguma coisa?

— O que é aquilo lá?

Taehyung apontou para o que parecia ser o casco uma tartaruga pequena. Ele tinha visto cair da mão do rei quando eles moveram seu corpo.

Tae Xin estava de joelhos. Ele jogou o pano encharcado, manchado de sangue e pegou a concha entre as mãos.

— O osso oráculo — ele disse suavemente. — Mais importante do que qualquer rei.

— O que é isso?

— Isto contém respostas da Divindade Acima.

Taehyung se aproximou, ajoelhando-se para ver o objeto que tinha tal efeito sobre o garoto. O osso oráculo não era nada mais do que um casco de tartaruga, mas ela era pequena, polida e imaculada. Quando Taehyung se aproximou, viu que alguém tinha pintado algo em suaves pinceladas pretas na parte lisa debaixo da casca: Tae Xin é verdadeiro comigo ou ele ama outro?

Lágrimas frescas brotaram nos olhos de Tae Xin, uma fresta na determinação ponderada que ele tinha mostrado para Taehyung.

— Ele perguntou aos ancestrais — ele sussurrou, fechando os olhos. — Eles devem ter dito a ele do meu engano. Eu não pude me proteger.

Jungkook. Ele deve estar falando sobre Jungkook. Um amor secreto que ele tinha escondido do rei. Mas ele não tinha sido capaz de escondê-lo bem o suficiente.

O coração de Taehyung passou para Tae Xin. Ele compreendeu com cada fibra de sua alma precisamente o que o menino estava sentindo. Eles compartilhavam um amor que nenhum rei poderia tirar, que ninguém poderia extinguir. Um amor mais poderoso que a natureza.

Ele envolveu Tae Xin em um abraço profundo. E sentiu o chão desprender abaixo deles.

Ele não teve a intenção de fazer isso! Mas seu estomago já estava revirando, e sua visão mudou deforma incontrolável, e ele se viu de fora, parecendo exótico e selvagem e segurando sua preciosa vida ao seu passado. Em seguida, o quarto parou de girar e Taehyung estava sozinho, apertando o osso oráculo em sua mão. Foi feito. Ele tinha se tornado Tae Xin.

— Eu desapareço por três minutos e você vai em 3D? — Bill indagou, reaparecendo zangado. — Não pode uma gárgula desfrutar de uma boa xícara de chá de jasmim sem voltar ao descobrir que sua responsabilidade cavou sua própria sepultura? Você já pensou sobre o que vai acontecer quando os guardas baterem na porta?

Uma batida soou fortemente na grande porta de bambu na câmara principal.

Taehyung pulou. Bill cruzou os braços sobre o peito.

— Falando no diabo — disse. Então, em um grito alto e afetado, ele gritou —Oh, Bill! Ajude-me, Bill, o que eu faço agora? Eu não pensei em perguntar alguma coisa antes de me colocar em uma situação muito estúpida, Bill!

Mas Taehyung não tinha que perguntar nada a Bill. Conhecimento estava surgindo na mente de Tae Xin: Ele sabia que esse dia seria marcado não apenas pelo suicídio de um rei de baixa qualidade, mas por algo ainda maior, ainda mais escuro, ainda mais sangrento: um choque enorme entre exércitos. Essa batida na porta? Era do conselho do rei esperando para escoltá-lo para a guerra, para liderar as tropas na batalha.

Mas o rei estava morto e enfiado em um guarda-roupa. E Taehyung estava no corpo de Tae Xin, enfurnado em seus aposentos particulares. Se eles o encontrassem aqui sozinho ...

— Rei Shang — pesadas batidas ecoavam por toda a sala. — Estamos aguardando suas ordens.

Taehyung permaneceu bem imóvel, congelado no robe de seda de Tae Xin. Não havia nenhum Rei Shang. Seu suicídio havia deixado a dinastia sem um rei, os templos sem um sumo sacerdote e o exército sem general, antes de uma batalha para manter a dinastia.

— Por falar sobre um regicídio inoportuno — Bill comentou.

— O que eu faço?

Taehyung girou de volta para o guarda-roupa de dragão, estremecendo quando ele olhou para a rei. Seu pescoço estava dobrado em um angulo não natural, e o sangue em seu peito estava secando em um marrom enferrujado. Tae Xin odiava o rei quando ele estava vivo. Taehyung sabia agora que as lágrimas que ele chorou não eram lágrimas de tristeza, mas de medo pelo o que seria de seu amor, Jk

Até três semanas antes, Tae Xin viveu na fazenda de sua família nas margens do Rio Huan. Passando por ela no vale do rio em sua carruagem brilhante, uma tarde, o rei havia vislumbrado Tae Xin cuidando da colheita. Ele decidiu que gostava dele. No dia seguinte, dois milicianos haviam chegado em sua porta. Ele teve que deixar sua família e sua casa. Teve que deixar Jk, o pescador jovem e bonito da aldeia próxima.

Antes da convocação do rei, Jk mostrou para Tae Xin como pescar usando seu par de biguás de estimação, amarrando um pouco de corda frouxamente em torno de seus pescoços para que eles pudessem pegar vários peixes em suas bocas, mas não engoli-los. Observando Jk suavemente retirar os peixes do fundo dos bicos engraçados das aves, Tae Xin havia se apaixonado por ele. Na manhã seguinte, ele teve que dizer adeus a ele. Para sempre. Ou assim ele pensava.

Se passaram dezenove pôr-do-sol desde que Tae Xin tinha visto Jk, sete pôr-do-sol desde que ele tinha recebido um pergaminho de casa com uma má noticia: Jk e alguns outros meninos das fazendas vizinhas fugiram para se juntar ao exército rebelde, e nem bem ele havia partido, os homens do rei tinham saqueado a vila, procurando pelos desertores.

Com a morte do rei, os homens de Shang não mostrariam nenhuma misericórdia por Tae Xin, e ele nunca iria encontrar Jk, nunca se reunir com Jungkook. A menos que o conselho do rei não descobrisse que seu rei estava morto.

O guarda-roupa estava atolado com coloridas roupas exóticas, mas um objeto chamou sua atenção: um capacete de grandes curvas. Era pesado, feito principalmente de tiras de couro grosso costurado com costuras apertadas. Na frente havia uma placa de bronze com um suave dragão que cospe fogo ornado e entalhado no metal. O dragão era o animal do zodíaco do ano do nascimento do rei.

Bill flutuou em sua direção.

— O que você está fazendo com o capacete do rei?

Taehyung deslizou o capacete em sua cabeça. Então abriu o outro lado do guarda-roupa, emocionado e nervoso pelo o que ele tinha encontrado.

— A mesma coisa que estou fazendo com a armadura do rei — ele respondeu, reunindo um emaranhado de objetos pesados em seus braços.

Ele vestiu um par de calças de couro largo, uma túnica grossa de couro, um par de luvas de corrente, chinelos de couro que eram certamente muito grandes, mas que teriam que fazer funcionar e um protetor de peito feito de bronze de placas de metal sobrepostas.

O mesmo negro dragão cuspidor de fogo no capacete estava bordado na parte da frente da túnica. Era difícil acreditar que alguém poderia lutar uma guerra sob o peso dessas roupas, mas Tae Xin sabia que o rei não lutava realmente – ele apenas conduzia batalhas do assento do seu carro de guerra.

— Esta não é a hora de brincar de se vestir! — Bill apontou uma garra para ele. — Você não pode ir lá fora assim.

— Por que não? Serve. Quase.

Ele dobrou o topo das calças para que pudesse apertá-la firmemente. Perto da bacia de água, encontrou um espelho bruto de estanho polido dentro de uma armação de bambu. No reflexo, a face de Tae Xin estava disfarçada pela chapa grossa de bronze do capacete. Seu corpo parecia volumoso e forte sob a armadura de couro.

Taehyung começou a caminhar para fora da câmara de vestir, de volta para o quarto.

— Espere! — Bill gritou. — O que você vai dizer sobre o rei?

Taehyung virou-se para Bill e levantou o capacete de couro pesado para que ele pudesse ver seus olhos.

— Eu sou o rei agora.

Bill piscou, e pela primeira vez não fez nenhum esforço de um retorno.

Um raio de força surgiu através de Taehyung. Disfarçando-se como o chefe do exército, ele percebeu, exatamente o que Tae Xin teria feito. Como um soldado comum, é claro Jk estaria na linha de frente nesta batalha. E ele estava indo encontrá-lo.

As pancadas na porta novamente.

— Rei Shang, o exército Zhou está avançando. Devemos solicitar a sua presença!

— Eu creio que há alguém falando com você, rei Shang.

A voz de Bill mudou. Era profunda, arranhada e ecoou ao redor da sala tão violentamente que Taehyung se encolheu, mas ele não se virou para olhar para ele. Ele destrancou a alça de bronze pesada e abriu a porta de bambu grosso.

Três homens em extravagantes vestes marciais vermelha e amarela cumprimentaram-no ansiosamente. Instantaneamente, Taehyung reconheceu os três conselheiros mais próximos do rei: Hu, com os dentes minúsculos e apertados, olhos amarelados. Cui, o mais alto, com ombros largos e olhos grandes. Huang, o mais jovem e mais gentil no conselho.

— O rei já está vestido para a guerra — disse Huang, espiando Taehyung passando para a câmara vazia, intrigado. — O rei... parece diferente.

Taehyung congelou. O que dizer? Ele nunca tinha ouvido a voz do rei morto, e ele era excepcionalmente ruim em imitações.

— Sim — Hu concordou com Huang. — Bem descansado.

Após um profundo suspiro aliviado, Taehyung assentiu com firmeza, cuidando para não deixar o capacete cair de sua cabeça.

Os três homens gesticularam para o rei – para Taehyung – andar pelo corredor de mármore. Huang e Hu caminhavam ao lado dele, e murmuravam em voz baixa sobre o triste estado de moral entre os soldados. Cui caminhava logo atrás de Taehyung, deixando-o desconfortável.

O palácio prosseguiu para sempre, tetos altos triangulares, todo branco reluzente, as mesmas estatuas de jade e ônix em cada volta, os mesmos espelhos emoldurados de bambu em todas as paredes. Quando eles finalmente cruzaram a última entrada e entraram na manha cinzenta, Taehyung viu o carro vermelho de madeira na distância, e os joelhos quase se dobraram sob ele.

Ele tinha que encontrar Jungkook nesta vida, mas ir para a batalha o aterrorizava.

Na carruagem, os membros do conselho do rei curvaram-se beijaram-lhe a luva. Ele estava grata pelas luvas blindadas, mas se afastou rapidamente, com medo que seu aperto pudesse entregá-lo.

Huang entregou-lhe uma longa lança com cabo de madeira e um prego curvado alguns centímetros abaixo da ponta da lança.

— Sua alabarda, Majestade.

Ele quase deixou cair a coisa pesada.

— Eles vão levá-lo a vista acima das linhas da frente — explicou. — Nós vamos seguir atrás e lhe encontrar lá com a cavalaria.

Taehyung virou-se para a carruagem. Era basicamente uma plataforma de madeira em cima de um eixo ligando duas grandes rodas de madeira, puxado por dois imensos cavalos pretos. A carruagem era feita de madeira vermelha envernizada brilhante e tinha espaço suficiente para cerca de três pessoas sentarem ou ficarem de pé. Um toldo de couro e cortinas podiam ser removidos durante a batalha, mas por enquanto, eles desciam, dando ao passageiro um pouco de privacidade.

Taehyung escalou, passou por entre as cortinas e tomou assento. Era preenchido com peles de tigre. Um motorista com um bigode fino tomou as rédeas e outro soldado com os olhos caídos e um machado de guerra subiu para ficar ao seu lado. No estalo de um chicote, os cavalos começaram a galopar e ele sentiu as rodas abaixo dele começarem a virar.

Enquanto eles passavam pelos altos portões austeros do palácio, o sol passava através da neblina em uma grande extensão de terra verde para o oeste. A terra era bela, mas Taehyung estava muito nervoso para apreciá-la.

— Bill — ele sussurrou. — Ajuda?

Nenhuma resposta.

— Bill?

Ele espiou para fora das cortinas, mas só atraiu a atenção do soldado de olhos caídos que deveria ser o guarda-costas do rei durante a viagem.

— Vossa Majestade, por favor, para sua segurança, devo insistir.

Ele gesticulou para Taehyung se retirar.

Taehyung gemeu e recostou-se contra o assento estofado da carruagem. As ruas pavimentadas da cidade devem ter terminado, porque o passeio tornou-se incrivelmente acidentado. Taehyung foi arremessado contra o banco, sentindo como se estivesse em uma montanha russa de madeira. Seus dedos agarraram o pelo felpudo da pele de tigre.

Bill não queria que ele fizesse isso. Ele estava ensinando a Taehyung uma lição por garantia agora, quando ele mais precisava de sua ajuda?

Seus joelhos chacoalhavam a cada solavanco na estrada. Ele não tinha absolutamente nenhuma ideia de como iria encontrar Jk. Se os guardas do rei nem mesmo o deixavam olhar para fora pela cortina, como iriam deixá-lo perto da linha de frente? Mas então: uma vez, há milhares de anos, seu eu passado tinha sentado sozinho em sua carruagem, disfarçado como falecido rei. Taehyung podia sentir – mesmo que ele não se juntasse com o seu corpo passado, Tae Xin estaria aqui agora. Sem a ajuda de alguma estranha gárgula geniosa. E, mais importante, sem todo o conhecimento que Taehyung tinha acumulado até agora em sua busca. Ele tinha visto a glória desenfreada de Jungkook em Chichen Itza. Tinha testemunhado e finalmente compreendido as profundezas de sua maldição, em Londres. Ele o tinha visto dar uma de suicida no Tibete salvá-lo de uma vida ruim em Versalhes. Ele observou-o dormir com a dor da sua morte na Prússia como se estivesse sob um feitiço. Tinha o visto se apaixonar por si, mesmo quando ele era arrogante e imaturo em Helston. Ele tocou as cicatrizes de suas asas em Milão e compreendeu o quanto ele tinha desistido no céu só por si. Tinha visto o olhar torturado em seus olhos quando ele o perdeu em Moscou, a mesma miséria várias e várias vezes.

Taehyung devia a ele, devia encontrar uma maneira de quebrar essa maldição.

O carro sacudiu até parar, e Taehyung quase foi arremessado para fora de seu assento. Lá fora, houve uma estrondosa batida de cascos de cavalos – o que era estranho, porque a carruagem do rei estava parada. Alguém estava lá.

Taehyung ouviu um choque de metal e um grunhido longo e doloroso. O carro foi empurrado bruscamente. Algo pesado bateu no chão. Houve mais colisão, mais grunhido, um grito áspero e outra pancada no chão.

Com as mãos trêmulas, Taehyung separou as cortinas de couro um pouquinho e viu o soldado de olhos caídos deitado em uma poça de sangue no chão abaixo.

A carruagem do rei tinha sido emboscada.

As cortinas diante dele foram empurradas para além de um dos insurgentes. O lutador estrangeiro levantou sua espada.

Taehyung não pode evitar: ele gritou.

A espada vacilou no ar e, em seguida, o sentimento mais quente passou sobre Taehyung, inundando suas veias, acalmando seus nervos, e abrandando as batidas do seu coração.

O lutador na carruagem era Jk.

Seu capacete de couro cobria seu cabelo preto na altura dos ombros, mas deixou seu rosto maravilhosamente desobstruído. Seus olhos violeta destacaram-se contra a sua pele clara verde-oliva.

Ele parecia confuso e esperançoso ao mesmo tempo. Sua espada estava puxada, mas ele segurou-a como se pressentisse que não deveria atacar. Rapidamente, Taehyung levantou seu capacete sobre sua cabeça e arremessou-o sobre o assento.

Seu cabelo escuro desceu até sua nuca. Sua visão embaçou enquanto os seus olhos enchiam de lágrimas.

— Tae Xin?

Jk apanhou-o com força em seus braços. Roçou seu nariz no dele e Taehyung descansou a bochecha na dele, sentindo-se quente e seguro. Jk parecia incapaz de parar de sorrir. Taehyung levantou a cabeça e beijou a bonita curva de seus lábios. Ele respondeu-lhe com um beijo faminto, e Taehyung absorveu cada momento maravilhoso, sentindo o peso de seu corpo contra o dele, desejando que não houvesse tanta armadura pesada entre eles.

— Você é a ultima pessoa que eu esperava ver — Jk disse suavemente.

— Eu poderia dizer o mesmo para você. O que está fazendo aqui?

— Quando juntei forças com os rebeldes Zhou, jurei matar o rei e ter você de volta.

— O rei está... Oh, nada disso importa mais — Taehyung sussurrou, beijando seu rosto e suas pálpebras, segurando firme em volta do seu pescoço.

— Nada importa — Jk concordou. — Só que eu estou com você.

Taehyung pensou de novo em seu brilho luminoso em Chichen Itza. Vê-lo nessas outras vidas, em locais e horários que estavam tão longe de casa, cada um confirmava o quanto Taehyung o amava. A ligação entre eles era inquebrável – era claro desde a maneira como eles se olhavam, o jeito que podiam ler os pensamentos um do outro, a maneira como um fazia o outro se sentir inteiro.

Mas como Taehyung pôde esquecer a maldição que eles vinham sofrendo pela eternidade? E a busca em que ele estava para quebrá-la? Ele tinha chegado longe demais para esquecer que ainda havia obstáculos no caminho antes de ficar verdadeiramente com Jungkook.

Todas as vidas o tinham ensinado algo até então. Certamente, esta vida deve ter sua própria chave. Se ele soubesse o que procurar.

— Nós tivemos a garantia que o rei chegaria aqui para dirigir as tropas abaixo — Jk contou. — Os rebeldes tinham planejado uma emboscada a cavalaria do rei.

— Eles estão a caminho — Taehyung respondeu, lembrando as instruções de Huang. — Eles vão estar aqui a qualquer momento.

Jk assentiu.

— E quando eles chegarem aqui, os rebeldes vão esperar que eu lute.

Taehyung estremeceu. Ele já esteve com Jungkook por duas vezes quando ele estava se preparando para a batalha, e nas duas vezes isso levou a algo que Taehyung nunca quis ver de novo.

— O que devo fazer enquanto você está...

— Eu não estou indo para a batalha, Tae Xin.

— O quê?

— Esta não é nossa guerra. Nunca foi. Podemos ficar e lutar as batalhas de outras pessoas ou podemos fazer como sempre fizemos e escolher o outro sobre todo o resto. Você entende o que quero dizer?

— Sim — ele sussurrou.

Tae Xin não sabia o significado mais profundo das palavras de Jk, mas Taehyung estava quase certo de que Tae Xin entendeu – que Jungkook o amava, que Tae Xin o amava, e que eles estavam escolhendo ficar juntos.

— Eles não vão nos deixar ir facilmente. Os rebeldes vão me matar por desertar — ele recolocou o capacete na cabeça. — Você terá que lutar pelo seu caminho para fora disto também.

— O quê? Eu não consigo lutar. Eu mal posso levantar essa coisa — ela apontou para a alabarda. — Eu não posso...

— Sim — ele interrompeu, dando significado profundo com a única palavra. — Você pode.

A carruagem se encheu de luz. Por um momento, Taehyung pensou que era isso, o momento em que seu mundo iria inflamar, quando Tae Xin iria morrer, quando sua alma seria exilada para as sombras. Mas isso não aconteceu. O brilho vinha do peito de Jk. Era o brilho da alma de Jungkook. Não era tão forte ou tão radiante como foi no sacrifício maia, mas era ainda de tirar o fôlego. Taehyung se lembrou do brilho de sua própria alma, quando viu Tae Xin pela primeira vez. Talvez ele estivesse aprendendo a realmente ver o mundo como ele era. Talvez, por fim, a ilusão estivesse desaparecendo.

— Ok — Taehyung falou, enfiando seu cabelo dentro do capacete. — Vamos lá.

Eles separaram as cortinas e ficaram na plataforma da carruagem. Diante deles, uma força rebelde de vinte homens montados a cavalo, esperava perto da borda de uma colina, talvez 15 metros a frente de onde o carro do rei foi surpreendido. Eles estavam vestidos com simples roupas de camponeses, calça marrom e camisas sujas, grossas. Seus escudos tinham o sinal do rato, o símbolo do exercito Zhou. Eles estavam todos olhando para Jk, esperando ordens.

Do vale abaixo veio um estrondo de centenas de cavalos. Taehyung entendeu que todo o exercito Shang estava lá embaixo, sedento de sangue. Ele podia ouvi-los cantar uma velha canção de guerra que Tae Xin conhecia desde que podia falar. E em algum lugar atrás deles, Taehyung sabia que Huang e o resto dos soldados particulares do rei estavam em seu caminho para o que eles achavam que seria um encontro no mirante. Eles estavam andando para um banho de sangue, uma emboscada, e Taehyung e Jungkook tinham que ir embora antes que eles chegassem.

— Siga minha liderança — Jk murmurou. — Nós vamos para as montanhas a oeste, o mais longe desta batalha que os nossos cavalos podem nos levar.

Ele libertou um dos cavalos do carro e guiou-o para Taehyung. O cavalo era impressionante, preto como carvão, com uma mancha branca em forma de diamante em seu peito. Jk ajudou Taehyung na sela e levantou a alabarda do rei em uma mão e uma balestra no outro. Taehyung nunca tinha atirado ou sequer tocado uma balestra em sua vida, e Tae Xin só tinha usado uma vez, para assustar um lince para longe do berço do bebe de sua irmã. Mas a arma parecia leve nas mãos de Taehyung, e ele sabia que quando chegasse a hora, ele poderia atirar.

Jk sorriu para sua escolha e assobiou para seu cavalo. Uma bela égua manchada trotou. Ele pulou em suas costas.

— Jk! O que está fazendo? — Uma voz alarmada chamou da linha de cavalos. — Era para você matar o rei! Não montá-lo em um dos nossos cavalos!

— Sim! Mate o rei! — Um coro de vozes raivosas chamou.

— O rei está morto! — Taehyung gritou, silenciando os soldados.

A voz meio afeminada por trás do capacete trouxe arquejos de todos eles. Eles ficaram congelados, incertos se deveriam levantar suas armas.

Jk passou seu cavalo perto de Taehyung. Ele tomou-lhe as mãos. Elas eram mais quentes, mais fortes e mais reconfortantes do que qualquer coisa que ele já tinha sentido.

— Aconteça o que acontecer, eu te amo. Nosso amor vale tudo para mim.

— E para mim — Taehyung sussurrou de volta.

Jk soltou um grito de batalha, e seus cavalos arrancaram em um ritmo alucinante. A balestra quase escapou do aperto de Taehyung enquanto ele balançava-se para frente para agarrar as rédeas.

Em seguida, os soldados rebeldes começaram a gritar.

— Traidores!

— Tae Xin! — A voz de Jk subiu acima do mais estridente grito, do mais pesado casco de cavalo. — Vá!

Ele levantou o braço alto, apontando para as colinas.

Seu cavalo galopava tão rápido que era difícil ver alguma coisa claramente. O mundo passou zunindo em um whoosh aterrorizante. Um emaranhado de soldados rebeldes foram atrás deles, os cascos dos seus cavalos tão alto quanto um terremoto que durou para sempre.

Até o rebelde vir em Jk com sua alabarda, Taehyung tinha esquecido a balestra em suas mãos. Agora ele a levantou sem esforço, ainda incerto de como usá-la, sabendo apenas que abateria quem tentasse machucar Jungkook.

Agora.

Ele lançou sua seta. Para sua surpresa, parou o rebelde, jogando-o fora de seu cavalo. Ele desabou em uma nuvem de poeira. Ele olhou para trás com horror para o homem morto com a seta em seu peito no chão.

— Continue indo! — Jk gritou.

Ele engoliu em seco, deixando seu cavalo guiá-lo. Alguma coisa estava acontecendo. Ele começou a se sentir mais leve em sua sela, como se a gravidade de repente tivesse menos poder sobre ele, como se a fé de Jk nele estivesse impulsionando ele por tudo isso. Ele podia fazer isso. Taehyung poderia fugir com ele. Ele deslizou outra flecha para a balestra, disparou, e disparou novamente. Ele não tinha como meta ninguém, exceto em legitima defesa, mas haviam tantos soldados vindo, que logo ele estava quase sem flechas. Apenas duas restaram.

— Jk! — ele gritou.

Ele estava quase totalmente fora da sela, usando um machado para bater com forca em um soldado Shang. As asas de Jk não estavam estendidas, mas poderiam muito bem ter estado – ele parecia mais leve que o ar, ainda habilmente mortal. Jk matou seus inimigos de modo tão limpo, que suas mortes foram instantâneas, o mais indolor possível.

— Jk! — Ele gritou mais alto.

Ao som de sua voz, sua cabeça levantou. Taehyung se inclinou sobre sua sela para mostrar-lhe sua aljava quase vazia. Ele atirou-lhe uma espada em forma de gancho. Taehyung pegou-a pelo punho. Parecia estranhamente natural em sua mão. Então, ele se lembrou da lição de esgrima que tinha tomado na Shoreline. Em sua primeira partida, ele destruiu Lilith, uma colega de classe fresca e cruel que tinha esgrimado toda sua vida. Certamente, ele podia fazer isso de novo.

Só então um guerreiro saltou de seu cavalo para o dele. O peso repentino dele fez sua montaria falhar e fez Taehyung gritar, mas um momento depois, sua garganta foi cortada e seu corpo empurrado para o chão, a lâmina da espada dele brilhou com sangue fresco.

Houve um jato quente sobre o seu peito. Seu corpo inteiro zumbia. Ele seguiu em frente, estimulando seu cavalo ate a velocidade máxima, cada vez mais rápido até que...

O mundo ficou branco. Em seguida, fechou-se em preto. Finalmente, chamejou em uma labareda de cores brilhantes.

Ele levantou a mão para bloquear a luz, mas não vinha de fora dele. Seu cavalo ainda galopava abaixo dele. Sua adaga ainda estava presa no seu punho, ainda cortando direita e esquerda, em gargantas, em peitos. Inimigos ainda caíam a seus pés.

Mas de alguma forma Taehyung não estava mais lá completamente. Uma manifestação de visões atacou sua mente, visões que devem ter pertencido a Tae Xin – e, em seguida, algumas visões que não poderiam ter pertencido a Tae Xin.

Ele viu Jungkook pairar sobre si em suas roupas de camponês simples... mas então, um momento depois, ele estava sem camisa, com longos cabelos negros... e de repente ele usava o capacete de um cavaleiro, cujo visor ele levantou para beijar seus lábios... mas antes dele beijar, ele se transformou em seu eu presente, o Jungkook que ele tinha deixado no quintal de seus pais em Thunderbolt, quando ele atravessou no tempo.

Este era o Jungkook, Taehyung percebeu que ele estava procurando o tempo todo. Taehyung alcançou-o, chamou o nome dele, mas depois ele mudou de novo. E de novo. Ele viu mais Jungkookies do que ele jamais imaginou ser possível, cada um mais lindo que o anterior. Eles se entrelaçavam dentro de cada um como um vasto acordeão, cada imagem dele inclinando e alterando a luz do céu atrás dele.

O corte do nariz, a linha de seu maxilar, o tom de sua pele, a forma dos lábios, todos rodopiavam dentro e fora de foco, se transformando o tempo todo. Tudo mudou, exceto os olhos. Seus olhos violeta sempre permaneceram os mesmos. Eles assombraram escondendo algo terrível, algo que ele não entendia. Algo que Taehyung não queria entender. Medo?

Nas visões, o terror nos olhos de Jungkook era tão intenso que Taehyung, na verdade, queria olhar para longe de sua beleza. O que poderia alguém tão poderoso quanto Jungkook temer? Havia apenas uma coisa: a morte de Taehyung.

Taehyung estava passando por uma montagem de sua morte, uma e outra e outra vez. Isso era o que os olhos de Jungkook pareciam, ao longo do tempo, pouco antes de sua vida ser consumida pelas chamas. Taehyung tinha visto esse medo nele antes. Taehyung odiava, porque ele sempre significava que o tempo deles estava acabado. Ele viu isso agora em cada uma de suas faces. O medo brilhou de infinitas vezes e lugares. De repente, Taehyung sabia que havia mais:

Jungkook não tinha medo porque Taehyung estava andando para a escuridão de uma outra morte. Tinha medo de que isso pudesse causar sua dor.

Jungkook estava com medo.

— Tae Xin! — A voz dele gritou para ele do campo de batalha.

Taehyung podia vê-lo através da névoa de visões. Ele era a única coisa vindo de forma clara – porque todo o resto ao seu redor estava assustadoramente iluminado de branco. Tudo dentro de Taehyung também estava. Era o seu amor por Jungkook que o queimava? Era sua própria paixão, não a de Jungkook, que o destruiu todas as vezes?

— Não! — Sua mão se estendeu para a de Taehyung. Mas já era tarde demais.

Sua cabeça doía. Ele não queria abrir os olhos.

Bill estava de volta, o chão estava frio, e Taehyung estava em um local coberto pelas trevas. Uma cachoeira borrifava em algum lugar no fundo, chuviscando em sua bochecha.

— Você foi bem lá fora, afinal — ele observou.

— Não pareça tão desapontado — Taehyung disse. — Que tal explicar para onde você desapareceu?

— Não posso.

Bill sugou seus lábios gordos para mostrar que eles estavam selados.

— Porque não?

— É pessoal.

— É Jungkook? Ele é capaz de vê-lo, não é? E há alguma razão para você não querer que ele saiba que está me ajudando.

Bill bufou.

— Meu negocio não é sempre sobre você, Tae. Eu tenho outras coisas assando na panela. Além disso, você parece bastante independente recentemente. Talvez seja hora de acabar com o nosso pequeno arranjo, tirar suas rodas de treinamento. Para que diabos você precisa de mim mais?

Taehyung estava exausto demais para agradá-lo, e muito chocado com o que ele tinha acabado de ver.

— Não há esperança.

Toda a raiva deixou Bill como o ar saindo de um balão.

— Como assim?

— Quando eu morro, não é por causa de alguma coisa que Jungkook faz. É algo que acontece dentro de mim. Talvez seu amor traga isso à tona, mas... a culpa é minha. Isso tem que ser parte da maldição, só não tenho ideia do que significa. Tudo que sei é que eu vi um olhar em seus olhos um pouco antes de eu morrer – é sempre o mesmo.

Ele inclinou a cabeça.

— Até agora.

— Eu faço ele miserável mais do que faço feliz. Se ele não desistiu de mim, ele deveria. Não posso mais fazer isso com ele.

Ele baixou a cabeça em suas mãos.

— Tae? — Bill sentou-se no joelho dele. Havia uma estranha ternura que ele mostrou quando Taehyung o conheceu. — Você quer colocar fim a essa charada para poder descansar? Pelo amor de Jungkook?

Taehyung olhou para cima e enxugou os olhos.

— Quer dizer, então ele não terá que passar por isso novamente? Há algo que eu possa fazer?

— Quando você assume um dos corpos de seu passado, há um momento em cada uma de suas vidas, pouco antes de morrer, onde sua alma e os dois corpos – passado e presente – se separaram. Isso só acontece por uma fração de um instante.

Taehyung apertou os olhos.

— Eu acho que senti isso. No momento em que percebo que vou morrer, um pouco antes de realmente morrer?

— Exatamente. Tem a ver com como suas vidas abrem caminho juntas. Naquela fração de segundo, há uma maneira de separar a sua alma amaldiçoada de seu corpo presente. Mais ou menos como esculpir sua alma. Seria, efetivamente, extinguir esse elemento irritante de reencarnação de sua maldição.

— Mas eu pensei que já estava no final do meu ciclo de reencarnações, que eu não ia voltar mais. Por causa do negócio de batismo. Porque eu nunca...

— Isso não importa. Você ainda é obrigado a ver o ciclo até o fim. Assim que voltar para o presente, você ainda pode morrer a qualquer momento por causa do...

— Meu amor por Jungkook.

— Claro, algo assim — Bill continuou. — Aham. Isto é, a menos que você quebre o vínculo com seu passado.

— Então eu clivaria no meu passado e ele ainda morreria como sempre...

— E você ainda seria expulso, assim como foi antes, você apenas deixaria a sua alma para trás para morrer também. E o corpo para o qual você voltaria — ele cutucou-o no ombro — esse aqui – estaria livre para viver fora da maldição que tem pairado sobre você desde a aurora dos tempos.

— Sem mais mortes?

— Isso, a menos que você pule de um prédio ou entre em um carro com um assassino ou tome um monte de pílulas ou...

— Eu entendi — ele o cortou. — Mas não é como... — ele esforçou-se para manter a voz firme — não é como se Jungkook me beijasse e eu... ou...

— Não é como se Jungkook fosse fazer qualquer coisa — Bill olhou para ele propositadamente. — Você não seria mais destinado a ele. Você seguiria em frente. Provavelmente, se casaria com algum namorado tedioso e teria seus próprios doze filhos.

— Não.

— Você e Jungkook estariam livres da maldição que tanto desprezam. Livres. Ouviu isso? Ele poderia seguir em frente e ser feliz, também. Você não quer que Jungkook seja feliz?

— Mas Jungkook e eu...

— Jungkook e você não seriam nada. É uma dura realidade, ok, tudo bem. Mas pense nisso: Você não teria que machucá-lo mais. Cresça, Taehyung. Há mais na vida do que a paixão adolescente.

Taehyung abriu a boca, mas não queria ouvir sua voz se quebrar. Uma vida sem Jungkook era inimaginável. Mas voltar para sua vida atual e tentar estar com Jungkook também era, e matá-lo para sempre era ainda mais inimaginável. Ele tentou arduamente encontrar uma maneira de quebrar essa maldição, mas a resposta ainda escapava dele. Talvez esse fosse o caminho. Parecia horrível agora, mas se ele voltasse para sua vida e nem sequer conhecesse Jungkook, não iria sentir falta dele. E ele não sentiria falta de si. Talvez isso fosse melhor. Para ambos.

Não. Eles eram almas gêmeas. Jungkook trouxe mais para sua vida do que apenas o seu amor. Ariane, Roland e Gabbe. Até Cam. Foi por causa de todos eles que Taehyung havia aprendido mais sobre si mesmo – o que ele queria, o que não queria, como se defender. Ele cresceu e se tornou uma pessoa melhor. Sem Jungkook, ele nunca teria ido para a Shoreline, nunca teria encontrado os verdadeiros amigos que ele tinha feito: Shelby e Miles.

Será que ele ainda teria ido para a Sword&Cross? Onde na terra ele estaria? Quem seria ele? Ele poderia ser feliz um dia sem Jungkook? Se apaixonar por outra pessoa?

Taehyung não podia suportar pensar sobre isso. A vida sem Jungkook soava incolor e sombria - com exceção de um ponto brilhante que Taehyung continuava rondando: E se Taehyung nunca tivesse que machucá-lo novamente?

— Digamos que eu queira considerar isso — Taehyung mal conseguia reunir um sussurro. — Só para pensar sobre isso. Como é que isso funciona?

Bill virou e lentamente tirou algo longo e prateado de uma pequena cinta preta em suas costas. Taehyung nunca tinha notado antes. Ele estendeu uma seta de prata de ponta chata que Taehyung reconheceu imediatamente.

Então, ele sorriu.

— Você já viu uma starshot?


Notas Finais


Quem ai lembra do capítulo passado em q Jungkook, com a ajuda de Miles, usa uma starshot?? O único problema é q o nosso querido Jeon Kim Taehyung pode morrer....

Lince: É um mamífero da ordem Carnívora, família Felidae.

Clivaria: É uma flexão de clivar: Realizar o corte de uma determinada coisa.

....

Eai, espero q tenham gostado!!!


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