1. Spirit Fanfics >
  2. Paulicia: You Changed My Life >
  3. Primeiro dia de aula

História Paulicia: You Changed My Life - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - Primeiro dia de aula


Quando escuto o bipe do despertador fico assustada e ao mesmo tempo supresa por ter conseguido dormir. Se de uma coisa eu tinha certeza ontem à noite, era que eu passaria a noite em claro. Saio da cama imediatamente para não correr o risco de me atrasar, arrumo a mesma e vou até meu guarda-roupa pegando uma calça jeans preta e um body canelado cinza. Me visto e calço o mesmo tênis branco que usei ontem. Vou até o espelho na parede do quarto e solto o elástico que prende meus cabelos, passo o pente para desembaraçar e por ele estar preso em um coque as pontas dele fizeram pequenas ondas que eu achei adorável, por isso decidi não concerta-las. Pego minha mochila cor de abóbora e então me lembro que estou me arrumando para o primeiro dia na faculdade, sinto minhas pernas tremerem e me sento imediatamente antes que acabe caindo. Nesse exato momento meu telefone vibra em cima da cômoda e me sinto aliviada ao ver o nome do Josh na tela

“Graças a Deus que você ligou!” Digo tentando controlar minha respiração 

“Ei, calma, não adianta ter uma crise agora, Ally relaxa está tudo bem”, ele tenta me acalmar. Josh me conhece há anos e sabe que eu sofro por antecedência por tudo. “Ally respira, hoje é o grande dia, você planeja isso há anos e não tem nem chances de algo dar errado”

“E se der?” Estou nervosa

“Não vai. Ally você é a garota mais esforçada que eu conheço, você fez de tudo pra chegar aí e agora que chegou, não quero que pense demais e sofra por antecipação, eu disse que vai dar tudo certo e você tem que acreditar nisso”

“Eu queria tanto que você estivesse aqui comigo”. Tudo seria mais fácil se ele estivesse comigo, com certeza eu não estaria desse jeito

“Eu também queria”, ele suspira. “Escuta só Alicia Gusman, você é incrível, extraordinária e super inteligente, não há como as coisas não darem certo pra você, então coloque na sua cabeça de uma vez por todas que tudo vai dar certo e pare de se cobrar tanto”

“É me cobrando que eu consigo o melhor de mim”

“Eu sei, mas não precisa ser tanto”, ele diz

Suspiro. “Tá bom”

“Ótimo, agora termine de se arrumar e me liga pra contar tudo sobre a faculdade depois”

“Ok”

“Boa sorte, você vai brilhar”

“Espero”

Desligo o telefone e coloco a mochila nas costas, me levanto da cama me sentindo muito mais calma, o Josh sabe exatamente o que dizer pra me acalmar. Respiro fundo e saio do quarto descendo as escadas em disparada, coloco minha mochila no sofá e vou para a cozinha.

“Bom dia”, minha tia sorri assim que me vê passando pela porta da cozinha. 

“Bom dia”, sorrio de volta e dou a volta na mesa pegando uma xícara no porta copos da pia. 

“Acabei de fazer o café, sei o quanto você gosta”

“Você acordou cedo só pra fazer café pra mim?”, pergunto virando café na xícara 

“Não”, ela ri. “Eu sempre acordo nesse horário, preciso trabalhar”

“Ah”, é tudo que eu respondo. 

Me sento na cadeira e como algumas rosquinhas enquanto tomo café, minha tia termina de comer rapidamente e se despede dizendo que precisa chegar mais cedo no trabalho, ela me abraça e me deseja um bom primeiro dia. 

Subo novamente só pra escovar meus dentes, quando desço novamente pego meu celular e vejo que são sete horas. Pego as chaves da casa que a minha tia me deu ontem e pego minha mochila no sofá saindo de casa. Minha primeira aula é às oito e o ônibus sai às sete e quinze, não quero correr o risco de perdê-lo, por isso sai cedo. 

Enquanto espero o ônibus no ponto digo a mim mesma que preciso urgentemente comprar um carro, eu detesto andar de ônibus e não é por frescura, é porque eu não sei mesmo, sempre me confundo com as ruas, ainda mais aqui que eu mal conheço as ruas. Um carro preto muito brilhante e lindo para na minha frente e eu olho tentando ver quem está lá, reconheço o garoto que estava ontem na casa da minha tia, o garoto mal educado 

“Vai para a UNLV?”, ouço uma voz feminina e finalmente vejo a Marce no banco do carona

“Vou”, respondo sorrindo

“Quer uma carona?” Ela oferece

“Tem certeza?” Pergunto ao ver a cara fechada do garoto atrás do volante 

“Claro, entra aí”, ela responde apontando com o queixo para a porta atrás do garoto 

Concordo com a cabeça e abro a porta de trás e me sento no banco atrás dele. 

“Desculpa a falta de educação dele, mas esse aqui é o Paulo”, ela aponta para o garoto mal educado que apenas da de ombros e arranca com o carro. “Paulo é... é um pouco sem educação”

“Eu não sou obrigado a me apresentar pra ninguém e não preciso que se desculpe por mim”, ele soa tão seco que arregala os olhos sem querer, surpresa com sua grosseria, nunca vi ninguém assim. Marce não parece envergonhada ou indignada com a forma que ele a respondeu, muito pelo contrário, ela não esboça nenhuma reação, e acabo achando que ela já está acostumada com isso. 

“Seu namorado é bem grosso.” Minhas palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse fazer alguma coisa pra impedir. 

Marce olha para o garoto e os dois começam a rir. Qual é o problema deles?

“Paulo Guerra não é meu namorado”, ela consegue dizer, quase sem fôlego. E então ela se vira para mim e diz: “Paulo tem um... um jeito todo especial de se comunicar”

Então ela está me dizendo que o Paulo é um idiota grosseiro propositalmente? Ele da de ombros e fica em silêncio 

“Ei”, ela diz se virando para trás parecendo estar se lembrando de algo. “O que você pretende fazer hoje à noite?”

“Estudar”, respondo e o tal Paulo da risada. Tenho vontade de bater com a minha mochila na cabeça dele. 

“Estudar? No primeiro dia?” A Marce me olha como se eu fosse um ET.

“Claro, eu estou sempre estudando”, respondo na defensiva

“Então vamos quebrar essa rotina, tem uma festa hoje à noite, você devia vir com a gente”, ela convida. 

É a minha vez de dar risada. 

“Não obrigada. Não sou muito chegada a festas”. Paulo não diz nada mas vejo pelo espelho retrovisor que ele está com um sorriso sarcástico no rosto, e então vejo suas covinhas. 

“É só uma festinha! Você é uma universitária agora, uma festa não vai fazer mal”, ela insiste. 

“Não vou ir a essa festa... não conheço ninguém”, argumento e Paulo da risada outra vez. Esse garoto já está me irritando e eu nem o conheço. 

“Você me conhece, eu vou estar na festa... Vamos lá por favor?” Ela junta as mãos em um apelo dramático. Não sei porque ela quer tanto que eu vá, ela nem me conhece. 

“Ah... não sei não”, respondo

“Marce desiste, tá na cara que essa garota não vai topar ir à festa”, Paulo diz, aos risos, com um certo sotaque. Uma parte de mim — que admito ser bem grande —, está louca para perguntar de onde ele é. Já meu lado competitivo quer provar que o sorrisinho pretensioso no rosto dele é injustificado. Mas se tem algo que aprendi com a minha mãe é que eu não tenho que fazer coisa alguma só para agradar alguém. 

“Tem razão, eu não vou topar mesmo”, respondo. 

“Eu não vou parar de dizer até te vencer pelo cansaço”, Marce argumenta em uma tentativa inútil de me convencer. 

“Bela tentativa, mas não vai funcionar”, digo e olha para a janela para mostrar que o assunto está encerrado. 

Seguimos em silêncio pelo resto do caminho. Nem quero saber de festa. Quem da uma festa em plena segunda-feira no primeiro dia de aula? Isso seria uma falta de responsabilidade tremenda, eu não costumo ir à festas nem em período de férias, quem dirá em período de aula? Só de pensar em perder um dia de aula por estar cansada da festa eu já desespero. Em hipótese alguma eu aceitaria ir à uma festa em pleno início de semana. Meus pensamentos sobre os absurdos de festas universitárias são interrompidos quando vejo a placa da LVCU

Fico boquiaberta olhando pela janela enquanto Paulo procura algum lugar para estacionar. Eu já tinha visto fotos pela internet, mas não é nada comparado a pessoalmente. É o maior lugar que eu já vi, tem vários prédios e caminhos de cimento cercado por grama. Só de imaginar que eu posso ficar perdida aqui, eu já fico desesperada. 

“Uau, esse lugar é imenso”, comento quando o Paulo estaciona o carro. 

“É bem grande mesmo”, a Marce responde

Saio do carro e olho as horas no meu celular. Sete e vinte e seis. Cheguei muito cedo, mais cedo do que eu planejava e agora, nem faço ideia do que fazer. Olho ao redor tentando encontrar o prédio do meu curso, sei que é bem longe dos portões de entrada e que tem que virar à esquerda. Me lembro de ter guardado um mapa do campus na mochila e então viro-me e o pego. 

“Pra que pegar um mapa se nós sabemos onde fica seu prédio?” Marce franze a testa e ergue uma sobrancelha 

“Ah... não sei, não pensei que...”

Paulo interrompe. “Não pensou que levaríamos você até lá? Bom, pensou certo porque eu não vou”

Marce revira os olhos. “Não liga para ele”

“Não precisa me levar, tenho um mapa aqui, vou saber me virar”, sorrio. “De qualquer forma, obrigada pela carona”

“De jeito nenhum, se o Paulo não vai te acompanhar problema é dele, mas eu vou”, ela diz e sorri. “Vamos”

Ela me guia para frente com as mãos, e eu sorrio assentindo com a cabeça. Em poucos segundos Paulo para ao lado da Marce 

“Oi Paulo, resolveu vir?” Marce zomba 

Ele revira os olhos. “Não enche”

Vamos o caminho todo em silêncio e não paro de olhar ao redor. Primeiramente: para decorar o lugar. Segundamente: é um lugar muito bonito. Finalmente paramos no caminho para o meu prédio e de longe vi a placa escrita: Medicina Veterinária e Zootecnia. 

“Obrigada”. Digo a Marce

“Não tem de que”, ela sorri. “Quando termina suas aulas?”

“Tenho um intervalo meio dia e só vou embora às quatro”

“Vish, os horários não batem”

“Como assim?” Questiono 

“Não vamos conseguir te dar carona de volta”, ela responde

“O que?” Paulo indaga frustrado. “Você não pode oferecer carona pra alguém sem me pedir primeiro. Qual é a sua?”

“Deixa pra lá Marce, eu ia voltar de ônibus mesmo.” Olho para os dois e sorrio. “Obrigada mais uma vez. A gente se vê”, aceno e me viro 

Começo a andar rapidamente para o prédio, mas não rápido o bastante para deixar de ouvir a Marce dizer: “Pra quê tanta grosseria?”

Era exatamente o que eu queria saber, não entendo pra que tratar tão mal assim as pessoas, ontem eu pensei que ele só estava de mal humor, mas hoje, percebi que esse é seu estado habitual, ou seja: Paulo Guerra está sempre de mal humor. 

Quando entro no prédio fico impressionada com o lugar, tem dois andares e as paredes são brancas, o chão é de cerâmica branca e as portas são todas de madeira clara, sorrio quando me dou conta de que realmente consegui, finalmente a ficha caiu, estou na faculdade. Procuro pela sala A4 de Anatomia dos Animais Domésticos I. Peço informação para uma mulher que está na recepção e ela me mostra que a sala fica na terceira porta nesse corredor de baixo. Sorrio e pego meu celular, são sete e trinta e três. Cedo demais, mas pelo menos não chegarei atrasada, prefiro cedo demais do que em cima da hora ou atrasada. 

Quando entro na sala vejo uma garota sentado na cadeira na frente da sala imensa, fico surpresa por ter gente aqui já, imaginei que seria a primeira a chegar. Decido tentar fazer amizade e me sento ao seu lado. 

“Oi, pensei que não teria ninguém aqui nesse horário”, digo me sentando na cadeira e ela sorri pra mim de uma forma que me deixa imediatamente confortável 

“Eu também pensei, pelo menos vi que não sou o único que se preocupa com o horário.” Ela sorri 

“Com certeza não”, sorrio de volta. “Sou Ally”

“Carmen”, ela se apresenta, abrindo um sorriso adorável. Passamos o restante do início das aulas conversando, a Carmen diz que quer ser veterinária mas não pretende ficar presa em clínicas de cidade cuidando de animais domésticos, ela diz que quer ir mais fundo e cuidar de animais exóticos e no futuro, conseguir ter condições o suficiente para trabalhar de graça para ONGS que resgatam animais de ruas ou animais feridos, fico feliz e nossa ligação é instantânea, esse era exatamente meu objetivo ao me formar em medicina veterinária. Quando a sala começa a encher Carmen e eu fazemos silêncio pois o professor também chegou. 

A medida que o dia passa, me arrependo de ter escolhido cursar quatro matérias ao em vez de três. Tenho que correr para chegar na aula de Histologia dos Animais, optativa, uma das aulas extras, quase chego atrasada e agradeço aos céus por ser a última aula do dia. Fico aliviada quando vejo Carmen sentado na primeira fila, e um lugar vazio ao seu lado. 

“Oi, de novo.” Ela diz sorrindo quando me sento. 

O professor da início a aula entregando a programação do semestre, e falando um pouco sobre ele e sua paixão pelos animais. Fico feliz de a faculdade não ser como a escola e os professores não nos obrigarem a nos apresentar diante da sala, ou fazer coisas embaraçosas e desnecessárias. 

Quando a aula acaba, Carmen e eu decidimos ir comer em alguma lanchonete por aí, já são seis horas da tarde e o céu está começando a escurecer. Nós dois estamos andando pelo campus até a saída quando vejo a Marce e o Paulo vindo em nossa direção 

“Ah que otimo.” Carmen reclama olhando para o Paulo e revira os olhos. 

“Você conhece o Paulo?” Pergunto

“Sim... ele é...” Carmen para de falar pois os dois já chegaram perto de nós

“Ally, você disse que ia embora as quatro”, Marce comenta quando para na minha frente 

“Eu ia, mas acabei decidindo fazer aula extra”, explico 

“Então ainda da pra você pegar carona com a gente!” A Marce parece animada 

“Marce eu já disse que...”

“Cala a boca Paulo”, ela o interrompe

“Obrigada mesmo Marce, mas Carmen e eu estávamos indo para uma lanchonete”, digo sorrindo gentilmente para ela

“Ally tudo bem se você quiser ir com eles”, Carmen diz e então percebo que Paulo e ela estão trocando olhares tensos

“Vem com a gente”, a Marce pede 

Olho para o Carmen que assente com a cabeça. “A gente se vê amanhã”, diz ela, afastando-se 

“Nem acredito que você fez amizade com essa garota, ela é insuportável”, comenta Paulo assim que ela vai embora. 

“Até parece! Ela é uma garota legal, ao contrário de você.” Fico chocada com as minhas palavras. Nunca respondi ninguém assim. Paulo tem o poder de despertar o que existe de pior em mim.

Paulo vira a cabeça para o lado. “Ainda bem que a sua opinião não importa pra mim”

“Já deu né?” A Marce entra no meio. “Vamos logo, por favor”

Paulo revira os olhos. “Eu ainda acho um absurdo você colocar gente que eu não quero dentro do MEU carro”

“Marce olha, muito obrigada mesmo pela sua gentileza, mas eu não quero ter que aturar isso, a gente se vê”, digo me afastando mas a sinto me segurar pelos pulsos. 

“Não Ally, você vem com a gente”

“Como você é insistente Marcelina, a garota não quer vir, então deixa”

“Você que não quer dar carona para ela e está deixando-a sem graça”, Marce diz com raiva 

“Eu não estou sem graça”, me defendo. “Mas não quero ter que aturar isso, não preciso de ninguém sendo grosseiro comigo”

“Então tá, você vem com a gente e Paulo não fala com você pelo caminho todo.” Ela se vira para o Sr. Mal humorado. “Feito?”

“Será um prazer”, ele ironiza e vira de costas saindo. Lanço um olhar de negação para a Marce que só me puxa pelo pulso e me faz andar ao seu lado atrás de um cara mal humorado pisando duro. 

Entramos em seu carro que não está mais estacionado no mesmo lugar que estava quando chegamos, provavelmente ele tinha saído. Quando ele arranca com o carro todos ainda estão em silêncio, um silêncio tenso e desconfortável. 

“Como foi seu primeiro dia?” Marce pergunta e acho que é em uma tentativa de acabar com o silêncio esquisito 

“Melhor do que eu esperava”, respondo e estou sendo sincera 

“Melhor? Então correspondeu melhor ainda suas expectativas? Fico feliz que tenha gostado então.” Ela sorri e Paulo revira os olhos. A Marce é tão amigável, como pode ser amiga de uma pessoa como o Paulo? Eles são o oposto um do outro. 

“Correspondeu muito, eu realmente gostei, um pouco cansativo mas nada do que eu já não esteja acostumada, sempre estudei muito”, digo. 

“Que bom então”, ela sorri. “Mudando de assunto, você pensou sobre a festa?”

“Não, mas minha resposta continua sendo a mesma”

“Ah qual é Ally!” Ela reclama. “O que é melhor para comemorar seu primeiro dia como universitária do que...”

“Em um lugar cheio de universitários bêbados”, a interrompo completando seu comentário com ironia e vejo Paulo rindo pelo espelho retrovisor. 

“Como você sabia que é uma festa de universitários?” Marce questiona 

“Como eu poderia não saber?”

Marce revira os olhos. “Ainda assim, acho que você deveria ir”

“E qual seria a minha diversão?” Pergunto 

“Quer coisa mais divertida do que uma festa?” Marce retruca 

“Bom, eu não bebo, não gosto de barulho, não danço e não gosto de ficar em lugares com muita gente, e adivinha só? Isso é tudo que tem em uma festa.” Respondo tentando ao máximo não parecer grossa demais. 

“Você por acaso já foi em alguma festa?” Marce pergunta 

Paulo solta uma risada baixa. “Claro que não”, ele resmunga 

“Qual é a parte do ‘você não fala comigo durante todo o caminho’ você não entendeu?” Pergunto ao Paulo. Esse garoto tem o poder de me irritar em poucas ações. 

“Eu não estou falando com você, por acaso me direcionei a você? Foi só um comentário solto”, ele responde e eu bufo revirando os olhos. 

“Que se refere a mim, um comentário que se refere a mim” respondo 

“Ai meu Deus, já chega vocês dois”, Marce pede e eu me calo

Alguns minutos depois já estamos estacionados em frente a casa da minha tia, e comemoro mentalmente por finalmente poder sair de perto desse garoto sem educação. 

“Obrigada pela carona!” Abro a porta do carro 

“Você deveria ir na festa” Marce insiste

“Você é insistente né? Nossa”, reclamo 

“Ah por favor, se você não gostar então você volta”

“Minha resposta ainda é não”, digo depois de sair do carro

“Nem eu aguento mais sua insistência Marcelina, isso é irritante”, Paulo reclama 

“E o que não é irritante pra você?” Marce olha para o Paulo 

“Bom...” fecho a porta do carro. “De qualquer forma eu não vou mesmo, então boa festa pra vocês e obrigada novamente pela carona” 

Marce sorri fracamente. “Por nada”

Aceno para eles e me viro indo em direção à porta de entrada da casa e escuto o carro sendo acelerado, me viro e vejo o carro já virando a esquina.

Quando entro dentro de casa minha tia está sentada no sofá assistindo TV. Me sento ao lado dela e conto como foi meu primeiro dia de faculdade, conto que Paulo e Marce me deram carona e que a Marce me convidou para uma festa hoje à noite 

“Você deveria ir”, diz minha tia. Claro que a minha tia de dezoito anos mandaria eu ir em uma festa em plena segunda-feira. 

“Deveria nada”, respondo. 

“Ah qual é Alicia? Você tem dezoito anos e em quantas festas você já foi na vida?” Abro a boca pra responder mas ela me interrompe. “Festas de família não contam”

“Eu não gosto de festas”, fecho a cara e cruzo os braços 

“Você nunca foi em uma pra saber se vai gostar ou não”, minha tia insiste 

“E nem preciso ir, sei que é cheia de gente bebendo e dançando, com uma música alta de até doer os ouvidos”, digo. “Não, não quero isso”

“Você deveria viver um pouco, ser mais normal, você nem parece ter dezoito anos”

“E nem você parece ter trinta e dois. Personalidades tia”, me defendo e ela revira os olhos 

“Eu ainda acho que você deveria se divertir mais”, ela retruca mas eu não respondo. 

Pego meu celular, são sete da noite. Tem uma mensagem do Josh 

Como foi o primeiro dia, universitária? Sorrio ao ler a mensagem 

Melhor do que eu imaginava, você precisa ver, o campus é enorme e o prédio que eu faço curso é do tamanho do pátio da nossa escola com mais algumas salas, respondo 

Nesse momento a campainha toca e minha tia me olha com cara de preguiça, eu reviro os olhos mas me levanto para atender, e ao abrir a porta vejo a Marce vestida em um pedaço de pano me encarando

“Você vai arrastada”

...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...