História Paixão literária - Capítulo 1


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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lírica, Musical (Songfic), Poesias

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


@americadontcry is pathetic

gente sério, eu cheguei no limite da loucura.

Não é exatamente songfic, mas recomendo Me and My Friends do James Vincent McMorrow. Ouvir essa música enquanto escrevia me deixou menos decepcionada com minha realidade, deu um certo humor pra toda essa situação. Agora é rir pra não chorar.

Capítulo 1 - O choro é livre.


 

 

A maior fraqueza de um escritor?

Suas obras.

Somos apaixonados demais por elas.

Organizamos um bando de palavras confusas em um esboço de texto. Esse rascunho, puro e nu como é, acaba sendo arrastado, arranhado e arremessado para o ar como massa de pizza. Vemos as palavras rodarem em câmera lenta acima de nossas cabeças, e então caírem com perfeição de volta em nossas mãos. Modelamos os detalhes a gosto, até que tome o formato que desejamos. Então, está pronta para ser degustada pelo mundo.

Esse é o papel de um escritor. Fazemos história, criamos Universos, damos vozes a nós mesmos através da voz de outras pessoas. Assim são os escritores, transformando poeira em ouro desde o dia em que nasceram.

 

A maior fraqueza de um escritor? Suas obras. Eu pelo menos sempre tive uma quedinha por cada uma de minhas cidades imaginárias, pessoas incríveis e amores inesquecíveis. Tantas histórias me marcaram, saindo de mim como se eu não tivesse controle sobre meus dedos. Alguns de meus personagens me encantam de uma forma que eu não saberia descrever. Sou capaz de criar o herói e o vilão, a princesa e a plebeia, a bruxa e o curandeiro. Faço todos, desde os protagonistas até os figurantes. É como um grande circo, uma cena no teatro, uma formação numa coreografia. É tudo tão grande e cheio de vida.

 

Meus personagens fazem história dentro de mim. Alguns são bons, incríveis demais para estarem nesse mundo. Outros são histórias de superação de alguém que nasceu para ser mau e se transformou. Meus personagens, alguns tão reais que quase pedem por certidão de nascimento e comprovante de endereço. Personagens sortidos, engraçados, dramáticos, cheios de vida e energia. Alguns marcaram minha existência. Outros apenas vieram. Todos são importantes.

 

Apesar de eu já ser uma rata do amor platônico na vida real, e profissional em me apaixonar pelos coadjuvantes no mundo literário, jurei que não seria estúpida a ponto de criar alguém por quem acabaria me apaixonando. Eu jamais iria ceder meu coração a um personagem qualquer, não criaria uma vida que me faria cair de amores.

Eu nunca achei que ia me apaixonar por um personagem de uma história que eu mesma criei.

 

Envelhecer é surpreender-se.

 

Por mais idiota que possa soar, e deveria soar, porque é uma ideia boba demais para ser levada a sério. Parece cena de filme de comédia romântica. Qualquer coisa, menos a vida real.

Alguns personagens são reais até demais.

 

Quando o criei, não pensei muito. Fui criando. Fui inventando coisas. Olhos escuros, beleza avassaladora, mãos quentes e macias, personalidade ensolarada. Fui criando, sem saber que haviam chances tão grandes de eu acabar me apaixonando.

Quem se apaixona por um personagem?

O fato é que, geralmente escrevo essas personalidades com o objetivo de juntá-los com alguém. Dificilmente virão separados. A maioria já tem sua própria história de amor muito bem determinada e pronta para ser escrita. Eu não preciso pensar muito na hora de incluir alguém na trama, porque já está tudo planejado.

Que erro não planejar.

 

O personagem que criei, sem um futuro certo ou certezas. Um personagem perdido, carente, sozinho. Eu o olhei ali, quieto e calado. Dei-lhe vida. Mas enquanto eu tentava fazê-lo sorrir, acabei me apaixonando por minha própria criação. Não era um amor como o que eu tinha para com os outros personagens. Era muito mais profundo, transcendental. Eu me apaixonei por meu personagem.

De repente, quis estar dentro da história. Queria poder tirá-lo da solidão que sentia. Quis salvá-lo de tudo. Mas não posso salvar todos. Ao contrário do que pensam, nem sempre posso fazer o que quero. O trabalho de um escritor nem sempre é totalmente egoísta. Muitas vezes sacrificamos nossa própria vontade em nome do que deve acontecer na história. Nem sempre é o que desejamos. Dificilmente acaba sendo exatamente como planejamos. É quase impossível prever todos os passos e desvios de uma história, e quando tem que acontecer, não existe vontade que pare um evento. A história corre sozinha com suas próprias pernas, e o autor fica para trás, se perguntando como foi que eles cresceram tão rápido. Aí, ficamos sozinhos, desejando poder mudar algo que agora tem vida própria.

Não fazemos o que queremos. Fazemos exatamente o que temos que fazer. Às vezes, cometemos alguns erros.

 

Foi um grande engano. Eu jamais imaginei que me apaixonaria por meu personagem e sofreria tanto por ele. De repente, eu era uma idiota imaginando como seria ser de mentira, como seria segurar na mão dele, estar ali para quando ele precisasse. Eu quis ser a parte dele que tanto fazia falta, aquela por quem ele esperava. Eu quis ser tudo, quis a liberdade de ser uma parte de minha própria história. Mas, como na maioria das vezes, fiquei de fora. Os capítulos se passam, e eu continuo aqui.

Estou apaixonada por meu personagem. Não sei se isso o torna mais real, ou se me torna menos parte do mundo material, mas sei que eu trocaria tudo que tenho para ser aquela que vai passar a vida ao lado dele.

Imagine minha surpresa ao descobrir que estava apaixonada. Eu realmente devo gostar de sofrer.

Vou sofrer por ele. Quem disse que estou cansada de me sentir deslocada? Ainda tenho fôlego, ainda tenho forças. Não vou desistir dele.

É só um personagem.

Pelo menos é meu.

Vou até o fim atrás dele, porque ele é minha maior fraqueza.

Estou apaixonada por um personagem fictício que eu mesma criei. Não sei se é sorte ou azar, carma ou destino, mas gosto de chamar de amor por acidente. Eu não planejava me apaixonar. Aconteceu.

Agora, tenho meu calcanhar de Aquiles. Meu amor, meu ponto fraco, minha obra de arte.

Me apaixonei.

Mais uma vez. Dessa vez é diferente?

É. É amor.

Quem diria, não?

 

 


Notas Finais


será que eu sou a única trouxa do site que faz essas coisas???


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