História Patience Yields Focus - Capítulo 1


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Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Hunk, Keith, Lance, Pidge Gunderson, Takashi "Shiro" Shirogane
Tags Sheith, Voltron
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Palavras 4.719
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Steampunk, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OI GENTE




> Arte por Yuutayo

Capítulo 1 - Crime En Rouge


Fanfic / Fanfiction Patience Yields Focus - Capítulo 1 - Crime En Rouge

“ – Red. Tá aí? ”

 

– Na escuta. – Confirmava com desânimo, pressionando o botão de fala do pequeno equipamento de comunicação da orelha com uma mão, enquanto a outra tocava rapidamente nas teclas do computador.

 

“ – Temos cinco minutos até os policias chegarem na sua posição. Quantos minutos para conseguir todos os dados? ”, indagou alguém, vindo do equipamento.

 

“– Anda logo com isso! Se eu tivesse sido escolhido, eu já teria acabado! ”, um outro o interrompeu.

 

– Cala a boca, McClain. E Pidge, quatro minutos no mínimo, com vocês falando na minha orelha, seis minutos. E bloquearam a minha conexão. Até tirar o vírus já são dois minutos. – Murmurou, tirando a mão da escuta e voltando a se concentrar no trabalho.

 

      O único barulho presente na sala escura agora era os de seus dedos batendo contra o teclado do computador de maneira apressada e frenética. Afinal, quem não o faria em uma situação dessas? Ou fazia o trabalho rapidamente ou seria pego pelos policias e provavelmente seria preso por alguns anos. Aparentemente, roubar informações de que não eram de seu pertence eram crime, juntamente com invasão de território.  No momento, encontrava-se no prédio central do governo, onde haviam todas as informações, dados, estatísticas de que precisavam para provar que o sistema que utilizam é injusto. A população passa fome, mesmo com toda a tecnologia envolvida. Os salários estão atrasados, pessoas inocentes morrem todos os dias, e a única coisa que poderia provar isso a não ser uma vista em geral na cidade são os dados que estavam naquele computador.

Mas também, estava lá por um motivo apenas seu: Apagar sua ficha criminal do sistema.

“Red” era apenas um nome que adotara. O descrevia, mesmo que nada tinha a ver com o seu nome. Mesmo que andasse mascarado, todos conheciam este nome de olhos fechados. Não seria bom que o nome “Keith” fosse conhecido. Aliás, nem seus companheiros de equipe sabiam de seu nome verdadeiro. Por isso, Red estava de bom tamanho. Não queria prejudicar sua família, esta era a verdade.

Na semana anterior, enquanto fazia um de seus trabalhos como hacker em uma missão individual, fora pego sem a máscara. Para o seu azar, o reportaram para a polícia. Tem estado fora de casa por conta disso. E era exatamente por isso que implorara para que na missão seguinte fosse o responsável por pegar as estatísticas e apagar sua ficha criminal.

Tinha cinco minutos. Cinco minutos para eliminar o vírus de defesa do sistema, pegar os dados e apagar a sua ficha. Fazia isso o mais rápido que podia, não se importando muito com o resto. A sala passara a ficar quente. Suava frio, com toda aquela pressão.

 

“Ou você apaga a ficha, pega o que precisamos ou sua família descobre seu trabalho de hacker e você vai pra cadeia e fica lá pro resto da vida. Que tal? ”, pensou. Era sua motivação.

 

“– Três minutos! ”

 

– Quase lá...E...Eliminado! – Falava sozinho, enquanto trabalhava com pressa.

 

Pegou o chip que estava em um equipamento preso no pulso – Obrigado, tecnologia -  e o inseriu no computador. Os equipamentos que usaram, graças a Pidge – e a tecnologia – eram de extrema ajuda e também eram realmente úteis e práticos.  Basicamente todos os seus equipamentos eram desta forma. Pidge era o cérebro da equipe, basicamente.

 Moveu os dados da pasta para o chip, sem interrupções. A tela indicava que em dois minutos todos os arquivos seriam movidos para dentro de seu chip. Sorriu, enquanto abria uma outra pasta. Já havia praticamente acabado a missão principal. Hora de fazer o que precisava.

 

“– Red, dois minutos! ”

 

Procurava a pasta onde encontravam-se as fichas criminais rapidamente, atento.

 

“– Red? ”, uma voz diferente da de antes indagou. Provavelmente era Hunk.

 

– Oi, inferno! Já tá passando pro chip! – Exclamou, irritado. Detestava que subestimassem seu trabalho.

 

A pasta simplesmente não estava lá. Procurou por literalmente todo lugar. Não havia tempo.

 

“– Red, eles estão subindo as escadas. Saía daí agora. ”, Pidge alertou.

 

Keith bufou, ainda não desistindo. Não poderia simplesmente sair dali sabendo que suas informações estavam soltas por algum lugar e que sua família poderia estar em perigo. Em cerca de alguns dias, a informação de que Red e Keith eram a mesma pessoa seria divulgada pela mídia. Odiava exposição. Parecia que o restante da equipe não se importava, além dele e de Pigde. Hunk e Lance permaneciam com seus verdadeiros nomes – dois imbecis, na visão de Keith. Ouviu passos vindos de fora. Deu de ombros, continuou procurando.

 

– Ah, Merda! – Puxou o chip do computador na mesma hora que os soldados entraram no quarto escuro.

 

Correu até a janela, sem olhar para trás e se jogou dela.

 

 Por favor. Que meus cálculos estejam corretos. 

 

– Ele escapou. – Resmungou um dos policiais. – Vai morrer pela queda.

 

Outro suspirou, andando em direção a janela. Ele usava um uniforme diferente dos demais, provavelmente era a autoridade máxima ali.

 

– Não. Faz parte de sua estratégia. – Agarrou o rádio, pressionando o botão de fala. – Aqui é o Takashi. Quero todos nos fundos, agora! Procurem pelo garoto. Não deixem que escape!

 

– M-Mas, Takashi...

 

O homem ignorou, correndo para fora da sala.

 

 

Caiu exatamente dentro da caçamba de lixo, felizmente confirmando seus cálculos. Gemeu, saindo de lá depressa. Seu corpo estava inteiramente dolorido obviamente por culpa da queda. Suspirou, olhando para os lados. Entrara pela direita, então iria novamente por ali. Por lá, era o único local onde havia um muro em que a cerca elétrica tinha sido desligada por Hunk.

 

– Pidge? Hunk? Alguém? – Indagou, esperando resposta vindo do aparelho de comunicação.

 

O retirou da orelha, suspirando. Estava inteiramente desmontado. A pequena iria simplesmente surtar. Keith havia quebrado o equipamento que tinha trabalho por tanto tempo. Mas não podia se importar com isso agora. Sua prioridade era fugir. E antes que pudesse fazer qualquer coisa, ouviu passos. Muitos passos. Não havia onde se esconder. A caçamba era enorme, não havia como subir naqueles poucos segundos que lhe restavam. Saiu correndo em disparada. Afinal, era sua única chance.

– Ali! – Um homem gritou.

 

Um dos homens se aproximava cada vez mais, deixando o restante para trás. Corria extremamente rápido. Quem diabos era aquele? Olhou alguns segundos para trás, vendo que o homem quase se aproximava. “ Takashi” estava escrito em sua roupa. “O general?! Não me diga. Cuidando de mim pessoalmente? ”, pensou, enquanto se permitia rir naquela situação. Tal general era muito glorificado em todos os lugares, inclusive pela sua família.

Keith se apressou. Olhou para o corredor do lado. Mais policiais vinha. Estava cercado. Olhava para trás, para a direita e para a esquerda, onde haviam muitos policiais. A sua frente estava sendo bloqueada por um muro que tinha cerca elétrica. Todos os caminhos estavam ocupados. Mais dois segundos e o general o alcançaria.

– Se renda, garoto. – Takashi disse, pegando o que pareciam ser algemas enquanto corria.

O moreno achou graça.

– Sinto muito, mas hoje não. – Seguiu o caminho da direita, onde os policias corriam em sua direção.

 

Derrubou um dos policias e o usou de escada, pulando por cima do restante e continuando a correr. Passou por baixo de outro, enquanto já desviava do ataque de um terceiro. Quando menos esperava, todos ficaram para trás. Pulou o muro, sumindo da visão dos outros.

 

– Merda! – Takashi exclamou, parando de correr.

 

– General, devemos continuar?

 

– Não. Nesta altura, já deve ter sumido. – Resmungou. – Vamos organizar uma equipe agora.

 

 

 

 

 

Bufou, digitando os números com pressa para confirmar sua identidade. A porta se abriu, e praticamente se jogou para dentro.

 

– Red! – Pidge exclamou, se levantando da cadeira do computador e correndo até ele. Os outros dois não foram diferentes. – O que aconteceu? Você parou de responder!

 

– Hey. – Keith disse, entregando o comunicador nas mãos de Pidge, que fez uma cara de desaprovação. Sentou-se em um sofá, extremamente exausto.

 

O esconderijo ficava nos fundos de uma padaria – que era da família de Hunk. A entrada era totalmente neutra, mas possuía uma tecnologia totalmente elevada feita totalmente por Pidge, que se certificou de que o lugar estaria totalmente protegido. Dentro da sala, haviam vários equipamentos e a decoração era toda em neon. As paredes possuíam alguns rabiscos e desenhos de grafite também.

– Você tá me zoando, né?! Você tem noção do quanto demorou pra fazer um comunicador minúsculo assim?! Olha aqui, Red, me conta tudo que aconteceu...

Jogou a cabeça para trás, fitando o teto. Parou de ouvir o que a pequena falava. Seus pensamentos todos tinham em base uma única coisa: A Ficha Criminal. Não conseguiria a deletar. Na realidade, nem mesmo a encontrou. Logo, seria divulgado na mídia. Colocou as mãos no rosto, afastando o cabelo do rosto. Não poderia voltar para casa. Por este motivo, estava no esconderijo. Retirou o lenço do rosto, o deixando de lado.

– Gente. Acho que temos um problema. – Hunk disse, ligando a televisão.

Todos sentaram no sofá, atentos ao noticiário. A moça dizia que um jovem havia invadido o prédio do governo e roubado informações. Diziam também que não divulgariam a sua identidade por segurança e que pretendiam negociar as informações com a sua identidade.

 – Red, a polícia tá atrás de você. Eles sabem sua identidade. – Hunk disse, desligando a televisão em seguida.

 

Keith bufou.

 

– Você é idiota?! Como que consegue ser descuidado assim?! – Lance exclamou, indignado.

 

– Eu vou resolver. – Keith disse, tentando manter a calma.

 

– Não, não é “eu vou resolver”, você tá colocando todo o grupo em risco! – O outro exclamou, se levantando do sofá.

 

– Caralho, eu já disse que vou resolver! Por isso que você é tão insuportável! Isso não é da sua conta! Não acha que já não pensei em exposição?! Isso é problema meu! – Keith retrucou com o mesmo tom de voz, se levantando do sofá.

 

– Pois pense direito! Você tá fodendo com a gente, Red! Ou seja lá qual for seu nome de verdade!

Pidge e Hunk se olharam, meio assustados. Pidge voltou para o computador, digitando depressa.

 

– Eu tentei, caralho! Minha família também tá correndo perigo, tá?! Eu vou cuidar  dis-

 

– Gente! Escuta! – Pidge levantou o tom de voz, o que era raro apenas por se tratar dela.

 

Todos a encararam, atentos ao que iria falar.

 

– Vai ter uma festa de mascaras neste sábado, na mansão principal. Aparentemente, estarão lá também para resolver o assunto do Red. Digo, isso foi uma dedução minha, vai ser uma festa com todas as pessoas mais importantes do país e eles vão discutir sobre os atentados. Obviamente, terão os dados consigo. Até a Allura vai estar lá. Você pode conseguir os seus dados lá. Eu não garanto nada. A segurança de lá é altíssima. Para você entrar lá, vai precisar de muito mais do que só isso que a gente tem aqui.

 

– E como eu entro lá?

 

– Como eu disse, vai precisar de muito mais do que temos aqui, e...

 

– Pidge. Por favor. – Keith pediu.

 

– O quê? Eu não sei o que voc-

 

– Como eu entro lá?

 

Pidge bufou, vendo que teria certo trabalho.

 

– Tá. Eu vou dar um jeito, eu já entendi. – A pequena Resmungou.

 

– Por que ele só não se infiltra como convidado? – Hunk perguntou, inocentemente.

Todos voltaram o olhar para ele.

 

– Hunk, isso é ridíc- Pior que não é uma má idéia...? – Keith franziu as sobrancelhas.

 

– Odeio concordar com esse daí, mas talvez seja uma boa ideia mesmo... – Lance comentou.

 

– Basicamente a gente te faz entrar lá dentro e você finge que é um convidado. Como vai ter muita gente, eu duvido que vão perceber você lá. O problema é que você tem um rosto marcante. Se eles sabem seu rosto, vai ter problemas, Red. – Comentou Pidge.

 

– Eu agirei rápido. Não terão tempo de prestar atenção no meu rosto. – Respondeu, suspirando. – Agora, traje social? Realmente não tem como apenas me infiltrar lá que nem dá última vez. Né?

 

– Sinto muito, mas não. A sala de arquivos tem segurança máxima, pra você entrar lá dentro, precisa de um cartão de algum funcionário de cargo significativo. – A menor disse, enquanto mexia no computador. – Se você invadir, o tempo máximo que vai ter após entrar pelas janelas é de dois minutos. É impossível. Se você quer fazer as coisas com calma, vai ter que ser do jeito do Hunk. Eu tenho uma planta do local, posso te mandar depois.

 

Keith brincava com o controle remoto da televisão.

 

– Tá, entendi. – Detestava traje social. Mas não tinha outra maneira. – E como vocês vão me “colocar lá dentro”?

 

– Eu resolvo isso. Vou dar um jeito de te colocar na lista dos convidados. Até sábado eu resolvo isso. Tenho um contato. – A garota sorriu. Red parecia ainda estar inseguro, por algum motivo. – Meu irmão tem contatos lá dentro, não fica com essa cara. A gente resolve.

– É, não tenho escolha se não confiar em vocês. – Riu amargamente.

 

 

 

 

Aquela noite estava fria.  Mas aquilo não o atrapalhava, de forma alguma. Detestava o calor. Era mais desconfortável ainda. Apenas gostaria de estar em casa assistindo algum filme na Netflix ou lendo algum quadrinho. Infelizmente, não tinha outra opção senão aquela. Ou recuperava sua ficha, ou nunca mais teria conforto. Afinal, não poderia voltar para casa. Seus pais provavelmente estavam preocupados. Não era justo com eles.

Mais uma vez, detestava traje social, aquelas roupas o sufocavam. Pelo menos estava acostumado com máscaras. Claro, a que usava era muito mais enfeitada e cobria os olhos apenas. Contudo não tinha outra escolha – se tivesse, certamente teria a seguido. Colocou as mãos no bolso, suspirando. Pelo menos o cabelo estava como o habitual. Depois de uma longa briga com Lance e os demais, não deixou que ninguém encostasse no que já estava bom. Também odiava gel. Mas conseguira os convencer de que não tinha necessidade alguma nisso.

 

Fitava de uma distância considerável a enorme mansão iluminada. Pessoas de importante classe social entravam pelo portão da frente, com roupas extravagantes e enfeitadas. Escondeu o pequeno aparelho triangular na orelha, cobrindo com o cabelo.

 

– Os convidados já estão entrando. – Keith disse, observando.

 

“– Siga as pessoas da direita. Elas estão em grupo grande. Os guardas só estão verificando identidade de pessoas sozinhas. – Pidge disse. – Vamos ter problemas se os guardas já te reconhecerem logo pelo rosto. ”

 

Por alguns segundos, se perguntou como Pidge sabia de sua posição, quando lembrou do que dissera quando vestia o traje: “Vamos estar te acompanhando o tempo todo com a câmera do dispositivo. Deixe-a presa no terno. Caso contrário, não poderemos te ajudar.”

Saiu da posição de onde estava, andando para mais perto da mansão, até ver o grupo o qual Pidge afirmava estar ali.

 

– Entendi. – Murmurou de volta, juntando-se ao grupo discretamente.

 

Nem mesmo notaram a presença do garoto ali. Estavam ocupados rindo e julgando o restante dos outros convidados pelas roupas e nomes cafonas.

 

– A Erika parece que veio para a uma boate. – Uma das moças comentou.

 

– Ela só está aqui porque é irmã de um dos civis e já se acha desta forma. Por isso que eu não gosto dela. – Outra comentou. As duas começaram a rir.

 

Parou de prestar atenção na conversa das duas, vendo que a entrada se aproximava. Estava nervoso. Se o parassem ali, todo o plano estava arruinado. Teria vindo por nada. Perderia a família e amigos. Portanto não podia pensar agora nisso. Finalmente chegaram na entrada. Os guardas deram uma olhada por cima do grupo e não disseram nada. Passou por eles. Não resistiu suspirar de alívio.

 

– Ei. Você. – Um dos guardas chamou.

 

Keith gelou. Virando devagar.

“ Só acontece merda comigo”, pensou.

 

– Sim?

 

– Gravata bonita.

 

– A-Ah..Sim, obrigado. A sua é....legal também. – Disse, voltando a andar para dentro do salão.

 

 

O local era imenso. Havia um enorme lustre cintilante no centro da sala. Só aquilo já deveria ser mais caro do que o seu apartamento. Enormes mesas fartas dos mais diversificados pratos de cozinha estavam colocadas nos cantos do salão. Haviam bebidas, música. O clima estaria bom se as pessoas que estavam presentes ali não passassem de gente com poder por ter dinheiro.

 

“– Red, o general Takashi está por aí. Ele sabe quem você é. Aja normalmente e se misture com as pessoas. ”

– Como e-

 

“– Não nos responda! Você não fala sozinho, fala? ”, Lance resmungou.

 

Bufou, pegando um copo de alguma bebida que não fazia a mínima ideia do que era e bebeu um gole. E aliás, era horrível. Por pouco não colocou para fora. Andara para o local onde havia a maior concentração de pessoas que no caso, era no centro.

“Eu não tenho tempo de ficar aqui. Preciso de um cartão pra entrar logo na sala”, pensou consigo.

 

“– Ah, esqueci de te avisar, mas o cartão de que você precisa, precisa ser obrigatoriamente de alguém que é permitido entrar na sala. Em outras palavras, os de funcionários comuns não servem. ”, Pidge alertou. Lance parecia rir no fundo.

 

 Você tá me zoando...

 

Foi em direção ao general. Por mais que ele estivesse de máscara, ele era inconfundível. Aquele obviamente era ele. Deixou a bebida na bandeja de um garçom que passava por ele.

 

“– Red? Red...O que você tá faze-“

 

Mexeu no equipamento enquanto andava, enquanto desativava o áudio. Deu uma risadinha, parando na frente dele. Ele parecia estar bebendo algo como champanhe. Quando percebeu sua presença, se virou, franzindo as sobrancelhas.

 

– General Takashi, certo? – Indagou Keith, com um falso sorriso no rosto.

 Ele tem um cartão. E o dele serve, ele é autoridade máxima da polícia.

 

– Ah, me descobriram. Sim, sou eu. – Disse, deixando o copo de lado e dando atenção ao menor. –  Perdão, mas eu te conheço?

 

– Oh, que falta de educação a minha! – Exclamou, com exagero. – Pode me chamar de Kogane.

 

O maior sorriu.

 

– Kogane, uh? Nome familiar. Mas não te conheço, mesmo?

 

– Ah, eu não sou deste território. Trabalho em outra parte do país. – Mentiu descaradamente, enquanto o encarava.

 

– Oh, faz sentido. Mas me diga, posso te ajudar em alg-

 

Foram interrompidos por uma música, a qual parecia ser lenta. A maioria das pessoas se juntavam a um par e começavam a dançar no ritmo da música. Após alguns segundos, eram poucas as pessoas sem pares. “É sério isso? Essas pessoas têm algum problema? Essas músicas são muito clichês. Não vejo motivo para isso...

Antes que pudesse concluir seu pensamento, Takashi estendeu a mão para ele.

– Somos os únicos aqui sem pares. Gostaria de dançar, Kogane?

 

Voltou a olhar para o maior, surpreso. Mas esta era sua chance para pegar seu cartão. Assentiu, colocando sua mão sobre a dele.

 

Takashi o conduzia até o centro do salão. Parou em algum lugar vazio, ficando de frente para ele.

 

– Eu não sei dançar. – Keith resmungou, evitando o encarar. Não se orgulhava deste fato.

 

O outro pareceu achar graça. Pegou timidamente a mão esquerda do garoto, colocando em seu próprio ombro direito. Posicionou sua mão direita no ombro esquerdo do outro, sorrindo. As mãos livres se encontraram.

– Eu te ensino. – Falou, começando a o conduzir no ritmo da música.

 

 

   Começaram a se movimentar, Keith seguia o ritmo por mais perdido que estivesse, mas ainda assim, o acompanhando. “Takashi dança incrivelmente bem. ” Após alguns segundos, havia entendido como a dança funcionava. O general sorria, parecia realmente estar se divertindo na situação. O restante dos casais olhava torto. Conseguiu até mesmo ouvir alguns comentários preconceituosos. Mas não se importava, pois pararam de encarar quando uma outra música começou. A música seguinte era muito mais tensa. Alguns casais pararam de dançar e voltaram a conversar.

Takashi e Kogane dançavam pelo enorme salão brilhante. Pareciam estar enfeitiçados um pelo outro, já que se olhavam como se estivessem se encarando por de trás das máscaras. Keith sentia-se estranho pelo toque do maior. Antes que sequer notasse, o que antes era desconforto, fora substituído por uma estranha sensação de prazer.

Mas estou aqui por outro motivo

Pidge lhe disse que os cartões de identificação ficavam no bolso direito, era uma regra a ser cumprida por todos apenas por capricho. Estava apenas esperando uma oportunidade para agarrá-lo. Queria ir embora o quanto antes, embora estivesse sendo atraído pelo outro como um imã.

– Então, Kogane. Incomum me conhecer vindo de tão longe. – O maior comentou.

 

– Oi?

 

– Oh, nada. Disse que é incomum você saber do meu nome. Você disse que não é daqui. E eu conheço o nome de cada pessoa que faz parte da organização. Mas você também não me é estranho.  

 

– É, sim... – Ficara meio na dúvida do que responder, no final. – Acho que é impressão sua.

 

Ficaram em silêncio por algum tempo.

 

– Ah. Sabe o que eu acho engraçado? – Takashi Riu. – Perdão. Mas é uma coincidência incrível estar aqui, Red. Não imaginei que viesse.

 

Kogane arregalou os olhos, embora aquilo não o fizesse parar de dançar.

 

– Não sei do que está falando. – Murmurou, levemente nervoso.

 

– Achei que era coincidência achar alguém tão parecido quanto ele por aqui. Mas vejo os seus olhos, mesmo que cobertos por esta máscara. São idênticos aos daquela noite.

 

Engoliu o seco, hesitando. Tirou a mão de seu ombro, recuando.

 

Takashi riu, o puxando com a mão que ainda estava entrelaçada na dele e o trouxe para mais perto. Colocou a mão na sua cintura, o encarando. Estavam realmente muito próximos um do outro.

 

– Ah, não. Se você sair agora, todos os policias tem a ordem de apontarem as armas para você. E atirarem. É só olhar em volta. Não sente que estamos sendo observados? – O general indagou, mais como um sussurro.  – Ordem minha, afinal.

– Atirariam em alguém durante a festa? – Keith perguntou ironicamente, com um sorriso sarcástico.

 

Takashi retribuiu o sorriso.

 

– Sob minhas ordens, sim.

 

Keith suspirou. Não tinha alternativa. A próxima música começava, e os dois dançavam. O clima tinha ficado muito mais intenso, como se estivessem vigiando um ao outro em silêncio. Não era mais o mesmo clima de antes. Mas ainda assim, não conseguia tirar os olhos dele, assim como o outro também não.

 

– Takashi.

 

– Sim?

 

– Será que eles têm coragem de atirar no próprio general?

 

– Hã? Você não tá pensando e-

 

Keith mostrou o cartão para ele.

 

– Desde quando você...Você pegou isso do meu bolso?

 

– Peguei, sim. Na hora que você me puxou. – Riu. – Mas não se engane. Você está preocupado com o que está dentro do cartão, não?

 

– Você não...

 

– Ah, não vou o partir no meio. Eu já sei o que está no meio. Os soldados não sabem. Digo, quem gostaria de saber que seu general negocia ilegalmente? Imagina quando souberem que o próprio general fornece armas de negócios ilegais.

 

O maior suspirou.

 

– O que você quer?

 

– Oh, não. Não é esta a pergunta. A pergunta é “ o que posso fazer por você? ” Desbloqueie a sala superior e eu te devolvo as suas...coisas. Simples. – Guardou o cartão no próprio bolso.

 

– Ah, você não tá falando sério.

 

– Você entendeu. Vamos andando.

 

 

 

 

Por algum motivo, Takashi continuava sorrindo, mesmo sendo ameaçado. Keith sabia que tinha algo por trás, mas apenas o acompanhava até o andar de cima. Não confie nele, dizia para si. Mas seu corpo parecia o desobedecer. Ou seja, não funcionava na prática.

 

Demorara cerca de 2 segundos para desbloquear a sala com o cartão e inserir a senha – que Keith nem sabia da existência. Retirou a máscara de seu rosto, sentia que aquilo o atrapalhava cada vez mais. O general ficou na porta, encostado ali enquanto o observava.

Correu até o computador, procurando os arquivos.

 

– Faz isso há quanto tempo? – Perguntou, enquanto retirava a máscara de seu rosto.

 

Ignorou, continuando a procurar.

 

– Ok. Trabalha em silêncio, uh? Vou reformular a pergunta. Keith, se diverte nisso? Se sente livre?

O encarou por cima do computador, franzindo as sobrancelhas. 

Ah, é. Ele sabe meu nome, né? Isso é estranho.

 

– O que quer dizer com isso?

 

– Se procurar nessa pressa, nunca vai achar. Paciência gera foco, sabia?

 

 Sinto que ele não está falando dos arquivos. 

 

– Não tenho interesse em prender um jovem igual você. – Admitiu, rindo. – Embora tenha interesse em outa coisa.

 

Falou tão baixo a última frase que o outro nem mesmo o escutou.

 

– Disse algo? – Perguntou, voltando a procurar seu nome na pasta.

 

– Ah, não. Quis dizer que se você tivesse seguido outro caminho, talvez poderíamos ter sido amigos. Ou sei lá...Mas infelizmente você resolveu desobedecer a lei.

 

Ignorou, finalmente transferindo seus arquivos para o chip. Suspirou de alívio, vendo que a transferência não demoraria. Mas aquele tal de Takashi era um tanto quanto interessante. Havia aceitado o acordo sem antes argumentar.

 

– Takashi. Por que não atirou em mim naquele dia? Estava com a arma em mãos. – Refletiu, esperando a transferência. Cruzou os braços, o encarando.

 

– Boa pergunta. – Se aproximou dele. – Talvez porque eu não quis e pronto.

 

“Nossa, que motivo estupido. Ele provavelmente está escondendo algo”. Suspirou, sentindo o vento levantar seu cabelo. Estava frio mesmo, no final das contas.

Takashi segurou seu queixo, o encarnado intensamente.

 

– Não me entenda mal. Eu não acho que você está errado. Você só tem a coragem que não tenho. – Takashi riu, o largando e colocando novamente no rosto sua própria máscara. Pegou o seu cartão que estava a cima da mesa e o colocou nos bolsos de suas calças. – E um conselho, se eu fosse você, iria embora. Parece que os policiais descobriram de um “intruso” na sala D e estão mandando todos para lá. Bom, nos veremos em breve.

Deu meia volta e começou a andar, acenando.

O que ele quer dizer com isso? 

 

Franziu as sobrancelhas. Afinal, Takashi havia o ajudado? Por que diabos o alertara?

Oh. O intruso na sala D sou eu

Mesmo assim, não fazia sentido para si. Eram inimigos, ele mesmo disse.

Voltou o olhar para o computador, vendo que a transferência já estava em 100%. Agarrou o chip, guardando-o e saindo da sala, enquanto vestia a máscara novamente. A fuga foi bem-sucedida. Afinal, mascaras eram aliadas.

 

 

 

 

 

          Keith havia se afastado do grupo por alguns meses por conta própria. Na realidade, optara por isso pela sua família. Sabia que a colocava em risco, mesmo eles não sabendo dos casos e atentados que seu filho participava. Também não ouvira mais falar de Takashi. Não que se importasse com isso. Apenas pensava de vez em quando.

Resolveu que deveria voltar quando notou o tédio. Detestava esta sensação. Obviamente não queria se envolver tanto. Apenas queria passar um tempo naquele local.

Subiu em sua moto, indo em direção à padaria que costumava ir. Estava como sempre, mesmo meses depois – e óbvio, as coisas não mudam tanto assim apenas neste período de tempo. Passou direto, entrando pelos fundos, como sempre fazia. Parou na frente da porta, suspirando. O que diria após tanto tempo? Provavelmente ficariam furiosos com ele.

Deu de ombros, desbloqueando a porta.

 

Assim que a porta se abriu, entrou. Sem cerimonias.

Deu uma olhada no local, que não mudara absolutamente nada.

 

– Ah! Olha quem resolveu aparecer. – Lance comentou.

 

– Eu posso explic-

 

Keith.

 

A voz lhe era familiar. Se virou, arregalando os olhos.

 

– O-O que ele...?

Estava em pânico, obviamente. A pessoa que mais queria evitar estava na sua frente. E que sentido aquilo fazia?

– É, é. O general veio aqui no mês passado te procurando. Não sei como ele conseguiu achar o local, mas ele estava te procurando. Como a gente não sabia onde você tava, ele disse que esperaria por você aqui. – Explicou Pidge, enquanto mexia em alguns equipamentos. – E como ele tem ajudado, eu não me importo muito. E ele não incomoda ninguém e tal.

 

– Ah, não diga isso. Você diz como se eu já não estivesse na equipe. – Takashi riu.

 

– Oi? Eu não tô entendendo... – Keith admitiu.

 

– Ah, eu não te disse que o Shiro fazia parte da equipe antes de você entrar? Ele saiu porque foi promovido como general.

 

– É. Prometi que eu nunca iria voltar pra isso de novo. – Shiro riu. – Ei, Keith. Quer ir tomar um café?

Franziu as sobrancelhas.

– Eu não confio nesse cara.

 

– O Shiro não vai te prender, cara. Relaxa. Ele nem é mais policial. – Hunk comentou.

 

Por que ele se demitiria? Eu não vou ser enganado tão fácil. 

 

– Cara, o que mais você precisa pra entender que eu só vim aqui por que queria te conhecer? – Takashi disse, pegando sua mão. – Vou pegar o Keith emprestado por algum tempo.

 

Ok, na verdade, eu fui enganado bem fácil

Os dois saíram pela porta juntos, de alguma forma ninguém reclamou.

 

– Ok, mas quem é Keith? – Indagou Lance. – Gente?

 


Notas Finais


Eu me esforcei bastante pra fazer aaaaaa
Eu espero que seja do agrado de alguém ;;;

clichezão mesmo eh isto


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