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História Paraíso de Estrelas Caídas - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 1


   Strawberries & Cigarettes - Troye Sivan 

Eram nove da manhã quando o alarme despertou, era um sábado mas para Oliver ainda era muito cedo considerando que ele tinha voltado para casa às quatro da madrugada. Ele podia muito bem ter voltado a dormir, mas tinha feito uma promessa no dia anterior, se levantou um pouco mau humorado e foi direto para o chuveiro. Tomou um banho rápido e se vestiu, colocou uma camisa velha do nirvana e uma calça de moletom com seus tênis pretos. Olhou pela janela na intenção de observar o clima, tinha sol mas as árvores tremiam um pouco, ventava lá fora, estendeu a mão para pegar a jaqueta mas seus olhos pararam no moletom que usou na noite passada. 

    Colocou o mesmo no corpo, ainda cheirava igual, morango e tabaco, era verde militar e tinha uma pequena rosa bordada sobre o peito esquerdo, as mangas grandes lhe faziam parecer menor ainda, embora sempre arranjavam um jeito de brincar com sua altura, ele nunca se importou muito. Colocou seu telefone no bolso e saiu do cômodo, deu de cara com sua irmãzinha correndo de um lado para o outro, antes que ele pudesse falar alguma coisa ela já estava correndo de novo. Acabaram por se encontrar na cozinha, sua mãe estava de pijama e tinha olhos cansados enquanto a menina falava que nem uma matraca.

- Oliver! Vamos logo! Você demorou muito! - A mais nova já estava de pé pronta para sair de casa.

- Vai fazer frio, só saio com você se colocar um casaco. - O irmão disse e a outra foi direto buscar.

- Coragem levar a Nell uma hora dessas, só para andar no parque. - Sua mãe sorriu e coçou os olhos, era óbvio o cansaço.

- Pois é…

- Que horas voltou ontem?

- Tarde. 

- Ei! - Ela franziu o cenho. - Que casaco é esse?

- Ah… - Quando estava prestes a responder, Nell voltou correndo e já puxava o irmão pela mão. - A gente vai indo! Voltamos antes do almoço! Tchau mãe. - Ele deu um beijo na bochecha da mulher e saiu com a irmã. 

Eles andavam pela rua de mãos dadas, ela saltitava, fazia uma semana que vinha implorando para que alguém a levasse para o parque, o outono era sua estação favorita, adorava ver as folhas secas no chão e os pensamentos de seu irmão não era muito diferentes, ele amava o outono. Não era tão frio, era fresco, fazia sol e raramente ficava nublado, não chovia muito, era a estação perfeita, sempre foi sua favorita. O outono ainda não tinha chego propriamente, ainda havia resquícios de verão por onde passavam, não tinham muitas folhas no chão e a grama ainda era verde. 

    Sua irmã andava apressada, tinha um enorme sorriso no rosto, de tempo em tempos ela se soltava dele para pular em cima de folhas secas, só para escutar o barulho das mesmas rachando. Quando chegaram no parque continuou a mesma coisa, Oliver se sentou em um banco enquanto observava Nell fazer montinhos de folhas para pular em cima. O sol brilhava forte mas o vento castigava, fazia frio e ele colocou as mãos no bolso do casaco e puxou o capuz sobre a cabeça, ele sorriu de volta para a pequena que corria de um lado para o outro com um bando de folhas e se distraiu com o telefone vibrando no bolso da calça.

Zeke: O mesmo programa pra hoje?

Jack: Ae.

Jack: Alguém mais percebeu que o Zeke só chama a gente pra fumar?

Zeke: É você que sempre aceita sair! Sua Maria Fumaça.

Evan: Pelo amor de Deus.

Evan: Dessa vez vamos sair para comer.

Evan: Antes que o pulmão de vocês vire carvão.

Zeke: E lá vai você querendo acabar com meu colesterol.

Oliver: Ué, é só você pedir salada!

Oliver: Na lanchonete de sempre? 

Evan: Na lanchonete de sempre. 

Jack: @Evan vê se leva o isqueiro, fazendo o favor.

Evan: Meu Deus…

Zeke: Eu levo o maço!

Oliver: Estão querendo fritar o cérebro também.

    O rapaz guardou o telefone no bolso e voltou a observar a irmã, eram os únicos no parque com exceção de um casal que passeava com um cachorro, ela ainda brincava com as folhas embora agora perseguisse um esquilo sem muito sucesso. Tempo depois ela fez o que ele mais temia, veio correndo e insistiu que brincasse com ela, Oliver ainda estava sonolento e sabia que qualquer brincadeira envolveria se levantar e correr. Com uma tacada de mestre ele se livrou da tarefa, deitou na grama fofa e pediu à menina que fizesse o mesmo:

- Agora olha aquela nuvem lá em cima. Com o que ela se parecesse?

- Eu não sei…

- Eu vejo um cachorrinho! Olha só o rabo e as orelhas! - Ele apontou e a outra riu ao perceber. 

- Aquela outra parece um balão! E aquela um coelho!

- Onde é que você vê um coelho?

- Ali ó! 

O quanto tempo ficaram ali, nenhum dos dois sabia, mas assim que o mais velho checou o relógio e era quase meio dia, eles tiveram que se levantar. O caminho de volta para casa foi a mesma coisa, exceto pela pequena ter insistido em ser carregada nas costas, ele estava com preguiça mas cedeu, raramente negava os pedidos da irmã, e talvez essa fosse uma das coisas que ela mais amava nele, além do fato dele sempre estar presente, considerando que em dias de semana seus pais trabalham e ele fica com ela para não deixá-la só. 

Logo depois do almoço o garoto foi para o quarto trocar de roupa, colocou uma blusa velha e uma bermuda, nos fins de semana ele lavava o carro de seu pai por trinta dólares, um acordo que os dois tinham feito. O dia tinha ficado ainda mais ensolarado e a brisa tinha quase sumido, mas Oliver tinha certeza que mais tarde ela voltaria, lavou o carro o mais rápido que pôde e ficou no quarto o resto da tarde, tentou se distrair com um filme mas logo caiu no sono e acabou por tirar um belo cochilo.

Acordou perto das sete, deu uma olhada rápida no grupo, os garotos tinham marcado de se encontrar na lanchonete as sete e meia, ele se levantou ainda sonolento e foi lavar o rosto, aproveitou para ajeitar o cabelo, coisa que quase não fazia, chegou também na conclusão de que precisava de um corte, e urgente. Vestiu uma camisa qualquer, colocou uma calça jeans e decidiu usar os tênis novos, dessa vez ele pegou sua própria jaqueta e levava o casaco de Evan nos braços, iria devolver para o amigo, mesmo não querendo fazer tal ato. 

Colocou dinheiro no bolso e saiu, passou pela sala se despedindo dos pais e avisando onde ia, seu pai lhe disse para voltar cedo mas deu uma piscadinha em seguida, o homem já sabia que o filho planejava chegar apenas de madrugada, mas confiava no mesmo. Pelo local não ser tão longe ele foi caminhando, a noite ainda não estava formada, o céu ainda estava pouco claro e ainda não era possível ver todas as estrelas, em vez de se afundar em pensamentos decidiu observar sua volta, que nem na noite anterior. Vários carros passavam pela rua, alguns como se estivessem com pressa, outros nem tanto, as casas já tinham suas luzes acesas assim como os postes da rua e as quase não havia pessoas transitando na calçada. Como de costume, ele foi o primeiro a chegar, seus amigos eram péssimos em quesito pontualidade, o lugar não estava cheio, pegou logo uma mesa para quatro e ficou ali esperando pelos outros: 

Oliver: Eu já cheguei.

Oliver: Cadê os três patetas?

Evan: Talvez eu atrase um pouco.

Jack: Tô chegando, caralho.

Evan: Tá chegando de bom humor, pelo visto.

Zeke: Cruzando a rua.

    Zeke foi o primeiro a chegar e Jack veio logo atrás, como se tivessem vindo juntos, e dito e feito, Evan acabou se atrasando por conta de seu irmão que tinha pego o carro e demorado a chegar, óbvio que o atraso não passou em branco, os outros três passaram um bom tempo falando da fome que sentiam e fazendo piadas relacionadas. Só sossegaram quando a comida tinha chegado, a garçonete de sempre trouxe os quatro hambúrgueres e acabou recebendo uma piscada de Jack, a mesma sorriu mas não disse nada, eles flertavam toda vez mas o rapaz nunca tinha se pronunciado para pegar o telefone da mesma. 

    Ela era uma moça bonita, tinha um rosto delicado e uma expressão gentil, os quatro passaram bom tempo discutindo isso e por fim cada um apostou cinco dólares que o amigo não conseguiria o telefone da loira. Em vez de esperar que ela retornasse, ele foi até ela, demorou um tempo para que voltasse, e para a surpresa de todos ele de fato tinha conseguido o número, todos sabiam que Jack era péssimo falando com garotas. Na verdade, nenhum deles era bom nisso, Zeke era o melhor quando se tratava do assunto, e mesmo assim quase nunca saía com garotas, os quatro nunca admitiriam, mas preferiam passar o tempo apenas entre eles.

    Quando o estabelecimento estava prestes a fechar os garotos se retiraram, e como de costume já estavam todos se dirigindo para o carro de Evan, estavam se encaminhando para o mesmo lugar da noite passada. Não era muito longe, era pelo menos meia hora de carro, o dono do veículo conectou o celular ao rádio e entregou o mesmo para Oliver que estava no passageiro após tirar o maior palito na ordem de que ele controlasse a música. Deixou a playlist rolar solta, pulou algumas músicas mas seu foco estava na conversa que tinha com os dois amigos no banco de trás:

- Okay, eu tenho o telefone dela, mas e agora? Eu vou ter que ligar? - Jack questionou.

- E você ia fazer o que? Vender no mercado livre? - Oliver estava indignado com o tal.

- Você é burro ou se faz? Pelo amor de Deus! - Zeke parecia que ia explodir e mesmo assim tentava se acalmar. - Você vai ligar para ela, ou então mandar uma mensagem marcando um encontro.

- Um encontro? 

- Sim! E você vai pagar para ela! 

- O QUE? EU VOU TER QUE PAGAR?!

- Seja um cavalheiro, Jack, é disso que elas gostam. - Oli respirou fundo enquanto observava Evan se segurando para não rir.

- Olha só onde vocês me meteram! - Zeke enfiou o rosto nas mãos e o grupo explodiu em gargalhadas. 

Oliver deixou os dois discutindo enquanto trocava a música, chegou em uma desconhecida que não tinha ouvido falar ainda, deixou tocar por um tempinho até decidir trocar, no momento que seu dedo quase encostou no botão de “pular” ele percebeu que o rapaz no banco do motorista começou a cantarolar, quase em transe ele permitiu que a canção continuasse. Ele não percebeu que estava encarando Evan descaradamente e o outro nem percebeu que estava sendo encarado, continuava cantando baixinho e dirigia sem pressa. 

“Eu estou amando o sabor

Veneno na minha língua

Dependente às vezes

Vibrações venenosas

Ajudam meu corpo a correr

Estou correndo pela minha vida

Correndo pela minha vida”

    Por fim acabou lembrando da música, era “Chlorine” da banda “Twenty One Pilots”, e Evan sabia a letra toda de cór, cantava num volume quase inaudível, mas mesmo assim Oliver se propôs a escutar, ignorando completamente a existência de Jack e Zeke sentados logo atrás discutindo ainda pelo mesmo motivo. Pensou que se tivesse trocado a música antes talvez não tivesse presenciado a cena de agora, deu um leve sorrisinho e se deixou levar por um curto espaço de tempo observando o motorista cantarolar enquanto silhuetas de árvores apareciam na janela devido a paisagem de estrada.

O de olhos azuis rapidamente olhou para a frente na intenção de sair daquele estado, as palmas de sua mão suavam um pouco e ele respirava com força, seu coração estava acelerado e ele encarava a estrada com certo desespero. Nunca tinha se sentido assim, era como se pudesse ficar encarando o outro garoto por horas sem querer parar, teve que controlar o impulso de abraçar o moletom de Evan e levá-lo ao seu nariz, aqueles sentimentos eram esquisitos e inusitados, ele sentiu seu estômago se revirar e queria muito vomitar. Engoliu o impulso de voltar a encará-lo, olhar para seus lábios delicados, os olhos castanho escuro com longos cílios, uma pequena franja que tinha se formado e teimava cai sob seu olhar, observar mais uma vez o jeito fofo em que o mesmo ajeitava os olhos, até seu nariz levemente torto era atraente, como se fosse um charme.

    A picape finalmente parou e Oliver foi o primeiro a descer, era bom respirar ar fresco, mesmo que estivesse frio, o resto desceu também e ele agradeceu estar de noite, assim ninguém seria capaz de ver quão pálido e desesperado ele parecia. Os quatro se deitaram no gramado e ficaram conversando, Oli foi o que menos falou, sentiu que se abrisse muito a boca iria vomitar, as palavras e o jantar. A noite passou mais rápido do que os outros queriam, mas tudo que ele mais queria era chegar em casa, se enfiar no quarto e não sair nunca mais, ficar ali para sempre, ele, seus filmes, suas músicas e só, talvez assim esqueceria essa história de Evan, era isso que ele esperava.

    Na hora de voltar o de olhos azuis se enfiou no banco de trás, o que fez com que ganhasse uma franzida de cenho do motorista, mas ele não chegou a perceber o gesto, apenas se acomodou ao lado de Jack que ainda estava procurando jeitos de chamar a atendente chamada Gabby para um encontro. Todos dentro do veículo davam sugestões mas nenhuma agradava ele, provável que ele nem arranjaria devida coragem para chamar ela, talvez tinha até recebido um número falso.

    Durante todo o caminho de volta Evan não conseguia parar de pensar na rejeição do amigo em sentar no banco do passageiro, era algo tão pequeno mas estava fazendo o mesmo se coçar por dentro, talvez tivesse o ofendido de alguma maneira, mas nem tinha falado quase nada, talvez só quisesse mais espaço, mas era só empurrar o banco para trás. Reparou também que ele quase não falou, fez uns comentários aqui e ali, deu algumas risadas, mas só isso, isso deixou o mais alto completamente incomodado, como se tivesse feito algo errado, e infelizmente não tinha como saber.

    Pela milionésima vez olhou para o espelho só para checar como que o menor estava e por pouco mais de um segundo seus olhares se cruzaram e rapidamente recuaram, quem tinha desviado primeiro nenhum dos dois sabia quem tinha se dispersado primeiro, mas estavam ambos de bochechas vermelhas. Evan sorriu ladino, estava envergonhado mas queria rir, era uma sensação engraçada, porém durou pouco já que o mesmo voltou a se preocupar com Oliver evitando sentar no passageiro. Tentou até se distrair com o som que saía dos alto falantes mas Zeke deixou umas músicas eletrônicas esquisitas tocando que ele preferia ignorar.

    Oliver seria o primeiro a sair, se despediu dos garotos do jeito de sempre, apenas um pouco mais tímido, Evan parou na porta e observou o rapaz deixar o veículo e ir andando até sua casa, até que o mesmo voltou com seu casaco em mãos, tinha carregado o mesmo a noite toda, como se esquecesse constantemente que tinha que devolver:

- Quase esqueci. - Ele baixou levemente o olhar e Evan abriu um sorriso bobo enquanto pegava o moletom de volta, o que fez com que Oli retribuísse.

- Obrigado! 

Assim que o moreno de olhos claros chegou em casa, foi direto para o quarto e deitou de barriga para cima encarando o teto, suas bochechas ainda queimavam e ele suava frio, saiu dos devaneios para tirar a roupa e se enfiar no pijama. Foi quase frustrante quando pegou as roupas e sentiu o cheiro dele, e pior ainda quando percebeu que o cheiro estava nele também, era como se o próprio tinha cheiro de morangos e cigarros, aquilo já era demais. Deitou-se novamente e se embolou nas cobertas, torcendo que tivessem um cheiro diferente para que pudesse pegar no sono e esquecer todos aqueles pensamentos e o dono daquele maldito casaco.

    A situação de Evan não se diferenciou muito da de Oliver, assim que chegou em casa acenou para o irmão que estava na cozinha e foi direto dormir, ficou alguns minutos que mais pareceram horas encarando o teto. Era difícil não pensar nele, tirou aquele tempo todo só para se lembrar de cada detalhe dele, esse tipo de sentimento já era comum, já tinha até se acostumado. O sorriso que tinha no rosto sumiu logo após lhe chegar o pensamento de que o outro ficava incomodado com suas encaradas discretas, porém constantes, talvez ele tivesse percebido, Evan enfiou o travesseiro na cara tentando encobrir toda aquela vergonha. Se sentia agora completamente devastado, ele sempre gostou muito de Oli, ele e os outros três rapazes eram tão amigos que não conseguia imaginar algo que poderia destruir tudo aquilo, até agora. Procurou se acalmar, contornar aquilo seria fácil, era só evitar contato visual, andar levemente distante, pronto, era simples, mas mesmo assim não conseguia afastar qualquer pensamento que envolvia ou o sorriso dos de olhos azuis ou a ruína do grupo de amigos.



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