História Peça-me o que quiser - Capítulo 10


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
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Palavras 9.563
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capitulo 10


Segunda-feira 
O despertador toca às sete da manhã. 
Odeio acordar tão cedo! 
Levanto e entro no banho sem muita vontade. Estou exausta. Não consegui dormir direito porque fiquei pensando na Emma. Quando volto ao quarto para me vestir, olho para a pequena luminária que ela me deu. Sento na cama e, com saudades, passo meus dedos pelo contorno de seus lábios e seu nome. Fico um bom tempo observando a luminária e pensando nela. 
Por fim saio da cama. Tenho que ir trabalhar. Me visto e pego o carro. 
Quando chego ao escritório, deixo a bolsa sobre a mesa e sinto alguém se aproximar de mim por trás. É meu colega Killian. 
— Bom dia, linda. 
— Bom dia. 
Ao ver minha expressão de desânimo, chega ainda mais perto e me observa. 
— Nossa... — murmura. — Icewoman te fez trabalhar mais do que deveria? Você está com uma cara péssima. 
Seu comentário me desperta. 
— Pois é — digo, sorrindo. — Ela é meio cruel no trabalho. Mas de resto é tranqüilo. 
De repente Killian repara no curativo do meu braço. 
— Mas o que houve aí? 
Sem vontade de lhe dar muitas explicações, digo entredentes: 
— Me queimei com o ferro de passar roupa. 
Killian faz que sim e pergunta: 
— Quando você voltou de viagem?
— Sexta à noite. Cancelaram as reuniões que teríamos porque a senhora Swan precisou voltar pra Alemanha. 
Killian me pega pelo braço e diz: 
— Vamos. Te levo pra tomar café da manhã e você me conta o que está acontecendo. 
No café, para justificar minhas olheiras, falo de Trampo. A simples menção de seu nome enche meus olhos de lágrimas e é um bom pretexto para que ele não descubra o que está havendo de verdade. Vinte minutos depois, ao terminarmos de comer, voltamos às nossas salas. Há muito trabalho pela frente. 
Minha chefe me cumprimenta ao passar a meu lado e pede que vá até sua sala. Quer saber como foi tudo na viagem, e o que lhe digo parece deixá-la satisfeita. Em seguida, me enche de trabalho. É assim, me entupindo de tarefas, que ela me mostra o quanto ficou irritada com o fato de a chefe ter escolhido a mim, e não a ela, para acompanhá-la. Quando saio do escritório à tarde, estou exausta, mas decido ir à academia. Preciso relaxar e lá eu consigo.

Terça-feira Envio um e-mail para Emma... Não responde. Minha chefe me enche a paciência. Ela está insuportável. Qualquer dia vou mandá-la à merda e serei demitida na hora. Robin me liga. Nos falamos e ele insiste que eu antecipe a viagem a Jerez.

Quarta-feira Mando outro e-mail para Emma... De novo não responde. Hoje minha chefe escapou por pouco. Gerardo, o chefe do RH, chegou de repente e eu tive que me desdobrar para que ele não flagrasse minha fogosa chefe e Killian numa atitude não muito profissional na sala.

Quinta-feira Me recuso a escrever mais e-mails para Emma. Mas por fim não consigo resistir e mando uma mensagem com apenas uma palavra: "Babaca!"

Sexta-feira
O desespero tomou conta de mim. 
Nenhuma notícia. Nenhum telefonema. Nada. 
Não sei absolutamente nada sobre ela. E isso me faz concluir que de fato fui seu brinquedinho durante alguns dias, e tudo o que quero agora é esquecê-la. 
Minha chefe é um saco. Hoje fez uma ceninha na frente de vários colegas. Não a mandei à merda porque o desemprego está alto, senão... ela ia saber quem é Regina Mills. 
À tarde, minha amiga Azu me liga e marcamos um cinema. Vamos ver o filme Tengo ganas de ti e eu choro... Me acabo de tanto chorar. É lindo e triste ao mesmo tempo. Me sinto como Ginebra, uma guerreira lutadora e incompreendida, e totalmente apaixonada por uma mulher cheia de segredos. 
Na saída, uns amigos que nos esperam riem de mim. Ninguém entende por que eu choro com os filmes, e sugerem que a gente vá beliscar alguma coisa nos bares da Plaza Mayor. A sugestão me deixa contente. 
Entre uma bebidinha mais forte e outra, tomamos muitas cervejas e por fim consigo sorrir. Depois emendamos em outro bar e, às quatro da manhã, finalmente volto a ser eu mesma! Rio, me divirto e danço como uma louca, ainda que para isso eu tenha bebido o estoque de rum com Coca-Cola de toda a Madri. 
Na manhã seguinte, o barulho da porta me acorda. 
Tapo a cabeça com o travesseiro, mas o barulho continua e continua... Irritada, me levanto e atendo o interfone. 
— Quem é? 
— Oi, tia. Sou eu e a mamãe. 
Era o que me faltava. 
Minha irmã! 
Abro a porta para elas com má vontade. Começar o dia aturando o pessimismo da minha irmã me deixa desesperada, mas não tenho escapatória. Minha pequena sobrinha se atira em meus braços assim que me vê, e minha irmã, ao reparar em meu estado, passa batido e liga logo a tevê. Procura o canal infantil e, quando Bob Esponja aparece na tela, minha sobrinha desaparece do nosso lado. Como gosta desses desenhos ridículos... 
Entro na cozinha, feito um zumbi, preparo um café e minha irmã me segue. Sua expressão é séria, e eu já imagino que ela vai me encher de perguntas. Vejo como está tensa. 
— Primeiro, me devolve a cópia das chaves da tua casa. 
Com vontade de matar Zelena, vou até o aparador, pego as chaves e ponho na sua mão. 
— Segundo — continua —, você é uma péssima irmã. Te liguei milhões de vezes nos últimos dias e nada de você ligar de volta. E se tivesse acontecido alguma coisa grave comigo? 
Não respondo. Ela tem razão. Às vezes sou muito avoada e admito que dessa vez exagerei. 
— E terceiro: que diabos aconteceu para você estar com essa cara péssima? 
— Zel, ontem à noite eu saí com uns amigos e só fui dormir às sete da manhã. Estou destruída. 
Minha irmã se serve de outro café e senta na minha frente. 
— Bom, a noite deve ter sido maravilhosa. Sua cara diz tudo. 
— Foi, sim — murmuro, enquanto pego uma aspirina. Estou precisando. 
— Foi com aquela mulher com quem você está saindo? 
— Não. 
Faz cara de decepção, e eu mais ainda ao pensar em Emma. Minha irmã não gosta de Azu e meus amigos. Acha coisa de marginal usarem piercing na sobrancelha e terem tatuagens. Está muito enganada, mas, como já tentei explicar várias vezes e não deu em nada, deixo pra lá. Que ela pense o que quiser. 
— Manaaaa... não me diga que a saída de ontem foi com aqueles seus amigos, porque senão vou ficar irritada. 
Dou de ombros e respondo: 
— Então pode ficar irritada. Assim você terá dois trabalhos: se irritar e se "desirritar". 
— E Emma? Esse é o nome dela, né? 
— É. 
— Você continua com ela? 
— Não. 
— Por que não? 
— O que você tem a ver com isso, Zelena? 
— Poxa, Regina, ela parecia ser uma pessoa legal. Apesar de eu não entender muito bem o fato de você sair com mulheres, gostei de Emma. Como você deixou escapar? 
Esse é um comentário típico do meu pai, mas, não satisfeita e apesar de eu olhar para ela com minha expressão de "Cala a boca senão te dou um tapa!", ela continua: 
— Eu realmente não te entendo, Regina. Robin é louco por você, e você não está nem aí pra ele, e agora você ainda perde aquela mulher interessante, decente e com cara de séria que te dá a maior bola. —Espera! Eu disse interessante?! Ai meu Deus devo estar ficando louca...
Rio com o pequeno ataque de minha irmã. Coitada. Mas não querendo lhe dar corda, a interrompo.
— Que saco... quer calar a boca? 
Minha irmã balança a cabeça, me reprovando. Mau sinal. 
— Não. Não vou calar a boca. Fico dias sem te ver e quando ligo você não atende. E hoje eu venho te ver e te encontro feito um trapo por ter saído com seus amiguinhos. E ainda por cima não está mais com Emma. 
Solto o ar bufando. Bufando e bufando. 
E, quando acho que já esgotei todos os meus suspiros e paciência, olho para a chata da minha irmã.
— Olha só, Zelena, não quero falar sobre Emma, nem sobre meus amigos, nem sobre Robin , nem sobre nada. Não estou nem aí pra nada disso! Estou tendo uma semana infernal no trabalho e ontem saí porque precisava me divertir e esquecer todas as coisas que estão me estressando. E agora vem você e fica gritando como uma louca, sem querer entender que minha cabeça está explodindo... E, como você não cala a boca, juro que sou capaz de fazer uma coisa horrível. 
Minha irmã mexe o café, toma um gole e, fazendo cara de coitadinha, começa a chorar. 
Ótimo...! Era o que me faltava! 
Por fim, abandono a cadeira e vou abraçá-la. 
— Ah... desculpa, Zel. Desculpa por ter gritado desse jeito. Mas você já sabe que não suporto que você se meta na minha vida e... 
— Preciso te contar uma coisa e não sei como, maninha. 
A mudança de assunto me desconcerta. 
— Deixa eu ver... outra vez a história do Whale estar enganando você? 
Minha irmã enxuga os olhos. Levanta-se. Observa minha sobrinha de longe e, aproximando-se de novo de mim, murmura: 
— Regina. Te liguei mil vezes pra te contar. 
Fico concordando com a cabeça. Vi suas chamadas perdidas, mas decidi ignorar. Me sinto péssima. 
— Eu... eu não sei por onde começar — cochicha. — É tudo tão... tão...
Isso me deixa nervosa, e meu pescoço começa a coçar. Será verdade que o idiota do meu cunhado está traindo minha irmã? Convencida de que dessa vez o assunto é sério, pego as mãos dela. 
— Tão o quê? 
Minha irmã tapa o rosto com as mãos e quero morrer de angústia. Pobrezinha. Sou pior que uma bruxa. Conheço ela e sei que está sofrendo. 
— É que tenho vergonha. 
— Deixa disso. Sou sua irmã. 
Mary fica vermelha como um tomate. Leva a mão ao pescoço, abaixa a voz e cochicha: 
— Whale e eu conversamos seriamente na semana passada, quando ele voltou de viagem. — Balanço a cabeça e faço cara de compreensão. Esse é um bom começo. — Me disse que não tem amante nenhuma e que gosta de mim, mas... 
— Mas? 
— No dia seguinte, quarta-feira da semana passada, quando Grace foi dormir, ele fechou a porta da sala e... e... colocou um filme de mulher vadia. 
— Um filme pornô? 
— Sim. Ai, meu Deus...! Você não imagina as coisas que vi! 
Solto uma risada. Não consigo evitar.
— Ah, Mary, não seja careta. Pessoas transando. 
— ... E trios e orgias e... 
— Caraca... pelo visto o Zezinho te deixou bem informada. 
Ambas caímos na gargalhada. 
— Reconheço que isso fez minha libido ir a mil e... bem... — sussura. — Uma coisa levou à outra e fizemos amor na sala. No chão! 
— Não acredito! 
— Exatamente isso que você ouviu. 
Achando graça no fato de que, para minha irmã, fazer sexo no chão é algo proibido, digo: 
— Bom... e que tal? 
Ela sorri. Morre de vergonha e murmura sem olhar para mim: 
— Ah, Regina...! Foi como na época em que éramos namorados. Paixão em estado puro.
Pego suas mãos e a faço olhar nos meus olhos. 
— Isso é maravilhoso. Não é o que você queria? Paixão? 
— Sim. 
— Então qual é o problema? Por que me olha com essa cara? 
— Porque a história não termina aí. No sábado eu quis lhe fazer uma surpresa. Falei com a mãe de Alicia e levei Grace para dormir na casa dela. Preparei um jantarzinho, fui ao cabeleireiro e... e... 
— E? 
— Ai, querida, tenho até vergonha de falar. 
Faço cara de impaciência e solto um longo suspiro. 
— Tá bom, se você vai me dizer que assistiu a outro filme pornô com seu marido e que vocês transaram encostados na porta, o que há de errado? 
Minha irmã põe a mão no peito. 
— Regina... é que não só fizemos no sofá e no chão, mas também em cima da máquina de lavar e no corredor. 
— O Whale tá que tá... Que garanhão você tem em casa, hein? 
Por fim minha irmã solta uma gargalhada. 
— Ele me comprou uma lingerie vermelha muito sexy e me fez vestir. 
— Que máximo, Zel... 
— E depois... quando eu menos esperava, me deu outro presente e... 
— E? 
Mary bebe um gole de seu café. Pega seu leque, se abana e acrescenta, vermelha como um tomate: 
— Me deu um... um... um... vibrador. Pronto, falei! Disse que quer que a gente brinque na cama, que nossa relação precisa disso e que devemos realizar fantasias. 
Solto uma risada outra vez. Não consigo me conter!
Minha irmã olha para mim e, chateada, murmura: 
— Não sei qual é a graça. Estou te dizendo que... 
— Desculpa... desculpa, Zel — Fico séria e abaixo a voz, assim como ela. — Acho muito legal que Whale tenha te dado de presente um vibrador e que vocês fantasiem. Se isso vai apimentar a vida sexual de vocês, ótimo! Fantasiar é bom... A imaginação tem que servir para alguma coisa, não acha? 
Ela concorda, vermelha como um tomate. 
— Ai, Gina...! Fico vermelha só de lembrar as coisas que Whale me dizia. 
Tento entendê-la. Tento imaginar o que meu cunhado lhe dizia, e isso me faz sorrir. No fim das contas, os seres humanos são mais parecidos uns com os outros do que pensam. Sussurro no seu ouvido. 
— Tudo bem... não precisa me contar o que ele te dizia, mas que tal o Dom Vibrador? 
— Regina! 
— Você lhe deu um nome? 
— Maninha, por favor! 
— Ah, vai... você gostou ou não? 
Minha irmã fica como um tomate de novo, mas, ao ver que continuo olhando para ela à espera de uma resposta, faz que sim com a cabeça. 
— Ah, Regina, foi maravilhoso. Nunca pensei que um aparelhinho desses que vibram e funcionam com pilhas juntos com a imaginação pudesse ter tanta utilidade. Só posso dizer que desde sábado não paramos mais. Estou assustada. Será que tanto sexo assim faz mal? E vou te dizer que até minha virilha está doendo... 
Achando graça da confidência que minha irmã acaba de fazer, eu rio de novo. Não consigo evitar. 
— Diga a ele que dê um vibrador para o clitóris — cochicho. — É fantástico! 
A cara da minha irmã agora é impagável. 
Eu... sua irmãzinha, acabo de lhe revelar que nada do que ela me contou é novidade para mim. Deixa o leque em cima da mesa. 
— Mas... desde quando você usa essas coisas? 
— Há muito tempo — minto. 
— E por que você nunca me disse? 
Assustada com a pergunta, fico olhando para ela. 
— Convenhamos, Zelena, o fato de que você precisa me contar suas intimidades na cama com seu marido não significa que eu precise contar as minhas. Eu uso essas coisas e ponto. E agora, se você descobriu que te excitam, te deixam com tesão ou como queira chamar, aproveite o momento e tenho certeza de que sua vida será mais feliz. 
Minha irmã faz que sim e toma outro gole de café. 
— Você é minha melhor amiga e eu precisava te contar isso tudo. Eu sabia que você não ficaria escandalizada e que me incentivaria a continuar esses joguinhos sexuais com Whale.
Sorrio, pego sua mão, e ela sorri também. Às vezes eu é que pareço a irmã mais velha, e eu gosto disso. 
— Essas coisas, como você chama, são brinquedos eróticos e tudo bem usar — cochicho, finalmente, em meio a risinhos. — E sim... eu também brinco com eles e com a imaginação. Acho que noventa por cento do planeta faz o mesmo, mas poucos admitem. Você sabe muito bem que sexo é tabu e, apesar de todo mundo fazer, ninguém fala disso. Mas o sexo é o sexo e devemos aproveitar tudo dele. 
Volto a pensar em Emma e, com um sorrisinho bobo, vou em frente:
— Lembro que a pessoa que me deu meu primeiro brinquedinho me disse que, quando uma pessoa te dá um objeto desses , é porque deseja brincar com você e curtir. Então, irmãzinha, aproveite, pois a vida é curta! 
De repente, minha irmã explode numa gargalhada e eu também. Ainda não consigo acreditar que estou falando de vibradores com minha irmã e usando a palavra "brincar" nesse contexto. Até que minha sobrinha entra na cozinha. 
— Do que vocês estão rindo? 
Inesperadamente, Mary pisca um olho para mim e diz, enquanto continuo rindo: 
— De como eu e sua tia adoramos brincar. 
Nessa noite, após uma tarde de risadas e confidências com a agora safadinha da minha irmã, ligo o computador assim que as duas vão embora e fico boquiaberta. Um e- mail de Emma! Nervosa, abro a mensagem e vejo uma foto minha da noite anterior, dançando como uma louca com os braços para o alto. Isso me dá raiva. Por acaso ela voltou a me espionar? Mas minha irritação aumenta, quando leio o texto do e-mail.


De: Emma Swan
21 de julho de 2012 08:31 
Para: Regina Mills 
Assunto: Linda quando dança 
Gostei de te ver feliz e mais ainda de saber que você está cumprindo o prometido. Atenciosamente, Emma Swan (a babaca)

O sangue me sobe à cabeça. Ter consciência de que ela fica me vigiando, de que leu a mensagem em que a insultei e de que não me respondeu — isso tudo me irrita a um ponto indescritível. Por que não me liga? Por que não responde meus e-mails? Por que fica me seguindo? 
Penso em responder. Começo a digitar, escrevendo um monte de grosserias. Mas não... me recuso a lhe dar esse gostinho e deleto a mensagem em um só toque. Por fim, desligo o computador e, morrendo de raiva, vou para a cama. Mais uma noite em claro.
No sábado à tarde decido sair de novo com meus amigos. Bebemos umas cervejas no bar do Asensio, jantamos numa pizzaria e depois seguimos para a boate Amnesia. Dou uma olhada à procura da detetive que Emma com certeza pôs na minha cola. Mas, claro, não descubro ninguém. Apenas gente se divertindo como eu. 
Quando já faz mais de uma hora que estou lá, Robin aparece. Olho para ele surpresa e ele sorri para mim.
— O que você está fazendo aqui? 
— Jerez sem você é muito chato. 
Estranhando sua presença, volto a olhar para ele. 
— Robin... você está se iludindo comigo. Nunca menti pra você e... 
Põe um dedo na minha boca para me fazer ficar quieta. 
— Eu sei, mas não consegui me segurar. Vamos... venha ao meu hotel. Temos que conversar. 
Me despeço dos meus amigos e de Azu e prometo voltar logo. Sei que voltarei. A conversa que vou ter com Robin vai ser rápida e na certa não muito agradável.
Quando chegamos ao hotel, podemos sentir a tensão no ambiente. Me recuso a subir até seu quarto. Vamos ao bar e pedimos uma bebida. Conversamos durante uma hora, discutimos, deixamos claros nossos sentimentos. E, quando por fim tudo parece esclarecido e eu me preparo para ir embora, ele me pega pelo braço.
— Me dá uma chance, por favor. Você mesma acabou de dizer que não sabe se quer algo mais. Deixa eu te mostrar de uma vez por todas o que sou capaz de te dar. Você é linda, eu te adoro, sua animação para fazer as coisas me enlouquece, e quero que saiba que eu faria tudo por você.
Preciso de carinho e suas palavras são, nesse momento, um alívio para minhas feridas. Não posso deixar de pensar na desgraçada safada da minha chefe. Fecho os olhos, e o olhar possessivo e misterioso de Emma Swan aparece. Sem saber por quê, eu beijo Robin. Eu o beijo com tanto erotismo e vontade que até eu mesma me surpreendo. 
Sem hesitar, Robin me arrasta até o elevador. Sei o que ele quer. Sei aonde me leva e eu deixo. Subimos até seu quarto. Por alguns minutos nos beijamos, enquanto eu o deixo percorrer meu corpo com as mãos. Mas me sinto uma traidora, não consigo parar de pensar em Emma. Quando ele começa a levantar minha saia jeans até a altura dos quadris, eu suspiro e, para sua surpresa, pego sua mão e o incentivo a me tocar. 
Excitado com minha empolgação, Robin me joga na cama, deita em cima de mim se esfregando. É cauteloso. Sempre foi assim. Seu jeito de fazer amor não tem nada a ver com o de Emma. No sexo, Robin é devagar e delicado. Emma é rude e possessiva. 
Ele homem, ela mulher. Ambos com formas diferentes de fazer amor.
Meu coração bate com força. Penso em Emma e isso me excita. Tenho certeza de que, se ela visse o que estou fazendo, ficaria tão excitada quanto eu. Seu jogo se transformou no meu. Neste momento, embora seja Robin quem me toca, é Emma quem me possui.
Pego o celular e, disfarçadamente, tiro algumas fotos enquanto ele me beija. Enlouquecido pela minha entrega, ele tira minha calcinha e se surpreende ao me ver de pernas abertas para ele. Sem demora, me lambe e, instantes depois, meu gemido toma conta do quarto enquanto deixo que ele me coma, me chupe, me penetre com seus dedos. 
Estou de olhos fechados e sinto o olhar de Emma. Seus olhos ardentes me censuram, mas ao mesmo tempo são cheios de desejo. Não quero abrir os olhos. Não quero ver Robin. Quero continuar de olhos fechados e sentir a presença de Emma sobre mim. 
De repente, Robin para e abro os olhos. Abriu a calça e está colocando um preservativo. 
— Tem certeza? 
Faço que sim com a cabeça. Não consigo falar. 
Ele sorri, mas não diz nada. Instantes depois, com delicadeza, começa a entrar em mim. Um pouco... mais um pouco... mais um pouco, mas a impaciência me domina e sou eu quem vai em sua busca. Pressiono meus quadris e me encaixo nele, desejando que goze em mim. Esse ataque o pega de surpresa. Escuto-o suspirar. Ele me agarra pela cintura e move-se para dentro e para fora. Gosto disso. Isso... continua... continua... mas preciso de mais. Minha vagina se abre para recebê-lo, mas ele não é quem eu desejo. Meus músculos se contraem, à espera de mais profundidade, mais voracidade, mas Robin, após várias investidas, goza e cai sobre mim. 
Fecho os olhos e sinto vontade de chorar. Quero Emma. Quero fazer sexo com ela e que ela me faça estremecer. O que até um mês atrás era ótimo com Robin ou qualquer outra pessoa; agora, depois de Emma, ficou sem graça e monótono. Preciso de mais, e só Emma sabe me dar o que quero. 
Sinto a cabeça de Robin em meu pescoço. Ouço-o respirar forte pelo esforço. Quando se afasta de mim, pergunta se estou bem. Minto e digo que sim. Não quero magoá-lo. 
Ele me ajuda a me levantar e vou até o banheiro. Fecho a porta e jogo água no rosto, me olho no espelho e sussurro ao pensar em Emma: 
— O que você fez comigo, sua babaca? 
Depois de me lavar, saio do banheiro e encontro Robin sentado numa cadeira. Nos olhamos. 
— Estou indo. 
Sua expressão se contrai. 
— Não, Regina... fique aqui.
Consciente de que estou me comportando como uma pessoa sem caráter, como uma idiota filha da puta, me aproximo e lhe dou um beijo na boca. 
— Por favor, Robin, continue com sua vida e me deixe continuar com a minha. Nos vemos em Jerez. 
Dito isso, me viro e saio. Quando fecho a porta atrás de mim, fecho os olhos e suspiro. Sinto-me péssima. Ando até o elevador e, já na rua, ligo para minha amiga Azu. Me diz onde estão e eu corro para lá. Preciso encher a cara e esquecer o que acabei de fazer.

Quando chego à boate Amnesia, meus amigos me perguntam por Robin. Minha cara demonstra que não quero falar disso. Respeitam meu silêncio e não perguntam mais. Meu querido amigo Graham me oferece uma Coca-Cola.
— Bebe... Vai se sentir melhor.
Uma hora depois, já estou mais relaxada. Graham conseguiu me fazer sorrir e só me deixou tomar Coca-Cola. Segundo ele, o álcool não é bom para curar a tristeza. Enquanto todos conversamos, fico observando seu braço. Sua tatuagem me chama a atenção. Então eu o seguro perto de mim. 
— É nova? 
— É, sim. Gostou? 
Concordo com um gesto. 
Sempre gostei de tatuagens e de pessoas tatuadas. 
Algo que Emma não tem de jeito nenhum. Sua pele é suave e sem marcas, ao contrário de Graham, que é tatuador e adora ter a pele cheia de desenhos. De repente, tenho uma ideia. 
— Graham, você me faria uma tatuagem? 
Ele me crava seus olhos amendoados. 
— Claro. Quando você quiser. 
— Quanto você me cobraria? 
Graham sorri. 
— Nada, meu amor. Pra você eu faço de graça. 
— Sério? 
— Claro que sim, sua boba. 
— Você faria agora? 
Surpreso, deixa sua cerveja no balcão e repete: 
— Agora? 
— É. 
— São cinco da manhã. 
Sorrio. Mas, muito a fim de ter uma tatuagem, chego mais perto dele. 
— Não acha que é uma hora perfeita pra isso? 
Não preciso dizer mais nada. Graham pega firme na minha mão e saímos. Subimos na moto e vamos até seu estúdio. Ao entrar, acende as luzes e olho ao redor. Centenas de desenhos pendurados nas paredes, o trabalho de Graham ao longo de todos esses anos. Tribais, nomes, caricaturas, dragões... 
— Bem, Dona Impaciência. Que tatuagem você quer? 
Sem me mexer, continuo observando as fotos até que vejo algo e então sei exatamente o que quero. Ele se surpreende quando digo o que é, mas procuramos em seus moldes o que eu quero. Decidimos o tamanho. Não muito grande, mas o suficiente para ser notada. Graham começa a trabalhar no molde. Vinte minutos depois, olha para mim. 
— Já está pronto, minha linda. 
Nervosa, faço que sim com a cabeça. Ele me mostra. Observo seu desenho e sorrio. Me convida a me sentar na maca onde faz seus trabalhos. 
— Onde você quer a tatuagem? 
Hesito por alguns instantes. Quero que a tatuagem seja algo muito íntimo, que só quem eu queira possa ver e que sempre... sempre me faça lembrar dela. De Emma. Por fim, convencida do que quero, aponto o dedo para meu púbis depilado e sussurro: 
— Aqui, quero que você tatue aqui. 
Graham sorri. Eu também. 
— Menina, vai ser uma tatuagem muito sensual. Você sabe disso, né? 
— Sim, eu sei — respondo. 
Graham faz que sim e pergunta, enquanto pega uma agulha: 
— Tem certeza, Regi? 
— Tenho — afirmo determinada. 
— Tudo bem, linda. Então deite aí. 
Enquanto conversamos e escutamos Bon Jovi, Graham trabalha sobre meu corpo. As picadas da agulha são dolorosas, mas nada se compara com a dor que sinto em meu coração por culpa de Emma. Por volta das sete da manhã, Graham larga a agulha na mesinha e lava minha pele com água. 
— Prontinho, linda. 
Levanto, ansiosa para ver o resultado. De calcinha, ando até o espelho e meu coração se contrai quando leio em meu púbis: "Peça-me o que quiser." 
Ao chegar em casa, em torno das oito da manhã, estou exausta e um pouco dolorida por causa da tatuagem. Mas abro o notebook. Passo as fotos que tirei com o celular e fico decidindo qual delas enviar. Depois abro meu e-mail e escrevo:

De: Regina
22 de julho de 2012 08:11
Para: Emma Swan
Assunto: Noite agradável 
Para que você veja que estou me divertindo e fazendo o que te prometi.
Atenciosamente, Regina Mills

Anexo à mensagem uma foto em que estou deitada na cama e Robin me beija. Nem menciono a tatuagem. Ela não merece. Quero que se sinta mal. Que veja que minha vida continua mesmo sem ela. Após ler a breve mensagem umas cem vezes, aperto "enviar". Fecho o computador e vou dormir.

 

É segunda: outra semana de trabalho começa. Não soube mais nada de Robin e é quase melhor assim. Cada vez que penso no que fiz, sinto vergonha. Sou uma completa idiota. Aproveitei a quedinha dele por mim e, quando consegui o que queria, fui embora sem levar em conta seus sentimentos. 
Checo meus e-mails mil vezes, duas mil, três mil, mas Emma não responde. Ela me deixa num vazio e isso me deixa louca. Definitivamente, ela não está nem aí pra mim. Fui apenas mais uma transa para ela, e preciso aceitar isso. Sou uma imbecil mesmo!
Minha chefe chega e está especialmente chata hoje. Killian tenta tirá-la do meu pé e faz isso da melhor forma que sabe. Sexo! Eu me faço de boba e finjo não saber de nada. No fundo, sou grata a ele por mantê-la ocupada.
Os dias passam e minha tatuagem está me incomodando. Segui todas as recomendações de Graham e ainda uso um plástico para proteger. 
Continuo sem notícias de Emma. 
Minha chefe está com aquela simpatia de sempre. Enche minha mesa de trabalho até não poder mais, e eu, como boa escrava que sou, mergulho nele. Se tem uma coisa que meu pai me ensinou, é não deixar nada pela metade. 
Na quinta-feira saio com os amigos para tomar cerveja. Graham vai também e me pergunta sobre a tatuagem. É a única pessoa que sabe, e eu não quero contar para ninguém mais. Combino de passar no seu estúdio na sexta-feira para ele ver como está. 
Afinal é sexta-feira! 
Dentro de algumas horas estarei de férias. 
Continuo sem saber nada de Emma e da suposta viagem às sucursais, então procuro esquecer o assunto. Depois de dar mil voltas na cabeça, decido não pensar mais nisso. Impossível, porque essa desgraçada não me abandona.
Quando desligo o computador e me despeço dos colegas, quase não acredito. Vou ficar praticamente um mês fora do escritório, desse ambiente, e isso me deixa muito feliz. Quando saio, vou direto ao estúdio de Graham. Ele vê minha tatuagem e diz que já posso tirar o plástico de proteção. 
Ao chegar em casa, vejo que há uma mensagem da minha irmã na secretária eletrônica. 
Pede que eu fique duas noites com minha sobrinha. Tem planos com Whale. Sem conseguir recusar, digo que sim. Minha irmã está eufórica e isso me faz sorrir. 
Às nove da noite, minha sobrinha levada chega à minha casa e se apossa da tevê, enquanto minha irmã, toda afobada, me conta suas últimas façanhas sexuais. Quando ela vai embora, Grace insiste que eu peça uma pizza, e nós duas comemos uma pizza de presunto enquanto sou obrigada a aturar os ridículos desenhos do Bob Esponja. Por que será que ela gosta tanto? 
À meia-noite, exausta de tanto Bob Esponja, Lula Molusco e seus hambúrgueres de siri, vamos para a cama. Grace quer muito dormir ao meu lado e eu deixo numa boa.
Na manhã de domingo, minha irmã aparece mais feliz que pinto no lixo e, após dizer "Depois te conto!", vai embora apressada com minha sobrinha. Meu cunhado a espera com o carro parado em fila dupla. 
Nessa noite, depois de um dia inteiro jogada no sofá, eu olho para minha mala. Amanhã vou para Jerez passar uns dias com meu pai. Tomo um copo d'água e me enfio na cama, mas, antes de apagar a luz do abajur, vejo os lábios de Emma marcados ali. Apago a luz e decido dormir. Estou precisando.
Como sempre, minha chegada a Jerez, à casa do meu pai, é motivo de animação na vizinhança. Lola, da quitanda, me abraça; Pepi, do armazém, me enche de beijos. O Bicho e o Lucena, quando me veem, dão pulos de alegria. Todo mundo gosta de mim. Meu pai é um homem muito querido na cidade. A vida toda teve uma típica oficina de carros e motos, "Oficina Mills", e é mais conhecido que o vinho do lugar. 
À tarde, na hora em que estou dando um mergulho na piscina maravilhosa que meu pai construiu na casa, Robin aparece. Vou nadando até a borda, observo sua calça branca e a camisa de linho laranja que ele está usando. Está tão bonito como sempre, e essas cores combinam muito bem com seu tom de pele. Ele sorri. Parece um bom sinal. 
— Olá, conterrânea. 
— Oláááá! 
— Já estava mais do que na hora de você voltar pra casa, sua ingrata. 
Suas palavras e seu sorriso me dão a entender que ele está bem, que a mágoa comigo já passou. Isso me reconforta. Saio da piscina com meu biquíni verde militar e vejo os olhos de Robin percorrendo meu corpo de cima a baixo. Meu pai, que não repara no olhar dele, vem chegando por trás. 
— Olha quem veio te ver, moreninha. Vai uma cervejinha, Robin?
— Obrigado, Henry. Vou adorar uma. 
Meu pai sai e nos deixa sozinhos. Nos olhamos e eu lhe pergunto, rindo: 
— Que foi? 
— Você está linda. 
Feliz com o elogio, murmuro enquanto enxugo o rosto com uma toalha: 
— Obrigaaaada... você também está. 
Dou dois beijinhos nele. 
Sinto suas mãos na minha cintura molhada e, ao ver que ele não me solta, replico: 
— Me solta ou meu pai vai contar tudo pro seu e eles marcam o casamento pra daqui a dois dias. 
— Se assim eu puder te ver mais vezes, tudo bem! 
Dou uma risada e ele me solta. Sentamos numa das cadeiras. 
— Como estão as coisas? 
— Tudo bem e com você? 
Robin faz que sim com a cabeça. Não quer falar muito sobre o que aconteceu. Nesse momento, aparece meu pai com duas cervejas e uma Coca-Cola para mim.
Por algum tempo, nós três conversamos na beira da piscina. Às oito, Robin me convida para jantar. Vou dizer que não, que não estou a fim, mas meu pai vai logo aceitando por mim. Às nove, já arrumada, saio com Robin do chalé do meu pai e entro no seu carro. 
Ele me leva a um restaurante recém-inaugurado em Jerez e temos um jantar agradável. Robin é simpático e com ele nunca falta assunto. Quando saímos, vamos a um barzinho tomar algo.
— Regina — ele diz quando eu menos espero —, se eu te chamasse pra passar uns dias comigo no Algarve, você iria? 
Quase engasgo. Olho para ele e pergunto: 
— Por que essa ideia agora? 
Robin se apoia na mesa e afasta uma mecha de cabelo que cai nos meus olhos. 
— Você sabe. 
Olho para ele desconcertada. Outra vez a mesma história? E, antes que eu possa dizer algo, chega mais perto e me dá um beijo. Sua língua invade minha boca. 
— Sua chefe, aquela mulher...Por que ela? Não é a pessoa certo pra você. 
Stop! Ele está falando de Emma? 
— Emma Swan, não é a mulher que você imagina — diz. 
— Do que você está falando? 
Robin acaricia os contornos do meu rosto. 
— Digamos que ela freqüenta ambientes que não são saudáveis pra você. 
Sem precisar perguntar de novo, eu sei do que ele está falando. Mas meu sangue ferve quando me dou conta de que Robin está bisbilhotando minha vida. Por que ultimamente todo mundo me espiona? Eu o encaro, mal-humorada. 
— E o que você sabe da minha chefe e esses ambientes? 
— Regina, sou policial e pra mim é muito fácil saber certas coisas. Emma Swan é uma empresária alemã rica que gosta de estar com muitas mulheres. Circula num ambiente muito seleto e, pelo que descobri, gosta de compartilhar algo mais do que amizade. 
Descobrir que Robin sabe certas coisas sobre Emma me incomoda, me preocupa. 
— Olha, não sei do que você está falando, nem me importa — respondo, incapaz de me acalmar. — Mas o que não entendo é por que você está falando da minha chefe e do que ela faz com a vida pessoal dela. 
— Regina, não me importo com sua chefe, mas com você, sim — explica, olhando nos meus olhos. — E não quero que você tome uma decisão errada. Eu te conheço, gosto de você e não quero que ninguém estrague o que é nosso. 
— "Nosso"? O que é "nosso"? 
— Nosso é o que você e eu temos. Gostamos um do outro há anos e... 
— Ai, meu Deeeeeeus.... — murmuro horrorizada. 
— Regina, essa mulher não...
— Chega! Não quero mais ouvir falar da minha chefe, nem da minha vida particular, entendeu?
Robin faz que sim e nos envolve num silêncio incômodo. 
— Me leva pra casa ou eu vou sozinha. Escolhe! — digo, levantando-me. 
Ele também se levanta, esvazia seu copo e tira do bolso as chaves do carro. 
— Vamos. 
Entramos no carro. Ele dirige e nenhum de nós fala nada. Quando chegamos à porta da casa do meu pai, desliga o motor, olha para mim e sussurra: 
— Regina, pensa no que te falei. 
Me despeço dele de forma rápida. Abro a porta do carro, desço e, irritada, caminho até a casa do meu pai.

Dois dias depois, Robin não voltou a aparecer, embora me mande mensagens perguntando como estou e me convidando para almoçar ou jantar. Recuso os convites. Não quero vê-lo. Saber que ficou espionando minha vida e a de Emma me deixa furiosa. Mas que coisa chata essa mania de ficarem espionando a minha vida! 
No quinto dia, quando acordo, abro um sorriso. Meu quarto continua como sempre. Papai faz questão de manter tudo igual a antes e, quando o escuto bater na minha porta e entrar em seguida, abro mais um sorriso. 
— Bom dia, moreninha. 
Adoro esse tom carinhoso e andaluz que ele usa quando fala comigo. Sento na cama e dou bom-dia. 
Como sempre, papai me leva o café da manhã na cama e traz o seu também. É um momento nosso, em que colocamos o papo em dia. Algo que os dois gostamos. 
— O que você vai fazer hoje? 
Tomo um gole do delicioso café antes de responder: 
— Marquei com Rocío. Quero conhecer o sobrinho dela. 
Meu pai concorda e dá uma mordida na torrada. 
— Ele é uma graça. Deram o nome de Pepe, como o avô Pepelu. Você vai ver como é bonitinho. Aliás, Robin ligou. Queria falar com você e disse que voltaria a ligar mais tarde. Não gosto de ouvir isso, mas tento não alterar a expressão do meu rosto. Não quero que meu pai tire conclusões erradas. Mas ele não é bobo. 
— Você e Robin brigaram? 
— Não. 
— Então por que ele não tem vindo aqui como sempre? 
Seus olhos me atravessam. Sei que espera que eu diga a verdade. 
— Olha, pai. Sejamos sinceros, pois já estamos bem crescidinhos: Robin quer de mim algo que eu não quero dele. E, apesar de ser um ótimo amigo, nunca haverá nada além disso entre a gente porque hoje em dia eu penso em outra pessoa. Você entende, né, pai? 
Meu pai responde que sim. Dá outra mordida na torrada e a engole antes de mudar de assunto. 
— Sabe quando sua irmã vem? 
— Não me disse nada, pai. 
— É que eu telefono e ela tem estado sempre com pressa. Mas dá pra perceber que está feliz. Você sabe o motivo? — Isso me faz sorrir. Se meu pai soubesse...
— Já te disse, pai, não faço a menor ideia! Mas com certeza virão os três passar uns dias contigo. Você sabe que a Grace... se não visita seu vovô, fica arrasada. 
Meu pai sorri e suspira. 
— Ah, minha Grace...! Que vontade que eu tenho de ver essa menina levada. — Logo olha para mim e acrescenta: — Sobre Robin, a partir de agora fico de bico calado, mas, filha, você por acaso você está com aquela moça com quem te vi na última vez que estive em Madri? 
Caio na gargalhada. 
— Olha, minha querida — continua, antes que eu possa responder —, sei que na capital todos vocês são muito modernos. Mas, caramba, você não faz idéia do quanto essa mulher me desagradou. 
— Pode ficar tranqüilo, pai... não é ela que ocupa meus pensamentos. 
— Que bom, moreninha. Aquela lá parecia mais burra que uma porta. 
Seu comentário me faz soltar uma gargalhada, e meu pai ri comigo. Por um bom tempo, curtimos nosso café da manhã, até que ele olha as horas. 
— Tenho que ir à oficina. 
— Tá bem, pai. Te vejo à tarde. 
— Dá uma passada no circuito. Vou estar por lá. 
— No circuito? Pra quê? 
Ele sorri e, sem me revelar nada, vai se levantando da cama. 
— Passa lá por volta das cinco. Tenho uma surpresinha pra você. 
Meu pai e seus segredinhos. Mas rapidamente cai a ficha e eu sei a que ele se refere. Aceito o convite. Meu pai sai e eu continuo me entupindo de torradas.
Às onze e meia, minha amiga Rocío passa para me pegar e juntas vamos ver seu sobrinho. Como meu pai disse, o menino é uma gracinha. À uma já estamos de volta e vamos para a piscina. A água está fresquinha e deliciosa. 
Rocío me conta suas coisas e tenta me perguntar sobre Robin. Mas, assim que percebe que não quero tocar no assunto, deixa pra lá e falamos de outras coisas. Às duas e meia, minha amiga volta para casa e eu fico deitada na beira da piscina. Meu telefone apita. Uma mensagem. É Robin me chamando para almoçar. Recuso o convite e deito na espreguiçadeira para ouvir música. 
Meu celular apita de novo. Que saco! Pego o aparelho e fico sem ar quando leio: "Quer ir beber comigo?" É Emma! 
Meu coração dispara. 
Emma está em Madri e eu a muitos quilômetros de distância. Pego a Coca-Cola e bebo. Minha garganta ficou seca de repente, e o celular apita outra vez. 
"Você sabe que não sou paciente. Responde." 
Com as mãos tremendo, começo a digitar, mas não acerto as teclas! Finalmente consigo escrever: "Estou de férias." 
Envio a mensagem e minha barriga se contrai até que ouço o celular apitar e leio sua resposta: "Eu sei. Muito bonita a porta vermelha do chalé do seu pai." 
Quando leio isso, dou um gritinho, largo o celular, pego uma canga e corro desesperada até a porta. Na minha corrida, derrubo cadeiras do quintal, bato com o quadril, mas não me importo. 
Emma está aqui! 
Rápida, abro a porta, mas minha cegueira é tamanha que não vejo nenhum carro que possa ser o dela, até que uma buzinadinha me faz olhar pra direita e eu vejo uma mulher numa moto maravilhosa. Ela desce, tira o capacete e, seus cabelos caem como cascata por seus ombros...Seus olhos e sua boca sorriem para mim. 
Sem me importar com mais nada nem ninguém, corro até ela e me atiro em seus braços. Meu impulso é tão forte que nós duas quase caímos no chão, mas nada, absolutamente nada, me importa. Eu apenas a abraço e estremeço quando volto a ouvir sua voz em meu ouvido: 
— Pequena... senti sua falta. 
Estou nervosa. Histérica! 
Emma, minha Emma!, está nos meus braços. Em Jerez. Na porta da casa do meu pai. Veio me buscar. Me encontrou e essa é a única coisa em que quero pensar. Quando me separo um pouco dela, sinto seu olhar percorrer meu corpo e então me dou conta da minha aparência. 
— Emma, você podia ter avisado. Olha o meu estado. 
Ela não responde. Apenas me olha e em seguida me segura pela nuca e me puxa pra ela, pronta para me dar um beijo apaixonado que faz toda Jerez estremecer.
— Você está linda, querida. 
Ai, meu Deus! Vou ter um troço. E ainda por cima me chama de "querida"! 
— Como está o braço? — pergunta de repente. Eu mostro a marca do ferro. 
— Ótimo.
Emma faz um gesto com a cabeça e eu a convido a entrar na casa. 
Vai me seguindo e ofereço uma cerveja. Ela recusa e pede água. Eu a faço esperar na piscina enquanto me visto. Emma resiste, mas explico que essa é a casa do meu pai, que pode aparecer a qualquer momento. Ela entende e obedece. Em cinco minutos eu me visto. Um jeans, um top e pronto. 
Quando apareço, Emma olha para mim. 
— Você recebeu duas mensagens do Robin. 
Respiro fundo e, antes de conseguir responder, Emma me puxa para si e me beija com voracidade. Seus beijos me fazem entender que ela sentiu tanta falta de mim quanto eu dela, e isso me deixa feliz. Apesar de que ela ainda me deve muitas explicações. Em meio aos beijos, entramos na cozinha. Emma me sobe na mesa para continuar me beijando e ao mesmo tempo me aperta contra ela.
Calor... estou sentindo um calor infernal e mais ainda quando ela abaixa a cabeça e morde meus seios por cima do top. Somos dominadas por um desejo ardente. E no fim sou eu que, me esquecendo de onde estou, do meu pai e da imagem de Nossa Senhora na cozinha, abro seu jeans, enfio a mão em sua calcinha e a toco. Quero mais. 
Emma, excitada por minhas carícias, desabotoa meu jeans e o arranca. Em seguida tira minha calcinha e sinto o frio da mesa em minha bunda. Continuo sentada ali e percebo como ela depressa agacha e afunda sua cabeça entre minhas pernas. Por um pequeno e gostoso tempo, deposita suaves beijos em minhas coxas. Reparo na minha tatuagem, mas ela não. Está cega de desejo. Gosto disso!
Volta a me beijar...Me puxa para si. Com a respiração entrecortada e me encarando com desejo, encosta dois dedos na entrada da minha vagina, enfia alguns centímetros e depois me agarra pela bunda e com um movimento certeiro os mete completamente dentro de mim, enquanto vejo que ela morde o lábio. 
Sim... Sim... Sim... Eu precisava sentir Emma. 
Calada, me suspende pelo braço esquerdo para me deixar mais próxima de sua altura e me apóia contra a geladeira. Eu a beijo... ela me beija com desespero, e suas penetrações fortes e profundas dentro de mim me fazem gritar de puro prazer. Uma... duas... três... Meu corpo a recebe com gosto... quatro... cinco... seis... Quero mais! De novo, minha carne arde, minha vagina lateja tomada por ela e eu solto gemidos e gozo entre seus braços. Estou feliz. Muito feliz e não quero pensar em mais nada enquanto deixo que ela me coma como gosta. Como nós gostamos. Selvagem, possessivo e duro. 
Após várias estocadas fortes que me dão a sensação de que ela vai me rasgar por dentro, Emma se joga para trás e solta um grunhido. Deixa sua cabeça cair sobre meu ombro e, por alguns minutos, nós duas permanecemos apoiadas na geladeira.
— O que você está fazendo aqui, Emma? 
— Estava morrendo de vontade de ver você de novo. 
Seu comentário me faz fechar os olhos. Adoro ouvir isso, mas não entendo por que ela não veio me ver antes. Por fim me beija e seguimos para o banheiro para nos limpar um pouco antes de sair da casa do meu pai entre beijos e risadas. Ela me sugere que a gente vá almoçar em algum lugar e, ao chegarmos à sua espetacular moto, pergunto: 
— É sua? 
Não responde. Dá de ombros e me entrega o outro capacete.
— Você tem medo? 
Coloco o capacete que ela me dá. 
— Medo não, respeito. 
Emma sorri. Sobe na moto e partimos. 
— Segure em mim com força. Se você tiver medo em algum momento, me avise, ok? Concordo num gesto. 
Eu a oriento pelas ruas de Jerez e almoçamos num restaurante de Pachuca, uma amiga do meu pai. Ao me ver entrar , ela pisca para mim e nos conduz até a melhor mesa da casa. Logo me enche de beijos e reclama por eu aparecer tão pouco, enquanto observo que Emma digita alguma coisa no celular. Quando acaba com os beijos e queixas, ela nos entrega o menu. 
— Menina, pede o salmorejo, que hoje fiz um que ficou um espetáculo. 
— O que é isso? — pergunta Emma, achando graça. 
— É tipo uma sopa fria de tomate, um gaspacho, mas mais concentradinha. Se você gosta de verdura, tenho certeza de que vai adorar o salmorejo da Pachuca — explica ela. Respondemos em uníssono: salmorejo para duas! 
— E como prato principal, o que você sugere? 
Pachuca sorri e diz: 
— Tenho atum aceboladinho que tá uma delícia, ou costelinhas. Cês preferem o quê? 
— Atum — responde Emma. 
— Eu também. 
Pachuca se afasta, e Emma olha para mim e estende as mãos por cima da mesa para pegar as minhas. Não dizemos nada. Apenas nos olhamos até que ela rompe o silêncio: 
— Sou uma babaca. 
— É mesmo. Com certeza. 
Seu comentário me confirma que ela recebeu meus e-mails. 
— Quero que saiba que seu último e-mail me deixou louca de raiva. 
Solto suas mãos. 
— Você mereceu. 
— Eu sei... 
— Fiz o que você me pediu. E, como seu detetive não podia me espionar dentro do quarto, resolvi fazer isso eu mesma.
Observo suas mãos. Os nós estão tensos e ficam brancos. 
— Reconheço que errei, mas não gostei do que vi.
Isso me surpreende. Me recosto na cadeira. 
— Não gostou de me ver transando com outra pessoa? 
Emma me encara. Seu olhar está sombrio. 
— Não, porque eu não estava participando. 
Não quero confessar que para mim ela estava, sim, na imaginação. 
— Você me desculpa? 
— Não sei. Tenho que pensar, Icewoman. 
— Icewoman?! 
Sorrio, mas não comento que foi Killian quem colocou esse apelido nela. 
— Tua frieza às vezes te transforma numa mulher de gelo. Icewoman! 
Faz um gesto concordando. Fica me olhando e exige que eu lhe dê a mão de novo. 
— Peço desculpas por não ter te procurado esse tempo todo. Mas acredite em mim: eu estava muito ocupada. 
— Por que não podia me ligar? 
Ela pensa... pensa... pensa e, por fim, parece encontrar uma resposta: 
— Prometo que da próxima vez eu ligo. 
Tento fazer cara de emburrada. Não me respondeu, mas não consigo ficar brava com ela. Estou tão... tão feliz por ela ter vindo até aqui e por estar ao meu lado que só consigo sorrir como uma boba e aproveitar a felicidade. Meu celular toca. É Robin. Emma vê o nome que aparece no visor. 
— Pode atender, se quiser. 
— Não... agora não. — Desligo o celular. 
A comida, como a Pachuca bem disse, está uma verdadeira delícia. O salmorejo é maravilhoso. E o atum, mais ainda. Quando saímos do restaurante, consulto o relógio. São 16h15. Então me lembro de que marquei de encontrar meu pai às cinco. 
— Você tem vontade de conhecer o circuito de Jerez? 
Emma me aproxima dela e sussurra perto da minha boca: 
— Pequena, vontade mesmo eu tenho é de outra coisa. Vamos, aluguei um chalé que... 
— Alugou um chalé?
— Sim. Quero estar perto de você. 
Sua proximidade, sua voz e sua sugestão me fazem suspirar. Fico querendo correr para esse chalé, mas não. Não vou fazer isso, por mais que a idéia me seduza. Não. 
— Combinei com meu pai às cinco no circuito. O que acha de conhecê-lo? 
— Conhecer seu pai? 
— É. Meu pai. Mas pode ficar tranquila, ele não tem nada contra alemães! 
Meu comentário a faz sorrir. E, após me dar um tapinha, me entrega o capacete. 
— Vamos conhecer seu pai.
Assim que chegamos ao circuito, encontramos Roberto na entrada. Ele me cumprimenta e me diz para esperar meu pai na reta dos boxes. Explico a Emma como chegar lá e ela brinca comigo, dando aceleradas que me fazem gritar e me segurar nela. 
Ao chegarmos aos boxes, ninguém está lá. Descemos da moto e fico olhando para ela. É linda. 
— Quer que eu te ensine a usar? 
Sua pergunta me surpreende e eu reajo como uma criança. 
— Hummm, não sei. 
— Tem medo? 
— Nããããão. 
— Então qual é o problema? 
O sol bate direto no meu rosto e eu pisco um olho para enxergar Emma melhor. 
— Tenho medo de cair e de estragá-la. 
— Não vou te deixar cair — responde com segurança. 
Isso me faz sorrir. Essa é Emma, uma mulher segura. Por fim, incentivada por ela, subo na moto. Olho ao redor e vejo que meu pai ainda não apareceu. Durante alguns minutos, Emma me explica que as marchas estão no pé esquerdo, depois me indica como acelerar, como usar a embreagem e como frear. Em seguida arranca com a moto. 
— Uau, que barulho incrível! 
— As Ducati todas têm esse som assim, menina. Forte e rouco. Agora vem, engata a primeira e... 
Faço o que ela me pede e a moto morre. Com um sorriso carinhoso, ela arranca outra vez. 
— Isso é como um carro, querida. Se você soltar a embreagem depressa, o carro morre. Engate a primeira, solte devagarzinho e acelere. 
Me chamou de "querida" duas vezes em menos de duas horas. Uau! 
Volto a engatar a primeira, solto devagarzinho e, droga!, a moto morre de novo. 
— Não se preocupe. — Ri, aproximando-se de mim. 
Repete tudo e desta vez eu me concentro. Engato a primeira, solto devagarzinho a embreagem e acelero. A moto começa a andar e ela aplaude enquanto dou gritinhos. De repente eu freio e a moto dá um tranco. Emma grita e vem correndo. 
— Se você frear só com o freio dianteiro, pode cair. 
— Ok. 
Repetimos o processo vinte vezes e cada vez eu me saio pior. Freio pior e não me conformo. A cara de Emma é impagável. 
— Vamos, desça da moto. 
— Nããããão... Quero aprender! 
— Outro dia continuamos com as aulas — insiste.
— Ah, por favor, Emma... não seja desmancha-prazeres. 
Seus olhos não sorriem. Está tensa. 
— Chega, Gina. Não quero que você quebre a cabeça. 
Mas eu já tomei gosto pela coisa e agora quero continuar. 
— Só mais uma vez, por favor. Só mais uma. 
Emma olha para mim, muito séria, mas acaba cedendo. 
— Só uma vez, e depois você desce, combinado? 
— Ebaaaa! Então engato a primeira e... — Ao ver seu rosto tenso, pergunto: 
— Vem cá, por que você está tão preocupada? 
— Gina... tenho medo que você se machuque. 
— Você fica angustiada quando não sabe o que vai acontecer? 
— Fico. 
— Por quê? 
Sem entender minhas perguntas e com a testa franzida, responde: 
— Porque preciso saber que você está bem e que não vai te acontecer nada. 
Arranco de novo. Engato a primeira, solto a embreagem e acelero com cuidado. A moto vai devagarzinho e Emma está ao lado. 
— Emma! 
— Que foi? 
— Fique sabendo que a angústia que você acaba de sentir nem se compara com a que senti por sua causa nessas duas semanas. E, agora, olha só isso! 
Engato a segunda, acelero e a moto se movimenta. Ponho a terceira... quarta e saio diretamente ao circuito. Pelo retrovisor eu a vejo boquiaberta e então sorrio. Estou empolgada por dirigir uma moto outra vez. É algo de que sempre gostei e que me proporciona liberdade. Enquanto faço as curvas do circuito de Jerez, penso em Emma. Em sua cara de preocupação. E volto a sorrir. Eu a imagino nos boxes, sozinha e desconcertada. Acelero. 
Saio da pista e entro nos boxes. Está sentada num degrau. Quando me vê, levanta-se. Sua expressão é dura. Icewoman está de volta. Mas, feliz por tê-la feito sofrer por alguns minutos, chego até ela e freio bruscamente sem desligar o motor. Tiro o capacete e, no melhor estilo As panteras, olho para ela. 
— Vem cá, Emma, você achava mesmo que a filha de um mecânico não sabia dirigir uma moto? 
Emma se aproxima de mim. Parece prestes a me dizer alguma coisa não muito amigável, até que me segura pelo pescoço e me beija com verdadeira paixão. Ainda em cima da moto, eu a agarro e a devoro até que escuto a voz do meu pai. 
— Eu já sabia que a mulher que estava correndo na pista era minha moreninha. Rapidamente me separo de Emma. Pisco para ela, o que a faz sorrir, e me viro na direção do meu pai. 
— Pai, essa aqui é uma amiga minha. Emma Swan.
Meu pai sorri e a examina de alto a baixo. Sei que ele sabe que essa mulher é a pessoa que anda povoando meus pensamentos. Emma dá um passo à frente e apertam as mãos.
— Prazer em conhecê-lo, senhor Mills. 
— Me chame de Henry, ou terei que te chamar por esse sobrenome esquisito que você tem. 
Ambos sorriem e sei que foram com a cara um do outro. Me alegra saber que meu pai não se sente desconfortável , e muito menos se opõe, em saber que saio com mulheres. Papai simplesmente quer me ver bem e feliz! Emma olha para mim e se dirige ao meu pai: 
— Henry, o senhor tem uma filha meio mentirosa. Tinha me dito que não sabia dirigir moto e, depois de me fazer ensinar a ela como usar a embreagem, saiu disparada como uma flecha. 
— Você disse isso a ela, sua sem-vergonha? — meu pai brinca. 
Confirmo com a cabeça, achando graça. 
— Emma, minha moreninha foi campeã de motocross de Jerez por vários anos e, hoje em dia, continua ganhando prêmios. 
— Sério? 
— Ahaaaaaam — eu digo, divertindo-me. 
Durante um tempo, Emma e meu pai ficam fazendo graça e eu entro na brincadeira. Estou diante de duas das pessoas que mais amo na vida e isso me faz feliz. Alguns instantes depois, meu pai começa a andar e volta em nossa direção. 
— Me acompanhem, crianças. 
Quando vou seguir meu pai, Emma me agarra pela cintura e me puxa para si. 
— Moreninha, você é uma caixinha de surpresas. 
Pisco para ela e finjo lhe dar um soco na barriga que a faz rir. 
— Cuidado com o olho, porque também fui campeã regional de caratê. 
Eu a escuto assobiar, surpresa, quando meu pai diz ao entrar num boxe: 
— Olha o que preparei pra você. 
Bem na minha frente está a moto com a qual ganhei esses prêmios de motocross. Limpa e reluzente. Uma Ducati Vox Mx 530 de 2007. Emocionada, ando até lá e subo nela. O celular do meu pai começa a tocar e ele sai do boxe para atender. Arranco com a moto e seu som áspero ecoa ao nosso redor. Depois olho para Emma e digo enquanto ela dá risada: 
— Já te disse que adoro o barulho forte e rouco das Ducati?



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