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História Para quando se esquecer de mim - Capítulo 1


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Notas do Autor


Essa história é baseada em fatos reais. Seu comentário é muito importante! Tenha uma ótima leitura.

Capítulo 1 - O início do fim - O Azedo


Fanfic / Fanfiction Para quando se esquecer de mim - Capítulo 1 - O início do fim - O Azedo

Sentado no chão da calçada de alguma esquina dessa grande cidade barulhenta que é São Paulo, tentando me concentrar no som do vento que envolve o meu pálido e gélido corpo, que neste momento encontra-se apenas como uma brisa agradável e refrescante de verão, imaginando como seria deitar-me no chão – caso não cheirasse a xixi humano - e conseguir ver as estrelas, tais quais emanam e brilham da mesma forma os meus olhos, que se encontram escondidas e ofuscadas atrás de um véu de postes de luzes que tão pouco conseguem clarear a escuridão ou trazem tal beleza desses seres espaciais mas sim, deixam a sensação de que a rua é assombrada, perigosa, cheia de calafrios, sem vida, amargurada pela vida que ali passa, cansada, com a mochila nas costas, de fone, imaginando uma vida paralela enquanto escuta uma música fantasiosa e, azeda.

Mesmo de longe, - Acredito que há cinco ou seis quilômetros de distância. - Já consigo ouvir o som doloroso e sofredor da ambulância se aproximando; também consigo afirmar que o Anjo da Morte decidiu não a acompanhar neste momento, - Talvez ele ainda esteja com o Arthur. - O que por um lado é algo bom, acredito eu, já que ele já tentou a acompanhar outras vezes, mas foi impedido pela Destino, que vem há anos lutando contra o monstro do Transtorno Bipolar que se encontra no caminho dessa jovem mulher.

O que interessa é que ela terá mais uma chance de fazer o que não foi feito ou de repetir os mesmos erros. Eu só espero que dessa vez a Destino esteja certa e que A trindade Destino, Anjo da Morte e o Amor irão se encontrar.

- Mas sério que precisava ocorrer uma desgraça dessa para que eles se encontrassem? – Bufou – A Destino age de maneiras incompreensíveis quando se trata de reencontrá-los.

Para você que começou a ler essa história, gostaria de me apresentar: - Eu sou o Azedo. Apesar de você acreditar que eu seja apenas algo identificável pelo seu paladar ou pensar em um limão quando digo essa palavra, digo que sou muito além disso. Eu estou presente na vida de todos vocês, nos momentos felizes e nos momentos tristes; tudo depende de como e em qual quantidade irá se deliciar ou se azedar em mim. Eu não sou um sentimento ruim e nem um sentimento bom, posso dizer que sou o meio termo de tantos que existem por aí. Não me pareço com um limoeiro, mas tenho a altura de um – Sim, eu sou extremamente alto, com mãos enormes e dedos finos. – Minha aparência não é a mais desejável, todavia consegue ser apreciada por aqueles que conseguem me dosar. Eu posso ser uma pessoa pouco admirada por muitos e, na medida certa, eu agrado o paladar de todos. É uma pena que em certos momentos eu tenho que ser não só aquele que irá estragar a sua comida: - Eu serei aquele que azedará a sua vida.

Infelizmente, nesse início a minha dosagem será insuportável, pior que a queimação do suco gástrico na sua garganta quando se encontra com refluxo.

- Eu não queria estar aqui. Eu não queria fazer parte desse início tão perdido, doloroso, sentido. Mas A Destino é misteriosa e sábia e, se ela acredita que para começar essa história de uma mulher que precisa se amar e de um homem, que precisa encontrar, eu sou o sentimento mais necessário, então darei o melhor de mim.

Se estivessem sentados aqui comigo e fossem capazes de nos enxergar, veriam que do outro lado da rua, embaixo de um poste onde a luz está falhando, piscando rápido, como a respiração de alguém que está no meio de uma crise de pânico, tentando sobreviver nessa rua fedida e obscura, posso sentir o Amor. – Tadinho, ele está tão perdido. Acredito que ele também esteja à procura dela, mas, infelizmente, não posso ajudá-lo a encontrá-la. Não cabe a mim ensiná-la a vê-lo, a achá-lo, a senti-lo.

Posso ver que os olhos dele estão brancos, sem vida, completamente vedados por sentimentos confusos, estranhos. Ele sabe que está no local certo, porém não será capaz de saber para onde olhar.

- Não que eu esteja no lugar de poder te julgar, - Azedo coloca a mão direita sobre o peito, mostrando seus longos e esguios dedos, fingindo uma expressão de falso julgamento. - Mas me responda algo, caro leitor: quantas vezes você já confundiu o maldito do sentimento do Ciúmes com o belíssimo do sentimento Amor?

Não precisa me responder, porque a resposta é a mesma e universal. – Um sorriso esverdeado de satisfação vestiu-se no rosto dele.

Me levanto da calçada e limpo a parte de trás da minha calça com as palmas da mão e sinto o vento ficar mais forte e mais frio. Sorte a minha de não sentir nada além do Azedo em mim e azar o dela, que terá que me sentir por completo.

-Por que você não ficou em casa?

Sussurrei ao vento a procura de uma resposta que nunca teria, já que A Destino faz questão de ser melhor amiga do Silêncio. – Aí, essas amizades confusas. Acredito que um dia serei capaz de compreender como tudo deve funcionar.

- Tenho outra pergunta a fazer a você, já que se interessou por essa história ou até por mim e continua a ler: - Sabe a sensação de querer permanecer acordada, porque sente que pode haver um perigo ao seu redor, então seus músculos ficam tensos e sua visão no meio da escuridão melhora e sua pele fica muito sensitiva? O vento que entra pelas frestas da janela e toca o seu corpo já é o suficiente para te manter tão alerta que mesmo que as pálpebras dos seus olhos lutem contra a sua vontade de sobreviver a algo que talvez não esteja acontecendo, sua mente não permitirá que essa noite seja tranquila?!

Bruna, a mulher da história narrada aqui, quem devo acompanhar primeiro, se sente assim agora. Nesse exato momento que se encontra deitada na maca da ambulância que a leva para o hospital.

Posso sentir que a mente dela luta para permanecer acordada, tentando juntar as peças do que possivelmente possa ter acontecido, se perguntando o motivo de não conseguir movimentar as pernas, a dor insuportável que vem de seu útero, que tenta desligar a mente dela para que não sofra tanto e a luta para manter as pálpebras abertas.

- Queria que o Arthur estivesse aqui; Mesmo que inconsciente, mas que tivesse presente de alguma maneira.

O Arthur, aquele quem precisa se encontrar, me sentirá mais para o final, porque tudo deve ocorrer no tempo certo.

- Ela está tão perto. – Sussurro ao mundo. - Sinto muito. Sinto tanto. Sinto tudo. Eu não queria estar aqui, não queria que isso tivesse ocorrido, mas esse foi o destino que você escolheu e agora, faço parte dele.

Antes mesmo que pudesse notar, a ambulância entrou na rua que eu e o Amor estávamos. – Eu sei que o Amor pode senti-la, porque os olhos dele voltaram a ficar levemente dourados. Um instante tão espetacular de se ver e tão triste por ter um fim. Não era a hora dele e apenas eu fui capaz de adentrar na ambulância em movimento. Digo que a minha entrada foi abrupta e desengonçada.

- Preciso melhorar e muito. – Disse enquanto olhava ao redor do lado de dentro do veículo.

Havia uma paramédica sentada no banco ao lado direito, onde checava, atentamente, os sinais vitais de Bruna. Não conseguia enxergar o rosto dela direito, pois o cabelo cobria parte do rosto, mas mesmo não a vendo, sabia que havia um pouco de mim nela, mas na medida certa.

- O segredo é sempre dosar. – Disse enquanto me sentava no banco do lado esquerdo de Bruna, como se a paramédica pudesse, de alguma maneira, me ouvir.

- Quem é você? – Bruna balbuciou as palavras enquanto gotículas de sangue escorriam entre os dentes dela.  Acredito que nem ela foi capaz de compreender o que havia falado.

Temeroso, mas curioso com o que havia ocorrido, Azedo segurou na mão de Bruna e a olhou mais de perto, com o olhar de uma criança desconfiada da realidade que está vendo.

- Você consegue me ouvir? – Azedo aproximou-se dos olhos cansados de lutar para se manterem abertos de Bruna. – Consegue me ver?

Havia uma batalha travada dentro do corpo dela. Parte de Bruna estava tão debilitada por causa do acidente de carro em um cruzamento perto da casa dela e do noivo e, a outra parte tentava a manter sã e a par do que estava acontecendo.

Bruna apertou o mais forte que pode a mão daquele completo estranho, que vestia um sobretudo preto, calças jeans e pretas, com os olhos carregados de delineador e com a cor tão verde limão. Depois de ter feito isso, imediatamente se arrependeu, porque a sensação de que tomado litros e litros de suco de limão tomou suas papilas gustativas e embrulhou o estômago. O vômito foi a consequência mais previsível para aquele momento.

- Me desculpa. – Sussurrou o Azedo com feição de nojo por causa do que acabara de ocorrer. – Mas esse é só começo de tudo. – Sussurrou no ouvido dela.

Antes que perdesse a batalha para aquela vontade inabalável de fechar os olhos e descansar, Bruna pode notar que algo apareceu desenhado no peito direito do Azedo: Uma estrela de cinco pontas dentro de um círculo, - a mesma tatuagem de seu amado Arthur. Antes que pudesse perguntar mais qualquer coisa ou continuar a lutar contra a necessidade de fechar os olhos, a mente dela a colocou em um sono profundo.

Azedo, por sua vez, assim que sentiu a marca de Arthur sobre seu peito, permitiu que uma lágrima escorresse por seu olho direito e colocou as duas mãos sobre a parte do corpo de Bruna que se encontra o útero.

Ele fechou os olhos e disse: - Infelizmente, você não pode fazer parte dessa história.

Ao olhar para o sangramento que vinha dentre as pernas de sua paciente, Helena, a paramédica, gritou para o outro paramédico que dirigia a ambulância:

- Estamos perdendo ela.

 

 

 



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