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História Paranoide - Capítulo 1


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Notas do Autor


Não precisam me falar que vocês nunca imaginaram que eu ia escrever fanfic de BBB. Eu também nunca imaginei.

Boa leitura.

Capítulo 1 - O novo.


Fanfic / Fanfiction Paranoide - Capítulo 1 - O novo.

Selbach, Rio Grande do Sul.

Segunda-feira, 06:25 da manhã.

Roupa branca bem passada, jaleco cuidadosamente colocado sobre a dobra do braço, passos lentos, coração palpitando no peito. Aquele era o primeiro dia do médico psiquiatra recém-formado no hospital mais antigo da cidade, que, inclusive, tinha alvará para deixar de funcionar o mais rápido possível depois da Reforma Psiquiátrica.

Não podia negar, estava nervoso. Quando chegou na entrada e viu que o lugar mais parecia um presídio, teve vontade de correr. No entanto, respirou fundo e tocou o interfone, sendo recebido sem sequer um bom dia.

-- Nome. -- Disse a voz do outro lado.

O rapaz franziu o cenho. -- Lenhardt. Daniel Lenhardt.

O portão se abriu vagarosamente após o bip, e aos poucos a visão do lugar se revelava. Por alguns segundos, desconsiderando os muros, Daniel teve a impressão de que talvez houvessem pontos bons em viver ali.

Quando deu o primeiro passo para dentro, já se deparou com uma visão não muito agradável. Mesmo escoltado, um paciente uniformizado que devia estar lá fora apenas pra tomar sol, estava insistentemente tentando abaixar as calças e gargalhando pros guardas e funcionários que tentavam o impedir.

-- Ok, Daniel. Não faça cara de retardado. -- Mesmo que você só tenha a cara de retardado e um total de 0 opções.

-- Tem um MÉDICO falando sozinho, e eu que tô internado por ser louco. Dizem as más línguas... -- Alguém disse ao outro canto, fazendo Daniel se sobressaltar e olhar ao redor até encontrá-lo. Uma figura alta, embora sentada, estava à sua esquerda. -- Qual é a tua, engomadinho?

Daniel tentou ignorar as alfinetas. Em outra situação, acabaria rindo, mas não queria ser demitido logo no primeiro dia de emprego. Precisava ao menos passar da experiência pra não levar mais desgosto pra casa.

-- Sou o médico novo do hospital.

O rapaz balançou a cabeça em afirmação. ---- Espero que não seja o meu, ou eu que vou acabar tendo que te passar uns remédios.

O loiro revirou os olhos e continuou seu trajeto até o bloco "C", nome que estava escrito em suas instruções. Lá, encontrou os novos amigos de trabalho e recebeu as primeiras orientações.

Uma médica loira, alta, foi quem o encaminhou para seu novo consultório.

-- Você pode colocar suas coisas aqui. -- Disse enquanto abria uma porta logo no final do corredor. Daniel não pode deixar de reparar no quão bonita ela era. Alta, loira, elegante. Respirou fundo, espantando pensamentos indevidos da mente.

-- Obrigado. E você é a...

-- Doutora Mc Gowan. Fico na sala ao lado, caso precise de alguma coisa. -- Estendeu a mão pra ele, que pegou e apertou, observando ela se retirar.

Preciso. Preciso de um salário na minha conta bancária HOJE mesmo. Suspirou, entrando em sua nova sala e se deparando logo com uma pilha de prontuários que não parecia nada amigável.

-- Se aquele cara babaca da entrada for meu paciente, é porque eu sou muito cagado. -- E eu sou muito cagado. Inferno.

Daniel deu uma breve olhada nos prontuários antes de organizar a mesa e colocar as próprias coisas em seus novos devidos lugares antes de chamar o primeiro paciente, que escolheu a dedo.

-- Quem será que é você, Prior? Felipe Prior. Vejamos... -- Folheava o prontuário, buscando um diagnóstico, mas este estava em aberto. -- Manipulador, calculista, insensível, períodos de isolamento... Sintomas de paranoide, distante. Nunca se relacionou bem com nenhum dos seus psiquiatras anteriores. Teve a medicação trocada diversas vezes e nunca se adaptou. Tem crises onde se comporta de forma agressiva e claramente algum transtorno de humor. -- Daniel respirou fundo. -- Parece que você é mesmo um problema, Prior. Meu tipo favorito de problema. Vamos ver como posso te ajudar.

Deixou a mesa e caminhou até o lado de fora, onde um segurança esperava na porta, escoltando o mais novo paciente, que até então, estava de cabeça baixa.

-- Quer que eu fique na sala? -- O segurança perguntou, dirigindo-se ao médico.

-- Não, não precisa. -- Assim que abriu a boca, Daniel atraiu o olhar de Prior, que deu um sorriso de canto ao reconhecê-lo. Aquilo deixou o médico confuso. -- Agradeço. Prefiro ficar sozinho com ele. Podemos conversar melhor.

-- Também prefiro ficar sozinho com ele, big boss. -- Debochou pro segurança, que deu um empurrão nele e se retirou em meio às gargalhadas de Prior. -- Tem certeza que consegue ficar sozinho comigo, doutor? Ninguém tem essa coragem toda. Sou muito perigoso. Perigoso demais.

Daniel quis muito rir. Sabia que agora nenhum funcionário o olharia feio, mas precisava criar um vínculo terapêutico com seu paciente. -- Eu também sou muito, muito perigoso, Prior. Posso te dopar.

O médico pode vê-lo rir, e acabou deixando um sorriso infeliz escapar. Se arrependeu amargamente por isso.

Reparou que, assim que havia fechado a porta, o paciente fechou a cara e sentou-se completamente rígido sobre a maca.

-- Está tudo bem? -- Insistiu mais uma vez, mas não obteve resposta. Pegou o prontuário de novo. Folheou, folheou, até deparar-se com a palavra "claustrofóbico". Perguntou-se por que diabos continuavam tentando atendê-lo dentro de uma sala fechada.

Ótimo. Que porra eu faço agora, levo o paciente pra um passeio no hospital?! Desgraça!


Notas Finais


A GENTE QUE LUTE. E o Daniel também.


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