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História Panic - Capítulo 3


Escrita por: mariamsr

Capítulo 3 - Capítulo 3


Quando ouve o seu nome, vejo a Marisa a saltar imediatamente da sua cadeira e ir abraçar a Mel. Sinto a minha irmã extremamente feliz e isso faz-me ficar mais feliz ainda. Mal o abraço delas as duas acaba, a Mel vem a correr em direção a mim, para me abraçar também. Vejo-a a correr cada vez mais próxima e mal ela chega até mim, baixo-me para a abraçar. Logo a seguir vem Marisa, que fez questão de acompanhar a Mel.

- Não me podia voltar a sentar sem conhecer a tão famosa Aurea.

Ai. Socorro. Que vergonha. Sinto-me a corar, não sei se pelo que ela disse sobre mim, ou se por estar a vê-la ali, à minha frente. Fico sem saber o que responder e ela, que deve ter percebido a vergonha, dá-me um breve abraço e volta para o seu lugar. Que sensação é esta? Parece que fiquei sem reação, isto quase nunca me acontece. Não lhe consegui dizer uma única palavra, apenas fiquei ali, quieta, a olhar para ela e depois abracei-a. E parece que não queria sair daquele abraço que deve ter durado apenas 2 segundos. Ela definitivamente deve ter ficado a pensar que eu sou estranha, ou muda. Uma dessas duas opções, de certeza.

Enquanto a Marisa voltou para a sua cadeira, eu, a Mel e a Catarina conversamos por breves instantes e logo depois ela dirigiu-nos a outra sala onde nos explicaram tudo sobre os futuros ensaios. As gravações das batalhas começavam já na próxima semana, por isso o tempo para os ensaios era reduzido. O primeiro ensaio da Mel era já amanhã.

Voltei com a Mel para o carro, depois de algumas conversas com pessoas da produção e ela conta-me o quanto está feliz:

- Aurea, não imaginas o quão nervosa eu estava! Quase fazia xixi no palco!

Dei um breve sorriso enquanto estendia a mão direita para trás para colocar o cinto de segurança no carro e ela continuou:

- Mas depois, depois foi mágico! Comecei a cantar e não queria parar nunca mais, nem me lembro de ver os mentores a virarem as cadeiras. Só sei que no fim respirei fundo, olhei em frente e estavam os 4 a olhar para mim.

- Como é que decidiste quem ias escolher? Tinhas-me dito que estavas entre a Carolina e o Fernando…

- Ai, Aurea… Tu viste bem o olhar da Marisa? Eu senti uma energia muito boa quando ela começou a falar. Estava destinado.

- Estás muito poética- digo a sorrir-, quem te viu hoje de manhã e quem te vê agora duvidaria que fosses a mesma pessoa.

- Estou feliz, maninha, estou feliz.

 

 

Sinto o despertador a tocar, outra vez, e percebo que mais um dia está prestes a começar. Estou exausta depois do dia de ontem. Depois de chegarmos a casa no fim da prova cega da Mel, ainda estivemos a fazer o jantar e a arrumar todas as malas na nossa “nova” casa.

A nossa rotina matinal é praticamente todos os dias a mesma, ainda que em sítios diferentes: acordar, lavar os dentes, vestir e tomar o pequeno-almoço. No entanto, hoje o dia vai ser bem diferente. Vou levar a Mel aos estúdios do The Voice outra vez para o seu primeiro ensaio para as batalhas e depois vou diretamente para a casa do Diogo, almoçar com a Mel J, enquanto ele está em estúdio. À tarde vou também para os Valentim de Carvalho para o meu primeiro ensaio com o Diogo e ainda quero ver se consigo parar numa escola para matricular a Melissa.

-Mel! Anda, já estamos atrasadas, daqui a meia hora temos que estar nos estúdios!

- Estou a ir!

Entro no elevador com ela, depois estacionamento e carro. Chegamos aos estúdios cerca de 10 minutos atrasadas, mas isso já é meio a nossa imagem de marca, é melhor que se vão habituando, penso.

Vamos, a correr, para a porta de entrada e chegando ao palco, reparo que já estão algumas crianças lá em cima mas, não somos, nitidamente, as últimas a chegar. Isso alivia-me. A vergonha que seria para a minha irmã ser a última a chegar logo no primeiro dia. Mas a culpa também foi dela, ela que lute.

No meio das crianças, quase impercetível, está a Marisa. Isso mesmo. Marisa Liz. Mal nos vê, naquilo que é a entrada para o palco, vem ter connosco, mais precisamente, vem ter com a minha irmã.

- Olá, minha querida. Como estás?- diz a mentora, baixando-se ligeiramente.

- Estou bem, e você? – Mel, por amor de Deus. A pessoa tem praticamente a mesma idade do que eu e estás a trata-la por “você”. Sinto-me velha e sinto que a minha irmã concorda.

- Ai, por amor de deus, não me trates por você que eu sinto-me velha.

Leu-me completamente o pensamento. A maneira como o diz, faz todos os que estavam à volta rir. Nunca perde a piada esta mulher, não é só o que vemos na televisão definitivamente.

- Eu, jovem adulta que sou, a ser tratada por você? Sinto-me uma senhora idosa de 80. Devo ser quase aqui da idade da tua irmã.

Ela olha para mim e fica estática, parada e séria a olhar bem nos meus olhos durante uns, provavelmente 10 segundos, que pareceram 10 minutos. Parece que foi como se me estivesse a ver pela primeira vez, mas não era porque já a vi ontem. Não sei o que aconteceu, mas sei que senti exatamente o mesmo, e que a minha reação foi exatamente igual. Pânico. Não tive a inteligência de dizer uma palavra sequer para acabar com aquilo, simplesmente não conseguia. Teve que ser a minha irmã, 12 anos, criança, a acabar com a situação, porque continuávamos, as duas, simplesmente a olhar uma para a outra, em silêncio.

- Aurea! O teu telemóvel está a tocar!- ela olha para mim e faz uma expressão com as sobrancelhas que claramente transmitia: “o que é que estás a fazer????”.

Senti-me envergonhada. Tinha a merda do telemóvel na mão, a vibrar, e nem senti. Por amor de deus, Aurea, quando penso que não me consigo ultrapassar mais no nível de estupidez, acontece-me isto. Pelo menos não estava sozinha, a Marisa estava tão ou mais envergonhada do que eu. Mal aquele momento, dos mais estranhos de sempre, acabou, ela despediu-se rapidamente de mim, com um breve sorriso de canto, e levou a Melissa para cima do palco.

Decido finalmente, atender o telemóvel. Era a Mel J:

- Sim, Mel. Desculpa só atender agora, estava aqui a… a… - não sabia o que dizer, ainda estava a pensar sobre o que tinha acontecido há segundos exatamente no local onde me encontro. - Bem, vim aqui trazer a Mel ao The Voice. Já vou ter a tua casa para almoçarmos.

- Ok, amiga. Tens tempo, era só mesmo para saber onde estavas. Até já!

- Até já!

Volto a guardar o telemóvel na bolsa que trazia e olho de novo para o palco e digo adeus à Mel. No meio de tantos olhares, o meu volta-se a cruzar com o de Marisa, apenas por breves instantes, mas deu para perceber que estávamos as duas a pensar no mesmo, ainda.

Saio, finalmente daquele edifício e vou para o meu carro em direção à casa do Diogo e da Mel.



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