História Parte de Mim - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Mascára da Morte de Câncer
Visualizações 52
Palavras 1.208
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu fiquei uns três dias lendo e relendo, escrevendo, apagando, mudando, reescrevendo e berrando de raiva.
Eu não tava conseguindo ficar satisfeita com o capítulo, mas agora acho que está bom.
Por hora, vou postar logo, se não vou ficar mais um mês com esse negócio.

Capítulo 5 - A Verdade?...


Fanfic / Fanfiction Parte de Mim - Capítulo 5 - A Verdade?...

Por conta da carreira eu já viajei muitas vezes para a Itália, seja por trabalho ou simples férias merecidas.

Mas de todas as minhas viagens essa certamente vai ser a mais inesquecível por algumas razões.

Primeiro. Conheci a família do Mask.

A Nonna é um amor, uma velhinha safada e agoniada pra ver bisnetos correndo pela casa, mas é um amor. A irmã e a mãe dele são duas fofas. O tio é uma figura ímpar e com piadas ótimas. A tia é a mãe que todo mundo quer ter. Os primos são diabretes divertidíssimos. E o irmão é a diva mais maravilhosa que conheço!

Eu não venho mais para a Itália sem que eu tenha certeza de vou passar na casa deles!

Segundo. Conheci a família da Helena.

Nossa! Como eu quero matar aquela vaca!

Mas que mulher infeliz do diabo! Ainda bem que a gente se ligou que tinha algo errado, não quero nem imaginar o que ela faria com a menina na hora que a gente desse as costas!

Nossa! Melhor parar de pensar! Eu vou fazer merda nesse ritmo!

Terceiro. Essa viagem foi uma montanha russa de emoções.

Ainda mais pro Mask!

“Mask… Trouxe café”.

Ele me sorriu com um carinho raramente visto e é nessas horas que eu sei que ele precisa de alguém por perto, quando o sorriso dele afrouxa.

“Como você sempre sabe o que eu preciso?”

Pegou a caneca aquecida de minha mão e ficou segurando a fim de esperar que esfriasse um pouco. Ele estava há horas deitado no meio da plantação de uvas admirando o céu.

“Coisa de alma gêmea”.

“Ah, para com com essas viadagem”.

Solto um riso e por perceber tranquilidade em sua postura me permito sentar ao seu lado.

“O que tanto olha o céu? Está esperando um OVNI?”

Pergunto curioso em tom de brincadeira. Ele tinha se afastado um pouco e estou preocupado.

Vamos para o aeroporto amanhã depois do almoço e ele anda estranho, é como se parte dele quisesse ir logo e outra parte quisesse ficar. Ele está evitando o contato humano e anda muito pensativo, às vezes cruza com Helena e toma a liberdade de beijar a testa da moça.

Ele está estranho. Muito estranho e distante.

“Você não vê diferença, Afrodite?”

“Pra mim é o mesmo céu de casa”.

“Olhe melhor”.

Volto a olhar para cima, para mim não tem nada de diferente. Mas agora que ele falou…

Parece mais azul, as estrelas mais firmes em seu brilho e as constelações parecem ter caminhado no céu, não muito mais que alguns passos, mas caminharam. Além de ver estrelas que não lembrava ver, de repente a Via Láctea parecia mais visível.

“É lindo…”

“É uma das poucas coisas que sinto falta de casa…”

O mirei preocupado, seu tom foi choroso.

Imediatamente me aproximo mais, ele está fungando de cabeça baixa. Não me arrisco a tocá-lo, mas sinto que ele precisa daquela proximidade.

“Quer desabafar?... Me ouviu tantas vezes, Mask… Não quer que eu te ouça ao menos uma?... Por que não diz a verdade?...”

“A verdade?... Bom, Mário teve um namorado que abusou de mim”.

CRASH!!!

Foi esse o som que ouvi na minha mente.

A declaração me chocou.

Foi dita com tanta firmeza e simplicidade que assustava. Era como um “bom dia”, mas estava longe de ser um.

Ele soltou a caneca e segurou minha mão.

“Fazem anos, já morreu na prisão… Eu guardei para mim, estava com medo. Então ele também machucou o Mário… E na hora que eu vi meu irmão com o rosto todo deformado na cama hospitalar um ódio anormal nasceu dentro de mim, todos viraram monstros…”

Limpou o rosto com a mão livre e continuou, meu estado de choque continua o mesmo.

“Meu professor me estendeu a mão… Eu não atuava porque gostava, era pra expressar o que eu não podia sentir e com isso ele percebeu o que ninguém mais percebeu… Ele ajudou Mário, me ajudou e fudeu com a vida daquele miserável de merda…”

Ele limpou o rosto de novo e me sorriu, limpando uma lágrima que eu nem sabia estar escorrendo por meu rosto.

“Faz tempo, calma…”

As lágrimas continuam caindo e ele continua limpando.

“Eu fui embora de casa por não conseguir conviver com a memória, olhar Mário me lembrava de todo esse horror… Fugi pra bem longe… Bem longe da dor… Mas ela ainda estava lá”.

Agora faz sentido…

“A Grécia me pareceu um bom lugar… O tratamento parecia bom e eficiente… E eu ainda tinha aprendido grego na escola por querer fazer um trabalho de filosofia impecável…”

Quer dizer… O ódio dele…

O irmão dele...

O cuidado da família na hora de brincar com ele...

“E com os anos… Lembra que todos viraram monstros?... Então… Os homens, especialmente os 'afeminados’ como ele, viraram os únicos monstros… E desses monstros eu aprendi a me defender com o ódio, ignorância, grosseria, rispidez… Com os anos eles deixaram de me assustar, mas eu ainda me protegia…”

O comportamento distante dele para com tudo e todos…

O comportamento dele depois de nos conhecermos...

“Aí eu te conheci… Um estranho monstro, parecia ferido… Um monstro que não parecia ser um monstro, e que de fato não era… Era uma criança que cortou o joelho, igual à mim… Que precisava de ajuda pra levantar... Foi então que percebi que fica muito mais  fácil levantar quando tem alguém pra te puxar”.

A mudança gradual e a distância que permanece…

O carinho receoso e espaçado…

Essa nossa relação distante, mas próxima…

O estado emocional em que ele mergulhou de cabeça desde a chegada da Helena…

Essa inconstância de sentimentos, como se o chão sumisse e aparecesse de uma hora para outra…

O sentimento de proteção exagerado para comigo e Helena, ambos abusados de alguma forma pela vida e pessoas…

“Apesar de tudo, você insistiu e me mostrou que nem todos são monstros, é necessário um tipo especialmente raro para fazer o que fez pra mim… Você nunca foi um monstro, provavelmente é o anjo mais resplandecente que conheço… Em suma, você é a melhor coisa que me ocorreu, Afrodite”.

Ele soltou meu rosto e tomou um largo gole do café.

Somos duas pessoas em cacos que decidiram reconstruir um ao outro, ao invés de ficarem tentando se reconstruir sozinhos.

Ele viu em mim uma fraqueza reconhecível, que precisava de proteção, como ele precisava.

“Obrigado”.

Soltei um soluço preso na garganta e ergui os braços para secar as lágrimas dele.

“Por que não disse antes?!”

“Eu não via necessidade, era um problema meu. Só estaria lhe dando uma  dor de cabeça extra, então… Não precisava contar…”

“É claro que precisava!”

O puxei para um abraço e o senti corresponder com um riso triste.

“Hey… Quem tá todo emocional aqui sou eu…”

Tantas coisas que me arrependo.

Algumas de ter feito e outras de ter deixado de fazer.

Se eu soubesse…

Mas o que eu faria se soubesse? Não tinha como saber! E mesmo que eu soubesse, o que mudaria? Afinal mudaria algo?

Pouquíssima gente o desvenda, pois ele mostra apenas o que quer. Não por maldade, mas por proteção. Eu nunca consegui desvendá-lo e talvez nunca consiga, ele quem sempre escolhia o que mostrar e quando mostrar.

E agora ele me mostrou isso...

Não sou Santo para fazer milagre, nem Anjo para dar proteção.

Não sou o Diabo para condenar, muito menos Deus para perdoar.

Não decido a vida, não decido como ela deve ser e nem o que vai acontecer no decorrer dela, mas faço o que bem entendo da minha vida.

E tudo o que quero pra minha vida é poder retribuir o que ele faz por mim.

É poder cuidar dele como ele cuida de mim.


Notas Finais


Um assunto complicado, espero conseguir lidar bem com esse desdobramento (medo que me aflinge desde a primeira temporada). Apesar dele ser mais uma explicação para o jeitão do Mask, ainda é um assunto complicado que pode voltar a ser referenciado no futuro.
Enfim...
Espero que tenham gostado :3

P.S. Shura e sua agendinha vão voltar <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...