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História Para sempre e mais um dia - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Minha continuação de Anne With An E!

Arte da capa pela minha querida e maravilhosa irmã Lorena (Arandelle). Sei que você não vai ler, sis, mas sou sua maior fã desde sempre. Obrigada por esse presente!

Capítulo 1 - I've been waiting for so long just to see you


Gilbert Blythe acordou mais cedo naquela quarta feira de outono. Mesmo sob cobertores quentes e com as janelas fechadas, já podia sentir que aquele seria um dia mais frio comparando-se aos anteriores. Outubro já havia dado as caras, significando que a temperatura só cairia dali para frente. A primeira neve do semestre não demoraria muito mais a vir.  

Arrumou-se com mais rapidez que o habitual. Sua mente estava a quilômetros de distância dali e seu coração martelava com intensidade no peito. Mal conseguia conter sua animação, mas se controlou, seu roommate detestaria ser acordado horas antes do início das aulas.  

Desde que chegara em Toronto, no início de agosto, havia aprendido a adorar as quartas feiras. Vindo de um estudante de Pré-Medicina aquele era um gosto um tanto que peculiar, geralmente os alunos preferiam as sextas, e mais especificamente as sextas após as aulas da tarde. Mas não Gilbert Blythe. E sim, havia uma razão bastante específica para tal preferência.  

Apanhou a bolsa e o chapéu, deixando o quarto faltando poucos minutos para as sete horas. Desceu as escadas com o cuidado de saltar o último degrau. Bastou poucas semanas morando ali para descobrir que ele rangia alto o suficiente para acordar todo um andar. Vestiu o casaco xadrez pendurado no hall de entrada, e apertando-o contra o peito, saiu para o jardim.  

Fez uma careta ao sentir o frio abraçando-lhe o rosto e se arrependeu no mesmo momento de não ter pego um cachecol. Ignorou a sensação, certo de que logo se acostumaria com o vento e o ar gélido que encontrava seus pulmões. O frio com certeza já devia ter chegado na Ilha do Príncipe Eduardo, talvez até já estivesse nevando por lá. Imaginou os olhos brilhantes e o sorriso iluminado de Anne Cuthbert ao ver a primeira neve do semestre. Aquela imagem o fez sorrir e acelerar mais os passos, estava há poucos minutos de um de seus momentos favoritos da semana. 

Atravessou o gramado oval do Front Campus — conhecido também como coração da U of T —, agora já bem ressecado pelo frio. Gilbert passava por ali já há algumas semanas, mas a arquitetura neo-gótica e românica dos prédios ao redor ainda o encantava, de forma que por vezes pegava-se estudando os detalhes das janelas coloridas, das colunas e escadas. Nunca havia visto algo tão magnífico em sua vida, tudo era perfeitamente calculado e desenhado. A arte misturando-se a matemática. Com certeza um lugar com muito espaço para a imaginação, e como era bom imaginar! A universidade era um refúgio de sonhos e a melhor parte é que encontraria ali todas as ferramentas para torná-los realidade. Perguntava-se se Anne sentia-se da mesma forma em relação ao Queen’s.  

Contornou o prédio do Kings College Circle, em direção a uma pequena a entrada para a torre noroeste do edifício. O lugar era obscuro e apertado, basicamente um corredor não muito comprido, com um balcão cortando-o no meio e um senhor grisalho do lado de dentro. Ele estava de costas, aparentemente organizando as prateleiras apinhadas de cartas e pacotes, e não percebeu quando Gilbert adentrou o aposento. 

— Bom dia, Sr. Grand. — cumprimentou o garoto um tanto quanto cordial. Sabia que o senhor não gostava muito de visitas matutinas. Toda educação era pouca quando se tratava dele.  

— Só se for para você — murmurou o velho, movendo a cabeça apenas em alguns centímetros. 

Gilbert ergueu as sobrancelhas e suspirou, era o tipo de reação que já esperava.  

— O senhor teria algo para mim? Meu nome é... 

— Gabriel Brown — completou Sr. Grand com impaciência. — Eu já sei, garoto. 

Gilbert tinha a ligeira sensação que o velho trocava seu nome de propósito, na semana anterior havia o chamado de Gerald Barn. 

— Gilbert Blythe, na verdade. — corrigiu o garoto, educadamente. 

De soslaio, o velho Grand lançou um olhar de repugnância a Gilbert e murmurou alguma coisa em francês. Era bem comum ouvir esse idioma pela Universidade de Toronto e Gilbert sentia-se frustrado por não entender nada. Pela centésima vez, tomou uma nota mental que deveria procurar alguém que lhe ajudasse com isso.  

Demorou alguns minutos até que a boa vontade do Sr. Grand fosse suficiente para encontrar a carta do menino. Com um sorriso e um aceno de chapéu, Gilbert agradeceu e saiu animado da torre. Abriu o envelope, sorrindo ao ver aquela caligrafia que tanto gostava.  

 

Querido Gilbert, 

 

As semanas têm se passado depressa e mal posso acreditar que já estamos na metade do outono. Conclui minha primeira semana de exames e só posso dizer que me sinto exausta, mas muito satisfeita também. Confesso que estava receosa com as provas da faculdade — não posso negar que são bem diferentes de tudo que estava acostumada — mas acredito que os estudos das últimas semanas geraram bons frutos. Deixarei você informado das minhas notas assim que eu souber. Para sua sorte não poderemos competir dessa vez, certo? O quão diferentes devem ser os assuntos que estamos aprendendo!   

Espero que esteja se divertindo em suas aulas de anatomia e histologia. Imagino que deva ser formidável conhecer mais profundamente a constituição do ser humano e como tudo dentro de nós funciona tão perfeitamente. Sei que muitas das suas perguntas serão respondidas e muitas outras se formarão ao longo do caminho. É tão maravilhoso não saber de tudo, não é mesmo? A universidade nos oferece tantas oportunidades e o mundo parece simplesmente diferente se visto daqui.  

E por falar em diferente, conte-me mais sobre Toronto e sobre sua vida na inusitada Província de Ontario. Em sua última carta fiquei contente em saber que começou a fazer amizades, apesar de não me surpreender com tal fato. Devo admitir, Gilbert Blythe, você é um rapaz de companhia agradável e conversa fácil. Seus amigos têm muita sorte por terem encontrado você. Espero que saibam disso. E desejo que sua nova jornada seja repleta de pessoas que compartilhem do mesmo espírito que o seu. Também espero poder fazer parte dela, mesmo que muito distante de ti, se assim você quiser. 

Você me perguntou sobre o tempo. Já sentes falta do frio da Ilha do Príncipe Eduardo? Bom, os casacos voltaram a ser necessários e confesso que mal posso esperar pela primeira neve do semestre. As outras meninas acham que sou louca, mas vejo tanta beleza nessa época do ano. 

Oh, quase esqueci de mencionar! No terceiro sábado de outubro celebraremos o aniversário da Sra. Stacy! Será o primeiro reencontro da classe inteira depois da nossa formatura. Mal posso esperar. Gostaria tanto que estivesse conosco, Gilbert. Toronto pode ser bela e a frente do tempo, mas meu desejo era que fosse mais perto de Charlottetown. Prometo pensar em você durante todo o tempo. Tenho uma ótima imaginação, não será difícil imaginar-te celebrando conosco.  

Sinto sua falta todos os dias e por vezes sonho com nosso reencontro. Temos tanto a conversar, tenho tantas perguntas sobre tudo que se passou. Por hora, deixo-lhe com essa fotografia, que me foi tirada para o Anuário do Quenn’s. Repare como estou sorrindo — por esse motivo o fotógrafo precisou tirar outra para as páginas do anuário, em que meu olhar deveria estar distante e decoroso —, por trás desse sorriso existe você, um dos presentes que a vida em Avonlea preparou para mim.  

Até breve. 

Com todo meu amor,

Anne Shirley-Cuthbert 

 

Gilbert releu a carta mais alguma vezes antes de pegar a fotografia que Anne mencionara. Ali estava ela, com um largo sorriso nos lábios, como se acabasse de ouvir algo muito engraçado. Os olhos pequenos de tanto sorrir, as covinhas em um canto do rosto e as incontáveis sardas que encantaram Gilbert desde o princípio. Os cabelos estavam presos em um impecável coque e ela vestia um vestido que Gilbert nunca havia visto. Não podia negar que Anne estava bem diferente de quando a conhecera na floresta tantos anos atrás. Obviamente tal mudança era esperada, mas o que mais chamava a atenção do garoto não eram as diferenças, mas sim como todos os elementos daquela fotografia lhe eram familiares. Anne Shirley-Cuthbert crescera inegavelmente, mas Gilbert ainda enxergava ali Anne original. Sua Anne com E.  

E teria dito a verdade? Ele era um dos motivos daquele sorriso tão belo? Pois então era o homem mais feliz e sortudo do mundo, não havia dúvida disso. Seu dia não poderia ter começado de forma mais perfeita. O único problema após ler as cartas de Anne, era que Gilbert sentia ainda mais saudade dela e não saber ao certo quando a veria novamente causava-lhe um aperto desconfortável no peito.  

Pensou no que ela havia escrito sobre a festa da Sra. Stacy, “Gostaria tanto que estivesse conosco, Gilbert. Toronto pode ser bela e à frente do tempo, mas meu desejo era que fosse mais perto de Charlottetown”. Aquele também era seu desejo. Nunca quis tanto que a Ilha do Príncipe Eduardo fosse apenas a algumas milhas de distância. Bom, na pior das circunstâncias, ainda veria Anne nas férias de Natal, dali a dois meses. Muito tempo, mas quando se estudava Pré-Medicina não era lá muito fácil viajar nos finais de semana. A passagem de trem era cara e Gilbert ainda não havia conseguido um emprego ou um estágio.  

Bom, limitações geográficas e financeiras não iriam roubar-lhe a grande alegria que havia tido ao receber a carta. Guardou o envelope com carinho no bolso do casaco e seguiu para o refeitório, seu estômago já reclamava de fome e suas aulas começariam logo. 

 


Notas Finais


Oi, pessoal! Obrigada a todos que chegaram até aqui. Tenho um carinho muito grande por essa série e estou animada com a possibilidade de escrever a continuação da terceira temporada. Lembrando que a fanfic baseia-se quase que exclusivamente na série e não nos livros (não tomei vergonha na cara para acabar se lê-los). Espero que tenham gostado e até breve.


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