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História Paradise - Capítulo 2


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Agradecemos aos leitores, todos que favoritam e comentam!!! (づ ̄ 3 ̄)づヾ(^▽^*)))
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Capítulo 2 - Capítulo 2


Jungkook acordou com a coração disparado e qualquer pesadelo que estivesse tendo, dissipou-se da sua mente no momento que abrira os olhos. Ele então fitou o teto por um momento, suspirando pesado antes de olhar para Namjoon, não conseguindo evitar de sorrir. Com toda certeza, o biólogo era o seu único amigo por ali e por vezes duvidava se não era o seu único amigo de toda a vida.

Ainda se lembrava da primeira vez que tinha visto Namjoon no corredor do prédio onde morava. Ele chegava das compras, com uma caixa repleta de cup noodles, o que assustou Jeon na época; mais tarde descobrira que o outro moreno não sabia cozinhar, então somente comprava comidas prontas, foi daí que começou a preparar o jantar do mais velho, que em pouco tempo, tornou-se seu amigo.

Agora, adormecido, Jungkook podia ver o rosto comprido, de lábios grossos e os olhos rasgadinhos que sempre achara bonitos; o olhar de Namjoon era sempre intenso, mesmo quando suas covinhas ficavam aparentes. Tinha algo em Kim, como se ele estivesse pronto para enfrentar o mundo e ainda não soubesse daquilo e de alguma maneira, Jeon queria o ajudar naquela tarefa, mesmo que nem soubesse ao certo o que estava pensando.

Sacudindo a cabeça e tentando esquecer aqueles pensamentos, Jungkook somente se levantou com cuidado, evitando fazer barulho enquanto saía da cama e ia até a cozinha. Prepararia algo para comerem de café-da-manhã, mesmo que nunca sentisse muita fome naquele horário.

Ele preparou algo rápido, aproveitando para colocar seus pensamentos em ordem. Todo dia tinha pesadelos, mas não conseguia recordar exatamente o que era ou se tinha alguém neles, porém todos os dias acordava com aquela angústia no peito, como se uma parte dele estivesse pedindo por socorro, porém não sabia como ajudar, não sabia como se sentir uma pessoa normal.

Não era a primeira vez que sentia algo parecido, que dentro de si, percebia ser diferente das outras pessoas, mas nunca tinha falado com ninguém, nem com Namjoon. O biólogo era o seu amigo, porém teria milhares de perguntas enquanto não teria resposta para nenhuma delas. Às vezes imaginava se não havia batido a cabeça e esquecido o seu passado.

— Kookie?

O rapaz disfarçou a tristeza no rosto e somente sorriu para Namjoon, que tinha o rosto todo amassado quando entrou na cozinha.

— Você acordou cedo.

— Eu durmo pouco — explicou o rapaz. — Mandou a mensagem para o hyung?

O mais alto concordou com a cabeça.

— Foi a primeira coisa que fiz ao acordar.

— Hoje vai ser divertido — murmurou Jeon.

— Eu também acho que vai. Que tal você preparar algum lanche para levarmos no barco? Enquanto eu separo roupas e o protetor solar…

Jungkook sorriu abertamente.

— Tudo bem, hyung. Nem acredito que temos um encontro!

Namjoon já estava em pé e se virou para fitar Jungkook após escutar a palavra “encontro”, mas o rapaz estava animado preparando a comida e ele não se viu capaz de questionar aquilo. Então, somente se adiantou para separar algumas coisas, como havia dito: roupas, protetor solar, cadernos, canetas, máquina fotográfica, lanternas e material de análise. Era bastante coisa, mas se realmente estivesse pronto para explorar um novo lugar, seria tudo necessário.

Quando terminou de tudo, voltou para o outro cômodo e encontrou na mesa uma tigela com sopa de brotos de feijão com arroz e o rapaz terminando de fazer sanduíches. Namjoon sorriu para como Jungkook sempre queria o deixar bem alimentado.

— Fiz sopa para comermos — informou. — O hyung respondeu?

Ihh, esqueci de olhar! Já estou igual a você, nem mexo no celular.

— Isso é bom. Tecnologia pode ser viciante.

Namjoon somente revirou os olhos, indo atrás do aparelho que estava no banheiro; nem se lembrava de ter o colocado lá. Ele saiu do cômodo distraído e quase bateu na parede do corredor.

— Ele respondeu! Disse para irmos lá antes das dez horas para conversamos — falou o mais velho. — Será que ele vai cobrar muito caro? Não tenho tanto dinheiro assim por aqui.

— Eu posso ajudar a pagar, se for o problema. Eu não gasto com nada mesmo, só para comer e comprar livros.

— Acho que podemos dividir, mas se ele cobrar muito caro não vamos, okay? — Namjoon respondeu, colocando o que tinha pego na mochila e logo a colocando nas costas. — Pronto para sair?

— Não? Vamos comer, hyung!

— Mas…

Jungkook nada disse, somente foi até Namjoon e o puxou pelo braço, levando-o até a mesa e o colocando para sentar.

— Vá tomar a sopa. Fiz algo leve para evitar enjoos.

— Kookie…

— Sem discutir. Eu também vou comer, okay?

Como que para confirmar o que dizia, o mais novo se sentou ao lado do outro, pegando uma colher e logo a enfiando na boca de Namjoon.

— Coma.

O biólogo quase reclamou, mas acabou comendo de uma vez por todas, feliz quando uma conversa calma se iniciou entre os dois, não tinham muito em comum além do fato de morarem no mesmo prédio, mas não importava, se davam muito bem daquela maneira.

Meia hora depois, eles estavam prontos para partir e Jungkook não conseguia conter a animação, sorrindo enquanto buscava a mão de Namjoon e juntava à sua.

— Vai ser divertido!

Para Namjoon já estava sendo divertido ver o caçula sorrir daquela maneira.

— Se eu soubesse que um passeio de barco te faria tão feliz teria te convidado antes, Jungkook.

— Eu gosto do mar! E você nunca me levou em um encontro, então será legal.

Outra vez, Namjoon quase perguntou, mas Jungkook parecia tão inocente ao falar aquilo, não acreditava que o rapaz estivesse com nenhum tipo de segundas intenções. E, mesmo que estivesse, não conseguiria ficar chateado com Jeon, era impossível depois de tantos meses. Fora que não via mal algum em ter um encontro romântico com Jungkook. O rapaz era muito bonito e uma excelente companhia, talvez desse certo e se não desse conseguia confiar que ainda seriam amigos depois.

— É meio longe o litoral, vamos pegar um ônibus? — perguntou o mais velho.

Jungkook projetou o lábio inferior para frente.

— Pensei em irmos andando, não gosto de ônibus.

— Ué? Por quê?

— Sei lá… É estranho não se locomover, não é natural.

Namjoon suspirou pesado.

— Ai, Kookie… Eu não vou andar até lá.

O rapaz concordou.

— Tudo bem… Eu posso fazer um esforço. — Ele sorriu em seguida. — Ainda vai ser um encontro divertido!

Jungkook pulou comemorando e Namjoon riu da inocência do amigo.

O caminho foi mais rápido do que Kim previra no início e antes das dez eles já estavam no local em que marcara com o barqueiro. Era no cais da ilha e Namjoon ficou perdido por um momento, afinal ia pouco por ali, mas Jungkook parecia saber o caminho, tanto que o puxou pela extensão, ainda com o sorriso no rosto.

O vento atingiu a face de Namjoon e o cheiro de maresia era forte por ali, contudo ao se aproximar do lugar marcado, o cheiro de forte de peixe chegou nele. Ele era biólogo, contudo ainda virava o nariz para o forte odor, acreditava que nunca se acostumaria cem por cento com aquilo.

— Ali, o hyung!

Jungkook quase correu, somente não fez por causa de Namjoon, que se atrapalhou um momento, mas logo conseguiu acompanhar o ritmo do mais novo.

— Yoongi-hyung!

Namjoon esperava muitas coisas, mas não esperava o rapaz de feições quase delicadas que se virou na direção deles. O homem era alguns centímetros mais baixo que ele, a pele pálida apesar de trabalhar constantemente no sol. O rosto pequeno e bonito, adornado com lábios finos e que chamava atenção pelos olhos miúdos, quase felinos.

— E aí, garoto. Finalmente aceitou minha proposta? — O tom era brincalhão e o sorriso que o seguiu era charmoso, mas Namjoon sabia que não fazia o truque com Jungkook.

 — Sim! Eu e o Joon-hyung, queremos dar um passeio de barco! — Jungkook falou, animado e logo fitando Namjoon. — Namjoon, esse é o hyung que falei. O nome dele é Min Yoongi.

O barqueiro olhou para Namjoon e piscou um dos olhos.

— Eu gosto de altos.

O biólogo pigarreou, fingindo se interessar por algo no horizonte. Aquele homem era um conquistador barato, odiava aquele tipo de gente.

— Que bom, podemos ser todos amigos! — Jungkook disparou, alegre.

— Ai, ai, garoto… — Yoongi negou com a cabeça, deixando o balde que tinha nas mãos no chão. — Então, me digam para onde é esse passeio? Para o arquipélago? Para os corais? Casais costumam gostar de ir para aqueles lados…

Kim fitou o pescador.

— E com quantos desses casais você ficou mais tempo do que precisava?

Namjoon definitivamente não gostava daquele homem e da maneira que ele olhava para Jungkook. Não era ciúmes do mais novo, contudo, como alguém poderia ter pensamentos daquele para Jeon quando ele parecia uma criança em um corpo de adulto?

— Por quê? Isso é uma proposta de ménage à trois?

O biólogo sentiu todo o rosto esquentar e buscou a mão de Jungkook no mesmo instante.

— Vamos embora, Kookie!

— O quê?! Por quê? Não vamos mais no passeio? E a ilha? Você disse que iriamos procurar! — O rapaz puxou o corpo, parando o outro. — Por favor, hyung? Vai ser divertido!

O mais alto bufou.

— Aquele homem só quer transar com você, Jungkook — disse em um tom de voz baixo. — Não confio nele.

— É tudo brincadeira, hyung.

— Sua inocência ainda vai te colocar em perigo, Jungkook! — disparou Namjoon, frustrado.

— Yoongi-hyung não é perigoso!

— Eu sei quando minhas investidas são infundadas, cara. Só relaxa — o barqueiro murmurou abando uma das mãos após ouvir a conversa que não estava sendo em tom baixo como o mais alto imaginou e se virando para indicar o caminho. — Meu barco é aquele ali e eu cobro por hora, mas como você conhece Jungkook eu posso fazer um desconto.

Jungkook voltou a olhar para Kim, juntando as mãos umas nas outras e projetando o lábio inferior para frente.

— Por favor, hyung? A gente nunca faz nada juntos!

Namjoon quis negar, mas Jungkook parecia tão fofo daquela maneira, além é claro de talvez ser o que precisasse para avançar na sua carreira, mesmo que no fundo não acreditasse que iria encontrar algo.

— Ai, tudo bem… Mas você não vai ficar sozinho com ele.

— Eu não sou tão inocente assim, ‘tá? Eu sei me defender!

O mais alto soltou o ar pelo nariz, em descrença, para em seguida bagunçar o cabelo de Jungkook com a mão, que riu.

Jeon então correu na direção de Yoongi, avisando que fariam o passeio e o barqueiro concordou com a cabeça, como se não se importasse muito. Namjoon cruzou os braços, ainda não confiava naquele tipo; mesmo Jungkook dizendo que sabia se defender, ficaria de olho.

Hyung, vem cá!

Namjoon então se aproximou, não deixando de reparar o sorriso de Yoongi para si. Era mesmo um descarado!

— Então, para onde vocês vão?

— É uma ilha a cinquenta e dois quilômetros a noroeste — disse o mais alto. — Eu sou biólogo e queria pesquisar a área.

Yoongi franziu a testa.

— Eu não conheço ilha por esses lados não. Você tem certeza?

— Não — Namjoon proferiu. — É apenas algo que lemos em um livro velho e achamos que valia a pena a aventura.

— Você não parece do tipo que se aventura.

— Eu sou literalmente um biólogo. Você acha que eu vivo como?

— Em uma mesa, analisando porcarias ao invés de meter a mão na massa.

Kim sentiu o sangue ferver, mas Jungkook o fitou novamente com aqueles olhinhos pedintes que não conseguiu negar. Ele então respirou fundo e deixou a raiva passar.

— Por favor, hyung. Você pode nos levar? Quanto fica?

O barqueiro fez novamente o movimento com a mão, como se não se importasse realmente com os clientes. Namjoon respirou fundo outra vez para não se irritar ainda mais.

— O meu barco é um Merry Fisher 895, ele faz trinta e cinco quilômetros por hora, então nós devemos chegar nessa tal ilha por volta de duas horas após partirmos. E depois eu espero vocês, então vou pedir um adiantamento da ida e na volta vocês pagam o resto.

Era mais perto do que Namjoon imaginou, por algum motivo pensou que demoraria mais para chegar. Mas, para ser sincero, não entendia nada de barcos ou viagens, então iria somente acreditar no homem e pagar o preço pedido, que também pareceu justo.

Mais ou menos meia hora depois, já estavam dentro do barco, Namjoon não deixando de ficar surpreendido com como esse era bonito, provavelmente o homem levava muitos turistas para na região e um local que até uma mesa com cadeiras acolchoadas para refeição na parte do deque não era pouca coisa. Somente esperava que tudo ficasse bem.

Jungkook nem falou nada, somente foi a proa do navio e ficou sentado, observando o mar. Parte de Namjoon quis falar para o garoto sair dali, que seria perigoso, mas Jeon estava tão tranquilo que não se viu capaz de tal coisa. Ainda mais quando começaram se mover e o barulho baixo do motor preencheu seus ouvidos.

Tranquilidade foi o que Namjoon sentiu no seu coração naqueles instantes. Não passeava muito de barco, contudo não era algo que desgostava. Ele então observou Jungkook ir para a popa, o rapaz parecia ter ganhado brilho de tão angelical que estava, com os olhos fechados enquanto aproveitava o momento. Kim não quis atrapalhar.

— Ele tem algum grau de autismo?

A pergunta fez Namjoon sair dos seus pensamentos e fitar o pescador, que não tinha um sorriso cínico no rosto, como imaginou; na verdade, somente parecia curioso.

— Até que é uma pergunta pertinente vindo de você — disparou Namjoon, vendo o outro revirar os olhos. — Mas eu acredito que não. Ele não tem problemas com toques diferentes, nem com sons muito altos e se comunica bem. Mas, tem uma certa inocência dele que o faz parecer uma criança em um corpo de adulto.

Yoongi concordou com a cabeça.

— Acho que você tem razão.

A conversa, para Min, estava finalizada, mas Namjoon aproveitou a deixa para dizer o que estava pensando:

— Por isso você tem que parar de dar em cima dele!

Ih, seu chato. Eu não vou atacar o seu namorado ou algo do tipo. São só brincadeiras, eu não sou um babaca, okay? E, ele não mostra interesse algum em mim dessa maneira, só é um garoto muito doce — explicou o barqueiro. — E, por sinal, eu sou mais velho que você, fale comigo com respeito.

Namjoon cruzou os braços.

— No momento que você o respeitar, eu falo.

— Ai, cara. Vai para lá, okay? Vai ficar com o seu namorado de uma vez.

Namjoon não consertou para o outro que não eram namorados, pois acreditava que dessa maneira Yoongi não iria tentar nada com Jungkook. Não que o garoto não fosse livre para ficar com quem quisesse, porém o mais novo não parecia perceber o que realmente algumas pessoas procuravam ao falar com ele e isso assustava Kim com o que poderia ocorrer com o rapaz quando não estivesse por perto.

Kim então fez o que o outro falou, indo até Jungkook, mas sem coragem de interromper o momento que parecia quase uma meditação para o moreno, mas ainda assim Jeon abriu os olhos, fitando-o com um sorriso no rosto.

— Quer sentar aqui, hyung?

O mais alto negou com a cabeça.

— Aí não tem muito espaço, está tudo bem…

— Por favor… — Jungkook disse, levantando-se. — Sente-se aí. O mar é tão bom, hyung

O biólogo não conseguiu negar o pedido do outro e assim fez, sentando no espaço que o outro antes estava, mas para a sua surpresa, Jungkook se sentou no seu colo em seguida, enlaçando os braços em volta do seu pescoço.

— Obrigado por me trazer, hyung. Hoje está sendo o melhor dia da minha vida.

O coração de Namjoon pareceu se encher de amor somente com aquelas palavras do rapaz. Como ele poderia ser daquela maneira? Tão singelo e inocente? Não fariam mais pessoas como Jeon e Kim cada vez mais tinha vontade de o proteger a todo custo.

— Eu… deveria ter trazido para um passeio antes — disse o mais alto, com um sorriso enquanto com cuidado colocava a mão na cintura do outro moreno, para o manter no lugar. Jeon pareceu não se importar, somente abraçando Namjoon com força.

Hyung… eu queria te confessar algo.

— O quê? Você gosta de mim? — brincou o mais alto, mas por algum motivo, ficou um pouco nervoso com a possibilidade. Se Jungkook tivesse sentimentos por ele, não iria deixar de namorar o rapaz.

— Gosto? Eu disse ontem que te amo, hyung.

Namjoon sorriu.

— Claro, Kookie — o mais alto levou uma das mãos, retirando uma mecha solta do cabelo do rapaz do seu rosto e colocando atrás da orelha. — Mas, me diga… O que você quer confessar?

O rapaz pareceu ficar tenso, mas engoliu a seco, concordando com a cabeça, como se tivesse uma luta interna naquele momento sobre contar ou não o que queria falar.

— Okay… hm… — O mais novo sorriu outra vez. — Eu confio muito em você, então por isso vou contar…

— Pode contar, Kookie, o que for, estou aqui por você.

Isso pareceu acalmar Jungkook um momento.

— Eu não sei se sou formado em gastronomia.

De tudo, aquilo era a única coisa que Namjoon não esperava escutar do outro, tanto que franziu a testa, confuso.

— Não entendi… Como assim você não sabe?

O mais novo puxou o ar com força.

— Eu não sei se fui a faculdade. Eu não sei nada de mim antes de te conhecer.

Namjoon ficou um pouco tenso, mas manteve o rapaz no seu colo, afagando a cabeça dele para tentar o acalmar de alguma maneira.

— Você lembra de quando nos virmos pela primeira vez? Eu tinha uma caixa na mão e uma chave, né? — Jungkook viu o outro concordar com a cabeça. — A única coisa que me lembro realmente é abrir os olhos e estar daquela maneira do lado de fora do prédio em que moramos. A chave tinha o andar e o número do apartamento e eu só fui para lá — explicou. — Depois eu sabia que precisava de um emprego e vi aquele restaurante na frente de onde moramos e fui lá. Disse que sabia cozinhar, mas eu nem tinha certeza se sabia realmente cozinhar. O homem perguntou se eu era formado e falei que era porque algumas lembranças borradas de faculdade apareceram na minha mente. Hm… o meu chefe pediu para eu fazer uns testes e como eu passei em tudo, fui contratado. E é isso. O resto, eu não sei mais nada.

O mais alto ficou sem saber o que falar realmente, pensando por um momento nas possibilidades de tudo aquilo.

— Você tem família? Pais, irmãos… algum parente?

— Eu não sei e… ninguém nunca me procurou.

— E nos documentos? Tem alguma coisa?

— Eu só sabia o meu primeiro nome, fui descobrir o sobrenome porque tinha na identidade. Tem também o nome dos meus pais, mas eu fui tentar procurar na biblioteca, nos computadores, mas… eu não sei mexer em um. Então, desisti.

— Kookie…

Aquilo era grave e Namjoon não imaginava como o outro deveria estar assustado com tudo, sentindo-se perdido durante aquele ano inteiro que se conheciam, com medo de falar com as pessoas aquilo. Seu coração se apertou no mesmo instante.

— Kookie… você lembra de ter batido a cabeça ou algo do tipo? Você pode estar com amnésia.

— E-eu não sei, hyung. — Jungkook escondeu o rosto na curvatura do pescoço do mais velho. — Você pode me ajudar? Eu me sinto tão perdido e ontem você me fez aquelas perguntas e e-eu não sei o que responder. Tudo o que sei sobre mim é superficial.

— Claro que vou te ajudar, Kookie. Na segunda, eu peço uma folga e nós vamos ao médico, okay? Vamos descobrir o que aconteceu com você.

Jungkook sorriu.

— Obrigado, hyung.

— Você deveria ter me dito isso antes, Kookie. Eu ia te ajudar… Céus!

O rapaz suspirou fundo.

— Desculpa… Acho que no fundo estava com medo de você me achar estranho.

— Eu nunca pensaria algo assim. Nunca, entendeu?

Jeon concordou.

— Agora eu sei disso. — O mais novo riu, estalando um beijo na bochecha do mais alto. — Eu te amo, Joon. Obrigado por ser o meu amigo.

Kim deixou seus dedos afagarem a bochecha do rapaz, com um sorriso no rosto.

— Eu que agradeço pela sua amizade.

Os dois então voltaram a se abraçar e a fitarem o mar, cada um com a cabeça cheia de pensamentos, porém felizes por terem aquele momento juntos.

 

**

 

— Ei, vocês podem vir aqui?

A voz de Yoongi arrancou os amigos do momento e Jungkook foi o primeiro a ficar de pé. Namjoon logo fez o mesmo e juntos foram até a cabine, percebendo que Min queria os mostrar algo na ponte de comando que tinha por ali, perto do volante.

— Pelo GPS, não tem nada a cinquenta e dois quilômetros daqui, então eu liguei o sonar e olhem… parece ter algo, o que é bem estranho.

Namjoon se aproximou do aparelho, vendo o que parecia ser um ponto distante, a noroeste. Não entendia nada de náutica, mas parecia realmente ter algo por ali.

— Então, a ilha existe? — Jungkook questionou, animado.

— Não tenho certeza, garoto. Mas, tem alguma coisa por aquele lado.

Jeon pareceu animado e logo deu um pulinho no lugar, fitando Namjoon com um aberto sorriso.

— A ilha por existir, hyung! Isso é tão legal!

O biólogo sorriu e viu o barqueiro fazendo o mesmo, mas outra vez não pareceu ter maldade no gesto. Kim ficava feliz por isso, era sinal que Yoongi estava aprendendo a se comportar, mas ainda ficaria próximo a Jungkook, somente para garantir que tudo ficaria bem.

O clima animado então os abateu, fazendo Jungkook voltar para a popa, sentando-se no local anterior e fitando o mar, era como se estivessem conectados de alguma maneira, Namjoon não pode deixar de pensar. Dessa maneira, Kim deixou o amigo curtir o momento e somente se sentou no banco acolchoado. Agora não faltava muito para se aproximarem do destino e esperava encontrar algo e que aquela aventura tivesse valido a pena. Contudo, somente com o rapaz sorrindo do jeito que estava, já era o suficiente para ele.

 

***

 

Jungkook sentiu algo diferente lhe atingir no seu ínfimo e não soube ao certo o que era, mas ainda assim se levantou, olhando assustado em direção a Namjoon, que logo ficou de pé ao ver o olhar do rapaz.

— Tem algo errado.

Como se todo o resto escutasse Jungkook, o barulho de trovão reverberou em suas cabeças, tão alto e assustador que Namjoon tampou os ouvidos por instinto.

— Mas que porra é essa?! — Yoongi gritou, indo até o timão e o sistema do barco, tentando mantê-lo estável, pois o mar ficou revolto assim que trovoou.

Namjoon esticou a mão e Jungkook se adiantou a ele, segurando com força a sua mão para que ambos ficassem na cabine do barco.

— Você não viu que teria uma tempestade? — Kim quase gritou as palavras.

— Mas não teria! Essa porra surgiu do nada!

— Tempestades não surgem do nada, merda!

Jungkook segurou com a força a mão de Namjoon, fazendo com que o mais velho o fitasse.

— Talvez aqui elas surjam.

O mais alto não soube explicar, mais um arrepio passou pelo o seu corpo com aquela fala. Ele não era de acreditar em lendas, contudo por algum motivo, tudo o que tinha lido naquele livro pareceu perigosamente real.

— Merda, merda! — Yoongi gritou outra vez, tentando controlar o barco. — Merda! Coloquem os coletes salva-vidas! Rápido, rápido!

Jeon foi o primeiro a se mover até o local que Yoongi indicou, abrindo o compartimento e de lá retirando algumas peças. Ele jogou uma para Namjoon, que a colocou sem problemas — já havia ido em excursões de barco antes quando estava na faculdade —, e o outro entregou a Yoongi, mas ele não pegou, deixou cair no chão enquanto tentava manter o barco no local, o vento era forte agora e o mar revolto demais para conseguir manter no lugar.

— Kookie, coloque um, rápido!

Namjoon foi até o rapaz, ajudando-o a colocar o colete, mas Jeon não pensou exatamente em si. Ele não estava com medo e nem sabia explicar o porquê.

— Segurem-se! Merda!

Eles então viram a água na frente deles parecer que iria cobrir o barco, mas ela se quebrou e somente uma parte entrou na proa, mas o barco pareceu aguentar sem nenhum problema aparente.

— Não soltem, fiquem segurando.

Hyung, você precisa do colete! — Jungkook disse preocupado.

— Eu preciso controlar o barco, garoto! Está tudo bem!

O mais novo então olhou para Namjoon e antes que o amigo dissesse algo, Jungkook foi até o chão, pegando o colete e colocando por cima da cabeça de Yoongi de qualquer maneira. Min fez uma reclamação baixo, mas levantou um braço por vez, deixando que o rapaz prendesse corretamente para ele.

— Obrigado, garoto. Mas agora volta lá e se segure. Vou tentar pedir ajuda da guarda-costeira.

Yoongi ainda tinha uma mão no timão enquanto com a outra foi no rádio de comunicação.

— Câmbio, aqui é Merry Fisher oito, nove, cinco. Min Yoongi. Alguém na escuta? — falou o mais velho. O rádio fez um chiado alto, mas nada de resposta. — Câmbio, alguém na escuta? Câmbio? Precisamos de ajuda, uma tempestade forte nos pegou! Câmbio?! Merda! — Yoongi deixou o aparelho jogado, puxando o ar com força. — Estamos sem comunicação.

— O que faremos?! — Namjoon gritou a pergunta, a tempestade estava forte e se falasse baixo não seria ouvido.

— Não sei.

A voz resignada de Yoongi deixou Namjoon assustado.

— O quão distante da ilha estamos? Ir a até ela é nossa única escolha! — Namjoon proferiu, sabendo que era ridículo e que a ilha não deveria nem existir.

— Nem sabemos se essa merda existe! — Yoongi gritou, tentando controlar os motores.

— Eu vi gaivotas! — disparou Jungkook, tentando apontar para frente, mas o barco fez um movimento brusco e ele somente bateu na parede da cabine.

— Gaivotas?! — Namjoon gritou, surpreso. — Viu?! Podemos ir para lá!

Era loucura, mas era a única alternativa que tinham no momento. Yoongi então deixou o barco a noroeste, mesmo que o movimento tivesse forte. Ele precisava tentar, certo?

— Divindade…

A voz de Namjoon fez Jungkook fitar a proa e então ele viu o que o amigo estava encarando. Uma grande onda tinha se formado e era bem maior que a primeira, essa iria cobrir o barco.

Hyung! — Jungkook gritou para Yoongi.

Mas, não tinha muito o que fazer. Não mais.

A onda cobriu o barco em questão de segundos e atrás dela, veio outra e mais outra. A água inundou todo o deque e o peso foi demais. O barco que antes parecia tão seguro, não estava mais em condições para navegar e não tinha muito o que Yoongi pudesse fazer.

O barco começou a afundar e antes que conseguissem fazer algo, outra onda bateu nele, com muito mais força. Os dedos de Jungkook afrouxaram de onde ele estava segurando e sem forças para se manter, o corpo dele foi jogado para trás e com violência, ele bateu na popa.

— JUNGKOOK! JUNGKOOK!

Os gritos de Namjoon chegaram ao rapaz, mas ele não conseguiu responder, procurando algum lugar para se segurar. Ele conseguiu, mas o ar lhe faltava. Estava cansado e a lateral do seu corpo todo doía onde havia batido no chão. O rapaz levantou parte do corpo, avistando o mar. E, foi quando seus olhos fitaram algo que não pareceu ter explicação para o seu cérebro.

Jungkook viu uma cauda rosa, repartida em duas na sua base e quando acompanhou o olhar, percebeu fios de cabelo, no tom pink que pareciam fazer parte do que quer que fosse aquele corpo.

Os gritos de Yoongi e Namjoon o despertaram de sua confusão, mas antes que ele pudesse se mover outra vez outra onda investiu contra o barco e o moreno sentiu seu tronco ser levado pela água. Nada era útil e respirar impossível no pequeno redemoinho que as constantes ondas o prendiam.

Jeon não conseguia acreditar que aquele seria seu fim, sem saber nem ao menos quem realmente era. Seus pulmões queimavam com a falta de oxigênio e quando não mais suportou e abriu olhos e boca, ele encontrou o vulto cor de rosa outra vez, porém não conseguiu distinguir mais do que a cor antes de tudo se tornar breu.

Seu último pensamento antes de perder a consciência foi pedir para que Namjoon ficasse a salvo.


Notas Finais


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Até amanhã ;*


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