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História Para todos os corações armados - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Cinco


Eu sempre fui uma pessoa noturna. Sempre, sempre. Meu pai trabalhava de noite quando eu ainda era bebê e ele me conta até hoje como eu sempre estava acordada quando ele chegava, às seis da manhã, como se estivesse esperando por ele. Eu costumo pensar que nasci com o relógio biológico ao contrário, o que é bem merda quando você precisa acordar cedo.

Embora ainda tivesse meu trabalho, eu só trabalhava em casa, com o meu computador e fazia o meu próprio horário. Então, para todos os efeitos, estava de férias da faculdade. Acordar cedo era fora de cogitação. Morávamos em um apartamento pequeno e a minha irmã mais velha não estava em casa. Ela estava na casa do namorado. Ficava mais lá do que aqui. Meu pai, quando ela não aparecia em casa, costumava suspirar e falar: “É… O tempo passa, estamos perdendo ela…”

Eu não me importava muito. Era meio egoísta, mas gostava de ter o quarto só para mim. Eu sentia saudade dela, mas minha saudade deveria ser diferente da saudade dos meus pais.

Eu tinha terminado de jogar um jogo que tinha acabado comigo. Quando eu me sinto muito, muito mal e não sei o que fazer com a tristeza, eu preciso andar. Eu queria poder caminhar na rua e faria isso se não fosse tão medrosa. Se o mundo não fosse uma bosta com as mulheres, também. Decidi ir tomar água. Acho que não estava tão mal assim, era só parar de pensar. 

Quando passei para ir até a cozinha, meu pai estendeu o braço. Era o jeito que ele tinha de me avisar que estava acordado. A verdade é que ele não dormia direito. Eu nunca entendi o porquê, mas sabia que o máximo que ele conseguia dormir por noite eram seis horas e ficava acordando de hora em hora. A insônia dele era extremamente forte e o seu sono muito leve. Meu pai não dormia mais com a minha mãe fazia uns seis, sete anos… Processo de separação lento e desgastante, eu já nem ligava mais. Quando era mais jovem, costumava ligar. Ele deveria sair de casa logo, mas morria de medo de deixar a minha mãe sozinha e também não tínhamos dinheiro.

A verdade é que eu também morria de medo que ele fosse embora. Minha mãe não lida bem com a solidão. Minha irmã é desapegada demais para ligar para isso. Eu acho que, no fim, eu teria que cuidar dela. A gente não se dá muito bem. Às vezes, sim, às vezes, não… É complicado. 

Sentei ao lado do meu pai no sofá. 

— Por que você está acordado?

— Não sei, eu só acordei. Eu sempre acordo de madrugada.

— Eu sei. 

— E você não vai dormir, não?

— Eu nunca durmo de noite.

— Eu sei. — Ele deu risada e eu também. 

— Como você é bobo, pai.

— Por que você acha que é assim, Sakura? Bobinha... 

Comecei a chorar. A voz dele tinha sido tão carinhosa, como se soubesse que eu estava triste. Ele sempre sabia. Eu também sempre sabia quando ele estava triste e ele estava naquele momento. Sempre estava e era por isso que não conseguia dormir. Me senti tão solitária e, de repente, não estava mais triste por causa do jogo. Era muita coisa dentro de mim, estava triste pelo meu pai, pela minha mãe e porque minha irmã tinha ido embora. Estava triste porque o fim do jogo me deixou emocionada, estava triste porque Ino não tinha falado comigo na última semana, estava triste porque eu era uma boba. Igualzinha ao meu pai. 

— A culpa é toda sua. Você me fez ser uma boba.

— É minha mesmo. Sinto muito, Sakura.

Lembrei de Hinata.

— Tá tudo bem. Eu gosto de ser boba. Mas isso vai me fazer ter uma insônia brava um dia.

— Ah, querida… — Ele me deu um sorriso triste. — Veja bem, você já tem insônia.

 


Notas Finais


Esse é um capítulo bem curtinho, mas muito sincero. Eu gosto demais de retratar as relações da Sakura, porque todas elas são componentes muito importantes para a construção da sua personalidade. Espero que tenham gostado. Beijo!


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