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História Paixão Obrigatória - Capítulo 55


Escrita por: e W-chan


Notas do Autor


Olá queridos!
Esperamos que todos estejam bem e se cuidando neste momento ;)
Dando seguimento a história, voltamos com mais um capítulo, e esperamos que gostem das emoções de hoje. Tenham todos uma excelente leitura ^^

Capítulo 55 - Planos infalíveis, erros imperdoáveis


Numa reação de impulso, a aludida, como um raio, leva sua mão direita à boca do alaranjado rapaz, calando-o instantaneamente, ralhando baixinho logo em seguida.

- Fica quieto seu estúpido! Pra todo mundo aqui nesse muquifo meu nome é Natasha Romanoff! - com sua mão livre agarra o boton que estava preso em seu avental, o mostrando para um assustado Ichigo, que lhe mirava com seus castanhos orbes enormemente arregalados - E você vindo assim, sorrateiro, me chamando de Kukkaku, vai estragar todo o meu plano! - fica vermelha de raiva, enquanto o mais novo finalmente se livra do agarre dela, e tomando uma distância segura, se manifesta também colérico.

- De que plano está falando, sua demente? - dá um cascudo de raspão na cabeça dela, que mesmo indignada com a reação de seu primo, se concentra em massagear o local atingido a fim de aplacar a dor - Eu nem imagino o que pretende fazer aqui neste Congresso, mas, só posso crer que coisa boa não pode ser, pra estar se escondendo, usando esse nome ridículo como disfarce! - se apruma de frente à um grande espelho, tirando uma bandana negra do bolso de seu avental, a colocando em seguida em sua cabeça - Seja lá o que for, não quero me meter. Finja que não me viu, e cada um segue sua vida, ok? - dá alguns passos em direção à porta de saída, porém, seu intuito é frustrado por Shiba, que o pega pelos ombros, virando-o para si.

- Nada disso, priminho! - ela sorri diabolicamente, e Ichigo já sabia de antemão que ela faria algum pedido esdrúxulo à ele - Já que está aqui… preciso que me ajude a vigiar o Ryuuken! - despeja curta e grossa, fazendo Kurosaki quase se engasgar e tossir desesperadamente ante o susto que tomou com a proposta feita por ela - Não vou deixar que o meu “maridinho” fique dando uma de gostoso nesse evento, pavoneando ao lado daquela… - não conseguiu terminar seu raciocínio, pois uma cortante resposta ecoou pelo local, vinda da direção da porta que acabara de ser aberta.

- Acho melhor medir suas palavras em relação à Cirucci, minha digníssima madrasta. - Uryuu, ajeita seus óculos com a pontinha de seus dedos, adentrando o recinto juntamente com Chad, que ao ver o nome no crachá da morena, arqueou uma de suas sobrancelhas intrigado.

- Natasha Romanoff? O povo dessa administração é burro ou o quê para não perceber que esse é o nome da Viúva Negra?

Irritada por ser interpelada e ter seu “perfeito” disfarce posto em xeque, ela passa a ficar de frente aos dois rapazes, e apontando o indicador ao gigante, grita aturdida.

- Não se meta no que não é da sua conta, seu moleque comedor de fermento! Eu vi esse nome numa revista que estava na agência de recrutamento para essa bagaça aqui, e resolvi colocar. Nada demais! - volta agora seu olhar ferino para o Quincy filho, e continua a soltar seus impropérios - E você, seu idiotinha marrento? Também está de olho na Lolita oferecida? - bufa raivosa e senta-se de qualquer jeito em um dos bancos do local - O mau gosto de vocês é hereditário por um acaso?

- Bem, mau gosto teve o Ryuuken ao se deixar enredar pelos abutres da Soul Society e contrair matrimônio com alguém tão… instável. Isso para dizer o mínimo. - ri de canto ao vê-la com os olhos avermelhados de ódio, enquanto seus dois amigos maneiam a cabeça em concordância - Mas, isso realmente não vem ao caso, pois a única coisa que de verdade importa é que, tanto eu como tu temos um objetivo em comum, que é afastar a possibilidade do Ryuuken poder vir a enxergar Cirucci com outros olhos, pois isso eu jamais irei permitir.

- O que quer dizer com todo esse discurso, seu almofadinha entojado? - ela indaga ao se pôr de pé novamente.

- Quero dizer que, se Ichigo e Chad concordarem, e desde que seu gênio horroroso não nos prejudique em receber nosso ordenado integralmente, nós vamos te dar uma mãozinha. - mais uma vez um sorriso indecifrável se desenha no rosto masculino - Vamos te dar cobertura, sendo que: nada de gritaria, xingamentos e tentativas de agressão. Aja com sobriedade e prudência, e quem sabe assim poderá se livrar de maneira justa de sua “rival”. - mira seriamente para Ichigo e Chad e os questiona sem delongas - Topam me ajudar nessa empreitada?

- Sei não… - Ichigo reflete coçando levemente a cabeça - Sendo um plano seu, tem muito mais chance de dar certo, mas, tendo a Kukkaku como peça do esquema…

- Tá falando de mim como se eu não estivesse aqui, seu babaquinha! Tá mesmo insinuando que eu sou alguma idiota? Que eu vou pôr tudo por água abaixo? - a aludida inquire indignada.

- Basicamente foi isso mesmo que o Kurosaki disse. - Sado responde tranquilamente, para desgosto de Kukkaku, que desolada, voltou a sentar no banco que ali havia.

- Puta merda, ninguém me leva à sério… nem mesmo pirralhos mal saídos das fraldas igual vocês três…

Os rapazes dão algumas risadas contidas, e sentando-se ao lado da tristonha morena, Uryuu fala calmamente.

- Pare de se lamentar, e presta atenção no que vou dizer, pois isso será fundamental para que nossa pequena investida dê certo, entendeu?

Com um meio sorriso melancólico, ela responde de igual maneira.

- Certo… eu entendi…

 

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Na pequena e discreta coxia que fora montada atrás do palco do evento onde seria realizado no salão principal do Palácio, Cirucci dava os últimos retoques no visual de seu patrão, passando um rolinho pega-tudo no caríssimo terno dele, no intuito de que nenhuma irrisória partícula de sujeira ousasse manchar a indumentária deste, e desviar a atenção dos presentes para o foco primordial, que era o discurso sobre suas recentes pesquisas.

Orgulhosa em notar o quanto o médico estava belo e sereno, a Arrancar termina seu labor, guardando o pequeno objeto em sua bolsinha, e depois, leva suas melindrosas mãos até os fios prateados, onde os manuseia cuidadosamente, gesto esse que faz com que o sempre metódico Quincy abrisse um sorriso espontâneo, pois no fundo, gostava dessa sensação de zêlo e carinho… pena que não era bem de Cirucci que ele queria que tais gracejos viessem, e sim de sua destemperada e histérica esposa. 

Porém, não se pode ter tudo na vida, e suspirando conformado, sacudiu levemente a cabeça a fim de tirar tais tristezas da mente, e beijando gentilmente a face de sua secretária, ele agradece veladamente toda sua dedicação, e com passos elegantes, se dirige ao palco, onde é ovacionado por uma platéia empolgada, enquanto Cirucci, ainda da coxia, seca com seu indicador uma teimosa lágrima que sem querer rolou por seu rosto, orgulhosa em ver aquele à quem tanto admirava sendo tratado como o cidadão respeitável que sempre fora.

 

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Kukkaku também derramava algumas lágrimas emocionadas ao ver seu marido discursando perante toda aquela gente. Apesar de estar escondida, quase que espremida no cantinho da porta que dava acesso à área dos funcionários, dali a morena tinha uma privilegiada visão do palco como um todo, e foi difícil evitar que um mix de sentimentos tomasse conta de seu ser… que algo como arrependimento, remorso, raiva, angústia e frustração circundassem por sua alma, trazendo um peso quase que físico para si… o peso da tristeza de não participar deste momento único, de saber que outra mulher gozava da confiança de seu homem ao invés de si.

Ainda perdida em seu ensimesmamento, continua se esforçando inutilmente na vã tentativa de cessar seu choro, quando escuta alguém atrás de si a lhe questionar sucinto.

- Por que não abandona essa ideia de jerico, espera o discurso terminar, e vai dizer à ele o quanto o ama? 

Ao virar-se, dá de cara com Ichigo, que cavalheiro, lhe estende um lencinho branco de algodão.

- Oras… - pega abruptamente o lenço que lhe fora oferecido, e pisando duro, sai resmungando possessa - Quem disse à você que eu amo esse palerma rançoso? - se afasta ainda mais, chegando ao fim do extenso corredor que dava para a cozinha do evento - Para de se meter na minha vida, seu Zé Ruela! Não te dou esse direito! - some das vistas do ruivo, que suspira derrotado, lamentando por sua prima ser tão cabeça dura ao negar o óbvio: estava perdidamente apaixonada por quem tanto se esforçava para odiar.

 

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Era manhã em Monza, e Lisa fazia suas malas juntamente com as de Aizen, que pelo smartphone, checava os últimos pormenores referentes às passagens que os levariam à Nápoles. 

A Vizard, que de boba não tinha nada, notou uma ínfima pontinha de ansiedade em seu homem, e isso a deixou com uma pulga atrás da orelha, pois o castanho não era alguém que deixava transparecer suas emoções, além de não ser afeito a arroubos derivados destas. 

Parou o que fazia e caminhou alguns poucos metros até ficar bem próximo à ele, que continuava seu check in virtual tranquilamente, numa atitude aparentemente normal e corriqueira como havia sido por toda viagem. Porém, algo dentro de Yadomaru começou a incomodá-la, e conhecendo-se bem, sabia que Aizen estava aprontando… e teria que ficar atenta, alerta, pois apesar de apaixonada, não permitiria que ele agisse contra a Soul Society de jeito algum.

Com um singelo sorriso em sua face, a Capitã sentou-se de frente à Sousuke, e sem cerimônias, retirou das mãos masculinas o moderno celular ao qual manuseava, e sedutora, beijou-lhe os lábios ardorosamente, rodeando-lhe o pescoço com seus finos e delicados braços em seguida, acomodando-se no colo dele, sentindo as mãos outrora ocupadas apertarem sua cintura, fazendo sua carne tremer, seus pelos se eriçarem ao sentir que a libido começava a se apoderar de seu frágil, porém fogoso corpo.

- Lisa… - o ex-Shinigami geme excitado - Não falta muito tempo para o nosso voo sair, e se fizermos amor, vamos nos atrasar, e…

- Que tanto quer fazer em Nápoles? - é direta em seu questionamento.

- Turismo. - responde sem titubear, pois do jeito que a Vizard era intuitiva, qualquer cuidado era pouco - Porquê?

- Nada não… - diz evasiva - É que eu…- leva a pontinha do indicador aos lábios, fazendo uma carinha inocente - Me senti carente, e… 

- Não há necessidade para que sinta-se assim. - viril, o castanho levanta-se com ela em seus braços, acomodando-a em cima de uma das cômodas do local, onde com ligeireza levantou a saia rodada que ela usava, arrancou-lhe a calcinha rendada, e penetrou-a sem aviso prévio, fazendo com que a morena gritasse extasiada e cravasse suas unhas nas costas largas de seu macho, quase rasgando o tecido que lhe protegia a pele - Eu te amo, Lisa. Nunca duvide dessa verdade. - declara sincero, pois por mais que tivesse planos para a reconquista da Soul Society, nada disso teria graça se a Vizard não estivesse ao seu lado. Mas, convencê-la disso não estava em seus planos agora, deixaria isso pra depois… quando Lisa de fato estivesse convencida de que seu reinado seria o melhor para todo o universo.

 

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Depois de findada sua apresentação, por mais uma vez Ryuuken foi aplaudido de pé pelos convidados que prestigiavam o Congresso, e modesto, fez uma contida reverência em agradecimento à calorosa recepção que recebia, se dirigindo novamente à coxia do evento, onde recebeu um entusiasmado abraço de Sanderwicci, que não escondia o orgulho de ter tão distinto homem como seu chefe, além de objeto de seus mais profundos desejos. 

Ishida, por mais que não quisesse passar uma falsa impressão amorosa, não pôde deixar de retribuir aquele gesto afetuoso e genuíno da jovem, e apertou-a contra si, afagando seus braços e costas respeitosamente, porém, com ternura e apreço, pois Cirucci merecia sim, os melhores sentimentos provindos de si.

Aos poucos se afastam, e sorrindo tenuemente, o platinado homem oferece seu braço à ela, falando com naturalidade.

- Vamos ao coquetel. É chegada a hora dos cumprimentos, e preciso do seu apoio para aguentar essa estafante maratona. - pisca divertido, e ela retribui lhe sorrindo encantadoramente.

- Não precisava pedir, Ryuuken. Sabe bem que faço qualquer coisa por ti, não sabe?

- Sim… eu sei. - um leve pesar se instala no tom de voz masculino, pois a única coisa nesse mundo que não cogitava fazer era magoar Cirucci, porque ela, apesar de sua confusão sentimental, lhe nutria um verdadeiro afeto, sentimento este que não queria perder por não poder retribuí-la como homem.

 

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Distribuindo cumprimentos à um grupo de pesquisadores americanos, o Quincy apresenta sua assistente ao senhores, que ficam fascinados com o carisma e desenvoltura da jovem, que sorria divinamente, se esmerando em ser delicada e atenciosa no trato com os cavalheiros em questão, fato que só fazia os brios do platinado elevarem-se, pois isso com toda certeza abriria generosas portas de apoio financeiro à suas tão importantes pesquisas.

Um dos homens, um senhor de meia idade, ao beijar galantemente a mão da Arrancar, indagou curioso.

- Foi você quem se tornou recentemente a esposa do Doutor Ishida, minha lindinha?

Sem jeito, ela iria responder a questão, quando ouviu a voz de seu adorado interromper seus intuitos.

- Não, Doutor Pennington. Cirucci é minha secretária particular, e minha amiga. Minha esposa se chama Kukkaku, e não pôde vir à cerimônia por encontrar-se um tanto febril. - diz a primeira mentira deslavada que veio à mente, enquanto ouvia um estranho espirro de alguém que passava por trás de si.

- Mentchiiiiiira!!! 

O som foi bem baixinho, mas não suficiente para que o astuto Quincy não escutasse, e depois, esticando discretamente seu pescoço, procurava o infeliz que disse aquilo em meio aos presentes, não vendo ninguém além de dois garçons passando ali perto, sendo um bastante alto, e o outro, um pouco mais baixo do que si.

“Céus… será possível que aquela doida…?” meditou quase que incrédulo, quando voltou de seu pequeno transe ao ser mais uma vez interpelado pelo senhor Yanke.

- Que lástima sua esposa não poder ter comparecido à esse Congresso, que certamente será um marco em sua carreira. - brincalhão, ele aperta com suavidade uma das bochechas de Cirucci, que não evita sorrir como uma menina ante o inusitado gesto do mais velho - É um homem de sorte, meu caro Ishida… sua assistente é uma jóia rara, nunca se esqueça disso. - cortês, se distancia do casal, deixando Cirucci ruborizada por causa dos dizeres dele, e Ryuuken sumamente cismado com a misteriosa pessoa que debochou de si em pleno coquetel.

“Isso só pode ser ilusão da minha cabeça perturbada…” mesmo tentando negar tais confabulações, o médico retira do bolso interno de seu fraque seu moderníssimo smartphone, e sem demora, disca para Yamato.

- Aconteceu alguma coisa? - Sanderwicci pergunta intrigada.

- Não é nada importante. Apenas preciso passar uma instrução ao Kazakiri. - sério, dá alguns passos rumo à uma das varandas do local, enquanto Cirucci dá de ombros, e continua a sua desenvolta conversa com os doutores estrangeiros.

 

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Estocando veementemente a esverdeada abaixo de si, Yamato estava tão concentrado nessa deliciosa tarefa, que não ouviu nem por míseros segundos seu celular tocando insistentemente, numa das várias chamadas feitas por seu estimado patrão Ryuuken Ishida. 

Mashiro, que grunhia e gritava sem pudores ao ser profundamente invadida pelo mastro em riste, também não escutou nada além dos urros de seu macho, sentindo a respiração ofegante dele tocar sua sensível pele suada, fazendo um arrepio intenso tomar todo seu delgado corpo. 

E em meio a essa dança primitiva e lasciva, o aparelho de Kazakiri, depois de infindáveis chamadas sem retorno, parou de tocar em definitivo, fato que não fez diferença para o jovem casal, que continuava a fazer o que seus instintos lhe exigiam, que era a satisfação completa e absoluta de seus insaciáveis corpos.

 

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Ao ocultar novamente o smartphone no interior de seu fraque, Ishida inspira enfadado por não conseguir contato com seu mordomo, e sem ter mais o que fazer nessa situação, a não ser esperar para tentar uma nova chamada posteriormente, o platinado retira-se da ampla varanda rumo ao saguão, onde Cirucci ainda fazia às vezes de Mestre de Cerimônia aos seus colegas pesquisadores, que inquiriam a ela detalhes e minúcias dos trabalhos por ele apresentados, as quais ela respondia sempre com muita sutileza e riqueza técnica, como se ela própria houvesse, de alguma forma, contribuído para a confecção destas.

“Cirucci é muito aplicada e esforçada. Está apta a debater qualquer assunto relacionado às pesquisas com bastante propriedade, e isso é uma qualidade realmente incrível.” reflete mais uma vez sentindo-se orgulhoso por tê-la como “braço direito” em eventos que, em sua maioria são terrivelmente massantes e entediantes. Em meio à esse pensamento, não percebeu quando tirou do bolso de sua calça um maço de cigarros, e automaticamente já tirava uma unidade de sua embalagem, quando sentiu seu braço quase ser deslocado do corpo, e constatar logo após isso que o objeto, outrora em mãos, agora jazia no piso frio.

- Merda… - murmurou aborrecido, olhando de relance para trás, quando teve a nítida impressão de que a mesma pessoa que lhe perturbou minutos antes voltou a fazer o mesmo.

Já seguiria o encalço do vulto que passara por si, quando sentiu algo ser depositado em sua mão, e ao mirar em frente, viu que um dos garçons lhe devolvera o maço que havia caído.

- Desculpe, senhor. É proibido fumar nas dependências do saguão. - disse um rapaz, cujo rosto Ryuuken não conseguiu enxergar, pois este virou-se tão rapidamente quanto apareceu diante de si, e seguiu com uma bandeja cheia de aperitivos para oferecer à um grupo de médicos vindos da Índia, e que estavam reunidos numa enorme mesa perto do bar.

“Esse cara… ele não foi o mesmo que me deu aquele encontrão…” pensou desconfiado, ainda mais por notar que os fios do cabelo dele por baixo da bandana eram de um tom muito peculiar… alaranjado acobreado, assim como os de…

- Ichigo… - balança a cabeça em negativa, rindo sozinho em seguida - Não… certamente estou vendo coisas. - pondo as mãos nos bolsos da calça, caminha para junto de Cirucci, pois a deixou muito tempo sozinha com seus pares, sendo que a incumbência de explicar qualquer coisa relacionada à seu trabalho era exclusivamente dele.

 

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Com um enorme cardápio em mãos, Grimmjow mirava confuso os nomes das refeições dispostas neste, sem saber ao certo o que escolher para degustar às custas de seu cunhado, que também observava o menu, porém com a feição apática e desinteressada, bem mais taciturna do que o de costume. Renji, que deixou a escolha dos pratos à cargo de Orihime, nota que seu superior está deveras melancólico para o seu gosto, e disfarçadamente, indaga à Rukia sobre suas impressões.

- Tu sabe o que está acontecendo com o Capitão? Tem mais ou menos uns dois dias que ele está assim, um tanto… 

- Triste? - a baixinha completa com outra indagação, inspirando bastante ar em seguida - Eu não faço ideia do que tenha ocorrido, já que meu irmão jamais se abriu comigo quanto à qualquer assunto, porém… confesso que estou muito preocupada. - se aproxima mais de seu melhor amigo, e sussurra rente ao ouvido dele - Não conte à ninguém, mas… antes de virmos para cá, o peguei chorando no jardim da mansão.

- Chorando??? - sua voz se altera demasiadamente, chamando a atenção dos demais presentes, exceto a de Kuchiki, que continuava ensimesmado a folhear o menu.

Rukia manda uma cotovelada bem dada nas costelas do ruivo, e Inoue, repousando o cardápio na mesa, inquire seu namorado.

- Quem está chorando, amor?

- N-ninguém não… - gagueja nervoso, tentando consertar a merda que fez - Rukia só estava me contando sobre a Kyone e o Santaro, que estavam choramingando por causa de uma recusa do Capitão Ukitake em levá-los ao Mundo dos Vivos. - expira meio aliviado, esperando que todos acreditassem em sua mal formulada mentira.

- Esse pessoalzinho da sua Divisão são um bando de bundas-mole! - o azulado fala entredentes, apontando no menu o que desejava comer - Rukinha, vou querer essa tal Lagosta à Thermidor, esse Bife Wellington, Arroz Piamontese, também tem esse Paillard de Frangos aqui, e…

- Grimmjow! - a doce ruiva ralha contida - Não abuse da generosidade do Capitão Byakuya!

- Hime tá certa, benzinho… meu irmão nos convidou, mas isso não significa que temos o direito de arrancar até o último centavo de carteira dele, e…

- Não se preocupe comigo, Rukia. - o aludido, que até então estava quieto, se manifestou com o tom de voz ameno - Deixe seu namorado esfomeado e sem educação pedir o que quiser. O convite foi meu, e as despesas também estão sob meu encargo, portanto, fiquem à vontade. - olha pra seu subordinado e para Inoue, e diz à eles - Vocês dois sintam-se livres para fazerem seus pedidos sem restrições. - os dois maneiam a cabeça positivamente, enquanto o Espada grunhe baixo, pois não gostou nada de ter seus modos questionados - Eu… - arrasta a cadeira e levanta-se elegantemente - Vou tomar um ar. Não demoro. 

Segue rumo ao terraço do estabelecimento que ficava à alguns metros dali, e no caminho, percebeu que havia um piano de cauda, e estancando seus passos, ficou mirando fixamente para o instrumento branquinho, alvo como a neve de início de inverno, e rememorou sua aula de piano àquela tarde, onde Otoribashi elogiou efusivamente seu progresso, e de como estava dominando satisfatoriamente bem as melodias dos exercícios. Sem que pudesse evitar, seus pés o guiaram até o belo exemplar Bosendorfer, e acomodando-se como um verdadeiro profissional, começou a dedilhar suas primeiras notas, atraindo os olhares de todos, inclusive de seus convidados à mesa, que ficaram estupefatos com a agilidade e fluência do nobre ao tocar tão difícil instrumento, fato também que fez o azulado Arrancar quase morrer entalado com os pãezinhos da cesta de aperitivos.

Alheio à tudo isso, Byakuya fechou seus olhos, concentrando-se em seu afazer, e prosseguiu transmitindo à teclas do piano suas mais profundas tristezas, transformando tão pesado fardo numa melodia alegre e cheia de gingado, que fora a última ensinada por seu mestre Vizard. Absorto pela situação em si, permaneceria assim por tempo indeterminado, se não fosse o som de uma melodiosa voz a penetrar seus tímpanos, acompanhando a canção de forma magistral, como se esta tivesse sido feita exclusivamente para ser entoada por tão prodigiosa voz. 

I see the wonder in your eyes

Let the rhythm hypnotize

Let it take your mind away

Groove, let's get closer than before

Let's imagine something more

Then we'll make it real today

And don't say goodbye tonight

Save that kiss for the mornin' light

Till the sun comes up, we'll be lost in us

Don't say goodbye

The night was made for love, love

 

Ao abrir seus orbes, para saber quem era a dona da belíssima voz que fazia dueto consigo, qual foi sua surpresa ao constatar que ali, sentada em cima do piano, tal qual uma sereia descansando por sobre os rochedos, estava Yoruichi, que vestia um sexy tubinho preto, e lhe sorria singela, deixando uma única e teimosa lágrima rolar por sua bronzeada tez.

Puto da vida, como nunca antes, o nobre encerra a apresentação rispidamente, retirando-se dali como uma bala, deixando todos à volta abismados, inclusive a Gata, que ficou momentaneamente sem reação, porém logo se pôs atrás dele, indo parar no terraço do restaurante, onde localizou seu ex-pupilo recostado em uma das paredes do local, com seu desolado olhar à esmo.

- Byakuya, não faça assim, por favor… - tenta acarinhar o rosto viril, mas o rapaz, usando sua mão, a impede de se aproximar.

- Não tenho vontade alguma de dialogar contigo. Sou eu quem peço para que me deixe em paz. - responde seco.

- Você não entende… - chora sem sentir - Eu preciso me desculpar, tentar consertar as besteiras que fiz, te dizer o que trago em meu peito por ti! 

- Nada do que diga me interessa. Não mais… - altivo, passa por ela sem lhe dedicar ao menos um olhar de esmola, e continua a falar enquanto volta ao salão - Não ouse perturbar à mim ou aos meus amigos em nosso jantar. Este é um encontro familiar, ao qual não foi convidada, portanto, não aceito sua presença entre nós. Espero ter sido suficientemente claro. - a silhueta masculina some ao transpassar a grande porta francesa que dividia os ambientes, e Shihoin, desolada e humilhada, passa a se debulhar num pranto sofrido, pois se arrependimento matasse, estaria morta faz tempo.

 

Continua…

 


Notas Finais


É, pessoal… Shiba chegou chegando disfarçada e disposta a aprontar das suas ponto de quebra ainda vai arrastar os garotos em seus "planos infalíveis"

Cirucci toda encantada com a elegância de seu belo patrão, que apenas desejava que sua arredia esposa fosse aquela a lhe cobrir de mimos. É, Ryuu… tá fácil não…

Enquanto isso, Shiba chora escondida bisbilhotando, quando poderia estar aplaudindo de frente e brilhando ao lado do marido. Quem manda ser teimosa…

Lisinha desconfiada? Sei não… mas aí tem coisa!

E ela não é a única, pois Ryuuken também está desconfiado que uma certa maluca estaria mais perto dele do que imagina, e ainda o chamou de mentiroso na cara dura, enquanto liga para Yamato, que de tão ocupado, nem percebe…

Enquanto isso, Byakuya se prepara para ter um baita prejuízo econômico no restaurante, até que acaba tendo uma “agradável” surpresa chamada Shihoin, a qual não almejava nem um pouco. Pelo menos ela se mancou rápido e agora tenta corrigir seus erros, coisa que a Shiba persiste.

A música usada no capítulo foi Don't Say Goodbay, do Sérgio Mendes feat. John Legend.

E foi tudo por hoje, queridos! Esperamos de coração que tenham curtido o capítulo, e não deixem de nos dizer o que acharam, pois a opinião de todos vocês é muito importante para nós! Agradecemos muito a todos que demonstram carinho por nossas humildes linhas. Milhões de beijos e até terça!


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