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História Para Sempre - Capítulo 13


Escrita por: e Almaro


Notas do Autor


Lembretes e explicações no final do capítulo

Capítulo ainda sem verificação de nossa Beta. Assim que possível, faremos a substituição pelo betado.

Qualquer erro, será corrigido depois!

Capítulo 13 - Capítulo 12 - Aflição


Fanfic / Fanfiction Para Sempre - Capítulo 13 - Capítulo 12 - Aflição

Os primeiros raios de sol anunciavam no horizonte, que um dia de céu azul e ensolarado - apesar da baixa temperatura -, os brindaria. Pela pequena fresta das grossas cortinas, se o homem esparramado sobre o colchão entre lençóis e cobertores desgrenhados quisesse, poderia ver as parcas nuvens esbranquiçadas deslizando no azul límpido. Todavia, este preferia cobrir a cabeça, pois o clima lá fora, em nada condizia consigo, destoando totalmente do humor terrível que o alfa sul-coreano se encontrava.

Se o mesmo tivesse conseguido conciliar o sono pelo menos umas míseras horas ininterruptas, talvez estaria um tanto melhor, mas apenas conseguiria imaginar que deveria estar um perfeito bagaço. Somente o rascunho do que era, e ele não poderia culpar a ninguém por tudo o que estava acontecendo.

A preocupação, e o fato da pequena Akiko ter estranhado e sentido a falta do ômega, também em nada ajudaram. Quando achava que poderia relaxar, nova onda de choro sem sentido era ouvida por intermédio da babá eletrônica.

Bufando, o moreno rolou na cama de casal, puxando para si o travesseiro que Phichit usava, o abraçou forte enterrando o rosto, e inalando em puxadas fortes de ar, o olor floral característico do companheiro. Definitivamente, não era a mesma coisa que tê-lo ali com ele, mas já conseguia dar-lhe uma apaziguada.

“Como é difícil!” - pensou ao abrir levemente os olhos, e divisar enfim entre a penumbra o objeto ovalado sobre o criado mudo ao lado da cama onde seu homem gostava de deitar. Um pequeno mas certeiro facho de luz passando pelas grossas cortinas acertara o aparelho, e naquele mesmo instante escutou o começo de nova onda de choro.

Rosnando resignado, e quase que em automático, Seung pulou da cama, lançando cobertas e travesseiros para o lado. Num piscar de olhos estava ao lado do bercinho, já alçando a pequenina com sua estrelinha de pelúcia nos braços.

- Oh! Akiko… - começou a balançar o corpo tentando acalmá-la. Ao mirar lhe seu rostinho de bochechas rechonchudas levemente avermelhadas, algo estalou dentro de si. A preocupação batendo forte em seu íntimo. Deixando que seu rosto se aproximasse da testa da filhota, tentou sentir se esta estava com febre, mas não, sua temperatura estava normal. Começava ali, a busca incessante do alfa para saber o que estava irritando sua bebê. E parecendo estar na presença de seu marido, sua voz parecia pedir-lhe para checar a fraldinha, mesmo não estando ali com eles.

Tocando por sobre a roupa de dormir cheia de coelhinhos - presente de Nikiforov - fechou os olhos já prevendo o que teria de enfrentar. Não que não soubesse fazer o básico, não, isso ele tirava de letra, mas o que ainda mexia com seu entendimento, era tentar desvendar como um serzinho daqueles conseguia encher a fralda de um “presente tão cheiroso” e mole!

- Akiko, minha estrelinha… - revirou os olhos ao ser bombardeado pelo característico cheiro. - Princesinha, papai não sabe onde termina sua caca e onde começa você! -  gracejou Seung ao tentar prender a respiração o máximo possível ao tirar-lhe o objeto premiado, descartando-a no lixo ao lado e o tampando. - Como pode tanta caca assim? - perguntou para logo suspirar. 

Munido de lenços umedecidos, limpou o mais que pode e com um estalo, abriu o registro da banheira, temperando a água deixando-a em uma temperatura agradável. O advogado sabia que era muito cedo, mas um banho para ambos seria ótimo, e quem sabe assim todas as agruras daquelas horas passadas desde o momento que seu homem havia sido hospitalizado fossem levadas pelas águas, não?

Com Akiko já sem sua roupinha de dormir, despiu-se rapidamente também, e a tomando nos braços mais uma vez, caminhou um pouco pelo corredor parando a frente do quarto do casal. O aquecimento central deixando a temperatura agradável dentro da casa. Não pode deixar de pensar em Phichit sozinho naquele quarto do hospital. Podia sentir que este estava razoavelmente bem, pois o elo que tinham era forte, e para o advogado, o motorista não parecia estar incomodado. Talvez a medicação estivesse ajudando e fazendo com que este tivesse uma boa noite de sono. E não havia como esconder como Akiko e ele haviam sentido a falta do tailandês. Nunca havia imaginado que ficaria perdido sem a presença dele próxima a si. E se alguém lhe perguntasse, talvez também não soubesse dizer por que sentira tanto. 

Na realidade, Seung-Gil Lee, vinha de uma família humilde, mas que seguia piamente as leis instituídas para alfas, ômegas e betas. Uma família tradicional se assim pudéssemos dizer. E desde muito cedo, fora lhe ensinado que alfas são fortes e não devem se abalar por nada. Bem, mas da mesma forma que isso lhe fora incutido desde tenra idade, e principalmente quando seu segundo gênero fora apresentado, sua mãe por outro lado, lhe mostrava carinhosamente que haveriam momentos em que de nada valeria ser forte, e não demonstrar seus sentimentos, e o principal, não prestar atenção ao ômega que seria o ou a sua eleita. Então, ele poderia sim ser forte, mas nunca ter medo de demonstrar seus sentimentos, e que a história que alfas masculinos não choram, não deveria ser levado em conta.

Talvez, hoje, se sua mãe pudesse vê-lo, saberia que todos os ensinamentos dela e seu pai, haviam surtido efeito, e quem sabe, teriam orgulho de si, pois o sisudo alfa, não tivera vergonha de admitir que sem Phichit, sua vida se tornava vazia! E ele havia relutado por demais em ter de deixá-lo sozinho, sem um acompanhante estando em tão especial estado. Beijara-o tanto, e a seu ventre distendido que até mesmo a pequena Akiko havia achado graça e seu riso enchera o quarto de vida.

Não conseguia mais represar seus sentimentos, e ao deixar novas lágrimas banhar-lhe a face, sorriu entre elas ao sentir a pequena em seus braços deitar a cabeça em seu ombro e ali ficar, fungando bem próximo a junção de seu pescoço com o ombro bem próximo a sua glândula de cheiro.

- Mama vai voltar, minha estrelinha! - murmurou Seung tentando acalmá-la e a si mesmo. - Phichit vai voltar, e nós vamos tratá-lo como um rei! - sorriu enternecido. De seus olhos mais lágrimas sentidas deslizavam, e ao mirar a pequena, acarinhou suas costinhas, pois esta parecia não só entender o que lhe era dito, como estava apertando as mãozinhas em seu rosto. - O que? - perguntou ao voltar para o banheiro, estava sorrindo entre as lágrimas. Achou graça os barulhinhos e grunhidos que ela fazia. Sua risada cristalina… Se até então ainda se questionava por que Nikiforov havia caído de amores pelo pequeno ser em seus braços, ali estava o motivo. Bem, o sentimento do chefe pela japonesinha não era novidade. Suspirando, deixou Akiko repousar entre seus braços na água quente da banheira.

Tinha noção que ainda era muito cedo para saírem às pressas para o hospital. Também era consciente que da forma que estava poderia causar um acidente. Não havia dormido direito, e nunca imaginara que uma noite longe de seu marido, o mundo, ou melhor que seu mundo viraria de ponta cabeça.

Seung-Gil sabia que seu homem teria várias alterações em seu temperamento, sabia que sua teimosia e seu perfeccionismo seriam elevados a oitava potência, mas sempre se imaginou sendo um bom marido, sendo tolerante, mas fracassara terrivelmente. E a prova estava ali, nua e crua: Akiko havia se rebelado a noite inteira, e por mais racional e pé no chão que o sul-coreano fosse, talvez tudo seria diferente se tivesse sido mais tolerante, e quando tinha um momento de sossego, em que a filhota adormecia cansada de chorar, era ele quem se recriminava, ao lembrar que também havia contribuído para o descontrole de seu querido ômega. E para piorar a situação, todos os acontecimentos daquela sexta feira fatídica pareciam lhe passar como um filme dramático diante de si...     

oOo

Phichit desceu do carro apressado tentando ser o mais ágil possível por conta da sua barriga. Pegou Akiko da cadeirinha e olhou para o parceiro que evitava o encarar nos olhos e por isso deixou um suspiro escapar. Estava atrasado para a consulta com o ginecologista. 

O moreno lembrou-se que na época que agendou a consulta do pediatra e a do seu médico para o mesmo dia, Seung o questionou se daria tempo. E ele prontamente respondeu que sim. Não queria dar mais trabalho ao companheiro em ter que sair duas vezes por mês para cumprir essa rotina de visitar os respectivos médicos, sabendo que o advogado por estar afastado da empresa, agora fazia seu serviço em casa e por estar mais presente, estava sempre a ajudar o ômega com alguma tarefa doméstica. 

Outro suspiro.

- Seung... - Mas o sul-coreano não lhe retribuía o olhar, apenas continuava imóvel sentado no banco do motorista. O fato de estarem atrasados não era o problema propriamente dito, o que estava causando todo aquele mal estar, é que Phichit havia prometido para o marido que não se alongaria nas perguntas, não faria um extenso questionário ao senhor simpático que assistia Akiko desde que se mudaram com ela, e não ficaria relatando tudo que ocorreu nas semanas anteriores para sanar todas as dúvidas que por ventura ainda existissem com os cuidados exatos que dava para a pequena. Tudo era muito minucioso e faziam parte do relatório que enviava mensalmente para o russo platinado, mas no momento nada parecia fazer a mínima diferença. Tentou mais uma vez. - Seung?

O marido virou a cabeça, estava sério demais e tentando se controlar pela corrida desenfreada que fez para tentar chegar no horário marcado. 

- Phichit - fez uma pausa controlando a entonação de sua voz para não parecer bravo, o que de nada adiantava perante seu semblante fechado e sisudo -, você já está atrasado o suficiente, vai entrando que vou parar no estacionamento e levo a bolsa da Akiko. - pediu tentando suavizar sua expressão.

Mas o tailandês não se deu por vencido e falou o que precisava dizer mesmo com o alfa o apressando.

- Seung... me desculpe! - os dois se encaravam e o sul-coreano só assentiu com a cabeça e voltou a dirigir. Bom, não tinha muito mais o que fazer no momento, por isso o ômega deu de ombros. 

Assim que o veículo parou próximo à entrada do local, Phichit saiu cuidadosamente do carro, pegando a pequena de sua cadeirinha, adentrando na clínica carregando uma Akiko tão zangado quanto o motorista alfa. 

- Por que esse bico minha pequena? - parou no balcão da recepção. - Tenho um horário com o doutor Miyazaki. - um sorriso envergonhado a brindar nos lábios finos.

A moça o olhou com cara de poucos amigos e virou para a tela do computador em um gesto automático e frio.

- Seu nome completo e plano de saúde por favor. - pediu, sem esforço algum em ser uma pessoa calorosa e receptiva. O ômega passou os dados solicitados enquanto brincava com a bebê nos seus braços. - Senhor Chulanont... – e o mirou com ar de superioridade - o senhor está atrasado, muito atrasado! 

Phichit focou sua atenção na moça sorrindo, mas ao ver a feição de desagrado que ela continuava ostentando, deixou o sorriso se apagar do seu rosto. 

- Eu sei, e perdão por essa minha falta, mas tive consulta no pediatra também, e... - parou com tudo, os olhos arregalados na direção da mulher que muito provável seria uma beta e ressentida com algum episódio passado. Está o mirava com desdém arqueando uma sobrancelha. 

- Seria mais fácil se simplesmente parassem de se reproduzir como animais irracionais! - pontuou a última parte do que dizia ao mirá-lo com mais ressentimento. 

Phic deu um passo para trás, e no automático envolveu Akiko nos seus braços para protegê-la melhor, seus olhos se encheram de lágrimas e não encontrou sua voz para responder à altura a mulher. Outro passo para trás e o tailandês bateu em alguém que o amparou com carinho. 

- Tudo bem, Phic? - o alfa sentiu medo, raiva e mais algum sentimento que não deu muita importância. Virou o parceiro nos braços e o apertou um pouco mais. - O que aconteceu? Me fale Phichit, por favor! - pediu ao sentir o desespero vir em ondas de seu parceiro. 

O ômega negou com a cabeça e pediu baixinho. 

- Só... só vamos embora, por favor! - Lágrimas sentidas riscavam as bochechas mais em evidência devido ao ganho de peso na gravidez.

Seung então percebeu as lágrimas e secou algumas, mas o seu parceiro não parava de chorar e ele precisava entender o que havia acontecido, o estado fragilizado não seria porque perdeu a consulta, não podia ser? Levantou a cabeça e encarou as pessoas próximas em um questionamento mudo de tentar entender o que havia se passado, só que as pessoas o olhavam com pena, ou nem coragem para isso tinham, até que seus olhos pararam na secretaria que mantinha um sorriso sínico mal disfarçado no rosto. 

- O que aconteceu? - perguntou dando indícios de seu lado mais obscuro, e o qual só usava quando necessário. O que foram raras às vezes.

- Informei ao senhor Chulanont que ele está muito atrasado. - disse abrindo um encantador sorriso, que foi se apagando conforme uma voz infantil falava de forma inocente e em alto som. 

- Papai... pai... o que é um animal i-i-ilacional? - perguntou mal conseguindo reproduzir o que havia escutado. Um sonoro “shhh” foi feito pela mãe gestante que sentava-se ao lado do menininho curioso. - Pul que me mandou ficá quieto, eu quelo sabe, o moço está choiando... é pul isso? Ou ele feiz tlaquinagem qui nem qui eu fizi? 

Seung virou a cabeça na direção da família e depois para a secretaria, sentia ainda nos braços o seu companheiro balançar de leve por causa do choro sentido e travou o maxilar. Estava sendo colocado à prova, só isso para explicar o que havia acontecido desde que acordou. 

- Gostaria de conversar com o seu superior. - conseguiu dizer entre os dentes. 

- Senhor? - tentou chamar-lhe a atenção, mas o máximo que a atendente havia conseguido, era direcionar mais uma vez a atenção raivosa do alfa sobre si. Decidida a continuar e tentar livrar sua cara, continuou a verbalizar. - Eu preciso do meu emprego e o que comentei foi apenas uma realidade, vocês estão com um filho pequeno e estão no aguardo de outro. - a moça falava com uma voz triste. - Tanta mulher querendo um, e vocês tendo aos montes, mas não dão conta nem de suas responsabilidades. - extravasou o resto do que estava entalado em sua garganta. 

A mão do coreano bateu com força sobre a pedra fria do balcão à frente da mulher a fazendo ficar muda. O alfa sustentou-lhe um olhar mais frio ainda e todos no recinto seguraram suas respirações. 

- Exijo falar com o seu chefe agora, me entendeu? E se tiver um pouco de decência não me dirija sua palavra novamente, sim? - exigiu o alfa. Seung-Gil Lee era tido como um homem que não se irritava com facilidade, não tinha destemperos, mas aquela havia sido a gota para transbordar o dique. Ninguém mexia com sua família, ninguém! O olor a alfa irritado invadia a recepção do local, alarmando a todos. 

Phichit não sabia se foi pelo tom de voz ou pela atitude do marido, mas Akiko começou a chorar e ele não estava se sentindo bem. Nem mesmo com os feromônios de seu alfa os rodeando o pequeno ômega se sentia bem. Normalmente isso o acalmaria, mas não naquele momento. Ele podia sentir a raiva, o descontentamento de seu par, e não podia fazer nada estando debilitado como estava.

- Lee vamos embora, não estou me sentindo bem. - pediu ao perceber tudo começar a girar. Mas o sul-coreano nem ligou para seu pedido e nem para o choro da bebê. - Seung? - tentou novamente, mas nada. O marido estava irreconhecível e parecia sim um bicho irracional como a mulher havia comentado minutos antes. Por fim com os hormônios a flor da pele, elevou a voz. - Seung-Gil Lee?! - odiava chamar a atenção de qualquer pessoa que fosse ainda mais quando se tratava do marido, mas precisava fazer alguma coisa, pois fora destratado porque estava atrasado e isso era somente culpa sua e de mais ninguém. - Vamos embora agora, não estou me sentindo bem! - passou a pequena para os braços do alfa e secou o rosto com força.

Chega de dar show! Phichit estava decidido, e se o marido não o acompanhasse, não saberia como tudo iria terminar. Voltou-se para a porta e partiu decidido a ignorar todo mundo, mas antes de alcançar a saída foi interpelado pela voz de uma médica que acompanhou parte da discussão. 

- Venha comigo, por favor! - pediu, e antes que o ômega se dignasse a responder, já foi o encaminhando para onde queria. - Vamos medir sua pressão e o senhor precisa se acalmar um pouco. - olhou na direção do alfa em pé, sem titubear. Já havia enfrentado outros tipos de situação, e aquela ainda lhe parecia tranquila, mesmo não a sendo. - Acho que todos precisam se acalmar! - ponderou, e com jeito guiou o ômega até sua sala e o sentou na maca. - Deite-se por favor! - a mulher não esperou Seung entrar ou se sentar com a bebê e passou a examinar o ômega que continuava chorando calado. A pressão estava alterada. - O senhor tem pressão alta? - viu Phichit apertar os olhos e negar com a cabeça. - Quem é seu médico? - Só que o tailandês não respondeu e a médica se virou para o marido e ergueu uma sobrancelha.

- Phic, se acalme por favor! - pediu arrependido de ter se deixado levar por seus impulsos mais primitivos; o de defender os seus não medindo esforços para isso. - Você precisa... - mas isso só serviu para fazer o ômega explodir em um pranto dolorido. 

- Você está bravo comigo… - parou para respirar - eu sei que me atrasei... eu sei... eu sei que foi culpa minha! - Phic fungava entre as palavras e a médica passava a mão nos seus cabelos. - Ela foi grossa, mas… - nova parada para fungar e recuperar o fôlego - se eu não tivesse me atrasado, você não estaria mais bravo e não teria agido daquela forma! Eu sei... - o ômega abriu os olhos e estavam carregados de tristeza. - Outro dia, já faz um tempo… -pensou um pouco antes de colocar para fora toda sua amargura - tive desejo de um sorvete, e eu sei que ele ficou bravo... ficou bravo por causa do meu desejo pelo sorvete!

- Phic?! - o sul-coreano se levantou indignado enquanto chacoalhava Akiko nos braços e a médica fez sinal para que ele ficasse no lugar. Mesmo com ganas de avançar e se aproximar de seu homem, Seung controlou seu temperamento e esperou como lhe fora indicado. 

- Eu sei que você está vivendo uma fase difícil, mas também maravilhosa. - a mulher riu suave ao perceber que o ômega a mirava com interesse. - A maternidade é assim mesmo, só que você não pode ficar desse jeito, não vai fazer bem pra você e muito menos para o bebezinho que aqui está! - a mão da médica desceu até a barriga avantajada para enfatizar o que estava a dizer. - Peço que se acalme um pouco, pode ser? - pediu e ao vê-lo concordar, se virou para o alfa que exalava seu cheiro pela sala toda em uma ajuda desesperada. - Vou medicá-lo, a pressão está alta demais e não é um bom sinal. - seu semblante se fechou um pouco mais quando continuou. - Vou conversar com a Tomoko sobre o ocorrido, e você fale com seu marido, mas se eu ouvir um gritinho ou uma palavra mais alta, coloco você para fora sem pestanejar! - ameaçou o moreno alto antes de sair sem fazer barulho. 

Seung olhou para Phichit que tinha se virado na maca lhe dando as costas. Revirou os olhos, eram pais de primeira viagem, sim, eram, mas ele não conseguia entender por que tudo ultimamente tinha que ser tão dramático. E vivia se perguntando sobre isso. 

O alfa estava fazendo seu melhor, mas parecia se deparar sempre com as constantes variações de humor do seu ômega gestante. Ficou bravo sim, e de mal humor também, e fora por conta do atraso durante a consulta do pediatra - a qual sabia que aconteceria -, que tudo aconteceu! Ele havia premeditado isso, e até havia questionado o marido ômega, mas quando se tratava da pequena estrelinha que lhes iluminava todo dia, parecia que as promessas se tornavam vagas. Até mesmo ele teria de dar mão à palmatória, pois também sofria do mesmo mal, mesmo tentando ser objetivo. Todavia, em hipótese alguma iria descontar no seu amor, mas queria que ele o escutasse algumas vezes e sobre a situação que viveram a pouco na recepção da clínica, tinha perdido a cabeça com certeza. Se aproximou devagar do ômega e tocou seus cabelos. 

- Phic? - não obteve uma resposta para seu chamado, mas podia senti-lo magoado e como isso o machucava. - Não estou bravo com você! - e quase que simultaneamente ouviu um sorriso nasalado. - Talvez só um pouquinho, mas não queria que nada disso tivesse acontecido, e tudo que aconteceu não é culpa e nem dá o direito de uma pessoa maltratar você. - a criança em seus braços começou a se jogar para o moreno deitado que deliberadamente ignorava os dois e sem mais consegui-la manter no colo, Seung a colocou na maca. 

A bebê escalou as costas do ômega e para não deixá-la cair, Phichit a pegou e pôs a sua frente, e mais uma vez a pequena quando se viu com o ômega frente a frente, fez um biquinho gigante que serviu para arrancar-lhe uma risada baixa. Realmente, a pequena Akiko era a estrelinha luminosa que deixava os dias e noites do casal bem melhores.

- Me desculpe! - pediu sem mirar o parceiro. - Não queria que nada disso tivesse acontecido, não queria atrapalhar mais seu serviço, eu... eu... só quis diminuir seu trabalho com a gente e… - parou ao ver o rosto do alfa se suavizar mesmo sabendo que ele estava contrariado.

- Você não é um trabalho, Phichit! - respondeu Seung prontamente. - E nem Akiko! Eu não sei de onde você tirou tudo isso, e não me importa, não mesmo! - falou com convicção para prosseguir em seguida com um leve sorriso nos lábios, o qual ele sabia que seu ômega entenderia que eram somente para eles. - Vocês são a minha família e meu maior tesouro! - o alfa se abaixou beijando os cabelos negros do seu ômega, e depois manteve os lábios repousados perto da orelha. - Não vivo sem você, mato e morro por você e não quero mais te ver chorar... por favor, Phic! - murmurou arrependido da forma como não havia lhe dado atenção. - Prometo que vou ser mais paciente com tudo, até com seus desejos de comer algo que esteja fora da época. - sorriu enquanto o moreno se ajeitava novamente na maca com a pequena nos braços.

Phichit continuava com os olhos cheios de lágrimas quando se conectou com o seu alfa, mas no momento um sentimento bom aquecia seu peito. O advogado se apoiou na ponta da maca e sentou-se da forma que deu, e curvou-se para selar os lábios. Conseguira fazer o seu parceiro se acalmar e isso o deixava tranquilo. Só que essa tranquilidade durou pouco, minutos depois de se reconciliarem, a porta se abriu e a médica voltou acompanhada do ginecologista do ômega que depois dos cumprimentos rápidos, passou a examiná-lo. Phichit tentou passar Akiko para Seung, mas o doutor o deteve e sem perder tempo, mediu a pressão mais duas vezes e levantou a blusa para ver a barriga, observou, mediu o tamanho e no fim colocou o aparelho para ouvir os batimentos cardíacos do feto. O homem estava sério e muito diferente das outras consultas onde dava trela para o falatório do seu paciente. 

- Senhor Chulanont, sei que vocês se mudaram faz pouco tempo e que não tem família aqui na cidade, mas vou precisar internar você. - passou os dedos pela cabecinha da menina que chupava o dedo e virou-se para o alfa. - É mais por uma prevenção, a pressão subiu e quero monitorar de perto, ok? - olhou para o ômega de novo e sorriu para reconforta-lo. - Minha colega vai medicá-lo e vou com seu marido na recepção dar entrada na papelada para a internação, não precisa ficar assim... - mas Phichit começou a chorar novamente e tornou a se virar na maca dando as costas para todos. 

“Haja paciência!” – pensou o alfa não demonstrando o que lhe ia pela alma. 

oOo

Paciência, aquela mesma que ele sempre fora lembrado por a ter quase sem limites, e que realmente naqueles dois dias havia sumido de seu vasto acervo linguístico, e era o que o moreno mais queria recuperar.

Preocupado como estava, e com razões para tanto, pois mesmo ele ouvindo do médico que acompanhava o ômega, que era apenas uma medida de segurança, o sul-coreano sabia que havia muito em jogo. Já havia visto casos, que advogados conhecidos, moviam ações contra órgãos da saúde por não terem detectado o começo de eclampsia. E por mais que Seung não quisesse ficar pensando sobre, e lembrando que até ali o casal havia sido abençoado, era impossível não ficar lembrando dos e “ses”!

  O alfa pensara que assim que deixara Phichit no hospital, já acomodado em seu quarto, que conseguiria reaver sua calma e até mesmo sua paciência, mas ele não havia previsto a grande tormenta que aquela separação imposta renderia. E muito menos que se sentiria impotente, apenas por não conseguir fazer nada a mais do que já estava fazendo!

Mirando Akiko, sorriu ao ver quando a neném deixou suas mãozinhas baterem sobre a água. Riu divertido ao observar com interesse as gotas voando longe enquanto a pequena se divertia.

Com um suspiro resignado, Seung-Gil mirou de soslaio as horas em seu relógio, deixado estrategicamente sobre a tampa da bacia. Voltando sua atenção para sua filha, deixou que um breve sorriso lhe ilumina-se as feições carregadas que marcavam seu rosto até aquele momento.

- Vamos terminar nosso banho, Akiko? - perguntou enquanto se ajeitava melhor, e começava a esfregar gentilmente a esponja macia sobre a pele delicada da bebê. Riu enternecido ao notar os muitos biquinhos que a pequena fazia. A danadinha parecia entender o que seu pai alfa estava a fazer. Parecia que ela com seus estalidos de língua queria reclamar, pois a olhos vistos a pequena dava mostras de querer ali ficar por muito tempo. - Não, estrelinha! Eu sei que você gosta de ficar na água e brincar, mas não faça esse beicinho! - pediu ao acariciar a bochecha rechonchuda. - Nós vamos daqui a pouco saber se podemos trazer a mama para casa - e ao escutar o que Seung havia dito, a pequena endireitou-se como podia, e deixou que o alfa terminasse logo o banho de ambos.

Quando o moreno tornou a mirar agora o relógio de parede na cozinha, ele e a filha já estavam prontos para deixarem a casa. Akiko novamente o fizera experimentar o restinho de paciência que havia lhe restado, apenas por ter evitado comer o seu café da manhã. Tudo que ele tentava fazê-la comer, ela cuspia fora. Todavia, Seung sabia que iria rir horrores contagiado por seu homem, tão logo o colocasse a par de tudo que havia ocorrido em sua falta, por isso mesmo, o alfa tentava relevar as birras da pequenina!

Balançando a cabeça, tentou afastar as lembranças ruins que voltavam a lhe bombardear, mas era impossível não querer soluções imediatas. Ainda mais quando seria inevitável, quem sabe, encontrar a jovem beta do dia seguinte. Lembrar daquele fato, lhe embrulhava o estômago.

Bufando contrariado, Seung-Gil acomodou Akiko no bebê conforto, e saiu devagar com o carro. Não precisavam passar por mais desventuras devido a uma desatenção sua. Suspirou, e buscou pela filhota a mirando pelo espelho retrovisor. Ela segurava o coelhinho branco enquanto sua estrelinha de pelúcia repousava sobre suas pernas.

Cantarolando baixinho uma música a qual sabia a pequena parecia gostar, seguiu até o hospital. Ao finalmente estacionar o carro em uma das vagas, saiu levando a bebê no carrinho, pois se precisasse, estaria precavido.

Ao se aproximar da entrada, conteve sua respiração. Estava disposto a mover céus e terras para que a atendente fosse punida, e quem sabe retirada de seu posto, afinal não poderia tratar assim os clientes que ali chegavam em estado tão ou mais delicado. Phichit, seu marido, a luz de seus olhos, fora apenas, quem sabe, a pontinha do iceberg, e faria tudo pelo seu bem estar. Mas também o ouviria, pois tinha certeza que mesmo tendo passado por toda aquela tormenta, sabia que seu coração grande não deixaria que a pobre recepcionista tivesse um fim compatível com o que ela merecia.

Bem, para seu alívio, algo parecia ter sido feito, e deixando isso para lá, pois não queria se estressar, queria estar plácido e sereno para reencontrar seu marido, balançou a cabeça evitando qualquer situação que seu alfa não deixasse passar batido. Aquele não era o momento para novo destempero. Até mesmo por isso, passou batido, dirigindo-se aos elevadores que o levariam para o andar desejado. Em questão de minutos estava à frente do quarto almejado. Prendendo a respiração mais uma vez, sentiu-se um perfeito idiota temeroso. Estava apreensivo de como seria recebido, e em uma prece rápida, pediu ao ser supremo que o iluminasse, e se possível seu gênio terrível fosse controlado. Phichit, a família não precisava passar por mais provações!

Abrindo a porta lentamente, entrou de uma vez. Olhos arregalados e brilhantes o saudaram no silêncio daquele quarto hospitalar.

- Phic… - parou de falar de chofre ao ver o tailandês balançar a cabeça e apenas estender os braços na direção deles. Engolindo em seco, tirou Akiko do carrinho. A pequena balbuciava entre gritinhos felizes e se jogava para frente querendo logo alcançar o pai ômega. Sem nada dizer, passou a bebê para os braços do marido, e ficou onde estava. Era a primeira vez que não sabia como agir. Quando fora embora no dia anterior, saíra com o coração apertado, pois ambos sentiram o estremecimento, e a relação de ambos sendo posto à prova.

Raros eram os momentos de desentendimento, não que não existissem, mas naquele dia fora avivado e alimentado por tudo o que o ômega achava ser os problemas, que não existiam, não nas proporções que o mesmo dizia.

A voz baixa, o riso fácil. As bochechas levemente rosadas, Seung não saberia dizer por que exatamente não se aproximara. Não poderia fraquejar! Ali, bem a sua frente, estava a sua família! Recostando na lateral da cama alta, acariciou as espaldas da neném, aproveitando para lentamente tocar a mão do ômega, que não rejeitou seu carinho, como havia feito no outro dia um pouco antes de o deixar.

- Akiko, e eu… - murmurou ao sustentar-lhe o olhar - nós sentimos a sua falta! - continuou ao fazer círculos com o polegar nas costas da mão do outro.

- Seung, eu… - Phichit murmurou em resposta. - Me desculpe, eu sinto muito!

- Shhh… - tentou acalmá-lo. - Você não tem do que se desculpar, meu amor! - e mirou-o com carinho. - São situações novas, e estamos vivendo-as uma após a outra, e sabíamos que nem tudo seriam flores… - mirou-o com admiração e enamorado. - E eu lhe prometo de agora em diante, ser mais tolerante, compreensivo, e... - fez uma leve pausa ao perceber o olhar descrente a si direcionado - Não me olhe assim! - pediu ao finalmente fraquejar e o abraçar, tomando o cuidado de não apertar muito, pois Akiko estava entre eles.

- Eu sei que não tem sido fácil, Seung… - suspirou Phichit. - Sei também que não tenho facilitado para certas coisas, principalmente por ontem ter pedido para ficar comigo, sabendo que não poderia... 

- Não… - atalhou-o. - Não precisa, eu entendo, sei que não queria ficar sozinho, era inevitável, ainda mais tendo nossa estrelinha, mas agora, nós vamos para casa tão logo você seja liberado, e eu prometo que daqui para frente, enfrentaremos as agruras juntos. - e aproveitou para acariciar o ventre distendido. - Sei que não é o momento, mas temos de decidir se vamos fazer algo contra a atendente de ontem e… - ao mirar os olhos arregalados do ômega, não precisou ser dito mais nada. No fundo, o tailandês tinha mesmo um coração de ouro, mas uma advertência e o remanejamento da mesma para outra área, estava de bom tom!

Após muitas recomendações do doutor Miyazaki, que estivera o acompanhando desde sempre, e não deixara que Chulanont a contar de que ali havia chegado, ficasse sobre os cuidados de outrem, mirando o paciente com interesse, revolver fazer nova checagem sobre o olhar atento do advogado.  Miyazaki Endo, era um médico sisudo, mas um tanto mais compreensivo que o outro alfa. Assim sendo, após mais recomendações, finalmente estavam voltando para casa.

- Seung… - Phichit chamou-lhe a atenção tão logo foi ajudado a se acomodar no espaçoso e fofo sofá da sala. Sem muito esperar, prosseguiu ao ter a atenção do marido. - Não enviamos nada de Akiko para Viktor, e nem ele se comunicou conosco. Será que aconteceu alguma coisa? - preocupou-se.

- Não, não deve ter acontecido nada, e sempre poderemos enviar tudo a respeito de Akiko na segunda-feira… - tentou apaziguar com calma.

- Mas é estranho que ele não tenha se preocupado… - parou ao checar seu celular, e não encontrar nenhuma nova mensagem do platinado.

- Apenas não se preocupe, meu amor! - pediu Lee. - Talvez ele tenha viajado… - ficou pensativo por um momento. - Não é normal que ele esqueça da pequena, mas talvez seja algo especial… - e sorriu ao acariciar-lhe o rosto. - Vamos pensar em seu bem estar primeiro, Phic, e depois podemos sempre nos redimir. - sorriu confiante ao sustentar-lhe o olhar.

- É… talvez… - fez uma pausa para dar maior ênfase ao que viria. - Por falar em talvez… - sorriu sapeca - talvez eu queira um doce!

- Talvez? - perguntou o alfa ao arregalar os olhos.

- Não… eu quero um Moti! Um não, eu quero vários, possíveis e imagináveis! - riu divertido.

- É… com certeza absoluta, algumas coisas não mudam! - o advogado sorriu resignado. - Vou buscar para você e por favor, Phic, se quiser mais alguma coisa, peça! - e dando um beijo estalado no rosto do marido, saiu apressado. E de nada valeria não ir atrás do que o tailandês queria! Mas que certas coisas não mudavam, ah! Isso nunca iriam mudar!

oOoOoOo


Notas Finais


Lembretes e avisos:

Moti/Mochi: Na culinária japonesa, mochi ou mais comumente no Brasil, moti (em japonês: 餅; em chinês: 麻糬), é um bolinho feito de arroz glutinoso moído em pasta e depois moldado. Embora seja consumido durante o ano todo, é comido tradicionalmente no Shogatsu (Ano Novo) e em ocasiões especiais como nos nascimentos e casamentos.
By: Wikipédia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Mochi

Cantinho Rosa e Azul:

Theka: E cá estamos nós mais uma vez!

Viktor: Atrasadas, mais uma vez!

Almaro: Ah! Mas é muito desaforado, não amiga Coelha?

Theka: Eu já nem ligo mais, Almaro! *olhando de lado e vendo que Yuuri parece estar ouvindo música usando fones de ouvido* Então, é difícil ser tranquilo e light como o Yuu? Ou pelo menos não aparentar que está ansioso?

Almaro: Sim, pq podemos pensar que talvez o Yuu esteja apenas disfarçando, não é?

Viktor: Claro que ele está! Vocês duas demoraram demais, e...

Theka: Almaro, vou mudar todinho o final da fic! Esse raparigo acha que é fácil o mundo aqui fora!

Almaro: Sim, Coelha! Mas sabe o que é melhor, idealizarmos essa mudança de rumo, e deixarmos esse platinado bobão, pra lá!

*ignorando o russo*

Agradecemos muito a quem nos aguardou até hoje, e pedimos humildes desculpas, mas aconteceram tantas coisas que acabaram por nos atrapalhar um pouco. Sem delongas, enjoy!

Beijos
Almaro e Theka


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