História Paleta - Capítulo 3


Escrita por: e dancingwiththem

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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cartas, Diário, Pessoal, Romance
Visualizações 15
Palavras 858
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lírica, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Indicação de música do capítulo: "If I could Fly - One Direction"

Capítulo 3 - Azul


Fanfic / Fanfiction Paleta - Capítulo 3 - Azul

EVERYTHING IS BLUE!

Tudo é azul!

Ah, azul, essa cor tão bonita, viciante e que nos prende a atenção. Não é à toa que é uma das minhas cores favoritas.

A minha fase azul começou aos sete anos de idade, o que é particularmente triste.

Azul, na concepção das pessoas, é uma cor que indica tristeza. Foi por isso que azul entrou nessa paleta.

Tudo era azul quando eu tinha sete anos; as pessoas, a comida, os lugares, as coisas… Era tudo azul, um azul tão fosco e sem graça, que me fazia andar de cabeça baixa para não ter que encarar nada e nem ninguém.

Quando eu tinha sete anos, eu mudei de escola pela primeira vez. Minha mãe tinha sido demitida da antiga escola e, como consequência, eu fui junto. Entrei em uma escolinha pequena, de bairro, poucas pessoas. Pra você ter uma noção, minha sala tinha três pessoas (quatro no quarto e quinto ano), no terceiro ano do fundamental, três pessoas na sala.

Eu adorava!

Era uma escola maravilhosa, que tinha -e provavelmente ainda tem- tudo o que uma criança adorava e muito mais. Era uma pena que o azul não me deixava aproveitar tudo.

Eu vivi minha vida toda em escolas -por conta do trabalho de minha mãe, professora- e, aquela era a única que eu não tinha minha mãe por perto, o que me deixou muito mais assustada quando comecei a sofrer bullying.

Bullying não é legal, aquelas brincadeiras que você faz, nem sempre soam como brincadeira aos ouvidos da pessoa que escuta.

Eu era ignorada pelos meus colegas de escola -não só os de classe, os da escola toda mesmo-, era rebaixada, era chamada de tantos nomes ruins que eu não aguentava mais. Bruxa, girafa, esqueleto, palito, bambu… Esses eram os mais “fracos” pra você ter uma ideia, mas para uma criança de sete anos, era horrível demais.

Não foi só uma vez que eu voltei pra casa chorando. Eu chorava na escola quase todos os dias e voltava pra casa na mesma situação. Quando eu falava para as professoras o que estava me acontecendo, a culpa era minha que não “socializava” -só um aviso para essas professoras, eu tentava-, quando meus pais ou eu reclamávamos com a diretora, o bullying piorava.

Foi assim meus amigos, que as coisas foram ficando azuis.

Foi assim que o amarelo foi perdendo espaço, que eu fui corrompida por sentimentos que uma criança não devia sentir naquela época.

Foi assim que, aos sete anos de idade, eu desenvolvi um quadro de depressão.

 

Entre o azul e o amarelo, devia haver o verde. Tinha. O verde era a esperança de que as coisas pudessem ficar melhor. O verde desapareceu no primeiro dia de aula. 

 

Quando a paleta se quebrou, o azul foi a cor que eu mais senti falta. Isso se deve ao fato de que, sem o azul, as outras cores não existiriam na minha paleta.

O problema era que, para recuperar o azul, eu teria que me lembrar dele, e isso era uma coisa que eu definitivamente não queria.

Outro problema era, o azul era a cor mais forte, pois como eu disse, ele deu origem às outras cores. Mesmo que eu não quisesse lembrar, mesmo que eu não quisesse voltar, o azul tomou meus pensamentos. Eu estava me afogando novamente.

Sim, me afogando.

Me afogando em lágrimas derramadas, me afogando em palavras não ditas, em cores não vividas, em pensamentos reprimidos. Era um mar profundo e escuro e, se tem uma coisa que eu tenho medo, é de águas profundas.

Quem iria me salvar? O azul.

Sim, o azul, o mesmo azul que estávamos falando desde o começo do capítulo. Foi o azul que tirou minha inocência e alegria, que ajudou a me tornar quem eu sou hoje. Foi o azul que me salvou e me arrastou até a beira da praia.

Todos os monstros que eu via naquela época azul, eles se escondem no fundo do oceano, mas é o azul que me ajuda a lutar contra eles. É o azul que me impede de CHEGAR neles.

Tudo é azul.

O céu, o mar, os monstros.

Foi lembrando do azul e me afogando novamente que eu consegui trazer de volta o azul da minha paleta. Um prego.

Ele estava azul naquele momento, mesmo eu sabendo que ele não era azul.

Ele entrou no meu chinelo quando eu estava na escola uma vez. Quando eu percebi, aquela foi a desculpa perfeita, a desculpa para que eu pudesse derramar todas as lágrimas reprimidas sem precisar ficar explicando o porquê, afinal, tinha um prego no meu chinelo.

Era uma desculpa idiota, meu pé nem tinha machucado para eu ter chorado tanto… Ainda assim as pessoas acreditaram. Foi a primeira vez que eu chorei na escola, a primeira de muitas.

Do fundo do meu oceano azul, eu tirei aquele prego.

 

Sabe o motivo de tudo ser azul? Quando os raios solares passam pela nossa atmosfera, o azul se espalha. Os raios solares são coloridos, das cores do arco-íris, e o azul é a única cor que se espalha. Sabe por quê?

Azul é a cor mais forte.

 


Notas Finais


Sigam-me aqueles que ainda têm esperança @beingahero


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