História Paleta - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cartas, Diário, Pessoal, Romance
Visualizações 21
Palavras 846
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lírica, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu recomendo ouvir a música "Spring Day - BTS - Music Box edition" enquanto realizam a leitura desse capítulo, era a música que eu estava ouvindo enquanto escrevia.
Vou deixar o link nas notas finais.

E muito obrigada pelo suporte no capítulo anterior.

Capítulo 2 - Amarelo


Fanfic / Fanfiction Paleta - Capítulo 2 - Amarelo

Amarelo era a primeira cor da minha paleta. Amarelo também era a última cor da minha paleta.

Tudo o que o amarelo significava era o motivo dele começar e terminar essa paleta. Para mim, o amarelo era uma cor feliz, que esbanjava alegria… Eu pensava que o amarelo podia alegrar a minha vida.

As coisas eram amarelas quando eu fazia novos amigos -e me empolgava mais que o normal por isso-, eram amarelas quando eu estava com a minha família. As coisas eram amarelas para os momentos felizes.

Foi uma tristeza quando o amarelo perdeu lugar na minha paleta, dando lugar para outra cor. Claro, ele voltou anos depois, finalizando a minha paleta, mas nessa época ele já significava outra coisa.

A primeira vez que eu decidi que amarelo era a cor da felicidade foi quando eu era pequena, eu morria de vergonha de pedir emprestado as coisas, quando tomei coragem, a primeira coisa que pedi emprestado para um colega de classe foi um lápis de cor… Amarelo. Para minha felicidade, ele emprestou de bom grado. Não tem nada mais feliz para uma criança do que poder terminar seu desenho do sol.

Como eu lembro disso? Eu não devolvi o lápis… Fazer o que não é mesmo? Eu ainda tenho o lápis, mesmo anos depois, e ele ainda tem a etiqueta com o nome do meu colega… João Victor, me perdoe, se você estiver lendo isso, eu estou com seu lápis.

Foi pensando nisso que eu elegi o amarelo como a cor da felicidade e inocência… A primeira cor da minha paleta. O lápis amarelo representava isso.

Como de costume, escrevi sobre a fase do amarelo, guardei em um envelope e depois guardei na minha paleta. Quando a paleta se quebrou, o amarelo foi a última cor da qual eu senti a falta…

Não, não é que ele não era importante pra mim, é só que… Era uma fase tão boba, que se fosse esquecida, talvez não fizesse tanta falta. Foi a fase da minha infância feliz, que eu poderia esquecer facilmente, mas se o fizesse, provavelmente não estaria aqui.

Ainda assim, ele estava tão distante que não parecia importante.

De qualquer forma, isso não importa mais, o que importa agora, é minha paleta quebrada. A paleta a qual eu lutei tanto para construir agora estava em pedaços. Todas as oito cores, as oito fases, todas jogadas.

O meu eu amarelo atual se esforçaria para reconstruir os pedacinhos, mas o meu eu amarelo antigo, ele só choraria e pediria ajuda. Sorte que eu sou o eu amarelo atual.

Era tarde da noite quando eu fui atrás do amarelo da minha paleta, me sentindo uma criança perdida, eu só precisava achar o amarelo. Como ele estava ligado à felicidade e inocência, eu só precisava achar aquilo.

Quando eu era criança, eu adorava comer pizza, mas minha família não tinha dinheiro na época, então pizza era raro, mas quando tinha… Era amarela. A massa, o queijo, a caixa… Eram amarelos. Eu sentava com meus pais e nós comíamos pizza. Aquele momento todo era amarelo, e continuava assim mesmo depois da pizza acabar.

Outra coisa que pra mim era amarelo; quando meus parentes faziam as famosas “piadinhas sujas”. Era amarelo porquê todos os adultos riam e entendiam, menos eu, mas apenas de ver os adultos -principalmente meus pais- rindo e se divertindo, felizes naquele momento, aquilo era amarelo.

Na noite em que minha paleta se quebrou, eu fui em busca do amarelo. O problema é que eu não sou mais criança, não tenho mais aquela inocência e felicidade. Meus pais não têm mais tempo de sentar e comer pizza, meus parentes nem aparecem mais… Como achar o amarelo?

Você, que está lendo isso agora, deve estar completamente perdido(a). Eu comecei falando de paletas, depois de amarelo, família, infância… Agora eu nem sei onde estou.

Pois é meus amigos, isso é amarelo.

A capacidade de, quando crianças e até hoje em dia, criarmos e inventarmos coisas. A capacidade de mudar de assunto tão rapidamente, mas não faz diferença, porque você entende. A capacidade de imaginar duas linhas do tempo, dois mundos… Ou até mais.

A simples capacidade de lembrar dos momentos bons e sorrir com eles.

Relembrar o passado, mesmo que ele não faça mais sentido pra você.

Isso é amarelo.

 

 

Pedi uma pizza, a caixa era amarela. Quando abri, encontrei um lápis amarelo.

Sorri.

Eu encontrei o MEU amarelo. Mesmo que meus pais não estivessem ali para compartilhar o momento, mesmo que eu não estivesse fazendo um desenho do sol, mesmo que meus parentes não estivessem ali para fazer suas piadas -que agora, eu com certeza entenderia- sem graça… O amarelo era meu.

Ele era meu passado, minha felicidade e inocência… Ninguém pode tirar isso de mim.

Van Gogh tomava tinta amarela, ele acreditava que amarelo era uma cor feliz e tomando a tinta, ficaria feliz. A tinta contém chumbo, que em reação com o organismo humano, causa depressão…

Van Gogh era depressivo.

Ele tomava tinta amarela na tentativa de se matar…

Ele não conseguiu... Eu sim.


Notas Finais


Link para a música: https://www.youtube.com/watch?v=fZ9Dmvknn-0

Sigam-me aqueles que têm amor no coração @beingahero


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...