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História Para não atrapalhar o meu caminho. - Capítulo 5


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Notas do Autor


Esse texto é um pouco mais pessoal do que todos os outros que já escrevi.
Me digam o que pensam...

Capítulo 5 - Pelo nome


Fanfic / Fanfiction Para não atrapalhar o meu caminho. - Capítulo 5 - Pelo nome

Dos dias de sua infância à juventude, atravessando décadas de memórias coladas no interior de seus olhos, o sentimento estranho permaneceu – se não ganhando forma e força com o despedir de dias. Desde o céu nublado ao infinito azul, do vento calmo ao que derruba árvores, ou dos gestos mais simples de simpatia aos mais agressivos de raiva e descontrole; tudo lhe alcançava os olhos com uma aura obscura, apinhada de informações que ela ainda não conseguia entender e devorando os momentos de liberdade quieta que ela futuramente conseguiria usufruir.

Da janela de um quarto vermelho, com a vista de um corredor azul cheio de pedras cinzas no chão, ela conseguia enxergar o céu. Seus olhos se afundaram naquilo. O azul simples, tão simples, lhe chamava pelo nome. Não aquele que todos carregam em suas mentes individuais, ou aquele que uma espécie deu a si mesma, mas um nome que ultrapassa anos, décadas, séculos e segue em diante por tanto tempo que ela não conseguiria raciocinar como esse tempo inteiro cabe no universo infinito; pois acarreta em pensar que o universo não é infinito, e que seus limites existem em algum lugar.

Posteriormente, ela ouviria dizer de seus semelhantes profetizando encontrar esse lugar, e não sabia se o que sentia era curiosidade ou medo. Um universo finito é um universo com final...

Ela não sabe se isso é verdade, e não teme o desconhecido que existe naquela imensidão azul, que se torna escura, que se torna vácuo e infinito não tão infinito, pois sua mente não aguentaria pensar no quão infinito o infinito realmente é.

Tudo é muito relativo. A tensão estica a corda e a rompe, e ela não quer romper a mente de quem lê.

A janela recebeu o vento vindo de outro lugar, recebeu a luz vinda de uma estrela quente, enorme e gloriosa, queimando sozinha em um lugar escuro e vendo ao longe seus pedaços se distanciando enquanto corre de olhos vendados pelo cosmos. A janela recebia tudo isso, mas não conseguia entender tudo isso. Ela conseguia. Por essa razão, ela tem um nome, e por esse nome o céu estava chamando.

Não. Ela não estava imaginando as coisas que ouvia. Sabia que os seus semelhantes tinham a audácia de olhar para cima e ignorar tudo aquilo que ela conseguia ver e por esta razão se recusava a fingir que não estava ouvindo seu nome ser pronunciado pelo espaço, pela ausência, pelo vazio diante de seus olhos.

Posteriormente, ela descobriria que haviam muitas coisas na frente de seus olhos antes do vazio, mas que todas essas coisas não estavam unidas o suficiente para evitar o vazio de existir. E ela poderia ter parado ali. Poderia ter descido da janela e rumado para outro quarto, para distrair sua mente com outra coisa qualquer, mas decidiu ficar na janela e esperar seu nome ser chamado mais uma vez.

E foi sempre assim.

Em momentos, ouvindo seu nome ser chamado e a sensação quente, borbulhante e brilhante agarrando no interior de sua garganta e a fazendo querer chorar por não conseguir ir para onde o vazio estava. Por vezes ela chorou, em um canto escuro, envolta em tecidos quentes e amigáveis, mas sempre olhando para aquele infinito que aguarda.

Hoje seu nome estava sendo pronunciado mais uma vez, e ela não sabe o que fazer. Não sabe como alcançar a ausência e tocá-la com os próprios dedos. Não é a mesma coisa que criar o vazio aqui embaixo, onde o ar ocupa todo o espaço, nunca será a mesma coisa que lá; onde o vazio está e nada pode existir, nem mesmo ela, mas ela anseia por tocá-lo e vê-lo com os próprios olhos, sentir sua pressão tão forte que esticaria ela ao ponto de seus pedaços se espalharem por todo o vazio, deixando nada para trás que se assemelhe ao que ela um dia foi.

Ela suspira em desalento, caminha sem rumo entre quartos coloridos quando o seu próprio não tem cor alguma e olha para o céu com esperança de sumir nele. Há tanto aqui, mas há tanto mais lá.

Quando falam seu nome ela se encontra sentada naquela janela, debaixo de mais um dia quente sem nuvens no céu, e ela não consegue fechar os olhos. Parcialmente por não querer fechá-los, parcialmente por temer fechá-los.


Notas Finais


Eu gosto de como o texto saiu.
Até mais.


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