História Paixão e Poder - Universos opostos (Camren - G!P) - Capítulo 65


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Ally Brooke, Ariana Grande, Bea Miller, Cake, Camila Cabello, Camren, Camren G!p, Cara Delevingne, Demi Lovato, Dinah Jane, Fifth Harmony, Hailee Steinfeld, Justin Bieber, Kendall Jenner, Larry, Lauren G!p, Lauren Jauregui, Lucy Vives, Niall Horan, Normani Kordei, Norminah, Vercy, Vercy G!p, Vero, Vero G!p, Veronica Iglesias, Zayn Malik
Visualizações 925
Palavras 6.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, pessoinhas!!! Espero que estejam bem. 😊
Quero agradecer por todos os comentários de opoio que recebi de vocês, e por me esperarem voltar.
Eu estou começando a escrever novamente e acredito que dessa vez tudo dará certo, espero de coração não voltar a demorar tanto pra atualizar.
As mensagens de vocês me serviram de muito, me incentivaram demais. ❤️
Como eu disse, estou voltando a escrever agora e por isso nesse momento só tenho um capítulo pra vocês, mas acho que é válido diante tanto tempo sem qualquer um que seja, né? Rsrs
Bom... Aproveitem o capítulo e desconsiderem qualquer erro ortográfico. 😊

Capítulo 65 - O que você prefere?


Fanfic / Fanfiction Paixão e Poder - Universos opostos (Camren - G!P) - Capítulo 65 - O que você prefere?

Pov. Narrador

As palavras de Camila deixaram Lauren sem reação por bons segundos enquanto sentia uma corrente de adrenalina percorrer o seu corpo, e, em um ato impensado correu atrás dela, abriu a porta que a garota havia fechado e avançou até ela.

Camila ouviu passos apressados atrás de si mas não se atreveu à olhar, Lauren chamou por ela, seu tom de voz era alto, demostrava nervosismo e irritação, Camila insistiu em não olhar pra trás e continuou a andar apressada, porém sequer teve tempo de apertar o botão para chamar o elevador, Lauren à segurou pela cintura com certa força e girou seu corpo rapidamente, de modo que Camila ficasse com as costas contra a porta de metal do elevador, o baque fez com que ela se assustasse de início, mas a sensação diminuiu quando Lauren à abraçou com posse escondendo o rosto na curva de seu pescoço.

- Lauren... Me.. Solta! _ Falou tentando sair dos braços da maior mas era inútil, não tinha força suficiente. - Por favor, Lauren.

- Não. _ Respondeu contra sua pele e em seguida se afastou apenas o suficiente para segurar o rosto da latina entre suas mãos, à encarando com aflição. - Não, Camz, eu não quero tempo nenhum. Não precisamos... Por favor não faz isso comigo.

- É você quem está fazendo, não eu. Me deixa ir embora. _ Tentou sair mais uma vez e Lauren prensou seu corpo ainda mais contra o dela fazendo-a soltar um pequeno gemido.

- Eu não vou deixar. Você não vai sair assim. _ Diz deixando as lágrimas escaparem de seus olhos, Camila sentiu vontade de secá-las mas se segurou, não podia fraquejar agora. - Meu amor, por favor...

- Por favor digo eu, Lauren. _ Diz à encarando séria. - Eu respeitei a sua decisão de não me dizer nada do que esconde e agora o mínimo que eu espero é que você respeite a minha decisão também. E eu já disse, quero um tempo!

- Camz, não faz isso. _ Lauren segurou o rosto da latina entre suas mãos mas o contato foi desfeito quase que imediatamente, Camila se desvencilhou dela. - Eu não quero mexer no passado amor, mas juro que te ocultar isso não vai interferir em nada no nosso relacionamento. Mas se eu contar você pode não entender.

- Já está interferindo. Eu já disse que quero um tempo e não vou voltar atrás. _ Elas ficaram se encarando, por mais que por dentro Camila estivesse se sentindo fraca, por fora ela mantinha uma postura firme, demonstrava que não iria ceder independente dos argumentos que a namorada pudesse usar, e Lauren entendeu isso.

- Tá bom, tudo bem eu conto. _ Camila ficou surpresa por um instante, os verdes de Lauren à encaravam com suplica, medo, ela havia finalmente cedido. Lauren se afastou dela e suspirou vencida. - Se é o que você quer então eu faço. Mas vamos voltar lá pra dentro, por favor. _ Camila ficou à encarando por breves segundos e então assintiu.

Lauren segurou sua mão e então a levou de volta pra dentro do apartamento, Camila seguiu para a sala enquanto Lauren fechava a porta, deixou a mochila sobre o sofá maior e sentou no mesmo, logo a mais velha estava se sentando ao seu lado.

- Você já pode começar. _ Camila falou em um tom de voz calmo e Lauren assentiu devagar enquanto soltava todo o ar preso em seus pulmões.

- O que aconteceu foi que quando viajamos até Londres eu precisei dar um motivo pra que a sua mãe me deixasse te levar comigo, então... _ Lauren parou apreensiva, o medo de que a namorada não à entendesse era grande, mas não tinha mais volta, a verdade seria dita. - Então eu disse à ela que você estava doente.

- Doente? _ Perguntou surpresa e confusa ao mesmo tempo. - Como assim? Doente do quê?

- Eu disse que a anemia havia voltado mais resistente dessa vez e que poderia se tornar algo mais sério se não tratada. Eu disse que você precisava fazer um tratamento mas que esse só poderia ser feito em Londres. _ Camila ficou estupefata ao ouvir tais palavras, não queria acreditar que eram reais.

Mas ao mesmo tempo em que tentava negar os fatos sentiu a indignação nascendo aos poucos dentro de si, a lembrança da forma que começou a ser tratada pela mãe dias antes da viagem e no dia que a mesma aconteceu, o olhar triste que Sinuh tinha, e com as lembranças veio a certeza de que não estava delirando.

- Por isso ela ficou daquele jeito um pouco antes da viagem, sempre me olhando com tristeza, como se estivesse com medo de alguma coisa. E quando eu me despedi dela... agora entendo tudo. Você fez a minha mãe sofrer acreditando que eu estava doente quando nem anemia eu tenho mais, Lauren. Como é que você pôde? _ Se levantou à encarando inconformada e Lauren fez o mesmo ficando em sua frente.

- Camz, eu só fiz isso pra poder te levar comigo.

- Usando de métodos tão insensíveis como esses? _ Diz por fim se desvencilhando do toque de Lauren que tentou segurar sua mão. - Você não teve um pingo de consideração por ninguém, Lauren!

- Eu reconheço que errei, mas naquele momento não encontrei uma maneira melhor de convencê-la. Por favor, me entenda. A Sinuh jamais te deixaria ir comigo se eu dissesse a verdade, que só queria te ter por perto. Você sabe disso, amor. _ Falou angustiada, ver Camila evitando o seu toque era doloroso pra ela.

- Eu sei! E é exatamente por isso que eu já deveria ter desconfiado, minha mãe estava estranha, me deixou ir com você tão facilmente e sem nenhum bom motivo que me pergunto como não me dei conta que algo estava errado? Ela nunca me disse nada.

- Eu pedi pra que ela mantivesse esse assunto apenas entre nós duas. _ Lauren confessou recebendo um olhar ainda mais impressionado e decepcionado.

- Quer dizer que você mentiu e ainda manipulou a minha mãe pra que ela compactuasse com você?

- Não. Eu não manipulei.

- Manipulou sim, você mentiu pra ela usando à mim, você me usou e usou minha mãe pra conseguir o que queria. Ainda tem coragem de dizer que isso não é manipulação? _ Lauren ficou sem reação depois de ouvir isso, ela sabia que Camila estava certa e não tinha como se defender quanto à isso.

Ela jogou sua franja para trás em um ato de nervosismo enquanto pensava no que dizer.

- Tudo bem, eu sei que fui estúpida, reconheço que o que fiz foi errado mas eu não me arrependo de nada. _ Falou e Camila à encarou incrédula. - É isso, eu não me arrependo, mas não significa que eu faria isso novamente. Apesar da desculpa que dei à sua mãe eu não prejudiquei ninguém, eu assegurei que não havia motivos pra preocupações se você seguisse o suposto tratamento, todos os dias eu ligava e apenas reforçava isso pra que ela não se sentisse mal, agora pra todos os efeitos você está definitivamente curada. Eu cuidei disso, Camz. Tudo o que fiz foi por querer ter você do meu lado, agora me desculpa se não encontrei solução melhor. _ Camila ficou à encarando indignada.

- Você está mesmo usando a vontade de estar comigo como desculpa? Como se esse fosse um motivo mais que aceitável?

- Essa não é a droga de uma desculpa, é a verdade! _ Soltou nervosa. - Se você não pode levar isso eu consideração eu sinto muito, não existe outra explicação além dessa. _ Completou e Camila negou com a cabeça voltando a se sentar no sofá ficando de cabeça baixa, cobrindo-a com suas mãos.

Depois de um tempo sentiu um carinho ser feito em seus cabelos mas não se moveu, se manteve quieta, em silêncio. - Me perdoa, Camz. _ Lauren pediu dessa vez com a voz calma enquanto continuava com o carinho. - Eu jamais desejei te magoar.

- Meu Deus, Lauren. _ Lamentou levantando a cabeça e se deparando com Lauren em sua frente sentada sobre a mesinha de centro. - Como você pode me dizer isso se sabia perfeitamente que era o que aconteceria quando eu soubesse, você sabia que me magoaria.

- Sim, por isso eu não planejava te contar.

- O quê? _ Pergunta perdida, na esperança de ter ouvido errado.

- Eu não iria contar, não naquele momento e não durante um bom tempo. Mas se fiz isso agora é porque estou decidida a mudar e acabar com as mentiras que existem entre nós. Eu quero recomeçar e fazer tudo diferente. _ Segurou o rosto da latina entre suas mãos e à encarou intensamente. - Me perdoa pelo meu erro, vamos seguir daqui, amor. Me dá uma chance.

- Não... Eu não posso.

- Como não? _ Lauren perguntou ficando desesperada enquanto que quase em um gesto inerte Camila se livra de suas mãos e se levanta.

- Não posso fazer isso, não posso agora.

- Mas eu te disse a verdade, não era o que você queria? _ Lauren pergunta completamente aflita se levantando também. - Eu fui sincera com você, Camila.

- Agora! _ Soltou nervosa enquanto que apertava suas próprias mãos tentando conter e disfarçar o tremor. - Nós estamos juntas à meses e só agora você decidiu ser sincera comigo.

- Isso não é verdade!

- É claro que é. _ À interrompeu. - Você levaria essa e todas as outras mentiras muito mais adiante do que eu poderia imaginar caso eu não tivesse descoberto uma delas.

- Por medo... Eu fiz por medo de perder você. _ Tentou se aproximar mas a mesma deu um passo para trás à evitando.

- Eu que sinto medo, Lauren. _ Diz decepcionada. - Tenho medo de saber onde isso tudo acaba. Quantas surpresas mais você vai me dar? Quantas coisas mais tem pra me contar? _ Completa secando as lágrimas que agora molhavam seu rosto.

- Isso acaba aqui. Não existe mais nada escondido. Eu juro pra você. Acredita em mim, por favor. _ Diz sentindo sua garganta queimar, as lágrimas que fazia esforço para não soltar estavam vindo com força e desespero.

- Quer que eu acredite?

- Quero. _ Respondeu com a voz falha.

- Então você vai em casa comigo agora mesmo e vai repetir pra minha mãe tudo o que me contou. _ Propôs e Lauren à encarou assustada e incrédula.

- Ela vai me odiar, Camila. É isso que pretende?

- Eu quero que seja sincera e que...

- Estou sendo! _ À interrompeu chegando mais perto. - Estou sendo com você, mas eu não posso simplesmente fazer o mesmo com ela, não dessa vez. E você também não pode contar porque se ela souber o que eu fiz vai perder a confiança em mim e as consequências virão, Camila. Ela pode se voltar contra a gente, é isso que você quer? Além do meu pai e outros você quer que ela seja mais uma na lista das pessoas que não querem que fiquemos juntas? Camila presta atenção, amor. _ Pediu tornando a segurar o rosto na latina entre suas mãos. - Tudo o que eu fiz foi por você, foi por nós duas, eu sei que não fiz certo em te esconder mas ainda assim, só fiz pensando no seu bem. Eu te peço perdão do fundo da minha alma, me doí olhar pra você e saber que te decepcionei e te magoei, mas eu juro que jamais vou voltar a agir dessa forma, jamais vou mentir pra você também e muito menos vou ocultar algo que envolva você. Eu só preciso que me dê uma chance. Me deixa mostrar que estou sendo sincera, eu não vou falhar. _ Elas se olhavam com angústia, Camila por se sentir traída, decepcionada e indecisa sem saber qual decisão tomar, e Lauren por sentir medo, e esse medo estava começando a lhe sufocar. - Por favor, amor.... _ Suplicou juntando suas testas. Dessa vez não conseguiu evitar o choro, seu corpo foi tomado por uma sensação ruim, jamais havia sentido tanto medo como sente agora, medo de perder a única mulher que foi capaz de amar.

Em um gesto involuntário Lauren à abraçou deitando a cabeça da menor em seu peito e então à acolheu em seus braços em um aperto possessivo.

Ficaram assim por algum tempo, Camila permitiu o contato, por dentro estava se sentindo péssima, mas com tudo isso não pôde evitar se deixar ser abraçada pela pessoa que causou todos esses sentimentos.

Mas mesmo assim, juntou forças o suficiente para se afastar dela aos poucos, secando seu rosto e evitando olhar nos olhos da outra.

- Eu só quero um tempo sozinha, Lauren, eu preciso pensar, preciso ficar sozinha... Só respeita isso. _ Pediu e mesmo a contragosto Lauren assentiu um tanto atordoada.

- Pelo menos me espera trocar de roupa e eu te levo pra casa. _ Diz secando às lágrimas que molhavam seu rosto.

- Não precisa me levar, eu posso ir andando. _ Respondeu pegando sua mochila à ajeitando no ombro.

- É muito longe daqui, Camz. Não posso deixar que vá sozinha e muito menos andando. Me deixa te levar, por favor. Não precisa falar comigo se não quiser. _ Falou e a latina ficou em silêncio por breves segundos e em seguida assentiu.

Camila sabia que ela não desistiria da idéia de levá-la e tudo o que menos queria era mais motivos pra estender uma conversa entre elas. Só queria ficar sozinha o mais rápido possível e quanto mais rápido chegasse em casa melhor.

- Me espera aqui. Eu já volto. _ Lauren lhe deu as costas e se afastou em passos rápidos em direção ao seu quarto.

(...)

TARDE SEGUINTE ...

HOSPITAL CENTRAL JAUREGUI

Pov. Lauren

Camila se nega a conversar comigo, não atende minhas ligações e apenas me mandou uma mensagem dizendo que está bem e que quando tivesse certeza do que fazer me procuraria.

Como assim "certeza do que fazer"?

Não quero pensar na possibilidade dela transformar esse tempo em um término, eu não quero que nosso namoro chegue ao fim, não, não posso sequer pensar nisso sem sentir um aperto no peito.

Ela não pode terminar comigo por eu ter ocultado coisas dela, coisas que ao menos à prejudicavam.

Tudo o que fiz foi pra tê-la perto de mim e não apenas por isso, foi pelo próprio bem dela também.

Eu não poderia deixá-la naquele colégio onde ela sofria humilhações diarias, onde era agredida verbal e fisicamente.

Elas negariam a minha ajuda e sabendo disso tive que encontrar outra solução.

Reconheço que a desculpa que inventei pra que ela fosse para Londres comigo foi um pouco exagerada e eu poderia deixá-la aqui, sim eu poderia, mas além do fato de querer a presença dela, eu também não iria de forma alguma correr o risco de deixar o meu pai livre durante um mês inteiro pra agir contra mim, ele não suporta que eu tenha deixado a Keana e não duvido que ele fosse tentar armar alguma coisa pra me prejudicar e afastar a Camila de mim.

Michael é persuasivo, tanto quanto eu, também reconheço isso.

Camila era muito insegura quanto a nossa diferença financeira, ela tinha medo do que os outros poderiam pensar sobre ela, tinha medo que pensassem que ela estava comigo por causa do meu dinheiro, na verdade sinto que ela ainda se sente assim, mas hoje o nível é menor.

O que importa é que sabendo dessa insegurança o meu pai poderia facilmente se aproveitar disso e usar o ponto fraco dela como meio pra se beneficiar.

Não me arrependo de ter feito o que fiz, foi em Londres que pedi minha pequena em namoro e foi lá que ela se tornou minha de corpo e alma, por mais que eu saiba que meu erro pode me custar caro e hoje eu opte por outras saídas se fosse preciso ao invés de ter mentido, apesar disso eu não posso me arrepender de algo que me trouxe apenas coisas boas.

Eu não pretendo ocultar mais nada dela, nada que à envolva, não pretendo e não vou.

Sinto que estou prestes à perdê-la. Ela me olhou com tanta decepção, a sensação foi que uma faca estava sendo cravada em meu peito, ela me olhava como se não me conhecesse mais, e eu não posso suportar isso outra vez.

Sei que minhas ações limitaram a confiança dela em mim, mas eu vou reconquistá-la.

Vou mostrar à ela que estou sendo sincera, eu não quero e não vou perder a minha namorada, Camila é minha vida. Não posso perdê-la por nada nesse mundo.

- Seria ótimo se você usasse bater na porta antes de entrar não acha? _ Falei ao ver meu pai entrar no meu consultório sem ao menos bater, me tirando dos meus pensamentos.

- Preciso falar com você. _ Diz me ignorando enquanto fecha a porta, logo depois se aproxima da minha mesa.

Algo em seus olhos me diziam que eu não iria gostar nada dessa conversa.

- Então seja rápido porque meu trabalho aqui por hoje já acabou e eu tenho compromisso.

- Se não fosse certos acontecimentos eu até poderia presumir com quem seria esse compromisso. _ Deu um sorriso debochado ao se sentar na cadeira em minha frente. Não entendi o que ele quis dizer com "certos acontecimentos" mas decidi ignorar. Ele só deve estar querendo me provocar como de costume.

- Espero que também presuma que isso não é da sua conta. _ Respondi indiferente ao mesmo tempo em que fechei a tela do meu notebook.

- Você percebe o quanto se afastou de mim? Se deu conta de como estamos distantes depois que se envolveu com aquela garota. Nós nunca nos tratamos assim, filha. _ Falou e eu respirei fundo buscando paciência pra ladainha que provavelmente começaria depois da minha resposta.

- Aquela garota à quem se refere tem nome e é minha namorada, se vai começar a falar dela espero que pense muito bem antes de ofendê-la. E não venha colocar a culpa nela, foi o senhor quem se afastou de mim, pai. O senhor quem se recusou a dar ao menos uma oportunidade pra ela, de conhecê-la melhor. Se fizesse isso veria o quão maravilhosa ela é. Entre todas as mulheres que já tive na vida Camila foi a única capaz de me fazer amar e sentir o amor, papai. _ Ele sorriu mais uma vez com deboche e isso já estava me irritando.

- Por favor... Não aja feito uma adolescente boba e virgem, minha filha. Eu creio que esse papel cabe perfeitamente bem à ela e não o contrário. Você está encantada por essa menina, ela é nova e ainda deve ser inexperiente em muitos aspectos, você acha que estar com ela é o máximo... Ela aumenta seu ego, só isso. Quando se cansar de se divertir com ela se dará conta da péssima escolha que fez.

- Não adianta. _ Falei me dando por vencida. - O senhor jamais entenderia o que eu digo, não deve nem ter idéia do que é o amor, só se interessa por fama e dinheiro. _ Completei e ele pareceu se ofender.

- Não diga bobagens. Eu amo a sua mãe.

- Será mesmo, pai? _ Pergunto com interesse. - Então por que traiu ela com uma qualquer? _ Ele fica estático e sua postura se enrijece.

- Aquilo foi um deslize, já expliquei mais de mil vezes, meu casamento estava passando por uma crise e eu acabei cometendo um erro. Você não vai esquecer disso nunca? _ Perguntou sério.

- Não pai. Eu não vou e nem se eu quisesse poderia fazer, me sinto culpada todos os dias por esconder da minha mãe o que você fez, ainda mais a consequência que seu erro trouxe.

- O que me impressiona é o fato de que o mesmo aconteceu com a sua amiga Verônica e não te vejo recriminando ela como faz comigo. Ela também traiu a esposa dela e engravidou a outra. Por que você acredita no arrependimento dela e no meu não? Qual a diferença entre nós dois?

- A diferença é que a Lucy não é minha mãe e muito menos está sendo enganada durante anos. Porque a Verônica pode ter errado sim, mas ao menos teve a decência de contar a verdade pra mulher dela, não obrigou com chantagens ninguém à compactuar com o que fez. _ Ele ficou me olhando sem qualquer expressão por alguns segundos e então suspirou.

- Você tomou a decisão certa se calando, aquilo foi um erro que jamais voltarei a cometer. Sua mãe não precisa saber de nada, principalmente da existência do seu irmão.

- Eu já disse que ele não é meu irmão.

- Você sabe que...

- Taylor é minha única irmã. _ O interrompi sem a mínima paciência. - Aquele bastardo não é nada meu, inferno!

- Lauren!

- Pra mim já chega! _ Bati na minha mesa e me levantei. - Já não basta ter que sustentar ele e a aquela vagabunda da mãe dele com o dinheiro da minha mãe, e ainda quer que eu o reconheça como irmão? Estou cheia disso, não sei como pude esconder essa porcaria de traição da minha mãe por todo esse tempo. Que tipo de filha eu fui?

- O que você quer dizer com isso? _ Se levantou também.

- O senhor tem que contar pra ela.

- Ficou louca? _ Perguntou indignado.

- Não. Muito pelo contrário, acho que nunca estive tão consciente dos meus atos. Só escondi isso porque achei ser o melhor pra mamãe e minha irmã. Mas agora Taylor está mais grandinha, pode entender melhor as coisas.

- Mas o que é que está acontecendo com você, Lauren? Por acaso você contou pra aquela garota idiota e ela te convenceu a me impor essa asneira? É isso?

- Eu já mandei você respeitar ela! _ Digo irritada. - Camila não sabe de nada, não pense que sua vida à interessa de alguma forma. Sou eu! Eu quem decidi que não vou mais compactuar com isso.

- Acontece que eu não estou disposto a revirar o passado depois de tanto tempo, muito menos quero correr o risco de perder a Clara por conta de um erro bobo.

- Erro bobo? _ O encaro desacreditada.

- Exatamente!

- Foram anos de traição e eu arrisco afirmar que se não descobrisse você estaria fazendo a minha mãe de idiota até hoje. Se é que não está fazendo tudo por debaixo dos panos, de uma forma mais segura dessa vez. Não me surpreenderia nada. Mas você tem razão, aquele bastardo foi mesmo um erro bobo. Mas eu não sou obrigada a carregar esse sentimento de culpa dentro de mim, não posso mais lidar com isso.

- Lauren...

- Você precisa contar pra ela, pai. Se não fizer, eu faço. _ Impus voltando a me sentar e ele fica me olhando decepcionado.

- Eu venho aqui tentar me reconciliar com você e sou surpreendido dessa forma?

- Eu sinto muito...

- Saiba que se fizer isso eu não vou te perdoar jamais, Lauren.

- Se ela não souber sou eu quem não vou me perdoar.

- O que você vai ganhar com isso? A alegria e provavelmente satisfação de nos ver separados? _ Pergunta sarcástico e eu nego.

- Consciência limpa. _ Respondi sincera e ele gargalhou forçadamente.

- Por que só agora se preocupa com isso?

- Porque agora eu consigo enxergar o mal que fiz pra minha mãe pensando fazer o bem, eu não devo decidir o que é bom pra ela e nem pra ninguém. A mentira me trouxe até a beira de um poço onde estou prestes a cair, tudo por conta de escolhas que eu julguei serem certas. Não quero ter que passar o mesmo com a minha mãe também. Apesar de saber que a possibilidade é enorme... Eu estou arrependida e agora só quero concertar o meu erro.

- É um pouco tarde pra arrependimentos.

- Talvez.

- Sua mãe e sua irmã vão sofrer por sua causa. Se sente bem por isso?

- Não. Mas eu decidi mudar, pai, e vou começar fazendo o que estiver ao meu alcance pra concertar meus erros.

- Você vai se arrepender disso, Lauren. E eu não estou te ameaçando, apenas vai se arrepender por ter sido tão cega, essa garota mudou você, ela pode não ter dito nada mas sei que essa atitude é por causa dela.

- E se for? _ Questiono cansada das acusações dele.

- Olha só pra você, Lauren. Ela te tornou uma fraca. _ Fala em um tom enojado, o que me fez sorrir fraco e negar com a cabeça.

- Não, pai... A Camila me fez ver e sentir coisas que antes eu não era capaz. Acho que devo agradecê-la por isso. Ela despertou um lado bom em mim, coisa que eu sequer sabia que poderia ter.

- É mesmo? Isso antes ou depois de você agredir a Keana? _ Ele sorriu vitorioso por me ver sem reação. - O quê? Achou que ela não me contaria?

- Já deveria ter imaginado o óbvio, Keana é sua fiel protegida, foi procurar seu opoio.

- E ela sempre o encontrará comigo. Ou você acha que eu ficaria ao seu favor depois do que fez? Se Keana não te denunciou foi apenas porque eu pedi e agora você quer me trair dessa maneira.

- Será que o senhor é incapaz de perceber que isso não é traição? E mesmo que fosse, creio que não pediu o silêncio dela por mim e sim por si mesmo e pela reputação da família. Eu também não precisava da sua generosa intervenção, duvido muito que ela me denunciaria diante do que eu disse à ela. _ Falei me levantando, peguei meu jaleco no suporte e o vesti. Não tinha mais disposição pra levar esse tipo de conversa com ele.

- E a gravação de vocês duas juntas em um momento íntimo? Ela também me contou, você à ameaçou com isso pra que ela ficasse calada e longe de você. Não foi?

- Sequer faço idéia sobre o que está se referindo. _ Falo em um tom irônico enquanto cruzo meus braços, ele nega com a cabeça entendendo a minha intenção.

Jamais confirmaria nada pra ele, principalmente depois de vê-lo mecher disfarçadamente no bolso do jaleco e saber que corro o risco de estar sendo gravada ao julgar por isso e também pela forma que ele me fez a pergunta, de forma curiosa e dissimulada.

- Você foi uma tola por jogar fora anos de um relacionamento sério e promissor como o que tinha com Keana, uma moça à nossa altura e futura médica, vocês iriam formar um par mais que perfeito diante a sociedade, bastaria um casamento, a chegada de um herdeiro e pronto, os dois maiores sobrenomes do nosso meio iriam se unificar, mas você preferiu mandar tudo pelos ares por causa de uma pirralha imbecil sem eira nem beira, sem classe alguma. Uma qualquer que só serve pra estar numa cama pra divertimento passageiro e nada mais. Você deveria se envergonhar!

- JÁ CHEGA! _ Minha paciência chegou no limite máximo, quando dei por mim já tinha dado a volta na mesa ficando de frente pra ele. - QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FALAR ESSAS COISAS SOBRE ELA? HEM? VOCÊ É QUEM DEVERIA SE INVERGONHAR POR SER ESSA PESSOA ARROGANTE E DE ALMA IMUNDA. NÃO É EXEMPLO NENHUM, NÃO TEM MORAL ALGUMA PRA FALAR DE NINGUÉM E MUITO MENOS DELA QUE TEM MAIS CARÁTER QUE VOCÊ. CAMILA TEM DECÊNCIA, POR ISSO LAVE A BOCA PRA AO MENOS CITAR O NOME DELA.

- NÃO ALTERA ESSA VOZ COMIGO! EU AINDA SOU SEU PAI, VOCÊ ME DEVE RESPEITO. _ Tentou segurar o meu braço mas eu o puxei com violência.

- NÃO ENQUANTO VOCÊ NÃO MERECER SER RESPEITADO. _ Falei alterada, nervosa, sentindo uma revolta tão grande que não cabe em mim. Minha vontade é de socar a cara dele até me cansar, mas infelizmente ele é meu pai.

- Eu só vou te dizer uma coisa, Lauren. Se você se atrever a falar sobre o passado com a sua mãe, eu juro que você vai se arrepender. _ Falou cheio de ódio e ameaça, apenas sorrio sem vontade.

- Você não ama a minha mãe. Você ama o poder que ela te oferece. Ama o prestígio que o casamento com ela te deu. Todo esse tempo você só finge amá-la.

- Não diga coisas que não conhece, Lauren.

- Eu conheço, conheço muito bem, se você amasse a minha mãe não estaria tranquilo sabendo que durante anos esconde algo tão grave dela. Sua consciência não te deixaria viver em paz.

- Você acha que eu vivo? Ainda me sinto culpado por ter sido fraco, mas eu me arrependi e jamais voltei a me relacionar com outra mulher.

- Por que eu descobri e te forçei a por um fim naquilo. Caso contrário... _ Disse me afastando dele, não estou suportando a presença desse ser na minha frente.

- O que importa é que eu me afastei dela, a única coisa que faço é ajudar o garoto, ele não teve culpa de nada, é meu filho também, não posso ignorá-lo. _ Diz sério e eu não consigo conter uma risada em puro escárnio.

- É claro que não pode. Até porque se fizer isso ele mesmo procura a minha mãe pra se apresentar como seu filho. Aqueles dois aproveitadores te chantageiam até hoje, pensa que sou alguma idiota? É óbvio que seu relacionamento com esse garoto acontece apenas porque é conveniente à você, caso contrário já teria se desfeito dele.

- Você está enganada.

- Você sabe que não. _ Digo com um sorriso falso. - Conte a verdade pra minha mãe e acabe logo com isso. _ Completo passando por ele, não pretendo ouvir mais nenhuma mentira e muito menos palavras ofensivas dele contra a Camila porque se fizer não sei se vou conseguir me conter.

- Eu não posso. Jamais arriscaria perder a minha família novamente. _ Fala em voz baixa, paro antes de alcançar a porta e me viro pra encará-lo, sua expressão é uma das mais arrependidas que já vi.

Por um segundo me convenceu, apenas um segundo...

- Então quem vai fazer isso sou eu. _ Ao dizer isso ele voltou a me olhar com raiva e revolta, se aproximou e me olhou intensamente.

- Se você interferir na minha vida e acabar com ela, tenha a certeza que vai te custar muito caro, eu vou te ferir onde mais te dói.

- Então começaria uma guerra entre a gente. _ Digo mantendo nosso contato visual.

- Não. Isso vai acontecer no momento em que você decidir me trair. E lembre-se bem, as consequências que virão serão unicamente por sua culpa.

- Está me ameaçando?

- Estou te alertando. Você ama mesmo a sua garotinha idiota? _ Pergunta sorrindo debochado. - É hora de demonstrar isso, preze pela Camila, mostre que se importa com ela. Porque eu não me importo nem um pouco.

- Toca em um fio de cabelo dela, Michael, um fio sequer, e aí vai saber do que sou capaz. _ Falo a centímetros de distância dele.

- Conte a verdade pra sua mãe e é você quem saberá do que eu sou capaz. _ Eu jamais havia encarado o meu pai com tanto ódio como faço nesse momento, fechei minhas mãos em punhos tentando conter a vontade de partir pra agressão, e se a porta do meu consultório não tivesse sido aberta não poderia assegurar que não tivesse feito algo que iria contra os meus princípios.

- Lauren, eu tenho uma... Desculpa atrapalhar, não sabia que estava ocupada.

- Não atrapalha, Verônica. Eu já estava de saída. _ Ele sorriu pra ela como se nada tivesse acontecido e foi em sua direção, Vero entrou e deu espaço pra que ele passasse. - A propósito, assim que estiver livre passe no meu consultório, tenho um assunto importante pra tratar com você.

- Sim, senhor. Logo estarei lá.

- Obrigado. Tenham uma boa tarde. _ Ele falou saindo sem a menor pressa do meu consultório.

- Cínico! _ Soltei completamente frustrada e Vero me olhou apreensiva.

- Eu ficaria aqui por horas te ouvindo me contar o que aconteceu porque você parece querer massacrar o seu pai, mas no momento acho que o que vim fazer aqui é mais importante que isso. _ Falou e eu me sentei no sofá, respirando fundo tentando me livrar da energia negativa que ele me passou.

- O que foi?

- A Camila acabou de dar entrada aqui no hospital. _ Quando ela falou isso a sensação que tive foi como se um balde de água gelada fosse jogado nas minhas costas tamanho o frio que percorreu minha espinha.

- O QUÊ? C-COMO? POR QUÊ? _ Pergunto me levantando às pressas.

- Eu não sei, a Addison à trouxe junto de algumas amigas, parece que ela desmaiou no colégio.

- Droga! Por que não me ligaram? Onde ela está? _ Perguntei enquanto saía quase que correndo do meu consultório.

- Na sala de emergência, vamos até lá.

...

Caminhamos apressadas pelos corredores do hospital até que finalmente entro na sala de emergência.

Fui olhando entre as divisórias e então à vi deitada em uma maca.

- O que aconteceu com ela? _ Pergunto ao lado do clínico geral, doutor Stewart. Ele me olhou por um breve instante como se não entendesse a minha preocupação eminente.

- As amigas disseram que ela se sentiu mal, desmaiou e com isso bateu forte com a cabeça. Ela chegou aqui desacordada, mas já recobrou a consciência.

- Não parece. _ Falei segurando a mão dela, estava um pouco fria por sinal, seus lábios também estavam um tanto pálidos assim como todo o seu rosto.

- Ela está dormindo, optei por aplicar um sedativo porque ela acordou um pouco agitada reclamando de uma forte dor de cabeça. _ Diz marcando algo no prontuário médico em suas mãos.

- Pode deixar comigo, doutor, eu assumo daqui. _ Digo olhando pra Camila.

- O caso chegou em minhas mãos, doutora, eu já estou cuidando dela. _ Diz calmo e eu desvio minha atenção dela pra ele.

- Ela é minha namorada, eu vou cuidar dela pessoalmente. Mas não se preocupe, se acaso eu precisar da sua avaliação o senhor será comunicado. _ Falei com tanta frieza que ele ficou sem reação por breves segundos apenas me olhando antes de assentir em concordância. Não queria tê-lo tratado assim, mas estou preocupada demais com a Camila e mesmo que a ação do médico seja a mais correta, vê-lo tentando me impedir de cuidar dela me deu nos nervos.

- Me desculpe, doutora Jauregui. Não sabia disso. A paciente é sua responsabilidade agora. _ Diz me entregando o prontuário com as informações dela. - Já pedi uma tomográfia por conta da batida, soube que ela sofreu um traumatismo craniano à alguns meses e achei necessário averiguar se está tudo bem uma vez que o desmaio pode ter algo em comum com esse ocorrido. Pedi um exame de sangue também, se considerar algo mais apropriado...

- Farei o que for necessário. Obrigada, doutor. _ Ele apenas concordou saindo da minha vista.

- Lauren. Não precisava fazer isso, ficou parecendo que você pensa que ele não é capaz de cuidar dela. _ Vero falou me repreendendo. - Ele pode ir reclamar com o Michael.

- Eu não dou a mínima pra o que ficou parecendo e muito menos pra o que ele vai fazer ou deixar de fazer, Vero. Tudo o que eu quero é saber o que a Camila tem e quero fazer isso o mais rápido possível.

- Tá certo... O que pretende fazer? _ Ela pergunta parando do meu lado e eu lhe entrego o prontuário.

- Vamos ir logo mais a fundo nisso, não vou fazer nada superficial e correr o risco de só perder tempo. _ Digo desviando meu foco da Verônica para a enfermeira que está do outro lado da maca esperando por minhas ordens. - Enfermeira, Alana. Faça uma tomografia completa e também uma ressonância magnética do crânio, e ao invés do exame de sangue comum quero um hemograma completo. Peça os resultados com urgência ao laboratório. E assim que terminar os exames à leve imediatamente pra um quarto.

- Sim, doutora. Já vamos levá-la. Com licença. _ Disse passando pela gente, provavelmente foi chamar os enfermeiros para levarem a Camz.

Me inclinei deixando meu rosto perto do de Camila e beijei a testa da minha pequena sentindo uma queimação na garganta.

- Vai ficar tudo bem, meu amor. _ Falei baixo e em seguida a enfermeira voltou com dois rapazes, acariciei o rosto dela e pedi que à levassem para a realização dos exames. Fiquei sozinha com Verônica. - O que será que ela tem? _ Pergunto preocupada.

- Bem... Eu tenho três palpites. Óbvios demais até. Porém espero estar errada em pelo menos dois deles.

- Quais? _ À encaro atenta. Espero que ela não esteja pensando o mesmo que eu.

- Ou a anemia voltou de verdade, o que seria bem irônico nesse momento, ou então alguma celula do crânio foi lesionada, o que pode resultar em um tumor. A situação dela era complicada demais e você sabe que mesmo obtendo êxito na cirurgia e recuperação, coisas desse tipo podem ocorrer em alguns casos. E essas dores de cabeça são um pouco alarmantes, não acha?

- Sim, concordo com você. Mas isso é quase impossível no caso dela, Vero. Os últimos exames estavam perfeitos, nenhuma alteração, nada. _ Respondo angustiada.

- Ela fez o check-up?

- Sim, eu mesma trouxe ela pra fazer. Está tudo bem.

- Certo, isso já é um bom sinal. Então eu tenho um outro palpite. _ Sorriu deixando sua mão esquerda em meu ombro.

- Qual? _ Pergunto em confusão.

- Talvez ela esteja grávida.

- Não, isso também... Como? _ Fico parada feito uma estátua e ela apenas sorri assentindo enquanto que a sensação que tenho era a de ter levado um soco no estômago.

- É uma possibilidade. _ Diz se afastando e cruzando os braços ainda com um sorriso no rosto que agora mesmo que em choque com a idéia correspondi.

- Será? _ Pergunto um tanto impressionada e ela volta a assentir. - Não... Não, isso é impossível.

- Por quê? Bom, você me disse que não usa camisinha com ela.

- Eu não uso, mas ela se cuida, toma anticoncepcional. _ Respondo nervosa.

- Sim, mas você sabe muito bem que esse método pode falhar. _ Eu não sabia o que dizer, minha boca secou. - Vamos, não seja imbecil, Lauren. Esse desmaio foi provocado por alguma coisa e logo vamos saber o que é. Você prefere que ela esteja grávida ou doente? _ Eu respirei fundo várias vezes tentando me manter calma enquanto Vero me encarava atenta esperando por alguma resposta.

- Eu não quero que ela esteja doente.

- Que bom, então você...

- Mas eu também não planejei ter um filho agora. _ À interrompi aflita e o sorriso que ela tinha morreu no mesmo instante dando lugar à uma expressão de surpresa e indignação.

- Não. Não vai me dizer que vai fugir das suas obrigações? É seu filho, Lauren. Se ela estiver grávida você tem que assumir.


Notas Finais


E aí? 😬
A participação de vocês é mais que bem-vinda, tá? 😊❤️
Vou me esforçar pra voltar logo, amores! 👋


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