História Peça-me o que quiser - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Visualizações 292
Palavras 8.140
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Capitulo 4


Chego em casa às sete e meia. Dou oi para o meu gato Trampo, que vem bem devagar me receber. Largo a bolsa no sofá cor de berinjela, vou até a cozinha, pego seu remédio, abro a boca de Trampo e lhe dou umas gotas. O coitadinho nem se perturba mais. 
Após dar sua cota diária de carinho, abro a geladeira para pegar uma Coca-Cola. Sou viciada em Coca-Cola... é desesperador! Sem pensar em mais nada, vejo a pilha de roupas para passar que estão em cima da cadeira. Embora viver sozinha e ser independente tenha lá suas vantagens, se eu estivesse morando com meu pai essa roupa toda com certeza estaria passadinha e pendurada no armário. 
Depois de terminar a lata de Coca, corro para o banho. Antes, ponho um CD do Guns'n'Roses. Adoro essa banda. E Axl, o vocalista, com esse cabelo e essa cara de gringo, e com seu jeito de mexer os quadris. Fico louca! Entro no banheiro. Tiro a roupa enquanto cantarolo Sweet Child O'Mine.
Que maravilha! Que voz esse homem tem! Instantes depois, suspiro ao sentir a água quente caindo sobre minha pele. Faz com que eu me sinta limpa. Mas, de repente, a senhora Swan e seu jeito de falar comigo surgem em minha mente, e minhas mãos, escorregadias por causa do sabonete, descem pelo meu corpo. Abro as pernas e me toco. Ah, sim, Swan!
Pensar em sua boca, em como percorreu meus lábios com sua língua, me excita. Lembrar de seus olhos e dela toda me deixa a mil. Calor de novo! Minhas mãos deslizam sobre mim, e uma delas se detém no meu seio direito, enquanto a voz penetrante do vocalista do Guns'n'Roses continua a ecoar. Toco o mamilo direito com o polegar, fazendo-o ficar duro. Mais calor! 
Fecho os olhos e imagino que é Swan quem o toca, quem o endurece. Não a conheço. Não sei nada sobre ela. Mas sei, sim, que sua proximidade me enche de tesão. Solto um gemido bem no instante em que ouço o toque do meu telefone. Deixo tocar. Não quero interromper esse momento. Mas no sexto toque abro os olhos, saio da minha bolha de prazer, pego a toalha e corro até o quarto para atender. 
— Por que demorou tanto pra atender? É minha irmã. Como sempre, na hora errada e fazendo mil perguntas. 
— Eu estava no banho, Zel. Algum problema? Sua risadinha me faz rir também. 
— Como está o Trampo? Dou de ombros e suspiro. 
— Igual a ontem. Sem muita novidade.
— Maninha, você tem que estar preparada. Lembra o que o veterinário disse. 
— Eu sei, eu sei. 
— O Robin te ligou? — me pergunta após um breve silêncio. 
— Não. 
— E você vai ligar pra ele? 
— Não. Minha irmã não se contenta com minha resposta e insiste: 
— Regina, esse cara é ideal pra você. Tem um trabalho estável, é bonito, gentil e... 
— Então fica você com ele. 
— Regina! — protesta minha irmã. 
Robin é o típico amigo da vida toda. Nós dois somos de Jerez. Meu pai e o pai dele vivem nessa cidade linda e a gente se conhece desde pequenos. Na adolescência começamos um rolo que continuou quando já éramos adultos. Ele mora em Valência, e eu em Madri. É inspetor de polícia, e nos vemos nas férias de verão e inverno quando nós dois vamos a Jerez ou em viagenzinhas relâmpago que ele faz a Madri com qualquer pretexto para me ver. 
É alto, bonito e bem divertido. Com ele eu consigo passar horas rindo, porque tem um humor e um encanto irresistíveis. O problema é que não estou tão envolvida por ele quanto eu sei que ele está por mim. Gosto dele. É meu casinho de verão e trocamos fluidos quando vem me ver. Nada além disso. Não quero mais nada, embora vez ou outra minha irmã, meu pai e todos os nossos amigos de Jerez se empenhem em fazer a gente ficar juntos. 
— Escuta, Regina, não seja idiota. Liga pra ele. Disse que iria te ver antes de ir a Jerez e com certeza vai fazer isso.
— Ai, Zel, como você é chata! Minha irmã sempre faz a mesma coisa: me enche o saco e, quando percebe que vou falar alguma besteira, muda de assunto. 
— Quer vir jantar aqui? 
— Não, tenho um encontro. Ouço-a bufar. 
— E posso saber com quem? — pergunta. 
— Com um amigo — minto. Do jeito que ela é puritana, se eu disser que é com minha chefe ela vai desmaiar. 
— E agora, irmãzinha, chega de perguntas. 
— Tá bom, você sabe o que faz. Mas continuo achando que está enrolando o Robin e ele vai acabar se cansando de você. Espera só! 
— Zelena! 
— Tá bom, tá bom, maninha, não digo mais nada. Aliás, hoje voltei a receber flores do Whale. O que você acha disso? 
— Caraca, Zel, o que você quer que eu ache? — respondo irritada. — É um gesto carinhoso da parte dele.
— Sim. Mas ele nunca tinha me dado dois buquês de flores num intervalo de três semanas. Aí tem. Alguma coisa tá rolando, eu sei. Eu o conheço e sei que ele não é tão gentil assim.
Olho o relógio digital sobre a mesinha: são oito e cinco. Mas, disposta a agüentar as paranóias da minha irmã, levo o telefone pro banheiro, deixo-a esperando na linha e enrolo o cabelo numa toalha. 
— Vamos lá, o que houve? Como já está virando rotina, Zelena me conta a última briga com o marido. Estão casados há dez anos, e a vida deles deixou de ser emocionante quando nasceu Nicky, minha sobrinha. Suas contínuas crises conjugais são o assunto preferido dela, mas me cansam. 
— A gente já não sai juntos. Não anda de mãos dadas. Ele nunca me convida pra jantar. E agora, do nada, me manda dois buquês de flores. Não acha que ele está se sentindo culpado por alguma coisa? Minha cabeça quer gritar: "Sim! Acho que seu marido está te traindo!" Mas minha irmã é uma sofredora nata, então respondo rapidamente: 
— Não acho. Talvez ele tenha visto as flores e se lembrou de você. Qual é o problema? Após meia hora de papo com ela, finalmente consigo desligar o telefone sem falar do meu estranho encontro com a senhora Swan. Gostaria de contar a ela, mas minha irmã logo me diria: "Você está louca? É sua chefe?" Ou quem sabe: "E se for uma assassina louca?" Então prefiro ficar quieta. Não quero pensar que ela pode ter razão. 
Às 20h40, fico histérica ao revirar meu armário. 
Não sei o que vestir.
Quero estar linda como ela me pediu, mas a questão é que minhas roupas são bem básicas e funcionais. Terninhos para o trabalho e jeans para sair com os amigos. Acabo escolhendo um vestido verde que tem um corte bonito e se ajusta às minhas curvas, e resolvo estrear um par bem provocante de sapatos altos. Minha última extravagância. Volto a consultar o relógio, nervosa. Já são 20h50. 
Sem tempo a perder, ligo o secador e seco meu cabelo mecha por mecha. Para meu espanto, o resultado me agrada. Como não sou de me maquiar muito, passo delineador, rímel e batom. Odeio usar muita maquiagem; isso eu deixo para minha chefe. 
Toca o interfone. Olho as horas. Nove em ponto. Pontualidade alemã. Atendo nervosa e, antes de abrir a boca, ouço uma voz: 
— Senhorita Mills, estou esperando aqui embaixo. Desça. 
Após balbuciar um tímido "Estou indo", desligo. Em seguida pego minha bolsa, beijo a cabeça de Trampo e me despeço dele. Dois minutos depois, ao passar pela portaria, vejo-a apoiada num impressionante BMW cor de vinho. Porém o mais impressionante é ela própria, em seu longo e justo vestido vermelho. Ao me ver, Swan vem e me dá um beijo educado na bochecha.
— A senhorita está muito bonita — observa. 
Tenho duas opções: sorrir e agradecer ou ficar quieta. Opto pela segunda. Estou tão nervosa e desconcertada que, se eu disser algo, nem sei o que pode sair da minha boca. 
Ela abre a porta de trás do carro, e eu me surpreendo ao ver que temos um motorista.
Uau, que luxo! 
Eu o cumprimento. Ele retribui. 
— Tomás, tenho reserva no Moroccio — diz Swan assim que entra no carro.
Dito isso, aperta um botão e um vidro opaco se interpõe entre nós e o motorista.
Olha para mim e eu não sei o que dizer. Minhas mãos suam e eu sinto que meu coração vai pular do meu peito. 
— Está tudo bem? 
— Sim. 
— Então por que está tão calada?
Olho para ela e encolho os ombros sem saber o que responder. 
— Nunca tive um encontro como este, senhora Swan — consigo dizer. — Em geral, quando saio para jantar com alguém, eu... 
Sem me deixar terminar a frase, me encara com seus penetrantes olhos verdes. 
— Sai para jantar com muitos homens, ou mulheres? 
Aquela pergunta me surpreende. Por acaso essa mulher se acha a última fêmea do planeta? Respiro fundo e me contenho para não responder com alguma grosseria. 
— Sempre que tenho vontade — esclareço.
Levanto o queixo com orgulho e, quando penso que não vou dizer mais nada, eu solto: 
— O que eu não entendo é o que faço aqui, em seu carro, com a senhora e indo jantar. Isso é algo que ainda não consigo entender. Ela não responde. Apenas me olha... me olha... me olha e me deixa perturbada com seu olhar.
— O senhora vai falar alguma coisa ou pretende passar todo o tempo me olhando? 
— Olhar a senhorita é muito agradável. 
Xingo e suspiro. Em que furada eu fui me meter? Mas, como não consigo ficar quieta, pergunto: 
— Qual é o motivo desse jantar? 
— Sua companhia me agrada. 
— E por que perguntou se saio com muitos homens ou mulheres? 
— Só por curiosidade. 
— Curiosidade? — repito, coçando o pescoço, desconfiada. — Por acaso uma mulher como o senhora leva uma vida solitária? 
— Não, senhorita. 
— Fico feliz em saber, porque eu também não. 
— Pare de coçar o pescoço, senhorita Mills — ela sussurra, curvando os lábios. 
— As brotoejas...
Cansada de tanta formalidade e levando em conta tudo o que já foi dito, eu protesto. Vamos parar com isso logo de uma vez! 
— Por favor... Pode me chamar de Regina ou Gina. Deixemos a formalidade para o horário do expediente. Tudo bem, a senhora é minha chefe e eu lhe devo respeito, mas me incomoda jantar com alguém que fica me chamando pelo meu sobrenome. 
Ela faz que sim. Parece ter ficado satisfeita com minhas palavras. Seus lábios me lançam um sorriso, e seu rosto se aproxima do meu. 
— Acho ótimo, desde que a senhorita me chame de Emma — sussurra — É desagradável e muito impessoal jantar com uma mulher que se dirige a mim pelo meu sobrenome.
Após suspirar novamente, aceito e lhe estendo a mão. 
— Combinado, Emma, prazer em te conhecer. 
Ela pega minha mão e, para minha surpresa, dá um beijo nela. 
— Digo o mesmo,Gina — acrescenta numa voz dócil.

Nesse instante, o carro para e, já do lado de fora, Tomás abre a porta para nós. A senhora Swan... digo, Emma desce e me oferece sua mão para sair. Quando já estamos as duas na rua, o motorista entra de novo no BMW e vai embora. Então Emma me segura pela cintura e eu leio um letreiro que diz "Moroccio". 
Entrar naquele restaurante bonito e iluminado me deixa de bom humor. Sempre quis ir ali. Além disso, estou faminta; quase não comi nada na hora do almoço e estou com uma fome absurda. Ao entrarmos, observo as mesas do lugar e, em especial, os pratos que os garçons servem. "Meu Deus, esses pratos estão com uma cara maravilhosa!" Ao avistar Emma, o maître sorri e se dirige a nós.
— Acompanhem-me — ele diz após nos cumprimentar. Emma me segura pela mão e eu me deixo levar. Vejo algumas mulheres olhando para ela, o que me enche de orgulho por ser eu quem está a seu lado, e não elas. Ao atravessar o salão onde as pessoas estão jantando, chegamos a um espaço reservado com divisórias em tecido de cetim dourado. Não consigo esconder a surpresa, e, quando o maître abre uma dessas cortinas e nos convida a entrar, quase pulo de felicidade. 
É um lugar luxuoso e iluminado por velas. Num canto há uma poltrona que parece confortável e, no centro, uma mesa redonda e arrumada para dois. Emma sorri do meu espanto, e percebo que ela dirige um olhar ao maître para nos deixar a sós. Chega perto de mim e, num gesto de cavalheirismo, puxa uma das cadeiras para eu me sentar. 
— Gostou? 
— Gostei... 
Enquanto me acomodo na cadeira, ela dá a volta na mesa e senta na minha frente. 
— Nunca jantou aqui? 
— Já passei mil vezes pela porta, mas nunca tinha entrado. Só de olhar do lado de fora, já dá pra saber que os preços são proibitivos para uma assalariada modesta como eu. 
Em resposta ao que digo, Emma torce o nariz e estende sua mão sobre a mesa até alcançar a minha. Começa a acariciar meu pulso, desenhando com o dedo suaves movimentos circulares. 
— Para você, poucas coisas são proibitivas — murmura. 
Isso me faz rir. 
— Mais do que você imagina. 
— Duvido, pequena. Tenho certeza de que é você quem impõe os limites. 
Seu olhar, sua voz rouca e seu jeito de me chamar de "pequena" me cativam. Meu corpo inteiro fica arrepiado. Ela. A senhora Swan, minha chefe, me fascina a cada segundo que passa.
Aperta um botão verde que fica na lateral da mesa e, após alguns segundos, aparece um garçom com uma garrafa de vinho. Enquanto serve a bebida, leio no rótulo "Flor de Pingus. Ribera del Duero". Cara, eu detesto vinho! E estou doida por uma Coca-Cola bem gelada. Emma pega a taça que o garçom serviu, chacoalha um pouco, aproxima do nariz e toma um pequeno gole. 
— Excelente. 
O garçom enche o restante da taça e depois dá a volta na mesa e me serve também. E agora? Instantes depois, ele se retira, nos deixando a sós. 
— Prova o vinho, Gina. É maravilhoso. 
Pego a taça e faço cara de séria. Mas, quando vou levá-la à minha boca, sinto a mão dela sobre a minha. 
— O que houve? — ela pergunta. 
— Nada. Emma inclina a cabeça. 
— Gina, eu te conheço pouco, mas já estou vendo as brotoejas aparecendo no seu pescoço — diz, surpreendendo-me. 
— Você mesma me falou sobre isso. O que aconteceu? 
Sem conseguir me conter, abro um sorriso. Essa Emma Swan não perde uma. 
— Quer saber a verdade? 
— Sempre — insiste. 
— Não gosto de vinho e estou morrendo de vontade de tomar uma Coca geladinha.
Chocada e irônica, olha para mim como se eu tivesse dito que os Teletubbies são meu seriado favorito e que Bob Esponja é meu namorado. 
— Você vai gostar desse vinho cor de rubi escuro — murmura com uma voz rouca porém gentil. — Faça isso por mim e prove. Se não gostar, é claro que eu peço uma Coca pra você.
Sem dizer nada, eu tomo um gole depressa. 
— Que tal? — pergunta sem tirar de mim seus olhos penetrantes. 
— Uma delícia. Melhor do que eu imaginava. 
— Quer que eu peça a Coca? Sorrio e digo que não com a cabeça. Instantes depois, a cortina se abre de novo e surgem dois garçons com vários pratos.
— Tomei a liberdade de fazer o pedido para nós duas. Tudo bem? Faço que sim. Não me resta alternativa. E pouco depois saboreio um delicioso coquetel de camarões, uma sofisticada pasta de berinjela e, em seguida, um ótimo salmão ao molho de laranja. Enquanto isso, nós duas conversamos. Emma Swan se tornou de repente uma mulher com grande senso de humor, e isso me atrai muito. Então me dou conta de que uma luz alaranjada se acende no canto direito da sala. 
— O que é isso? Sem precisar olhar, Emma sabe a que me refiro. 
— Talvez depois da sobremesa eu te mostre. 
Isso me faz sorrir e eu tomo um gole do vinho que, por sinal, acho cada vez mais saboroso.
— Por que só depois da sobremesa? Minha pergunta parece diverti-la. Ela me encara e se recosta em sua cadeira. 
— Porque primeiro eu quero jantar. 
Não pergunto mais e, quando termino o salmão, os garçons entram para recolher os pratos. Segundos depois, entra outro garçom e deixa à minha frente uma fatia de torta de chocolate acompanhada de uma bola cor-de-rosa.
— Hummmm, que delícia. — E, ao ver que não lhe servem, pergunto: 
— Você não vai comer sobremesa?
Não me responde. Limita-se a levantar, pegar sua cadeira e se acomodar a meu lado. Fico meio nervosa. É tão sexy que é impossível não pensar em mil safadezas nesse momento. Pega a colherzinha, parte um pedaço da torta, coloca um pouco de sorvete e diz: 
— Abre a boca. Pisco os olhos, surpresa. 
— Quê? 
Não repete o que disse. Me aponta a colher e, automaticamente, abro a boca. Me sinto extasiada. Enfia a colher devagar na minha boca e eu logo fecho os lábios. Me olha. Fico excitada e sorrio com timidez. Após engolir essa iguaria, tento dizer alguma coisa, mas ela me interrompe: 
— Está gostoso? Com meu paladar ainda adocicado pelo chocolate e o sorvete de morango, faço que sim com a cabeça. Ela chega mais pra perto: 
— Posso provar?
Digo que sim, e minha surpresa é enorme quando o que ela prova na verdade são os meus lábios. Minha boca. Encosta seus lábios suculentos nos meus e os saboreia. Como fez de manhã no arquivo, primeiro põe a língua para fora, lambe meu lábio superior, em seguida o inferior, depois dá uma mordidinha e, por fim, sua língua sensual me invade e eu fecho os olhos esperando mais. Quando sinto sua mão sobre meu joelho, minha respiração se acelera, mas eu não me mexo. Quero mais. Lentamente ela vai subindo com a mão até chegar à parte interna das minhas coxas, e fica massageando. Sua mão sobe até minha calcinha e eu sinto seu dedo ali. Mas, de repente, ela se afasta de mim e volta à sua posição na cadeira. 
Minhas bochechas estão pegando fogo. Ardem, assim como meu corpo inteiro está ardendo. Aquele contato íntimo me deixou a mil. O que está havendo comigo? Um beijo e um simples roçar de sua mão quase me levaram ao orgasmo, e isso acelera minhas pulsações. Emma me observa. Vejo seus olhos ardendo de desejo. 
— Eu tiraria sua roupa todinha aqui mesmo — murmura. 
Estou tremendo. Meu Deus! Vou ter um troço! 
Quero mais e desta vez sou eu que começo a beijá-la. Ela aceita meus lábios mas, quando vou agarrá-la pelo pescoço, segura minhas mãos e se afasta um pouco de mim. 
— Até onde está disposta a ir? — pergunta, bem perto dos meus lábios. 
Essa frase me tira dos eixos. Ela está se referindo a quê? Mas o desejo que sinto por ela agora é tão forte e tão safado que respondo completamente enfeitiçada: 
— Até onde a gente for. 
— Tem certeza? 
— Bem — murmuro, extasiada. — Só não aceito sado. 
Emma sorri. Passa as mãos por baixo das minhas pernas e por minha cintura e me senta sobre seu colo. Vou explodir. Estou no colo da minha chefe! Esfrega seu nariz no meu pescoço e eu a ouço aspirar meu cheiro. Meu perfume. Aire de Loewe. Fecho os olhos e, quando os abro, vejo que está me olhando.
— Quer mesmo saber o que significa essa luz laranja? 
Desloco meu olhar em direção à luz, que continua acesa, e faço que sim com a cabeça. Emma mexe a mão e aperta um dos botões que ficam na lateral da mesa. As cortinas de cetim que estão sob a luz laranja se abrem e um vidro escuro aparece. O que é isso? Emma me observa. Instantes depois, o vidro se ilumina e vejo com toda a nitidez duas mulheres em cima de uma mesa fazendo sexo oral. Alucinada, desconcertada e incrédula, assisto ao espetáculo que aquelas desconhecidas nos oferecem quando, de repente, Emma aperta outro botão e os gemidos das mulheres ecoam em nosso ambiente privativo. Não sei o que fazer. Nem sei para onde olhar. 
— Está preparada para isso? — me pergunta. 
Minha pele arde enquanto sinto seus dedos firmes acariciando minha cintura. Eu a encaro, confusa. 
— Por que estamos vendo isso? 
— Gosto de assistir. Isso não te excita?
Não respondo. Não consigo. Estou tão paralisada que nem mesmo sei se continuo respirando. 
— Todo mundo tem seu lado voyeur. Ver algo supostamente proibido, bizarro ou excitante nos atrai, nos estimula e nos faz querer mais.
Volto a dirigir meu olhar ao vidro enquanto a respiração das duas mulheres ressoa pela sala, e então vejo Emma apertando outro botão e as cortinas do lado esquerdo se abrindo. Ali havia uma luz verde. Segundos depois, o vidro se ilumina e vejo dois homens e uma mulher. Ela está deitada num divã. Um homem a penetra e o outro chupa seus seios enquanto ela, deliciada, curte o momento. 
— Cenas como essa merecem ser vistas — prossegue Emma. — As expressões da mulher enquanto permite que desfrutem de seu corpo e de sua feminilidade são enlouquecedoras. Olha como ela está excitada... Hummmm.... Está adorando o que fazem com ela. Entrega-se extasiada a eles, não acha?
— Não... sei. 
— As mulheres são uma contínua fonte de excitação para mim. Vocês são deliciosas. 
Com o coração a mil, pego a taça de vinho e bebo tudo de um gole só. Estou sedenta quando a ouço dizer: 
— Fique calma. Eles não podem nos ver. Mas se deixam ser observados. A luz laranja permite ver, e a luz verde convida a participar. Você gostaria? 
— De quê? 
— De participar. 
— Não — balbucio, supernervosa.
— Por quê? 
Meu coração quase sai pela boca, e tudo o que consigo responder é: 
— Eu... Eu não faço coisas desse tipo. 
Ela franze as sobrancelhas e pergunta: 
— Você é virgem? 
— Nãããããooo! — respondo com extrema efusividade. — Mas eu... 
— Tá bom. Entendo. Você faz sexo tradicional, né? 
Como uma idiota, balanço a cabeça afirmativamente e ela segura meu queixo para que eu veja o trio, que continua com sua brincadeira voluptuosa. 
— Eles também fazem sexo tradicional — acrescenta. — Mas às vezes brincam e experimentam algo diferente. É sério que isso não te atrai? 
Sem conseguir tirar os olhos, eu os observo e um gemido acaba saindo instintivamente de dentro de mim quando vejo o tesão daquela mulher. Estou excitada. 
— Não... eu... — respondo. 
— Te incomoda falar de sexo? 
Eu a encaro surpresa. Aonde ela quer chegar com essa pergunta? 
— Seus olhos mostram que está nervosa, mas sua boca denuncia seu desejo — insiste.
— Você não pode negar que o que está vendo te deixa excitada e muito, certo? 
Não respondo. Me recuso. E ela, no controle da situação, murmura perto do meu ouvido: 
— Você se sairia muito bem. Muito bem, Regina. Eu iria te proporcionar todo o prazer que você quisesse. É só me pedir e eu te darei. 
Como uma boba, faço que sim. Nunca pude imaginar algo assim na minha vida. Não sei para onde olhar. Estou tão excitada que sinto até vergonha de admitir. O lugar, o momento e a mulher que está a meu lado não me deixam continuar pensando. 
— Nessas salinhas privativas, quem quiser pode assistir a uma cena deliciosa e algo mais. Apenas um seleto grupo de pessoas pode entrar aqui. E, se depois de assistir à cena você quiser participar, é só apertar esse botão e os vidros desaparecerão.
De repente fico histérica. Muito nervosa. Não quero nada do que ela está me oferecendo. Tento me levantar, mas Emma me segura. Não permite que eu me mexa, e, com a respiração supera acelerada, eu sussurro:
— Quero ir embora. 
— Ainda são onze horas. 
— Não importa... quero sair daqui. 
— Por quê, Regina? — Ao ver que não respondo, acrescenta: 
— Pelo que eu me lembre, você disse que estava disposta a tudo. 
— Não me referia a isto. Eu... eu não faço essas coisas. Segurando-me com mais força, Emma me obriga a olhar para ela e, após cravar seus olhos claros em mim, murmura perto da minha boca: 
— Você se surpreenderia se experimentasse. 
— Emma, eu não... 
— Regina, sexo é um jogo muito divertido. Só precisa ter coragem de experimentar. 
Nego com a cabeça, desconcertada. Não quero experimentar. O sexo normal, que conheço, é mais que suficiente e me satisfaz. Após alguns segundos que me parecem uma eternidade, Emma aperta os botões, e os gemidos somem. Instantes depois, os vidros se tornam escuros e as cortinas se fecham. 
— Obrigada — consigo balbuciar. 
Me levanta de seu colo e me olha com expressão séria. 
— Vamos, Gina. Vou te levar pra casa. 
Meia hora mais tarde e após um estranho mas não incômodo silêncio, rompido apenas por sua conversa ao telefone com uma mulher, chegamos à minha rua. Ela desce do carro comigo e me acompanha. Sua atitude volta a ser fria e distante. Tomamos o elevador. Quando estamos diante da minha porta, quero convidá-la a entrar, mas ela me interrompe: 
— Foi um jantar muito agradável, senhorita Mills. Obrigado por sua companhia. Dito isso, beija minha mão e vai embora. Estou excitada e sem palavras às onze e meia da noite. Voltei a ser a senhorita Mills?

No dia seguinte, quando chego ao escritório e entro na sala da minha chefe para buscar uns arquivos, suspiro ao me lembrar do que aconteceu ali na véspera. Quase não dormi. Não paro de pensar em Emma Swan e no que houve entre nós. Na noite anterior, ao chegar em casa, vi na televisão a reprise do jogo Alemanha-Itália. Que jogaço da Itália! Quero esfregar na cara dessa sujeita pedante a eliminação de seu país. 
Killian aparece e vamos juntos tomar café da manhã. David e August se juntam a nós e conversamos animados, enquanto observo a entrada na expectativa de que Emma, a chefona, a mulher que me convidou para jantar e me deixou super excitada, passe por aquela porta. Mas isso não acontece. E eu fico decepcionada. Então, depois que acabamos o café, voltamos a nossas respectivas salas.
Ao retornarmos, Killian vai ao departamento administrativo. Precisa resolver algo que a senhora Swan lhe pediu no dia anterior. 
Disposta a enfrentar um novo dia, ligo meu computador e em seguida meu telefone toca. É da recepção para avisar que um jovem com um buquê de flores está perguntando por mim. Flores? Nervosa, me levanto da cadeira. Nunca ninguém me mandou flores e tenho certeza de quem foi: Emma. 
Com o coração disparado, vejo as portas do elevador se abrirem, e um jovem com um boné vermelho e um lindo buquê confere a numeração das salas. Mas, ao se dar conta de que estou olhando para ele, aperta o passo.
— Por acaso você é a senhorita Mills? — pergunta ao chegar perto de mim.
Quero gritar: "Sim! Meu Deeeeeeus!"
O buquê é espetacular. Lindas rosas amarelas. Amei!
O jovem do boné vermelho me olha e, por fim, respondo "sim" à sua pergunta. 
— Assine aqui e, por favor, entregue esse buquê à senhora Milah Stilskin. Minha boca abre e não fecha mais.
É pra minha chefe? 
Um balde de água fria. Meus breves segundos de felicidade por me considerar alguém especial se desfazem num piscar de olhos. Mas, sem querer deixar minha decepção transparecer, pego o buquê, olho para ele e quase choro. Seria tão bom se fosse para mim... 
Deixo o buquê sobre minha mesa e assino o papel que o rapaz estende na minha direção. Depois que ele vai embora, levo as lindas flores à sala da minha chefe. Coloco- as em cima da sua mesa e me viro para sair. Mas então sou dominada pela curiosidade, daí me viro de volta e procuro o cartão entre as flores. Eu o abro e leio: "Milah, repetimos na próxima vez? Emma Swan." 
Ler isso me deixa nervosa. Como assim "repetimos"? 
Fala sério! Parece propaganda de chocolate. "Repetimos?" 
Rapidamente deixo o cartão no seu devido lugar e saio da sala. Meu humor agora está péssimo. Espero que ninguém me encha nas próximas horas ou vai pagar muito caro. Eu me conheço e sei que sou bem perversa quando fico chateada. 
Sem conseguir tirar da cabeça esse "repetimos?", começo a digitar um relatório no computador, até que minha chefe aparece.

— Bom dia, Regina. Entre na minha sala — diz sem olhar para mim.
Não! Agora não. Mas me levanto e a sigo. 
Quando entro e fecho a porta, ela vê o buquê de flores e o pega. Tira o cartão e eu a vejo sorrir. Que idiota! Meu pescoço está coçando! Malditas brotoejas.

— Falei com Robert, do RH — me diz. 
Ai, minha nossa! Vai me demitir? 
— Vai haver umas mudanças na empresa. Ontem tive uma reunião muito interessante com a senhora Swan, e algumas coisas vão mudar em muitas das sucursais espanholas. 
Escutar que ela teve uma reunião interessante é algo que me incomoda. Mas logo o telefone toca e eu atendo imediatamente. 
— Bom dia. Sala da senhora Milah Stilskin. Sou a secretária, a senhorita Mills. Em que posso ajudá-lo? 
— Bom dia, senhorita Mills. — É Swan! — Poderia me passar para sua chefe? 
Com o coração acelerado, consigo balbuciar: 
— Um momento, por favor.
Nem preciso dizer que minha chefe, quando informo que é ela, aplaude — não apenas com as mãos — e pede que eu me retire da sala. Mas antes de sair eu a ouço dizer: — Oieeee! Chegou bem ao hotel ontem à noite? 
Ontem à noite? Ontem à noite? Como assim "ontem à noite"? 
Fecho a porta. Mas ontem à noite ela estava comigo!

Então minha mente fantasiosa logo começa a imaginar o que aconteceu. Ela era a mulher com quem ela falava ao telefone no carro. Me deixou em casa e foi encontrá-la. Será que voltou ao Moroccio? 
A cada segundo que passa, fico com mais raiva. Mas por quê? A senhora Swan e eu não temos nada. Apenas jantamos, ela colocou a mão em mim por cima da roupa e assistimos juntos a um espetáculo sexual. Isso me dá o direito de ficar com raiva? 
Volto à minha cadeira e continuo a digitar. Tenho que trabalhar. Não quero pensar. Em algumas ocasiões pensar não é bom, e esta é uma dessas ocasiões. A uma da tarde, minha chefe sai da sala e, após dirigir o olhar para Killian, ele se levanta e eles vão embora juntos. Sei o que vão fazer. Treparão como coelhos durante as duas horas de almoço, e sabe-se lá onde. 
Trabalho, trabalho e mais trabalho. Me concentro no meu trabalho. Estou tão mal-humorada que ataco minhas tarefas com muita energia e me livro de uma pilha de papéis. Por volta de duas e meia, chega Óscar, um dos seguranças que ficam na portaria.
— O motorista da senhora Swan deixou isto aqui pra você — diz, me entregando um envelope. 
Boquiaberta, olho para o envelope fechado com meu nome escrito. Agradeço a Óscar, e ele se retira. Fico um tempo observando a embalagem e, sem saber por quê, abro uma gaveta e o guardo ali. Não pretendo abrir até segunda-feira. Hoje é sexta. Dia de trabalhar direto até as três, sem pausa para o almoço.

O telefone toca. Atendo e, após dizer as palavras de sempre, escuto do outro lado: 
— Abriu o pacote que te mandei? 
Swan! Não respondo e ela acrescenta: 
— Estou ouvindo sua respiração. Responda. 
Mil respostas passam pela minha cabeça. A primeira: "Mandona!" A segunda é pior. 
— Senhora Swan, o pacote acabou de chegar e resolvi esperar até segunda-feira — respondo finalmente. 
— É um presente para você.
— Não quero nenhum presente seu — murmuro com um fio de voz, surpresa com suas palavras. 
— Por quê? 
— Porque não. 
— Ah! Senhorita Mills, essa resposta não me serve. Abra o pacote, por favor. 
— Não — insisto. Eu a ouço bufar... Estou irritando essa mulher. 
— Por favor, abra. 
— E por que eu deveria abrir? 
— Gina, porque é um presente que comprei pensando em você.
Ah tá... Então voltei a ser Gina? E, como sou uma fraca, uma idiota e ainda por cima uma curiosa incorrigível, acabo abrindo a gaveta, pego o envelope, rasgo, olho dentro dele.
— O que é isso? Escuto sua risada. 
— Você disse que estava disposta a tudo. 
— Bem... eu... 
— Você vai gostar, pequena, te garanto — me interrompe. 
— Um é para casa e o outro é pra você levar na bolsa e usar em qualquer lugar e a qualquer hora. 
Ao ouvir o tom de sua voz quando diz "a qualquer hora", sinto falta de ar. 
Meu Deus, cá estamos nós outra vez! 
— Passo na sua casa às seis — afirma antes que eu possa responder. — Vou te ensinar a usar. 
— Não estarei lá. Vou à academia. 
— Às seis. 
A ligação cai e eu fico com cara de idiota.
Enquanto ouço o telefone apitar do outro lado da linha, sinto vontade de soltar um monte de palavrões. Mas só eu escutaria. Ela já foi embora. 
Irritada, desligo. Olho de novo dentro do envelope e leio "Vibrador Fairy. Sucesso no Japão". Nesse momento, meu corpo reage e eu suspiro. Acabo guardando-o na minha bolsa e apoio os cotovelos na mesa e minha cabeça entre as mãos. 
— Preciso parar com isso — digo em voz baixa. — E já!
Quando chego em casa, meu Trampo me recebe. É um amor! Leio o bilhete em que minha irmã me explica ter dado o remédio ao gato, e isso me faz sorrir. Que fofa ela é! Ponho uma roupa mais confortável e preparo alguma coisa para comer. Cozinho um macarrão à carbonara delicioso, encho o prato e me sento no sofá para ver tevê enquanto devoro a comida. 
Quando termino de comer, me recosto no sofá e, sem me dar conta, mergulho num sono profundo, até que um barulho estridente me acorda. Sonolenta, me levanto e o apito volta a soar. É o interfone.
— Quem é? — pergunto, esfregando os olhos. 
— Gina, sou eu, Emma. 
Então acordo rápido. Consulto o relógio. Seis em ponto. Por favor! Mas quanto tempo será que dormi? Fico nervosa. Minha casa está uma bagunça. O prato com os restos de comida sobre a mesa, a cozinha entulhada, e eu estou com uma cara horrível. 
— Regina, pode abrir? — insiste.

Quero dizer não. Mas não tenho coragem e, após bufar, aperto o botão. Em seguida desligo o interfone. Sei que tenho cerca de um minuto e meio até que ela toque a campainha da porta. Como Ligeirinho, salto por cima da poltrona. Por pouco não bato com a cabeça na mesa. Pego o prato. Pulo de novo a poltrona. Chego à cozinha e, sem poder fazer mais nada, ouço a campainha. Deixo o prato. Jogo água em cima para esconder as sobras do macarrão. 
Ai, meu Deus! Está tudo sujo! 
A campainha volta a tocar. Me olho no espelho. Meu cabelo está todo embaraçado. Dou um jeito como posso e corro para abrir a porta. Quando abro, respiro ofegante por causa da correria e me surpreendo ao ver Emma usando uma calça jeans super justa e camiseta escura. Está gatíssima! Sinto seu olhar me percorrendo, e ela pergunta:
— Você estava correndo? 
Como uma idiota, me seguro na porta. Essa afobação toda acaba comigo. Ela me olha de cima a baixo. Estou prestes a gritar: "Já sei! Estou horrível." Mas Emma me surpreende ao dizer: 
— Adorei suas pantufas.
Fico vermelha como um tomate quando olho para minhas pantufas da úrsula que ganhei de presente da minha sobrinha. Emma entra sem pedir licença. Trampo se aproxima. Para um gato, ele até que é bem sociável. Emma se agacha e faz carinho nele. A partir desse momento, Trampo vira seu aliado. 
Fecho a porta e me apoio nela. Trampo é tão maravilhoso que não consigo deixar de sorrir. Emma me olha, se levanta e me entrega uma garrafa. 
— Tome, linda. Abra, coloque num balde com bastante gelo e traga duas taças.
Obedeço sem contestar. Ela está me dando ordens.
Ao entrar na cozinha, pego o balde que meu pai me deu de presente, encho de gelo, abro a garrafa e, ao colocá-la no gelo, me detenho com curiosidade no rótulo rosa e leio "Moët Chandon Rosado".
— Você disse que gostava de morango — escuto ela dizer, enquanto sinto que me pega pela cintura. 
— Nesse espumante o aroma que predomina é o de morangos silvestres. Você vai gostar.

Nas nuvens com sua presença, fecho os olhos e balanço a cabeça afirmativamente. Está me deixando louca. De repente, me gira para ela e eu fico apoiada entre ela e a geladeira. Respiro ofegante. Emma me olha. Eu retribuo o olhar, e então ela faz aquilo de que tanto gosto. Agacha-se, aproxima sua boca da minha e lambe meu lábio superior. 
Meu Deus, que delícia!
Abro minha boca à espera de que agora ela passe a língua no lábio inferior, mas não. Errei. Me ergue para que eu fique da sua altura e logo enfia sua língua direto na minha boca com uma paixão voraz. 
Incapaz de continuar pendurada como uma linguiça, enrosco minhas pernas na sua cintura e, quando ela esfrega seu seu sexo no meu, eu me derreto. Sentir esse roçar sobre meu corpo me deixa com vontade de despi-la. Mas em seguida afasta sua boca da minha e me pergunta: 
— Onde está o presente que te dei hoje? 
Volto a ficar vermelha.
Essa mulher só pensa em sexo? Tá, admito, eu também. Mas, sem conseguir resistir a seus olhos indagadores, respondo: 
— Ali. 
Sem me soltar, olha na direção indicada. Anda até lá comigo enlaçada em seu corpo e depois me solta. Abre o envelope, pega o que há ali dentro e rasga o plástico da embalagem, primeiro de um dos presentes, e logo do outro. Enquanto faz isso, não tira os olhos de mim e respira com mais intensidade. Me sinto toda incendiada. 
— Pegue o champanhe e as taças. 
Obedeço. Essa mulher vai direto ao ponto. 
Quando acaba de tirar os objetos da embalagem, caminha até a cozinha e os enfia embaixo da torneira. Em seguida enxuga com um guardanapo de papel, volta para perto de mim e pega minha mão. 
— Me leve ao seu quarto — diz. Disposta a levá-la nos meus braços até o céu se preciso for, eu a conduzo pelo corredor até meu quarto e diante de nós está minha linda cama branca comprada numa loja de departamentos. 
Entramos e ela solta minha mão. 
Deixo em cima da mesa o champanhe e as duas taças, enquanto ela senta na cama. 
— Tire a roupa.
Sua ordem me faz sair do universo de morangos e borbulhas no qual ela me havia feito mergulhar. E, ainda excitada, protesto: 
— Não.
Sem tirar os olhos de mim, repete a ordem: 
— Tire a roupa. 
Fervendo no caldeirão de emoções em que me encontro, faço não com a cabeça. Ela faz que sim. Levanta-se com uma cara chateada. Joga em cima da cama os objetos que estava segurando. 
— Ótimo, senhorita Mills. 
Chega! Voltamos ao nosso círculo vicioso? Ao vê-la passar a meu lado, reajo e a agarro pelo braço. Puxo-a com força. 
— Ótimo o quê, senhora Swan? — pergunto num tom desafiador. 
Com ar arrogante, olha minha mão em seu braço. Em seguida eu a solto. 
— Me chame quando você quiser se comportar como uma mulher e não como uma menina.
Isso me provoca. 
Me irrita. 
Quem ela pensa que é? Sou uma mulher. Uma mulher independente que sabe o que quer. Por isso respondo nos mesmos termos:
— Ótimo! 
A resposta a desconcerta. Percebo em seus olhos e em seu olhar. 
— Ótimo o quê, senhorita Mills? 
Continuo olhando séria para ela, quase desmaio de tanta tensão.
— Talvez eu ligue quando o senhora quiser se comportar como uma mulher e não se achar um ser todo-poderoso a quem não se pode recusar nada. Eu disse "talvez"? 
Meu Deus, mas que história é essa de "talvez"? 
Eu quero essa mulher.
Quero tirar minha roupa. 
Quero que ela tire a dela.
Desejo tê-la entre minhas pernas, e mesmo assim eu vou e solto: "Talvez ligue." Uma tensão avassaladora se instala entre nós. Nenhum das duas parece querer dar o braço a torcer, até que minha mão procura a dela, e Emma, me surpreendendo, a segura. Lentamente e com ar perverso, se aproxima e me beija. Me lança um olhar sério.
Ah, como essa mulher me atrai!

Suga meus lábios com prazer e eu respondo ficando na ponta dos pés. De novo se afasta e senta na cama. Não falamos nada. Apenas nos olhamos. Descalço as pantufas da úrsula. Sem hesitar, tiro também minha bermuda e em seguida a camiseta. Fico só de calcinha e sutiã na frente dela. Ao perceber sua respiração ofegante, me sinto poderosa. Isso me agrada. Me excita. Nunca fiz algo assim com um desconhecido, mas descubro que adoro isso. 
Instintivamente chego perto dela. Começo a provocá-la. Vejo que está de olhos fechados e que aproxima o nariz da minha calcinha. Dou um passo atrás e noto que ela se assusta. Sorrio com malícia e ela faz o mesmo. Com uma sensualidade que eu não imaginava ter, abaixo uma alça do sutiã, depois a outra, e volto para perto dela. Desta vez ela me agarra com força pela bunda e não tenho mais como escapar. Novamente aproxima seu nariz da minha calcinha, e eu estremeço quando sinto sua respiração e uma doce mordida no meu púbis depilado.
Sem falar nada, levanta a cabeça e com uma das mãos tira o sutiã do meu seio direito. Me puxa mais para si e enfia o mamilo na boca com um gesto possessivo. Meu Deus! Estou tão excitada que vou gritar. Brinca com meu seio enquanto enfio minhas mãos em seu cabelo e a aperto contra mim. Me sinto poderosa novamente. Sensual. Voluptuosa. Me olho no espelho do armário e a imagem é, para dizer o mínimo, intrigante. Surreal. Quando acho que vou gozar, me afasto dela e, sem necessidade de que diga nada, sei o que ela quer. Tiro o sutiã e a calcinha e fico totalmente nua diante dela. Durante alguns segundos, vejo Emma percorrer meu corpo com seu olhar até que diz:
— Você é maravilhosa.
Ouvir sua voz rouca carregada de erotismo me faz sorrir e, quando ela me estende a mão, eu pego. Levanta-se. Me beija e sinto suas mãos poderosas por todo meu corpo. Que delícia. Ela me joga na cama e eu me sinto pequena. Pequenininha. Emma Swan me lança um olhar altivo, e um gemido sai de dentro de mim no momento em que ela me segura pelas pernas e as separa. 
— Está tudo bem, Regina, você está com vontade. 
Ela tira a camiseta e eu volto a gemer. Que mulher incrível, com esses seios lindos. Ainda de calça, fica de quatro em cima de mim e pega um dos presentes que me deu. 
— Quando uma mulher lhe dar um aparelhinho como este aqui — murmura enquanto mostra para mim —, é porque ela quer brincar com ela e fazê-la vibrar. Deseja que a mulher se entregue toda em suas mãos, deseja desfrutar plenamente de seus orgasmos, de seu corpo, dela inteirinha. Nunca se esqueça disso. — Como sempre, balanço a cabeça afirmativamente como uma idiota, e ela continua: 
— Este vibrador aqui é para o clitóris. Agora feche os olhos e abra as pernas para mim — sussurra. 
— Te garanto que você terá um orgasmo maravilhoso. 
Não me mexo. 
Estou assustada. 
Nunca usei um vibrador para o clitóris, e ouvir o que ela diz me deixa constrangida, mas ao mesmo tempo me excita. Emma vê a indecisão nos meus olhos. Passa a mão delicadamente sobre meu queixo e me beija. Quando se afasta, pergunta:
— Você confia em mim?
Eu a encaro por alguns segundos. É minha chefe. Devo confiar nela? 
Tenho medo do desconhecido. Não a conheço! Nem sei o que vai fazer comigo. 
Mas estou tão excitada que, no fim das contas, volto a concordar. Ela me beija e, instantes depois, desaparece do meu campo de visão. Sinto-a acomodar-se entre minhas pernas enquanto eu olho para o teto e mordo os lábios. Estou muito nervosa. Nunca me expus tanto a uma mulher assim. Meus relacionamentos até agora eram bem normais e, de repente, estou nua no meu quarto, estirada na cama e de pernas abertas para uma desconhecida que ainda por cima é minha chefe! 
— Adorei você estar totalmente depilada — sussurra. 
Beija a parte interna das minhas coxas enquanto acaricia minhas pernas com delicadeza. Estou tremendo. Em seguida ela dobra minhas pernas e eu fecho os olhos para não ver a imagem ridícula que devo estar passando. Logo sinto seus dedos percorrendo minha vagina. Isso me faz estremecer mais uma vez e, quando sua boca ardente se detém ali, tenho um sobressalto. Emma começa a mover a língua do mesmo jeito que faz quando está me beijando. Primeiro dá uma lambida, depois outra, e minhas pernas instintivamente se abrem mais um pouco. Sua língua alcança meu clitóris. Dá voltas nele e o estimula. Quando sente que está inchado, puxa-o com os lábios e começa a chupá-lo. Respiro ofegante.
Escuto um barulho. Um barulho estranho que logo identifico como o vibrador. Emma o esfrega na parte interna das minhas coxas, e eu tremo de tanto tesão. E, quando o passa pelos lábios da minha vagina, um gemido eletrizante me faz abrir os olhos. 
— Prometo que você vai gostar, pequena — eu a ouço dizer. 
E tem razão! 
Eu gosto! 
Essa vibração, acompanhada da atração pelo proibido, me enlouquece. Com cuidado me abre e coloca o aparelho sobre meu clitóris. Me mexo. É eletrizante. Segundos depois, ela o retira e eu sinto sua língua me lambendo com avidez. Pouco depois, sua boca se afasta e eu volto a sentir a vibração. Desta vez não no clitóris, mas ao lado. De repente, um calor intenso começa a invadir meu corpo desde o estômago até em cima. Sinto que vou explodir de prazer, quando me dou conta de que a vibração aumentou. Agora ficou mais forte, mais devastadora. Mais intensa. O calor se concentra no meu rosto e na testa. Respiro com agitação. Nunca tinha sentido esse calor. Nunca tinha me sentido assim. Me sinto como uma flor que está prestes a se abrir para o mundo. 
Vou explodir de prazer!
E, quando não consigo mais segurar, um gemido incontrolável sai da minha boca. Fecho as pernas e me contorço, estremecendo, enquanto ela retira o vibrador do meu clitóris. Por alguns segundos eu estremeço. 
O que aconteceu?
Ao sentir que ela se deita sobre mim e encosta os lábios nos meus, ressurjo das cinzas e começo a beijá-la. O desejo. Devoro sua boca querendo mais. 
— Peça-me o que quiser — eu a ouço dizer enquanto continua me beijando. Sua voz, o tom ao dizer essa frase provocativa, me deixa ainda mais excitada. Agarro o cós de seu jeans e, levando a sério suas palavras, digo: 
— Quero sentir você dentro de mim. Agora!
Meu pedido é urgente para ela.
Tira depressa a calça e a calcinha. Fica totalmente nua e eu estremeço de prazer. Emma é incrível. É forte. Seu corpo todo bem definido. Seu sexo absurdamente molhado está pronto para mim. Estendo meu braço e a toco. Suave. Ela fecha os olhos.
— Pare um segundo ou não poderei te dar o que você me pediu. Obediente, faço o que ela mandou enquanto a vejo se agachar lentamente sobre mim. Põe minhas pernas sobre seus ombros e, sem tirar os olhos de mim, com três dedos, me penetra devagar até o fundo. 
— Assim, pequena, assim. Abra-se para mim. 
Imóvel sob seu peso, lhe permito entrar no meu corpo. 
Ahhh, que delícia! 
Seus dedos me enlouquecem e sinto-a desesperada buscando refúgio dentro de mim. Me penetra bem fundo e eu suspiro quando ela movimenta os quadris.
— Gosta assim? 
Faço que sim. Mas ela exige que eu fale, e para até que eu respondo: 
— Gosto. 
— Quer que eu continue?
Desejando mais, estico as mãos, seguro sua bunda e a aperto contra mim. Seus olhos brilham, eu a vejo sorrir e me contorço de prazer. Emma é poderosa e possessiva. Seus olhos, seu corpo, tudo nela me deixam louca e, quando começa uma série de investidas rápidas e eu sinto seu olhar ardente, ela me mata de prazer. Um tempo depois, retira minhas pernas de cima de seus ombros e as coloca em torno das suas próprias pernas. A brincadeira continua. Agarra meus quadris com uma de suas mãos. 
— Olhe para mim, pequena. 
Abro os olhos e a encaro. 
É uma deusa e eu me sinto uma simples mortal em suas mãos. 
— Quero que você me olhe sempre, entendeu? 
Volto a concordar com a cabeça como uma idiota, e não tiro os olhos de cima dela enquanto, excitada de novo, sinto-a mergulhando mais um de seus dedos dentro de mim mais algumas vezes. Ver sua expressão e sua força me enlouquece. Abro minhas pernas o máximo que consigo para lhe dar mais espaço. Depois de meter fundo várias vezes, me rasgando por dentro e me revirando por completo, Emma fecha os olhos e gozamos juntas depois de um gemido sexy, ao mesmo tempo que me aperta contra ela. Por fim, cai sobre mim.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...