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História Paulicia: You Changed My Life - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Discussão


Quando acordo no outro dia com o bipe irritante do despertador meu maior desejo é jogá-lo contra a parede pra fazê-lo se calar, mas eu só bato a mão nele. Tento abrir meus olhos mas eles ardem. O preço que se paga por dormir tarde. Mantenho-os fechados e alguns segundos depois decido tentar abri-los lentamente, ainda sentindo que estão ardidos. Pego meu celular e nele tem três chamadas perdidas do Josh! No cansaço de ontem eu nem me lembrei de ligar para ele. Disco o número dele e ele atende no segundo toque. 

“Finalmente, cheguei a pensar que teria que ir aí pra te resgatar”, ele diz assim que atende

“Exagerado”

“O que foi que você fez e não devia ter feito?” Ele pergunta 

“Fui em uma festa”

Ouço ele estalar a língua no céu da boca. “Ahh Ally, fala sério... eu pensei que fosse um problemão.” Ele reclama 

“Para mim foi, e aliás, nunca mais vou em nenhuma outra festa na minha vida, essa foi a pior ideia que eu tive durante meus dezoito anos de vida”, digo me levantando da cama 

“Conte-me com detalhes, por que foi tão ruim?”

Conto a ele desde a insistência da Marce até eu pegar o táxi para voltar para casa, sem deixar nenhum detalhe por fora. 

“Paulo é o garoto que estava na casa da sua tia no dia que você chegou?” Josh pergunta 

“É, o mal educado que não se apresentou.” Respondo terminando de abotoar minha calça jeans 

“Que ele é mal educado já deu pra perceber”

“Pois é!” Bufo. “Ele é tão irritante, e eu nem o conheço” 

“Nem precisa conhecer”

“Exatamente.”

Quando termino de me arrumar despeço do Josh e peço a ele que me conte mais tarde como foi o primeiro dia de aula dele que no caso, é hoje. 

Quando desço as escadas vejo a Tv ligada mas a minha tia não está na sala, vou direto para a cozinha e a vejo tomando café sentada à mesa. 

“Bom dia!” Ela sorri “Como foi a festa ontem?”

“Bom dia!” Pego uma xícara no porta-copos. “Foi uma merda, não deveria ter ido”

“Por que?”

Relato mais uma vez a minha empolgante noite na fraternidade e a minha tia ri quando conto a ela que fiquei ensopada de bebida, ela diz que isso é normal de se acontecer em festas. 

“O Paulo é grosso mesmo, com o tempo você aprende a gostar dele”, diz minha tia depois que conto do desentendimento com o Paulo em seu quarto. 

“Aprendo a gostar dele?” Dou risada. “Tia, o Paulo não gosta de mim e isso é óbvio, não vou tentar me aproximar de quem não me quer por perto”

“O Paulo só não sabe se comunicar direito”

Dou de ombros. “Isso não justifica grosserias de ninguém.” Ela não responde 

Quando termino meu café subo as escadas e escovo os dentes, olho o relógio e são sete e cinco, preciso correr, meu ônibus sai em dez minutos. Desço correndo desejando minha tia um bom dia de trabalho e saio pela porta. 

Quando chego no ponto de ônibus digo a mim mesma mentalmente que eu preciso mesmo comprar um carro, eu até tenho um dinheiro guardado da minha formatura e dos meus dois anos trabalhando na lanchonete, mas não sei se será suficiente para comprar um carro bom. Meus pensamentos são interrompidos por uma buzina, me sobressalto e olho para o carro preto na minha frente onde Paulo está no banco do motorista 

“Entra aí”, ele manda

“Pensei que você não gostasse de me dar carona.” Cruzo os braços 

“Pensou certo”, ele responde

“Então por que está me oferecendo agora?”

“Para de fazer perguntas e entra logo no carro, ou você quer ir pra faculdade de ônibus?” Ele diz, impaciente. Bufo e me levanto, abrindo a porta atrás dele. “Pode vir na frente, se quiser”. Franzo a testa mas dou a volta no carro, abro a porta e me sento ao seu lado. 

“Cadê a Marce?” Pergunto quando ele arranca com o carro 

“Está em casa, acabei de deixá-la lá.” Ele responde, atento a estrada

“E como ela está?” 

“Bem, isso sempre acontece com a Marce, e hoje ela provavelmente vai passar o dia deitada”, ele explica. 

“E você? É imune aos efeitos da bebida?” Olho para ele erguendo uma sobrancelha. 

“Eu não bebo”, ele responde com seriedade 

Dou risada. “Claro que não”

“Eu não bebo, mas se você não acredita não há nada que eu possa fazer, não vou ficar aqui tentando convencer você do contrário”. Até com um tom mais calmo, Paulo ainda consegue soar grosseiro

“Tá bom”, levanto as mãos em sinal de redenção. 

“Como você fez pra voltar pra casa?” Ele pergunta 

“O Pedro me emprestou o telefone pra pedir um táxi”, respondo e vejo Paulo apertar o volante

“O Pedro? Vocês agora se tornaram amigos?” 

“Não”, dou risada. “Nem o conheço, a gente só conversou um pouco até meu táxi chegar, mas ele é bem gente boa”

“Gente boa?” Paulo praticamente grita. “Você realmente não o conhece”

“Ele me pareceu bem legal.... Qual o problema? Achei que vocês dois fossem amigos”. Paulo da de ombros e não responde 

Ficamos em silêncio e então eu fico assustada ao perceber que Paulo e eu conversamos por alguns minutos sem brigar, acho que isso é recorde, nas cinco ou seis vezes que nos falamos sempre brigamos, ele me irrita mais do que qualquer pessoa que eu já tenha conhecido e só o conheço há três dias. 

Saio do carro quando Paulo estaciona no mesmo lugar de ontem. Lugar marcado? Fico sem saber se ele vai andar comigo ou não, mas pra não correr o risco de levar uma resposta grosseira só decido ir para o meu prédio logo de uma vez. 

“Ei, eu te dou carona e você vira as costas no primeiro segundo depois que chega?” Ele pergunta, parecendo.... brincalhão? “Isso é falta de educação sabia?”

“Olha só quem está falando sobre educação.” Respondo e me viro para olhá-lo, com tom brincalhão 

“Eu sei ser educado”, ele responde me fazendo soltar uma gargalhada 

“Ah claro, com certeza, o mais educado que esse mundo já viu”

Ele bufa. “Você é muito irritante”. Ele já está com raiva? O que? Como ele passou de brincalhão pra raivoso em segundos?

“Eu sou irritante?” Dou uma risada irônica.

“Sim, você é irritante”, ele encosta no capô do carro. “Você se acha melhor que todos só porque passa o dia com a cara enfiada nos livros estudando, só porque não bebe e não vai em festas... você é ridícula”

Já? Ele estava brincando comigo há segundos atrás, sua mudança de humor me deixou até zonza. Sabia que não ia durar muito tempo, nossas conversas sempre terminam em brigas. “Eu me acho? Eu não me acho Paulo, eu sou assim, me desculpa se eu não bebo até cair e não vejo vantagem nisso, perdão se eu prefiro ficar em casa estudando do que em festas fazendo coisas que não me acrescentam em nada, se você acha que eu sou ridícula só por isso então o problema é seu, eu não vou mudar quem eu sou por causa dos seus comentários desnecessários”. Digo, tentando não gritar

“Para de distorcer as coisas”, ele grita. “Eu não disse que você é ridícula só por isso, disse que você é ridícula porque você se acha, não tente colocar palavras na minha boca”

“Se eu sou tão ridícula então não fala mais comigo”, grito em resposta 

“Será um prazer”, ele bate as mãos nas pernas 

Bufo e saio sem dizer mais nada. Eu me acho? Claro que não, só porque eu não gosto de festas não significa que eu me ache melhor do que pessoas que gostam. Ele disse ontem na festa que eu julgo sem conhecer, ele está fazendo a mesma coisa, ele é tão ridículo. Estava tão distraída pensando no grosseirão que nem me dei conta de que já estou no meu prédio 

Quando entro na sala vejo Carmen no mesmo lugar de ontem.  

“Oi”, cumprimento ao me sentar 

“Oi”, ela sorri 

Nesse momento um garoto de cabelos pretos como petróleo,entra na sala e eu o reconheço: Daniel. Carmen sorri e se levanta 

“Bom dia”, ele sorri para a Carmen e lhe dá um beijo rápido nos lábios. 

“Bom dia”, ela sorri de volta. 

“Ally, esse é o Daniel, meu namorado.” Ela apresenta e eu me levanto sorrindo. 

“Oi Daniel, é muito bom te ver de novo.” Sorrio e ela sorri de volta

“Digo o mesmo”, ele coloca a mochila em cima da mesa e se vira para mim. “Nem vi você ontem, a Carmen disse que você foi embora com o Paulo”

“Ah, é sim”, respondo e por alguma motivo, estou sem graça 

“Não sabia que você o conhecia”

“Conheci ele uns dias atrás”, respondo

“Ah”, ele diz. “Bom, a Carmen disse que ele não parece gostar muito de você”

“Definitivamente não”, digo e Daniel da risada. “Vocês se conhecem?”

“Sim, mas explico pra você depois, preciso ir para o meu prédio, só vim dar um beijo na minha princesa”, ele diz e da um beijo rápido nos lábios de Carmen, acena para mim e sai 

“Você conhece o Daniel?” Carmen pergunta franzindo o cenho

“Ah... nos conhecemos na lanchonete outro dia, ele tinha falado que tem uma namorada chamada Carmen, mas eu nem associei”, explico

“Ah”, ela diz. “E como foi a volta com o Paulo ontem?”

“Paulo é um grosseiro, então ele meio que me levou obrigado até em casa, mesmo nos conhecendo a pouco tempo já sei que ele não gosta de mim, apesar de eu não entender o motivo, não fiz nada pra ele”, digo

Carmen suspira. “O Paulo é muito sem educação mesmo, o mais sem educação que eu conheço”

“Como vocês se conhecem?” Pergunto com mais interesse do que gostaria 

“Bom... Paulo é...” ela começa mas se interrompe porque o professor Will chegou. “Explico depois, ou talvez, o Daniel”, ela sussurra e eu concordo com a cabeça. Admito que uma parte muito grande de mim está curiosa pra saber de onde eles se conhecem, o Daniel não parece ser o tipo de cara que anda com o Paulo. 

“Então turma, hoje vamos começar a falar sobre a divisão do corpo dos animais domésticos e ele é dividido em cinco partes fundamentais, a cabeça, o pescoço, tronco, os membros e a cauda. Abram suas apostilas na página 7 para falarmos das posições”

 

Temos um intervalo agora de meio dia até às duas da tarde, que é quando vamos ter a próxima aula. Carmen e Daniel me convidam para comer com eles em uma lanchonete e voltar com eles para a faculdade e eu concordo. 

Caminhamos pelo campus até chegar no estacionamento, estou prestes a entrar no banco de trás quando uma mão segura meu braço, e dou um pulo de susto 

“Que susto”, digo quando me viro e vejo o Paulo. “O que está fazendo aqui?”

Ele revira os olhos. “Eu estudo aqui”.

“O que você quer?”

“Aonde você vai?” Ele ignora a minha pergunta

“Em alguma lanchonete com o Daniel e a Carmen”, aponto para os dois que estão me esperando pacientemente no banco da frente do carro

“Eu levo você pra comer”, ele diz rapidamente 

“Por que? Você não tinha concordado em não falar mais comigo?” Cruzo os braços 

Paulo bufa e revira os olho me puxando pelo pulso e me arrastando dali

“Me solta!” Exclamo, puxando meu braço com força e me livrando do seu toque. “Qual o seu problema?”

“Está tudo bem Ally?” Daniel pergunta parando do meu lado

“Está tudo ótimo”, Paulo responde por mim. “Você pode ir com a sua namorada que eu vou levar a Alicia pra comer”

Daniel me olha como se estivesse me perguntando se eu concordo com isso, faço que sim com a cabeça e decido ir logo com o Paulo, pelo jeito que está agindo sei que ele não sairá daqui sem causar um escarcéu — o que ele já está causando. 

“A gente se vê mais tarde então”, Daniel me olha, sério, e depois acena para mim. 

“Qual o seu problema?” Pergunto assim que Daniel arranca com o carro. Paulo me olha, impaciente, e não responde. “Paulo”, falo mais alto com exigência 

“O que foi porra?” Ele esbraveja 

“Eu que te pergunto... O que foi isso?” Ele bufa revirando os olhos e faz menção de pegar meu pulso novamente, mas eu me afasto antes que ele consiga me segurar. “Qual é a sua? Mais cedo você concordou em não falar mais comigo, disse até que seria um prazer, e agora aparece aqui fazendo... esse auê todo sem nenhum motivo”

“Auê?” Ele esbraveja. “Eu só vim te chamar pra comer porque pensei que você não tivesse companhia, ou que não achasse uma boa lanchonete, mas não sabia que você conhecia aquele ... aquele otario metido a bom moço”

“Otario metido a bom moço?” Pergunto incrédula. “O Daniel é simpático, uma boa pessoa, ao contrário de você, que é um grosseiro e acha que tem o direito de fazer o que bem entende, como agora quando me arrastou pra longe dele. O que te fez pensar que tinha o direito de fazer isso?” Eu ia dizer com calma, mas quando termino de falar já estou gritando, Paulo me tira do sério. 

“Não é questão de direito...”

“É questão de quê então Paulo? De você se achar tanto a ponto de pensar que pode fazer o que bem entende e as pessoas tem que obedecer?” Digo e ele não responde. “Você pode estar até acostumado com as pessoas abaixando a cabeça e aceitando a forma que você as trata, mas eu não aceito, não sei com que tipo de pessoa você costuma lidar mas estou deixando bem claro que se você fizer algo parecido com isso de novo, eu vou...” Sinto minha raiva crescer ainda mais quando Paulo me interrompe com sua risada, e tenho vontade de acertar um soco em sua cara. “Qual é a graça? Você é um idiota... faz todo esse auê e ainda fica rindo da minha cara? Sério mesmo Paulo eu não entendo você, qual é o seu problema? Será que você não percebe o quão idiota você é?” Grito 

“O quão idiota eu sou?” Ele grita em resposta. “Você só pode estar de brincadeira, eu vim aqui chamar você pra comer e então te vejo com aquele imbecil, e você teima e não sai quando eu...”

“Quando você achou que poderia mandar eu sair?” O interrompo. “Agora eu sei, esse é o seu problema, você acha que pode mandar e tratar as pessoas do jeito que quiser, mas você está super enganado Paulo, você pode tratar da maneira que você quiser qualquer pessoa mas não a mim, eu não sei quem você acha que eu sou, mas pode ter certeza que eu não sou como esse tipo de pessoa que você costuma lidar, então você pode...”

Ele me interrompe. “Tá bom Alicia, eu já entendi, da pra parar com o sermão? Se não se importa, eu estou morrendo de fome”

“Você é inacreditável”, digo com raiva. “Faz o que bem entende e ainda não gosta de ouvir a verdade depois”

“Não tem verdade nenhuma pra ser ouvida aqui”, ele esbraveja. “Será que da pra parar com esse show e irmos comer logo?”

“Você acha que eu sou o que? Paulo eu ja...”

Ele me interrompe novamente. “Alicia eu estou falando sério, continue gritando comigo mas vai pro carro pelo menos, eu estou com fome e não estou brincando”

“Não está brincando? O que é isso? Uma ameaça?” Ergo as sobrancelhas e cruzo os braços 

“Ahh como você é teimosa!” Paulo resmunga passando a mão pelos cabelos

“E você é mandão”

Ele respira fundo tentando se acalmar. “Alicia, já chega” ele parece mais calmo e isso acaba me acalmando também. “Podemos ir agora?” Ele pergunta e eu faço que sim com a cabeça e andamos em silêncio até o carro dele.



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