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História Paulicia: You Changed My Life - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Planos para o fim de semana


Quando entro na sala de Bioquímica I ainda restam dez minutos para a aula, olho a procura de Carmen mas não a vejo. Será que ela vai faltar hoje? Caminho para a frente da sala e me sento no lugar de sempre enquanto penso em Paulo e seu exagero na reação. A sala começa a encher e até agora a Carmen não apareceu, por isso, penso que ela não vira nesta aula hoje.

Quando o professor começa a explicar, uma Carmen apressada para na porta pedindo licença para entrar.

“Atrasou, pensei que não vinha”, sussurro para ela assim que se senta do meu lado

“Quase perco o horário”, ela sussurra de volta e então, ficamos em silêncio para escutar a explicação do professor. 

Quando as aulas acabam já são quatro e cinquenta da tarde e Carmen me da uma carona de volta pra casa enquanto me conta que foi ao Coorner’s que é o restaurante preferido dela e do Daniel, ela conta a história dela e de Daniel, diz que eles se conheceram no ano passado, um mês depois que ela chegou aqui em Las Vegas, diz que ele sempre foi carinhoso com ela e que por mais estranho que pareça, se apaixonou por ele assim que o viu. Eu nunca acreditei nessas coisas de amor à primeira vista, sempre achei muito conto de fadas, não é possível se apaixonar por alguém só por vê-lo, primeiro precisa conversar, se conhecerem melhor só para depois começar a se apaixonar. Como alguém pode se apaixonar por outro alguém sem nem se conhecerem direito? Sem conhecer as manias, as qualidades e os defeitos. Amor à primeira vista não existe.

******

Depois de vários dias exaustivos — mas estimulantes —, finalmente chega a sexta-feira, e minha primeira semana de aula na faculdade está acabando. Satisfeita com a maneira como as coisas encaminharam, planejo ficar em casa assistindo filme. Como tenho em mãos o programa de todas as matérias que vou cursar, posso ir adiantando muita coisa. Pego a minha bolsa e saio mais cedo, para não correr o risco de perder o ônibus. Eu aceitei carona da Marce — do Paulo — alguns dias, mas não era sempre que os via. Paulo continuou do mesmo jeito, me tratando da mesma forma grosseira que sempre tratou e eu não consigo entendê-lo, eu pensei que depois daquele dia no Bob’s quando começamos a conversar normal seríamos amigos agora, mas aquilo não foi nada para o Paulo, ele continua do mesmo jeito — se não tiver pior. 

Quando chego no ponto o ônibus passa cinco minutos depois. Quando chego na faculdade, paro na lanchonete pra comprar um café para começar o dia com mais energia já que, acordei atrasada hoje e não deu tempo de tomar café.

”Ally, certo?”, diz uma voz feminina atrás de mim enquanto espero na fila. Quando me viro, dou de cara com a menina da festa, a mesma que riu de mim por eu não beber. Jéssica. Acho que é assim que a Marce a chamou.

“Sim. Isso mesmo”, respondo, já virando para o balcão e tentando não dar trela.

”Você vai a festa hoje à noite?” Ela pergunta. Apesar de saber que está tirando sarro da minha cara, eu me viro. Quando estou prestes a responder que não balançando a cabeça, ela acrescenta: “Você deveria ir, vai ser demais.”

Fico sem reação por alguns instantes, mas balanço a cabeça negativamente e digo: “Sinto muito, tenho outros planos”

“Que pena, Pedro ia gostar de ver você.” Não consigo segurar a risada, e ela insiste abrindo um sorriso. “Que foi? Ele estava falando de você ontem mesmo.”

Dou risada. “Duvido”

“Ei, e aquele garoto ali”, ela aponta para o Daniel vindo de longe com a Carmen. “Não é seu namorado, certo?”

“Não, ele namora a garota que está com ele”, respondo

“Ah, que pena, se fosse a festa, poderíamos ir de casal”, ela diz de um jeito malicioso.

“Casal?” Franzo o cenho

“Sim, você e o garoto e Paulo e eu”, ela responde.

Meu coração para e eu não entendo o motivo, por isso, agradeço a Deus em silêncio quando meu café fica pronto. Na pressa, acabo pegando o copo com força demais, e um pouco de café transborda e queima a minha mão e eu solto um palavrão. Jessica se despede com um tchauzinho, e abro um sorrisinho de educação ao sair. O que ela falou volta na minha mente. Como assim casais? Ela vai com o Paulo? Eles namoram? Por mais simpático e bonito que Pedro seja, não tenho interesse nenhum nele. Quanto ao Paulo... meu subconsciente acrescenta e eu balanço a cabeça para afastar esse pensamento. Que merda é essa?

“Oi Ally”, Carmen sorri para mim quando para na minha frente. Agradeço silenciosamente por finalmente ter alguém para me tirar dos pensamentos estranhos.

”Oi Carmen, oi Daniel”, sorrio para os dois

Andamos juntos por um tempo e Daniel se despede quando se vira para ir para o seu prédio enquanto Carmen e eu continuamos andando para o nosso. Como sempre, chegamos na classe antes de todos.

”O que planeja para o fim de semana?” Carmen pergunta assim que se senta.

“Nada de mais, só estudar e ligar para o Josh nem tive tempo de falar com ele direito essa semana”

“Josh é seu amigo lá de Kingman, certo?”

“Ele mesmo, sinto saudade dele”

“Imagino”, ela diz.

Quando as aulas acabam às duas da tarde agradeço por finalmente ter terminado minha primeira semana de aula, eu amei a faculdade mas é mais cansativo do que imaginei. Saindo do prédio Carmen e eu já encontramos Daniel na calçada, como sempre.

“Finalmente, menos uma semana”, ele comenta quando começamos a andar para fora do campus 

“Nunca imaginei que a faculdade fosse tão cansativa e olha que sempre adorei estudar”, digo

“Nem me fale, e está só no começo”, Carmen diz segurando a mão de Daniel. Me sinto uma verdadeira tocha olímpica.

“Quer uma carona para casa Ally?” Daniel oferece

Quando abro a boca pra falar ouço uma voz feminina me chamar e me viro vendo a Marce vindo na minha direção junto com o Paulo.

”Ally, quer uma carona pra casa? Paulo vai me deixar lá”, Marce oferece. Olho para Carmen e Daniel e eles sorriem fracamente para mim como quem dizem: você quem sabe. A parte boa de ir com eles é que eles são meus amigos, a Marce também é, mas o Paulo claramente não gosta de mim.

“Quero sim”, aceito. Não quero ficar de vela.

“Bom...” Carmen começa. “A gente se vê na segunda então”, ela completa e me abraça 

“Até segunda Ally”, Daniel diz sorrindo e eu sorrio de volta.

“‘Até segunda Ally’, que idiota”, Paulo comenta assim que os dois saem. Reviro os olhos e o ignoro. Tinha até esquecido que eles não se gostam já que, eles passaram a semana toda se ignorando

....

“Queria muito que você fosse. Juro que não vamos passar a noite lá. Vamos ficar só um pouquinho. Ficar vendo filme sozinha em casa vai ser um horror!”, insiste Marce e eu dou risada. Ela continua falando quando entramos no carro de Paulo 

“Eu já disse que você não vai me convencer dessa vez”, digo depois que Paulo arranca com o carro

“Só essa vai, por favor”, ela se vira no banco da frente para me olhar com olhos suplicantes e as mãos unidas. “Vai ser divertido”

“Você falou a mesma coisa da outra”, suspiro. “Não adianta Marce, eu não vou”

“Claro que não, pra ela ir novamente teria que deixar de ser certinha por 5 minutos”, Paulo zomba

Reviro os olhos. “Vai começar? Fica na sua”

“Desde quando eu obedeço suas ordens? Eu falo quando eu quiser”, Paulo rebate 

“Você é muito irritante”, digo morrendo de vontade de acertar com a mochila na cabeça dele

“Não mais que você, não se esqueça disso”, ele ironiza e faz minha raiva crescer

”Ignora o Paulo”, aconselha Marcelina. “Vamos na festa Ally por favor, vai ser muito divertido eu juro, vamos vai... o que tem de divertido em ficar em casa assistindo filme em plena sexta à noite?”

“O que tem de divertido em festas? Marce, isso não é meu tipo”

“Desde quando festas tem tipo? Festa é festa e já vou avisando que se você não for por vontade própria eu te levo arrastada igual a última vez”, Marce ameaça 

“Eu não fui arrastada, você não conseguiria me arrastar”

“Eu não teria tanta certeza.” Algo em seu tom de voz me faz acreditar nela. “Vamos?”

Bufo. “Tá legal”

”Eba! Dessa vez foi mais fácil”

“Enche o saco que eu desisto”, digo e Marce da risada.

Quando paramos em frente a casa da minha tia, Marce desce do carro também e se despede do Paulo enquanto fico em silêncio, porém, antes de sair Paulo diz um “por nada pela carona”, só pra me encher, parece que me irritar virou um hobby divertido para ele.

“Vou pra casa agora, mas daqui a pouco estou aqui e vou me arrumar junto com você”, ela diz

”Tá bom”, respondo 

“Até mais”, ela acena e sai.

Quando entro em casa respiro fundo, nem acredito que topei ir em uma festa de novo, com certeza vai ser a mesma merda da segunda, mas me pego desejando que eu goste pelo menos um pouco. 

 



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