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História Paper hearts; Jeong Yunho - Capítulo 21


Escrita por: tbzartt

Capítulo 21 - Capítulo dezenove


Jeongin jogou-se na cama com tudo, à medida que um suspiro longo esvaía de seus pulmões. Depois do ocorrido inesperado com Daminjin e Yeosang, ela e Yunho tiveram que explicar a situação delicada. Isso a preocupava seriamente, pois, mesmo que Yeosang não fosse contar a outra pessoa, quanto mais pessoas sabiam, maior era a chance de vir à tona — como se a Spotted já não fosse uma ameaça suficiente.

A Choi sabia que não se pode ter o controle de todas as coisas que aconteciam em sua vida e, apesar de incomodar-se além do que deveria com tal fato, sabia também que não era inteligente passar o dia inteiro pensando sobre o assunto. Afinal, o que isso tinha lhe rendido? Semanas sem conseguir tocar num livro, preocupações muito maiores das que já teve algum dia e confusão em sentimentos que ela nunca achava que poderia ter dúvida.

Foi então que, como o lampejo de uma luz fraca, surgiu de repente a lembrança do envelope azul que estava nas mãos de Yeosang e agora repousava dentro do bolso de sua mochila. Ela torceu o nariz, enquanto encarava o objeto ao lado da cama, até que enfim decidiu enfiar a mão na abertura lateral de zíper entreaberto e retirou de lá o dito envelope. Havia algo escrito no verso.

Para Jeongin.

Obrigado por ontem e por todos os outros dias. Isto é apenas um agradecimento físico e lembretes da experiência mais maluca que tivemos. Fico feliz de ter sido com você.

JYN.”

Jeongin prendeu o lábio inferior entre os dentes desfrutando da familiar sensação de coração acelerado e respiração breve. Ela podia ouvir com clareza a voz de Yunho sussurrando ao seu ouvido como uma brisa suave: “Fico feliz de ter sido com você” e por isso seus neurônios engalhavam um no outro. Céus, estava tão confusa e nem tinha aberto o envelope ainda pra ver o que tinha dentro, portanto assim o fez, após criar coragem.

A primeira coisa que seus dedos tatearam foi um objeto de rigidez quase imperceptível, que logo ela descobriu ser um cartão, como aqueles de aniversário, porém este era de uma livraria chamada "Kyoko Book Store" situada no Gwanghwamun — o portão principal do palácio Gyeongbokgung — em Jungno-gu. Choi apressou-se em abrir o cartão, onde havia um vale-presente e uma passagem de metrô. Na face oposta também constavam algumas palavras escritas à mão.

Achei que tivesse lido todos os livros da Starfield, então precisei ir um pouco mais longe. Esse vale-presente veio pelo correio, mas o que acha de ver a livraria com seus próprios olhos? (É pra isso que serve o bilhete de metrô!)”

A garota encarava o papel especial sem perceber que seus olhos emitiam um brilho cintilante. Se pudesse medir o que ela tinha feito até agora por Yunho e o que ele tinha feito, essa lembrancinha não seria mais do que o mínimo, pra começar. O ponto era que esse “mínimo” tinha um valor emocional muito maior do que deveria. Depois de vários anos no anonimato, ter essa atenção toda para si era totalmente novo para Jeongin e fazia seu coração acelerar mesmo que sua parte consciente não quisesse.

Com um aceno rápido de cabeça, Choi mandou os pensamentos para longe, para prosseguir com o que fazia, e retirou um pequeno punhado mais de papéis. Não, eram fotos. Fotos da noite anterior, no aniversário de Gunho.

Jeongin soltou um riso fraco enquanto observava aquelas fotografias divertidas. Eles pareciam tão próximos, fazendo caretas, ou sorrindo ao lado do garotinho radiante, mas havia uma foto que destoava das demais. Fazia ondas intensas de ansiedade passarem por todo o corpo da garota — desde a ponta dos pés até os fios de sua franja negra — e provocava a sensação de que o coração estava flutuando.

Na foto Gunho os abraçava pelos pescoços, assim juntando os três rostos, e mostrava à câmera sua feição mais alegre, contudo Jeongin e Yunho não olhavam em direção à câmera. Embora os sorrisos que se formavam em seus lábios fossem tão curtos que podiam ser desprezados, o que chamava mesmo a atenção era o quanto estavam presos um ao outro e inertes ao mundo exterior.

Jeongin lembrava desse milésimo de segundo antes de Eunji tirar a foto. Lembrava de fitar os cristais castanho-claros que a observavam com leveza e de vê-los sorrindo para si, só não sabia que tinha sido algo tão notável a ponto de fazê-la perder o fôlego em apenas uma fotografia.

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Dia seguinte, 9:35 a.m.

A família Choi já estava acordada quando Jeongin saiu. Não era costume acordar antes das nove aos sábados, mas Seonghwa havia se oferecido para recebê-la na Universidade Nacional de Seul e este não é o tipo de convite que se rejeita.

Após deixar o prédio, ela acabou encontrando Yunho que, coincidentemente, tinha ido comprar alguns ingredientes no mercado à pedido da mãe.

Quando seus olhares conectaram-se, ambos pararam de caminhar. Ficaram daquela maneira por sabe-se lá quanto tempo até que Jeong tomou a iniciativa de aproximar-se.

— Bom dia, Innie.

— Bom dia. — Sorriu fechado, em contraste ao bom humor matinal do maior.

— Você... viu o envelope? — Sua fala pausada demonstrava o súbito nervosismo que sentia. Choi assentiu em resposta. — E gostou?

— S-sim, eu gostei muito, obrigada. — Por algum motivo ela mensurou uma discreta reverência.

— Ah, sobre o bilhete que estava dentro, a gente podia se encontrar na estação, sabe, pra não "levantar suspeitas" — Ele gesticulou aspas com os dedos da mão livre.

Jeongin piscou duas vezes, só agora assimilando que os bilhetes, estava no plural, portanto, ele também deveria ter um e os dois sairiam juntos, como na vez que tomaram Cherry Blossom Latte semanas antes. Ela limitou-se a cerrar os lábios num sorriso mínimo e concordar.

— Está indo à biblioteca? — Indagou, trocando a sacola de mão.

— Hm, não, hoje não. Park Seonghwa, meu vizinho, vai me mostrar a Universidade Nacional de Seul hoje.

A feição alegre de Yunho desestabilizou-se por uma fração de tempo, mas não o suficiente para que Jeongin pudesse notar.

— Ah. Faça uma boa visita. — Cumprimentou a menor com um aceno de cabeça e saiu logo em seguida. Não entendia o motivo dos repentinos e insistentes desconfortos no peito ou por que sentia uma nuvem densa pairando sobre seu bom humor.

Choi, por sua vez, ficou parada no lugar, tentando compreender a razão pela saída repentina do mais velho, porém sua mente a lembrou do compromisso que a aguardava logo mais.

[...]

A Universidade Nacional de Seul continha um campus enorme, tanto era que Jeongin mal sabia para onde ir e temia já estar perdida lá dentro.

Imersa em milhares de pensamentos, só pôde sentir alguém trombar em seu ombro, fazendo-a cambalear de leve para trás. Ergueu a cabeça atordoada, logo conseguiu reconhecer os fios castanho-claros e levemente caóticos de Song Mingi — melhor amigo de San e Yunho. Ele surpreendeu-se em ver a mais nova ali.

— Jeongin? O que faz aqui? — Inquiriu, franzindo o cenho, mas sacudiu a cabeça. — Desculpe a pergunta indiscreta.

— Eu vim visitar a faculdade. — Seus olhos voltaram-se para as flores que Song tinha em mãos e, ao perceber, ele corou.

— E-eu tenho que ir. — Coçou a nuca envergonhado.

— Espera, Mingi. Você sabe onde fica o departamento de medicina? — Perguntou, segurando-lhe o pulso. Mingi parou pensativo, em seguida assentiu.

— É no terceiro andar. Suba as últimas escadas desse corredor e vai chegar lá. As salas têm plaquinhas com as áreas específicas.

— Oh, muito obrigada, Mingi.

— De nada, foi bom ver você! — Ao tempo que falava, o garoto ía caminhando de costas, por isso acabou esbarrando em outras pessoas também.

Achando graça de seu jeito atrapalhado, Jeongin acenou rindo fraco, então seguiu caminho conforme fora instruída. As salas tinham mesmo os nomes com suas respectivas especificidades e na de Neurologia Seonghwa estava. Um jaleco branco — perfeitamente limpo e passado — cobria suas roupas de baixo. Mesmo parecendo concentrado, ele conversava com as outras pessoas ali presentes.

Por um segundo o moreno desviou a vista em direção à porta, assim pôde ver Jeongin observando do lado de fora. Falou com os outros alunos, retirou o jaleco e pendurou num lugar específico, saindo da sala logo depois.

— Você veio mesmo. — Ditou em meio a um sorriso aberto, ao qual foo retribuido pela Choi.

— Achava que eu iria dispensar uma visita à esta universidade com direito a guia? Não mesmo. — Ambos riram baixinho.

— Okay. Vou começar por um lugar que sei que vai gostar muito. — Afastou-se para dar passagem à menor e Jeongin logo o seguiu, curiosa para conhecer o tal ambiente do qual, segundo ele, gostaria muito.

Durante o percurso, Seonghwa falava a respeito de algumas coisas da Universidade, ou cumprimentava alguns alunos que passavam pelos dois de vez em quando.

Pararam de frente a uma dupla porta não muito alta que continha uma placa sinalizando que ali era a biblioteca. Park olhou a mais nova com expectativa e ela abriu um sorriso animado, portanto o rapaz empurrou as duas maçanetas e ambos puderam adentrar.

A caminhada até lá tinha sido árdua, afinal o campus era enorme, mas, ao ver a magnitude daquele lugar, tudo valia a pena.

— Woah! — Jeongin murmurou abismada, girando em volta de si mesma para dar uma olhada genérica.

— É gigante, não é? Tem de Il Sungna, e seus contos infantis, a Tortora, com anatomia e microbiologia. — Seonghwa pronunciava as palavras de forma sofisticada e calma.

— É incrível, eu gostaria de ficar aqui para sempre. — Confessou Choi, aproximando-se de uma das estantes, seguida pelo maior.

O tempo gasto na biblioteca foi muito maior do que o previsto e Jeongin lamentou bastante que apenas alunos credenciados poderiam pegar livros emprestados.

Nos próximos minutos do dia, ocorreu um típico tour pela faculdade, a estrutura parecia ser de outro mundo, tudo era tecnológico, funcional, prático e encantador. Seria mesmo mais que incrível estudar ali pelos próximos anos.

A mini excursão teve seu fim próximo à hora do almoço — só então Jeongin percebeu que estava com fome.

— Já passa do meio dia, podemos almoçar no refeitório, a comida é uma delícia. Isto é, se ainda estiver disposta.

— Não vejo problema. Aliás, tudo aqui é tão bom que, com certeza, a comida deve entrar no pacote. — Comentou de maneira divertida, ao que o outro concordou entre risos. — Qual é o valor por pessoa?

— Nada. 

— Nada? — Juntou as sobrancelhas confusa. — A comida é de graça?

— Não. Estou me oferecendo pra pagar o seu almoço. — Ele riu.

— Oh, mas não precisa! Eu trouxe dinheiro! — Involuntariamente suas mãos repousaram sobre a bolsinha tira colo pendurada em seu ombro. 

— Choi Jeongin, eu faço questão. Aqui é como minha segunda casa, estou te recebendo e quero oferecer uma refeição a você, então, por favor, aceite. — O tom suave de sua voz era capaz de fazê-la concordar sem nem questionar e, de fato, foi o que aconteceu.

O refeitório universitário, assim como todo o resto, tinha uma megaestrutura, Jeongin sequer conseguia contar quantas mesas estavam dispostas ali. Enfim, após escolherem uma delas, Seonghwa ficou responsável por pegar o almoço. 

Precisava-se admitir que era diferente estar ali almoçando com um garoto mais velho, rodeada por Universitários que passavam uma imagem muito madura e, ao mesmo tempo, jovial. De toda forma, Seonghwa tentava fazer parecer algo natural para que ela não ficasse desconfortável.

— Park Seonghwa-ssi, está em quanto tempo de curso? — Era a primeira vez que Jeongin tentava puxar assunto com alguém, pois sentia-se estranhamente confortável para isso.

— Dois anos e meio, caminhando pro sexto período. — O rapaz esticou um pouco os ombros, como se estivesse espreguiçando-se. — E você, o que pensa em fazer?

— Ah. Tenho pensado muito em Literatura, é algo que tem a minha cara. Essa é uma das poucas coisas que não tenho planejada no meu futuro, mas, depois de ver a biblioteca daqui, estou começando a ter mais certeza. — Seus ombros moveram-se para cima, simulando um riso.

— Seria ótimo tê-la como colega de faculdade e acredito que tem capacidade pra conseguir uma boa bolsa de estudos. Você fala bem, lê bastante, acredito que seja crucial pra área que pretende ir.

Jeongin conteve um sorriso largo de empolgação. Ela costumava receber elogios dos amigos, da família e até dos professores, mas quando vinha de fora fazia aflorar seu lado tímido.

Park olhou as horas no celular, em sequência voltou-se para Choi.

— Ah, Choi Jeongin, gostei muito do tempo que tivemos hoje, mas meu tempo infelizmente esgotou, preciso voltar ao laboratório pra terminar um projeto.

— Entendo, não se preocupe. À propósito, agradeço muito por ter reservado esse momento pra me ajudar, Park Seonghwa-ssi.

Os dois levantaram, ficando de frente um pro outro, e a mais nova fez uma mesura, mas ele tomou seus ombros com delicadeza e ergueu seu tronco de volta.

— Vamos dispensar formalidades, sim? Eu vou acompanhá-la até a saída, mas, dá próxima vez, prometo ir até a estação de metrô com você.

— Próxima vez? — Sua voz inferia alguma mínima entonação.

— É. Sempre há eventos ou feiras e, agora que somos vizinhos, será sempre minha convidada até o dia que receber sua carta de aprovação. — Ele mostrou os dentes ao sorrir e Jeongin retribuiu de imediato.

— Bem, eu espero que sim! Muito obrigada mais uma vez.

— Não tem de quê.

E assim saíram do refeitório rumo à saida do campus.



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