História Paraíso Ilusório - Capítulo 1


Escrita por: e RPGMakerProject


Notas do Autor


Eu amo Alice Mare e fico triste com a falta de fanfic por lá, fiquei ainda pior ao saber que a categoria foi fechada, então peço que quem deem mais amor à esse jogo!

Capítulo 1 - E mundos quebrados


Estava andando por aí, e mesmo que apenas por um momento, pude esquecer de minhas atuais condições. Eu era uma bagunça ingênua, um alguém perdido que tentava inutilmente se encontrar de alguma maneira. Eu era apenas uma criança novamente, ou melhor, como nunca deixei de ser de fato um dia. 

Haviam condições para meu pertencimento à este local. Outrora eu estava a seguir uma espécie de coelho — ou talvez fosse uma lebre, mas não acho que poderia saber como distingui-los em tal momento —, como se ele fosse de fato mostrar-me um caminho para meu paraíso, um possível "país das maravilhas", como outros viriam a chamar tal mais tarde. Mais um tempo passado, e outrora vinha a conversar com um malicioso gato, este que sempre estava a sorrir de forma estranha, quando mais novo, dizia que o mesmo parecia de tudo rir, ou ao menos estava sempre acompanhado por um bom humor, hoje digo que seu sorriso causa certo receio, me presenteando com arrepios assustados. 

O tempo ia passando, e toda vez que meus olhos se fechavam, novamente o tempo retroceda sobre meu corpo, pois eu nunca poderia vir a abandonar esta criança presente em mim, tentar deixá-lo para trás seria como negar sua existência, assim eu estaria me machucando e consequentemente negando uma parte de mim. Eu estaria tentando me matar, e ainda não havia coragem o suficiente para isso no presente momento em que vivia.

Quando finalmente pude conseguir abrir meus olhos um pouco mais do que o habitual, novamente vi-me em frente à um dos dois antigos animais cujo vi pela primeira vez, o gato parecia um tanto surpreendido por me ver naquele meio estranho e caótico, isso me dava sono. E, novamente, sozinho eu dançava diante aos mundo vazios e espaços em branco completamente desocupados, pois não havia ninguém ali dentro deste falso país das maravilhas. Era tudo um banho de mentiras, e crianças pequenas como eu não deveriam acordar para perceber isso, deveria ser tudo um mero sonho recheado de falsas e completamente utópicas fantasias, além de belas falácias proferidas por lábios ainda feridos.

E foi quando outras Alices começaram a chegar à “meu mundo” — esse que, de fato, nunca me pertenceu ou pertenceria por completo, mas que não mudava o fato de que eu o proclamava como sendo meu —, uma a uma, com mundos diferentes, palavras diferentes, desejos diferentes e mesmo histórias diferentes. Preenchendo os espaços vazios, colorindo os espaços em branco com seus dizeres e contos.

Dentre as diversas Alices, muitas delas eu não parecia ter tanta dificuldade em compreender de fato por completo e assim como os pequenos cadernos que eu havia lhes dado — estes que poderiam ser chamados de diários talvez, esses que eram feitos de sentimentos de todos os jeitos, em metáforas ou desenhos, o que me importava era a intensão —, todos pareciam ser quase como um livro aberto, com todas as páginas constituídas de letras plenamente legíveis, mesmo que cada uma à sua maneira. Eu sabia que deveria salvar essas outras Alices de seu paraíso quebrado, para que nenhuma delas viesse a se tornar alguém como eu e para que nenhuma delas viesse a se perder em meio á seus tenebrosos pesadelos, pois elas também estavam em uma linha tênue.

E foi quando ele apareceu. Sem memórias, sem desejos certos e ele não era "mais uma Alice", Allen era a "Alice", assim como eu de fato um dia talvez tenha sido, ao menos antes de me tornar minha própria versão caótica do Chapeleiro Maluco, preso à uma niilista verdade que ninguém além de eu mesmo poderia de fato vir a compreender.

Dançando por estes quadros, agora com uma estranha vida presente, recheados de cor e sentimento, seguindo os mesmo passos que um dia eu vim a tomar, mas incrementando à sua maneira, era como uma bela dança para tentar impressionar a rainha vermelha e assim, talvez sair impune de seu reino. Suas vagas respostas que poderiam variar em "acho que não", "talvez" e "provavelmente"...  eram todas imprevisíveis de alguma forma. Eu não o compreendia por completo e acho que ele também não poderia saber, era uma Alice que se descobriu como tal de olhos já abertos, tudo isso talvez apenas pela falta de reais anseios, mas nunca poderia afirmar com uma completa certeza, já que talvez tivesse sido culpa do coelho que o guiou com o objetivo de me impedir, mesmo que indiretamente.

Eu não compreendia essa Alice, ou melhor, não nunca poderia compreender de fato Allen. Via no pequeno garotinho loiro um reflexo de um possível "eu", em alguns tantos momentos lhe observar era como olhar para um límpido espelho, porém, outrora ao repetir esse mesmo ato que me parecia quase natural até, eu podia ver uma figura diferente, tão incrível quanto nunca poderia sequer pensar que seria. Allen era como uma mescla de um desconhecido curioso que ansiava à ser descoberto e posto às luzes de um palco vazio, da mesma forma que era apenas uma criança, era apenas um garotinho perdido, como uma bagunça ingênua, que de alguma forma poderia se achar.

Ao invés do coelho, a curiosidade havia levado Allen à correr atrás do pequeno gato e mesmo assim, você seguiu junto ao coelho que lhe serviu de guia. Éramos diferentes mesmo em coisas que não tínhamos controle, e mesmo assim, a curiosidade nos levou à lugares parecidos. Mesmo com meu avisos prévios, você entrou por aquele armário, seguindo o rastro de uma loucura estranha, apesar de o fazer de forma estranhamente ingênua e até despretensiosa, eu diria.

Foi a primeira vez em tantos e tantos anos convivendo com os mais variados tipo de pessoas, pesquisando sobre os mais diversos assuntos, interagindo com as mais estranhas das culturas e diversas outras coisas que viriam a compor minha alcunha e mérito como um verdadeiro professor; que tive esse tamanho e repentino interesse por algo. Pode-se dizer que era curioso vê-lo interagir de forma tão estranha com a verdade suja desse paraíso não ingênuo.

Allen pode ouvir o pedido daquela relés borboleta que estava completamente sem vida, presa à vidraça e estando ali como forma de decoração, aquela pequena Alice havia sido o único a querer ajudá-la e o único que teve coragem o suficiente para tentar libertá-la, mesmo que fosse às custas da desobediência de uma simples norma que exigi anteriormente, “Não suba as escadas para o segundo andar”, e novamente você me desobedeceu, mesmo que o fizesse sem nenhuma pretensão maldosa.

Não que eu fosse lá muito melhor, de longe, por tudo o que fiz...  mesmo que eu acolhesse todas essas crianças, eu havia o feito com certa pretensão... eu apenas gostaria de entender melhor a Síndrome do Pesadelo, mas não significa que eu não tenha vindo a me apegar à cada uma delas enquanto zelava por sua segurança e bem estar.

É curioso, mesmo que você tenha descoberto tais locais grandiosos… reflexos de sua vida no auge das tragédias e ao mesmo tempo uma parte de suas estranhas personalidades… eram as partes escondidas do coração de qualquer Alice, mas você não era possuidor de um deles aparentemente e  por isso, concluí que talvez as partes escondidas de seu coração fossem grandes demais para caber em meio à um mero quarto ou que talvez boa parte delas tivesse se perdido junto de suas relés memórias recheadas de tragédias.

E mesmo que houvesse a possibilidade de cair em meio à um sono eterno, você, como Alice que era, não parecia hesitar em momento algum perante cada uma das escolhas que teria de tomar, seja em meio à qualquer outra ameaça que tivesse, não havia hesitação em seus passos ou mesmo temor pelas respostas que talvez pudesse acabar recebendo.  

    Mas eu já havia dado minhas três respostas erradas, essa era minha deixa para cair em um sono eterno, e meus todos os lugares que havia visitado… todas as pessoas que havia conhecido… o tanto de coisas que já tinha feito e outras que não havia alcançado… eu não poderia deixar de ser um poço de arrependimentos, a culpa deveria ter sido minha por ter sido ingênuo desde o começo, não é? Estava segurando um pequeno sonho escondido em uma de minhas mãos pálidas, mas era apenas um desejo que só poderia ser interpretado como “inacabado” e por isso era falho; mas se eu conseguisse salvar ao menos alguns deles, eu já me daria por satisfeito e poderia dormir em paz.

“O que está fazendo aqui Allen? O que significa...” 

“Estou seguindo o coelho”

“Como…?”

“Mas… Me diga professor, disseram-me que comigo, Alice eram seis, porém só pude ver quatro, onde está aquele que deveria ser a última Alice?” - Allen já parecia saber a resposta, apesar da pergunta.

Allen é gentil e segurou a pequena mão fria daquela criança confusa com suas mãos quentes. E, de alguma forma, isso me fez entender algo, mas já era tarde.

    Que seus sonhos sejam bons a partir de hoje, e que seus passos se desviem dos meus. Você foi uma boa criança Allen, já é hora de descansar…
 

 

    “Hey, David… Acho que já é hora de acordar, não posso descansar até te ter de volta, sinto muito por ser um “Coração Travesso” e te desobedecer mais uma vez. Todos precisam ser salvos, e crianças como nós não podem ter mais medo do escuro. O gato te ensinou a amar de forma errada, mas você ainda pode receber meu amor. Como um “professor”, acho que é a única lição que posso te ensinar, já que ainda sou tão criança quanto você e essa é a única coisa que ainda sei.”

    E as luzes voltaram a brilhar.

 


Notas Finais


Eu fiquei feliz de poder participar de um projeto tão incrível, porém essa infelizmente é minha despedida. @RPGMakerProject é um lugar incrível que merece todo o amor do mundo, assim como os jogos de RPG Maker, fico feliz que esse projeto exista e que alguém ainda se mostre gostando de tais jogos o suficiente para tentar animar outros a escrever, porém esse é meu momento de despedida, já não estou mais tão por dentro das coisas nesse fandom e meu foco agora esta em outros ares.

Para todos que me acompanham por conta desse conteúdo, peço que não se preocupem com isso, pois eu não vou abandonar por completo esse fandom, apenas terei a postagem diminuída, mas prometo sempre voltar com alguma coisinha nova em algum momento, já que ainda jogo estou jogando uns jogos.

Foi ótimo enquanto durou e se Ivlis quiser eu volto pra cá um dia.

Devo meus muito obrigados à @Purple_Rose, uma beta maravilhosa que me ajudou muito quanto à essa fanfic devido à seu trabalho de betagem e @jaskier que fez essa capa maravilhosa.


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