História Para Sempre - Verdades Secretas - Capítulo 24


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 24 - O suborno


Hannah

Quando finalmente acordo, o sol já está alto. Meu estômago ronca de fome, afinal, não como nada desde ontem. Após uma longa espreguiçada, afasto as cobertas e ponho os pés para fora da cama. O ambiente está como que envolto numa leve neblina, numa tonalidade pardacenta. Esfrego os olhos, achando que devo estar com a vista embaçada por ter acordado neste momento, mas nada. Á medida que meus olhos voltam a enxergar com nitidez, mais eu acho o ambiente esquisito.

Ainda sonolenta, observo o cômodo que foi minha incubadora durante o sono. Ele é todo branco, angelical como uma casinha de bonecas. Todos os móveis são claros, com exceção da cabeceira da cama, que é de mogno escuro. Ela parece o trono de um rei, pelo contraste de sua cor forte sobre o resto dos outros móveis. Há um criado-mudo seminovo, uma penteadeira, um armário de pinho e um abajur de vidro leitoso.

Sinto como se o quarto tivesse sido decorado especialmente para mim.

No entanto, não me sinto nem um pouco satisfeita.

Mas como poderia, se nem ao menos sei quem sou e por que estou aqui?

Por mais esforço que eu faça, não consigo me lembrar de absolutamente nada. Nem tenho certeza se isto é um sonho ou se estou realmente acordada. Só sei que, a cada segundo que passa, me sinto mais e mais confusa, e a única coisa em que consigo pensar é fugir deste lugar estranho o mais breve possível.

Entre minhas inúmeras perguntas, está a que mais me intriga: quem está dizendo a verdade?

Travis Anderson, o homem que me trouxe para esta casa, para este lugar esquecido por Deus, afirma ser meu pai. Contou ainda várias coisas que francamente não fizeram muito sentido para mim e prometeu que, assim que eu me recuperasse totalmente e ele resolvesse algumas pendências, viajaríamos para um lugar muito distante, onde ninguém pensaria em nos procurar.

Por mais que isso me soasse suspeito, não tive escolha a não ser confiar nele. Todavia, o que disse aquele garoto que me visitou no hospital – David Norton ou Henrique Correia – me deixou com sérias dúvidas. Parecia estar falando a verdade, e confesso que sua versão dos fatos pareceu mais lógica e cabível.

Então, em que devo realmente confiar? E se esse tal de Henrique está mesmo falando a verdade, devo pensar que estou correndo perigo aqui?

– O que eu faço, meu Deus? – pergunto em voz alta.

É quase meio-dia. Daqui a pouco a porta vai se abrir e um daqueles amiguinhos insuportáveis do meu pai vai entrar aqui para me trazer uma bandeja cheia de comida gosmenta e mal preparada. Ou então para ficar me vigiando como se eu fosse uma prisioneira. Principalmente aquele tal de Luke, um idiota de marca maior que fica me olhando de cima a baixo como se quisesse me devorar.

Eu os odeio com todo meu ser! Tenho vontade de esganá-los! Não suporto que fiquem na minha cola o tempo todo, fazendo-me pensar que estão me mantendo aqui presa contra a minha vontade; que a história contada por Travis não passa de uma mentira; que ele é um bandido, um mau-caráter, tal como disse Henrique.

– Se for assim, o que querem comigo? O que pretende, esse Travis?

A pesada porta de madeira se abre com um rangido irritante atrás de mim. Pelo desagradável cheiro de lavanda barata que me chega às narinas, deve ser Luke. Sinto que ele está olhando para mim como costuma fazer e me viro para encará-lo, tentando honestamente manter a calma para não criar problemas.

Dito e feito. Luke está parado, olhando para o meu decote, passando a língua por entre os lábios e sorrindo como um verdadeiro imbecil. Não posso negar que, fisicamente, Luke é um homem forte e bonito, com braços bem torneados e os olhos mais verdes que já vi, mas o cara, além de ser uma pessoa de caráter duvidoso, é pelo menos 25 anos mais velho do que eu. E o jeito com que ele me olha me deixa muito desconfortável e, francamente, me dá arrepios.

– O que você quer, Luke? – pergunto.

Ele se aproxima lentamente, e ao mesmo tempo recuo para manter uma distancia considerável entre nós.

– Não quero nada – responde ele, falando em um tom baixo e atrevidamente sedutor. – Te vi aí parada, e pensei que poderia estar precisando de algo.

– Muito gentil. Mas não estou precisando de nada. Pode voltar aos seus afazeres. Quero ficar sozinha.

– Vamos, garota, você não precisa me tratar assim. Seja amigável comigo. Posso lhe proporcionar muitas coisas.

Sinto um arrepio cruzar a minha espinha. O sujeito está claramente me paquerando. Além do arrepio que faz meus joelhos tremerem, sinto uma vontade quase incontrolável de enfiar o dedo nos olhos deles.

Por outro lado, ele está certo. Se eu for amigável com ele, posso conseguir o que tanto quero: fugir deste lugar horroroso. Contudo, tenho medo do que ele possa pedir em troca. Não confio nem um pouco nele.

– Gostaria de lhe perguntar algo.

– Pode perguntar o que quiser, gata.

– O que sabe sobre mim?

Luke franze a testa, o que deixa claro que ele não faz a mínima ideia do que dizer.

Ainda assim, insisto:         

– Se sabe alguma coisa sobre mim, sobre o meu passado... qualquer coisa... diga-me agora. Preciso saber. É muito importante.

Luke me encara por alguns segundos e, em seguida, balança a cabeça.

– Não sei de nada. O chefe... – revira os olhos por um segundo. – Perdão, seu pai não quis entrar em detalhes.

– Por que me trouxeram para este lugar? Preciso que me diga. E depois que me contar, quero que convença meu pai a sairmos daqui. Não aguento ficar aqui nem mais um segundo.

Luke começa a rir, como se me achasse uma tremenda idiota.

– Tem ideia do que está me pedindo, garota? Quer que eu fale com seu pai? Você não o conhece, garota. Ele jamais concordaria com isso.

– Não me interessa o que você acha...

– É a verdade, garota. Seu pai não tem a intenção de sair daqui. Pelo menos não até que as coisas se acalmem. A coisa tá feia para o lado dele. O chefe está com problemas. Sérios problemas. Eu não o incomodaria se fosse você. É melhor esperar a poeira baixar.

– Mas que droga, Luke Edwards! – esbravejo, sentindo o pouco de paciência que ainda me resta começar a se esvair. – Você não serve para porcaria nenhuma! Só quero que fale com meu pai! Não estou pedindo muito.

– Olha só... – Luke avança alguns passos, estendendo a mão na direção do meu ombro nu. Só de imaginar essa mão áspera e grande sobre o meu corpo, sinto o meu estômago revirar. – Relaxe. Se for boazinha comigo, prometo que vai ter todas as informações que quiser.

– Afaste essa mão suja de mim. Não disse que poderia me tocar.

– Não precisa ser tão agressiva. Eu não te fiz nada. Não me lembro de ter sido grosseiro com você.

Você é um lixo, Luke Edwards, tenho vontade de dizer. Você e aquele seu amigo de sotaque francês. Não passam de paus-mandados do tal Travis. Só Deus sabe a que tipos de serviços sujos e desprezíveis vocês se prestam.

– Se não gosta, me deixe em paz. Fique no seu cantinho, que eu fico no meu.

– Você é uma garota rebelde. Gosto disso.

Me controlo para não perder de vez a cabeça e meter um belo soco nesse nariz grande que mais parece uma batata.

– Não faz assim. Seu pai não iria gostar de saber que você está se comportando mal.

– Ainda por cima, é chantagista. Você é desprezível, Luke Edwards.

– Atrevida...

Ele não parece zangado. Ironicamente, parece adorar a forma como eu o trato.         

Como se preferisse mulheres que não hesitam em colocá-lo no seu devido lugar.

– Se quer mesmo que eu seja boazinha com você, Luke, me ajude a fugir daqui. Em troca eu lhe dou o que você quiser.

A forma como ele me olha faz com que eu me arrependa da proposta que acabei de fazer. Não é difícil de adivinhar o que ele quer. Mas estou disposta a tudo pela minha liberdade.

– Posso lhe dar o que você quiser, contanto que colabore comigo e faça tudo o que eu mandar.

Engulo em seco.

– O que quer de mim?

– Relaxa, gatinha. Confie em mim. Você vai gostar.

Após uma hesitação quase imperceptível, ele estende a mão para acariciar meu cabelo. Sei que deveria impedi-lo, mas não consigo me mexer. Seus olhos estudam cada centímetro do meu corpo, e suas mãos logo avançam para o meu decote. Arfo à medida que ele chega cada vez mais perto dos meus seios. Sem dizer nada, ele toca suavemente com o polegar a parte de baixo de um deles, e sem querer deixo escapar um gemido suave dos meus lábios. Luke continua a me explorar com desejo e ousadia, e eu nem sequer pisco, parecendo uma boneca de porcelana.

Cuidadosamente, ele retira os grampos do meu cabelo, um a um. Depois de soltar a última mecha, ele a levanta com a mão e a deixa deslizar em seus dedos. Sua atitude é a de um homem com medo de se mexer, um caçador evitando espantar sua presa. Então, ele toma meu rosto em suas mãos e aproxima sua boca da minha. Sinto um pânico momentâneo quando sinto suas mãos me apertando na cintura, quando percebo que ele está me conduzindo de costas em direção à cama.

– Espere...

– Não diga nada. Apenas se deixe levar...

– Não!

Tomo coragem e o empurro para longe de mim com toda força. Em seguida, desfiro-lhe um tapa severo no rosto. Ele me olha com espanto.

– Eu não sou seu brinquedo!

– Não banque a santinha, garota. Você estava gostando, não negue.

– Eu tenho nojo de você. Você é um lixo. Eu te odeio, Luke Edwards. Te odeio.

– Escute aqui, sua pirralha... – Ele agarra o meu braço com força. – Se quiser que eu lhe ajude a sair daqui, vai ter que ser gentil comigo. Venha cá!

– Não!

Ele agarra minha cintura e expele um uivo vitorioso ao encostar sua intimidade onde bem almeja. Enquanto os lábios dele percorrem minha pele com voracidade, eu me mexo ligeiramente, tentando me livrar do seu aperto. Ao movimentar-se com força, tentando me invadir, escuto um forte estalo, como se algo sólido tivesse sido partido ao meio, em um só golpe.

Foi o barulho da porta sendo arrombada. Dylan está bem atrás de nós, encarando Luke com um ódio quase mortal.

– O que pensa que está fazendo, seu miserável?

Luke se afasta de mim e ergue as mãos em um gesto de frustração.

– Dylan, não é o que parece...

– E no que eu deveria pensar, idiota? Como se eu não te conhecesse. Sei muito bem o que estava fazendo. Vi perfeitamente. É melhor torcer para o chefe não descobrir. Senão ele arranca sua cabeça fora.

– Sempre metendo o nariz onde não é chamado, Banes. Estou só me divertindo um pouco.

– Está atrás de encrenca. Muito cuidado, Luke. Você conhece o chefe e sabe do que ele é capaz. Se ele descobrir que você está se engraçando com a filha dele, vai comê-lo vivo. Fique alerta e não cometa nenhuma estupidez.

– Não preciso de seus conselhos, Dylan Banes. Deixe-me em paz, ok? Sei muito bem o que faço.

– Cale a boca e saia daqui. Saia antes que eu mesmo o tire daqui a pontapés. E não se atreva a entrar neste quarto de novo. Ficarei de olho em você daqui por diante.

– Não tenho medo de você.

Luke dá de ombros, me encara pela última vez e se retira.

Tento me recompor e ignorar o que acabou de acontecer. Sinto que preciso, agora mais do que nunca, encontrar uma forma de fugir deste lugar. E se não posso contar com o imbecil do Luke Edwards, talvez o parceiro dele, Dylan Banes, possa me ser útil.

– A senhorita está bem?

– Sim, não se preocupe comigo. E, por favor, eu agradeceria se não comentasse nada do que você viu com o meu pai.

– Por mais que eu queira dar uma boa lição naquele infeliz, não seria prudente incomodar seu pai com este assunto. Ele o mataria se soubesse que Luke tentou se aproveitar de você. O que aquele imbecil não sabe é que há câmeras de segurança espalhadas por toda a casa. Incluindo este quarto. Estão escondidas, prontas para flagrar qualquer ato indevido. Por isso o adverti. Enfim... Não queremos encrenca, certo? As coisas já andam complicadas demais. Se está tudo bem, não vou mais incomodá-la. Imagino que esteja com fome. O almoço vai sair daqui a cinco minutos. Com licença.

– Espere, Dylan...

– Pois não? Deseja alguma coisa?

– Eu... – respiro fundo e procuro as palavras certas. – Quero lhe propor uma coisa. Uma coisa que pode beneficiar nós dois.

– Do que a senhorita está falando?

– Primeiro, corta o “senhorita”, por favor. Não precisamos nos tratar com tanta formalidade. Me chame só de Hannah.

– Está bem, Hannah.

– O que eu tenho em mente é o seguinte: quero que me leve para um passeio.

– Um passeio?

– Isso mesmo. Quero sair um pouco daqui. Estou presa neste lugar há mais de um mês. Será que posso contar com você?

– Veja bem, senhorita... Perdão... Veja bem, Hannah, o que você está me pedindo é... como posso dizer?

– Falemos francamente, Dylan Banes. Sei que não gosta de ficar aqui tanto quanto eu. Estou lhe propondo um dia de folga. Um dia longe de problemas. Um dia sem ouvir os desaforos do meu pai. Fala sério, homem. Não me diga que não gostaria de manda-lo para o inferno e ter uma vida normal?

– Não sabe o que está dizendo, garota.

– No fundo, você sabe que eu tenho razão. Meu pai não tem direito de nos manipular como bem entende. Não pode nos manter aqui trancados como animais. Você e eu podemos...

– Você e eu não podemos fazer nada.

– Mas eu posso. Se é verdade que sou filha desse homem a quem você é leal, tenho certeza de que ele não recusaria nenhum pedido meu. Posso muito bem pedir que ele lhe ponha na rua. Ou, se eu quiser, ele pode acabar com você antes que você se dê conta.

– Você é igualzinha ao seu pai. Baixa e impiedosa.

– É só para lhe mostrar que eu não estou de brincadeira. E você deveria ficar grato. Estou dando uma chance de você se livrar de tudo isso. Eu sei de muitas coisas, Sr. Banes. Sei que é casado e que tem duas filhas. Tenho certeza de que você estaria disposto a fazer qualquer coisa por elas. Mas o que elas pensariam se descobrissem que você é cúmplice de um criminoso?

– Olha, já chega. Você não seria capaz de entender.

– Ao contrário, eu entendo. Mas não vamos prolongar ainda mais essa conversa. Não temos o dia todo. Vá e traga meu almoço. E use o restante da tarde para pensar no assunto. Nos vemos aqui esta noite.         

– Mas...

– Pense com carinho. Nosso futuro depende da sua resposta.

Sem mais argumentos, ele dá meia volta e sai. Não tenho certeza se minhas palavras foram suficientes para convencer Dylan Banes a fugir comigo. Mas já tenho todo o plano elaborado. Se Dylan aceitar me ajudar, nós dois sairemos beneficiados. Eu finalmente me livrarei das garras da Travis e, antes que ele se dê conta, estarei bem longe daqui.

          


Notas Finais


Espero que tenham gostado.

Me contem o que estão achando. Quero muito saber a opinião de vcs. ATÉ O PRÓXIMO CAPÍTULO!!!


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