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História Palacius - Capítulo 4


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Notas do Autor


Desejo que apreciem a leitura. Garanto que não é uma perda de tempo. Rsrsrsrs.

Capítulo 4 - O Término do Cortejo


Zagapo era extremamente sábio, inteligente e devoto aos deuses do Santuário do Poder Definitivo. Foi condecorado pelo rei Exopéro Ayos com a medalha da Ordem dos Intelectuais do Reino. Atualmente, ele já havia passado dos 65 anos. Era pardo, alto, corcunda e magro. Possuía cabelos cacheados cumpridos que, originalmente, eram pretos, agora, 87% já era branco. As rugas de sua testa e dos cantos dos olhos eram salientes e as bolsas que ficavam sob seus olhos eram excessivamente inchadas. Possuía um grande nariz redondo e lábios médios avermelhados. Suas asas eram pretas, velhas e já lhe faltavam várias penas. Há quatro anos, foi eleito como um dos três senadores da Capital e, pouco tempo depois, eleito pelo Senado como Vice-Rei.

Ainda em direção do Palácio de Cristal, Zagapo era aplaudido e louvado, porém, quando passou pelo bairro de Pluggie, foi vaiado por uma massa de indigentes. Um deles, com audácia, atirou um tomate contra o regente. Este foi surrado pelos cacetes dos soldados reais que acompanhavam Zagapo.

Enquanto isso, Atirs, retirando-se de Uorap, partiu ao encontro dos outros senadores.

Ao chegar no Palácio, Zagapo se dirigiu até a sacada mais alta de uma das torres e acenou a todos que o assistiam, num gesto de despedida.

Após o cortejo, o regente locomoveu-se ao encontro de todos os nobres e senadores que o esperavam na sala do trono. Quando assentou no trono, disse com frieza:

 

— Nessa noite, gostaria de reafirmar o que havia dito ainda esta tarde. Irei desempenhar minhas funções com grande maestria, sempre ouvindo as opiniões dos conselheiros e pedindo auxílio dos deuses em minhas decisões. E, para dar continuidade aos trabalhos da Casa Real, marco para o dia de amanhã, às 22h, o julgamento dos réus do caso β.

 

Depois de dizer tais palavras, ele, acompanhado de Gispa, foi levado aos aposentos reais com o forte e estonteante som de aplausos.

 

— Parabéns Majestade! — Disse Gispa.

— Pelo quê? — Perguntou Zagapo com muita seriedade.

— Ora, agora o senhor é o rei. Os deuses estão em festa com a atitude que o Senado tomou e a própria Selestia o corou nessa noite com as maiores bençãos do Universo!

— Não fui abençoado. O Senado me trouxe uma maldição e a aprovação desse PELM me condenou à morte.

— O que está dizendo, Majestade? — Indagou Gispa com temor. — O senhor está sob a proteção dos deuses! Nada nem ninguém poderá atentar contra o senhor, quem dirá contra sua vida. Se o fizerem estarão rebelando-se contra Selestia!

— Eu rezo todos dias e todas as noites pedindo a proteção dos deuses, mas desde que fui eleito senador, sinto que existe uma adaga em minha jugular e uma lança entre minhas costelas.

— Senhor...

— Boa noite Gispa. — Falou Zagapo encerrando a conversa.

 

Aquela noite se mostrava como a pior que Zagapo havia obtido. Hora após hora ele despertava sem saber se era por causa de estar em um ambiente que sabia que não o pertencia, ou se era pelo fato de assumir uma posição de, suposto, risco.

Levantando-se do leito, ele caminhou até a sacada afim de admirar a madrugada. Perdia seus pensamentos contemplando o vasto céu estrelado e os brilhos das duas lindas luas cheias.

 

— Selestia, mãe dos deuses, rainha de misericórdia, guardiã do Poder Infinito, arquiteta do universo e protetora dos reis, estou desmoronado. Não sei o que pensar. Assumir esse fardo porque era minha responsabilidade, não porque desejava. Estou cansado de manter as aparências. Eu quero ser livre! Nem comecei a desempenhar as funções de um rei e já me sinto pressionado. Com sua permissão, depois do julgamento, irei renunciar a regência e meus cargos como senador e Vice-Rei. Pra mim, chega. Vou comprar uma fazenda no Leste e viver nas campinas. Selestia, o que eu faço? — Suplicava Zagapo.

 

Enquanto rezava, chorava tanto que soluçava como uma criança. Uma tristeza descomunal o envolvia. Logo, estarrecido, se pegou olhando para a grande altura que havia da sacada onde se encontrava e o término do precipício que estava diante dele.

 

— Selestia, tires de mim os pensamentos que seu filho Kurides está tentando implantar em minha mente.

 

Depois de cogitar pular da sacada sabendo que suas asas não seriam capazes de suportar seu peso, Zagapo voltou para cama e tentou dormir.

Ao amanhecer, as olheiras de Zagapo estavam tão escurecidas que era como se ele estivesse acordado há dias. Ele ainda tinha que manter a aparência de um alado forte, então, se lavou e se aprontou para assembleia celeste no Santuário de Polus, o maior santuário de Sffatly.

Quando deixava os aposentos, viu uma bandeja recheada de alimentos sobre o criado mudo ao lado do leito. Ele havia se levantado tão rápido que nem se deu conta daquilo. Na bandeja havia um bilhete: “Sei que está preocupado, mas vai dar tudo certo. Atenciosamente, Gispa.”. No momento em que ia se deliciar com um pedaço de abacaxi, parou, pensou e abandou a bandeja e o quarto.

Caminhou para cozinha e quando lá chegou, solicitou o que queria comer.

 

— Majestade! — Exclamou uma das cozinheiras assustada. — O que faz aqui? Aqui não é lugar para V.M. ficar. Venha, o acompanharei até a mesa.

— Não te aflija, estou bem onde estou. Só quero que me sirva algo pra comer. — Disse Zagapo.

— Não, não majestade. A cozinha não é lugar de um Rei.

— Não sou Rei. Apenas regente.

— Não o diminua majestade! Tu és sim o Rei de Sffatly.

— Me ouça. — Falou Zagapo pegando a mão da cozinheira entre as suas. — Não sou mais importante que nenhuma das senhoras. Na verdade, as senhoras são tão importantes quanto eu. Vou comer qualquer coisa aqui!

 

As cozinheiras, perplexas, arrumaram um dos balcões e serviram o regente. Ao terminar, Zagapo agradeceu e despediu-se indo em direção a sala do trono. Quando chegou, estavam a sua espera o general-comandante, Ziapap, o Chefe do Senado, a Secretária Maior do Senado e sua assessora Gispa.

 

— Bom dia Majestade! Espero que a surpresa o tenha agradado. — Declarou Gispa.

— Bom dia a todos. Tenha certeza disso. — Respondeu Zagapo.

— Sendo assim, com alegria anúncio a programação de hoje. Primeiro, vamos ao Santuário de Polus, onde acontecerá uma assembleia celeste de celebração diante da grande deusa Selestia. Depois, vamos almoçar com as crianças no Orfanato da Graça de Kairos. Após disso, iremos a mais uma assembleia celeste, mas dessa vez será no Santuário de Zyraiah, onde pediremos a deusa dos ventos que o fortaleça no seu tempo de regência. Em seguida, retornamos ao Palácio de Cristal para um banquete com os grandes nobres de Sffatly. Por fim, V.M. irá iniciar o julgamento contra os réus do caso β. Em toda a programação V.M. será acompanhado por mim, pelo general Ziapap e mais quatro soldados. — Explicou Gispa.

— Majestade, podemos acompanhá-lo nas programações de hoje? — Questionou Layder.

— Não quero parecer rude, mas dispenso a companhia dos senhores. Com licença. — Respondeu Zagapo. — Podemos ir Gispa?

 

Ao fazer tal declaração, Xecriel e Layder ficaram estupefatos e decepcionados com a atitude tomada pelo regente.

Juntamente com Gispa, Ziapap e os outros soldados, Zagapo, com extrema carisma e um largo sorriso meio banguela, seguiu toda a programação que Gispa havia feito. Finalmente, quando Zagapo terminava sua leitura sobre os saberes jurídicos sffatlyenses em seu gabinete e o relógio marcava exatamente 21h30, ele começou a sentir seu estomago queimar.

 

— Gispa. Gispa! — Chamava Zagapo aos gritos.

— O que houve Majestade? — Perguntou Gispa preocupada.

— Chame os curandeiros imediatamente.

— Sim Majestade.

 

Enquanto se contorcia de dor tentava lembrar o que poderia ser esse mal que tomava seu corpo. A dor ia se intensificando cada vez mais tomando seu esôfago e garganta. Ele havia se precavido todo o dia, porém esqueceu de um dos eventos que mais o ameaçavam, o banquete com os nobres. Nesse momento começava a chorar e a vomitar sangue. Agora, seus pensamentos resumiam-se em duas orações — Selestia, receba-me na travessia de Olex e conduza-me ao Santuário do Poder Definitivo.

Quando Gispa chegou com os curandeiros, Zagapo estava estirado no chão, morto.


Notas Finais


Lamento por nossa perda. Espero que tenham gostado... quer dizer, não sei o que dizer.


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