História Pandemia - Capítulo 12


Escrita por:

Visualizações 48
Palavras 1.899
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Conflitos




FLORIANÓPOLIS





A correnteza do rio deslizava velozmente pelo pequeno e íngreme caminho de pedras, abaixo da margem do bosque.

Ainda engasgada com o choro, Bianca era empurrada por Sarah, trêmula de pesar, sem conseguir virar-se de volta ao ponto onde havia visto o rosto de Julia pela última vez.

- Eu sinto muito… sinto muito… não foi culpa sua… - Sarah lhe dizia, desolada, enquanto corriam para longe dos zumbis que tentavam descer a ribanceira.

A outra irmã também chorava conforme corria, num misto de incredulidade, gratidão e horror - ainda sem acreditar que Bianca havia sacrificado a última pessoa de sua família para salvar sua vida.

Rapidamente, Kora e Sarah se adiantaram, passando pelas pedras e atravessando para o outro lado do rio.

- ANDEM LOGO! - Kora exclamou, estendendo a mão para elas.

Os poucos zumbis que tentaram segui-las escorregaram para dentro da água, sendo levados pela violenta correnteza, tendo seus corpos golpeados contra as rochas que haviam adiante. Devido ao impacto brutal, um deles até teve seu braço arrancado na batida.

Aflita, a irmã de Bianca acelerou o passo, olhando por cima do ombro, como se quisesse confirmar que a garota ainda a seguia.

O gesto custou-lhe um segundo de descuido – suficiente para que seu pé escorregasse da pedra, fazendo-a perder o equilíbrio.

Bianca gritou, abaixando-se, a tempo de agarrar os braços da garota, antes que ela mergulhasse completamente na água.

- Eu te peguei...! Eu te peguei...!

A irmã se debateu, sentindo o corpo sendo arrastado com força pelas águas do rio.

Tudo que ainda a mantinha na superfície – que impedia que fosse levada pela corrente – eram as mãos trêmulas de Bianca.

- Tá tudo bem…! - gritou - eu não vou te soltar….!

Ela olhou para o lado, observando, em pânico, um dos zumbis conseguindo se equilibrar no caminho de pedras, arrastando-se no encalço delas.

A irmã também havia notado a presença da criatura.

E, para o choque de Bianca, havia parado completamente de lutar contra a corrente.

- Me solte….

- Não…!

Os olhos dela se cruzaram com os de Bianca.

E a garota viu, naqueles olhos tão familiares, uma mistura de serenidade, resignação e tristeza, que pareceram atingir seu peito com a força de uma facada.

Ela sorriu, deixando uma única lágrima deslizar sobre seu rosto já encharcado.

E, com o restante de suas forças, pressionou os braços para longe das mãos de Bianca – que, devido a isso, não conseguiu sustentá-la por muito mais tempo.

Foi quando a correnteza a levou.

Antes que pudesse se jogar no encalço da irmã, Bianca foi agarrada pelos ombros por Sarah, e arrastada para longe da corrente, gritando enquanto se debatia.

- NÃO...! NÃO...!

Ao longe - já segura na margem do outro lado – foi forçada a assistir, soluçante, o corpo dela ser jogado pelo rio contra uma das rochas.

E seus joelhos cederam, quando ela desapareceu abaixo das águas, deixando um rastro escarlate para trás.


- LORE!

O grito teria sobressaltado todo o dormitório, já que havia ecoado com o máximo de volume pelo cômodo.

Contudo, ele encontrava-se deserto – exceto pela presença trêmula de Sarah, que estava sentada na ponta do colchão, encarando Bianca com um desolamento no olhar.

- Calma… sou eu….

Enquanto era abraçada, ainda tremendo, percebeu que Sarah parecia encolhida, como se escondesse o braço dentro da blusa.

- O que houve…?

Você é mesmo idiota. Sabe muito bem que ela te despreza pelo que fez, não é…?”

Agora não, Raquel.

Sarah sacudiu a cabeça.

- Nada não. O pessoal já foi para a horta… eu só me machuquei numa erva cidreira.

A voz dela não emanava convicção alguma.

Bianca puxou-lhe o braço gentilmente, virando-o em sua direção.

Gelou-se completamente, vendo as marcas nitidamente recentes e avermelhadas que ela ostentava no antebraço.

- Sarah…?

- Ok, ok… - ela apressou-se em esconder os arranhões – você… acabou me arranhando enquanto dormia… quando tentei te acordar… não foi nada, é sério…

Sorte sua que ela tem o coração tão bom… até parece que diria o contrário, e arriscaria magoar esse seu coraçãozinho de merda.”

Quer calar a porra da boca?

- Me desculpa… - cobriu o rosto com as mãos, angustiada.

- Pare de se desculpar… - Sarah afagou sua cabeça – você não teve culpa… - mordeu o lábio, parecendo partilhar aquela terrível lembrança por um momento – em nenhum momento…

Antes que respondesse, foram interrompidas por Myo, cuja cabeça apareceu repentinamente na janela aberta do dormitório.

- Vocês vão vir trabalhar ou vou ter que arrancar as duas daí na base da bordoada?

- Ja vamos… só vou me trocar… - esperou que Myo desaparecesse para lançar um olhar exasperado para Sarah – não deixe eu dormir até mais tarde de novo… eles ainda vão me ouvir…

- Relaxa… - a garota sussurrou – eu conversei com Pedro sobre sua rotina de trabalho. Ele não fez mais perguntas… mas quer que você explique tudo, sem exceção… o mais breve possível.

Bianca passou a mão pela nuca, suspirando.

- È justo… - fechou os olhos por um momento – isso já está… saindo do controle…

- Melhor que conte mesmo – Sarah falou, em tom sério – sabe que eu levaria um tiro por você, Bianca. Mas se você não fizer nada a respeito… - acrescentou, tácita - … então eu farei.

Sarah levantou-se, retirando-se do dormitório, deixando, para trás, uma garota de olhar realmente perdido.





- DEVOLVE MEU MACHETE, SEU DEMÔNIO!

Para surpresa dos novatos, a horta estava coalhada de risos aquela manhã.

- Perdemos alguma coisa? - Sarah indagou, entrando no meio de Shiryu e Danny.

- Nada de mais – Danny comentou, reprimindo uma risada – só a Myo que enfiou na cabeça que Marcus roubou o machete dela.

Todos encaravam a garota – que tinha pouco mais da metade da altura de Marcus – praticamente tentando alcançar o peito do rapaz, batendo as mãos em punho sobre ele, com uma quantidade de força que só podia ser definida como uma brincadeira.

- Sério, Myo, para com essa merda – Marcus limitava-se a erguer a sobrancelha e rir – você vai acabar se machucando sozinha, sua nanica.

Myo parou imediatamente de socá-lo, baixando os braços - com uma expressão de paranoia tão caricata, que só causou ainda mais gargalhadas e risinhos nervosos entre os presentes.

- Ah, não… ahhhh, não… - ela apanhou o porrete que carregava na cintura, puxando-o para fora – você não me chamou de nanica…

O garoto reagiu como um raio, cruzando seu facão contra o porrete dela, antes que a arma sequer encostasse em seu topete.

Houve uma maré de exclamações vinda dos espectadores.

- Puta que pariu – Sarah contraiu as mãos contra a boca – eles vão brigar? E se os dois se machucarem?

Vivian virou-se para ela.

- Você está bem preocupada com os dois se ferirem, hein? - pigarreou, em tom humorado – ou… em ele se ferir…?

Sarah rezou para ela não perceber o rubor que lhe subiu às bochechas naquele momento.

- Não se preocupa, Sarah – Kora riu – acho que nem a maior força gravitacional do mundo desmancha aquele cabelo… que dirá o ataque de uma menina alterada.

- Querem calar a boca? - Bavani apareceu por cima do ombro de Vivian – eu quero ver se alguém já está sangrando!

Naturalmente, as expectativas de Bavani foram refutadas, já que Marcus ainda se mantinha em pose defensiva, desviando de todas as pancadas que Myo desferia contra ele.

- Me… devolve… meu… machete… cacete! - a garota pontuava cada palavra com um novo golpe, enquanto o rapaz, com um sorriso zombeteiro, parecia esperar que ela terminasse seus ataques para finalmente reagir.

- A gente avisa que ela tá atacando o Marcus a toa? - Bianca murmurou, indecisa entre rir e revirar o olhar.

- Nah – Yuri balançou a cabeça – deixa o garoto se divertir.

Quando finalmente Myo parou um pouco, tentando recuperar o fôlego, Marcus decidiu atacar de volta, rodando o facão contra o porrete da garota na velocidade de uma turbina. Alguns se encolheram, começando a ficar preocupados – mas quem realmente o conhecia sabia que não tinha a menor das intenções de ferir a garota de verdade.

- Se um dos dois palhaços pisarem nas minhas cenouras, vou enfiar uma delas no cu de alguém!

Para surpresa de Bianca, até mesmo Pedro assistia a luta do outro lado da cerca, sorrindo de lado, enquanto abraçava a namorada de forma afetuosa.

O gesto, contudo, pareceu lhe causar um aperto angustiante no peito.

- AHHH!

A exclamação de protesto a fez voltar sua atenção para a briga dentro da horta.

Marcus havia acabado de dar uma rasteira em Myo, que encontrava-se caída em meio ao canteiro de repolhos, encarando a lâmina sobre seu pescoço, com a nítida expressão de um soldado que havia sido abatido da forma mais patética possível

- Cacete! - a menina xingou, fechando a cara para o rapaz.

- Da próxima vez… - Marcus ofegou; embora tivesse vencido fácil, era evidente que Myo havia conseguido a proeza de o cansar - …  pegue alguém…. do seu tamanho...

O garoto lhe lançou uma piscadela, recolhendo o facão, e estendendo a mão para Myo, enquanto todos ao redor riam e encenaram aplausos.

Enquanto Myo se retirava da horta - ainda resmungando, inconformada, sobre alguém ter afanado seu machete - o grupo começava a se dispersar, retomando as atividades que estavam exercendo antes da pequena luta começar.

- É bom o pessoal se divertir um pouco pra variar - Sarah comentou, sorrindo.

- Ei! Sarah!

A garota enrijeceu, absolutamente perplexa por ouvir Marcus chamá-la.

- Eu? - olhou para os lados, confusa.

Marcus se inclinou na cerca, risonho.

- Está vendo mais alguma moça bonita de olhos claros por aqui? - houve um engasgo evidente às costas de Sarah, indicando que Bianca provavelmente tinha entalado  com um dos pedaços da cenoura que havia acabado de colher - e aí? O que achou da nossa “luta”?

- Ahmm…. - murmurou Sarah, pega de surpresa - bom… deu uma bela rasteira nela…. - deu de ombros, distraída - você luta muito bem.

Marcus voltou a sorrir, e Sarah sacudiu um pouco a cabeça, querendo entender por que raios, repentinamente, seu coração havia começado a palpitar mais rápido.

- Obrigado - o rapaz assentiu, parecendo realmente lisonjeado.

Assim que Marcus deu as costas, Bianca puxou Sarah pelo ombro.

- Eu não ia dizer nada - comentou, ironicamente confirmando que iria dizer alguma coisa - mas estou cada vez mais achando que o garoto tá mesmo querendo teu chassi, Sarah.

- Sabe a diferença entre o socorro e tua opinião, Bianca?

Bianca riu.

- O socorro você pediu?

- Tipo isso - resmungou a garota, erguendo a cabeça repentinamente - ué… que barulho é esse?

Ambas viraram a cabeça na direção da entrada do rancho, vendo vários dos integrantes do núcleo correndo naquela direção.

- O que está acontecendo? - assim que alcançou os demais, Sarah ergueu a cabeça, tentando enxergar ao longo do conjunto agitado de pessoas reunida naquele ponto.

- Parece que temos um novo visitante - cochichou Shiryu.

Por fim, conseguiram enxergar a silhueta de um rapaz, ao qual Luis havia acabado de liberar a passagem pelo portão. Trajava uma jaqueta vermelho-escura, cuja cor quase se confundia com as manchas de sangue que trazia na camiseta enlameada. Os cabelos escuros traziam alguns pedaços de folhas presos às mechas.

O garoto novo ergueu a cabeça, arquejante, encarando cada um dos que estavam ali.

- Agradeço… agradeço por me deixarem entrar - lançou um sorriso cansado, apoiando as mãos nos joelhos - meu nome e Zyeon… obrigado por me acolherem…

- Ei!

Viraram-se na direção de Vivian, que massageava o braço que Bianca acabara de acotovelar.

No entanto, não era a ela que observavam - e sim para a garota encolerizada ao seu lado, ao qual as mãos se fecharam em punhos, e cujos olhos faiscavam de gotejante ódio contra o recém-chegado.

- VOCÊ…!  








Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...