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História Paper rings - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Ato 1, cena 3: Um (im)provável casal


"Eu gosto de gato, só não gosto do demônio que tomou o corpo desse."

 

-Agora você pode me explicar direitinho o que está acontecendo aqui. - Caitlin ordenou a Barry enquanto tentava secar o cabelo com a toalha que Nora havia lhe dado. 

Depois da confusão com o gato, em que ela literalmente se jogou contra um bolo e cordialmente levou Patty junto, Caitlin foi levada para dentro da casa para tomar um banho e trocar de roupa. Agora ela estava no antigo quarto de Barry, Cisco estava jogado na cama lendo um dos inúmeros quadrinhos que estavam guardados nas gavetas, Nora havia mantido o lugar exatamente como era, Caitlin havia ficado impressionada com isso já que seu antigo quarto havia se transformado em uma sala de ginástica no momento em que ela pisou o pé fora de casa.

-Aparentemente, Ralph é padrinho de casamento de Patty e sendo idiota como ele é, disse que faria uma festa de noivado para eles, só que se esqueceu de alugar um local e implorou para que mamãe cedesse a casa, e como ela pensava que só chegaríamos daqui a duas horas, ela disse que sim. - Barry explicou sentando-se na cadeira da escrivaninha. 

-Então a Patty Maionese aceitou fazer sua festa de noivado na casa do seu ex-namorado. Uau! Talvez ela não seja tão sensata quanto eu pensava. 

-Caitlin, nem todas as mulheres são como você que prefere trocar de emprego do que crescer e conviver com seu ex. - Cisco abaixou a revista e lhe sorriu. Caitlin arremessou a toalha contra ele se sentindo frustrada. - Então Allen, o que você vai fazer agora?

-O que eu posso fazer? Se eu sair daqui todos vão pensar que eu ainda gosto dela, o que não é verdade.

-Mas se ficar todos vão olhar para sua cara de azedo e perceber que você não quer estar aqui. - Caitlin disse enquanto caminhava até sua mala para pegar sua necessaire com sua maquiagem.  

-Ótimo! O que posso fazer para não parecer um ex-namorado rancoroso? - Barry indagou jogando a cabeça para trás e gemendo. 

-Apresentar uma nova e adorável namorada. - Cisco falou se levantando da cama em um salto e apontando freneticamente para Barry.

-E onde eu vou arranjar uma adorável namorada em… - Barry olhou para o relógio em seu pulso. - Cinco minutos? Sei que você tem seus truques, mas não acho que consiga fazer uma mulher aparecer no meu quarto nesse momento. 

-Eu não consigo fazer uma mulher aparecer, porque já tem uma mulher adorável em seu quarto. 

Caitlin olhou de um lado para outro quando os olhos de Cisco seguiram em sua direção. 

-Espera, aonde? 

-Você, Caitlin! Você é a adorável namorada. - Cisco falou, caminhou até ela e a puxou pela mão até Barry. - Vocês dois moram juntos há cinco anos, são melhores amigos e sabem de tudo um do outro, então quem é melhor para fingir um falso namoro do que vocês? 

-Ah não! Nem vem. - Caitlin se afastou deles sem olhar para Barry, seu rosto queimava de vergonha apenas pela aquela insinuação. - Isso é loucura, não é, Barry? 

-Olha… - ela se voltou para seu amigo sem realmente acreditar que ele estava considerando aquilo. - Não é uma loucura total, em muitos filmes isso já deu certo. 

-Porque são filmes, Barry. E em filmes tudo dá certo. Você acha mesmo que todo mundo vai acreditar que nós estamos juntos? 

-Não todo mundo, Caitlin. Apenas Patty e o noivo dela. - Cisco disse correndo até a porta e abrindo-a para ver se o corredor estava vazio. Ele parecia tão paranóico que isso a amedrontou. - Vamos lá, Cait. Será como uma grande aventura.

-Uma grande mentira, você quer dizer. - Caitlin se sentou na cama já desistindo de tentar terminar de se arrumar, aquela conversa não acabaria tão cedo. Ela então olhou para Barry, ele sempre havia sido gentil com ela e mesmo irritando-a todo dia, ele ainda era a pessoa sua pessoa favorita. Barry tinha um bom coração, era uma pessoa incrível e não merecia os olhares de pena que aquelas pessoas estavam lhe dando. Mesmo quando era óbvio que Barry havia superado o término, e Caitlin esperava que ele tivesse, ainda era horrível receber as mesmas perguntas em um tom de pena, "Você está bem com isso?", "Tem certeza que aguenta?", "Você é tão corajoso.", Caitlin  já havia passado por aquilo, sabia como era irritante dizer que estava bem o tempo todo, mesmo quando não estava. Soltando um suspiro exagerado, ela indagou a Barry. - Você realmente quer fazer isso? Não seria melhor agir com coragem e enfrentar todos eles? Mostrar que você a superou.

-Até seria melhor se eu não fosse um covarde em busca de aprovação. - Barry cruzou as mãos atrás da cabeça e sorriu para ela. Era óbvio seu nervosismo com a todo a história, mas ele conseguiu disfarçar muito bem quando disse. - Você não precisa fazer isso se não quiser. Eu posso sobreviver até fim de semana.

-Tudo bem. Já fiz coisas piores do que fingir namorar você. - ela falou se inclinando para perto dele. Barry soltou uma risada que a fez rir, mas não desfez aquele nó de ansiedade que lhe apertava a garganta. - Mas só mentimos para Patty e o noivo dela, não quero que isso se torne uma bola de neve. - Barry assentiu, provavelmente compartilhando o mesmo pensamento que ela, então ambos olharam para Cisco, que no meio da conversa deles dois havia decidido que o feed de seu Instagram era mais interessante. - Cis, você me ouviu?

-Sim, sim. Sem bolas de neve. - ele murmurou guardando o celular no bolso da calça. - Agora podemos descer, estou com fome e Nora me prometeu um pouco de seu macarrão especial.

-Pode ir, ainda tenho que terminar de arrumar meu cabelo. - Caitlin disse já puxando as mechas molhadas para cima a fim de formar um raio de cavalo. 

-Barry?

-Vou ficar com a Caitlin. - Barry afirmou enquanto se levantava da cadeira e se jogava na cama. Cisco assentiu e então saiu do quarto. Caitlin puxou todo o cabelo prendendo-o firmemente, pegou o batom e o passou nos lábios, havia desistido de qualquer maquiagem elaborada, estava cansada demais para isso. - Você realmente não precisa fazer isso, Caitlin. Sei o quanto você odeia mentira.

-Você é meu melhor amigo, Barry. Você me ajudou no momento que eu mais precisava, não vou deixar você na mão. 

Caitlin caminhou até Barry e estendeu a mão para ele. Ela se lembra de quando estava jogada no chão do corredor de seu antigo prédio, caixas ao seu redor e contas em sua bolsa, Barry havia lhe oferecido abrigo e lhe estendido a mão, ele tinha afirmado que nada de mal aconteceria com ela e Caitlin tinha acreditado porque sabia que Barry nunca quebraria uma promessa.

Barry segurou a mão dela e se ergueu da cama, eles ficaram próximos, tão próximos que Caitlin podia ouvir o coração dele bater.

-Vamos fazer isso, mas você tem que me prometer uma coisa. - Caitlin murmurou erguendo levemente o rosto para encará-lo, Barry sorriu dizendo silenciosa para ela continuar. - Prometa que não vai se apaixonar por mim. Sei que é impossível, mas você tem que tentar. Não quero estragar nossa amizade.

Caitlin sorriu para demonstrar que estava apenas brincando, mas viu o sorriso de Barry vacilar. Algo naquele momento fez o nó em sua garganta apertar um pouco mais, ignorando aquela sensação estranha ela deu um passo para trás e puxou Barry para fora do quarto. 

×××

Caitlin sabia que a fofoca era ato social que todos praticavam, e embora as mulheres fossem apontadas como os principais difusores, ela sabia muito bem que os homens gostam tanto de uma boa informação duvidosa quanto as mulheres. Por isso não se surpreendeu quando de repente se viu no centro de uma fofoca. 

Quando Caitlin desceu para a festa com todo o plano em mente, ela só queria pedir desculpa para Patty e informar casualmente que ela e Barry estavam namorando. Até aquele momento tudo estava ocorrendo como o planejado, porém seu plano foi por água abaixo quando Nora se aproximou deles com um sorriso que poderia cegar todos no planeta e puxou Barry para um conversa particular. 

Caitlin engoliu seco observando os Allen se afastarem entre cochichos, deu um gole em seu vinho fazendo seu estômago se acalmar.

-Como está a futura sra. Allen? 

Caitlin se virou para Cisco que tinha um sorriso debochado no rosto. Ela abaixou o olhar quando sentiu algo roçar em suas pernas e encarou o gato que a fez derrubar Patty. 

-Eu te odeio. - ela murmurou em um resmungou. 

-Eu pensava que você amasse gatos. - Cisco disse pegando no prato um dos petiscos que ele tinha roubado da cozinha.

-Eu gosto de gato, só não gosto do demônio que tomou o corpo desse. - Caitlin afirmou olhando irritada para o gato, então se voltou para Cisco mantendo o mesmo olhar. - E eu odeio você. Essa história já está me dando dor de cabeça. 

-Você está nessa há apenas duas horas e já quer desistir? Deus, Caitlin! Pensava que você fosse melhor do que isso.

-Cisco, isso não tem nada haver em ser melhor, isso envolve mentir para muitas pessoas e eu odeio mentiras.

-Não pense nisso como uma mentira, pense como uma aposta. - Cisco disse com aquele sorriso que Caitlin sabia muito bem que era encrenca. - Eu aposto que você não consegue passar todo o final de semana fingindo ser a namorada de Barry.

-E o que eu ganho com isso?

-Uma semana livre de mim.

-Isso seria um bom começo. E o que mais?

-O que mais você quer de mim, mulher?

-Quero que você se livre de todas aquelas bugigangas que você tem no seu apartamento. 

-Espera, você realmente quer isso?

-Sim! Eu adoro a vista do seu apartamento, mas odeio o cheiro dele. 

Cisco soltou uma exclamação de indignação e bufou irritado. Mas então estendeu a mão para ela. 

-Até a meia-noite de segunda-feira quando pousamos em solo inglês você será a namorada de Barry, se conseguir isso, eu prometo que farei tudo o que você quiser e ainda te darei 100 libras, mas se não, você terá que admitir. 

-Admitir o quê? - ela indagou franzindo a testa confusa com que ele estava falando. Mas Cisco apenas sorriu e pegou a taça de vinho da mão dela. Caitlin pensou em questionar aquele mistério, porém acabou sendo interrompida por Barry que se aproximava com Felicity e Iris West, uma amiga de infância dele. 

-Elas me encurralaram quando mamãe me soltou. - Barry disse enquanto caminhava até ela. Caitlin sentiu o braço dele envolver sua cintura e seus corpos se aproximarem. 

-Eu preciso de respostas. Você começou a namorar e não me falou nada. Me sinto traída. - Iris acusou apontando o dedo para ele. 

-Desculpe, a gente não queria fazer uma algazarra. - Barry se defendeu, mas foi cortado por Felicity que disse.

-Então se preocupar com sua vida é algazarra? Apenas não queríamos que você morresse sozinho em um apartamento sujo.

-Não é culpa do Barry, foi eu quem pediu para que ele não contasse nada. - Caitlin revelou tentando aliviar o lado de Barry. - Minha mãe não é muito fã de relacionamentos, ela geralmente diz que relacionamentos só serve para causar dor de cabeça. Depois que meu pai a traiu ela diz que preferia morrer do que ficar com algum homem novamente, o que é irônico já que ela fala isso enquanto transa com ele. - Cisco se engasgou com a bebida enquanto Iris e Felicity pareciam perplexa com sua fala. - Eu meio que cresci nisso de que homens não servem para nada, meus relacionamentos anteriores foram fracassados porque eu sinto a necessidade de desafiar constantemente meu parceiro, fazendo com a relação se torne desgastante. Pelo menos é assim que a minha terapeuta explicou em minha última sessão. 

-Ok… E há quanto vocês estão juntos? - Iris indagou vendo que mudar de assunto era a melhor solução. 

-Três anos. - Barry falou ao mesmo tempo que ela dizia. 

-Um ano.

Felicity e Iris os encararam confusas, Caitlin mordeu o lábio e tentou não olhar porque sabia que se fizesse acabariam se entregando. Então decidiu olhar para Cisco que havia sido o autor daquela plano ridículo. 

-Eles estão se pegando há dois anos, mas só começaram a namorar de verdade há um ano atrás. - Cisco disse sem hesitar. Ele era ótimo com mentiras. - Era horrível acompanhar a tensão sexual entre eles. Geralmente eu os evitava alguns dias da semana. Nos primeiros meses do relacionamento deles eu jurava que eles poderiam se pegar em qualquer lugar, tipo se pegar de verdade e…

-Ok, Cisco. Acho que elas já entenderam. - Barry disse soltando uma risada desconfortável. Caitlin fechou os olhos desejando ardentemente que Zeus decidisse jogar um raio em sua cabeça. 

-Acho que de mais bebida. - Caitlin subitamente falou, pegou a mão livre de Barry e o puxou em direção a cozinha. 

Caitlin ignorou os olhares tortos de algumas pessoas, obviamente havia algo nela que não parecia agradar a todos, talvez fosse pela sua chegada excepcional que abrilhantou a noite e fez com que a noiva trocasse de roupa.

-Quando voltarmos para casa, eu espero que você me faça um belo jantar para compensar essa… - ela se calou quando duas mulheres com olhares atentos passaram por eles. Aquela sensação incômoda voltou a tomar seu corpo, Caitlin se sentia invadindo um lugar que não era seu. 

-Tinto ou rosé? - Barry indagou desviando-a da sua espiral de pensamentos. Caitlin piscou lentamente notando que eles havia parado no balcão da cozinha onde as bebidas haviam sido colocadas. 

-Água. - ela disse. Sua cota de álcool já havia se esgotado e preferiria não ficar bêbada na frente de tantos desconhecidos. Barry caminhou até a geladeira e pegou uma garrafa de água para ela, Caitlin aceitou de bom grado bebendo longos goles. - Quando esta festa vai acabar? 

-Logo, eu espero. Já estou cansando de ter conversas fúteis. 

-E eu já estou cansada dos olhares descarados de algumas pessoas. Elas me olham como se eu tivesse um terceiro olho. Ou pior, como se eu fosse uma mentirosa. - ela disse a última parte em voz baixa, Barry assentiu lentamente. - Não sei se eles acreditam mesmo que estamos namorando. 

-E como você quer que eles acreditem que uma deusa como você está namorando alguém como eu? Nem eu acredito nisso! - ele exclamou ainda em um tom baixo para não atrair atenção. Caitlin balançou a cabeça enquanto soltava uma risada com o elogio disfarçado. - Mas por que você acha que eles não acreditam na gente?

-Talvez seja porque ainda não nós beijamos. 

Barry arregalou os olhos parecendo surpreso com aquilo. 

-Sério?

-Não se faça de tímido. Você já beijou suas namoradas na frente de todos. Por que não me beijar? Apenas faça isso, ok?

Barry assentiu lentamente e com uma certa hesitação ele segurou o rosto dela entre as mãos, ela fechou os olhos e esperou, mas quando Barry lhe deu um leve beijo, Caitlin mal sentiu seus lábios nos dela.

-Barry, pare de ser um covarde e me beije de verdade. - ela murmurou olhando diretamente em seus olhos. 

-Eu não consigo. É estranho, é como beijar minha irmã. - ele murmurou sem afastar as mãos do rosto dela. Caitlin sabia que para qualquer pessoa que os olhasse de fora aquela cena, das mãos dele no rosto dela e as dela na cintura dele, era um tanto romântica, muitos casais tinham conversa em sussurros, mas ela duvidava que as conversas envolvia uma negociação de beijo.

-Primeiro, você não tem uma irmã e segundo, só ficou estranho porque você falou isso. - ela retrucou tentando não transparecer em seu rosto sua irritação crescente. - Agora, por favor, me beije como um garoto crescido. 

Barry suspirou e novamente puxou o rosto dela para perto, desta vez Caitlin sentiu os lábios dele fazerem pressão sobre os seus, em um movimento doce e gentil enquanto as mãos apertavam com força as laterais da camisa dele. Ele tinha gosto de álcool e alguma comida que ela não sabia o que era, Caitlin sentiu sua respiração faltar e seu coração parar por milésimos de segundos, seus pés não pareciam tocar o chão e ela sentia que pudesse cair a qualquer momento. Era como estar em um maldito avião novamente. Tão assustador que fazia seu corpo entrar em alerta máximo porque ela estava com medo, muito medo. 

Ela não queria cair.



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