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História Passional - Capítulo 24


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Capítulo 24 - (22) ---Almas gêmeas (Mitzu)


Fanfic / Fanfiction Passional - Capítulo 24 - (22) ---Almas gêmeas (Mitzu)

Seis meses após ter saído do Japão, Mina também tomara a decisão de deixar o país para estudar moda em Seul. E apesar da família da japonesa ter propriedades em Seul, e a irmã mais velha residir no país, Mina era uma turista completa. Assim como ela, que ainda estava aprendendo o idioma nativo.

Tzuyu não tinha ninguém em Seul, e em sua profissão, com toda aquela competição de supermodelos, o termo amizade praticamente não existia. E sem Chaeyoung por perto a todo instante, o convívio dela com Mina ficava cada vez mais estreito. Mais dual. Compartilhavam e trilhavam os mesmos objetivos, eram complementares. Tanto em suas especializações quanto em sentido imaterial, psíquico.

Era inconsciente, mas o contato físico era muito forte, espontâneo. O aspecto físico era tão visível que as outras pessoas ao redor notavam facilmente a cumplicidade tátil que partilhavam, as confundindo com um casal de amantes. Ainda mais sendo um fenômeno que só acontecia entre elas, pois eram pessoas que claramente não se sentiam à vontade com proximidades corporais.

 

 

Manequins de aparência exótica e estonteante desfilavam pela pas­sarela, em trajes finíssimos, ao som de uma música suave, fotógrafos corriam de um lado para o outro, procurando os melhores ângulos de cada modelo.

Aquele desfile era sua grande chance, se quisesse ser notada por Alejandra Hernández, uma das estilistas e empresarias mais aclamadas no mundo da moda, teria que dar o seu melhor na passarela.

 

Quando as luzes se apagaram, permanecendo aceso apenas um discreto holofote, surgiu Tzuyu caminhando pelo tablado, acompanhada pela marcha sedutora e romântica de Phoenix.

 

Com ela, fechava-se o desfile da coleção outono/inverno de Geum Tsukasa.

 

Concentrou-se no compasso da música, a trilha sonora ditava o ritmo de seus passos, esforçando-se para não piscar diante das câmaras e para ignorar o barulho ensurdecedor da platéia, que entrou em alvoroço. Gi­rando sobre si mesma, proporcionou aos espectadores uma visão dos detalhes das costas, toda trançada. Em seguida, com muita graça, atirou para o alto uma bomba branca em um  deslumbrante e inesperado passe de mágica. Fazendo o público irromper em aplausos enquanto ela se preparava para a última volta.

 

De repente, seus passos seguros e carregados de personalidade tropeçaram um no outro ao defrontar-se com fotos suas e de Minatozaki Sana trocando beijos em um show de Rock.

 

Tzuyu olhou em volta, apavorada. A plateia, em sua maioria homofóbica, estava boquiaberta com a exposição de sua sexualidade no telão.

Os flashes das câmeras pipocavam em seu rosto como pipoca na panela.

 

Caíra em uma armadilha ao emprestar o notebook para a gananciosa e manipuladora Sunny Geun, uma das modelos de sua agência. Tzuyu não entendia como Sunny havia hackeado seu notebook em questão de minutos, bem debaixo do seu nariz.

Da plateia Sunny lhe jogou um sorriso triunfante. Tzuyu que estava em uma dieta rigorosa, sentiu-se empalidecer. E teria perdido os sentidos se não tivesse sido acordada com a mão quente de Mina espalmada no meio de suas costas:

 

 

--Postura. Cabeça erguida. Os inimigos a observam. – Advertiu Mina simulando um sorriso.

 

 

--Eu não consigo me mover.

 

 

--Consegue.

 

 

--Segura a minha mão?

 

 

--Sempre.

 

 

Mina caminhou ao seu lado até o fim do tablado, a olhou nos olhos lhe passando toda força e apoio necessário. Tzuyu refez sua última volta, com a cabeça erguida, e a passos firmes ao som de vaias. Desfilou como se fosse o fim de sua carreira, dando tudo de si.

 

Alejandra Hernández a aplaudiu de pé, fazendo todos se calarem.

 

Naquela noite Alejandra encontrara o rosto da sua marca, o rosto que procurara durante sua vida toda, estava ali diante de si, estampado em uma menina de 18 anos de idade.

 

Com medo de perderem seus empregos, ninguém ousou espalhar a orientação sexual de Tzuyu para a mídia e todas as fotos foram deletadas, como se aquilo não tivesse ocorrido. Pois Tzuyu pertencia a Alejandra Hernández, e prejudica-la era como insultar a estilista que não pensaria duas vezes em escorraçar o indivíduo daquele mundo glamoroso.

 

Alejandra também se interessara por Mina, e para o seu maravilhamento, Mina era uma estudante de moda. Passando a ser uma estudante e sua assessora nas horas vagas.

 

 

Ao transcorrer dos meses, dos obstáculos superados e a visualização de um futuro profissional esplêndido, Tzuyu já não conseguia se imaginar sem Mina.

Depois de mais um fim de noite corriqueiro e atribulado de sua vida de modelo, Mina e ela foram ao bar do hotel a qual estavam hospedadas junto com metade da agência de Alejandra. Tomaram alguns drinques, bem mais do que alguns. Entraram no elevador, as portas se fecharam e Mina lhe lançou um olhar, um olhar que a assustou. Que nunca tinha visto nela antes. Era como... Era Mina Hirai, sua colega de trabalho, mas não era Mina, somente uma amiga, era uma mulher. E tudo o que teve fora essa sensação. Uma necessidade. E então aconteceu, se beijaram, até as portas se abrirem. Seu corpo inteiro ganhou vida, como se seu sangue tivesse virado combustível de foguete. E como se tivesse recebido um balde de água fria, Sana lhe veio à cabeça, apagando o fogo daquele beijo incandescente.

 

 

--Não se torture, Tzuyu. Vocês terminaram, já é hora de seguir em frente. –Consolou a abraçando forte. Mina parecia ler seus pensamentos.

 

 

--Ela não vem? -Fungou escondida em seu abraço. Iria fazer dois anos desde que deixara Osaka, Sana. E desde então, Tzuyu não tivera mais nenhum relacionamento amoroso, nem ao menos beijara uma outra pessoa durante esse tempo. Pois ainda estava presa naquele amor, esperando que a cantora ligasse, que aparecesse, dizendo que nada tinha acabado.

 

 

--Não, ela não vem. – Noticiou entristecida.

 

 

--Então, o que eu faço para parar de doer? -Indagou desolada.

 

 

--Volte para Osaka e diga que ainda não acabou.

 

 

--Não posso, não consigo, tenho medo. -Voltar para Osaka se aplicava em deixar tudo, e depois de quase dois anos, sem nenhuma aproximação com Sana, seria como atirar no escuro. Mal sabia se Sana ainda pensava nela, se ainda a amava. Tinha medo da resposta ser o que temia, como lidaria? Não tinha estruturas emocionais para tanto.

 

 

--Então não se sinta culpada por fazer o que é melhor para você.

 

 

 

Essa fora a última conversa que tiveram sobre Minatozaki Sana, e aos poucos Tzuyu foi seguindo em frente, na cama de Minari. Num piscar de olhos, mergulharam juntas em um relacionamento sério. Era diferente, harmonioso, perfeito. Mina não fazia cenas de ciúmes, era sempre comedida e compreensiva, resolvia tudo com um diálogo pacífico e maduro. Agindo como uma perfeita dama. Apaixonar-se por ela não era como pular de um precipício, no qual a sobrevivência não era uma opção. Ao seu lado tudo era maravilhoso, não havia discussões. Conversavam com calma e então decidiam o que fazer diante de cada problema. Longe de explosões de emoções desenfreadas, compartilhavam cada momento com serenidade.

 

 

Encontravam-se a pouco quarteirões da mansão de Nayeon quando a chuva começou, os pingos grossos contra o para-brisa, dificultando a visibilidade. Mina pretendia estacionar na entrada, mas os outros carros já haviam pego as melhores “vagas”.  Pegando a sombrinha que levava sempre no porta-luvas, desceu, dando a volta no carro. Abriu a porta de Tzuyu e cobriu a ambas com a sombrinha. Enquanto corriam pela calçada, ela automaticamente pousou a mão em sua cintura. No meio do caminho uma rajada de vento lhes roubou a sombrinha. Nayeon estava dando uma festa surpresa para Momo, pelo seu aniversário. E não era uma comemoração simples ou somente familiar, havia muitas pessoas importantes.

 

 

--Como eu estou? -Perguntou Tzuyu antes de atravessarem o hall da mansão da anfitriã. Estava preocupada com cabelo, a ventania úmida da chuva o havia bagunçado.

 

 

--Está magnificamente linda. -Declarou ao terminar de arrumar o seu cabelo. Olhou-a com intensidade, depois puxou-a para si. Segurou-a pela cintura bem moldada de manequim e aproximou-se de seu rosto. Os lábios delas se tocaram e Tzuyu fechou os olhos, entregando-se àquele beijo delicado. Tzuyu adorava o jeito polido de Mina flertar. Sem pretensão, o beijo tornou-se mais intenso, profundo. Estavam coladas uma na outra, esquecidas de tudo.

 

Um barulho de passos descendo a escada fez com que se separassem.  Com os rostos corados olharam para o alto da escada majestosa.

 

Chaeyoung estava olhando para elas, o rosto incrédulo, chocada.

 

 

--Chaeyoung. -Murmurou Mina surpresa, não esperava encontrar a irmã ali, ninguém as avisara que ela estaria naquela festa, em Seul. Tzuyu podia jurar que sentiu a namorada estremecer.

 

 

--Acho que tenho que dar os parabéns. Já marcaram a data? Lembrem de me mandar uma foto. -Disparou Chaeyoung carregada de ressentimento.

 

 

--Então lembra de mandar um cartão do novo endereço. -Retrucou Mina. Já havia um bom tempo que Chaeyoung havia se distanciado de ambas. E tudo o que sabiam, graças a Momo, era que Chaeyoung não estava mais morando na casa dos avós. E sim com Sana, em algum lugar de Osaka. Chaeyoung engoliu o que tinha a dizer e desceu as escadas, as ignorando.

As mãos de Mina seguraram-lhe o pulso com força, puxando-a de volta.

 

 

--Vocês estão namorando e você não me contou. Então não reclame, quem se distanciou primeiro foi você. -Acusou Chaeyoung se soltando abruptamente de suas mãos, lhes dando as costas de novo.  Não era uma surpresa para Tzuyu, quando Mina e Chaeyoung tinham assuntos pendentes, quando estavam brigadas, falavam em sua frente como se não estivesse presente. Mina respirou fundo, estava claramente chateada, segurou-lhe a mão e seguiram os passos de Chaeyoung. Tzuyu se manteve em silêncio, era um assunto entre irmãs.

 

 

Durante o tempo que Chaeyoung esteve em Seul, Mina estava sempre alterada, irritada com suas provocações. E acreditava que seu ciúme era zelo de irmã mais velha, protetora.

 

Sentada no sofá da sala dos Hirai, Tzuyu esperava Mina terminar de se trocar para um jantar de negócios com Alejandra.

 

 

--Vão sair? -Perguntou Chaeyoung entrando na sala com uma bacia de pipoca em mãos, lhe jogando um sorriso sincero. Chaeyoung estava incrivelmente bonita num vestido vermelho colado ao corpo. Estava muito sensual. Como se estivesse arrumada para um encontro cheio de segundas intenções.

 

 

--Vamos. -Respondeu, retribuindo o sorriso. --Também vai sair? Está muito bonita.

 

 

--É uma possibilidade. Obrigada, você está deslumbrante. Como de praxe. -Tornou se jogando no sofá, deitando-se, despreocupadamente acomodando a cabeça em seu colo. Tzuyu sorriu, Chaeyoung era fofa, mais que uma amiga, era a irmã que nunca tivera.

 

 

--Chaeyoung? -Chamou, a fazendo desgrudar os olhos da enorme tela e vira-se de barriga pra cima, olhando-a nos olhos.

 

 

--Fala.

 

 

--Está mesmo tudo bem pra você eu namorar a Mina?

 

 

--Porque não estaria? -Retrucou enchendo a boca de pipoca.

 

 

--Me diz você.

 

 

--Eu sabia que isso um dia iria acontecer. Então não se preocupe, está tudo bem.

 

 

--Mesmo?

 

 

--Claro. Se existe alguém perfeito para a Mina, esse alguém é você, Tzuyu. -Disse a encarando por um momento e virando-se novamente, voltando toda a sua atenção ao que passava na televisão. Deixando-a pensativa. Além da franqueza em suas palavras, também percebera o incomodo por trás delas.

 

Na última noite de Chaeyoung em Seul, Jeongyeon e Dahyun organizaram uma festa de despedida para ela. E quando Tzuyu viu a namorada arrastando Chaeyoung para fora da festa, achou que Mina havia descoberto a razão da festa da pior maneira. Já que Chaeyoung havia pedido a todas que não contassem para Mina sobre sua ida permanente para a Inglaterra. Mas na manhã seguinte descobrira que Chaeyoung não chegara a contar para Mina. E conforme o tempo passava Tzuyu tinha a certeza de que algo muito sério tinha acontecido entre as duas irmãs, especialmente naquela noite. Chaeyoung não dava notícias, como se tivesse cortado os laços e Mina não mencionava nunca o seu nome, como se Chaeyoung não existisse. Não lhe dando margens para pronunciamentos ou questionamentos.

 

Alguns anos depois, de mãos dadas caminhavam em silêncio pelas ruas mais desertas e charmosas de Paris. As casas eram coloridas, tinha fachada rosa, verde, lilás, laranja, azul, amarela, algumas delas com vasos de plantas e outras com bicicletas apoiadas nas paredes. Uma vibe completamente Nothing Hill de Londres.

Alguns passos de distância avistaram uma adolescente descalça, usando trapos como roupa, com cabelos que não se dava para saber a cor de tão sujos, deixar uma caixa de papelão bem no meio da rua e correr como se tivesse acabado de cometer o pior dos crimes.

Mina tentou convence-la a dar meia volta, temendo ser alguma ação terrorista ou algo do tipo, mas Tzuyu não lhe deu ouvidos. Continuou andando, com passos cautelosos, e olhou para dentro da caixa. Deparando-se com um bebê embrulhado em uma manta imunda.

 

Paris era conhecida por ser a “Cidade luz”, poderia parecer extravagante à primeira vista, mas nas profundezas das ruas escuras, pessoas morriam de fome. Muitos se matavam, e muitos eram mortos por outros.

 

A mãe biológica de Emanuelle era uma adolescente de 15 anos que engravidara do namorado, ambos eram mendigos. Não tinham condições de cuidar de uma criança, já era difícil ter o que colocar na própria boca. Então decidiram deixar a criança de um mês de vida naquela rua, ao menos teria uma chance, pois ali passava muitos turistas.

 

Emanuelle fora encontrada com várias feridas no corpo, mas não tinha nenhuma doença. A primeira coisa que fizeram foi leva-la a um médico. E lá as autoridades assumiram todos os outros procedimentos burocráticos.

Tzuyu não conseguia parar de pensar na pobre criança desafortunada, e simplesmente não conseguiu deixar pra lá. Ela e Mina foram todos os dias ao hospital, Emanuelle sofria de desnutrição infantil, era tão fraquinha que nem conseguia chorar. Gerando em ambas uma vontade enorme de assumir a responsabilidade, ter um filho, de aprender, de se tornarem mães. E não era um impulso, realmente a queriam. Era toda uma equação que unia o amor por crianças à vontade de se dedicar inteiramente a uma delas, de mudar a vida e quem se é em função disso.

 

 Tzuyu estava admirando a paisagem do canal Saint-Martin, em cima da ponte de ferro construída em 1825, quando Minari interrompeu sua contemplação silenciosa.

 

 

--Sabe, pensei em fazer isso na Pont des Artes ou na Torre Eiffel. Mas então eu percebi que aqui seria o lugar ideal, nessa ponte, com essas belas arvores que acompanham o curso da água. Uma coisa mais simples, e sem perder a beleza do cenário. -Mina havia a acordado cedo, antes do sol nascer, com a desculpa de aproveitarem mais de Paris em uma caminhada matutina. O nascer do sol brilhava ao fundo em um laranja avermelhado. Tzuyu não acreditava no que Mina estava prestes a fazer, até que fez. Ela pôs a mão no bolso do casaco Trench Coat, tirou uma caixinha de veludo vermelho e abriu-a. -- Estive carregando isto comigo, esperando pelo momento certo. -Comentou ajoelhando-se. -- Já temos 10 anos de namoro, somos independentes e temos carreiras sólidas. E você me faz mais feliz do que pensei que pudesse ser, e se você deixar vou passar minha vida tentando fazer você ser feliz assim... Chou Tzuyu, o que acha de ter uma família comigo, de fazer de Emanuelle uma extensão nossa... Você quer se casar comigo? - Seus olhos castanhos cintilaram como o diamante da joia.

 

 

--Sim. --Tzuyu estendeu-lhe a mão. Mina deslizou o anel no dedo dela e a beijou calorosamente.

 

Com a ajuda de Momo entram com o processo de adoção, sendo escolhidas como um perfil perfeito perante a lei.

O casamento, Mina e Emanuelle, tudo parecia um comercial de família feliz até Sana e Chaeyoung voltarem para as suas vidas. Primeiro teve o susto de Dahyun e Sana perdidas em uma ilha no Havaí, depois a morte brutal de Sana e por fim a descoberta de que Chaeyoung não tinha o mesmo sangue das irmãs. Fazendo Tzuyu perceber que tinha chegado a hora de finalmente encarar todos os problemas que estava lutando tanto para não pensar.

Desde o princípio, Tzuyu nunca conseguira enxergar Mina e Chaeyoung como irmãs, não tinha como enxerga-las dessa maneira. Tzuyu tinha uma cena gravada em sua mente:

 

Ainda estavam no ensino médio, em Osaka.  

Havia terminado de estudar umas matérias com Chaeyoung, carregava os cadernos de encontro ao peito quando se lembrou do celular que havia esquecido na escrivaninha da amiga, ela iniciou o caminho de volta. E não pode deixar de ver a cena que se passava na sala dos Hirai, já que as cortinas estavam abertas.

Tzuyu ficou estática.

Viu Mina com Chaeyoung. Chaeyoung estava virada de costas para Mina, admirando, distraída, os livros de uma estante, como se não notasse que Mina se aproximava. Repentinamente, Mina a envolveu num abraço tão apertado que Tzuyu podia jurar que a machucava. Com uma agilidade impressionante, Chaeyoung virou, soltando-se. Sorriu para Mina de uma maneira envolvente e lhe deu um beijo demorado no canto dos lábios.

 

 Tzuyu fechou os olhos e engoliu em seco. Nunca esquecera aquela cena de amor, que por muitas vezes a incomodou, mesmo após longas noites de sono. Irmãs não faziam aquilo, não tinham aquele tipo de olhar, aquela tensão sexual.    

De repente tudo fazia sentido, tudo estava explicitado.

 

 

--Você deveria ter me contado.

 

 

--Como? Eu passei a minha vida toda acreditando estar apaixonada pela minha irmã... Como eu diria algo assim? “Olha, eu sou incestuosa”?

 

 

--Mina, quando duas pessoas estão em um relacionamento juntas...é como uma “promessa”. Uma promessa de que vão apenas olhar uma para a outra. Mas você estava olhando pra Chaeyoung esse tempo todo...Confesso que se me distraísse, se não me vigiasse um instante, me transportava pra ela. – Tzuyu se referia a Sana. --Mas com o passar do tempo eu não precisava me vigiar, porque eu entrei no nosso relacionamento de cabeça. De cabeça. E eu pensei que era só eu e você.   

 

--Mas era, sempre foi só eu e você.

 

 

--Não, não era. Somos uma fraude.

 

 

--Não somos uma fraude, Tzuyu. Eu me apaixonei por você.

 

 

--Eu não duvido, porque eu também me apaixonei por você. Mas estar apaixonada não significa amar. É a Chaeyoung quem você ama. Porque não tem como amar duas pessoas ao mesmo tempo. Porque o amor é uma sucção, ele não te deixa reservas para mais um. -Pra Tzuyu era possível se apaixonar por duas pessoas ao mesmo tempo, porque apaixonamento era atração, idealização dos ideais. Algo passageiro.

 

 

--Sana também te deixou sem reservas. -Lembrou.

 

 

-- A questão não é sobre nossos verdadeiros amores... Mina, você me traiu. – Tzuyu tinha uma história com Minari, e era doloroso ser traída daquela maneira... -- Você é uma pessoa diferente pra mim agora, eu pensava em você como alguém que nunca me trairia. Nunca, jamais. -Soluçou -- Eu compreendo o fato de você não ter sabido como lidar com um sentimento tão delicado e complexo, mas não consigo aceitar.

 

 

--Eu sinto muito.

 

 

--Vamos nos divorciar. – Comunicou sem rodeios.

 

 

--Eu realmente tentei, tentei amar você, minha alma gêmea, e esquecer o que ela significa. -Desabafou abaixando a cabeça e cobrindo o rosto com as mãos, Mina chorava. -- Não podemos acabar assim, como Emanuelle vai crescer sem as mães dela juntas?

 

 

--Vai crescer menos traumatizada do que com nós duas juntas.

 

 

--Vai me separar dela?

 

 

--O que pensa que sou? Eu jamais faria isso com ela, com você.

 

 

--Me desculpa...

 

 

--Eu vou embora agora. -Falou se levantando. Secando as lágrimas com as costas da mão.

 

 

--Não, não vai. Já está tarde e quem deveria sair sou eu. -Disse Mina a impedindo. -- Amanhã resolvemos isso. Fica, por favor.

 

 

Mina acabou dormindo no sofá da sala e Tzuyu no quarto de Emanuelle, depois daquela intensa conversa nenhuma das duas conseguiria dormir no quarto que dividiam. Tzuyu abraçou a filha que dormia pesadamente na cama curta de solteiro, e chorou baixinho até adormecer. Inconscientemente reviveu lembranças do passado, maquiadas pelo sono:

 

Estava nua na cama, coberta por um lençol de cetim branco, acabava de acordar.

 

 

--O que está acontecendo? -Indagou em um sussurro preguiçoso. Sana a olhava com aqueles olhos altos de amor. Com a cabeça apoiada na mão, deitada de lado, com a nudez exposta. O cheiro da pele dela penetrava-lhe os globos oculares intensificando o deslumbre de sua imagem.

 

 

--Não sei. Diga você. - Pronunciou sensual, irresistível.

 

 

--Estou perdida. Não sei onde estou.

 

 

--Eu aprisionei você dentro do meu amor. Fiz sua cabeça girar para que não encontrasse o caminho de volta. -Como se estivesse ouvindo a mais bela das canções Tzuyu fechou os olhos e sorriu. Deixando uma lágrima rolar.

 

 

--Estou perdida. -Murmurou pra si mesma.

 

 

--Estamos perdidas. -A ouviu repetir, perdendo sua voz no eco da ilusão.


Notas Finais


Imagina que loco namorar sua alma gêmea por anos e descobrir que ela é gamada na sua amiga, que foi criada como irmã de verdade dela? Eu tenho as idéias e depois fico refletindo só pra concluir que eu sou muito maluca!

Espero que tenham gostado da história de Mitzu, e que eu não tenha deixado margens de dúvidas.
Até o próximo capitulo!😘


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