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História Para Todo Mal a Cura - Capítulo 4


Escrita por: e silveirona


Notas do Autor


Bom dia, meus quarentenados e quarentenadas!

- Fiquem em casa o máximo possível -

Não acreditem em fake news (se guiem pelo site do Ministério da Saúde e as orientações da OMS, não pelas img e áudio sem fonte que vcs recebem no zap)

- Baixem o app Coronavírus - SUS se tiverem com sintomas e façam a checagem por lá pra ver se é ideal vcs irem pra hospital ou não (não vamo sobrecarregar nosso já sofrido sistema de saúde)

- LAVEM AS MÃOS COM ÁGUA E SABÃO ANTES DE PASSAR O ÁLCOOL GEL senão vcs só vão tar espalhando a sujeira na mão

- Não saiam comprando o mercado inteiro, as outras pessoas tb precisam comer e limpar a bundinha.

- O álcool tem que ser no mínimo 70% pra funcionar

- A máscara ideal é a cirúrgica (N-95) mas outro tipo de máscara é melhor do que nada

Capítulo 4 - Capítulo 3 - Gabriel


Tô quase na porta quando ouço um som que me faz correr pro quarto. Toretto tá vomitando no chão. Meu coração acelera e eu digo pra mim mesmo que é só pela preocupação com meu companheirinho, ignorando a voz interior que grita que se eu me atrasar é capaz do Vinicius ficar sem remédio.

E tá aí meu segundo sinal de alerta. Preocupação com um paciente é perfeitamente normal. O que eu venho sentindo nos últimos dias é outra coisa. Que prefiro não nomear. 

Pego o telefone pra ver se alguém pode vir ficar de olho nele. A vantagem de ser novo na cidade é que o processo de mandar mensagem pros seus contatos é bem rápido quando você só conhece tipo três pessoas que podem talvez vir até sua casa. A desvantagem de ser novo na cidade é que você só conhece tipo três pessoas que podem talvez vir até sua casa.

Tento a Andressa, uma das poucas pessoas com quem eu conversava no período breve que passei trabalhando na UBS do município, e o Valter, com quem volta e meia eu tomo uma cerveja depois da academia. Penso em mandar também uma mensagem pro Henrique, mas acho que talvez não seja de bom tom chamar pra olhar seu gato o cara que você pega de vez em quando e que levou 02 dias pra responder sua última mensagem. Mas o que me impede é mais do que etiqueta. Eu não o conheço o suficiente pra confiar nele sozinho na minha casa. Isso me chateia um pouco, já que ele é a única pessoa que pisou aqui nos 03 meses desde que me estabeleci nessa cidade. 

Não demora muito até a Andressa responder, talvez mais pelo gato que por minha causa. No pouco tempo que trabalhamos juntos várias de nossas tardes foram preenchidas trocando histórias sobre o Toretto e a Berenice (nomes de gente são sempre os melhores nomes para animais) Ela chega até que rápido. Meus planos de chegar mais cedo pra dar uma olhada nas fichas de quem tenho que atender hoje e dar uma arrumada na enfermaria que tá sempre precária não vão rolar, mas meu atraso deve ser pequeno o suficiente pra não queimar meu filme como funcionário novo (e pra não deixar de atender o Vinicius,e o alívio que eu sinto ao perceber isso me assusta)

Chego correndo e ele já tá na porta da enfermaria esperando, junto com o agente penitenciário. Destranco a sala me desculpando e explicando que o Toretto passou mal, sob o olhar mal humorado do agente (é Hélio o nome dele, vejo olhando o uniforme e percebendo que não decorei o nome dum cara com quem interagi todo dia durante uma semana e pouco, mas decorei o nome de um entre mais de 10 pacientes que atendi até agora). 

"Toretto é meu gato", explico, me sentindo um idiota por ter explicado o atraso usando o nome do bicho, como se algum dos dois soubesse qualquer coisa da minha vida. 

"Velozes e Furiosos",o Vinicius diz, e quando eu digo que sempre quis um gato careca ele entende de onde veio o nome. O Henrique não entendeu. 

Dou uma avaliada no braço dele, que parece tar se recuperando bem, e pego na mochila os analgésicos que comprei, junto com uns antigripais e esparadrapos, pra abastecer o minguado estoque da enfermaria. 

Vejo ele empurrando o comprimido com o braço que não tá engessado pra furar a cartela, e quando digo pra ele esperar eu abrir, ele já tá com o remédio na mão. 

"Eu sei me virar com um braço só", ele diz. "Parei nem de desenhar." 

Fico surpreso e ele pede minha caneta e um papel pra demonstrar. Vai atrasar um pouco meus outros atendimentos e eu devia dizer que não dá, mas tem algo na voz dele que me impede. É orgulho. Não tô muito acostumado a ver isso nessa sala. 

Ofereço o papel e a caneta e ele desenha um gato com a cabeça do Toretto do filme. É bem feitinho e engraçado e eu guardo na mochila enquanto dou as últimas orientações sobre o braço. 

"Espero que seu gato fique bem", ele diz antes de ir embora. 

Eu nunca mais vou ver ele, percebo enquanto aguardo o próximo paciente entrar. Ou vou. Sei lá. Algumas pessoas passam a vida entrando e saindo de lugares como esse. E isso me assusta. Mais do que a possibilidade de não ver ele de novo. 

Ao longo do dia, toda vez que olho ao redor dessa sala abafada de paredes descascadas, só me vem um pensamento. "Não volta pra cá". Chego em casa exausto, e mal consigo me animar mesmo com Andressa me contando que o Toretto tá bem, até comeu e brincou com ela. 

Me jogo na cama e sonho com o Vinicius. Numa praia. Com as gaivotas. Como a do braço dele. 

"Você nunca mais vai ver ele", grita a minha cabeça. É um alívio. E uma tristeza. 


Notas Finais


Calamidade pública, ok, mas as fanfic pelo menos vão ficar em dia.


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