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História Paradise - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoal!
Tudo bem?

Estamos de volta com mais uma fanfic, essa é uma fantasia! 🧜🏻‍♀️🧜🏻‍♂️
Esperamos que vocês gostem e nos acompanhem nessa longa jornada!

Para quem não nos conhece, somos duas autoras, a Karina e a Gisele. Nós escrevemos juntas e estamos aqui para dividir nossas loucuras com vocês!
E, lembrando, que as postagens dos capítulos são diárias.


Para mais informações ou se quiserem bater um papo com as autoras,
nos sigam no Twitter: @giseledute | @isidoroka ;)

Capítulo 1 - Capítulo 1


PARTE I

You don’t even have a destination

There’s no landscape

When you’re running out of breath

 

 

Namjoon sabia exatamente o que queria fazer após se formar em Biologia. Assim, ele pegou o primeiro barco para Jeju e foi ser estagiário do professor que o orientou no seu trabalho de conclusão de curso. O salário era bem baixo, mas o conhecimento adquirido valia a pena.

Então, era assim que estava vivendo nos últimos dois anos: pesquisando formas de preservar a fauna e flora em uma pequena ilha localizada no Estreito da Coreia.

— Namjoon, aquelas análises do solo ficaram prontas?

O moreno piscou, saindo dos seus pensamentos e concordando com a cabeça.

— Sim, professor — ele disse, deixando sua cadeira de rodinhas deslizar até a outra parte da mesa, pegando a pasta de papel e voltando para aonde estava, então ficando de pé e entregando as análises ao homem. — Os resultados são inconclusivos. Não parece ser uma escama de peixe, mas é algo orgânico. Não consegui identificar o que é.

O homem suspirou pesado.

— Okay, era um tiro no escuro de qualquer maneira…

— Eu posso tentar olhar outros fatores ou talvez fazer algumas pesquisas comparativas, só vai demorar um p-pouco…

O professor negou com a cabeça.

— Não se preocupe com isso, Namjoon. Foi um ótimo trabalho, como sempre. — O homem sorriu. — Já passou da hora do almoço, por que você não vai comer algo?

— Tem certeza? Eu posso tentar fazer…

— Namjoon, vai comer logo garoto! — ordenou o mais velho, com um sorriso. — Passar mal não vai ajudar a ninguém, Joon.

Namjoon concordou com a cabeça, dando um fraco sorriso para o outro. Tinha ficado dias analisando aquela amostra, mas não tinha encontrado nenhum resultado satisfatório, era como se aquela escama — nem sabia ao certo se realmente era isso —, não fosse algo daquele mundo, o que era absurdo.

— Eu já vou… só tenho que terminar umas coisas.

— Okay, mas se em dez minutos eu aparecer aqui e você não tiver ido comer, irei te arrastar pelas orelhas…

Kim riu, escondendo a boca com a mão.

Lee Minho era o seu professor desde da graduação e agora, enquanto terminava o seu mestrado, ainda tinha grande admiração pelo homem. Sem contar o fato de ser lindo. Desde a primeira vez que o viu, no corredor da universidade, não pode deixar de pensar no rosto anguloso, nos lábios grossos e na pele beijada pelo sol. O homem não era tão mais velho que ele, mas possuidor de uma grande fortuna, que o possibilitou de mesmo com pouca idade, ser dono de uma base de pesquisa na ilha.

Mas, o momento não era de pensar na sua eterna crush pelo professor e sim de ir almoçar, afinal sua barriga estava roncando depois de tanto tempo sentado naquela mesa. O moreno então pegou sua bolsa e deixou o seu jaleco pendurado antes de caminhar para um restaurante que tinha ali perto.

Assim, somente seguiu para o seu almoço e tentou não pensar muito no seu trabalho. Às vezes sentia que estava sufocado por ele, que precisava de algum hobby ou algo que confortasse a mente, contudo sempre voltava para as pesquisas e deixava aquelas bobas ideias de lado.

Com a mente um pouco cansada do dia, mesmo que esse não tivesse iniciado há muito tempo, Namjoon seguiu até o restaurante e pediu o prato do dia, comendo sem realmente sentir o gosto da comida ou assistir à televisão que havia na frente da sua mesa. Ele amava o que fazia, porém no fundo, sentia que faltava algo.

A verdade, é que se sentia sozinho.

Quando terminou de comer, ele parou do lado de fora, decidindo o que faria. Em um dia normal, voltaria somente para o trabalho, porém ainda tinha tanto tempo de almoço sobrando que parecia idiota não descansar um pouco.

— Ah, que se dane!

Namjoon então passou os dedos no cabelo, jogando-os para trás antes de atravessar a rua e seguir para a biblioteca mais próxima. Kim nem sabia ao certo o que estava procurando quando começou a olhar entre as prateleiras da biblioteca, mas acabou focando na parte de pesca que tinha um seção especial, ainda mais pela cidade ser conhecida por isso. Não era o lugar ideal para procurar sobre “escamas”, porém não custava tentar, certo?

O moreno estava tentando ver se algum livro lhe chamava atenção quando sentiu alguém se esbarrando contra ele e em seguida ouviu o som de um baque no chão. Ele olhou apressado, encontrando uma senhora ainda com os braços estendidos, mas os livros que carregava, todos no chão.

— Oh, me desculpe! — Namjoon logo proferiu, apressado. — Deixe-me ajudá-la.

— Tudo bem, rapaz, eu que não enxerguei…

— Não, não… Eu ajudo — o moreno falou apressado, indo ao chão e juntando os livros com rapidez. A senhora repetiu outra vez que não precisava, mas Kim foi rápido na tarefa e logo estava com tudo organizado nos seus braços. — Aqui, senhora…

— Obrigada.

Ela sorriu, agradecida. Mas, Namjoon não devolveu os livros a ela de imediato.

— A senhora não quer que eu a ajude? Posso carregar os livros…

— Você é um rapaz muito gentil…

Ele sorriu para a figura simpática da mais velha. Ela parecia ter mais de setenta anos e Namjoon não pode deixar de recordar da sua avó, que morreu quando ainda era uma criança. Talvez por isso sempre tinha gostado dos mais velhos, sentia que todos podiam lhe trazer um pouco daquela época feliz da infância.

— Para onde a senhora está indo?

— Moro aqui perto, filho.

— Vamos, eu auxilio a senhora…

Não era exatamente como Namjoon imaginou passar o restante do horário de almoço dele, mas estava muito feliz por ajudar a senhora com os livros.

— Moro bem ali — disse ela, apontando para o segundo prédio depois a biblioteca. Não era longe. — É uma quitinete. Depois que meu marido morreu, nossa casa ficou grande demais, sabe, filho? Aí eu resolvi deixá-la para o meu enteado e a esposa. Mas aqui é bom, é perto do mercado, da farmácia e da biblioteca. Eu não preciso de mais nada.

Namjoon deixou que a senhora preenchesse a conversa toda, somente concordando com a cabeça algumas vezes e fazendo uns poucos comentários. Ela parecia feliz e bastante animada, então o biólogo não pensou em nenhum momento na possibilidade dela se sentir sozinha. Definitivamente, a senhora lhe recordava a avó.

— Chegamos, rapaz. Muito obrigada…

— Espera, a senhora mora em que andar? Eu levo…

Os olhos dela brilharam e Namjoon sorriu docemente.

— Oh, você é um achado! Deve ter tantos pretendentes atrás…

O biólogo não pode deixar de se surpreender com o fato dela falar “pretendentes” ao invés de “namoradas”. Não eram todos que usavam um termo neutro e o alegrava perceber isso.

— Que isso, senhora… Eu nem tenho ninguém. — O biólogo riu. — Espera, eu não perguntei o seu nome? O meu é Namjoon, por sinal.

— Eu me chamo Bada, meu jovem…

— Mar? É um belo nome…

Namjoon entrou no pequeno apartamento da senhora e não pode se surpreender ao encontrar um local cheio de livros. Haviam uma grande estante repleta deles e várias amontoados pelos cantos, mas não de forma desorganizada, ela sabia bem o que fazia quando organizou tudo e o biólogo não pode deixar de ficar encantando com aquele local, parecia um pequeno santuário de livros.

— Não gosto de televisão e nada dessas coisas eletrônicas, só tenho um telefone para falar com o meu enteado e meus netos. Mas amo livros e os colecionei por anos — ela afirmou, apontando em seguida a poltrona. — Pode colocar os livros ali, meu filho.

Kim se adiantou até a poltrona azul marinho, deixando os livros no local.

— Meu jovem, aceita um chá?

O moreno piscou, negando com a cabeça.

— Oh, não, não… Acabei de almoçar e já tenho que voltar para o trabalho…

Ela concordou com a cabeça.

— Então, escolhe um livro para levar. É uma lembrança pela ajuda.

O biólogo ficou surpreso, mas novamente negou com a cabeça.

— Não posso aceitar, senhora. Eu só estava a ajudando, não quero nada em troca.

Bada estalou a língua e Namjoon não pode deixar de rir. Ela deveria ter tanto conhecimento para dividir, sentia que poderia ficar sentado no chão daquele apartamento enquanto a ouvia por horas. Não dispensava uma boa conversa com sábias pessoas.

— Já que não vai escolher, eu escolho para você — disse a senhora, indo até a grande estante, logo olhando pelas prateleiras. Namjoon quase disse uma vez mais não precisava de tal coisa, mas não quis fazer uma desfeita. — Achei!

Ele esqueceu o que pensava e segurou o livro que a senhora lhe esticava, com um sorriso no rosto.

— Eu tenho outro desse, não se preocupe — afirmou Bada. — É um livro da minha infância. Liam para mim quando criança, acho que você vai gostar. Infância sempre foi algo que lhe é saudoso.

Namjoon a olhou surpreso e a viu o fitar bem fundo nos olhos, como se o lesse de alguma maneira, como se estivesse descobrindo todos os seus segredos naquele instante. Ele engoliu a seco e deu um fraco sorriso, mesmo que sua mente estivesse cheia de perguntas.

— O-obrigado — Namjoon disse de qualquer maneira, pigarreando em seguida. — Eu adoraria ficar, mas tenho que voltar para o meu trabalho agora.

Bada deu um sorriso.

— Tudo bem, meu filho. Mas não se esqueça de ler o livro, tenho certeza que irá gostar, meu jovem.

Kim concordou e se despediu da senhora, antes de sair rapidamente do local. Agora, sentia-se estranho de alguma maneira, como se devesse largar tudo e ler aquele livro, mas tinha que voltar ao trabalho de uma vez. Era sexta-feira, então poderia ficar até tarde lendo, caso gostasse da história.

Não demorou muito para voltar à base de pesquisa, olhando no horário e vendo que ainda tinha cinco minutos antes de realmente precisar voltar ao trabalho. Namjoon então cumprimentou o seu colega que estava no corredor e resolveu olhar rapidamente as redes sociais, mas não havia nada. Nenhuma mensagem nova, ninguém para lhe mandar um “oi”.

— Não sei porque você ainda tenho esperanças de ter algum amigo — murmurou para si.

— O que disse?

Kim fitou o colega e sorriu sem graça.

— Nada, nada…

Ele então voltou ao trabalho, pensando em como o seu programa para sexta-feira à noite era um ler um livro. Como estava vivendo bem os seus vinte e cinco anos de idade!

 

***

 

Namjoon não chegou tarde em casa. Apesar dos turistas que inundavam a ilha, o trânsito era tranquilo e rápido, então qualquer ônibus que pegasse não o fazia esperar muito. Assim que chegou logo foi tomar um banho, sempre era a primeira coisa que fazia ao pisar no apartamento que morava.

Era comum sentir sua pele pegajosa por conta da maresia, então o banho era essencial para se livrar da sensação e relaxar das tensões do trabalho. Depois de se trocar e não se preocupar muito com secar os cabelos, foi para a cozinha preparar algo para comer.

Por sorte não era muito fresco com comida e tudo o satisfazia muito bem. Por morar sozinho desde novo e não ser muito prendado na arte culinária suas refeições eram sempre comuns, quando não pedia algo de fora para comer.

— Okay, hoje será você, lasanha pré-cozida.

O moreno já estava com a caixa na mão, quando tocaram a campainha. Ele fitou a porta e suspirou fundo, já sabendo quem era. Então somente colocou a lasanha de volta no congelador e suspirou pesado antes de ir à porta.

Hyung! Trouxe alimentos frescos, vou fazer o jantar para você!

— Sim, sim… Fique à vontade, Jungkook — Namjoon murmurou, já vendo o rapaz seguir pelo seu pequeno apartamento como se fosse um dos moradores.

— O que você faria sem mim, não é?

O biólogo apenas abanou a cabeça sorrindo fraco. Aquele rapaz de cabelos cumpridos e grandes olhos de botão era, provavelmente, seu único amigo naquele lugar.

— Eu sobreviveria muito bem.

 — Comendo essas porcarias congeladas? Duvido.

Namjoon suspirou pesado, sentando-se na cadeira da sua pequena mesa e observando o outro. Quando chegara na ilha, estava animado com tudo, em poder ajudar a fauna e flora do local e também em trabalhar na sua possível entrada no mestrado — que agora já estava perto de finalizar —, não imaginou que se sentiria sozinho em algum momento, afinal nunca tinha sido de fazer amigos de qualquer maneira. Porém, após alguns meses, começara a sentir falta de Seul. De início não entendera bem, pois nem família por lá tinha, mas então se lembrou dos seus amigos. Era dois, eles seguiram toda a faculdade juntos, contudo, com a distância, o contato se acabou e Kim se viu extremamente solitário. Porém, foi aí que Jungkook apareceu.

O rapaz de cabelo na cor do seu, preso em um rabo de cavalo e com um sorriso sempre no rosto se mudara para o apartamento vago ao lado do seu após terminar a faculdade e conseguir emprego em um pequeno restaurante local. E, aos poucos, os dois começaram a conversar pelos corredores, até que agora, um ano depois, se deixasse, Jeon não sairia dali.

— Como foi o dia no trabalho, hyung?

Namjoon apoiou a cabeça na mão enquanto o cotovelo ficou na mesa.

— O mesmo de sempre. Nada demais. E eu não consegui descobrir o que o meu professor queria, então é mais um ponto negativo para mim.

— Mas não é esse o seu trabalho?  Fingir que um dia irá encontrar o impossível? — Jeon implicou, lavando os legumes antes de levá-los para a bancada e começar a picá-los com habilidade.

Kim revirou os olhos.

— Que impossível, garoto? O professor Lee tem uma teoria de nessa região existem alguns animais ainda não descobertos, mas não é nada impossível. Na verdade, o clima local é muito parecido com o da Austrália e l-

— Ai, hyung — interrompeu o mais novo. — Que papo chato.

— Sua peste…

Jungkook sorriu abertamente e voltou a picar os legumes, fazendo com que o mais velho somente revirasse os olhos.

— Joon, eu senti saudades suas hoje — disse o mais novo, displicentemente.

— É? Se você tivesse um celular como uma pessoa normal, poderia ter me mandado uma mensagem.

— Você sabe que eu não gosto dessas tecnologias…

—  Você tem vinte e um anos para de falar como um ancião! Até a velhinha que eu encontrei hoje tinha um celular!

Jungkook sacudiu os ombros de novo.

— Espera… Que velinha?

— Uma que eu esbarrei na biblioteca que tem perto do meu trabalho. Eu me ofereci para ajudá-la a levar os livros até onde ela morava.

— Que loucura! E se ela fosse uma pessoa má?

— Era só uma idosa que precisava de ajuda, Kookie. Você faria o mesmo no meu lugar. E eu até mesmo ganhei um presente dela.

— Presente? Namjoon, sua mãe não te ensinou a não receber doce de estranhos?

Namjoon revirou os olhos.

— Você fala como se ela fosse uma bruxinha doida para me cozinha.

— Doce você é.

O mais velho bufou, levantando-se de uma vez e indo atrás da sua bolsa que estava pendurada na porta. Ele ainda escutou a risada de Jungkook, mas não ligou, somente pegou o livro e foi para a sala; o ambiente era aberto de qualquer maneira, poderiam conversar sem problemas.

O biólogo então observou o livro e percebeu que somente tinha “Lenda” escrito na capa. Sem autor, sem nada. Era estranho, mas poderia ser uma edição especial? Não sabia dizer.

Ainda mais curioso, Namjoon abriu o livro e ao tentar ler, suspirou pesado.

— Está no dialeto de Jeju — falou para Jungkook.

— O livro? — perguntou o rapaz, olhando por cima dos ombros. — Ah, eu leio. Deixa-me terminar daqui, que eu dou uma olhada.

— Como você ler uma língua quase extinta, Jungkook?

— O tédio faz você fazer coisas bizarras, hyung.

— Hm…

Namjoon não comentou nada, mas sempre houve algo em Jungkook que lhe gerava curiosidade. O rapaz não recebia visitas — ele também não, mas era outra história —, não usava aparelhos eletrônicos, somente eletrodomésticos por causa da cozinha e parecia ter uma alma velha. Poderia estar sendo paranoico, mas nunca perguntara nada ao outro moreno, tinha medo de perder o único amigo que tinha por ali.

 — Minha teoria é que você é fugitivo da polícia — brincou Namjoon. Ele sempre jogava umas piadas, tentando retirar alguma verdade do mais novo.

— Sou? E você vai me prender, oficial?

— Não sou policial. — Namjoon deu de ombros, indo até o rapaz e se esticando para pegar um pedaço de tomate e colocar na boca, mastigando lentamente. — Você sempre morou aqui em Jeju, Kookie?

O rapaz pareceu não gostar da pergunta.

— Por que disso, hyung? Você fala como se não me conhecesse…

Jeon deu um riso abafado, jogando os legumes dentro da panela que já estava com água quente.

Eu não conheço, Namjoon quis retrucar, mas ele sabia melhor do que apertar os botões do mais novo, então apenas deixou o assunto de lado.

— Você vai me ensinar o dialeto antigo?

A pergunta pareceu atenuar a ruga na testa do rapaz.

— Acho que posso tentar, mas é meio complicado… É bastante diferente do coreano, sabe?

— E você aprendeu assim mesmo?

— É…

— Como, exatamente?

Jungkook fingiu não ouvir a pergunta, mexendo na panela. Namjoon suspirou pesado. Por que ele estava insistindo tanto mesmo? Deveria ficar feliz por ter um amigo e não o assustar.

— Eu me sinto sozinho — Jungkook disse.

Namjoon não conseguiu deixar de arregalar os olhos. Eles não estavam conversando sobre aquilo, mas era a primeira vez que o rapaz falava algo do tipo, que se abria de alguma maneira.

— Sei que não vale de muito, mas você tem a mim, Kookie. Eu também me sinto sozinho, mas me sinto melhor quando você está aqui.

O rapaz fitou Namjoon como se Kim falasse uma outra língua e o biólogo se arrependeu do interrogatório. E daí que Jungkook não falava da vida dele? Durante aquele ano havia sido o seu único amigo e a única pessoa que se importava com ele, então poderia fingir que a falta de conhecimento sobre o outro não o afetava.

— Você sente? Eu sempre acho que estou atrapalhando…

— Você nunca está. Eu adoro sua companhia e o fato de você cozinhar para mim de graça.

— Eu gosto de cozinhar para você, hyung. É a minha única alegria do dia.

Namjoon sentiu como se tivesse levado um soco na barriga e sem pensar, puxou o rapaz para um abraço. Céus, como os dois podiam ser tão sozinhos? Era tão errado. Deveria ter algo a mais para eles por aí, tinha que ter!

Hyung, estou sem ar!

O mais velho riu, afastando-se do outro, mas não conseguindo evitar de apertar suas bochechas.

— Você vai ficar hoje aqui. Vamos assistir um filme e dormir abraçados.

— Não gosto muito de filmes, Joon…

— Não importa! Vamos assistir filme juntos e acabou! Eu fico mexendo no seu cabelinho até você dormir, ‘tá bom?

Jungkook sorriu.

— Está bem, hyung.

Os dois então conversaram mais sobre seus dias, Jungkook sem falar muito detalhes e Namjoon acabando preenchendo toda a conversa. Mas estava tudo bem, tinham conseguido achar o ritmo deles há bastante tempo.

Dessa maneira, o livro acabou esquecido na mesinha enquanto assistiam o filme, Jungkook um pouco agitado, reclamando da história e do fato dos protagonistas serem sem graça. Mas, no momento em que aconteceu uma cena romântica, o rapaz suspirou pesado, grudando o seu corpo ainda mais ao de Namjoon.

— Eu sinto falta de tocar em alguém. Tipo eles dois ali.

Namjoon murmurou uma concordância, deixando seus dedos afagarem a cabeça do rapaz.

— Você já namorou, Kookie?

O biólogo esperava que o rapaz não achasse a pergunta invasiva.

— Não… Quer dizer… não sei.

— Como assim você não sabe?

— Não sei… Não lembro bem — afirmou o moreno. — Mas acho que beijei pessoas na faculdade. Lembro de duas pessoas, mas não consigo colocar um rosto nelas.

Kim não quis falar como achava aquilo muito estranho.

— Você estava bêbado?

— Eu não lembro, hyung. Desculpa.

— Você deveria ter bebido muito mesmo… ou não, você tem cara de quem é fraquinho para bebida — Namjoon provocou, massageando lentamente o couro cabeludo do mais novo antes de começar a enrolar uma mecha do cabelo castanho com um dos dedos. Ele adorava a textura macia dos fios. — Mas está tudo bem você esquecer, acontece.

O rapaz suspirou pesado.

— Eu queria lembrar. Sinto que era importante, mas eu não lembro. Enfim, deixa isso para lá. Que horas termina esse filme?

— Que implicância com o filme! É o meu favorito?

— Sério? Por quê?

— Porque eu amo o Colin Firth e amo Orgulho e Preconceito.

Jungkook pareceu curioso.

— Quem é Colin Sei-Lá-O-Quê? Achei que era Darcy ou algo assim?

— É o nome do ator, Kookie.

— E por que você o ama? Vocês se conhecem?

— Não? Kookie, não seja bobo — Namjoon murmurou, rindo enquanto apertava o caçula em um abraço. — Eu gosto do trabalho dele e o acho muito bonito.

Jeon pareceu confuso.

— Mas como você o ama se não o conhece? Eu te amo, mas eu te conheço.

Namjoon sentiu o ar lhe faltar.

— Você me ama?!

— Claro, que pergunta besta. E você me ama também.

— Como é?

— O quê? É verdade. Você me ama porque somos amigos. E não adianta negar, pois sei a verdade — falou o rapaz, satisfeito enquanto deixava sua cabeça tombar no peitoral de Namjoon. — O Colin sei lá é mesmo bonito. Você gosta de homens mais velhos.

O biólogo pigarreou.

— Não gosto nada.

— Você gosta do seu professor.

O mais velho empurrou Jungkook para o lado e o rapaz o fitou com uma ruga na testa. Namjoon pegou o controle e desligou a televisão, tinha perdido a vontade de assistir ao filme.

— Eu falei algo de errado? — Jungkook perguntou, em tom inocente.

— Não — disse o mais velho, mas logo se virou para encarar o amigo. — Como você sabe disso? Eu nunca te falei.

— Quando você fala sobre ele, tem algo diferente. Você parece mais… feliz?

Namjoon esfregou a testa com força. Será que todos percebiam aquilo?! Céus, esperava que não, pois iria morrer de vergonha se seu professor desconfiasse de algo.

— É só uma crush boba, Kookie. Eu o admiro muito e ele é muito bonito. É como o Colin Firth para mim.

Kim às vezes se sentia falando com uma criança quando conversava com Jungkook, pois o rapaz era inocente, ao mesmo tempo que muito misterioso.

— Entendo. Mas de qualquer jeito, é mais velho. Você gosta de carne bem passada.

— Que carne bem passada! Garoto, você me respeita!

Jungkook riu alto e Namjoon não conseguiu evitar a risada. Era bom ter algum tempo com Jeon, sentia-se que o conhecia um pouquinho mais naquelas horas, mesmo que vagamente.

Os dois então não demoraram a voltarem para o filme, mas quando este chegou ao fim, Jungkook estava dormindo no peitoral de Namjoon, que sorriu, achando a cena fofa. O biólogo então olhou para o relógio da parede, pensando como ainda era cedo e estava sem sonhos, assim somente pegou o livro e mesmo na posição um pouco estranha, começou a passar as páginas.

Definitivamente, não falava ou lia o dialeto de Jeju, mas desenhos pelas páginas, então tentou montar alguma história. Parecia algo relacionado a uma ilha distante, com seres marinhos. Ao virar a página, notou o que pareciam ser peixes. Na outra página, tinham escamas desenhadas. Kim arregalou os olhos, aproximando o livro e percebendo que elas eram exatamente iguais às que estava analisando há semanas e nada tinha concluído.

Hm? Já ‘tá na hora de acordar?

O biólogo percebeu que o rapaz tinha acordado com a sua movimentação e deu um sorriso fraco, deixando o livro na cama enquanto se ajeitava, sentando-se enquanto via o outro fazer o mesmo.

— Desculpa, Kookie. Eu estava tentando ler o livro…

O rapaz esfregou o rosto e sorriu.

— Eu posso te ajudar a ler…

Namjoon não negou a ajuda, principalmente agora que estava curioso. Ele então voltou a abrir o livro na página que tinha as escamas e indicou para o outro, que franziu a testa, vendo o desenho de cor ouro e então correndo os olhos pelas letras.

Hm… Parece ser uma lenda — disse o rapaz, lendo mais partes. — Fala sobre um peixe antigo, desde os inícios dos tempos?

— O que fala exatamente?

Jungkook pigarreou e leu rapidamente, antes de voltar e ler desde o início.

 

Existe há muito tempo, uma lenda que ronda a todos da Ilha Jeju, mas que muitos não falam sobre ela. É a lenda do peixe vindo dos céus, com escamas coloridas e que controla os outros peixes e animais marinhos. Quando nossos barcos não voltam das pescas ou aparecem dias depois vazios, sabemos o que aconteceu com eles, que foram dilacerados pelos peixes malditos! Alguns se aventuraram a capturá-lo, mas nunca voltaram, a não ser o filho mais jovem do pescador da quinta casa. Todo machucado, ele conseguiu falar da ilha perdida, com peixes gigantes e selvagem, que te farejam como se fosse uma presa e depois arrancam as carnes dos seus ossos. E foi o que tinha acontecido com o pai e os irmãos do jovem naquela infeliz aventura. Os peixes carnívoros ainda continuam lá, na ilha perdida, que fica a vinte e oito cordas amarradas do litoral, na direção noroeste. Ainda hoje, quando alguém desaparece no mar, sabemos que é culpa dos peixes vindo dos céus.

 

— Nossa — Jungkook riu quando terminou de ler. — Será que eram tubarões?

Namjoon estava pensativo, mas logo negou com a cabeça.

— Duvido muito que sejam tubarões, não com essas escamas. E no livro mesmo disse são coloridos e tal — murmurou o mais velho. — Você já ouviu falar dessa ilha?

— Nunca — afirmou o cozinheiro. — Será que ela existe?

— Isso que estou pensando… — Namjoon buscou o celular, dando uma olhada no mapa da ilha que tinha salvo. — Hm… disse que era a noroeste, né? Eu só não entendi isso de cordas amarradas…

Jungkook voltou a ler as páginas, tentando entender melhor o que estava escrito, até que a resposta lhe veio.

— Ah! Devem ser nós! Vinte e oito nós! Nós é a unidade de medida náutica — explicou o rapaz. — Hm… vinte e oito nós são cinquenta e dois quilômetros por hora.

O pesquisador deixou o seu celular de lado.

— Como você sabe isso?

— Ah, é matemática… — Jungkook sorriu.

— Então, essa ilha fica a cinquenta e dois quilômetros a noroeste de Jeju… Talvez fosse uma boa dá uma olhada.

— Será que isso existe mesmo? Esse livro é de lendas — Jeon ponderou.

— Sempre tem algo de verdade em lendas. E esses desenhos são muito parecidos com o que estou analisando no laboratório e ainda não descobri nada. Pode ser uma boa pista e eu nunca faço nada no final de semana mesmo, seria no mínimo um bom passeio.

Jungkook suspirou fundo.

— Entendo, hyung.

O biólogo fitou Jungkook e sorriu.

— Essa foi à minha maneira sutil de te chamar para ir comigo.

Quando Jeon entendeu as palavras do mais velho, ele arregalou os olhos e pulou no lugar para em seguida olhar o outro.

— Vamos a um passeio juntos?! Yes, hyung! Yes, yes, yes!

Namjoon riu com a animação de Jungkook, logo sentindo os braços do rapaz em volta dele. Jeon era o seu único amigo no lugar, mas não se importava muito com isso, pois ele provavelmente era a melhor pessoa que poderia ter perto.

— Vamos precisar de um barco — disse Jungkook, rapidamente. — Eu conheço um cara que leva turistas e essas coisas, talvez ele possa nos levar. Você pode mandar uma mensagem para ele.

O mais velho ficou curioso.

— Achei que você não tinha outros amigos por aqui.

— E não tenho. Ele que entrega os peixes do restaurante, por isso o conheço, entende?

— Não sabia que você também era responsável com contato com os fornecedores.

O rapaz ficou distraído por um momento, procurando pela sua carteira por algo, até que Namjoon viu o pedaço de papel dobrado.

— Achei! ‘Tá aí o número dele…

Kim pegou o papel, vendo um número de celular rabiscado de lápis.

— Eu mando mensagem amanhã bem cedinho, agora está tarde, não quero parecer mal-educado — explicou. — Mas se você não faz os contatos com os fornecedores, por que ele te deu o número?

O mais novo sacudiu os ombros.

— Ele disse que era para quando eu me sentir solitário, era para ligar que ele poderia tirar minha solidão.

Namjoon arfou.

— Sério que ele falou isso? Que escroto!

— Por quê?

— Ele estava dando em cima de você, Kookie. Chamando para… hm… sexo. Mas, de uma forma bem idiota.

— Tem certeza?

— Kookie, claro que tenho certeza.

O rapaz concordou com a cabeça.

— Okay. — Jungkook sorriu. — Posso voltar a dormir agora?

O biólogo não pode deixar de sorrir. Jungkook era alguém muito diferente e não conseguia deixar de ficar surpreso com o rapaz.

— É uma boa ideia…

Então, sem demora, eles se ajeitaram de novo na cama, Namjoon apagando a luz do abajur e sentindo o rapaz tomar o seu peitoral novamente como travesseiro.

— Ah! Com quem a Bridget Jones terminou no final? — Jungkook perguntou, com a voz baixa.

Hm… com Darcy, o personagem que Colin Firth.

— Pelo menos não foi com o ator, você ainda tem chance, hyung.

Namjoon sorriu no escuro, deixando seus dedos brincarem com o cabelo do mais novo enquanto se sentia feliz, pois pela primeira vez em mais de um ano, não estava dormindo sozinho.


Notas Finais


Lee Minho, ator.


Os leitores da fic GiKa têm um grupo de wpp, se vocês quiserem, e só pedir que divulgamos o link!

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Até amanhã ;*


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