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História Palpite - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Madrugada, café e conversas constrangedoras


P.O.V ROBIN

Estava na sala lendo um livro enquanto a minha frente Law e Chopper discutiam a respeito de um capítulo do livro de medicina que estavam estudando.

Eu estava alheia a conversa deles, esse capítulo era interessante mas, também não me prendia a atenção por completo. Tudo que eu pensava no momento era a respeito da declaração de Zoro na noite anterior e isso fazia um sorriso sorrateiro despontar em meus lábios.

Era uma sensação diferente e até mesmo conflitante que surgia em meu peito, mas era tão boa e acolhedora ao mesmo tempo.

Vi quando Zoro passou pela sala indo em direção a cozinha, Luffy e Nami entraram logo em seguida e sentaram por ali “como quem não quer nada”, mas aquele sorriso cumplice na boca de ambos entregava uma situação bem inusitada.

Ouvi algum burburinho vindo da cozinha e ergui os olhos do livro enquanto Zoro saia de lá com Sanji gritando feito doido atrás de si. Ele segurava nas mãos uma bandeja com vários petiscos doces e salgados, caminhou com calma até a sala e sentou ao meu lado, colocando a bandeja entre nós dois.

O encarei e ergui a sobrancelha.

- Sanji já iria te trazer, então o poupei do trabalho. – Acenou para os petiscos e eu sorri de forma contida.

- ORA SEU ESPADACHIM DE MERDA ESSES PETISCOS ERAM PARA A ROB... – Sanji que estava furioso vindo da cozinha parou quando viu que eu comia um petisco satisfeita e a bandeja estava ao meu lado.

O semblante de Sanji mudou para confuso e Luffy no outro lado da sala caiu na risada, juntamente com Nami.

- E eu disse que iria trazer para ela. – Zoro respondeu em uma calma impecável enquanto Law olhava do espadachim para o cozinheiro com confusão.

Franky, Usopp e Brook entraram para ver o motivo da algazarra e logo o ambiente silencioso preenchido apenas pela pequena discussão de argumentos entre Chopper e Law se tornou barulhento, preenchido por risadas e discussões sem sentido.

Deixei o livro na mesinha de centro enquanto Sanji começava a trazer petiscos para todo mundo, coloquei a bandeja em meu colo e me aproximei mais de Zoro.

- Sabe, se queria minha atenção era só ter chamado para conversar em algum lugar... – Comentei em tom baixo e Zoro me olhou pelo canto do olho.

- Meu objetivo não era ter sua atenção. – Respondeu depois de algum tempo. – E sim tirar a do Law.

Eu ri de forma contida e coloquei a mão em seu ombro.

- Roronoa, como é vingativo. - Ele sorriu de canto.

- Está vendo coisas, Nico. – Cantarolou em resposta.

E eu ri com aquela faceta de Zoro, pois esse era um lado seu que não conhecia e adorei conhecer. Isso explicava o sorriso cumplice de Luffy e Nami, com certeza eles já haviam entendido o que as atitudes de Zoro significavam e pareciam se divertir a respeito.

Após nosso lanche, todos voltaram a se separar, compenetrados em seus próprios afazeres. O clima havia mudado mais uma vez e não fiquei surpresa quando vi neve decorando o convés horas mais tarde.

Fui até meu quarto pegar uma roupa mais quente, faria a primeira parte da vigia pois sabia que a insônia me consumiria, não apenas pelos pesadelos de sempre, mas sim por que certo espadachim estava tirando meu sono.

Eu sabia que uma hora precisaria sentar e pensar de forma longa a respeito disso, coisa que eu evitava pois em meu intimo estava apavorada demais para acreditar que estava acontecendo.

Achar companheiros que me protegessem era uma coisa, achar alguém que gostasse de mim além disso era novidade.

No tempo que fiquei com Crocodile, conheci alguns homens, claro, mas sempre havia uma intenção não muito pura por trás e isso poderia vir de ambas as partes.

A questão toda é que eu não sabia se isso era de fato uma boa ideia, não tinha certeza em relação aos meus sentimentos e estava virando uma bola de neve de confusão.

Brinquei com a neve aos meus pés fazendo um desenho confuso a fim de desviar a atenção dos meus pensamentos. A noite estava fria, mas eu gostava disso.

Alguém sentou ao meu lado e me ofereceu uma xícara de café, era Luffy.

- Achei que estivesse dormindo já, capitão. – Ele fez uma careta.

- Nha... Ainda esta cedo e depois que tomei essa coisa me sinto com energia. – Ri de sua afirmação a cerca do café. – Vim te fazer companhia e Zoro disse que você gosta dessa coisa também.

- Zoro, uh? – Comentei suprimindo um sorriso, tentando bancar a desentendida, mas eu sabia que meu capitão era bem mais astuto e ligado do que parecia, sem falar, que ele e Zoro eram muito amigos.

Eu tinha certeza que ele estava a par de toda a história.

- Ele repara muito em você, Robin. – Luffy disse com toda sua simplicidade, como quem também não quer nada.

Se era dessa forma que conseguiria algumas certezas, decidi embarcar no jogo de meu capitão.

- Repara? Não percebi. – Me fiz de desentendida novamente, ao meu lado Luffy mexia os pés de maneira nervosa.

- É um grande feito, por que todo mundo deve ter reparado. – Tomei um gole do café e agora quem mexia as pernas em nervosismo era eu. – Vamos Robin, eu sei que sabe, to louco para falar sobre isso, mas o Zoro complica tudo.

Eu ri diante de sua curiosidade e o modo afoito como falou.

- Tudo bem, o que deseja saber Luffy? – Ele me encarou, seus olhos brilhavam.

- Como conseguiu isso? Quer dizer, nunca vi Zoro interessado por algo que não fosse bebida. – Arqueei uma sobrancelha e um sorriso maldoso brotou em meus lábios.

- Acho que foi mais ou menos como aconteceu com você e Nami, sabe... – Eu pensei que Luffy ficaria vermelho, desconversaria e quem sabe me deixaria sozinha madrugada adentro, para meu espanto, isso não aconteceu.

Ele apenas sorriu de forma larga e olhou para cima.

- Sem querer? Por que nenhum dos dois teve a intenção. – Minhas sobrancelhas estreitaram.

- Você sabe o que Nami sente?

- Bom, para mim fica bem obvio. – Ele riu de forma contida. – Queria retribuir, mas não é o momento. Ainda falta encontrar Laftel, após isso, após eu me tornar rei dos piratas, poderei dizer a Nami que quero ela como minha rainha, que sempre quis, mas até lá é perigoso demais.

- Estou espantada, como consegue ter tanta paciência dessa maneira, Luffy? – Ele parou por um tempo, pensativo.

- Por que é o certo, quero que Nami esteja segura ao estar comigo e não quero que seus sentimentos sejam baseados eu não sei... Pela preocupação que tem comigo ou algo assim, de qualquer forma, até isso acontecer, nossos sentimentos e nós mesmos estaremos mais maduros para lidar e até lá continuaremos um do lado do outro.

Sorri com as palavras de Luffy, mas algo me deixou com um pé atrás.

- Interessante você e Zoro terem pontos tão diferentes a esse respeito. – Luffy deu uma de suas risadas cheias de energia e me olhou, enigmático.

- Não se engane Robin, se Zoro conseguisse segurar o ciúme ele tentaria algo do tipo, porem você e a Nami divergem nesses quesitos e por mais que minha navegadora seja linda e chame a atenção de muitos caras onde a gente passa, ela não tem um pretendente tão ameaçador no próprio navio. – Levei alguns segundos para pensar a respeito, como eu temia, a presença de Law era o motivo dos seus ciúmes e por um momento eu achei aquilo... fofo... o que não condizia com o homem que Zoro era.

Quer dizer, coisas fofas e Zoro na mesma frase fica bem estranho.

- Então tudo foi movido pelo ciúme?

- Tudo... não. A presença de Law deixou Zoro inquieto com algo que não fosse suas espadas pela primeira vez na vida e acho que ele só pensou que se não abrisse as coisas com você, poderia perder a chance, ele não é o tipo de pessoa que sabe lidar com joguinhos ou enrolações.

Assenti devagar, absorvendo suas palavras com calma.

- E o que você acha a respeito disso? – Luffy ficou pensativo por alguns momentos, fez algumas caras engraçadas e outras estranhas até por fim me responder.

- Acho que formariam um belo casal. – Olhou ao redor, coçou a nuca. – Zoro gosta mesmo de você.

Senti que fiquei vermelha e tomei um gole de café para disfarçar.

- Robin, posso te pedir uma coisa? – Assenti sem encarar Luffy. – Seja lá o que estiver pensando, apenas seja verdadeira com o Zoro. Lembro do que aconteceu a Sanji em Whole Cake e me sinto péssimo, não quero que mais ninguém passe por uma desilusão amorosa por aqui.

Eu ri fraquinho e assenti.

- Certo.

- E posso pedir mais uma coisa?

- Claro, Capitão.

- Não fale nada para a Nami, não quero que seja assim. No momento certo iremos conversar e eu pretendo a recompensar por todo esse tempo, mas quero que seja de uma forma bonita. – Encarei Luffy e ele encarava seus pés, fazendo um biquinho fofo.

- Combinado, Luffy.

 

 

 



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