História Para Sempre - Verdades Secretas - Capítulo 25


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.209
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 25 - O enigma


Arthur

– Está com fome, querida? – pergunto, segurando uma pequena bandeja de prata com um copo cheio de suco de laranja, pedras de gelo e um canudo em formato de guarda-chuva. O suco vem acompanhado de um sanduiche natural de atum com requeijão. – Lhe trouxe este lanchinho. Tem muito ketchup, do jeito que você gosta.

– Não estou com fome, já disse – diz a garota, cabisbaixa, de braços cruzados, as sobrancelhas franzidas.

– Vamos, você precisa comer, ou vai acabar ficando doente.

– Eu queria morrer de vez.

Fecho os olhos com força, sentindo o peso daquelas palavras em meus ombros. Não a repreendo, pois neste exato momento eu desejo que me ocorra o mesmo.

Pouso a bandeja no canto da cama e me sento junto a ela. A garota, ainda de braços cruzados, vira o rosto para o lado.

– Eu sinto muito.

– Isso é tudo que você sabe dizer.

– O que mais quer que eu diga?

– Se, de verdade, você sente muito, então me leva para casa. Me tira daqui.

– Já conversamos sobre isso, Maria Clara. Eu não posso.

– Mas por que não pode?

– Não me peça para explicar. É complicado demais e acho que você não entenderia.

– Se você não me contar, eu nunca vou entender. Me fala, por que estamos aqui? Onde está o meu pai? Onde está Hannah? Quem é o senhor?

– Já chega, por favor – digo, impaciente. – Não me deixe mais aflito do que já estou.

– Isso não é justo. Você está me mantendo aqui contra a minha vontade. Eu não faço a menor ideia de onde estou e a única coisa que você sabe dizer é “sinto muito”. Se ponha no meu lugar. Isso faz algum sentido para você?

– Está bem, Maria Clara. Está bem. Vou tentar explicar isso de uma forma simples – Respiro fundo. – Alguém pediu para que eu tomasse conta de você. Pediu também que eu lhe trouxesse para este lugar para que você ficasse em segurança.

– Em segurança? Está me zoando, não está? Eu diria que estamos nos escondendo. Você não está fazendo sentido. Onde, raios, nós estamos?

– Estamos... Estamos no Canadá.

– Eu não sou burra. Não estamos no Canadá coisíssima nenhuma. Onde nós estamos, Arthur?

– Ok. Estamos em Houston. No hotel Indigo.

– Bem melhor. Prossiga.

– Se trata de um favor. Alguém está me pagando para que eu tome conta de você. É tudo que eu posso dizer.

– Lá vem você de novo com esse papinho de “é tudo que eu posso dizer”.

– Eu não estou autorizado a dar explicações. De qualquer maneira, você vai saber de tudo quando chegar o momento.

– Quando chegar o momento? Como assim? Do que está falando?

Levanto-me.

– Eu vou deixar a bandeja aqui. Sugiro que coma tudo. O almoço vai demorar para sair.

– Onde pensa que está indo? Temos muito o que conversar.

– Eu preciso fazer uma coisa antes.

– Vai colocar no correio?

– O que?

– Você sabe. A carta.

– Não sei de que carta está falando.

– Você mente muito mal, sabia disso? Você escreveu uma carta para sua filha. Yasmin, certo? Ela mora no Brasil.

– Você tem muita imaginação.

– Eu li.

Fico mudo por alguns segundos.

– Quando?

– Semana passada. Entrei no seu quarto enquanto você dormia. Claro, com uma pequena ajuda da camareira. Você não foi muito esperto ao deixá-la em cima do criado-mudo.

– Você estava dormindo.

– Estava fingindo. Deveria ficar mais atento.

– Então você sabe de tudo?

– Mais ou menos. Para ser sincera, você não deixou as coisas muito claras. Mas uma coisa está bastante clara nesta história. Você é tão vitima quanto eu.

– Olha só...

– Não perca mais tempo e envie a carta. É um plano perfeito.

– Plano?

– Tomei a liberdade de acrescentar algo a mais na sua carta.

– Você não fez isso.

– Fiz e não sinto nenhum remorso. De outro modo ela nunca saberia onde estamos.

– E você pretende que eu mande essa carta, simplesmente?

– Tem medo que ela caia em mãos erradas? Ou que o meu tio descubra nosso plano de fuga?

– Maria...          

– Fique tranquilo, Arthurzinho. Não sou tão ingênua. Eu não disse exatamente onde estamos. É ela quem vai descobrir isso.

– Como assim?

– Espere e verá. Agora faça o que eu disse.

– Você não está passando bem. É melhor eu parar de te escutar.

– Não, você não vai a lugar nenhum. Vai fazer o que eu disse.

– A única coisa que eu vou fazer é cuidar de você até o fim do nosso acordo.

– Para o inferno com esse maldito acordo, Arthur Parker. Eu quero voltar para casa. Quero ver meu pai e minha irmã. E você não vai me tirar essa chance. Se você não colocar essa carta no correio até o final da semana, eu mesma vou me certificar de que essa informação chegue às mãos da Yasmin.

– Só passando por cima do meu cadáver.

Dou um passo na direção da porta.

– Onde está indo?

– Não é da sua conta.

– Você tem dois dias, entendeu? Dois dias.

Encaro-a com os olhos estreitados. Ela me devolve o olhar e faz o gesto universal de “estou de olho em você”. Saio, lembrando de trancar a porta por fora.         

Vou rapidamente ao quarto 406. Cometi o estúpido erro de deixar o envelope em cima do criado-mudo. Por sorte, aquela camareira de olhos grandes e levemente rechonchuda não o viu. Não confio nem um pouco nela.

Para meu alivio, o envelope está no mesmo lugar onde o deixei. Repreendo-me por não ter impedido que aquela garotinha entrasse no meu quarto e invadisse minha privacidade. Tentando reorganizar minhas ideias, abro o envelope e retiro a carta. Viro a folha e leio o que Maria Clara escreveu no final da folha:         

O vírus do Ébola já provocou 5160 mortes.

(ANDE 7 CASAS PARA A DIREITA)

Hidalgo Adams inaugura a exposição do Abraço à Expansão na Galeria DAVERA

(ANDE 12 CASAS PARA A ESQUERDA)

O St Paul é o hotel com melhor custo beneficio de Brasília

(ANDE 2 CASAS PARA A DIREITA)

Represa nos arredores de Houston (TX) começa a transbordar

(ANDE 5 CASAS PARA A DIREITA)

You Found 23 Apartments for Rent in the 77056 Zip Code

(ANDE 3 CASAS PARA A ESQUERDA)

– Mas o que...? – pergunto para mim mesmo, incapaz de compreender o que quer que Maria Clara esteja querendo dizer com tudo isso.

Contudo, sou forçado a admitir que aquela garotinha é mais esperta do que imaginei.

Tomei a liberdade de acrescentar algo mais na sua carta”.

– E se for alguma charada – murmuro para mim mesmo.

Fique tranquilo, Arthurzinho. Não sou tão ingênua. Eu não disse exatamente onde estamos. É ela quem vai descobrir isso”.

Leio e releio várias vezes as frases e tento relacioná-las com as dicas que ela deixou abaixo de cada uma delas.

O vírus do Ébola já provocou 5160 mortes.

(ANDE 7 CASAS PARA A DIREITA)

– Casas? – pergunto. – 7 casas. Vejamos... – Olho ao redor, procurando algo que me ajude a desvendar esse enigma. – E se...?

Conto o numero de palavras que há nesta frase. São 8 ao todo.

– 7 casas para a direita... O... vírus... provocou... – Solto um riso de alegria. – Claro. 7 casas. 7 palavras. 5160.

Agora que desvendei o enigma, repito o mesmo processo nas outras frases, e no fim, obtenho a resposta:

5160, Hidalgo St, Houston, TX 77056

– O endereço do Hotel Indigo. – Abro um sorriso. – Menina inteligente.


Notas Finais


ATÉ O PRÓXIMO CAPÍTULO!


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