História Palavras gregas para o amor - Capítulo 15


Escrita por:

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Chenle, Doyoung, Jaehyun, Jaemin, Jeno, Jisung, Johnny, Kun, Lucas, Mark, Personagens Originais, RenJun, Taeil, Taeyong, Ten, Winwin, Yuta
Tags Jaemin, Jaeyong, Jeno, Johnny, Johnten, Luren, Nomin, Ten, Yuwin
Visualizações 177
Palavras 4.279
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Esse capitulo é algo especial pra mim por dois motivos.
O primeiro é que um arco se fecha. O segundo é justamente sobre o que se trata o titulo, sobre sentimento. Ele tem um pouco a ver comigo, em partes, e eu dedico ele a todos que tem ou já tiveram uma família em dança. A dança pra mim é tudo, e as pessoas com quem danço são meus maiores e melhores confidentes, seja para conversar com palavras ou com o corpo ♥♥

Capítulo 15 - Amor sentimental


Fanfic / Fanfiction Palavras gregas para o amor - Capítulo 15 - Amor sentimental

 

 

Não se produzia sequer um ruído dentro daquela sala a alguns minutos. Jaehyun tentava não se sentir nervoso e trocava olhares intensos com Taeyong que acabara de entregar uma xícara de chá para Ten que soluçava incansavelmente.

Taeyong tinha uma ideia do que poderia acontecer com ele assim que soubesse de seu novo relacionamento com o barista. Achou que ficaria bravo, talvez sem conversar por algum tempo de cara emburrada num canto da casa, depois iria vir de fininho querendo saber mais. Jamais pensou que Ten iria cair no choro, um choro desesperado e dolorido, ali na frente de todos. Embora Ten não fosse dado a esconder sentimentos, e era na verdade muito bom em expressá-los, Taeyong não pode se sentir menos culpado ao notar, que quem sabe, não estivesse olhando para Ten direito nos últimos dias.

Afinal, tinha certeza que ele não chorava apenas por aquilo, deveria estar cheio de coisas pra contar, mas tinha guardado tudo, e Ten sendo alguém muito bom em demonstrar sentimentos, não conseguiu segurar por muito tempo.

— Ten? — chamou na esperança de poder começar a falar algo — posso me sentar? 

O rapaz conseguiu fazer um sinal positivo e deu um gole no chá quente tentando buscar alguma coisa para se acalmar. Ver o olhar de Taeyong aflito sobre si não o deixava melhor e o fato de Jaehyun parecer meio desesperado o fazia se sentir ainda pior.

— Me desculpem.

— Não — o ruivo se apressou — Sou eu quem pede desculpas. Mas a verdade, é que estou preocupado com você.

Talvez Ten fosse bobo por se sentir da maneira que sentia, ou meio infantil por pensar que o amigo deveria prever que iria ficar além de magoado caso escondesse algo assim. A realidade, é que Ten só conseguia sentir um bolo na garganta que queria por pra fora.

Afinal, tinha sentido o afastamento de Taeyong, e o pior de tudo é que ele parecia bem sem ele por perto. E agora que sabia o real motivo, onde pode realizar o que estava acontecendo de verdade na vida do amigo, podia compreender o porquê do segredo.

Negou com a cabeça e fungou, limpando um pouco o rosto.

— Eu que devo me desculpar. Consigo entender porque você não me disse nada. 

— Não foi por maldade… — falou baixinho — É que, realmente fiquei preocupado — insistiu.

Ten balançou a cabeça e se encostou em Taeyong daquele jeito que fazia quando queria se sentir confortável, assim como quando voltavam dos ensaios e tomavam café ali naquele mesmo sofá, ouvindo o mesmo disco. 

Taeyong suspirou de alívio. Passou a afagar os cabelos pretos de Ten e lançou um olhar para Jaehyun avisando que estava tudo bem.

O barista, ainda em pé, encostado no batente da porta, assistia a cena decidindo se dizia que iria embora. Sentia-se invadindo um momento muito particular dos dois. 

Ten fungou novamente e olhou Jaehyun também. 

— Eu sempre soube que vocês iam acabar juntos — Jaehyun franziu a testa — Taeyong é muito óbvio.

O ruivo abriu a boca incrédulo tentando dizer algo não conseguindo pronunciar uma palavra sequer, desviando o olhar de Jaehyun e encarando um canto da sala, enquanto tentava se segurar no fato de Ten ainda estar encostado em seu ombro.

Mas ele se sacudiu todinho para se desvencilhar dos toques do amigo e se levantou. 

— Tenho que ir ao estúdio — falou sem animo — Victoria pediu para que eu fosse até lá e vocês claramente em planos. 

De fato Ten estava vestido para ir a um treino, e Taeyong ao menos tinha notado. Pensou em impedi-lo, mas ele rapidamente sumiu no corredor e voltou com a bolsa grande onde continha tudo o que precisaria para as próximas horas no estúdio. 

— Obrigado pelo chá — fungou mais um pouquinho e foi embora. 

Taeyong e Jaehyun se olharam um pouco confusos. O rosto inchado e os olhos úmidos de Ten poderiam denunciar a qualquer um que ele estava chorando e parecia ainda um pouco magoado. Talvez pedisse por mais explicações depois, mas por hora, Taeyong entendia que o que ele precisava, era dançar. 

— Que história era aquela que ele começou? — Jaehyun falou para tentar cortar o clima.

Taeyong inflou as bochechas e não olhou mais.

 

~♥~ 

 

Chegou no estúdio de dança com uma hora de antecedência. Mesmo depois de ter feito seu “show”, a Taeyong e Jaehyun, sentiu que não poderia conseguir ficar lá. A vontade de chorar ainda era presente, e não queria parecer mais bobo do que parecia.

Taeyong entenderia assim que pudesse se expressar melhor, mas por hora, teria que ficar numa companhia silenciosa, ele, uma barra e um par de sapatilhas.

Tinha concordado de estar naquela noite junto de Victoria do estúdio, mas preferiu chegar antes para ter a sala de dança só para ele mesmo. Poder talvez expressar aquela melancolia que guardava de outras formas que não fossem lágrimas. Fazer algo que sabia com propriedade para não se sentir ainda mais patético.

Victoria chegou no horário combinado e não falou nada sobre o fato de Ten já estar soado e ofegante. Quando viu que não estava mais sozinho, parou de dançar e se sentou ao pé do espelho, esperando que ela colocasse as sapatilhas de ponta. 

Observou ela amarrar os laços bem apertados nos calcanhares para ficar duas vezes nas pontas dos pés. Viu quando ela veio caminhando em sua direção e colocou um dos pés na barra ao seu lado para começar a se alongar. 

— O que foi que aconteceu? — Victoria sempre sabia de tudo. Ela era bem mais velha e parecia que conseguia ver no fundo de sua alma toda vez que lhe direcionava o olhar. 

Ten gostava dela. Por ser uma bailarina quase se aposentando, tinha muito o que aprender com a mulher, logo, apreciava a companhia e era impossível não contar para ela quais eram as coisas que no momento sentia a cada dia de ensaio. Dançar era sobre sentir, e sendo um casal no palco dividiam emoções sempre que se viam, então, Victoria sabia de tudo. Sabia de Taeyong e seu segredo, sabia de Lucas e sua moto, sabia de John Seo e suas obras de arte, sabia do dia em que ficaram uma hora dentro do carro tentando decidindo o que fariam. A mulher chinesa era a bailarina mais velha em atividade da companhia, e provavelmente, era a figura de mãe que Ten não tinha por perto.

Contou a ela sobre Jaehyun, sobre o momento que tiveram mais cedo e que ele era o segredo de Taeyong. Contou como se sentia mal por não ter sabido disso antes, porque havia sido escolha de Taeyong não contar para poder protegê-lo de se sentir ainda mais frustrado com a peça, tudo porque ele não era capaz de amar ninguém. Falou tudo isso num sopro só.

— E como ele é? — a viu fazer um arabesque — Jaehyun, é uma boa pessoa? — Ten maneou a cabeça positivamente.

— É sim. Nunca escondeu que gostava de Taeyong e isso me deixa feliz. Taeyong tem uma péssima família, sabe? Sei que ele fingia não ligar para Jaehyun porquê é difícil pra ele aceitar que alguém o ama como ele é.

— Ele saiu de casa cedo, não é?

— Sim, você lembra? — Victoria acenou positivamente — Foi logo que entrei pro corpo de ballet. Estava procurando um lugar para morar e ele por coincidência, também.

Victoria sorriu meio triste e se endireitou reta, fazendo os exercícios para alongar os pés.

— Ele não tinha comentado nada na época. Mas pediu para ficar por uma semana no dormitório da companhia — Ten soltou um riso.

— Foi lá que o conheci — sorriu se recordando — Só vim saber que Taeyong tinha sido expulso de casa depois de três meses morando com ele.

Victoria continuava com os alongamentos, pensando a respeito do que Ten gostaria de dizer com todo aquele papo. Era quase nítido que ele compreendia o lado de Taeyong de maneira figurativa, conseguia imaginar, mas não conseguia sentir. Ten não tinha sofrido com a família por causa da sexualidade, mas Taeyong sim. E embora soubesse disso, parecia que o ruivo fazia de tudo para não demonstrar o quanto aquilo ainda o devastava e apresentava a Ten uma figura de irmão mais velho forte e inabalável no qual poderia se apoiar se quisesse.

Taeyong tinha medo de ser rejeitado mais uma vez.

— Talvez Taeyong não saiba que ele é muito mais apto que eu para esse papel — suspirou fundo — Ele não sabia, mas eu sempre soube que ele já estava apaixonado. 

Victoria sorriu um pouco e sentou-se ao lado dele no espelho.

— Posso dizer o que penso? — Ten fez que sim — Você é muito bom com sentimentos dos outros, Ten. É por isso que soube que Taeyong estava apaixonado antes dele saber, ou quando sabia que a irmã de John Seo e seu melhor amigo se amavam só de vê-los. É por isso que soube o que dizer para Lucas quando percebeu que ele havia se apaixonado e você não. É muito bom em saber o que os outros sentem. Talvez seja por isso que não consegue encontrar seu Eros. Está ocupado demais vendo outros se apaixonarem, para poder se apaixonar também.

 

~♥~


 

Quando Sicheng estacionou seu carro na rua onde seria a festa qual Yuta tinha lhe convidado, soube que não estava em sua área. Os jovens que por ali, bebiam, fumavam e conversavam, antes de entrar na casa, pousaram seus olhos nele de maneira nada discreta. Afinal, o que um homem com um carro como aquele poderia estar fazendo num barzinho underground — literalmente — como era o Greyhound?

Certo que naquela noite não vestia um terno caro e gel no cabelo. A única coisa habitual que usava eram os óculos porque precisava deles. 

Mas ainda parecia caro. Tentou ser o mais despojado possível, tentou prever o que Yuta vestiria para não se sentir muito deslocado no meio dos jovens, mas Yuta estava sempre usando moletons, e Sicheng não via um moletom desde que se formou na universidade. Apostou em uma jeans velha que estava guardada a anos, dos tempos que saia de casa.

O lugar lá embaixo, era exatamente como o chinês havia imaginado, apertado e cheio de gente. Muitas pessoas dançando e circulando com bebidas. Nas laterais haviam algumas mesas, onde podiam sentar e ficar olhando o movimento. 

Sicheng não pensou duas vezes e se direcionou para uma das mesas vazias.

No segundo seguinte que se sentou, sentiu uma respiração próxima a sua orelha que fez o corpo se arrepiar inteiro, a assim que a voz chegou em seu ouvido sentiu levemente os lábios roçarem em sua pele.

— Vai querer algo? — Yuta falou com tom divertido como se ali também precisasse anotar seu pedido — Não sei se você bebe alguma coisa além de café — brincou.

— Algo salgado — pediu se recompondo e olhando o outro — Algo que tenha sal.

Yuta concordou e sumiu entre as pessoas em direção ao bar. Deixando Sicheng para trás, pensando que jamais poderia ter previsto como Yuta iria se vestir para aquela ocasião.

Achava que jaquetas de couro ficavam bem em qualquer um, mas em Yuta uma dessas poderia o deixar extremamente atraente, assim como tudo nele. Até mesmo o cabelo sem pentear deixava Sicheng meio embasbacado com a atmosfera que Yuta o envolvia toda vez que aparecia em sua frente. Sicheng sabia, estava perdido, sem esperança nenhuma de achar um caminho de volta.

O chinês se assustou quando ele reapareceu e colocou um grande copo em sua frente. O japonês tinha uma cerveja em mãos e não se sentou esperando que Sicheng desse o primeiro gole na bebida.

Acenou positivamente, mostrando que Yuta tinha acertado na escolha mesmo sem saber o que era aquilo.

— Vamos lá fora? — estendeu a mão.

Sinceramente, Sicheng não queria ter que ficar em pé, mas aceitou ser levado até a área de fumantes por Yuta.

Lá fora, tudo era menos barulhento, e as pessoas podiam conversar normalmente. Quando Yuta iria dar um passo para frente em direção ao grupo que Taeil estava — este que queria muito ver quem era a pessoa que o amigo iria levar como acompanhante — foi segurado por Sicheng que o puxou para seu lado. 

Yuta não iria questionar caso não tivesse estranhado a atitude que veio a seguir. O chinês entrelaçou os dedos nos dele, como se fossem um casal, e apertou como se dissesse para seguir em frente. 

Foi então que notou Sicheng ser encarado por um rapaz daquele grupo de amigos e nenhum pouco confortável ficou ainda mais perto de Yuta.

— Quem é? — pediu curioso. 

— O meu castigo — suspirou.

Yuta se lembrou dele dizer sobre isso no dia anterior no café, sobre estar sendo castigado. Soube que o castigo dele era uma pessoa, não uma situação. 

— Eu virei algum troféu agora?

— Mais para um escudo.

Yuta queria ver o que aconteceria a seguir. Por isso entrou no jogo, e quando chegou a roda cumprimentou Taeil e Kun, seus amigos e  brevemente o restante. 

Conhecia os rostos ali, podia ver alguns caras do clube de motos e toda a banda. 

O único rosto que era totalmente desconhecido por si, era o “castigo” de Sicheng. Que tinha um sorrisinho cheio de veneno, e podia ver de longe que ele não era coreano. O cabelo loiro, os olhos azuis, tudo lhe indicava que aquele homem não era dali, muito menos de perto. 

— Cheng! — gritou — I can’t believe in it! 

Sicheng sorriu sem vontade alguma e deu um suspiro que só Yuta pode ouvir. 

— Olá, Harvey — disse sem animo. 

— Mas isso é mais que uma coincidência —  se levantou de onde estava sentado — And he is young… — passou olhando Yuta de cima a baixo. 

O japonês estava curioso para saber de onde eles se conheciam, aquele homem não parecia ser amigo de Sicheng, por mais que ele o tratasse como um. Mas quando pensou em perguntar. Outro cara do clube chegou, e Harvey, o estrangeiro, engatou no pescoço dele. 

Foi aí que as coincidências aumentaram, Sicheng passou a olhar o membro do clube ainda mais que o outro. E viu quando os dois lançaram breves cumprimentos com a cabeça. 

— Renjun — o loiro falou — Você está vendo o que eu estou vendo? — olhou Sicheng, provando que eles se conheciam — Cheng está aqui. A quanto tempo não vemos em uma festa. 

Renjun pareceu pensar e deu de ombros. 

— Desde de Londres? — arriscou um palpite um sorriso maldoso surgiu nos lábios do rapaz. 

— Desde de Londres — concordou mordendo os lábios — Mas ele está acompanhado hoje — fez biquinho. 

— É — cumprimentou Yuta — E você também. 

O rapaz loiro deu uma gargalhada alta assim que o motoqueiro enfiou o rosto em seu pescoço. Era nítido que nenhum dos dois estava sóbrio e Sicheng deu graças por aquele papo ter terminado, e que apenas ele e Yuta estavam escutando aquilo. 

Este decidiu que não deixaria Sicheng ficar por muito tempo com aquele rapaz, ele estava embriagado e era óbvio que ele não gostava do homem estrangeiro, por isso, chamou Kun e Taeil para um lado onde apresentou-os. 

O programador percebeu o que Yuta tinha feito apenas para o deixar mais confortável, e como foi rápido em puxar uma conversa para cortar o clima. Já sabia que ele falava muito, desde o primeiro momento em que o viu, tinha notado que a aura daquele garoto era muito simpática. Era muito fácil ser cativado por ele, e mesmo não fazendo ideia sobre o que ele e o guitarrista da banda estivessem conversando era bom o ver falar, 

Percebeu que não se cansava de escutar aquela voz que parecia o embalar pra longe, bebendo sua cerveja salgada, concluiu que gostaria de poder o escutar sempre. Seja como agora, que o via falar e gesticular expressivamente, ou apenas o ouvir contar histórias de amor durante madrugadas.

 

~

 

Lucas pisou na área de fumantes e conseguiu avistar três coisas muito incomuns. Cada vez que olhava para a cena ela ficava ainda mais esquisita.

Jaemin, que sempre estava sorrindo, bebendo e sendo inconveniente com todos, estava jogado nos braços de Jeno e parecia quase dormir. O outro, parecia não se importar em ter que segurá-lo enquanto estava sentado na mureta e parecia o proteger de tudo e todos com os braços ao redor do corpo magro. Ele também não vestia a regata rasgada de sempre e parecia tremer de frio dentro da jaqueta de couro de Jeno.

Mas aquilo era o menos questionável de todas as coisas. Foi quando bateu os olhos um cara rico e bem vestido para a ocasião, que conhecia a algum tempo e que com certeza não esperava o encontrar ali, no Greyhound. Lucas o achava sério e não suportava o círculo social que formava os vínculos de amizade de Sicheng.

Mas ele não era alguém que arrumava briga de graça, principalmente vendo que o também chinês, estava acompanhado de um garoto jovem que não tinha certeza se já tinha visto alguma vez na vida.

E por último, com toda a certeza, a última coisa que veio a reparar, mas provavelmente a mais incomum de todas, foi ver Renjun engatado na cintura de um rapaz loiro. E não só engatado, podia muito bem, ver de longe que Renjun apertava aquela cintura conforme distribuía beijos por todo o pescoço de pele branca.

A cada passo mais perto daquelas pessoas, foi inevitável não ser notado e enquanto Renjun muito ocupado em chupar a pele do rapaz, foi recebido com o olhar afiado e o sorriso cínico do loiro.

Lucas achava aquele homem odiável. Muito mais do que Sicheng e seus amigos. Harvey era alguém em sua opinião quase desprezível.

E teve o desgosto de poder escutar sua voz assim que pisou em frente deles.

— Estamos em família — Harvey falou com ironia quando trocou o olhar entre Lucas e Sicheng — Meu chineses favoritos. Sempre um prazer te ver Lucas.

Foi então que Renjun se deu conta de que o amigo tinha chegado. Botou os olhos nele, e sentiu vontade de vomitar apenas em ver aquele rosto.

"Não era culpa de Lucas”, tentava convencer-se.

— O que tá rolando aqui? — a pergunta foi feita diretamente a Renjun que sabia muito bem o motivo dela.

Tentou não responder e fingir que não era com ele, olhou para todos, onde ninguém poderia compreender aquele seu desconforto. Viu Jaemin se aconchegar mais em Jeno, viu Sicheng chamar Yuta para entrarem no bar e assim sumirem de vista.

— Nada — se limitou a responder.

— Renjun, — chamou com voz alterada, pensando em perguntar o que ele fazia com aquele cara, mas notou que eles estavam bêbados demais — Desde quando bebe tanto? 

Deu de ombros, enquanto a mente riu sem humor nenhum por Lucas se preocupar só agora. Apertou ainda mais a cintura de Harvey contra seu corpo e colocou os lábios na orelha dele.

— Vamos embora?

— Porque? Esta legal — fez biquinho, mas então pode visualizar algo inesperado. 

Não via Renjun a algum tempo e saber que ele estava interessado em homens era uma boa notícia, apesar de que tinha certeza que a frustração que fez o procurar havia sido fruto de uma paixão não correspondida. E embora não o visse algum tempo, alguns hábitos não mudavam, Renjun era uma adulto que não bebia muito, visto que estava bêbado no momento, que antes estava todo solto e com a chegada de Lucas, o melhor amigo, havia mudado totalmente de comportamento, só pode concluir uma coisa.

— É ele? — Harvey sussurrou e Renjun desviou o olhar nem conseguindo disfarçar — É — concluiu rindo um pouco.

Mas logo voltou a ficar sério. E se Harvey gostava de um homem frustrado metendo nele num quarto de hotel. Gostaria ainda mais de poder provocar o vetor da frustração.

Tinha plena consciência de que Lucas não gostava de si, muito menos daquela situação. O inglês apreciava ter gente o odiando, apenas para mostrar o quanto era indiferente a opinião alheia. Passou os braços pelo pescoço do chinês e aproximou o rostos. 

— Podemos ir, sim — falou roçando os lábios nos deles — Podemos voltar pro meu quarto no hotel — olhou para Lucas apenas para conferir se ele ainda prestava atenção — Você pode repetir tudo o que fez ontem comigo.

No instante seguinte, Renjun e Harvey sumiram, sem dar adeus a ninguém, deixando Lucas para trás, sozinho. Sem Renjun estava sem companhia, já que no momento, Jeno estava com Jaemin, Taeil com Kun e Chenle nunca mais dera as caras. 

Tinha Renjun como seu melhor amigo a anos, desde que eram pirralhos, nunca em toda sua vida tinha visto, escutado ou notado, que ele também se interessava por homens. Lucas nunca tinha escondido sua sexualidade de ninguém, até mesmo tinha arrumado diversos problemas com a família por isso que hoje em dia não gostavam muito de vê-lo. Se perguntava desde quando Renjun estaria escondendo aquilo, e porque estava, visto que contavam tudo um para o outro. Além de que com todos os homens no mundo, ele tinha que justamente escolher um que odiava mais que tudo. Não conseguia tirar a cena de Renjun beijando o pescoço dele, ou das palavras insinuantes de Harvey sobre o que tinham feito na noite passada.

Algo dentro de Lucas ferveu.

 

~♥~

 

Era tarde da noite quando Ten chegou em casa. Esperava que Taeyong já estivesse dormindo ou então que tivesse saído com Jaehyun. Mas soube que não ao ver que a luz da cozinha estava ligada. Pensou que talvez eles pudessem estar ali, mas não avistou nenhum sapato a mais no hall.

Entrou na cozinha, onde do congelador pegou um saco de gelo. Foi para o banheiro e passando pelo corredor viu que desta vez a porta  do quarto de Taeyong estava aberta. 

Encheu a banheira, depois colocou o gelo para enfim estar lá dentro. Sabia que Taeyong tinha o visto chegar, e embora quisesse muito ir falar com ele, depois da conversa longa com Victoria, queria sentir menos dor do que estava sentindo no corpo. Não tinha certeza, mas talvez pudesse estar se puxando de mais nos ensaios. 

A porta estava encostada e pode ouvir as duas batidas, em seguida a voz de Taeyong soar abafada.

— Posso entrar?

— Pode.

O ruivo abriu a porta vendo Ten dentro na banheira de gelo e sentou-se no chão, apoiando os braços na louça branca.

— Está bem? — Ten fez que sim — Como foi o ensaio?

— Bem.

Eram respostas curtas, porque sabia que Taeyong queria conversar sobre mais cedo, ele parecia culpado e Ten pensou que não queria que se sentisse assim sobre algo que o deixava alegre. Se afundou um pouquinho a mais na banheira e se preparou para falar algo antes que o mais velho se desculpasse. 

— Como vocês dois acabaram juntos? — Taeyong se surpreendeu com a pergunta mas sorriu ao notar o que Ten queria fazer, em seguida fez uma careta. 

— Nos esbarramos bêbados naquela noite. Acabamos na minha cama — escondeu o rosto. 

Ten riu um pouco alto e depois negou com a cabeça. 

— Não estou muito surpreendido, visto todo o tesão que você acumulou por Jung Jaehyun em quase um ano tentando negá-lo.

O ruivo cobriu ainda mais o rosto, escutando a risada de Ten, notando que mesmo depois daqueles dias sem se falarem direito, ainda eram as mesmas pessoas. Os melhor amigos do mundo, que poderiam contar um com o outro pra qualquer coisa, poderiam falar sobre qualquer coisa, poderiam fazer qualquer coisa, até mesmo, estarem conversando no banheiro frio, enquanto lá fora o vento gelado batia, enquanto Ten estava sem roupa dentro de uma banheira de gelo e Taeyong vestindo um moletom gigante que não era seu. 

O mesmo sentimento de sempre. 

— Preciso te contar algo — Ten se pronunciou com a voz baixa e Taeyong pareceu estar todo ouvidos — Eu sai com Johnny Seo, de novo, e de novo, então a gente se esbarrou e saímos novamente. 

— Sério? — Ten fez que sim e Taeyong parecia apavorado — E ele beija bem? — aquela frase fez Ten jogar um pouco de água no amigo o repreendendo. 

— Não saímos desse jeito — explicou — Mas ele é diferente do que eu achei que fosse. Mais do que ternos que custam preços de carros e outdoors luminosos. Me levou numa galeria de arte esses tempos… num restaurante que tocava Amelie Poulain…

— Ai meu deus, você chorou? — perguntou se desesperando — Você sempre chora quando essa música toca. 

— Não chorei — assegurou — Foi confortável, na verdade. É difícil pensar que um cara como ele pudesse ter tanto em comum comigo. Ele é mais velho e tem outra realidade de vida — Taeyong concordou — Mas eu gosto da companhia dele.

— John Seo que te atropelou no começo da temporada, no fim, é um bom amigo — concluiu.

Ten balançou a cabeça e se afundou um pouquinho mais na banheira quase imergindo a boca. Um silêncio se fez presente, mas os olhos continuavam conectados. 

— Desculpe — Taeyong finalmente falou. 

— Não, você não deve se desculpar por isso — Ten suspirou tirando a mão fria debaixo da água e pegando os dedos do amigo — Eu fui bobo e infantil por ter feito exatamente o que você achou que eu faria. Você quis me proteger de uma frustração que sabia que eu iria sentir e no final, saiu magoado, naquele último espetáculo… eu não queria que isso tivesse acontecido.

Taeyong negou e sorriu, apertou os dedos de Ten tentando passar uma confiança de que estava tudo bem, o olhou com sinceridade palpável. 

— Você é mais sentimental que eu — falou baixinho — Então tudo bem se eu sofro um pouco mais. 

 

~

 

"— Conversou com ele?" — dizia a mensagem.

"— Sim. Acho que temos outra coisa a mais em comum, John Seo. Minha conversa também não foi como esperei."

Alguns minutos sem resposta. Apenas com o celular no peito, deitado no escuro do quarto. Tempo depois, sentiu o aparelho vibrar.

"— Fico feliz. Por terem conversado e por termos novamente alguma semelhança."

 

♥♥♥

 


Notas Finais


Stou nervorser e animada para o próximo :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...