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História Part of your world - Capítulo 36


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Notas do Autor


A música tocada pela Edith no piano se chama Cupid Blindfolded, do Michael Whalen. E mais adiante, Cherry da Lana Del Rey.
Boa leitura.

Capítulo 36 - Desinibidos


Fanfic / Fanfiction Part of your world - Capítulo 36 - Desinibidos


Los Angeles, 1994


Edith


- Eu não tenho cara para isso, não tenho! Essa ideia ainda não me cheira bem. 

Saul estava visivelmente apavorado. A cena era digna de algumas risadas, mas resolvi contê-las. Como combinado, ele encararia seus velhos amigos ainda hoje. Nada melhor que começar o ano com o pé direito.

- Volto a dizer, relaxe. Isso será bom para todos, amor. Encare tudo como uma espécie de resolução de ano novo. - Mencionei calma.

Fui até meu moreno visando acalmá-lo, também aproveitei para ajeitar sua camisa um pouco amassada. Ele vestia algo bem despojado, como ultimamente. De longe parecia o roqueiro excêntrico trajado à couro de anos atrás. Dei um rápido selinho naqueles lábios carnudos e deliciosos, o que o fez sorrir logo depois.

- Dará tudo certo, prometo. Izzy ligou agora pouco dizendo que chegarão daqui a algumas horas.

Ele pareceu levemente incomodado.

- Hum. Não acha que vocês dois estão amiguinhos demais? - A voz séria e meio baixa denunciava seu ciúme.

Oh, Céus!

- Moreno, você sabe que eu só tenho olhos para você. - Passei as mãos por sua nuca, aproximando ainda mais nossos corpos. - E caso o mocinho se comportar bem, à noite teremos surpresas.

O homem pareceu tremer ligeiramente em meus braços. Como verdadeiros ímãs, nossas bocas se encontraram em um beijo doce. Ao nos afastarmos, Saul acariciou minha bochecha com o pequeno sorriso nos lábios.

- Não vejo a hora de finalmente vê-la! Conhecer seu rosto, descobrir a cor de seus olhos e cabelos. É o meu maior desejo, Edith. 

Meus olhos marejaram instantaneamente após sua fala. A cada dia, um novo progresso. Uma leve melhora. Ele aos poucos recuperava a visão. Sua ansiedade era mais que nítida, porém tudo em seu devido tempo. 

- Sejamos pacientes, meu anjo. Tenho certeza que me conhecerá mais cedo do que imagina. Mas confesso que estou curiosa, o que... exatamente?

A curiosidade parecia me matar em partes. Abri um riso envergonhado enquanto Saul suspirava divertido.

- Sei que pode parecer até um tanto assustador, mas vejo algumas sombras, ao invés dos antigos borrões desconexos. É mais ou menos como... ter noção de alturas e larguras, tanto de objetos, como de pessoas. Você é um pouco baixinha, sweet.

As teimosas lágrimas de felicidade insistiram em cair. Era um milagre, não havia outra explicação. Como tinha dificuldade em formar alguma frase plausível, optei por um abraço apertado. Seus braços me envolveram da mesma forma enquanto ele depositava um beijo no topo de minha cabeça. Eu estava em casa, desejando arduamente que isso jamais acabasse.


Naquela grandiosa sala repleta de guitarras, havia ainda um piano e dois amantes. Sentada ao instrumento, meus dedos pareciam fazer mágica nas macias teclas. Estava mais que inspirada! Dessa forma, tocava com coração e alma. 

Sentado ao meu lado e com um sorriso encantador nos lábios, Saul mantinha um olhar brilhante ao ouvir cada nota daquela belíssima composição. Enquanto os meninos não chegavam, meu moreno pediu para que eu tocasse um pouco, o que aceitei sem pestanejar. Piano era uma de minhas maiores paixões, e tudo melhorava quando ele estava ao meu lado apreciando tudo.

Parecendo sincronizada com o término da canção, Ola abriu a porta sorrindo meio sem jeito. Saul e eu rimos juntos da adorável cena.

- Queridos, eles chegaram. Filho, você quer que eu peça para que eles subam ou...

- Não, não precisa. Obrigado por avisar, mãe. 

Ola assentiu antes de sair da sala, tão ansiosa quanto nós. Saul ficou meio atordoado com a notícia, passou as mãos pelos cabelos e respirou fundo. Logo acariciei suas mãos, tentando tranquilizá-lo.

- Acho que não há mais como fugir, não é? - Ria nervoso.

A tensão ali era palpável. Um sorriso singelo surgiu em meu rosto.

- Vocês se sairão bem, acredite.

Ele relaxou um pouco após minhas palavras.

- Não quer mesmo ficar?

Um breve suspiro saiu de meus lábios. Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes ele me indagou a mesma coisa durante a manhã.

- Não, amor. É melhor que se resolvam somente entre vocês, é um assunto pendente entre a banda. 

Saul enfim assentiu rendido. Meu coração deu uma leve acelerada, havia chegado a hora. Estaria eu mais nervosa que ele? Talvez sim. Porém pouco me importava, a animação em saber que eles se reuniriam depois de tanto tempo, era maior que qualquer preocupação.


...


Slash


Dar de cara com o passado repentinamente, não foi algo que eu imaginei durante esse último ano. O Guns N' Roses foi o auge de minha carreira tanto quanto foi a derrocada. Claro que teve o agravante de minha cegueira, mas tudo ali estava mais que insustentável. Eram lembranças dolorosas e evitadas por mim durante muito tempo.

Porém o jogo virou.

Uma certa garota persistente foi abrindo meus olhos aos poucos. Tentei ser irredutível, mas tentativa falha. Mais uma vez, ela saía vitoriosa. Ah, fudido Hudson!

Por conseguinte, lá estávamos nós dois, minha mãe, três loiros e três morenos de pele clara. Sim, uma ausência era percebida por todos. Ri internamente ao constatar o que eu sempre soube. Axl Rose jamais estaria num mesmo ambiente que eu novamente. Mas admito, de certa forma, doía.

O sutil aperto em minha mão fez-me voltar à Terra. Como um verdadeiro alicerce, Edith permanecia ao meu lado. A minha vontade era de sair o mais depressa possível dali, evitar tamanha exposição, porém teria que ser forte. Unicamente por ela. 

Era sinistro perceber a presença daqueles vadios. Minha antiga família. Izzy foi o primeiro a dar as caras. Incrível como ele continuava magrelo, e para piorar, poluía toda minha sala de estar ao fumar um marlboro. Filho da puta! Ri comigo mesmo. 

- Slash! É muito bom revê-lo, porra! - Dizia ao me cumprimentar com um abraço.

Seu cheiro continuava o mesmo. Embora mais limpo, Izzy não largava a nicotina. Que inveja!

- É bom revê-lo também, chaminé. 

Ele incrivelmente sorriu. O som de sua risada ainda era estranho, já que tal ação não era de seu fetio. E para meu azar, em seguida ele a abraçou demoradamente.

- Olá, Edith. É uma enorme satisfação revê-la também. 

Um sutil beijo naquelas macias mãos pôde ser ouvido. Mas que porra era aquela?!

- Digo o mesmo, Izzy. Aliás, sejam todos muito bem-vindos.

Meus ex-colegas de banda agradeceram em alto e bom som. Era o mínimo que eles faziam. Ainda com um ar risonho, Izzy enfim afastou-se de nós. Eu sabia que ele estava apenas brincando, o albino era muito feliz ao lado de Aneka, até além da conta. Mas nem isso fez eu sentir menos ciúmes.

- Saul? 

A conhecida voz doce voz trouxe-me à realidade novamente.

- Sim, sweet?

Ela passou a mão por meus cabelos e eu fechei os olhos apreciando a carícia ao máximo.

- Preciso ir agora. Ola me fez um convite, achei muito fofo da parte dela. Deixaremos vocês o mais à vontade possível, tenho certeza que se entenderão. 

Abri um sorriso sarcástico.

- Ou não.

Ela deu uma leve risada antes de me puxar para um último beijo. Aproveitei a deixa e aprofundei minha língua em sua boca. Edith pareceu um pouco sem graça, mas logo correspondeu na mesma intensidade. Que mulher mais viciante, Deus! 

Alguns assovios e risadinhas foram ouvidas por nós, logo nos afastamos e minha garota despediu-se de mim. Agora era oficial, eu estava sozinho com aqueles putos.

Silêncio. E quando menos esperava...

- Cabeludo vagabundo!

A gangue inteira correu até mim para um abraço apertado. Sorri ainda meio atônito, porém em meio àqueles ogros, senti como se estivesse retornando a um antigo lar.

- Cara! Como você fez falta, parceiro de crime! - Duff falava rindo como um retardado.

Aquele girafo punk continuava espalhafatoso.

- Você me deu um belo susto com aquele incidente, Mckagan. Como se sente? - Minha preocupação era nítida.

- Estou bem, moita. Me recuperando aos poucos, assim como todos aqui. 

Logo percebi o significado daquelas palavras. Exceto Dizzy, todos estávamos fora. Apesar da evidente decepção por não sermos mais tão unidos, era inegável como vivíamos de uma maneira tóxica. 

- Eu que o diga, esses meses na reabilitação foram sufocantes, mas estou aqui hoje. Tendo uma nova oportunidade e revendo meu estimado amigo. - Steven pronunciou-se com aquele conhecido sorriso.

Um sorriso confortante surgiu em minhas feições. Oh, Steven! Como fizemos mal à você!

- Valeu, Stee. Obrigado por estar presente aqui hoje. 

Uma alegria insana transbordava em meu peito. Nunca pensei que tê-los ali comigo fosse tão satisfatório. 

- E vocês aí? Matt e Dizzy? Você não, Gilby. Vi suas fuças há pouco tempo. - Brinquei.

O guitarrista riu alto.

- Vai se fuder! Se não fosse por mim, você nem estaria ao lado do amor de sua vida, admita. 

Bufei alto após aquilo. Infeliz!

- Olha só, o poderoso Slash necessitando de ajuda para realizações amorosas. Bom saber! - O outro guitarrista falava desdenhoso.

Era incrível como às vezes Izzy conseguia ser irritante. Para piorar, algumas risadas baixas.

- Certo, respondendo sua pergunta, eu vou ótimo, Slash. Por enquanto, naquele marasmo de sempre. Mas alguns bons projetos surgem uma vez ou outra. - Matt dizia tranquilo.

- Já eu, como todos bem sabem, resolvi continuar. O Axl me deu uma ótima oportunidade no passado, serei eternamente grato à ele por causa disso. - Dizzy enfim disse algo. - E eu garanto, Rose sente sim sua falta.

Milhares de lembranças surgiram em minha mente. Apesar de todas as divergências, aquele ruivo psicótico significava muito para mim. 

- Obrigado pela fofoca, Dizzy - Soltei a risada presa em minha garganta.

Após os devidos cumprimentos, eles se acomodaram pelos sofás. Sentei-me em uma poltrona já me preparando psicologicamente para os vários questionamentos. Sim, eles conseguiam ser vadios mexeriqueiros quando queriam.

- Senhor Hudson?

- Sim, Rose?

E mais risadas. Mas dessa vez entendia muito bem o porquê delas.

- Coincidência você contratar uma empregada com esse nome, não? - Duff deu o ar da graça outra vez.

Ergui as mãos rendido ao rir da infame piada.

- Não tenho nada com isso, meu caro. Ola a contratou durante minha época sombria. E sim, Rose. Pode trazer algumas bebidas, sem álcool, obviamente.

Percebi os conhecidos passos apressados irem até à cozinha. Como eu imaginei, perguntas e mais perguntas.

- Mas como assim época sombria? - Matt me indagou.

Após a indagação, ajeitei-me melhor na poltrona ao dar um longo suspiro. Eles mereciam uma explicação. 

- Vocês sabem que depois que eu fiquei cego, resolvi me afastar de tudo e todos, foi... devastador. Estive perdido por muito tempo. Mas aí ela surgiu. - Coloquei meu melhor sorriso. - Depois de muito negar, eu finalmente admiti que a amava mais que a mim mesmo. Eu sei, parece insano, mas... meu peito queima ao estar com ela. Eu reaprendi a viver, a ser feliz. Aprendi a amar, eu realmente não sabia o que era isso antes de conhecê-la.

Uma felicidade me consumiu por completo ao admitir aquilo para... meus amigos. Gilby já estava ciente de tudo, mas os outros não. Devia estar sendo um tremendo choque para eles, o que era compreensível. Eu era outra pessoa, não tinha mais como esconder.

- Uau! E ainda me chamavam de meloso. - Steven ria.

- Palmas para o cabeludo mais clichê do Hard Rock! Porém, também quero fazer uma revelação. - Como sempre, Duff.

Ele veio em minha direção e tocou nossos copos. O que aquele punk estava aprontando?

- Saul é o dono da casa, mas eu quero brindar com todos a notícia de minha vida! - Ele respirou fundo antes de berrar. - Eu serei pai, seus vadios! Pai! 

Puta merda! Duff mal cuidava de si mesmo. Dei uma risadinha com o pensamento. Mas presenciá-lo ainda mais animado que de costume, não tinha preço. 

- É muito o que digerir! Slash apaixonado, Duff papai, estou perplexo com nossa mudança. - Izzy mencionou aos risos.

Abracei o loiro alto e sorridente.

- Boa sorte à você e Susan. Irão precisar! Qual a sensação, hein? Digo, casar, ter filhos...

- Não é tão assustador quanto parece, Slash. Mas por que a pergunta? Planeja algo assim? - A desconfiança exalava de sua voz.

Sorri um pouco sem graça, sem saber o que dizer. Eu planejava? 

- Não, Duff, eu não planejo. Quer dizer, não ainda. Sei que estou à beira dos trinta anos, mas a Edith é muito jovem, está mais preocupada com os estudos. Não quero pressioná-la a nada. Estamos curtindo esse momento.

Aquele assunto era um tanto desconfortável ainda. Eu amava a minha garota, mas estaria pronto para esse passo?

- Não a machuque novamente, Slash. Não repita o mesmo erro das outras vezes.

Izzy soava um pouco mais distante de nós. O que era para parecer um conselho, transformou-se em uma leve provocação.

- Sei que já errei muito, Stradlin. Mas de verdade, qual o propósito dessa sua fala? - Questionei um tanto incomodado.

O leve movimento de apagar o cigarro no cinzeiro foi percebido por mim. Ele parecia muito mais quieto e pensativo que o normal.

- Não precisa sentir ciúmes, Hudson. A Aneka é tudo para mim, a Edith já é uma grande amiga e eu o respeito muito. Só... não senti tanta firmeza em suas palavras.

Como era?

Acalme-se, Hudson! É apenas Izzy sendo Izzy.

- Repetindo, a Edith é tudo para mim. Nenhuma outra mulher me fez tão feliz ou fará como ela me faz, Jeffrey. Já sofremos muito para estarmos juntos e eu jamais estragaria isso. Jamais.

Meu coração batia acelerado em meu peito e eu não entendia por que. Albino maldito!

- Vamos mudar de assunto? Hoje é um dia feliz, não? - Popcorn tentava tenso.

Izzy deu uma pequena risada, claramente tentando dissipar o mal estar que ele mesmo causou. Sorri meio forçado e ergui o olhar para o loiro de olhos azuis.

- Você está certo, Stee. Hoje é um dia mais que especial. Estamos todos aqui, quer dizer... quase todos. E eu ainda tenho algumas coisas a serem ditas.

Um leve tremor atingiu minhas mãos, resolvi segurá-las uma sob a outra e enfim dizer o que há muito tempo deveria ter dito.

- Perdão. Perdão por ter sido um egoísta infeliz durante esses longos meses. Eu estive preso em minha própria dor durante muito tempo, sequer me importei com os que estavam à minha volta.

Consegui respirar um pouco mais tranquilo após soltar as palavras que tanto me consumiram, implorando para que fossem proferidas. Respirei fundo mais uma vez.

- Ela teve grande papel nisso, não serei hipócrita. Mas é tudo sincero, garanto. - Finalizei aos risos. - E mais uma coisa, mas que fique apenas entre nós. Aos poucos estou recuperando a visão. Acho que ainda tocarei muito com vocês por aí.

Os vadios vibraram de emoção assim como eu. Eu estava verdadeiramente completo! Passamos todo o restante do dia conversando asneiras. Fui precipitado ao achar que nada de bom sairia desse reencontro. Até o estranho e repentino desentendimento com Izzy, pareceu se dissipar. Erámos amigos de longa data e uma única opinião não mudaria isso. Era o que eu desejava.


...


Edith


Para deixar Saul mais à vontade com os meninos, Ola fez o convite para passarmos o restante do dia em uma casa afastada do centro de Los Angeles. Era a primeira vez que eu pisava nessa parte da cidade, minha animação por conhecer novos lugares fazia-se presente.

Enquanto Ola cozinhava, eu tentava ajudar no que podia. Não era tão eficiente nessa parte da casa, mas estava me divertindo tanto com ela ali! Minha querida sogra sempre encontrava um jeito de mencionar o filho de alguma forma. Oh, como amávamos aquele moreno! Depois do almoço fomos descansar um pouco na florida varanda.

- Tudo aqui tem a sua cara, Ola. Belo e confortável.

Ela deu um breve sorriso ao me encarar.

- Obrigada, Edith. Eu e Anthony compramos essa casa um pouco antes dele vir a falecer. Ainda morávamos em Londres, então tivemos que gastar um pouco para mantê-la. Esse jardim foi uma homenagem à ele. Sempre dizia a mim mesma que me casaria com um amante das flores.

- Como se conheceram? - Ah, sempre tão curiosa!

- Eu estava terminando a faculdade, ele era um artista plástico, trabalhou muito na confecção de artes para discos. Foi amor à primeira vista! - Dizia nostálgica. - Mas os anos sessenta ainda eram difíceis, então tivemos que adiar alguns planos.

A expressão no rosto da altiva mulher, refletia toda sua tristeza. A segregação racial foi um terrível capítulo da História. De alguma forma, eu conseguia sentir sua dor. Segurei sua mão tentando reconfortá-la.

- Ser uma mulher naquela época já era difícil, imagina uma mulher de cor. É claro que a família Hudson não aceitou nosso romance, sempre namoramos escondidos até nos casarmos. Saul nasceu alguns meses depois, em 1965.

Mais um inevitável sorriso de ambas as partes.

- Londres estava em festa, haviam os Stones, os Beatles e o Led Zeppelin nascia. Mas aquela cidade não era para nós, a Terra da Rainha conseguia ser ainda mais racista e sexista do que a América. Na verdade, uma mulher negra e insubordinada não é algo bem visto em muitos lugares. - Dizia meio desdenhosa. - Então decidimos vir para cá, Saul estava tão feliz! Meu menino sempre foi um amante de Blues, queria muito conhecer a terra natal de seu gênero musical favorito.

- Eu consigo imaginar, Ola. Devia ser algo tão fofo! - Minhas bochechas já eram quentes. Maldita pele clara!

A mulher riu ao concordar.

- Era sim, Edith. Meu filho sempre teve sensibilidade para a música, principalmente a guitarra. Aos nove anos, ele já demonstrava certo interesse no instrumento. Ele passou a ter aulas, até Anthony o ajudava às vezes. Foi aí que aconteceu.

Fechei os olhos ao perceber o que viria a seguir. 

- Ele tardou para descobrir um câncer raro na época, veio a falecer em poucos dias. - Lágrimas já eram visíveis nos olhos da mulher, senti meu coração se apertar. - Saul ficou desolado. Isso o machuca até hoje, Edith. Ele viu uma forma de descontar toda essa dor... na música. Os riffs e solos carregados eram muito mais que rebeldia. 

Agora eu parecia entender mais sobre o assunto. Saul nunca fez questão de deixar tal faceta tão visível.

- É claro que não é minha intenção inocentá-lo de todos os vários erros cometidos, mas... foi um desafio para nós dois. Tentei durante muito tempo achar um novo alguém, mas acabei desistindo, Anthony sempre foi o meu único amor. - Ela riu sem humor. - Além disso, Saul não deixava. Todo homem que se aproximava, ele fazia um inferno para separá-lo de mim. Foi a mesma coisa com o Bowie. Ah, as difamações pela mídia nunca sairão de minha mente! Melhor, o suposto jeito que ele me ouvia gemer.

É, não dava para negar o quanto ele já foi cretino. Foi a vez de Ola segurar minhas mãos, logo um sorriso ressurgiu em minhas feições.

- Isso é passado, Edith. As pessoas mudam. Saul se reencontrou e você tem sua devida parte nisso. Ele a ama tanto!

Assenti fracamente ao avistar a graciosa paisagem, fingia-me de durona. Mas por pouco tempo, meu disfarce foi por água abaixo ao perceber Ola fazer uma careta divertida.

- Ah, minha querida! Obrigada por fazer parte de nossas vidas. Você não tem ideia do bem que nos faz todos os dias! 

Coloquei a cabeça em seu ombro e aspirei seu aroma cítrico. Ola era como uma segunda mãe para mim, torcia para que eu fosse um dia pelo menos metade do que ela era. Ela tinha muito em comum com a minha mãe, ambas sofreram muito por amor, ao mesmo tempo em que tiveram que cuidar de seus adorados filhos. Nunca pensei que a famosa Ola Hudson mostraria tal faceta à mim. Eu definitivamente adorava todas as mulheres à minha volta.


Já era tarde da noite quando enfim chegamos em casa. Durante esses dias, eu estava dormindo na casa dos Hudson, logo fui correndo para um demorado banho em um quarto diferente. Não queria que ele percebesse que eu já havia chegado, seria uma surpresa.

Após sair do chuveiro, passei meu melhor hidratante corporal, que por coincidência era o favorito de Saul. Vesti uma camisa branca de meu moreno, que chegava até metade de minhas coxas, soltei os cabelos e passei um batom vermelho. Estava pronta. Coragem, Edith! Enlouqueça-o!

Ligeiramente trêmula, andei a pequenos passos até seu quarto. Meu moreno dormia plenamente trajando somente uma calça preta de moletom. Como era perfeito! Já que se encontrava de bruços, acariciei aquelas grandes e fortes costas. Não mais resistindo, dei alguns beijos suaves marcando toda a região com o meu batom. Sua abafada risada soava entre os travesseiros, logo ele virou-se para mim com um olhar malicioso.

- Mas que fogo é esse, hein?

Dei um pequeno sorriso antes de beijar seus lábios. Minha temperatura alta mesclada com a sua devido às horas de sono, fazia aquele quarto esquentar em meio ao ar fresco da cidade.

- É o fogo de uma garota que ama um certo moreno gostoso britânico-americano, que tal? - Ele sorriu em meio aos nossos maliciosos beijos. - Lembra quando eu disse que ainda brincaríamos hoje?

Amor

Eu disse, amor verdadeiro 

Ele assentiu meio desesperado, uma leve risada saiu de meus lábios ainda grudados aos seus. Saul posicionou-se sentado e eu em suas pernas. O tesão me consumia por inteiro, eu só queria senti-lo, rápido e forte.

É como não sentir medo

Quando você está de frente para o perigo

Porque você simplesmente quer muito aquilo 

Incrivelmente, joguei aquele corpo másculo sobre a cama. Ele sorriu meio surpreso, certeza que não esperava por aquilo. Hoje você conhecerá uma outra Edith, Mr Hudson. Passei as mãos por todo seu abdômen, fazendo-o soltar alguns suspiros. 

Um toque

De seu amor verdadeiro

As curiosas mãos enfim chegaram ao cós de sua calça, abaixando-a levemente. Meu corpo tremia de expectativa tanto quanto o dele. Seu membro era desperto quando iniciei um leve movimento da base à glande. Os olhos chocolate reviraram em meio à baixa luz do quarto.

É como o paraíso tomando lugar de algo maligno

E o deixando queimar em fúria

Os movimentos de minha boca em seu membro, eram deliciosamente obscenos. Saul gemia rouco ao segurar meus cabelos com certa força, mas isso era o de menos quando eu sentia seu gosto. Em meio a tudo isso, sentia-me encharcar. Era o fim daquela pobre calcinha, certeza. E percebendo meus anseios, meu moreno colocou-se sobre mim. Sorri ansiosa quando ele rasgou minha calcinha sem dó. Se necessário, seu sobrenome era selvageria. Um gemido alto escapou de minha garganta ao senti-lo sugar minha intimidade.

Querido, querido, querido 

Eu me despedaço quando estou com você 

Eu me despedaço

Sua língua voraz habilmente alcançava meu ponto, o que me levava ao mais excitante delírio. Coloquei minhas mãos em seus cabelos cheios, ditando aquele delicioso movimento. Seus olhos brilhavam e por um breve momento, questionei-me se ele tinha uma visão mais completa das condições em que me deixava.

Minhas cerejas e vinho 

Alecrim e tomilho 

E todos os meus pêssegos (estão arruinados)

Ao afastar-se de minha região íntima fervente,  meu anjo mau grudou nossos lábios mais uma vez. Ainda com a respiração entrecortada, consegui ficar sobre seu corpo mais uma vez. Saul sorriu pleno ao sentir minha intimidade roçar a sua já mais que desperta. Joguei a cabeça para trás aproveitando todo o prazer proporcionado por aquela intensa fricção.

Amor

Eu disse, amor verdadeiro 

É como sorrir quando o pelotão de fuzilamento está diante de você 

E você simplesmente continua parado

O suor já banhava todo o meu corpo. Tirei a maldita camisa e apreciei a visão de nossos sexos completamente desnudos. Eu estava mais que ansiosa para senti-lo fundo. Ainda um pouco sem jeito, coloquei-me sobre seu membro. Um leve desconforto fez-se presente em minha entrada e Saul jogou sua cabeça para trás ao apertar minha cintura. A visão de seu rosto suado e coberto pelos seus cachos, ao gemer insano, era o que faltava para eu esquecer da dor e começar a me movimentar. 

Meu jardim de rosas dos sonhos

Incendiado por demônios 

E todas as minhas praias negras (estão arruinadas)

Meus movimentos eram rápidos e precisos, assim como eu ansiava. Nossos gemidos eram altos, o jeito que ele me preenchia era insano. Para restaurar a respiração, pausei um pouco. Meu moreno abriu mais um daqueles belos sorrisos, derreti instantaneamente. Para minha surpresa, Saul colocou-se sobre mim novamente, porém em uma nova posição. Puxei o ar um pouco nervosa. Calma, Edith. Eu estava de quatro para ele. Sorri envergonhada ao enfim me dar conta da situação.

- Quer tentar algo diferente?

Sua voz era tentadora. Eu queria? Ele logo afastou meus cabelos à procura de minha nuca. Senti seus lábios quentes e molhados por toda região, era o que faltava para eu então ceder.

- Sim, moreno. Eu quero muito!

Avistei um singelo sorriso em seu rosto. Era evidente como queríamos sentir um ao outro sem nenhum pudor. Ele enfim segurou minha cintura firmemente, um leve nervosismo percorreu meu corpo ao sentir seu membro em minha entrada. Num rápido movimento seu sexo me invadiu novamente. Rápido e duro. Aos poucos, eu era levada aos céus e também ao inferno.

Meus filmes em celuloide 

Estão rasgados nas costuras 

E eu me despedaço

Eu me despedaço quando estou com você

(Por quê?)

Eu já podia sentir meu orgasmo bem perto, parecia esquecer tudo à minha volta. Mas não era preciso perceber nada ali, não quando meu amado me levava ao delírio com firmes estocadas. Fui tirada de meu momento insensato por suas mãos me colocando sob seu corpo. Minha tentativa de comandar as coisas por hoje foi por água abaixo. Mas de que importava? De que importava quando meu homem sorria lindamente para mim? 

- Queria pedir outra coisa. - Sua voz era falha devido ao esforço de segundos atrás.

Retribuí seu sorriso com um delicado beijo em seus lábios.

- Diga, meu anjo.

Ele levou minhas mãos até a altura de minha cabeça, apertando-as delicadamente. Sorri emocionada com a ação. Estávamos mais que unidos.

- Promete que olhará no fundo de meus olhos a todo instante e sentirá todo o meu amor por você? 

Algumas lágrimas caíram de meus olhos. Meu amado não precisava perguntar duas vezes, já tinha em mente o que diria à ele. Oh, meu anjo!

- Sim, Saul. Eu prometo.

Ele abriu um sorriso antes de depositar um beijo delicado em minha boca. Ao atentar-me para seu olhar, pude perceber o mais puro sentimento nele. Saul reiniciou seus movimentos com os quadris, gemi insandecida ao também mexer os meus, queria o máximo daquela sensação. Nossos olhares se cruzavam, aproveitando tudo o que estava à nossa volta naquele momento. Sem dúvida alguma, um dos momentos mais belos de toda minha vida. Logo, sorri maliciosa ao aproximar ainda mais nossas intimidades. Chegávamos juntos aos nossos orgasmos, nosso doce paraíso.

Porque eu te amo tanto!

Eu me despedaço

Minhas cerejas e vinho

Alecrim e tomilho 

E todos os meus pêssegos (estão arruinados).




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