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História Passion Play - Capítulo 57


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Notas do Autor


E eis aqui outra pérola kkk
Eu sempre digo que vou responder as mensagens depois, no mais tardar, pela manhã de domingo, mas domingo, meu único dia de folga, eu acabo lavando roupa desde sete da manhã, daí fico escrevendo os remakes das outras histórias, jogo Stardew Valley e durmo feito uma porca preguiçosa até onze da noite, quando acordo tarde demais pra qualquer qualquer coisa antes de ter de voltar pra rotina de assalariada, cansada e desiludida com muito trabalho e pouco salário (caramba, isso foi muito específico)... Enfim, eu vou, com certeza absoluta, responder esses comentários enquanto lavo as toneladas de roupas que surgem do além pra serem lavadas no domingo, por isso me desculpem por toda a enRolação
Hoje o capítulo sai mais cedo, SIM, por que tive tempinho no trampo pra revisar e consegui terminar a revisão mais cedo (nove da noite, cedo kkk ai eu sou uma peça kkk)
Espero sinceramente que gostem, já que teremos aqui o começo do lado boiola da fic, onde tudo fica boiolando, todos boiolam de forma bem emboiolada kakaka amo que amo, vai daqui até o final, pro povo até enjoar, aproveitem :3

Capítulo 57 - Capítulo 55


Fanfic / Fanfiction Passion Play - Capítulo 57 - Capítulo 55

Abraços São Muito, Muito Bons

 

Ás vezes eu me esqueço que tipo de pessoa Soul é.

Ele é o tipo que tem guiado uma moto por aí á anos sem sequer ter habilitação, é o tipo que lecionava em uma escola sem sequer ter formação para isso e é o tipo que vai herdar um conglomerado financeiro sem nunca ter lidado com questões empresariais e financeiras antes, então meio que isso faz dele o tipo que não segue algum tipo de padrão do que é comum. Se tem uma etapa com passos á seguir, ele vai pular metade deles, inverter e seguir no rumo que quer, então, é óbvio que ele teria a porcaria de um carro no estacionamento do prédio o esperando, e é mais óbvio ainda que ele sabe dirigir essa porcaria.

Quando ele parou em outro sinal, aproveitou para ajeitar os óculos enquanto olhava pelo retrovisor. Segui seu olhar e vi Mike no banco de trás, dormindo ao ponto de babar.

- Desde quando tem habilitação? Não, desde quando sabe dirigir um carro? Não, desde quando tem um carro? Soul... – resolvi quebrar o silêncio e vi ele segurar o riso.

- Acabou de quebrar um récord por se conter por tanto tempo. – disse, olhando pro relógio no pulso. – Vinte e dois minutos, que milagre. – brincou, me olhando. – Wes me deu esse carro quando fiz dezoito anos, sei dirigir desde os quinze, ele que me ensinou, aliás e ele me obrigou á tirar habilitação pra carro e pra moto quando me deu o carro. – explicava e franzi o cenho.

- Está dirigindo á meses com habilitação e me fazendo acreditar que é um infrator da lei? – questionei e ele confirmou, com um sorriso nos lábios. – E por que diabos Wes-nii te ensinou á dirigir quando nem tinha idade pra isso? Isso é até contra a lei.

- Vai por mim, ensinar um menor de idade a dirigir é o menor dos delitos que o Wes cometeu nos últimos dez anos. – Soul disse, voltando á guiar o carro e ouvir isso me causou até calafrios. Não parece estar brincando...

- Como assim?

- É uma longa história...

- Tem á ver com aquela ligação que você fez de madrugada? – ele confirmou com um maneio de cabeça, antes de olhar para o sistema multimídia e vi o nome de Wes-nii no painel. Não o nome de Wes-nii, já que estava escrito “Carniceiro” e só tem uma pessoa que recebe esses apelidinho carinhosos de Soul.

[Maninho!] e a voz de Wes soou alegre. É só falar no diabo... [Vejo que está usando seu presente...]

- É claro que tem a porra de um rastreador nessa porcaria de carro... – Soul resmungou, antes de suspirar. – O que é que você quer, Wes?

[Ah, nada demais. Eu estava praticando um pouco quando recebi a notificação de que enfim resolveu tirar seu carrinho da garagem, fiquei tão feliz que resolvi ligar e...] ele não terminou de falar por que Soul encerrou a ligação.

- Que cara irritante...  – resmungou outra vez e segurei o riso.

- Por que detesta tanto ele? – resolvi perguntar e ele pensou por um momento.

- Uma outra longa história. Te conto depois.

- Você tem sempre um monte de longas histórias.

- E você tem sempre uma infinidade de perguntas. – retorquiu e bufei.

- Então não perguntou mais.

- Não tem problema perguntar. – ele riu baixo, antes de ver que recebia outra ligação, com o mesmo nome de antes de bufar, atendendo. – Você não cansa de me importunar não, Wes?

[Faz tanto tempo que não fala meu nome que começava á me esquecer que tenho um.] ele riu. [Mas dessa vez é sério, não vou te importunar. Sobre o acordo que fez com o vovô Zeus...]

- Qual deles?

[Sobre os Evans e a distância que quer que de todos eles.] Soul murmurou um “ah!” semicerrando um pouco os olhos.

- O que é que tem?

[Bom, papai quer se encontrar com você pra conversar. Você sabe que eu... Não gosto que tenha esse tipo de relação com nossos pais, Soul... Eles são seus pais, se preocupam por você e agora não quer nem receber uma ligação deles...]

- Ele não disse o que quer? - Soul nem se incomodou em responder o que Wes-nii dizia.

[Não... Apenas quer se encontrar com você antes que vá morar na casa do vovô...] Wes-nii murmurou, antes de respirar. [Escute, ele não quer mais do que uma hora, não custa nada pelo menos ouvir o que ele quer te dizer?]

- Custa sim, uma hora inteirinha que eu poderia fazer alguma coisa mais interessante. – Soul disse, antes de ficar em silêncio por um instante. – Vou pensar nisso. Mais alguma coisa?

[Não, eu...]

- Então tchau. – e desligou outra vez, antes de desligar o bluetooth pra impedir novas chamadas. Ótimo, agora Soul está visivelmente aborrecido. Acho melhor não perguntar sobre isso...

- Hm... Queria perguntar uma coisa, mas acho... – comecei um  pouco hesitante e ele segurou o riso, me olhando divertido.

- Me diz quando você não quer que perguntar alguma coisa? – questionou, antes de voltar á olhar pra frente. – Manda ver. Se eu não quiser responder, não vou responder, não tem mal perguntar até por que, sei que nada vai te impedir de perguntar.

- B-bem... Não tem nada á ver com o que acabei de ouvir, acho que é melhor não me meter nos seus assuntos de família, parece errado ficar dando palpite...

- E que palpite daria? - me interrompeu e engoli em seco, tentando organizar meus pensamentos. Realmente não sei muito sobre a situação familiar dele além do que ele me conta, e parece complicado demais pra ficar me intrometendo...

- ... Bem, eu não sei toda a situação... Mas é óbvio que se recente com seus pais e não quer falar com eles, mas... Não custa muita coisa ouvi-los...

- Não quero falar com eles, Maka. Não agora, principalmente porque eles não me ouvem. - bom, de qualquer jeito, não dá pra obrigá-lo. - Não querem saber o que eu quero, acham que eu sou completamente incapaz de tomar uma decisão sozinho só porque tenho dor psicológica e desequilíbrio emocional. Por que acha que resolveram de repente me arrastar pra França, me deixar sob os cuidados do meu avô, me obrigaram á ser o herdeiro do velhote e até inventaram aquela besteira de casamento arranjado? Acham que com as minhas doenças, não conseguiria nem achar uma esposa, por isso estão decidindo tudo agora pro caso de morrerem ou algo assim, eu não ficar doente e “desamparado” como eles acham que vai ser. Bom, não é como se eu tivesse me tornado um inválido, incapaz de fazer qualquer coisa, mas eles não me ouvem, não querem saber e não importa quantas vezes eu diga, eles continuam fazendo planos e me incomodando... Não quero ouvir eles.

- ... Parece que só querem garantir que não tenha um futuro incerto... E tenha algum tipo de amparo...

- Depois de esquecerem que eu existo por anos, é meio esquisito resolverem lembrar que tem outro filho, não acha? – questionou e, bem... É sim. Bem estranho. – O que só me leva á acreditar que eles querem alguma coisa de mim.

- ... Só vai saber se falar com eles, mas... Como eu disse, não tenho todos os fatos pra sair julgando a situação familiar alheia. Fiz isso antes e quebrei a cara. Podia jurar que era pobre, sua mãe, uma drogada que nem sabia quem era seu pai.

- Fala sério... – ele riu e segurei o riso, tentando me manter séria.

- Eu estou falando sério. Eu não tinha ideia de que era rico, seus pais músicos e tudo o mais...

- E mais uma vez eu digo: se jogasse no Google quem os Evans são...

- Vou pesquisar isso aí um dia.

- Pra alguém tão curiosa, você é muito alienada... – murmurou e voltei á olhar pra frente. Não posso ficar encarando o rosto dele, se não vou acabar ficando vermelha. Satanás está bem ali, muito sexy e muito adulto guiando o carro, e a carne é fraca (no caso, eu, é claro) e impulsiva, vou acabar causando um acidente por ser doida. – E quanto á sua pergunta?

- Pergunta?- voltei á encará-lo, confusa. Admito, não consigo parar de encarar. É tão injusto ser bonito assim e ser só meu, sinto que estou monopolizando algum patrimônio nacional. Me sinto culpada? Claro que não, as outras que se fodam, Soul Evans é meu patrimônio nacional pessoal kekeke...

- Sim. Você disse que tinha uma pra evitar de ficar dando palpite. O palpite você já deu, mas e a pergunta?

- HmM... Você está muito paciente com as minhas perguntas, antes ficava sempre aborrecido... Isso é muito suspeito... - murmurei e ele sorriu.

- Eu estava sempre com dores de cabeça e sua tagarelice não ajudava...

- E não está agora?

- Tomei meus remédios no apartamento, não sinto dor nenhuma, distúrbios sob controle e não estou chapado de calmantes e analgésicos, então não se preocupe. Vou ter de falar com aquela trupe de acéfalos que se me raptarem de novo e me impedirem de tomar meus remédios, vou cortar de vez qualquer tipo de relação com esses imbecis... - dizia, num tom sério, antes de me olhar divertido. - E você pode tagarelar á vontade, como de costume.

- Quem está tagarelando é você. – acusei e ele riu, concordando. – Mas minha pergunta é mais... – descarada... – Err... Já namorou antes?

- Não.

- Mentiroso.

-  Não estou mentindo.

- Você nem parou pra pensar um pouquinho, sua resposta foi imediata, Soul!

- Prova de que não estou mentindo! – ele retrucou, me olhando de esguelha. – Não tenho nenhuma ex-namorada psicopata pra arrancar seus cabelos nas unhas. - hmm... Não parece estar mentindo...

- Menos mal... – murmurei.

- Mas tem duas loucas que podem arrancar seu fígado na faca... – riu baixinho e engoli em seco, o encarando meio em pânico. – É brincadeira, elas não vão te matar, é um caso morto e...

- E ainda tem procedência? - questionei.

- Parece até um inquérito policial. – ele sorriu, diminuindo um pouco a velocidade e dessa vez, pensou um pouco antes de responder. – Não, nenhum dos dois casos tem. O primeiro terminou de vez antes do meu aniversário...

- Então é recente... – semicerrei os olhos e ele confirmou de forma descarada, o que me deu um súbito impulso de esmurrar ele. – Você gastava o dia todo na escola, a tarde toda jogando comigo e ainda tinha tempo de sair com mulheres?

- Calma aí, não saí com mulher nenhuma. Eu transei com elas, é diferen... – antes que terminasse, comecei á esmurrar seu ombro e ele riu. – Vai me deixar falar ou vai me fazer jogar o carro naquele outro ali? – apontou pra um carro vermelho e bufei, me controlando e voltando pro meu lugar, cruzando os braços.

- Então fala. Quem foi essas duas. - exigi e ele me olhou por um momento, antes de voltar á olhar pra frente, arranhando a garganta, acho que pra se impedir de rir. Idiota.

- A primeira foi uma mulher, de vinte e seis anos, a conheci quando voltei pra cá, eu tinha quinze e ela, vinte e três.

- Uma pedófila? - o encarei horrorizada.

- Sim, uma pedófila, que gosta de caras que parecem muito mais novos, coisa que eu parecia aos quinze anos. Ela é... Tipo um parasita. Gruda em caras novos, que parecem ainda mais novos e que geralmente ficam encantados com sua aparência madura, a enchem de presentes, geralmente são uns idiotas que ela rouba a virgindade e acabam se apaixonando ao ponto de estourar o limite do cartão dos pais para agradar ela. São caras fáceis de controlar, inexperientes, por isso ela sempre persegue caras nesse padrão: novos, com boa condição financeira e que pareçam ainda mais novos, ou seja, nanicos, bonitinhos e inexperientes. – explicava e franzi o cenho.

- Está descrevendo uma succubus ou algo do tipo? – fiz careta e ele riu.

- Eu a chamava disso. Meio que perdi a virgindade com ela também. Eu tinha brigado com Wes, estava irritado e ela, que vinha me seguindo á algumas semanas, me convidando pra sair e tentando me arrastar por aí, me convenceu á ir em um lugar que ela conhecia. Era um bar de hosts, ela trabalhava lá e me serviu de tudo. Foi a primeira vez que bebi e quando acordei, ela me parabenizava por ter me graduado... – debochou, antes de suspirar.

- Ela te embebedou e te levou pra cama? – senti a raiva aumentar enquanto ele confimava.

- Ela esperava que eu fosse enchê-la de presentes e agradecer ela por me estuprar. E quando viu que eu ia chamar a polícia pra ela, ela pediu desculpas e fugiu. Só voltou á aparecer algumas semanas depois, me perseguindo mais que antes, afirmando que era impossível que eu ainda não tivesse me rendido aos seus pés e acabei caindo na dela. Não comprava nada, afinal, ela só estava me usando então comecei á usar ela também, quando estava estressado ou irritado com Wes ou a importunação do D.K., e graças á ela, comecei á fumar também. Daí surgiu Kim...

- Espera...  – balbuciei, sentindo o ar até faltar devido ao choque. – Não me diga...

- Sim, Kim foi o outro lance. – ele murmurou. – Meio que ela quem sugeriu esse tipo de relação, disse que iria me conquistar com o corpo dela e que logo, me arrastaria pro altar, mas não durou dois meses porque ela era impaciente e eu não era nem um pouco gentil ou carinhoso como ela queria. Quando terminamos o acordo, ela insistiu pra pelo menos sermos amigos, que ela me conquistaria com outros métodos e tudo o mais. Na mesma época, tive outra briga com Wes, saí do apartamento dele e não queria ir pra casa do meu tio, então aquela succubus desgraçada insistiu pra eu ir morar com ela...

- Não me diga...

- Sim, aquele apê. Ela também me fez trabalhar no bar que ela trabalhava pelo tempo que vivi com ela, mas... Eu comecei á ter essas crises emocionais depois daquela briga com Wes... Tive uma crise de raiva enquanto nós... – ele parou por um momento quando ergui o punho, pronta pra espancá-lo e ele soltou uma risadinha. – Enfim, deve imaginar. Machuquei a succubus, só parei quando ela começou á implorar, chorando e... Resolvi sair daquele apartamento, ela me influenciava de forma errada, sempre me convencendo á fazer coisas erradas. Tanto até que na manhã seguinte, ela me ofereceu uma droga esquisita que nem lembro o nome, disse que me ajudaria á relaxar.

- Ela... Não fugiu de você? - murmurei confusa.

- Ela é uma doida drogada, além de prostituta, devia estar acostumada com aquele tipo de sexo, e apesar de me evitar por vários dias, acabou voltando á me seguir e me encurralar em todo canto, mas eu já tinha percebido que tinha alguma coisa errado comigo e decidi me afastar dela. Claro que ela não aceitou, só deixou de me seguir quando deixei de parecer ter quatorze anos, e ainda assim, foi por que viu Neko.

- Ele parece ter quinze anos. – falei e Soul riu.

- Sim, e os rapazes sabem sobre ela, por isso não deixam Neko perambular sozinho. Se aquela succubus encontrar ele, vai depenar o imbecil. – percebi. Sempre tem pelo menos dois dos rapazes ao redor do Neko, quando andam na rua, ele não vai na frente, nem nas laterais, muito menos atrás do grupo e quando terminam os estudos na minha casa, só saem quando Neko já está no meio. É melhor protegerem ele mesmo, o coitado não vai durar um mês nas mãos dessa mulher.

-  ...Mais por que ela deixou o apartamento com você?

- Ela devia alguns traficantes, por isso trabalhava no bar, e eles tomariam o apartamento que estava no nome dela, então...

- Ela passou o apartamento pro seu nome e desapareceu do mapa por um tempo... – murmurei e ele confirmou.

- Ela vai voltar em algum momento e duvido que seus alvos tenham mudado. Vai continuar atacando garotos mais novos e inexperientes, fazendo eles gastarem fortunas com ela antes dela desaparecer como fumaça pra aproveitar os mimos que ganha.

- Que mulher horrível... – fiz careta, antes de franzir o cenho. – Espera, se aquele apartamento é o dela... Então quer dizer que foi lá que...

- Hm... Ah, sim, foi lá mesmo. – não acredito... Ele perdeu a virgindade lá também, completamente bêbado e fora de si, igual eu. É alguma sina ou maldição que esse apartamento tem, não é possível...

-  Isso é tão absurdo que nem tenho reação. – afirmei, olhando pra frente. Falta pouco pra chegarmos e... Caramba... – Foi só essas duas?

- Eu disse que foram lances, que duraram algum tempo. Não vou pensar em todas as garotas que já transei, não lembro e nem...  – antes que ele terminasse, voltei á soca-lo, enquanto ele ria, tentando afastar minhas mãos com uma mão enquanto dirigia com a outra. Só parei de esmurra-lo quando ele parou o carro de repente junto ao meio fio, antes de tirar o cinto e segurar meus pulsos com ambas as mãos, os mantendo acima da minha cabeça. – Você perguntou e estaria me batendo agora se eu tivesse mentido, então por que está me batendo por que fui sincero? – questionou, meio divertido meio confuso e bufei.

- Não era pra você ter feito isso. – falei, sentindo a raiva apenas aumentar e ele respirou fundo, concordando apesar de não parecer ter ideia do que eu estou falando.

- Sim, com certeza. Não faço mais, okay? – perguntou num tom tranquilo e semicerrei os olhos. – Está fazendo bico por quê?

- Não estou fazendo bico e nem sabe do que eu estou falando. – acusei e ele pareceu segurar o riso outra vez, arranhando a garganta. E então, desviou os olhos para trás, o que me fez gelar ao pensar que Mike estava acordado, o que não era o caso, por que quando olhei, ele ainda babava, com a cabeça apoiada na porta do carro. – Seu... – comecei, quando ele finalmente voltou á rir, soltando meus pulsos antes de voltar á olhar pra frente.

- Okay, não tenho ideia do que está falando. O que eu não deveria ter feito? – perguntou e respirei fundo, tentando controlar minha raiva. Bufei, respirei fundo, suspirei e bufei de novo. – Vamos lá, o que te deixou irritada? – insistiu e cruzei os braços com mais força. Eu sei lá. Só estou com raiva, sem chance de eu falar isso pra ele. Idiota. Cretino. – É por que eu falei que nem lembro o rosto de algumas garotas com quem transei? Se for, não é por que sou um fodão comedor desenfreado nem nada do tipo... Só tenho uma memória podre e lamentável, sei nem como diabos elas acabaram na minha cama... E... Não dormi com nenhuma garota desde... O que eu fiz com a succubus. Vai que eu tenho outra crise? Não é como se eu quisesse traumatizar o máximo de garotas que puder antes de morrer, sabe? – riu, antes de apertar minhas bochechas. – Qual é... Desfaz esse bico... Me dá vontade de te morder...

- E quando foi isso com a succubus? – resmunguei, suas mãos ainda beliscando minhas bochechas e ele franziu o cenho, pensando por um momento.

- Março do ano passado.

- ... Isso faz quase um ano e... Foi antes mesmo do começo do ano letivo... – balbuciei e ele confirmou. – Ah... Isso também explica seu constante mal humor e... – comecei e ele voltou á rir, nem confirmando e nem negando. – Espera... Foi por isso que...

- Que o quê?

- ... Q-quando estávamos no apartamento, você não quis...

- Ah... – ele acenou lentamente, parecendo se lembrar disso só porque eu mencionei. Daquela vez, eu estava praticamente nua, usando bondage ridícula e meio disposta á recapitular o que fizemos quando estávamos bêbados e ainda assim, ele fugiu de mim como se eu tivesse lepra. – É. Eu já estava á duas noites sem dormir, sem calmantes, com dor de cabeça e muita vontade de transar, isso era prelúdio de uma crise fodida que com certeza acabaria com qualquer chance de você olhar na minha cara de novo, então preferi falar com Wes até me acalmar e ele disse pra comprar um monte de besteiras e comer até esquecer isso... – por isso comprou aquele monte de pizzas... – O conselho do Wes é sempre esse quando sei que posso surtar. Comer aos montes as coisas que ele me proibia de comer. Doces, fastfood, comida instantânea, que dariam um enfarte até na mais saudável das criaturas. E funciona. Sempre que como essas besteiras, as dores de cabeça diminuem e sei que não vou ter alguma crise de raiva ou de choro porque me sinto mais no controle. Meu tio disse que as dores devem ter á ver com alguma coisa da infância, talvez quando era doente e as sentia constantemente, por isso param quando faço algo que nãoo podia e me incomodava muito na época. - explicava, enquanto ajeitava o cinto outra vez. – Não queria te machucar e ainda não acho que consigo fazer isso sem ter alguma crise, por isso...

- Mas você não me machucou daquela vez e estava bêbado. – falei e ele suspirou.

- Aquilo foi um erro, terrível. Não te machuquei, mas poderia ter te machucado e eu não gosto da idéia de causar traumas sexuais por aí como um maldito estuprador. – disse, agora muito sério, enquanto religava o carro.

- Hm... Entendi... – murmurei.  – Vai viver em celibato.

- Vou. – confirmou sem nem hesitar e fiz careta. – Não, não vou, não aguento, não sou santo, quando meus remédios me tornarem menos instável não vou te deixar escapar nem que esteja do outro lado do mundo. – disse rápido e senti meu rosto queimar, enquanto me encolhia no banco.

Okay.

Não esperava por isso. Meu pai amado.

- Não é como se eu fosse tentar fugir. – Murmurei e o ouvi rir baixinho, voltando á guiar o carro.

Quando ele finalmente estacionou na frente da minha casa, fiquei aliviada que não morremos no caminho. Okay que Soul dirigindo é muito sexy, adoro seu perfil, teria tirado fotos escondidas dele se tivesse meu celular comigo, mas ainda não tira o fato de que as ruas ainda estão meio congeladas pela provável chuva que teve e a temperatura congelante que está agora. Ele desceu primeiro, dando a volta para tirar Mike do carro e saltitei na frente para abrir a porta de casa, o seguindo quando ele subiu para o quarto de Mike para deixá-lo na cama, mas não posso deixar Mike dormir com essas roupas.

Fiz Soul me ajudar á trocá-lo e colocamos um pijama bem quentinho, além de meias e luvas, antes de enfiá-lo embaixo dos edredons e verifiquei se o abajur de tomada estava ligado, as cortinas bem fechadas e o celular dele, apoiado na mesa de cabeceira (usado apenas para ligações já que ele não tem interesse em ficar o dia todo mexendo no celular e prefere ler ou me incomodar) estava carregado. Se ele acordar, vai ligar pra mama se tiver um pesadelo ou se enfiar na minha cama se estiver com medo de voltar á dormir, então deixei a porta entreaberta depois de apagar a luz.

-  Que isso, parece até a mãe dele... – Soul resmungou, quando espiei pela porta pra ter certeza de que Mike ainda está dormindo mesmo depois de apagar a luz.

- Bom, sou responsável por ele. – empinei o nariz.

- Coitado... – murmurou e o encarei, pronta pra socá-lo de novo quando ele sorriu. – É agora que eu vou embora. – disse, com um ar divertido.

- O quê? Não, são só... – comecei, mas como não tinha nada para olhar as horas, puxei seu pulso e olhei seu relógio. – Dez e meia da noite. Pode ficar mais um pouquinho, tem um monte de filmes novos na Netflix.

- Hm... Netflix... – que diabos foi isso? Por que ele usou esse tom de malícia? E porque diabos sinto meu rosto queimando de novo... Ai coração, não falha agora e...

- Sim, Netflix! – falei, jogando sua mão de volta e ele sorriu, me fazendo virar e, apoiando as mãos nos meus ombros, me empurrou pelo corredor.

- Hoje eu recuso. Estou morto. Só o pó. Cansado, destruído, esfarrapado, mentalmente esgotado, não durmo direito desde quarta-feira e estou de pé graças á santa cafeína... – comecei á descer as escadas e suspirei. – E você tem aula amanhã, sempre acorda atrasada, por isso, sem “Netflix” hoje. Vai me culpar e me bater se virar a noite inteira na “Netflix” e eu não estou a fim de apanhar por mais uma das suas ideias. – e por que ele continua falando “Netflix” com toda essa malícia? É Netflix mesmo, pra assistir um filme, oras! – Tenho que planejar algumas coisas, sabia? – continuava dizendo, sem me dar chance pra contestar e só parou de me empurrar quando chegamos na porta e ele a abriu, me soltando e passando por mim, se virando e me encarando de frente enquanto recuava até estar fora da minha casa.

- O que tem de planejar? – perguntei.

- Sabia que ia perguntar. – sorriu e bufei, indignada por ser tão previsível.

- E daí? Sou curiosa, não gostou me processa. – falei e ele riu. – Fala logo, quero saber.

- Minha vingança contra os rapazes, precisa ser o mais minucioso, vergonhoso e calculado possível, para sequer pensarem em revidar. – dizia, em um tom rancoroso que fez até minha alma gelar. Ainda bem que não estou na sua listinha de vinganças. – E o nosso encontro. Preciso pensar nisso, nunca fui em um, nem planejei... – e de repente me lembrou da compensação que exigi mais cedo e senti até as pernas fraquejarem ao imaginar isso. Um encontro. Ehehee... -  Vou compensar seu irmão separado e...

- Já pensou em alguma coisa? – perguntei, só um pouquinho curiosa.

- Como se eu fosse te contar. – ele sorriu. – Não sou bom com isso, mas vou tentar voltar pra casa falido.  – afirmou e segurei o riso.

- Não é preciso ficar tão falido assim... – murmurei e ele negou.

- Não, vou encontrar um lugar que me deixe sem grana até para o táxi, apenas espere. – dizia, antes de estender a mão e sem pensar muito, a segurei. – Vou manter distância pra não cair em tentação, então faça o favor de não me provocar.

- Hm... Okay. – concordei, quando ele se aproximou só pra me beijar e quase desfaleci. - Você disse que iria se controlar... – murmurei, meio surpresa, meio derretida e ele riu, antes de me beijar de novo.

- Não sobre isso e... – me beijou de novo, dessa vez, senti seu braço ao redor da minha cintura, me puxando para mais perto. – Eu prometi te mimar um pouco só por que você foi minimamente legal...

- Pouco nada... É muito... – falei, um pouco tonta e ele concordou.

- Okay... faço isso amanhã. – suspirou.

- Por que não hoje?

- Tomei meus remédios e sabe o que eles me dão além de controle? Isso mesmo, sono. Muito sono. – ele riu baixo, antes de me beijar de novo, e de novo e aí só mais uma vez. É isso. Posso morrer agora. Não, não posso não. Tenho que aproveitar isso só mais um pouquinho... – Amanhã eu quero meu jantar, senão vou quebrar seu braço. – ameaçou e segurei o riso quando ele me abraçou, seu cheiro se tornando a única coisa que consegui sentir e acho que não preciso ir dormir tanto assim. Posso ficar nesse abraço pelo resto da vida, acabar mortinha de alegria, nem ligo. – E como aqueles estúpidos animais sem cérebro nojentos e irritantes precisam se preparar para as provas, vou dar um jeito pra pararem de vir te incomodar, você também tem que estudar. – disse de repente e me lembrei dos delinquentes da 3D. Então eles não virão amanhã? – E como assim vou pagar jantar pra eles? – e de repente ele soou indignado e segurei o riso. É claro que contariam pra ele. – Vou deixar essa passar só por que estou de muito bom humor, mas da próxima vez, tudo o que eles comerem, você vai ter de comer em dobro. – engoli o riso com um leve arrepio de medo quando ele me apertou um pouco mais. – Acho que não preciso dormir tanto assim e... – e já começava á mudar de ideia então resolvi que se eu não mandar ele ir dormir, ele realmente não vai ir, então me afastei um pouquinho.

- Vai logo, se não dormir, vai acabar ficando de mal humor amanhã e ninguém te merece com tpm. – falei, minha voz abafada por ainda estar com o rosto afundando em sua jaqueta. Eu disse que me afastei, não quanto. – As provas só começam na semana que vem, acha que eles vão conseguir...? – dizia, me afastando o suficiente pra ver seu rosto e vi seu olhar ficar sombrio.

- Vou enterrar pessoalmente qualquer um que tirar menos que oitenta pontos. – disse num tom igualmente sombrio e engoli em seco.

- E-eles vão se sair bem. – garanti, apesar de não estar muito certa sobre isso  e vi seus olhos se estreitarem, enquanto ele abria um daqueles seus sorrisos que significa que alguém está muito ferrado nas mãos dele. Adoro esse sorriso mas ele me dá arrepios. Não ruins, claro, só arrepio de “Deus me livre, quem me dera”. Adoro esse sorriso.

- Sim, eles vão. – garantiu, antes de por fim se afastar, mas o puxei de volta e o abracei de novo.

- Espera aí, só mais um pouquinho. Você é muito quente, parece um urso de pelúcia com aquecedor. – falei, sentindo seus braços me envolverem de novo. – Sabe o quê? Deveria me dar o perfume que você usa.

- É sabonete.

- Não usa perfume?

- Pra quê? Não vou em lugar nenhum...

- Mas cheira tão bem... – murmurei, respirando fundo. – Que sabonete usa?

- O que tiver no banheiro, eu sei lá... – dizia. – Eruka está nos espionando...

- Como sabe? – franzi o cenho, me afastando para olhar pra casa da vizinha e vi ela parada na porta, Blair enrolada numa manta em seu colo, ambas nos encarando atentamente. – Isso...

- Blair tem sensor de mim, avisou pra sapa velha que eu tava chegando, certeza... Na verdade, ela tá parada ali antes mesmo de descermos do carro. – é o quê? Pois não vi ela não! Me afastei bruscamente de Soul, sentindo meu rosto queimar ainda mais e vi um sorriso sinistro na cara de Eruka enquanto ele começava á rir.

- Se divertindo, meninos? – ela gritou e ergui o dedo médio, ouvindo ela rir mais, enquanto Soul ria junto dela. – Soul, sua gata tem algum sensor sinistro de você. Quis ficar aqui fora á quase meia hora. – isso foi quase dez minutos antes de chegarmos! É até ridículo de absurdo! – Vem pegar ela logo! – mandou e Soul concordou, antes de me olhar, divertido.

- Ela está possuída. – falei com um temor real e ele revirou os olhos não me dando o menor crédito, se inclinando apenas pra dar um beijo na minha testa, que me fez ter mais daqueles arrepios do tipo muito bom e suspirei.

- Entra logo. – disse, recuando alguns passos. - Vou estar em casa quando chegar da escola, mas se quiser, eu te busco. - confirmei sem pensar nem um pouco e ele sorriu, concordando também e se virou e começando á descer os poucos degraus da varanda, seguindo até a calçada. – Eruka, já mandei o dinheiro pra sua conta. - gritou pra ela.

- Um dia, babá de um robô, no outro, de uma gata satânica prenhe, eu vou aumentar o preço que cobro, estou sentindo que estou sendo explorada! – ela gritou de volta, enquanto eu me escondia atrás do batente da porta e a olhava, apenas com a cabeça pra fora. – Sorte a de vocês que eu acredito  que os jovens precisam se divertir um pouco, senão denunciava todas essas safadezas que vocês aprontam pros seus pais. – me ameaçou, apesar de seu tom estar divertido e mostrei língua, vendo Soul por fim se aproximar de sua casa e pegar Blair de seu colo.

- Para de gritar, são quase onze horas da noite. – gritei pra ela, que me ergueu a mão, mostrando o dedo médio e enquanto Blair se aninhava desesperada nos braços de Soul. Eruka entrou logo em seguida, fazendo careta também, provavelmente reclamando do frio e vi Soul caminhar em direção á própria casa e esperei até ver ele parando diante da porta e ele me olhou, acenando com a mão como se me xispasse logo pra entrar e acenei de volta, entrando por fim.

Assim que fechei a porta, fiquei um instante parada, encarando a madeira, sentindo meu coração batendo feito uma bomba relógio no peito. Engoli em seco, meus lábios estão até formigando um pouquinho e seu cheiro muito, muito, muito bom está até impregnado na minha roupa. Gostei do seu abraço. Acho que vou exigir mais abraços á partir de agora. Muitos abraços. 

Deixei um suspiro trêmulo escapar enquanto me desfarelava no chão e apoiei a testa na porta, com o sentimento de ter um forno na barriga me deixando ainda mais mole. Nem sinto minhas pernas. Cadê minhas forças? Soul, maldito, estava certo. Quero, com toda a certeza desse mundo, que ele me beije mais. Eu devia ter implorado um pouquinho...


Notas Finais


Pra todos aqueles que queriam interação física, eis aqui! Sou muito avergonhada com essas coisas, mas adoro ver esses dois boiolando, flertando e eis aí! Finalmente o motivo do Soul não ter aproveitado o bondage! Wes já mencionou a succubus antes, alguma sugestão de quem poderia ser? kkk


E os dois perderam a virgindade de modo semelhante, a diferença é que Soul deu uma surtada e quase mandou a succubus pra cadeia, lembrando meus caros amigos, que mulher mais velha pegando de menor TAMBÉM É pedofilia, não é legal, nem descolado, é PE-DO-FI-LIA, assim como esses manos de 19 com menina de 14, essas manas de 21 com menino de 15, é PEDOFILIAAAA AAAAAAAAAAAAAA

Não aceitem, não apoiem, não estimulem, isso não é, de jeito nenhum, legal ou minimanente aceitável, uma pessoa mais velha interessada em você (meus caros leitores menores de idade com alguém mais velho orbitando ao redor), não te quer por parecer maduro (a) ou responsável, não! É por ser mais fácil de manipular, mais fácil de controlar, por que são inexperientes, instáveis, emocionalmente e psicologicamente falando, pois adolescentes são assim, querem ser diferentes, se destacar, são inseguros, querem ser aceitos e pra isso tem as tais "fases", pra tentarem se encontrar, serem aceitos. E o que um adulto vê em um adolescente que se sente inseguro ou confuso sobre quem é e o que quer? Alguém que vai se apoiar emocionalmente ao ponto de ser dependente ou "otário" por ele, por isso não acreditem facilmente em toda a baboseira do "vc é diferente" ou "vc é mais madura (o)", é um aviso que eu, como autora e ADULTA, tenho a obrigação de alertar: se envolver com adultos só vai acarretar em duas coisas, traumas ou gravidez, mais inseguranças e até co-dependência emocional, o que, vai por mim, é bem mais fodido que qualquer porcaria que poderiam se meter. Nem todos são assim, claro que não, mas ainda é errado pra caramba um adulto se envolver com um menor de idade (pra mim, um ano á menos que eu já é criança, tenho amigos de 19 anos que trato como se tivessem 6)
Não apoiem a pedofilia, de qualquer jeito e tomem muito cuidado com quem se envolvem, caras ou minas mais velhas que saem com "novinhos(a)" veem apenas alguém fácil de manter sob controle.

Voltando á descontração: Eu disse que os dois seriam boiolinhas, juro que amo os próximos capítulos, Soul está muito mais acessível, não? Mais risonho, boatos dizem que é o tal do amor deixando ele meio bobo kkk
Maka sentindo ciúme do que ela nem sabe ao certo do quê e Eruka segurando vela por quase vinte minutos pra esses dois é um auge kkk
Mal vejo a hora dos filhotinhos da Blair nascer, já são quase três meses, vem os filhotinhos aí S2 S2 S2

Enfim, espero que tenham gostado, estou ansiosa por esse encontro kkk


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