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História Panic - Capítulo 2


Escrita por: mariamsr

Capítulo 2 - Capítulo 2


- Xau, meu amor- digo abraçando a Mel J, já na porta da casa deles – daqui a uns dias eu venho cá ensaiar com o Diogo e podemos conversar mais um pouco.

- Sim, amiga, fica combinado. Almoçamos juntas e depois levo-te ao estúdio.

- Ok, amiga. Melissa, anda!- grito, a chamar pela Mel, que estava a brincar com a Penélope – Já estamos atrasadas!

Melissa vem, a correr, como sempre, dá um abraço de despedida ao Diogo e à Melanie, que lhe desejam boa sorte para a prova cega e dá-me a mão dizendo:

- Vamos?

- Vamos, meu bem. – faço-lhe uma festinha no cabelo e baixo-me um pouco para lhe ajeitar a fita- Xau amigos, até daqui a uns dias. – volto a abraçá-los e saio do apartamento deles entrando no elevador.

- Liga-me quando a prova cega da Mel acabar a contar as novidades!! – grita o Diogo, ainda com a porta de casa aberta.

- Combinado! – a porta do elevador fecha-se e descemos até ao nosso carro.

Entramos rapidamente no carro e vamos, com pressa, até aos estúdios Valentim de Carvalho para chegarmos a tempo à prova cega. Tínhamos cerca de meia hora para chegar lá, mas como estávamos relativamente perto penso que dá tempo. A Melissa está mais nervosa do que nunca, e isso é cada vez mais percetível. Não vou tocar mais no assunto para não parecer a irmã mais velha chata e também para que ela se possa perder nos seus pensamentos, às vezes faz falta.

Enquanto não chegamos, e enquanto a Mel está calada a olhar para o vidro do carro, começo a pensar no que o Diogo me disse sobre a Camila. Será que ainda sinto alguma coisa por ela? Será que se ela voltasse para a minha vida, eu cedia? A verdade é que nunca estive com mais ninguém depois que acabamos e que nunca mais senti algo tão forte como aquilo que senti por ela. Apesar de ela me ter deixado, sem nunca me ter dado uma explicação, não consigo esquecer tudo o que passamos juntas e o quanto fomos felizes uma com a outra. Era a minha melhor amiga e às vezes sinto falta. Mas depois lembro-me do quão insensível foi da parte dela me ter deixado, do dia para a noite, apenas com um bilhete que dizia “Tenho que tratar de outros assuntos, segue em frente, por ti. Até um dia. Beijinhos, já com saudades, da tua, e apenas tua,Camila <3”. Anos da amizade destruídos com um simples bilhete de papel. Era cómico, se não fosse trágico, e triste.

 

Chegamos ao estúdio. Até eu estou nervosa agora. Acordo a Mel, que acabou por adormecer encostada ao vidro, e entramos no edifício. É tudo muito bonito, mas passamos rapidamente pelas divisões até chegar ao sítio das audições. É dado um papel com o número 1852 à Mel e cerca de 1h depois chamam-na para, finalmente, entrar em palco.

As portas abrem-se e ela entra, deslumbrante, como sempre. A menina que normalmente entraria a correr até ao microfone, agora entra calmamente, passo a passo, fazendo o mínimo barulho possível. Ela apenas vê os seus nomes nas costas das cadeiras, mas eu, na sala onde estou com a Catarina, vejo a carinha de curiosidade dos 4 mentores. As luzes acendem e a Mel, a minha Mel, começa a cantar. Canta “Talking to the moon” do Bruno Mars, uma das músicas favoritas dela, e a cada palavra que canta, o meu coração enche-se de orgulho. Uma cadeira vira, a da Carolina Deslandes. Os meus olhos enchem-se de lágrimas automaticamente, sem eu perceber. Logo a seguir o Carlão e o Fernando Daniel também viram. Todos sorriem a olhar para a minha menina, no seu vestido branco. Encantadora, continua a cantar, de olhos fechados, para ela mesma. Consigo perceber que já não está tão nervosa, que está mais segura, agora que já está em palco.

A música está nas suas últimas notas e eu no auge da minha emoção. Estou tão orgulhosa, estou hipnotizada a olhar para a minha irmã. Eu sabia que ela cantava bem, mas não assim tanto. Provavelmente a Catarina já falou comigo e eu nem lhe respondi, só conseguia ouvir a Mel. O silêncio ensurdecedor da minha mente acabou quando ouço o barulho de mais um botão, de mais uma cadeira a virar e vejo que a Marisa Liz também virou. Ela está, como eu, nitidamente emocionada e sorri ao ver a minha irmã.

A música acaba e todos aplaudem de pé. A Mel sai da sua bolha e mete as duas mãos na boca, como se não acreditasse naquilo que acabara de acontecer.

- Olá, minha querida! – a Carolina, linda como sempre, olha para a minha irmã – Como te chamas?

- Mel, Melissa.

- Melissa, nome bonito. E quantos anos tens?

- 12.

- Olha, Melissa – a Carolina continua – para além de seres linda, tens uma voz fantástica e aquilo que fizeste aí em cima foi absolutamente extraordinário. Adorei  adorei adorei ouvir-te a cantar essa música do Bruno Mars e acho que conseguiste adaptar muito bem o tema à tua voz. Gostava muito que viesses para a minha equipa e que trabalhássemos juntas.

- Obrigada! – a Mel sorri, com as lágrimas nos olhos também. Que vontade de lhe dar um abraço.

Não faço ideia que mentor ela vá escolher. Acho que deve estar indecisa entre a Carolina e o Fernando porque, na única vez que falamos sobre isto ela destacou esses dois nomes. Mas essa conversa já foi há algum tempo.

O Carlão e o Fernando também falam algum tempo com a Mel, e fazem-na sorrir bastante. Agradeço-lhes telepaticamente por isso, porque odeio ver a Mel a chorar, mesmo sabendo que, desta vez, não é de tristeza.

Ambos os mentores pedem à minha irmã para ficar na equipa deles e chega a vez da Marisa, ainda com os olhos em lágrimas, falar:

- Olá, Melissa.

- Olá, Marisa.

- Conta-me coisas: há quanto tempo quantas, com quem aprendeste, conta-me a tua história.

- Então, - começa a falar, animada – eu canto desde sempre, mas quem sempre me apoiou neste sonho e me trouxe até aqui foi a minha irmã.

Socorro. Não estava à espera que a Mel falasse de mim. A Catarina sorri para mim e eu sorrio também, mas de nervoso.

- Ai sim? – prossegue a Marisa – Como é que ela se chama?

- Chama-se Aurea, ela está ali! – aponta para a sala onde estou com a Catarina, acena-me freneticamente com a mão e manda-me um beijinho.

- Uma salva de palmas para a Aurea, então!

Só vejo a Marisa a virar-se para trás e a sorrir para mim. Congelei. Na televisão dava para ver que ela era bonita, mas não assim tanto.

- Olha Melissa, - a Marisa continua – aquilo que fizeste aqui foi lindo. Para além de teres estado extremamente afinada, conseguiste passar emoção, energia para nós. Conseguiste-me emocionar a mim, que choro tão poucas vezes – todos se riem com o comentário da mentora, inclusive ela mesma, e que sorriso lindo. – Espero mesmo que venhas para a minha equipa e que me dês a oportunidade de aprender contigo!

A Mel sorri de volta e seguem-se alguns minutos de conversa entre todos até que chega o momento em que ela tem que escolher. Estou nervosa e curiosa ao mesmo tempo.

- Então, eu gosto muito dos quatro, a sério. E eu não tinha nenhuma ideia fixa de quem escolher até chegar aqui, porque eu vos admiro muito a todos. Por isso, basicamente eu vou escolher a pessoa com mais senti uma conexão aqui no palco.- segue-se um momento de silêncio- E essa pessoa é a Marisa.

Ok, estou surpreendida e não estou ao mesmo tempo. Eu realmente achava que ia ser entre Carolina e Fernando, mas depois, quando vi a minha irmã a falar com a Marisa, senti que os seus olhinhos brilhavam, assim como os meus. Aquela mulher tem uma energia muito cativante, é algo especial, que não sei bem descrever, ainda.



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