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História Paper Souls - Calum Hood - Capítulo 14


Escrita por: theycallmeju

Capítulo 14 - Capitulo 13


Sinto-me como se estivesse ao lado de um desconhecido, mas afinal, o que é Calum? Será ele um completo conhecido ou um tremendo desconhecido? 
Não é o momento certo para estas reflexões. 
Quando olho para o lado, lá está ele. Como da última vez. Concentrado na sua condução, com a testa franzida e os lábios húmidos de saliva. 
O shopping já estava no alcance da nossa visão e os meus joelhos tremiam de nervosismo e felicidade simultaneamente. 
Quero tanto voltar a sentir o abraço de Daisy e ouvi-la sussurrar ao meu ouvido que me ama, quero sentir Mary e ouvi-la dizer que tem orgulho em mim. E quero sentir Clarke que por muito que não fale a meio dos abraços, o seu aconchego do tudo.

- Ansiosa para ver as tuas amigas? - Perguntou-me.

- Muito. Deus. Estou com tantas saudades delas. Elas são o meu porto de abrigo.

- Eu tentei sê-lo e não consegui. - Baixou o rosto. A melancolia foi instalada no seu olhar, nas suas expressões. - Mas falamos disso mais logo. - Encarou-me com uma ligeira frieza. - Fica sabendo que tenho planos para nós!

- Não cries planos para "nós", Calum. Primeiro de tudo, e se é isso que estas a querer fazer, recupera os teus amigos primeiro. Aqueles que já estavam cá antes. Depois, concentra-te nos estudos. Eu venho por acréscimo um dia qualquer. - Brinquei.

O telemóvel toca. Penso que é o meu, mas logo Calum mete a mão ao bolso e identifica que é o seu que está a tocar.

- Tracy. - Ele diz com um sorriso. Um sorriso que eu notei ser falso. Ainda ele diz que está feliz. - Olá amor. Estou bem e tu? Ainda bem. Esta noite? Hum... Acho que não posso. - Respondi-lhe duvidoso, olhando para mim como se estivesse a pedir clemência. - Não, amor! Não. Eu não te estou a trair! - O tom de voz dele elevou-se, usando uma expressão e um tremor de voz preocupado. - Sim, estou a ir para casa. 

Como sempre, Abanei a cabeça em género de negação, reprovando esta atitude. Ele está feito maluco a desculpar-se por coisas sem ter culpa. Ele está a levar com a estupida ideia de Tracy de que ele a trai.

- Vou sair. - Disse em linguagem labial. Calum estendeu o braço em sinal de proibição, para que eu esperasse.

- Ok. Ok. Cinco minutos e vou ter contigo. - Respondeu-lhe dando fim ao telefonema. - Desculpa, era a...

- Tracy. - Revirei os olhos. - Eu ouvi. Vai ter com ela. A rainha chama. Mas bem, eu tenho de ir. O dia pode estar bonito agora, mas o céu puxa para uma bela tempestade e eu quero estar em casa quando a trovoada se apoderar do céu. - Voltei a revirar os olhos. Podia parecer ironica, mas estava a ser verdadeira, pois o meu medo da trovoada é agudo. - Medos são medos, não é? Cada um tem o seu, Calum. Talvez um dia me expliques os teus. 

De nada me servia dizer mais alguma coisa quando tudo aquilo que eu disse até agora se evaporou rapidamente na mente dele. Tudo o que eu disse para ele serviu de zero. De nada. E isso só me faz desiludir ainda mais e pensar que eu fui tão burra ao achar que ele podia ser diferente de que qualquer um que algum dia apareceu à minha frente.

É-me impossível explicitar aquilo que me percorre por dentro e me arde no coração. É algo forte. Muito forte, isso eu sei. Mas o que será em concreto? Como posso explicar? É como... É como se eu o odiasse tanto, mas ao mesmo tempo não o conseguisse fazer por completo porque... Porque é o Calum e ele transmitiu-me confiança desde o princípio.

Saí do carro sem mais justificações. Estava em frente ao shopping preparando-me para ir ter com as minhas amigas. Era isso que importava agora. Mais nada.

- FAITH! - Um empurrão trouxe-me de volta para a realidade, acompanhado por um grito. Distingui que eram três vozes distintas. Daisy, Mary e Clarke.

- Estás tão bonita! - Disse Mary abraçando-me fortemente. 

- E estranha... - Acrescentou misteriosamente Daisy. Já estava há espera que ela, pelo menos ela, notasse isto. 

O olhar dela queria penetrar-se no meu, como sempre faz, para que com isto conseguisse obter informações adicionais sobre o meu estado de espírito. Aliás, os olhos dizem tudo. Mesmo aquilo que não queremos que os outros saibam. Teremos que treinar o nosso olhar em sincronização dos nossos pensamentos e sentimentos. Será isso realmente possível? Entrar em concordância com duas coisas que nos fragilizam e colidem criando um vulcão de emoções perfeitamente excêntrico, explosivo, arrasador. 
É o Calum. O Calum é o meu vulcão. Ele está a explodir dentro de mim, a colidir com o meu cérebro.

- Estou bem! - Saltitei de um pé para o outro, revirando os olhos com um sorriso, e abri os braços para um abraço de grupo. São as minhas meninas.

Quem pensa que é fácil estar longe das pessoas que mais nos são algo, que mais nos suportam, está errado. Isto tem sido, sem dúvida, a coisa mais difícil da minha vida. Se eu confessasse isto a alguém mais velho que eu, a um adulto que - embora já tenha passado pela adolescência - de nada a compreende.

Iriam dizer, provavelmente, que mais amizades aparecem. Tenho dezassete anos e uma vida pela frente. Mais amizades vão aparecer. É sempre isso que dizem. Já estou habituada. O que eles não entendem é que eu, com dezassete anos, já sei fazer a distinção entre amizades e colegas. Sei o que quero por agora e o que quero para o futuro. 

Oh, eu queria tanto para agora. Não tenho nada. 

- Porque é que eu acho que há algum rapaz envolvido no meio disto tudo. - Ao ouvido segredou-me Daisy.

 Abanei a cabeça em negação. Queria poder dizer-lhe que era e ao mesmo tempo não era, pois o contexto em que ela utilizou estas palavras foi no género de "Ah, existe um namorado na área", mas não. O Calum é um amigo. Um amigo distante que eu queria trazer de volta à vida. Há minha vida. 

- Como estão as tuas notas? - Indagou Mary. Ela sempre se preocupava com isso. 

- Boas. Até agora. - Sorri. Era a única expressão que conseguia ter aqui. - Onde está a professora? 

- Ela foi comprar umas coisas quaisquer. - Clarke revirou os olhos enquanto me informou de onde ela estava. - E nós vamos ter de ir rápido porque temos um grande caminho pela frente. - Baixou o rosto mostrando a sua expressão de desilusão. - Está prevista uma grande tempestade por ai, e nós viemos de camioneta. 

[...]

A noite tomou conta de mim e da melancolia que sempre se apoderava do meu estado de espírito nesta altura do dia. Revolvida pelos sentimentos e acontecimentos de hoje, pus os fones nos ouvidos e deitei-me na cama, a olhar para o teto. 

O telemóvel tocou dando sinal de uma mensagem de Clarke a dizer que elas já tinham chegado, em segurança, embora tivessem apanhado um pouco de chuva pelo caminho. Nada de muito comprometedor nem grave. O estúpido é eu ainda achar que Calum me vai ligar ou mandar mensagem com algum tipo de explicação ou desculpa sobre os planos que ele outrora criou e eu o impedi de fazer. Não posso negar que me acreditei um pouco neles. 

Olho para a janela, com a persiana aberta, e vejo um relâmpago. Ah, merda. Tiro os fones num ápice e corro até ao interruptor, apagando a luz. Estou de pijama já, então não iria ser preciso movimentar-me muito mais que isto. Apenas deitar-me e esconder-me por baixo dos lençóis, choramingando. Não, choramingando não, chorando. Tenho um medo tão terrível disto.  E agora eu não tenho ninguém aqui para me agarrar e reconfortar, pois a minha mãe está a trabalhar. 

O telemóvel toca. Faço um sacrifício para atender, mas foi inevitável não ficar um pouco excitada quando vi o nome a piscar. Excitada pelo bom e mau motivo. Queria saber o que ele tinha para dizer, e eu sabia exatamente o que lhe responder. Calum.

- O que foi? - Atendi desta forma, tentando com a arrogância esconder o medo que me corroía. 

- Estás bem? - Pergunta e eu calo-me. 

- Es... - Um trovão fez-se ouvir. Tremi. - Estou.

- E com medo. Bastante. - Ele ri de mim e só me deu vontade de o mandar dar uma volta, mas ouvir a voz dele estava a acalmar-me. - Onde estás?

- Em casa! Achas que eu ia andar na rua com este temporal? Não sou nenhuma maluca! - Guinchei ao som dos trovões cada vez mais próximos.

- Oh! Isso foi uma ofensa para mim, Faith. - Engrossou a voz e eu pude imaginar a feição que ele usa. A expressão e os gestos que ele faz quando está indignado. Pude ver os seus olhos ficarem esbugalhados e um sorriso crescer no seu rosto. - Em que parte da casa estás? - Voltou a questionar. 

- Tento interrogatório, Calum Hood! Pretendes assassinar-me e queres saber se é melhor entrares pela janela ou pela porta? - Gargalhei. Isto éramos nós. Mesmo nós.

- Sim, Faith Miller. Quero assassinar-te. Qual é o teu filme de terror favorito? - Imitou a voz do Serial Killer do filme "Gritos". - Provavelmente se eu te quisesse matar trazia-te para a rua. Era eficaz. Com este temporal. 

- Oh, cala-te. Estou a morrer de medo, foda-se! 

- Esse medo deixaria-te deslocares-te até à entrada para me abrires a porta? 

Saltei da cama, acompanhada por outro trovão que me fez arrepender do meu salto. A vontade de falar e pedir justificações para o que ele havia dito eram muitas, mas coragem era pouca. No meu pensamento relâmpago só posso achar que ele está a brincar com a minha cara e a única reação que tenho é rir sarcasticamente. 

- Faith! Estou a apanhar chuva. Anda lá.

Pensei em beliscar-me umas quantas vezes para saber se isto era real ou não. Tentei questionar-me sobre o porquê de ele estar aqui e a única resposta que obtive foi o facto de Calum querer voltar com os seus atos atrás, mas será isso mesmo possivel quando alguém interfere no meio disto tudo? Quando uma Tracy existe e ela está a querer mudar o Calum que eu conheci. O Calum que tomou a iniciativa de se aproximar e me ambientar quando eu não passava de uma desconhecida; O Calum que me apresentou a esta cidade de almas perdidas; O Calum que me reconfortou, ajudou, insistiu em mim. Muito resumindamente, o Calum. Sim, porque ele é como um adjetivo. Um adjetivo que qualifica a amizade, diversão, um mundo, o amor, a calma e a brincadeira. um adejetivo que alberga diversos fatores. Alguns contraditórios, outros que se completam.

Saiu do quarto a medo e com cautela para não tropeçar em algo no escuro que se faz pois não ouso acender as luzes. A tempestade intensificava cada vez mais e eu conseguia ouvir os trovões na chamada telefónica e ao vivo, bem perto de mim. Merda.

Abro a porta, deparando-me com Calum completamente encharcado, com uns fios de cabelo a cair-lhe pelos olhos e um sorriso. Desligamos a chamada, encarando-nos mutuamente. Suspirei de alivio. Neste momento foi como se nem sequer conseguisse ouvir os trovões. Eles eram irrelevantes para mim agora.

Calum entrou, pousando ao lado da porta a sua mochila, também ela completamente molhada. Fechei a porta e quando me virei dei por mim a ser observada por ele. O silêncio tomava conta de nós. Tudo aquilo que desejo dizer foi absorvido pela aparição dele. É-me impossivel expressar agora que o encaro. É impossivel revoltar-me e ser tão fria com ele aqui, a olhar para mim com os seus doces olhos, apaixonantes.

Gostava de descrever o nó no estomago e na garganta que sinto de cada vez que aqueles olhos penetram o meu corpo e a minha alma. Gostava de conseguir descrever na perfeição, mas por outro lado tenho medo de que se o fizer tão bem, de se o fizer para alguém, esse alguém se apaixone por aquele olhar tal como eu.

Com isto dou por mim a pensar que, será que, a Tracy também apaixonada por ele? Será ela mesmo apaixonada por Calum e por aquilo que ele tem para dar? Custa-me a acreditar que assim seja, porque se ela o fizesse ela respeitava-o, não o obrigava a deixar os amigos, pois ele não faz isso com ela.

Um nós na garganta, ainda mais forte que o anterior, forma-se e lágrimas são derramadas pela minha cara.

- Eu sei, Faith. - Nesse instante, Calum abraça-me e afaga-me a cara, limpando-me as lágrimas. - Eu fui um covarde. Por favor, desculpa. Estou aqui agora e tu não estás sozinha.

- Não quero estar sozinha nunca mais, Calum. - Sussurrei-lhe ao ouvido. - Estou farta de estar sozinha. 

[...]

Sozinha. Sozinha. Sozinha.

É tudo o que estou agora, neste momento. No quarto gelado pintado em tons de rosa para me criar a ilusão de que me encontro no paraíso, mas paraíso é tudo o que isto não é. A madeira de cereja não é mais a coisa bonita e desejável que posso ter aqui. O edredon não é mais o meu conforto. As fotografias que adoro ver, ou a música que gosto de ouvir, não são mais o meu refúgio para me abstrair dos gritos vindos da cozinha.

Sento-me no chão, agarrada aos joelhos. Não há amor aqui. Pergunto-me se eles tentaram reconhecer o amor. Fazer o verdadeiro amor. Pergunto-me se eu fui a causa destas paredes partidas cá em casa. Tudo está destruido. Apenas me abrigo por baixo de destroços e um lar destruido, uma familia desunida. Uma familia que já não é familia.

As palavras que se fazem soar vindas da outra parte da casa cortam como facas. Perdi a esperança. Não tenho mais nada a quem me agarrar. Todas as batalhas, todas as guerras que juntos fizemos passaram agora a fracassos. Ninguém é mais feliz aqui. Não somos uma familia. E eu estou sozinha. Estou sozinha nesta casa.

Estou agarrada a um sonho enquanto as paredes continuam a ruir, o copo partido no canto da sala acaba com as memórias criadas até agora. Tudo é passado.

Porquê mãe, porquê pai? Como é que vocês se deixaram chegar aqui? Como é que isto foi acabar assim? Como foi que vocês me deixaram ficar sozinha, culpada, com as dores de um fim assim? Todo o tempo que lutamos para continuarmos juntos foi por agua a baixo. Como foi isto acontecer? Como foi que perdemos a nossa felicidade?

A dor continua aqui. Eu estou sozinha num lar destruido. Culpada. Quem afinal está certo ou errado? Tenho doze anos e estou a passar por isto sozinha. Mas afinal, quem se importa com isto? Com a dor constante que sinto desde que tenho seis anos e acompanho discussões agressivas. Estou morta sentimentalmente, interiormente, espiritualmente desde cedo. Mas isto acabou. Acabou e eu vou ficar morta fisicamente.

Como posso aguentar com esta dor. Com a dor e o medo de ficar presa ao passado e só disso me alimentar. Saber que nada vai acontecer. Saber que mais nenhum momento especial, numa familia cheia de ilusões, vai voltar a acontecer.

Os pedaços rasgados de fotografias, e os vidros partidos das molduras, cercavam-me. As pessoas com sorrisos bonitos e felizes são uma mentira. Não há amor aqui. Nós somos fantasmas e o que aqui está presente nestas fotos são apenas coisas, desejos de pessoas que queriamos ser e não conseguimos, pois ninguém procurou amor e felicidade.

[...]

- Estás bem, Faith? - Ainda nos braços de Calum, aperto-o contra mim. O cheiro dele, os braços dele, reconfortavam-me. Calum não me fazia lembrar apenas Tyler. Calum fazia-me lembrar de tudo que havia na minha vida. Como é isto possivel? - Em que pensas?

- Na minha família. - Respondo.

- Porque não me falas mais sobre isso? - Questionou. Seguiu caminho para o meu quarto e esticou-me a mão para que eu o acompanhasse. Franzi o cenho para esta ação. - O que foi?

- Estás encharcado, Calum. - Gargalhei. - Devias ir para casa. Eu fico bem.

- Eu estou bem aqui. E trouxe pijama! - Disse-me entusiasamado, erguendo um sorriso no rosto. - Quer dizer, eu durmo de broxers. - Trincou o lábio.

- Para com isso! - Brincando, por entre risos, bati-lhe com as palmas das mãos no peito. - Vai dormir para a casa da tua namorada. Ou ela pensa que a estás a trair.

Quase como automáticamente a expressão dele mudou. Toquei num ponto fraco, visto que ela o era para ele. Como se ele a quisesse e ao mesmo tempo não. Como se esta relação se alimentasse na base do intresseirismo ou feição. Querer por querer.

De qualquer maneira ele continuou a seguir caminho para o meu quarto e eu segui-o. Tirou as sapatilhas e atirou-as para um canto do quarto. Olhei-o de lado e apontei para elas, seguindo ele o meu olhar e arrumando-as ordenadas.

- Podes dar-me uma toalha para me secar, por favor? - Pediu.

- Calum, tu não vais mesmo ficar aqui, pois não? - Indaguei baixando-me e abrindo a gaveta do fundo do armário, tirando a toalha que logo lhe entreguei.

- Estava a pensar em ficar. O meu carro foi esta tarde para a oficina. Teve um problema no motor.

- E vieste para aqui porque a minha casa é mais perto do que a da Tracy e tu não tinhas nada para fazer, ou...

- Na hora de almoço disseste-me que cada um tinha os seus medos. Tu tinhas medo da trovoada e um dia eu podia vir a dizer-te os meus medos. Faith, o meu medo é perder-te mais do que aquilo que já perdi.

- Como é que podes dizer isso? - O meu coração palpita tão depressa que a ansiedade percorrente no meu corpo é impossivel de controlar.

- Foi um absurdo eu ter-te deixado naquela noite. Depois do dia que passamos. Faith, tu és uma rapariga que precisa de alguém. Esse alguém sou eu. Esse alguém era eu. E eu perdi-te! Eu devia ter-te ajudado a ultrapassares as tuas marcas, as tuas cicatrizes em vez de ter alimentado mais a tua dor e o teu desgosto. Desculpa! - Pediu agarrando nos meus pulsos. Doía. Estava a doer bastante. - Somos amigos e tu precisavas de um amigo como eu, mas eu fui embora.

- Não vás embora novamente. - Sussurrei contra o seu peito quando ele me puxou para um abraço caloroso. Estou molhada por causa da roupa encharcada dele. - Acho que devias tirar a roupa. - Não foi minha intenção dizê-lo como algo malicioso. - Tenho ali umas camisolas do meu pai se quiseres usar. Não devias dormir de boxers. Só de boxers. - Larguei-o, dizendo de forma atrapalhada.

- Porquê? Tens medo que aconteça alguma coisa entre nós por causa disso?

Ok, tentei não ser maliciosa mas ele foi e a minha reação foi olha-lo de lado pois nada iria acontecer. Ainda tenho consciencia do certo e do errado, e por muito que seja contra o relacionamento dele com a loira oxigenada, não vou andar a enrolar-me com ele. Ainda para mais ele é um amigo e eu não o consigo ver para mais que isso. É quase como impossivel.

- Vais dormir para a casota do cão, Calum Hood! - Guinchei.

- Tens cão? - Perguntou excitado, dando um pequeno salto.

- Não. - Baixei o rosto. - A minha cadela ficou em Melbourne com os meus avós. Tenho saudades dela.

Deitei-me e enfiei-me por baixo dos lençóis, aconchegando-me do frio. Seguidamente Calum veio para a minha beira sem eu sequer ter visto o estado em que ele estava, mas logo quando se encostou a mim senti o seu corpo gelado e ainda húmido. Gemi de frio e ele riu. Ele estava sem roupa - quase - nenhuma deitado ao meu lado. Puxou-me para si pondo por baixo da minha cabeça o seu braço, e beijando a minha testa.

- Não penses na Tracy agora. Somos amigos, não é? Ela não tem de saber de tudo. Nem tem de saber onde eu durmo. Agora diz-me em que tanto pensas de cada vez que eu estou aqui.

- Bem... eu penso, neste momento, que não estou com medo da trovoada agora. - Olhei para ele. Era tão quente e reconfortante. Sentia-me embalada e protegida. - E que tu me fazes lembrar a felicidade, a tristeza. O bom, o mau. Que és tu afinal? - Perguntei retóricamente. - Fazes-me lembrar o meu passado porque tu és tão... és tão como eu. O teu olhar, ele quer dizer mais do que aquilo que tu próprio dizes e... não consigo explicar. Os teus braços trazem-me memórias, o teu batimento cardíaco esperança, as tuas ações trazem-me o Tyler e o reconforto que me dás traz-me a minha familia. É complicado de explicar, não sei se entendeste.

- Entendi, sim. - Murmurou. - Estás cansada. Dorme.

- Tenho medo... - A minha fala começa a ser arrastada pelo sono e logo começo a falar como se estivesse anestesiada. - Tenho medo que ele volte...

- Ele quem? - Questionou. - O Tyler?

- Não, Calum. O Peter. - Arregalei os olhos tentando-me manter acordada. - O ex-namorado da minha mãe. Ele... ele tentou matar-me e eu tenho medo. 

- Shiu... - Afagou-me o cabelo, beijando-me a testa suavemente. - Eu estou aqui, Faith. Ninguém te vai fazer mal enquanto eu aqui estiver.    



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