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História Para todos os efeitos, lar - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


sim, eu finalmente fiz
depois de mais de um ano, as ideias e plots trocados na tml em relação à renmin parents veio ao papel (ao docs, no caso), e a personagem criada por mim e por Rebeca, nossa linda, inteligente e travessa MInjun, tomou vida (ainda não acompanhada de Minhee, mas quem sabe até quando)
a Minjun aqui é muito inspirada em um bebêzinho real, já que minha mãe é babá, e o jeitinho afobado e esperto, e até o modo de falar, são inspirados nele

eu espero muito que vocês gostem, é sempre bom ter uma coisinha mais leve pra ler, espero que tenha funcionado

Capítulo 1 - Manchas de tinta e canela



O verão em Seul estava mais quente e chuvoso que os anos anteriores.


Eram três da tarde e o céu parecia que iria cair a qualquer momento, escuro e tenebroso, enquanto era possível ver os raios cortando as nuvens cheias a grandiosas que cobriam o típico azul que Jaemin amava observar.


As gotas cristalinas batiam forte contra seu guarda-chuva, mas a sensação térmica era estupidamente alta. Estava se sentindo em uma sauna com aquele tempo quente e úmido. Andou mais alguns passos pela rua alagada, evitando as poças de água ao seu máximo.


Sempre que chovia no verão da cidade, lembrava-se de quando era um garotinho que corria pelas ruas de seu bairro, colocando a língua para fora para que pudesse sentir o choro do céu derretendo em sua boca, a lágrima quente das nuvens queimando a sua derme. Mesmo que preferindo os dias ensolarados, aquilo sempre o deixava feliz — ao menos até o momento em que levava uma bronca de sua mãe. O verão de Seul lhe era pura nostalgia.


Olhou para o relógio em seu pulso, constatando que já passavam vinte minutos do horário ao qual disse que chegaria, resolvendo mandar uma mensagem de texto antes que alguém ficasse preocupado consigo.


Bebês, estou chegando

Por favor, não tomem sorvete sem mim


my tiny bae

concordamos que podemos esperar 

mais um pouco

você tem dez minutos


pouco tempo


my tiny bae

isso ou nada

chegue rápido

estamos com saudade


vou correr para vcs


Com um sorriso, Jaemin voltou a andar, dessa vez com mais pressa. Queria tanto chegar em casa que já se sentia eufórico — isso era normal? —, seu coração já batendo a mil só de pensar no conforto de casa, no sorriso de seus amores, no sorvete de creme esfriando seu corpo. Parecia o cenário perfeito. Demorou alguns minutos à mais do que normalmente — a chuva deixava as ruas cheias de gente, grande parte por obrigação já que muitos não tinham guarda-chuva e os táxis mal paravam—, mas ele finalmente adentrou a rua de seu apartamento. Seguiu caminho para o hall de entrada do condomínio em que morava, sentindo a euforia crescer mais à cada passo dado.


Passou pela recepcionista, que o desejou uma boa tarde. Os sapatos molhados faziam seus pés pesarem, e ele mal podia esperar para se encontrar dentro de seu apartamento espaçoso e poder tomar um banho.


O elevador aos poucos se enchia, como se todos os seus vizinhos tivessem resolvido voltar para casa no mesmo horário aquele dia. Quando certa quantidade de pessoas finalmente havia adentrado a agonizante caixa de metal, um suspiro de alívio soltou-se de seu peito. Ao menos até perceber que sua parada seria praticamente a última — de algum modo, muita gente dos blocos abaixo estava ali, o que só poderia ser uma conspiração da vida contra si, já que morava apenas no sétimo andar.


Depois do que lhe pareceu uma eternidade dentro do espaço cheio, finalmente saiu do elevador e encontrou o corredor tão conhecido por si. Já com um pequeno sorriso no rosto, retirou as chaves do bolso e destrancou a fechadura, abrindo a porta. O cheirinho de casa invadiu suas narinas e ele fez questão de fechar os olhos por alguns segundos, suspirando feliz.


Retirou o casaco que vestia e o pendurou, guardando os sapatos na pequena estante ao lado do hall. Adentrou o corredor, ouvindo o som da televisão ecoar em uma música infantil — a abertura de moomin, concluiu após alguns poucos segundos. Assim que chegou ao cômodo seguinte, seu coração se encheu com o sentimento de satisfação e uma calmaria única, o sorriso que cresceu em seus lábios era quase impossível de conter.


Ali, em frente à TV que transmitia o programa favorito de suas duas criaturinhas favoritas, estavam eles. Renjun e Minjun estavam sentados lado a lado, cada um com sua própria cobertinha, enroladinhos como dois burritos. Renjun — tão lindo quanto estava de manhã,  quando o viu antes de sair para o trabalho, senão mais — se encontrava encostado no sofá, com um balde de doces no colo, enquanto a pequena garotinha estava encostada em seu corpo, olhos vidrados na tela, murmurando a música, os cabelos curtinhos amarrados e cheios de presilhas coloridas — e Jaemin apostava seu salário do mês que ela mesma havia colocado.


Não se demorou ali parado, indo alegremente em direção ao estofado, rindo ao perceber como os dois pares de olhinhos escuros como jabuticabas se viravam para si em conjunto, as expressões de confusão e alegria pareciam sincronizadas e Jaemin concluiu que sim, Minjun era igualzinha ao Huang, desde os cabelinhos escuros e pele lisinha até o talento de apaixonar o Na com cada pequeno gesto.


— Como vão meu amorzinho e meu amorzinho ainda menor? — cantarolou, sentando-se ao lado da garotinha que rapidamente se jogou em seus braços, o derrubando no sofá. 


— Oi papai, eu tô muito bem, e você? — ela disse sorridente, olhando em seu rosto, antes de abraçá-lo com toda a pouca força em seus bracinhos curtos. O Na até iria responder, mas a pequena continuou sua frase, não dando chances para si. — Hoje a gente fez várias coisas legais, o papai Jun inventou um monte de brincadeira porque a gente não podia ir no parquinho na chuva. — disparou de uma vez.  Jaemin riu novamente, abraçando-a de volta e fazendo impulso para voltar a se sentar no sofá. Quando finalmente voltou à posição que queria, encontrou o rosto do marido, que olhava para os dois com aquele rostinho de admiração que Jaemin adorava.


— E você, não vai me dizer oi também? — arqueou uma sobrancelha, já inclinando-se na direção do menor, que selou seus lábios suavemente, trazendo um pouquinho mais de alegria ao seu coração. Parecia que o mundo iria acabar e Jaemin ainda se sentiria amando cada beijo dele na mesma intensidade da primeira vez.


— Oi. — ele falou em meio à uma risadinha, após se separarem contra a vontade do mais novo. — Agora que você chegou, podia me contar como conseguiu convencer seu chefe a te deixar sair mais cedo?


— A gente não podia falar sobre outra coisa? — respondeu contrariado, chegando mais perto do ouvido do mais velho. — Tipo, minha vontade inacabável de te beijar? — sussurrou, garantindo que sua pequena não ouvia.


— Na Jaemin, foco! — ele o bateu, mas tinha um sorrisinho no rosto. Apesar de tudo, continuou querendo saber sobre o assunto.


Jaemin deu de ombros, fazendo a garotinha em seus braços soltar uma risadinha com o movimento repentino.


— Você sabe que ser editor chefe tem suas vantagens. E de qualquer forma, amanhã é feriado. — falou de modo convencido, mas o marido continuou o olhando de modo cínico, o que fez soltar a garotinha no sofá, correndo os dedos pelo macacão bonitinho que ela vestia e fazendo cócegas no corpinho pequeno. — E talvez eu tenha adiantado algumas coisas na semana passada. Apenas talvez…


— Papai, papai, para, para de fazer cócegas! — a garotinha disse entre risadas, sua voz estridente soando pelo apartamento. Jaemin a olhou sorridente, deixando beijinhos em sua testa e rindo alto ao vê-la desfalecer contra o estofado, fingindo  um desmaio, cheia de drama enquanto murmurava sobre como não conseguia respirar.


Deixou-a em seu mundinho particular, voltando a focar no Huang, que ainda parecia intrigado com o fato de que ele realmente havia sido liberado. Bem, o acastanhado entendia, afinal, seu chefe podia ser um pé no saco quando queria e o Huang era o ser mais desconfiado do mundo, já devia estar pensando que o mais novo seria demitido a qualquer hora.


— Ei, coisinha, não fica encanadinho com isso. Eu realmente trabalhei muito durante essa semana, mal tinha o que fazer hoje. — falou, levando uma das mãos até o rosto bonito, que, apesar de emburrado (tanto pelo assunto quanto pelo modo como foi chamado), se inclinou automaticamente ao seu toque. — Eu sei que você não entende bem já que é o Sr. Psicólogo Autônomo, mas os chefes não são monstros.


Renjun revirou os olhos, mas deixou um beijo sobre sua palma.


— Ok, só vou acreditar porque você tá me dizendo e também porque tava muito cansado esses dias. Vou te dar uma folguinha. — ele desistiu, fazendo o acastanhado dar um sorrisinho. — Mas é só hoje. Na próxima eu mesmo vou lá perguntar o que aquele velho idiota quer. — respondeu com os braços cruzados, antes de voltar os orbes ao encosto do sofá, onde Minjun já estava muito bem acomodada com o pote de doces ao seu lado, mastigando um monte, observando atentamente a conversa que acontecia à sua frente, ainda que não entendesse muito bem. Renjun dirigiu a ela a mesma expressão questionadora que antes era feita para o marido.


— Quando foi que você pegou isso? — ele perguntou e Jaemin também se sentiu intrigado, afinal, havia percebido tanto quanto o mais velho dos três. Aquilo automaticamente o fez pensar que se ela se escondesse por aí algum dia, eles jamais perceberiam. Teria que lembrar de colocar atenção redobrada nela ao saírem para lugares públicos novamente.


A menininha apenas deu de ombros, visto que aquele assunto não era assim tão importante aos seus olhos.


— Ei, papai, você é uma coisinha? — ela questionou em sua voz embolada, apontando um dos dedinhos para Renjun, que não demorou a formar uma expressão desacreditada  no rosto. Jaemin soltou uma risada baixa, recebendo um tapinha de repreensão.


— Não, senhorita, eu não sou uma coisinha. — fez aspas com a mão ao dizer aquele apelidinho que odiava desde a primeira vez que o marido o havia chamado daquele jeito — quem quer que conhecesse o moreno sabia que ele odiava ser chamado de pequeno, baixinho, coisas no diminutivo e derivados.


— Então por que o papai te chamou assim? — ela perguntou novamente, em sua típica curiosidade de quem ainda descobria o mundo aos pouquinhos. Jaemin riu de novo, imaginando como o marido responderia aquela pergunta sem o insultar como normalmente fazia quando o chamava por aquela palavrinha. Levou uma das mãos ao pote de doces, passando a mastigar uns ursinhos de gelatina, encostando um dos ombros no sofá.


— Porque seu papai é um cabeça de vento, Minmin. — ele respondeu simplesmente. Minjun riu com gosto, encarando o Na, que se fingiu de ofendido, mas na verdade estava encantado com o jeitinho lindo como sua filha ria. — E lembra do nosso acordo, bebê? Acho que você tá esquecendo. 


Minjun pareceu pensar por alguns poucos segundos, antes de arregalar os olhinhos e se afastar do Na, tomando o pote de doces para si e sentando no colo de Renjun. Jaemin passou alguns momentos de confusão, antes de encolher os olhos para o Huang, desconfiado.


— O que você induziu minha filhinha a fazer, seu diabinho? 


— Nada. Foi apenas um acordo que a gente fez, né, amor? — ele baixou os olhos para a criança, que acenou com a cabeça, fazendo os cabelos presos em maria chiquinha balançarem.


— Papai se atrasou, papai não pode comer doce. — ela disse, parecendo recitar uma frase decorada. Foi tão fofo. Jaemin não resistiu e entrou no joguinho dela, que parecia muito séria quanto ao tal acordo feito com seu outro papai.


— Poxa, trás isso aqui de volta. O papai Nana também quer doces. — fez sua carinha de cachorrinho caído da mudança — a mesma que usava para convencer o Huang a entrar em suas enrascadas, quando eram mais novos —, vendo a garotinha derreter imediatamente — afinal de contas, apesar de se parecer muito fisicamente com o Huang, a pequena tinha o coração mole assim como o homem mais novo. Não resistia à coisas fofas e muito menos resistia à fazer as vontades de quem gostava, igualzinha ao Na.


— Mas paizinho, o papai Jun disse que não pode. — ela respondeu chorosa, parecendo se compadecer do imenso sofrimento de Jaemin. O mais novo olhou para o marido, que apesar de tentar parecer sério pelo bem da brincadeira, tinha os olhos transbordando ternura.  Voltou a olhar para a filha, que parecia realmente em uma batalha interna sobre qual dos dois devia obedecer — e Jaemin agradecia aos céus por ter uma filhinha tão obediente. Chamou a garotinha com um sussurro, esperando até que as íris tão escuras quanto às de seu marido estivessem ligadas às suas. Fez um dois com a mão e apontou para o mais velho, que parecia totalmente perdido naquela comunicação estranha da dupla, e ficou ainda mais quando Minjun acenou com a cabeça concordando.


— Papai, papai. — ela chamou de modo manhoso, os olhinhos brilhantes agora dirigidos ao Huang. — O papai Nana pode comer doce com a Minjun e o papai? Por favorzinho? Ele promete que não vai mais se atrasar, não é, pai? — ela se virou por um instante, induzindo o mais velho a fazer o mesmo, se deparando com os olhos pedintes de Jaemin, tão semelhantes aos da filha.


Ele pareceu pensar seriamente por alguns segundos — e o Na sabia que não era sobre os doces, e sim sobre como torturaria o mais novo por ensinar sua filha a usar chantagens emocionais. E Jaemin não estava reclamando. Gostava de ser torturado pelo maridinho. Em todos os sentidos possíveis.


— Sinceramente, eu odeio quando vocês se juntam contra mim desse jeito. — ele reclamou, revirando os olhos. — Vai, podem comer esses doces todos, eu não posso ter um pouquinho de fidelidade nessa família mesmo.


Os outros dois sorriram contentes e Minjun estendeu o grande pote para o Na, que aceitou de bom grado.


— Papai, não fica chatinho não. Você quer um abracinho? Eu te dou um bem apertado! — ela exclamou. Jaemin observou o marido manter a expressão de falsa birra por meio segundo, antes de abrir os braços para a menininha que o apertou forte, sussurrando algo como “Pronto, pronto, tá tudo bem, appa” enquanto passava uma das mãozinhas em seu braço, em forma de consolo.


Jaemin riu, encarando o Huang de jeito cínico e formando um “Ciumento” com os lábios. O mais velho apenas lhe deu a língua, voltando logo a fechar os olhos e aproveitar o tal abraço de consolo.


Algum tempo depois, os três já estavam novamente embalados nos cobertores, o pote de doces vazio sobre a mesa de centro, totalmente concentrados em assistir o programa. As gotas de chuva lá fora finalmente caíam em forma de um temporal forte. A casa se encontrava em completa calmaria e Jaemin quase dormia com o cafuné que recebia em seus cabelos, em meio a pequenos beijinhos que sentia em sua cabeça vez ou outra e ao som vindo da TV que transmitia agora algo sobre carros falantes. Era tão confortável que se dormisse ali, provavelmente só acordaria no dia seguinte.


No entanto, o silêncio não durou tanto assim, afinal, tinham uma garotinha hiperativa com seus quatro anos recém-completos e ela não passava muito tempo no mesmo lugar.


Não demorou até ela se agitar no meio dos cobertores e virar o rostinho rechonchudo na direção dos dois.


— Pai, a gente pode mostrar aquela coisa ao papai Nana agora? — direcionou a pergunta ao mais velho, que pareceu não entender muito bem sobre o que a garotinha falava.


— Mostrar o que, meu amor? — o moreno respondeu, as mãos se movendo para arrumar o penteado nos cabelos fininhos, já que uma das maria chiquinhas estava torta — culpa dos movimentos constantes da garotinha —, deixando-a mais engraçadinha do que sempre parecia.


— A foto no celular, pai. Aquela. — ela insistiu e o Huang pareceu finalmente se lembrar.


— Ah, aquela foto. A gente pode mostrar sim. Você pega meu celular? Tá lá em cima da cama. — a garotinha acenou com um sorriso no rosto e correu entusiasmadamente pelo corredor — do modo mais rápido que suas perninhas curtas permitiam —, em  busca do objeto. Jaemin olhou e riu, não demorando a receber a atenção do mais velho sobre si. — Tá rindo do que?


Jaemin acenou com a cabeça, como se não fosse nada demais, mas continuou rindo.


— É que ela corre igualzinho a você. Parece um patinho manco. — comentou e o outro fez careta.


— Você terá comparando nossa filha com um pato manco? 


— Eu estou comparando você com um pato manco. E comparando ela com você. — retrucou. O moreno suspirou pesado, ainda atento a qualquer barulho vindo do corredor. 


— Você é ridículo. Por que mesmo eu me casei contigo? — a pergunta foi claramente retórica, mas o Na fez questão de chegar mais perto, abraçando-o e levando o nariz até o pescoço que tinha cheirinho de canela. Jaemin amava aquele cheiro, e sabia que se o lar pudesse se materializar através de um aroma, seria aquele; canela, assim como Renjun e toda sua presença.


— Porque você não aguenta viver sem mim. — afirmou, sentindo as mãos menores irem até seus ombros. Respirou fundo o aroma que se desprendia da pele branquinha, beijando o espaço entre o ombro e o pescoço que estava exposto pela camiseta grande demais. — Lembra daquela vez quando passamos o dia inteiro juntos e mesmo assim você me ligou no meio da noite e disse que tava indo na minha casa porque queria dormir comigo? —  olhou nos olhos negros, soltando um risinho com a careta do outro que continuava ali. Aproximou seus rostos ao máximo, sentindo o aperto sobre seus ombros ficar mais forte. Contrariando sua expressão, o Huang juntou seus lábios em um beijo que o esquentou de dentro para fora, ainda que rápido demais para os dois. Meio segundo depois de se separarem, ouviram os passinhos vindos do corredor e ajeitaram-se novamente no sofá.


— Mais tarde nós continuamos essa conversa, Na Jaemin. — ele falou em um tom de ameaça que o acastanhado achava particularmente sedutor. Não podia fazer nada além de concordar.


— Papai Jun, o Atlas tava deitadinho em cima do seu celular, quase não consegui tirar ele de lá pra pegar. Ele tá muito gordo! — ela chegou gritando, um celular grande demais nas suas palmas pequeninas e uma expressão de real indignação no rosto. Há dias ela comentava como o gatinho rajado, mascote da família, iria virar uma bolinha a qualquer momento.


Renjun riu e pegou a garota no colo, tratando de desbloquear o aparelho enquanto os olhinhos pequenos acompanhavam com expectativa as imagens no ecrã, já esquecendo de sua pequena irritação com a situação passada. Menos de um minuto depois, o moreno devolveu o celular para as mãos de Minjun, que o agarrou com seus dedinhos curtos e mostrou ao Na, um sorrisão estampado.


— Olha, olha, Huang Minjun é uma artista igual ao papai! — ela exclamou feliz.


A tela mostrava uma imagem da pequena garotinha no que era certamente o estúdio de Renjun. Ela vestia uma camiseta amarela e calças jeans — Jaemin quase a pegou nos braços e apertou até que ela explodisse, porque aqueles eram os jeans mais pequenos e fofos que havia visto em sua vida —, os cabelos negros estavam amarrados em um rabo de cavalo, com um elástico amarelinho e cheio de babados, e atrás dela havia uma tela com o que devia ser a obra de arte que ela havia produzido — várias cores misturadas e um homem palito. Ela sorria grande para a câmera e seu rostinho tinha diversas manchas de tinta, assim como suas roupas. 


Era a coisa mais adorável que Jaemin já havia visto em sua vida.


— Você gostou? O papai disse que vários amigos dele comentaram dizendo que eu sou muito linda e talentosa! Você também acha que eu sou muito linda e talentosa? — A menininha tagarelou, assim como os dois progenitores faziam às vezes quando estavam muito empolgados. O acastanhado a pegou nos braços, olhando para a face limpinha. Deixou um beijo em seu nariz e sorriu para ela.


— Você é a garota mais linda, talentosa, inteligente e todas as coisas boas do mundo! Na Minjun é a garota mais perfeita do universo inteiro.


— Huang Minjun, papai! — ela corrigiu.


Jaemin fez careta quando ouviu o Huang rir alto, encostando a cabeça em seu ombro. Jaemin não sabia quem lhe encantava mais, mas se havia algo que ele sabia era que provavelmente nunca iria descobrir — poderia apostar tudo que tinha que era o homem mais apaixonado pela própria família que já havia existido na história do universo.


— Mas porque não Na Minjun? — ele insistiu o Huang riu mais.


Ela riu junto, pulando de seus braços e se jogando no espaço entre os dois, as pernas ainda no colo do Na, formando uma harmonia agradável que combinava com todo o conforto e familiaridade da cena.


— Eu vou ser uma artista igual o papai Jun, então eu sou Huang, pai. Tá bom? Não fica triste, mas pintar é mais legal. — ela concluiu e Jaemin apenas acenou com a cabeça, como forma de aceitação. Desde que ele levou a menor para tirar fotos consigo e no dia seguinte o marido a levou para o estúdio, soube que ela preferia muito mais o hobby dele que o seu. O modo como ela chegou animada naquele dia, suja de tinta e falando sobre o quão incrível era fazer telas era inconfundível; o brilho de satisfação que ela carregava era semelhante ao de Renjun, quando ele produzia um quadro e gostava do resultado final.


Olhou para Renjun, que continuava com a cabeça em seu ombro e com ar de riso.


— Foi essa a brincadeira que você inventou?


— Você sabe que ela fica agitada durante a manhã e eu também. Ela queria pintar então eu só concordei. — ele deu de ombros. — Ou você esqueceu da nossa regra principal?


— Nossa garotinha quem manda. — colocou a cabeça sobre a dele, sorrindo com a veracidade daquela "regra".


— A Minjun quem manda! — a menininha exclamou, levantando um dos braços como se declarasse aquilo, mesmo que continuasse deitada confortavelmente. Jaemin achava impressionante como às vezes ele jurava que ela não estava prestando atenção nas conversas que ele e Renjun tinham, mas repentinamente ela se incluía e provava o contrário. Era tão esperta que às vezes até mesmo assustava os pais — e a professora do jardim de infância.


Passaram todos alguns minutos apenas olhando para pontos aleatórios, cada um navegando por sua própria mente. Seus amigos costumavam falar sempre sobre como Renjun e Jaemin dividiam o hábito de divagar por minutos à fio, e parecia que agora haviam passado tal hábito para a menor.


— Quem quer sorvete? O primeiro a chegar na cozinha ganha mais cobertura. — Renjun falou após alguns momentos, quebrando o silêncio da sala e despertando os dois mais novos que pareciam estar perdidos no mundo da lua — aquilo era, definitivamente, uma mania de família. Minjun foi a primeira a se levantar, quase caindo no tapete da sala tamanha era sua pressa, e quando Jaemin estava prestes a fazer o mesmo, Renjun o empurrou de volta para o sofá e assim os dois menores correram juntos.


— Isso é trapaça, vocês dois são sujos! — ele gritou.


— Desculpa, amor! — ouviu a voz do marido dizer.


— Desculpa, mor'! — veio logo em seguida na voz da pequena garotinha.


Jaemin sorriu para si mesmo, caminhando até o outro cômodo e sentando no balcão para observar enquanto os dois se sujavam com a calda de chocolate. Renjun chegou perto de si em um pequeno instante, lhe beijando a bochecha.


— Não pense que eu esqueci que vamos conversar mais tarde. — ele sussurrou, logo voltando a fazer bagunça com Minjun, que parecia muito alegre em decorar os sorvetes.


Era isso, ele definitivamente amava estar em seu lar.


A chuva ainda caía pesadamente, as nuvens negras e sombrias lá fora. Mas, sinceramente, Jaemin tinha seu próprio dia ensolarado guardado em casa, em forma de sorrisos genuínos das pessoas que mais amava no mundo.


Notas Finais


e foi issooo aaa

muito obrigada se você leu, eu tenho algumas (muitas, uma penca) outras fanfics renmin, então se quiser ler, aqui: https://www.spiritfanfiction.com/tags/lunastica-renmin

até a próxima vez que eu vier pagar uma de cadelinha nesse site, beijinhos


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