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História Paper Souls - Calum Hood - Capítulo 15


Escrita por: theycallmeju

Capítulo 15 - Capitulo 14


O sol nasceu e eu já estava acordada enquanto Calum ainda dormia. Seria demais dizer que quando despertei dei por mim num tipico cenário de filme onde as personagens se encontravam em concha e serenas, embaladas pelo respirar uma da outra. Neste caso era completamente mentira.

 

O relógio marcava as sete da manhã desta quinta-feira. Ainda era cedo para acorda-lo se nos fossemos a seguir pelo nosso horário de entrada nas aulas, mas a minha mãe chega a casa daqui a uma hora e de facto não iria ser muito agradável ela chegar e ver um rapaz, quase nu, deitado na minha cama. Ainda que se eu lhe dissesse que nada se passou entre nós, ela não se iria acreditar. Conheço muito bem Bella e sei exatamente o que ela iria fazer em seguida, visto que em Melbourne - quando eu era mais nova e me via sozinha em casa - eu queria sempre uma companhia e então levava para casa o meu grupo de amigos onde ai se encontravam uns três rapazes e apenas duas raparigas. Eu e Sarah Martin. Minha amiga de infância. Águas passadas. Águas bem passadas. Gostaria de voltar atrás no tempo, mas existem factores que me incapacitam de o fazer.

 

Arranjo uma posição melhor para me sentar na cama sem ter de o acordar, o que se tornou bastante impossível. Cada vez que olhava para ele dava-me vontade de rir pois Calum encontrava-se com a cabeça em cima da mesa-de-cabeceira e uma perna em cima de mim.

 

- Bom dia. - Sorriu para mim, levantando a cabeça e deparando-se com o seu estado. - Pelo menos dormi bem. - Gargalhou. - E tu?

 

- Bem. - Levantei-me indo em direção ao armário preparando um conjunto de roupa para vestir em seguida. - Parece que foi uma tempestade relâmpago. Está bom tempo hoje. - Admirei, olhando de relance lá para fora, onde o céu estava limpo, azul e bonito.

 

- Hoje poderiamos fazer um programa qualquer, Faith! - Ele saltou exaltado, desviando as minhas atenções do que admirava, centrando-me nele. - Cinema, Pizza, FESTA!

 

Olho para ele e encaro-o com a excitação ideal de alguém da idade dele. Aliás, estaremos a falar ou não de Calum Hood, o rapaz com ideias extravagantes que dormiu comigo esta noite? Sim, ele dormiu comigo e é um pouco dificil de acreditar que o tenhamos feito, uma vez que eu não o iria fazer com ninguém. Pelo menos o tivera prometido que não iria ter qualquer tipo de relação com ninguém, do sexo masculino. Oh, Calum excedeu os meus limites todos.

 

- Fala com os rapazes. - Percorro o corpo dele, queimando o meu olhar na sua pele.

 

Cada centímetro que aprecio desvenda um pouco dele. Um pouco de nós. A minha vontade é esticar a mão e deixa-la deslizar pelo seu tronco. Tocar-lhe como se não existisse amanhã. Ele tinha mais tatuagens e a minha vontade era tocar nelas porque para mim isto era uma perdição. Gostaria de me aventurar e desvendar cada significado delas.

 

- Será que eles vão aceitar? - Questionou.

 

- Tenho a certeza que sim. Eles sentem a tua falta. - Sorri-lhe e levei a minha mão ao seu rosto, onde acariciei as suas bochechas. Merda. Não devia ter feito isso. - Sim, e amanhã não temos aulas. - Continuei, retirando a mão da sua cara rapidamente, como se fosse um reflexo, envergonhada com o meu ato. - Mas temos um teste para a semana. Devias de estudar também. Vê se usas o fim de semana para isso, Calum. 

 

- Oh, estás envergonhada por me tocares, Faith Miller. - Piscou-me o olho tentando ser sensual e aproximou-se de mim a passos pequenos, quase que a prender-me entre a porta do armário e o seu corpo. - Mal sabes a maneira como dormiste agarrada a mim. - Sussurrou.

 

- Shiu, shiu, shiu. - Disse. - O que é que estás para ai a dizer? Oh, não sejas parvo Calum! - Revirei os olhos e fingindo não estar perturbada com a acusação que este individuo fez, respondi-lhe com um: - Tu roncas alto como tudo!

 

Ele sorriu despreocupadamente. Já eu voltei as costas para si, como sempre lhe faço quando estou no minimo revoltada.

Sou surpreendida pelo toque do telemóvel que invade o espaço em que nos encontramos.

No visor brilhava o nome e número da minha mãe. O meu coração apertou um pouco com medo de que ela estivesse possivelmente a vir para cá, porque poderia ter saído mais cedo como já muitas vezes havia acontecido, ou então na mínima das ideias podia só estar a querer acordar-me para ter de enfrentar mais um dia de escola.

 

- Olá querida! - Ela disse num tom meigo. Não lhe Respondi pois ela avançou rapidamente. - Já estavas acordada?

 

- Sim, mãe. - Informei-a secamente. A verdade é que, depois de eu ter conhecimento sobre os pensamentos dela e as escolhas dela, a nossa relação não tem sido a mesma. Bela tenta recompor toda a situação que criou, mas a ideia de que ela quer voltar para quem lhe fez mal irá pairar sempre na minha cabeça até isto acabar definitivamente.

 

- Ainda bem, filha. - Ela disse-me com um ligeiro receio por trás. Senti esse receio crescer-lhe na garganta. - Olha... hum... - Começou, com hesitação. - Só te queria dizer que não vou já para casa, por isso não esperes por mim para o pequeno-almoço. A Sandra, uma colega de trabalho minha, pediu-me ajuda numas coisas, e eu vou ajuda-la.

 

Porque é que isto não me suou a uma verdade e sim a uma desculpa? Tenho medo que assim seja e que... oh, não... eu não quero nada que seja o que penso e o que me tormenta constantemente. Não quero que seja um pensamento real, ou um pressentimento. E se for o Peter? E se ele estiver a dar em cima dela novamente, e novamente a minha mãe se rendeu? Bem, capaz de tudo é ele que, uma vez que nós fugimos de Melbourne para cá por causa dele, Peter descobriu-nos e voltou a atacar, levando "mimos" à minha queridissima mãe.

 

- Oh, ok. - Engoli em seco e um arrepio passou-me pelo corpo, atirando a roupa para cima da secretária e revirando os olhos. Já Calum admirava a cena completamente confuso. - Vens para almoçar?

 

- Não, Faith. Só devo chegar perto da hora de jantar. - Informou. Ok, definitivamente a desculpa dela é totalmente uma desculpa.

 

Desligada a chamada, atiro-me para cima da cama com um nó impressionante na garganta que me forçava para chorar a cada momento que o meu coração palpitava mais depressa. Calum olhou-me preocupado e sentou-se ao meu lado acariciando os meus cabelos levemente. Não foi preciso muito para entender que aquele ato significava uma pergunta. "Que se passa, Faith?"

 

- Tenho medo que a minha mãe esteja acompanhada pela pessoa errada de novo. - Confessei-lhe sem hesitar. Talvez o melhor seja partilhar com ele tudo aquilo que outrora escondi. Talvez ele me ajude. Talvez ele me salve. - E eu fiz uma promessa de que se ele voltasse a entrar nesta casa, eu saia. Mas, Calum, estou a ver a minha vida a andar para trás. Estou a vê-lo entrar por aquela porta e eu a não ter nenhum sitio onde ficar. Estou a ver eu a deixar a minha mãe nas mãos no diabo e tudo isto porque ela o quer. Tudo isto porque ela não aprendeu quando sofreu pelo meu pai, e quando sofreu a primeira vez por este homem sem vida.

 

Constrangida com o momento carregado de lembranças e um olhar meigo vindo de Calum, decidi que era hoje que eu estava pronta para desvendar algo do meu passado. Para desvendar a minha vida dentro destas quatro paredes que me pertencem.

 

Abaixo-me e da mesa-de-cabeceira tiro um caderno. O caderno onde a minha mãe escrevia os seus sentimentos quando estava na fase de separação com o meu pai. Foi com este caderno que eu chorei quando não tinha nada; Foi com este caderno que senti a dor da minha mãe para além das lágrimas que eu via a cairem-lhe pela cara; Foi com este caderno que reconheci o meu pai e a pessoa que ele é.

 

- Nunca mostrei isto a ninguém, Calum. Mas eu quero que tu leias. Esta carta. - Apontei para uma folha do caderno e estiquei-o para ele, entregando-lhe em mãos. - Isto foi num aniversário do meu pai.

 

"Olá,

 

Hoje é um dia especial porque hoje é o teu dia. Dia 2 de janeiro, dia em que completas mais um aniversario. Para mim também é dia de comemoração porque te acompanho à onze anos. Fico feliz por isso, porque foste e continuas a ser uma pessoa especial. Neste dia quero ser a primeira a dar-te os parabéns. Alias, quero continuar a ser a primeira em tudo, ou melhor em quase tudo.

 

Foi comigo que casaste pela primeira vez;

Foi comigo que tiveste uma filha linda;

Foi comigo que foste feliz;

Foi comigo que também foste infeliz;

Foi a mim que um dia amaste;

Foi comigo que apanhaste grandes bebedeiras;

Em momentos foi de mim que tiveste saudades;

Foi comigo que algumas vezes choraste;

 

Foi comigo que algumas batalhas venceste e alguns obstáculos derrubaste;

Foi comigo que desalinhaste. "

 

- Uau... isto... isto é muito forte. Entendo as palavras da tua mãe tão bem. É potente. Ela descreve a felicidade de ambos e a infelicidade também. Cada palavra tem um peso. - Disse em tom baixo, pousando o caderno do seu lado e puxando-me para si num abraço.  - Eles eram felizes antes?

 

Parte de mim ainda se questionava sobre o certo e o errado desta situação, e a outra parte tratava de me fazer acreditar que eu fiz a escolha mais acertada no desenrolar disto tudo. Coragem para responder à pergunta que me fora colocada era o que agora me faltava; Ou então, tudo o que me faltava era única e simplesmente uma resposta correta.

Teriam eles sido realmente felizes no meio disto tudo?

 

- Não sei. - Acabo por dizer. - Mas eu devo ter sido uma das causas desta separação.

 

Entrego-me de corpo e alma ao pensamento que se apodera de mim. Sempre tive essa ideia e isso formava-se no meu cérebro como imagens ordenadamente reproduzidas.

 

A traição que o meu pai fez à minha mãe foi causada pelo meu nascimento. Uma vez que eu nasci o meu pai já não tinha nada que aproveitar da minha mãe. Esta tinha outras preocupações e não tinha tempo para sexo nem outras coisas que o meu pai, John, quisesse fazer. Não tinha tempo para namorar.

 

- Faith, nunca penses assim. Tu és filhas deles e eles amam-te. Ponho as minhas mãos no fogo, mesmo não conhecendo a questão em si, que não foste a causa da separação deles. - Calum avançou até mim, sentando-se em si da sua perna. Com ambas as mãos segurou o meu rosto e beijou-me a testa levemente.

 

- Às vezes pergunto-me se sempre foi melhor a separação ou não. Quer dizer, ela sofreu de qualquer maneira. - Disse.

 

- Não te posso responder quanto a isso, mas, anda cá. - Puxou-me de volta para si. Senti que não nos queríamos largar por algum motivo. Sentia-me tão bem naqueles braços. - A noite passada confessaste-me que tinhas medo de algo. De um tal de Peter.

 

- O meu ex-padrasto. - Esclareci. - Uma vez ele tentou matar-me quando eu interferi numa discussão entre ele e a minha mãe. Agora acho que tudo vai voltar. Eu acho que eles vão voltar.

 

- Se ele voltar eu estou aqui. Não penses que eu digo as coisas por dizer, ou faço por fazer. Faith, nós não temos cinco anos. Nós já sabemos como é a vida e eu dava a minha para te ver sorrir. Eu era capaz de fazer a maior idiotice se isso te fizesse sorrir. Consigo ver nos teus olhos que és tão frágil e não o queres admitir. Consigo saber, com pouco tempo, que foste a melhor coisa que me aconteceu neste ano, mesmo que só tenhas aparecido no final.

 

- E a Tracy... ela deveria ter sido a melhor coisa, não eu.

 

- Não... não vamos falar sobre isso. - Engoliu, notoriamente, em seco. - Por favor, deixa-me saber do teu sofrimento quando estiveres a sofrer, deixa-me saber das tuas alegrias quando estiveres feliz, partilha comigo o teu passado e o teu futuro. Os teus desgostos, conquistas. Faith, és como uma melhor amiga para mim.

 

- Eu... eu não sei o que dizer. - Murmurei, saltando para cima de Calum com uma felicidade aguda que percorreu o meu corpo.

 

- Então agradece-me não fazendo o que fazes. - Disse a meu ouvido. Fiquei confusa com o que ele havia dito e nem com o seu olhar entendi as palavras que tinha pronunciado.

 

Deixei-me ficar de joelhos na cama, envolvida nos olhares perturbadores de Calum. Merda. Pousei as mãos sobre as coxas e fechei os olhos. Logo de seguida a mão dele acariciou o meu rosto. Rendi-me quase ao seu toque. Abri os olhos. A outra mão dele pairava sobre o meu pulso esquerdo. De seguida pegou-o e esticou a manga. As minhas pulseiras? Faltam as minhas pulseiras. Franziu uma sobrancelha e lentamente beijou os meus cortes. Aquilo ardia. A saliva em contacto com a ferida. Os lábios meio aguados dele sobre o meu sangue seco.

 

- Calum... - Gemi de dor.

 

- Shiu. - Pediu. Isto é tão esquisito. Ele está semi-nu em frente a mim. - Não te vou deixar cair nunca mais, Faith.

 

- Mas... doi tanto, Calum. A vida não faz sentido para mim. Eu quero... eu quero morrer. - Desabei em frente a ele. Chorei em frente a ele.

 

- Não, Faith. Tu não queres morrer. Eu vou fazer-te mudar essa ideia. - Com o polegar e o indicador, Calum limpou as minhas lágrimas. - Ei, não percas a tua fé, porque eu não quero perder a minha. - Piscou-me o olho.

 

A sua genuinidade para fazer um trocadilho destes fez-me soltar um pequeno sorriso e posteriormente abracei-o com toda a força possível. Este momento foi ideal para conseguir apreciar como podemos não ficar constrangidos com os atos que temos um com o outro, e as condições que nos condicionam. Quer dizer, ele tem namorada e está aqui em frente a mim como se tivéssemos tido uma relação na noite passada. Mas isso seria impossível porque é o Calum e ele... ele é meu amigo e mais nada. Não o vejo de outra forma. 

 

- Encosta-te aqui mais um pouco. - Arranjou uma posição confortável na cama e puxou-me para si envolvendo-me nos seus braços. - Podes adormecer. Eu chamo-te daqui a uma hora para depois irmos para a escola.

 

 



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