1. Spirit Fanfics >
  2. Paraíso Central >
  3. Alucinações vermelhas

História Paraíso Central - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - Alucinações vermelhas


– Vamos, Sakura! Não temos tanto tempo. Quando começar a entardecer devemos estar de volta, é muito perigoso.

O menino tentava apressá-la, mas havia algo esquisito sobre Sakura naquela manhã. Na verdade notara-a estranha desde noite passada, e por isso cuidou do sono da moça até adormecer sem querer. Como era normal dormir mal e acordar de repente, o organismo do moreno se acostumara com o ritmo. Tinha o sono leve.

– Eu estou com câimbra. – Reclamou, aparecendo na sala e o deixando um pouco surpreso. Estava uma bagunça. E certamente tinha pernas muito belas.

Estava pálida, também. Aquilo não o agradou em nada. O que faria caso ela não passasse bem? Era uma desvantagem muito grande.

Agora que conheceu um novo perigo, quem pode saber quais outros estão à espera?

– Você não parece muito bem, mesmo. Coma esta última Pitaya¹ e... – Ao oferecer a fruta vermelha à Haruno, o rosto bonito e delicado se contorceu de uma forma preocupante. Instintivamente, o corpo fino e bem desenhado fugiu da aproximação de Sasuke e da fruta.

– Não estou com fome. – Aparentemente, a moça ficou nauseada. Manteve-se afastada. – Quando sairemos?

Sasuke pegou a mala azul com equipamentos retirada do sótão. Deu as costas para a moça, andando até a porta calmamente. A fruta foi jogada em alguma superfície.

– Eu sairei. Você fica.

Depois de muito fuçar e investigar a casa, Sakura caiu na cama sentindo uma vertigem. Estava largada de bruços. Ao colocar a cabeça para a esquerda, uma sombra enorme e horrível assaltou sua paz de uma forma muito assustadora.

Ouviu sons.

– Sasuke?

Nada de respostas. O corpo doía exageradamente, e os músculos pareciam todos travados. Apenas naquele momento em que estava parada e tensa foi que percebeu a rigidez da musculatura. O barulho aumentou. Em sua cabeça pareciam gritos. Diversos gritos ensandecidos e mesclados, agudos e desesperados. Engoliu a seco, voltando para a cama no mesmo momento. As vozes foram se aproximando muito rapidamente, até o momento que Sakura cobriu a cabeça com uma coberta velha e permaneceu por muito tempo rodeada de sombras.

Seus olhos se fecharam. Estava embrulhada no mais gostoso tecido. Seus membros rijos descansavam tão relaxados, que mal se lembrava das fortes dores de momentos atrás. Não se lembraria, de qualquer forma. Estava dormindo. O paraíso era seu cobertor. Enquanto corria por tulipas roxas, cantava alegremente uma canção que na verdade não chegava aos seus ouvidos. Parou bruscamente ao enxergar uma fumaça branca e cheirosa.

– Uh... Familiar! – Exclamou sozinha e empolgada, seguindo o cheiro gostoso como nos desenhos animados. Esperava sinceramente encontrar um bolo na janela.

Assim aconteceu. Seus passos flutuantes foram guiados pela neblina cheirosa até uma casa pequena e toda coberta com um emaranhado de plantas espinhosas. Observou o bolo vermelho com curiosidade. Tinha a forma de uma áspera tulipa. Gostosa tulipa...

Acordou.

Ela sabia onde estava a tulipa vermelha. E repentinamente, o soco da realidade a nocauteou. Não conseguiu levantar mais da cama. Estava suada, dolorida, agitada, ouvindo coisas... E tudo isso começou a partir do momento que a tulipa vermelha coloriu sua língua na noite passada, quando terminou de se banhar e encontrou a pétala no bolso da calça.

Outro barulho.

Seu corpo estava formigando de dores. Estava semiconsciente, e por isso, de barriga para cima, não se mexeu. Os olhos entreabertos deixando a visão de sua presença algo mórbido. Foi o que o Uchiha encontrou quando, suado, adentrou o quarto. A luz do sol entrando pela janela lateral e a banhando divinamente².

– Sakura?

Ruidosamente, pousou a mala no chão sem deixar de olhá-la. Aproximou-se vagarosamente tendo o cuidado de não ser abrupto. Não queria alarmá-la, já que parecia muito ruim.

– Você não tá passando bem?

– Estou com algumas dores, mas acho que não é o maior problema. Você tem da água?

– Muito pouco. – O moreno sentou na cama, longe do corpo dela. – Sabe... Nossos dias parecem contados, agora. A água benta secou. Recolhi tudo o que eu pude, mas das pedras do chão.

– Muito pouco quanto?

– Menos da metade de uma pet. Mas resolve o que quer que você tenha. – Levantou-se sendo observado pela Haruno. O viu abaixar, e foi questão de alguns segundos quando um filme começou a acontecer em câmera lenta em sua cabeça rosa.

A luz solar a iluminava como uma entidade dos Céus. Seu rosto alvo e simpático era o resquício da perfeição. Seus cabelos grandes e rosas, uma chama e labaredas a movimentarem-se juntas conforme o vento. O cenário não podia ser melhor – Ou diferente. Tulipas coloridas para todos os lados. Mas desta vez, no horizonte, a visão do cinza melhorando ainda mais seu semblante fascinado. Conhecia aquele lugar. Andou, mas não era suficiente. Correu. Pé por pé, chegando em Centrália, diretamente das tulipas de Lisse até os monstros e Sasuke da Pensilvânia, encontrou um impedimento. Um portão dourado. Do outro lado, um corpo familiar sendo arrastado pelos pés, e a cabeça torta na direção dela.

– Sakura, que tá acontecendo? – Estava chacoalhando-a devagar quando a Haruno abriu os olhos muito calmamente. Aconchegada nos braços dele, sentou. A careta que fez certamente o deixou desconfiado. – Você está suando frio!

– Eu também não sei, mas acho que é a tulipa. Tão bonita, não consegui segurar a vontade de lambê-la. – Falava inocentemente. – E ela me entorpeceu.

– Tulipa? Onde você achou uma? Entorpecente?

– Um portão. Onde tem um portão aqui? – Como se não pudesse ouvir aos questionamentos dele que precisavam de respostas, continuou a falar com um pouco de desespero. Estava sem ar.

Ao invés de responder, Sasuke virou um punhado de água na boca dela.

– O que está acontecendo?

– Onde está a chave que você encontrou?

– Comigo.

Aparentemente melhor depois do gole da água, as grandes bolotas verdes de Sakura filmaram a expressão confusa de Sasuke. O moreno se defendeu prontamente, fazendo uma careta assombrosa.

– Que há, afinal?!

– Um portão dourado. É o que a sua chave abre. É nossa saída.

Pedia entusiasmo, mas a menina não possuía nenhum. Mais calma, suada e com resquícios de cansaço, deitou devagar e aconchegou-se de lado. Sentiu nas pernas uma das mãos grandes do moreno que cuidava dela.

– Descansa um pouco e estará nova em folha. Nós vamos procurar este portão pela manhã, certo? Não passe mal.

A única coisa que ganhou foi um mexer positivo de cabeça. Cuidou de toda a casa enquanto ela dormia, e a tulipa vermelha... Ele se livrou imediatamente, preparando uma sopa de legumes para os dois com o capricho de sempre.

Jantaram juntos e em silêncio, e depois que pouca água sobrou, engataram uma conversa desanimada e aconchegante, iluminados pelo fogo impiedoso que dançava diante dos olhos de cores tão diferentes. Apoiada nos ombros dele, Sakura só conseguia pensar no quão feliz os faria se pudessem estar em paz. Falava automaticamente, preocupada em imaginá-los no paraíso.

– Sairemos daqui juntos.

Num gesto atípico e suave, o Uchiha rodeou as costas dela. De repente protegê-la significava mais do que sair dali ou não.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...