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História Paradoxo Temporal 2: O Projeto K1 - Capítulo 23


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Notas do Autor


Olá, pessoal!

Desculpem a demora em postar, eu fiquei um tempinho sem o notebook,ele estava na manutenção. Mas após a volta do note, terminei mais um capítulo!

Boa leitura a todos! o/

Capítulo 23 - Tsukkomis e versões de histórias


Gintoki e Shinpachi seguiram sua marcha rumo ao banheiro conforme indicado, enquanto fingiam que o homem desmaiado estava andando amparado por eles. A certa distância, Hijikata os seguia furtivamente para os encontrar no banheiro e dar seguimento ao plano do Yorozuya – fosse lá esse plano qual fosse. Odiava quando era obrigado a confiar naquele cara. Toda vez que cruzavam seus caminhos, os dois se metiam em uma furada, e pressentia que estaria a caminho de se meter em mais uma enrascada. Era sempre assim.

Se tivesse alternativa, com certeza não confiaria no Yorozuya, mas o problema era não ter alternativa. Restava apenas confiar no bom senso do moleque de óculos.

Chegaram a uma bifurcação dos corredores e Gintoki foi para um lado e Shinpachi, para o outro. E com isso, as pernas do homem desmaiado se abriram quase num espacate, além de atingir a quina da parede com as partes vulneráveis. O homem estava recobrando a consciência naquele momento e com o golpe voltou a desmaiar.

― Gin-san, é por aqui! – Shinpachi apontou para o lado que tentava seguir, à direita. – O banheiro é por aqui!

― Tem certeza de que é por aí? – Gintoki questionou. – Eu estava me colocando no lugar daquele cara e tava indo à direita na perspectiva dele. Vai que ele queria nos enganar e nos mandar pra uma armadilha?

― Isso não faz o menor sentido! Ainda estamos disfarçados!

― Disfarçados ou não, estamos em território inimigo, temos que pensar como ele!

― Você tem certeza de que tá realmente pensando, Gin-san? E por que essa ideia de ir ao banheiro?

― Seria pra disfarçar o Hijikata-kun e sairmos sem levantar suspeita.

Os dois ouviram passos se aproximarem e o som de katanas sendo desembainhadas.

― Já estamos levantando suspeita até demais, Gin-san... – o Shimura cochichou.

― Podemos continuar com a nossa atuação, Pattsuan – Gintoki respondeu no mesmo tom. – Eles vão engolir de novo e –

Não deu tempo do Yorozuya terminar a resposta, pois recebia uma voadora por trás, derrubando-o de cara no chão. O autor do golpe inesperado era Hijikata, que berrou:

― ESQUECE ESSA IDEIA DE JERICO, SEU IDIOTA! JÁ ESTAMOS ENCRENCADOS O BASTANTE!

Nem deu tempo de Gintoki argumentar, pois o Vice-Comandante do Shinsengumi descarregava sua frustração com aquele plano absurdo dando errado em forma de chutes no albino. E não era o único, Shinpachi também dava sua cota de chutes em seu “chefe” num típico surto de tsukkomi ante uma ideia tão absurda que claramente daria errado desde o início. E tudo isso se desenrolava com homens do Mimawarigumi e soldados amantos assistindo à cena como uma plateia.

Afinal, para que usar a espada se o trio de preto se espancava?

Os dois tsukkomis – o da Yorozuya e o do Shinsengumi – por fim se cansaram de chutar Gintoki e ofegavam por terem dado uma intensa sessão de chutes no albino. Este se levantava reclamando das dores espalhadas pelo corpo graças aos dois. Foi quando caiu a ficha e perceberam os indivíduos de fardas brancas e amarelas, que não eram poucos e os cercavam.

― Se vocês não estivessem ocupados me espancando, já teríamos fugido. – Gintoki murmurou enquanto desembainhava a katana que afanara do homem desmaiado.

― Seguindo o seu plano maluco, não. – Hijikata discordou, sacando a Muramasha.

― Acho que é melhor a gente esquecer que tinha plano. – Shinpachi também sacou a katana que trazia consigo. – Vocês dois poderiam pensar num jeito da gente fugir, não?

Gintoki suspirou, realmente seu plano dera muito errado. Seus olhos rubros esquadrinharam seu campo de visão enquanto pensava em uma forma de sair daquela situação. Ele não iria se render, mesmo com a ingrata missão de tirar o Mayora do território inimigo. Tirou os óculos que pegara emprestados de Shinpachi e os devolveu ao seu dono, pois seu disfarce acabava de perder o efeito esperado. Sua cabeça pinicava devido à peruca preta que usava, o que o deixava ainda mais apreensivo, pois não conseguia pensar numa boa estratégia para saírem do cerco.

Foi quando Shinpachi cravou os dedos na peruca escura do Yorozuya, que nem teve tempo de questionar o garoto. Ele jogou a dita peruca e gritou:

― PENSA RÁPIDO!!

O Shimura se lançou ao ataque, derrubando o amanto que se assustara por ter a cara atingida pela peruca e com mais golpes conseguiu abrir caminho para sair correndo, seguido pelos outros dois. Se não estivesse errado, era por ali que passara com Gin-san para encontrar Hijikata-san. Mas começava a ter suas dúvidas quando percebeu que todos os corredores eram iguais, tendo o mesmíssimo padrão. Foi quando a incerteza o dominou e ele estacou enquanto o alarme ecoava estridente por todos os cantos.

― Shinpachi, o que você tá pensando agora? – Gintoki perguntou ao ver o garoto parado.

― Acho que nos perdemos, Gin-san!

― A gente acha um caminho, não podemos ser pegos! – Hijikata atalhou ao ouvir o barulho dos perseguidores.

Toushirou estava certo, precisavam dar um jeito de não serem pegos, ou tudo o que haviam feito até então seria em vão. Para isso era preciso pensar em algo, mas de cabeça fria. Esconder-se era uma possibilidade que tentava o trio. Viram um soldado amanto abrir uma porta, para depois dar passagem a dois homens que vestiam jalecos brancos. De fininho, Gintoki, Shinpachi e Hijikata conseguiram burlar o alien e adentrar aquela porta, para conseguirem se esconder e tomar algum fôlego. Ouviram a porta se fechar e tudo ficou escuro, mergulhado no silêncio, que só não foi total porque, além das próprias respirações, os três ouviam um zumbido e um som parecido com um borbulhar de algum líquido.

Não demorou para que um estalo fosse ouvido e grandes tubos se iluminassem em meio à escuridão do local totalmente resfriado por ar condicionado. Nesses tubos – que eram cerca de vinte – estavam figuras humanoides mergulhadas em um líquido verde, com eletrodos colocados em áreas como a cabeça, o peito e outros lugares para fins de monitoramento de sinais vitais.

― Parece que estamos no coração do tal Projeto K1. – Hijikata murmurou.

Gintoki se aproximou de um dos tubos que mais lembravam as câmaras de regeneração de Dragon Ball enquanto coçava o queixo pensativo:

― Então foi daqui que saíram os Yatos que enfrentamos... Querem realmente montar um exército deles!

― Gin-san, Hijikata-san – os dois homens ouviram a voz de Shinpachi e o encontraram em frente a um tubo mais afastado dos demais, também ocupado por uma figura humanoide. – Agora entendo por que precisam da Kagura-chan!

Dentro daquele tubo estava o corpo de uma adolescente de cerca de dezesseis anos. Na base, havia uma tela com a seguinte descrição:

“Clone sintético gerado a partir do genoma sequenciado do DNA Yato. Fonte do DNA: Indivíduo do clã Yato, sexo feminino, morta um ano após a coleta de amostra.”

 

*

 

― Como você ficaria se visse seu amigo matar o sensei de ambos?

Takasugi esperava ver alguma expressão de choque ou espanto no rosto de Ginmaru, mas o jovem manteve um ar neutro ante tal questionamento. O albino aparentemente estava mesmo decidido a agir como dizia, ouvi-lo sem fazer qualquer julgamento ou algo do gênero. Ainda assim, queria realmente saber por que o filho de Gintoki estava interessado naquele fato específico e em sua versão acerca do ocorrido.

O jovem tirou a bandana branca e tentou jogar os cabelos prateados um pouco para o lado.

― Deveria parar de olhar pra mim do jeito que tá olhando, cara. Eu não sou Sakata Gintoki, o lendário Shiroyasha da primeira guerra contra os amantos. Esqueça que sou parecido com ele e tente não voar pro meu pescoço, porque não tenho nada a ver com as eventuais merdas que ele possa ter feito no passado.

― Por que acha que vou tentar algo contra você?

― Você olhou pra mim como se eu fosse ele. E deve ter pensado “se fosse o pai”...

A expressão de Shinsuke se tornou mais carregada, pois percebeu que sarcasmo não intimidaria o jovem à sua frente e não o deixaria menos desconfortável. E o garoto tinha razão, ele não era Gintoki. Era o filho dele, sobre quem pouco sabia e só soubera de sua existência quando Katsura lhe dissera dez anos atrás, antes de irem ao campo de batalha naquele dia em que o Shiroyasha desapareceria por uma década.

Parando para pensar melhor, o jovem à sua frente nada mais era do que um desconhecido, se desconsiderasse a aparência, o sobrenome Sakata, e o nome começando com “Gin”. Com isso em mente, buscou desvincular a imagem de Ginmaru da de Gintoki em sua mente. Já que o garoto queria ouvir seu lado a respeito daquele fatídico dia, então ele contaria sua versão.

E Takasugi Shinsuke, por fim, contou sua versão. Ginmaru ouviu atentamente cada palavra e observou o rosto do líder do Kiheitai. Como havia imaginado, a narrativa sobre seu pai escolhendo decapitar seu sensei era dolorosa e inevitavelmente tinha palavras impregnadas de ressentimento, como se houvesse se sentido traído por conta de uma promessa quebrada. Nas entrelinhas era possível subentender duas palavras que resumiriam aquela história.

“Gintoki traidor”. Era essa a mensagem que aparentemente o líder do Kiheitai queria transmitir com aquele relato.

Para aquele homem, seu pai o traíra quebrando uma promessa que jamais deveria ter sido quebrada. Queria muito defendê-lo e dizer que Gintoki não tivera escolha, segundo a versão de Zura, mas optou por ficar calado. Afinal, dissera que ouviria Takasugi e não faria qualquer julgamento.

Depois confrontaria essa versão com a de Zura e pretendia ouvir também seu pai.

― Não pretende dizer nada? – Takasugi perguntou após alguns instantes.

― Sobre o que você acaba de contar? Não. – Ginmaru respondeu pensativo. – Estou satisfeito com essa primeira parte. Mas há outra história que eu quero que você me conte... Quero saber a sua versão sobre dezoito anos atrás, quando o Kiheitai e o Harusame cercaram a Yorozuya Gin-chan.

Shinsuke deu um trago em seu kiseru e liberou lentamente a fumaça, para depois dizer:

― Eu não estava lá.

― Mas você mandou aquele grupo, não foi? Sob a liderança do capitão daquele grupo do Harusame, certo?

Já sabia aonde o filho de Gintoki queria chegar:

― Queria intimidar. Ordenei aos integrantes do Kiheitai que não os matassem.

― Foi muito ingênuo. – o jovem albino disse enquanto seus olhos rubros encaravam o homem à sua frente. – Ou você queria exatamente o contrário.

― Eu ameacei executá-los sumariamente caso não seguissem o plano. O recado foi passado ao Harusame, mas não tenho controle sobre o instinto sanguinário dos Yato.

Ginmaru refletiu sobre essas palavras e se manteve em silêncio. Buscava confrontar a versão de Takasugi com as versões contadas por Katsura, Shinpachi e Gintoki, assim como buscava em sua memória alguma informação que ouvira sobre o clã Yato. Ouvira tanto falar deles que sabia várias coisas.

― Talvez você não saiba, garoto... Os indivíduos do clã Yato são extremamente fortes e sempre estão matando uns aos outros. Quando se julgam poderosos o suficiente para desafiar os próprios pais, eles o fazem e os matam. O destino deles é matar uns aos outros, seguindo seus instintos e acreditando na sobrevivência do mais forte. – seu olho verde-oliva encarou o jovem. – Kamui lutava com o seu instinto, enquanto a irmã dele lutava contra.

Shinsuke deu um novo trago em seu kiseru e liberou calmamente a fumaça pela boca num sopro lento e prolongado, para depois concluir:

― Se os próprios Yatos não são capazes de controlar seus instintos sanguinários, como eu conseguiria fazê-lo?

Ginmaru encarou-o com um olhar inexpressivo ao mesmo tempo em que processava as informações que tinha em sua memória para confrontar com o que ouvira. Começava a formular seu próprio julgamento a partir dessas versões a respeito desse evento ocorrido meses antes de seu nascimento. Mais precisamente, nove meses antes de seu nascimento, segundo Gintoki.

Dezoito anos se passaram e seu pai ainda era muito marcado por aquilo. Dava para entendê-lo um pouco ao ver como era a relação entre os integrantes do Trio Yorozuya vindo do passado, mais precisamente a dinâmica entre Gintoki e Kagura, algo bem próximo a uma relação entre um pai e uma filha.

Era uma relação muito parecida com a que ele, Ginmaru, tinha com seu próprio pai.

Por outro lado, Takasugi aparentava não ser tudo aquilo que seu pai pintava a respeito. Não que achasse que o líder do Kiheitai fosse um santo, mas também não lhe parecia ser tão demoníaco. Ainda continuava o considerando um homem com certo grau de periculosidade, diante do qual não pretendia baixar a guarda nem por um segundo. Mesmo assim, Ginmaru aventava a possibilidade de ter Takasugi Shinsuke como aliado de fato. Só precisava pensar melhor na conversa que tivera com ele e fazer seus próprios julgamentos.

Depois disso, o próximo passo seria convencer seu pai a aceitar a ideia.



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