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História Para todos os garotos que já amei 1 - Beauany adaptação - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Oi mores!!!

Mais um capítulo pra vocês. Provavelmente eu poste mais um hoje.

Espero que gostem e perdoem os erros 🤧💖

Capítulo 2 - Capítulo 2 - If mom were here


Na manhã seguinte, Sabina está fazendo o café e eu estou colocando o cereal nas tigelas, então digo a coisa em que passei a manhã toda pensando.

 

Any - Você sabe que papai e Belinha vão ficar muito chateados, não sabe?

 

Quando Belinha e eu estávamos escovando os dentes, pouco antes, fiquei tentada a contar tudo, mas ela ainda estava com raiva de mim pelo que eu disse ontem, então fiquei quieta. Ela nem mencionou os biscoitos, embora eu saiba que os comeu, porque só sobraram migalhas no prato.

 

Sabina solta um suspiro profundo.

 

Sabina - Então devo ficar com Noah por causa de você, do papai e da Belinha?

 

Any - Não, só estou avisando.

 

Sabina - Ele não viria muito aqui, depois que eu fosse embora.

 

Eu franzo a testa. Não passou pela minha cabeça que Noah pararia de vir aqui em casa depois que Sabina viajasse. Ele já tinha o costume de vir bem antes de eles virarem um casal, não vejo por que iria parar.

 

Any - Talvez ele venha – digo - Ele adora a Belinha.

 

Ela aperta o botão para ligar a cafeteira. Eu a observo com muita atenção, porque Sabina sempre fez o café, e, agora que ela vai embora (só faltam seis dias), é melhor eu aprender. De costas para mim, ela responde:

 

Sabina - Talvez eu nem conte para eles.

 

Any - Hã, acho que eles vão perceber quando ele não aparecer no aeroporto, Sabi.

 

Sabi é meu apelido para Sabina.

 

Any - Quantas xícaras de água você botou aí? E quantas colheradas de pó de café?

 

Sabi - Vou anotar tudo para você — garante ela. — No caderno.

 

Temos um caderno ao lado da geladeira. Foi ideia de Sabina, claro. Nele estão todos os números importantes, os horários do nosso pai e das caronas de Belinha.

 

Any - Não se esqueça de colocar o número da nova tinturaria.

 

Sabi - Já coloquei. - Sabina corta uma banana para colocar no cereal; cada fatia é perfeitamente fina. - Além do mais, Noah não iria ao aeroporto com a gente. Você sabe o que eu acho de despedidas.

 

Sabina faz uma careta como quem diz: ‘’Argh, emoções.’’

 

Eu sei.

 

* * *

 

Quando Sabina decidiu fazer faculdade na Escócia, eu me senti traída. Apesar de saber que isso ia acontecer, porque é claro que ela faria faculdade em algum lugar distante. E é claro que ela faria faculdade na Escócia e estudaria antropologia, porque ela é Sabina, a garota dos mapas, dos livros de viagem e dos planos. É claro que ela nos deixaria um dia.

 

Ainda estou com raiva, ao menos um pouco. Só um pouquinho. Obviamente, sei que não é culpa dela. Mas ela vai para tão longe, e sempre dissemos que seríamos as irmãs Soares para sempre. Sabina primeiro, eu no meio e Belinha por último. Na certidão de nascimento, ela é Isabel; para nós, é só Belinha.

 

Somos as três irmãs Soares. Éramos as quatro garotas Soares com minha mãe, Priscila Soares. Pri para meu pai, mamãe para nós, Priscila para o resto do mundo. Soares é, era, o sobrenome dela. Nosso sobrenome é Rolim, com a sílaba tônica no final. Mas o motivo de sermos as irmãs Soares, e não as irmãs Rolim, é que minha mãe dizia que seria uma garota Soares para o resto da vida, e Sabina acredita que nós também deveríamos ser. Todas temos Soares como nome do meio, e nossa aparência é mais de Soares do que de Rolim, de qualquer modo, mais brasileira do que negra.

 (N/A: Gente, no original é assim ‘’mais coreana do que caucasiana’’. Eu tentei traduzir pra a aparência da própria Any. Se a frase ficou meio confusa me perdoem kkkk.)

 

Pelo menos, Sabina e eu; Belinha se parece mais com nosso pai, tem o mesmo cabelo castanho-claro. As pessoas dizem que eu me pareço mais com ela, mas acho que é Sabina, com as maçãs do rosto altas e os olhos escuros, quem se parece mais. Faz quase seis anos, e às vezes parece que ela estava aqui ontem. Às vezes parece que só existiu nos meus sonhos.

 

Ela havia encerado o piso naquela manhã; estava brilhando, e a casa cheirava a limão e limpeza. O telefone começou a tocar na cozinha, ela foi correndo atender e escorregou. Bateu a cabeça no chão e ficou inconsciente, mas depois acordou e disse que estava bem. Foi o intervalo lúcido. É assim que chamam. Pouco tempo depois, reclamou de dor de cabeça, foi se deitar no sofá e não acordou mais.

 

(N/A: xorei gente)

 

Foi Sabina quem a encontrou. Ela só tinha doze anos, mas cuidou de tudo: ligou para a emergência, ligou para nosso pai e me deixou cuidando de Belinha, que só tinha três anos. Eu liguei a televisão para Belinha, no quarto de brinquedos, e fiquei com ela. Foi tudo o que fiz. Não sei o que teria feito se Sabina não estivesse lá. Apesar de ela ser só dois anos mais velha do que eu, eu a admiro mais do que a qualquer outra pessoa.

 

Quando descobrem que meu pai é viúvo e tem três filhas, as pessoas balançam a cabeça, admiradas, como se dissessem: ‘’Como ele consegue? Como cuida de tudo sozinho?’’

 

 A resposta: Sabina.

 

Ela é organizada por natureza, com suas etiquetas, seus planejamentos e suas divisões em fileiras regulares e perfeitas. Sabina é uma boa garota, e acho que Belinha e eu estamos seguindo seu exemplo.

 

Nunca colei, nem fiquei bêbada, nem fumei um cigarro, nem mesmo tive um namorado. Nós brincamos com papai e dizemos o quanto ele tem sorte de sermos tão boas, mas a verdade é que nós é que tivemos sorte. Ele é um ótimo pai. E se esforça muito. Nem sempre nos entende, mas tenta, e é isso que importa. As três irmãs Soares têm um pacto silencioso: tornar a vida o mais fácil possível para nosso pai. Por outro lado, talvez não seja tão silencioso assim, porque quantas vezes já ouvi Sabina dizer: “Shhh, fique quieta, papai está cochilando antes de ter que voltar para o hospital” ou “Não incomode papai com isso, você não consegue resolver sozinha?”.

 

Já perguntei a Sabina como ela acha que seriam as coisas se nossa mãe não tivesse morrido. Será que passaríamos mais tempo com o lado brasileiro da família, e não só o Dia de Ação de Graças e o Ano-Novo? Ou...

 

Sabina acha que não faz sentido ficar imaginando. Nossa vida é essa; especular não vai mudar nada. Ninguém pode nos dar respostas. Eu tento, tento muito, mas é difícil aceitar esse jeito de pensar. Estou sempre imaginando e especulando sobre outros caminhos.

 

* * *

 

Nosso pai e Belinha descem na mesma hora. Sabina serve uma xícara de café para ele, e eu coloco leite no cereal de Belinha.

 

Ponho a tigela na frente dela, mas Belinha me ignora, pega um iogurte na geladeira e o leva para a sala, para comer vendo tevê.

 

Ela ainda está chateada.

 

Jacob - Vou ao mercado mais tarde, então façam uma lista do que precisarem - pede papai, tomando um grande gole de café -  Acho que vou comprar uns bifes para o jantar. Podemos usar a grelha do quintal. Compro um para Noah também?

 

Olho para Sabina. Ela abre a boca, depois a fecha.

 

Sabina - Não, compre só o suficiente para nós quatro — diz, por fim.

 

Lanço para ela um olhar de reprovação, mas ela me ignora. Nunca vi Sabina perder a coragem antes, mas acho que, nas questões do coração, não dá para prever como uma pessoa vai se comportar.



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